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Favela e Liberalismo

Publicado: 6 de abril de 2015 por Kzuza em liberalismo
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favelaLi um texto semana passada que diz muito sobre a realidade da pobreza no nosso país. O texto é de João César de Melo. Eu já coloquei alguns textos dele aqui. Extraí as partes principais para que vocês possam apreciar, caso não queiram ler o artigo inteiro.

Ele comenta sobre o livro “Um país chamado favela”, escrito por Renato Meirelles e Celso Athayde. Vejamos algumas constatações:

Resumidamente, para 96% dos moradores das 63 favelas pesquisadas, não foram políticas públicas as responsáveis pela melhoria da qualidade de vida. Para 14%, a família foi a causa, para 40% foi Deus o responsável e para 42% a melhoria de suas vidas foi obra tão somente de seus próprios esforços, ou seja, aquilo que os liberais gritam todos os dias — a potência do indivíduo!

Ou seja, os verdadeiros beneficiários das tais políticas sociais sequer percebem o esforço do Estado para com eles. Os próprios autores do livro reconhecem:

Os jovens, em particular, são filhos e netos daqueles cidadãos abandonados e maltratados pelo Estado. Criados a partir dessa memória familiar recente, não enxergam o governo, qualquer que seja, como provedor de bem-estar. Não raro treinados em modelos espartanos de sobrevivência, convertem-se em homens e mulheres particularmente resilientes que aprendem, enfrentam preconceitos e fazem acontecer.

Outra constatação importante do autor do artigo é:

Darei um ajuda: oferecer seu tempo, seu trabalho, seu dinheiro ou apenas seu interesse aos pobres não faz uma pessoa socialista. Uma pessoa se torna socialista quando ela passa a cobrar que o Estado obrigue outras pessoas a fazer caridade, exigindo que os mais ricos, apenas por serem mais ricos, devam aceitar que o governo lhe tome dinheiro para supostamente dar aos pobres apenas por estes serem pobres.

Essa é uma lição que muita gente ainda não aprendeu. Li em algum lugar outro dia uma frase mais ou menos assim: Socialista é aquele que adora fazer planos para gastar o dinheiro dos outros.

A trajetória “social” de Athayde, relatada por Renato, culmina na criação da Favela Holding, iniciativa responsável pela criação de um shopping center dentro do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, empreendimento de R$ 22 milhões.

Os autores desconhecessem que isso se chama iniciativa privada e voluntária, o pilar do liberalismo. Ignoram que qualquer iniciativa desse tipo, se fosse empenhada pelo estado, custaria 10 vezes mais e ofereceria serviços ruins. Ignoram que o sucesso de empreendimentos como os citados no livro se deve principalmente por serem iniciativas de pessoas comuns e que, por isso, têm mais condições de saber o que pessoas comuns precisam — o que o estado nunca conseguirá saber.

Isso também é brilhante. É extremamente difícil para as pessoas reconhecerem isso e eu realmente não consigo entender o porquê. Ou é uma ingenuidade gigante, ou é mera desonestidade intelectual.

Reconhecendo o potencial das favelas — a despeito da ausência do estado —, os autores chegam a escrever: “Ali, portanto, por necessidade e vocação, funcionam alguns dos melhores laboratórios do país em termos de prática empreendedora”. Quando um liberal fala isso, ele é tachado de maluco — “Impossível um favelado se erguer sozinho!”, gritam os socialistas —, porém, quando são os próprios socialistas que atestam essa realidade, a pobreza deixa de ser vista como uma condenação e passa a ser vista como uma situação reversível a partir do conjunto de esforços individuais.

Muita gente ainda tenta desmerecer os pobres, e eu não vejo outro motivo para isso senão mantê-los para sempre nessa situação e aproveitar-se disso.

O erro, contudo, está na insistência dos socialistas em pregar que o estado deveria ajudar os esforços individuais. Não, não deveria. Todas as vezes que o estado estende sua mão, ele retira do indivíduo a necessidade de ser forte e criativo, empurrando-o na direção da dependência e da subserviência. Qualquer ação de caridade deve vir de indivíduos, nunca do estado.

