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A vitória do trabalho sobre a soberba

Publicado: 9 de abril de 2013 por Kzuza em Esporte
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unilever

Mais uma vez, a final da Superliga Feminina de vôlei foi disputada entre a Unilever/Rio de Janeiro e o Sollys/Osasco. Normal. Reflexo do baixo investimento no esporte aqui no LISARB. A disputa polarizada entre as duas cidades durante tanto tempo acontece porque somente esses dois times possuem um orçamento gordo o suficiente para montar grandes estruturas e contar com grandes jogadoras e equipe técnicas. A chegada da Amil no circuito desse ano com o Campinas é uma ponta de esperança. Mas é questão de esperar. Se o time não for campeão em 2 anos, eu posso apostar que a Amil retira o patrocínio rapidinho, assim como fez a Meddley com o time masculino de Campinas, ou os patrocinadores do Vôlei Futuro de Araçatuba. Essa é a triste realidade nacional.

Mas voltando à final do campeonato, eu confesso que desde que acompanho vôlei, sempre torci pelo sucesso do time do Osasco. Desde a época em que o time era patrocinado pelo extinto BCN, com jogadores como Marcia Fu e Hilma. Diferentemente do futebol, onde a escolha do time está mais associada à paixão, nesse caso a escolha foi um bocado mais racional. Até por morar na região, era muito mais fácil ir assistir aos jogos. Além disso, acabei me identificando com a forma de trabalho do time, na época comandada por Zé Roberto Guimarães.

Obviamente, sempre torci contra o time carioca nas finais. Não sei o que me incomodava no time comandado por Bernardinho. Não sei se era arrogância do técnico, ou mesmo do time. Ou se eram as frequentes surras que o time dele dava em cima do meu. Mas enfim, nunca simpatizei com o time.

Ano passado, achei sensacional a paulada que o Sollys mandou pra cima da Unilever em pleno Maracanãzinho. Eu odiava a Destinee Hooker, jogadora irresponsável, sem caráter, soberba, mas de uma bola tremenda! Craque, na acepção da palavra!

Mas vai entender o porquê, esse ano meu sentimento pelo time osasquense mudou. Pela primeira vez, torci pelo time da Unilever. Torci para o Bernardinho mostrar novamente que, apesar de tudo, ele é o melhor técnico do mundo. E justiça foi feita.

Talvez tenha sido pela arrogância das jogadoras de Osasco durante o ano. A minha impressão é a de que o título de mundial interclubes mudou a postura das jogadoras. Ou simplesmente revelou a postura delas. Subiram no salto, como diz a gíria. A preocupação exacerbada com a valorização da própria imagem e com a satisfação dos fãs passou por cima do principal: jogar vôlei. Indiscutivelmente melhores tecnicamente que o time carioca, as paulistas caíram. E feio.

Antes do jogo, as imagens diziam tudo. A Sportv acompanhou ambas as equipes antes da partida final. Dentro do ônibus do Osasco, festa completa. Jogadoras com câmeras em mãos, acenando para torcedores, cantando, dançando, como se estivessem antecipando a festa pelo título. “Estou gravando o vídeo do ano, documentando os bastidores do título da Superliga 2012/2013!”, pensava Jaqueline, com sua GoPro em mãos. As jogadoras do time laranja acenavam para as câmeras, mandavam beijinhos. Eram pura festa.

Do outro lado, o time azul, completamente concentrado. Nada de brincadeira, só seriedade. Já sabiam da dureza que seria a partida. Sabiam que não eram páreo tecnicamente, então precisavam de determinação e, por que não, sorte. O foco no jogo foi decisivo. Deu no que deu. Enquanto o time do Sollys já comemorava o título no 3º set, após ter vencido os 2 primeiros, a Unilever mantinha-se focada e determinada, como esteve desde o começo. E Osasco se perdeu.

Bernardo Rezende provou, mais uma vez, que é insuperável. Juntou os cacos de um time tecnicamente inferior e saiu-se vitorioso. Na raça, no trabalho e, principalmente, na humildade. Basta ver os discursos das jogadoras após a vitória: mais humildes e sem brilho do que as jogadoras do Osasco antes mesmo da partida decisiva.

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Sósias

Publicado: 7 de maio de 2010 por Kzuza em Geral
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Alguém já reparou como o Pau Gasol, pivô espanhol do Los Angeles Lakers na NBA, é igualzinho o Lucão, meio-de-rede tetracampeão da Superliga de Vôlei com o Cimed Florianópolis?

São iguaizinhos, né não?