Apenas pessoas (espontaneamente associadas entre si ou não) têm condições de avaliar a necessidade e o merecimento de outras pessoas e de acompanhar os desdobramentos de cada ação. O estado não tem esta condição.

Embora o argumento seja bem ancap, ele está extremamente correto.

Vale ressaltar também que um favelado só tem o poder de escolher o que consumir porque existe uma complexa rede de interesses individuais que sustentam incontáveis empresas que brigam entre si pela preferência até dos mais pobres.

Sem perceber, os autores reconhecem que, enquanto a “benevolência” do estado não chega a esse grupo de pagadores de impostos, os favelados, o “capitalismo opressor” sobe o morro com suas farmácias, supermercados, serviços de internet e de TV a cabo, lojas de eletrodomésticos, de computadores, de celulares e de material de construção.

Sim, claro! Tudo o que o Estado se propõe a fornecer, muitas vezes através de um monopólio (energia, rede de esgoto, água, etc.), acaba não chegando a todos por pura ineficiência estatal. Isso é claro. Serviços providos pela iniciativa privada sempre chegam a todos. Imaginem se o governo se propusesse a monopolizar o fornecimento de alimentos à toda população. Eu pergunto: você acha que teria comida para todo mundo?

A infelicidade do livro é a insistente interpretação ideológica da realidade — a capacidade dos indivíduos de se levantarem por si mesmos —, tentando nos fazer crer que a favela precisa de estado, muito estado, estado em tudo; e que essas comunidades devem ser protegidas, vejam só, dos interesses dos capitalistas.

O autor do texto só falta concluir com: CQD.

Eu achei que entendia…

Publicado: 18 de novembro de 2014 por Kzuza em Divergência de opiniões
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Uma capirinha de lima da pérsia e uma dose de Drambuie. Achei que isso era o suficiente para abrir a minha mente e finalmente entender o que o Rodrigo tanto temia no nosso atual modelo capitalista opressor. Ledo engano. Passado o efeito tranquilizante do álcool, cheguei à conclusão que realmente não entendo nada.

Na verdade, não foi só a ausência de álcool no sangue que me clareou a visão. Tudo começou no vídeo que o próprio Mathias postou nos comentários. Ele na verdade já explica muita coisa por si só:

Mesmo assim, eu achei que merecia escrever alguma coisa. Até que ontem li esse artigo excepcional de Thomas Sorwell, um dos mais influentes economistas americanos, explicando o porquê da distribuição de renda ser economicamente inviável. Veja:

No mundo real, só é possível confiscar a riqueza que já existe em um dado momento.  Não é possível confiscar a riqueza futura; e é menos provável que essa riqueza futura seja produzida quando as pessoas se derem conta de que ela também será confiscada.

Aí realmente eu fiquei sem argumentos para escrever algo novo. Existe gente nesse mundo muito mais inteligente que eu capaz de explicar as coisas de maneira muito mais clara, mesmo para quem não quer ver.

Para mim, o discurso de “luta de classes” ou de “os patrões devem valorizar mais os seus funcionários” ou “as pessoas devem ganhar pela importância do que realizam” só são válidos para alguns tipos de indivíduos:

  • aqueles que nunca trabalharam em uma empresa privada;
  • os jovens que somente estudaram Marx e/ou a escola de Frankfurt;
  • políticos que procuram popularidade para conseguir votos.

Volto a uma pergunta que já fiz anteriormente: quem é que sabe o valor do trabalho de um funcionário? Como saber se o que ele recebe é muito ou pouco? Eu respondo: o único que conhece esse valor é o dono da empresa.

O Estado, dentro da sua ideologia de proteger o trabalhador, acaba somente por prejudicá-lo ainda mais. Mas é aí que ele mais se equivoca. Como diz o velho ditado, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. No fim, quem mais tem dinheiro é quem sofre menos. O governo adota várias medidas como o salário mínimo, o FGTS, o dissídio salarial, entre outros, com a finalidade de proteger o trabalhador. Mal sabe ele (ou sabe e finge não saber) que isso, na verdade, prejudica o próprio trabalhador ao torná-lo cada vez menos competitivo e produtivo. A mão-de-obra cada vez mais cara não vai fazer com que o empregador distribua mais sua renda, pelo contrário. Ele irá cortar cada vez mais gastos para, ao menos, ganhar o que ele já ganhava no passado.

Um exemplo: o dissídio salarial implica em um aumento linear dos custos de folha de pagamento da empresa sob a alegação de reparar as perdas relativas à inflação do período. Por outro lado, o aumento salarial não quer dizer que os funcionários da empresa tiveram sua produtividade aumentada na mesma escala durante o período. Ou seja, os custos aumentam ao passo que a produção continua a mesma. Ou seja, há um ciclo vicioso onde a inflação se retroalimenta sem nenhuma interferência externa de mercado, pelo simples fato das regulamentações governamentais.

Há para mim uma intenção claríssima em quem abre um negócio próprio: ganhar dinheiro. Ou melhor, ganhar mais dinheiro do que ele ganharia aplicando esse dinheiro em um banco. Ninguém vai trabalhar feito louco para ganhar a mesma coisa ou menos do que ganharia no conforto do seu sofá, sem esforço, enquanto seu dinheiro rende tranquilamente nas mãos de uma instituição financeira. E não há mal nenhum nisso. Há um erro comum na cabeça de quem defende o socialismo que é o de acreditar que os capitalistas querem ganhar mais dinheiro para explorar as pessoas, ou somente para torrar sua grana em iates, mansões e mulheres. Quem ganha dinheiro quer, na verdade, ganhar cada vez mais. Isso é natural de qualquer um. E atire a primeira pedra se você pensa diferente.

Ou seja, não é errado querer que o dono da minha empresa (ou de qualquer outra) ganhe cada vez mais dinheiro. Isso é bom para todo mundo. Quanto mais dinheiro os capitalistas vão ganhando, mais eles vão expandir os seus negócios, mais empregos serão gerados e mais dinheiro ele terá para remunerar melhor os seus trabalhadores. Essa é a forma de relação onde todos ganham.

Dificultar a vida de quem ganha mais dinheiro só tem uma consequência: ninguém vai se sentir tentado a fazer o mesmo. Onerar uma empresa com impostos e taxas não faz com que ela distribua o dinheiro aos “pobres trabalhadores explorados”, somente vai fazer com que ela se retraia, corte gastos e prejudique esses mesmos trabalhadores. Não há um modelo onde a distribuição de riqueza conviva com a geração de riqueza. Isso é insustentável. Só não vê quem não quer.

Tudo começou com um post do meu amigo Angelo no Facebook, que continha a seguinte imagem:

Assim-ensinou-Abraham-Lincoln

E aí um amigo dele, chamado Rodrigo, resolveu comentar. Segue a íntegra do seu comentário:

Angelo, bom dia. Peço-lhe licença para comentar as afirmações acima: “Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança” – Talvez sim, não tenho certeza. “Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes” – Quem é forte e quem é fraco nessa afirmação?. “Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos” – Eu inverteria o raciocínio, eu diria que, não se ajuda os pobres alimentando os ricos. “Não ajudarás o assalariado se arruinares aqueles que o pagam”. Certamente sim, mas o ideal não é arruinar e sim propor que ele valorize mais seus assalariados, e isso não significa estar arruinado. “Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes”. Não faz bem à fraternidade qualquer tipo de ódio, seja de classe ou qualquer outro. O fato é que as classes existem e precisam ser reconhecidas. Esse discurso de combate ao ódio é bem típico dos ricos que tem medo de perder sua riqueza. “Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado” – Talvez sim, talvez não, não sei. Mas claro que se a pessoa conseguir viver dignamente sem precisar pedir dinheiro emprestado, é melhor, e para isso é importante serem bem remuneradas. “Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas” – Obviamente sim, mas isso não deve servir de argumento pra culpar o sujeito que está endividado, porque ele pode estar em dificuldade por ganhar pouco e esse pouco não é suficiente para sustentar sua família. “Não fortalecerás a dignidade se tirar do homem a iniciativa e a liberdade” – Sim, concordo. Mas é importante criar condições para o homem tomar iniciativas e exercer sua liberdade. Não podemos esperar que o cego tome a iniciativa de enxergar ou que o paralítico tome a iniciativa de andar. “Não poderás ajudar os homens permanentemente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer sozinhos”. Se puderem fazer sozinho, concordo. Mas pegando o Brasil como exemplo, sabemos que somente agora o país saiu do mapa da fome. Isso significa que durante mais de 500 anos, muitas pessoas não conseguiram suprir a própria fome. Por isso é importante fazer por essas pessoas. Até pra pescar é importante estar alimentado, como poderá o sujeito, pescar com fome?