Disfarces

Publicado: 30 de abril de 2010 por Kzuza em Geral
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Essa semana fui surpreendido com uma notícia muito chata. A Blausiegel Medicamentos retirou seu patrocínio do time de vôlei de São Caetano, terceiro colocado na Superliga Feminina desse ano. Time esse que contava com as campeãs olímpicas Sheilla, Mari e Fofão. Enfim, um fim trágico para uma parceria de 2 anos que trouxe apenas um título pequeno, mas que me divertiu bastante nesse ano.

Mais ou menos o que aconteceu com o Osasco ano passado, que perdeu o patrocínio da Finasa (do banco Bradesco, na verdade), e que semanas depois firmou parceria com a Nestlé e levantou a taça esse ano. Bom seria se acontecesse algo bem parecido com o time de São Caetano, vamos aguardar.

Mas enfim, fico pensando o que leva tais empresas a abandonarem o esporte assim. O discurso de que “houve mudanças no corpo executivo da Blausiegel” não cola para mim, assim como não colou o Bradesco, o banco com o maior lucro líquido na América Latina, declarar que o fim do patrocínio se devia às mudanças nos investimentos.

Isso porque investir no esporte é muito mais do que retorno financeiro. Investir no esporte serve de exemplo para todo mundo, é meio que uma corrente do bem. Mas isso não interessa aqui no Brasil.

A Blausiegel manteve o patrocínio na Stock Car, e por que? Explico.

De uma forma disfarçada, como se ninguém soubesse, tudo o que acontece nesse nosso LISARB (como gosta de dizer o Matheus) é controlado de alguma forma pela Rede Globo. É ela quem diz o que você deve gostar, o que você deve assistir, em que horário você deve fazer as coisas, etc. Você acha que não, mas é verdade. Comece a reparar na sua rotina diária e verá que isso é muito mais sério do que eu estou escrevendo.

E para a Globo, vôlei não vale nada. Aliás, a partida final até vale alguma coisa, e eles transmitem. No horário que eles querem que você assista. E tanto a Superliga Feminina quanto a Masculina são disputadas em jogo único. Sabe por que? Porque a Globo não quer disponibilizar mais de um espaço na sua grade para transmitir um jogo de voleibol. Porque não dá muito retorno. E é por isso que os diretores da Blausiegel ficaram putos do time não ter se classificado para a final. Porque a marca não é divulgada na massa, só para quem é muito fã (como eu). E isso não dá retorno.

O mesmo para o Bradesco. 4 anos sem ver o Finasa campeão. E o desgaste da marca? Porque a Globo só mostrava um jogo no ano, e justamente nesse ano o Osasco levava ferro do Rio de Janeiro. E aí?

E o esporte continua sem ser valorizado. Por quê? Porque a Globo não quer. O futebol dá mais dinheiro, muito mais.

O mesmo acontece com o basquete brasileiro. A NBB é até uma sacada legal, de gente bem intencionada, que quer desenvolver o esporte no país. Mas a Globo também não gosta, então não vingou.

Esse monopólio da informação molda o país. Não venha me dizer que você também não é refém disso. E se você quiser se livrar dele, você vai se dar mal. Como eu, que tentei acompanhar o vôlei esse ano. E meu time acabou.

Campeões de verdade são assim…

Publicado: 18 de abril de 2010 por Kzuza em Geral
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É claro que eu não podia deixar de escrever sobre a VITÓRIA (sim, com tudo em maiúsculo) das meninas do Sollys Osasco em cima do Unilever Rio de Janeiro hoje, na final da Superliga Feminina de vôlei, realizada no Ginásio do Ibirapuera.

Um jogaço, digno do maior clássico do voleibol mundial. Digno de final. Mas o Osasco se mostrou superior. Venceu as duas partidas, no turno e no returno, e venceu a final. E mostrou que são muito unidas. Mesmo depois do time ter seu fim declarado ao término do ano passado, deram a volta por cima. Reconstruíram uma equipe toda. Graças ao Luizomar de Oliveira, que foi atrás, encontrou um novo patrocinador.

Sim, porque a Nestlé mostrou que esporte é coisa séria. E vai ter um retorno absurdo do investimento. Acreditou nas pessoas certas para fazer isso acontecer.

E ninguém mais suportava a arrogância de Bernardinho e das meninas do RJ. Hoje, no Twitter, todos se declaravam torcedores do Osasco. Porque elas são mulheres de respeito, profissionais acima de tudo. Lutaram, acreditaram, e venceram.

Outro dia mesmo eu disse que adorava ver gente prepotente se ferrando. E hoje eu me deliciei com esse que é um dos meus defeitos.

Às meninas, à comissão técnica toda, meus parabéns!