Bem, isso iniciou uma discussão tremenda com o Mathias. Conheço o Matheus há mais de 16 anos e posso dizer: o cara não é fácil. A discussão toda está na página do Angelo e sua continuação, na página do próprio Rodrigo no Facebook. Eu coloquei um único comentário no post, somente questionando o quanto argumentos como “pode ser que sim, pode ser que não, não sei” podem colaborar com uma discussão decente, e aí o Rodrigo solicitou uma resposta. Vou usar, então, esse meu espaço para responder, usando palavras do próprio Rodrigo e a minha posição. Vou incluir trechos de outros comentários que estão na sequência da discussão até para você entender melhor.

1 – “Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança”

Talvez sim, não tenho certeza.

Então acredite: é verdade. Há uma frase que gosto do professor Luiz Antonio Joia, da Fundação Getúlio Vargas: “Só tem dinheiro quem guarda”. Só quem poupa consegue investir para obter retorno.

Observações: guarde seus comentários como “mas quem não tem dinheiro sequer para se alimentar, jamais consegue guardar dinheiro” para mais adiante, onde chegaremos ao assunto. Aqui estamos falando somente sobre poupança.

2 – “Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes”

Quem é forte e quem é fraco nessa afirmação?

Olha, sinceramente não conheci Abraham Lincoln pessoalmente, então não sei a quem ele se referia, mas tenho minhas suspeitas. Acredito que ele esteja falando da própria diferença natural entre os seres humanos. Há humanos fisicamente ou intelectualmente superiores aos outros, isso é natural. Acontece o mesmo em todo o reino animal. Por exemplo: você acha justo fazer o Usain Bolt correr a prova dos 100 metros rasos com um saco de 5 kg de areia amarrado em cada perna, somente pelo fato de que ele é superior aos seus adversários?

3 – “Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos”

Eu inverteria o raciocínio, eu diria que, não se ajuda os pobres alimentando os ricos.

Concordo tanto com Lincoln quanto com o Rodrigo. Ambos estão corretos. Faz todo sentido, não é mesmo? Afinal, cada um deveria ser (teoricamente) livre, sem ser ajudado ou prejudicado somente pela sua condição financeira.

4 – “Não ajudarás o assalariado se arruinares aqueles que o pagam”.

Certamente sim, mas o ideal não é arruinar e sim propor que ele valorize mais seus assalariados, e isso não significa estar arruinado.

Aqui começa uma discussão bastante interessante. George Orwell descreve no seu livro “1984” um termo chamado duplipensamento, palavra de um novo idioma chamado novalíngua. Em termos mais atualizados (e reais), talvez aqui o Rodrigo comece a cair no fenômeno chamado Dissonância Cognitiva (já escrevi sobre isso aqui).

Enfim, é um assunto delicado o tal “valorizar mais seus assalariados”. Afinal, quem sabe o real valor do trabalho que é executado por um profissional? Quem é que de fato tem esse senso de justiça? O governo? O sindicato? O trabalhador?