Fonte: UOL

Nota:  é claro que eu não podia deixar de parabenizar a equipe do Blausiegel São Caetano, que venceu o Pinheiros Mackenzie no sábado e ficou com o terceiro lugar na competição. Nada mais justo! Um timaço, dentro e fora da quadra!

Vencedores e Perdedores

Publicado: 12 de abril de 2010 por Kzuza em Comportamento
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Sábado teve jogo. Aliás, um jogaço. São Caetano contra Rio de Janeiro. Ou Blausiegel contra Unilever, para não deixar os patrocinadores de fora. Semi-final da Superliga Feminina de vôlei. A série estava empatada em 1×1, cada time tinha vencido um jogo em seu domínio, e o desempate seria na cidade maravilhosa, devido à melhor campanha na fase classificatória.

E deu Rio. Com sobra, apesar dos 3×2. Mas jogaram demais e mostraram porque são hexacampeãs, e porque vão à sua sétima final consecutiva, junto com o Sollys Osasco. Ruim para as meninas do São Caetano, e para mim, que torci muito por elas esse ano. Fui a quase todos os jogos em São Caetano esse ano, e gostei muito do que vi. Pena que elas enfrentaram um adversário que foi melhor.

Mas aí você me pergunta: Pô, que papo é esse? Escrevendo sobre um time que perdeu?

Eu explico. Porque o destaque aqui não está para os times, mas para as torcidas. E aí sim posso dizer, porque acompanhei do início ao fim, que São Caetano deu de goleada em cima do Rio de Janeiro. Porque aqui sim a torcida foi muito superior. Talvez não em tamanho, talvez não em barulho, e nem sei se em lealdade com o time (muita gente só apareceu no último jogo). Mas a torcida do ABC paulista foi muito superior em educação e em respeito. Às jogadoras do time local, e a todas as adversárias, pois todas são profissionais.

O que se viu na cidade do Rio de Janeiro foi um total desrespeito às jogadoras da equipe paulista. Insultadas pela torcida. Ofendidas. Para se desestabilizarem. Como se a equipe do Unilever precisasse disso para vencer. Como se não bastasse a qualidade das jogadoras em quadra para ganhar a partida. Mas o povo carioca, que talvez devesse ser um pouco mais receptivo, humilde e solidário, principalmente após as tragédias da semana que se passou, mostrou seu lado mais cruel. Mostrou o que foi o Panamericano de 2007, e o que serão as Olimpíadas de 2016. Ofensas aos adversários. Desrespeito pelo trabalho dos demais, sendo que todos são iguais.

Ao final do jogo, a jogadora Mari disse em entrevista que não sabia porque a torcida estava a tratando daquela forma. Ela, que reagiu às provocações, disse que não tem “sangue de barata”. E se mostrou sensata, perguntando: “E se amanhã eu vier jogar aqui? O que eles vão dizer de mim?”.

As provocações saíram das arquibancadas e invadiram a quadra. A própria levantadora Dani Lins, atual titular da nossa seleção brasileira, também falou o que não devia. E foi filmada. Justo ela, que na sequência irá jogar ao lado de Mari e Sheila, defendendo as cores do país. Então, o que falará?

Mas é isso. O esporte é feito de vencedores e de perdedores. E o voleibol do Rio de Janeiro foi sim vencedor, mas toda sua torcida saiu derrotada. Mais um caso de um time que não tem a torcida à sua altura.

E para fechar, um som que transmite bem isso: Social Distortion – Winners and Losers

[YOUTUBE ahref=http://www.youtube.com/watch?v=f1u5fOJCgh0]

Por que o vôlei não empolga?

Publicado: 15 de março de 2010 por Kzuza em Geral
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Ultimamente tenho acompanhado mais de perto uma modalidade esportiva da qual sempre gostei: o vôlei. Talvez porque seja o único esporte que eu tenha conseguido praticar com certa habilidade. Ou talvez porque o futebol tenha se tornado muito mais um negócio do que propriamente um esporte.

E também fica mais fácil. Tem um ginásio perto de casa. A cidade de São Caetano possui dois representantes, um feminino e outro masculino, disputando o maior campeonato do país: a Superliga. E por enquanto, os jogos tem entrada gratuita.

Sendo o vôlei a modalidade de esporte coletivo que mais trouxe medalhas para o Brasil até hoje, sendo que a seleção feminina é a atual campeã olímpica, sendo que os melhores jogadores do mundo são daqui, por que o vôlei não empolga? Por que a mídia não dá a atenção devida ao esporte? Por que é tão difícil encontrar informação especializada a respeito do vôlei?

O time feminino do São Caetano conta com as atuais campeãs olímpicas Mari, Sheila e Fofão, além da cubana tricampeã olímpica Regla Bell. O time masculino do Pinheiros conta com nada menos que Giba, Rodrigão, Gustavo e Marcelinho, medalhistas olímpicos. O time feminino do Pinheiros está se alternando na liderança da Superliga com o Sollys Osasco. Os jogos tem sido verdadeiras batalhas. E ninguém vê? Ou melhor, só vêem o que interessa?

Algumas equipes tem um (pouco) prestígio maior, como é o caso do Sollys Osasco e do Unilever, no feminino, e do Florianópolis, no masculino. Porque já ganharam títulos importantes. Mesmo assim, só são lembrados nas finais. Ou você já viu alguma capa de jornais que se dizem “esportivos” a respeito desses times?

Mas eu consigo entender. No vôlei não há pancadaria. É raro ter violência nos ginásios. As torcidas não se matam. Os times não se envolvem em polêmicas. Os jogadores se respeitam. A batalha se dá dentro de quadra, e não nos bastidores. E isso, realmente, não interessa à maioria da nossa população.

Devo tirar o chapéu aos jogadores e comissões técnicas desses verdadeiros representantes do esporte nacional. São verdadeiros guerreiros. Fazem de um esporte tão pouco privilegiado aqui o melhor do mundo!

Ignorância

Publicado: 7 de fevereiro de 2010 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Tenho inúmeras razões para acreditar que o ser humano não é inteligente não. Poderia discorrer sobre isso aqui, mas levaria muito tempo e muitas linhas para detalhar tudo o que penso. Então vou me ater somente a 2 experiências que tive ontem que demonstram um pouco disso.

Sábado de manhã, eu sozinho em casa, resolvi matar o tempo indo assistir a um jogo da Superliga Feminina de vôlei. O jogo era pertinho de casa, dá pra ir à pé, e o melhor de tudo: era de graça. Fui e vi um jogo desiquilibrado, mas interessante. Mas o que me impressionou foi o comportamento do público, e das próprias jogadoras. Apesar de ser uma disputa esportiva, onde todos entram para vencer, e a torcida está lá para apoiar e ver o seu time ganhar, o clima era totalmente diferente de uma partida de futebol.

Na arquibancada, eu estava sentado ao lado de torcedores do time adversário. Sem problemas. Antes da partida, um narrador anunciava o nome das jogadoras, e a torcida do time da cidade aplaudia uma a uma, inclusive as do time visitante. Durante a execução do hino nacional, todos respeitosamente em pé e cantando. E ainda respeitaram 1 minuto de silêncio, em respeito ao falecimento de um membro do comitê organizador do vôlei de praia no Brasil. Ao final do jogo, jogadoras de ambos os times se cumprimentavam respeitosamente.

E por que, em jogos de futebol, as coisas também não podem ser assim, se somos todos seres humanos? Por conta da quantidade de torcedores? Ou porque são em sua maioria homens? Parece-me que foi criado um estigma, onde o futebol é sinônimo de virilidade, de masculinidade, de trogloditas em guerra, onde respeito é algo que não existe. Mas quem disse que tem que ser assim? Quem disse que eu tenho que odiar os adversários pra ser melhor que eles?

Mas o segundo exemplo foi ainda mais interessante. Aliás, essas experiências antropólogas me surpreendem muito. E como fã de heavy metal que eu sou, compareci à noite ao show de uma banda americana do estilo. Já sabíamos que a noite seria de muito bate-cabeça, de muita gente louca e esquisita, e de muito barulho.

O engraçado é o que escutamos por aí a respeito desse estilo musical. Quem não conhece ou não é especialista no assunto, generaliza. Acreditam que são grupos que incitam a violência, as brigas e tudo de pior que existe no mundo. É lógico que esse não é o lugar para levar sua filhinha de 15 anos, muito menos aquele seu sobrinho gay, mas é engraçado de ver como o público que curte o metal é unido e se respeita. Cada um no seu estilo, mas respeitando o outro. E cada um curte o show da sua forma. E o cara vibra com as músicas como se fosse um gol do seu time do coração. E vibra com o cara do lado que ele nem conhece. E no final está todo mundo feliz.

É óbvio que tem muita gente ignorante. Assim como tem muita gente ignorante em qualquer lugar. Mas é justamente aí que eu queria chegar. Por que o ser humano generaliza, e acha que nesse tipo de lugar só pode ter violência? Igual acontece no futebol? Que tipo de conceito é esse que o homem estabelece?

Sinceramente, acho que falta senso de sociedade e de civilidade para muita gente aí. Acho que poderiam conversar um pouquinho com as meninas lá do volei, e do público que estava lá no sábado pela manhã…