O próprio Rodrigo tenta se explicar em outro comentário, na sua própria página, onde diz:

Continuando, resumidamente, minha visão de economia, riqueza e salário, baseia-se na lógica de que, quem detém o modo de produção, dita o ritmo das vidas das pessoas. Você disse em seu primeiro comentário: “Não entende que salário não se define por decreto, a pessoa ganha de acordo com o que produz, de acordo com a demanda da sua mão de obra”. Primeiro, nunca pensei em decreto para definir salários, penso numa justiça maior, na distribuição da riqueza, com isso não falo em igualdade, mas sim justiça. Mas vamos lá, então você acha realmente que as pessoas ganham de acordo com o que produz??? Daquilo que você produz (se é que você sabe) quanto volta pra você em forma de salário? Então você acredita fielmente no senso de justiça dos empresários? Explique-me melhor isso. “de acordo com a demanda de sua mão de obra”. Te pergunto, quem estabelece a importância da demanda?. Qual a importância do trabalho de um Coletor de Lixo em sua opinião? Se não coletar o lixo da cidade, o que acontece? Aí te pergunto, quanto ganha um Coletor de Lixo? Você acha justo o que ele ganha? Ou você acha que a lógica de remuneração deve ser o quanto estudou a pessoa e não a importância do que ela realiza?? Estendo essa raciocínio aos Bombeiros, aos Professores etc… eles são remunerados de acordo com a importância do que realizam??

Bem, eu respondo. Ninguém recebe salário de acordo somente com o que produz ou com a tal “importância do que ele realiza”. Cada profissional (seja ele qual for) recebe de acordo com o quão complexo é executar a sua atividade, e então de acordo com o quanto seu trabalho é necessário para a sociedade naquele momento. Além disso, existem bons e maus profissionais em qualquer que seja a profissão. Seria justo, ao seu ver, remunerar todos que possuem uma mesma ocupação (já que executam uma mesma atividade) da mesma forma? Tenho certeza que sua resposta é não (e também que eu não entendi o que você quer dizer, blábláblábláblá…. ok). Então, como estabelecer justiça? Eu, particularmente, confio muito mais no dono da minha empresa (que possui um número restrito de funcionários para “julgar”) do que nas boas intenções de qualquer governo que seja para fazer esse julgamento (que, no nosso caso, possui 200 milhões de pessoas para entender).

Então, é óbvio que a lógica da remuneração seja pagar mais aos melhores profissionais que executem os trabalhos mais necessários para a sociedade. É um quadrante, simplificando, mais ou menos assim:

quadrante

Volto àquela fábula conhecida da filha que tenta convencer o pai de que o comunismo é melhor que o capitalismo. Então ele propõe que a nota de todos os alunos da sala dela seja igual, considerando a média da turma. Ela esbraveja, dizendo que não é justo com ela, que passou noites em claro estudando, ter a mesma nota de um aluno que mal frequenta as aulas.

Para finalizar esse assunto, uma pergunta que eu sempre faço quando alguém questiona se o fulano ganha bem ou mal pelo que faz: “Quanto tempo você precisaria para se preparar e conseguir fazer o que ele faz?”. Quanto maior esse tempo, maior deve ser a remuneração dele. Simples assim.

5 – “Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes”.

Não faz bem à fraternidade qualquer tipo de ódio, seja de classe ou qualquer outro. O fato é que as classes existem e precisam ser reconhecidas. Esse discurso de combate ao ódio é bem típico dos ricos que tem medo de perder sua riqueza.

De novo, o duplipensamento. Você está tentando invalidar um argumento utilizando-se de outro distinto. Mas no fundo eu entendi: você concorda com a afirmação de Lincoln. Isso para mim já basta.

No mais, o seu discurso EXPLORADOR X EXPLORADO faz sentido de acordo com a sua ideologia política. Talvez seu único equívoco seja achar que a solução para tal disputa esteja nas mãos do Estado. Ou seja, você acredita em uma terceira força apaziguadora para solucionar o conflito. Mas, para que isso seja possível, você acha viável oferecê-la um poder invisível, para equilibrar os problemas que o mercado (ao seu ver) não é capaz de solucionar. E é justamente aí que caímos em um grande problema, enfrentado em todas as nações que adotaram esse tipo de estratégia. Fortalecemos um terceiro monstro, mais poderoso, chamado ESTADO, capaz (nas mentes de pessoas que pensam como você) de resolver tudo isso na marra, na porrada. Eu sinceramente desafio você a citar um único exemplo concreto de sucesso desse modelo onde o ESTADO centralizador e acima dos indivíduos trouxe prosperidade.

6 – “Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado”

Talvez sim, talvez não, não sei. Mas claro que se a pessoa conseguir viver dignamente sem precisar pedir dinheiro emprestado, é melhor, e para isso é importante serem bem remuneradas.

Não sei, já falei sobre Dissonância Cognitiva por aqui hoje? Acho que sim.

Enfim, Lincoln diz uma coisa, Rodrigo diz outra diferente. É por esse tipo de comentário que o Matheus deitou e rolou na ironia. A afirmação do ex-presidente é claríssima, não tem do que discordar. Voltando à afirmação 1, a única forma de prosperidade é a poupança.

7 – “Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas”

Obviamente sim, mas isso não deve servir de argumento pra culpar o sujeito que está endividado, porque ele pode estar em dificuldade por ganhar pouco e esse pouco não é suficiente para sustentar sua família.

Bem, Rodrigo já concordou com Lincoln, então já estou contente. Também não vi nenhum indício de que o ex-presidente estava “culpando o sujeito que está endividado”. Mais uma vez, o discurso de vítima, na defensiva.

Mas pelas afirmações, é possível ver que você acredita que o Estado é capaz de apaziguar os problemas dos indivíduos como um pai (ou o tal Grande Irmão, de 1984), já que eles próprios são incapazes de gerirem suas vidas de maneira adequada. Enfim, mais adiante no meu texto vou usar um próprio texto seu para mostrar como você cai em contradições.

Se você quiser entender melhor as causas da pobreza, convido você a ler esse texto aqui.

8 – “Não fortalecerás a dignidade se tirar do homem a iniciativa e a liberdade”

Sim, concordo. Mas é importante criar condições para o homem tomar iniciativas e exercer sua liberdade. Não podemos esperar que o cego tome a iniciativa de enxergar ou que o paralítico tome a iniciativa de andar.

Aí você acertou em cheio na questão da liberdade individual. Pincei uma outra frase precisa sua a respeito disso:

Não acredito em Igualdade no sentido de todos serem iguais economicamente, mas acredito na Igualdade de Oportunidades.

Então vamos lá. Você acredita que o Estado deva oferecer condições iguais para que todos possam evoluir de acordo com suas vontades, valores e aptidões. Eu penso exatamente igual. Mas acho que você foi infeliz naquele exemplo da corrida, onde diz:

Mas aí te convido a uma pequena analogia: Imagine uma corrida, com Largada e Chegada, 15 pessoas estão concorrendo. Um Larga em 1°, outro em 10º, outro em 15º. O que largou em 1º ganhou a corrida. Ele ganhou só por méritos? Quem largou em 10º e em 15º não ganhou a corrida por deméritos?? Faço essa analogia, pois é o que percebo nessa corrida que o mercado impõe às vidas das pessoas. Quem nasce em uma classe mais abastada, larga em primeiro, quem nasce numa classe menos abastada, larga nas últimas posições.

Quem é mesmo que impõe isso às vidas das pessoas? O mercado? Quem impõe isso à vida das pessoas é o Estado, meu caro. Você está redondamente enganado. Quem deve oferecer condições iguais de todos competirem é o Estado, como você mesmo disse. Não caia em contradições. O desempenho de cada um depende, repito, das suas vontades, valores e aptidões. Não coloque isso nas costas do mercado. Você fala tanto de justiça social e ainda parece não entender o que isso quer dizer. Vou além: o nosso Estado atual torna-se cada vez mais incompetente ao promover a tal injustiça social ao desviar suas atenções do que realmente promove essa justiça (subjetiva, no meu ponto de vista).

Mas a cereja do bolo é a seguinte afirmação:

E as condições que o modelo capitalista, oferece para as pessoas ascenderem socialmente, é quase nula. Porque quem tem dinheiro tem a maior probabilidade de gerar mais dinheiro, e quem não tem, a remuneração do seu trabalho, em regra não possibilita obter maior qualificação e ainda sustentar sua família etc.

Eu não sei nem por onde começar. Pela sua lógica, quem sempre foi pobre será sempre pobre, e quem foi rico será sempre rico. Ou pouquíssimas pessoas são capazes de mudar a partir dos seus próprios esforços, trocando em miúdos, pois vivemos nesse mundo capitalista opressor. Essa redução da auto-estima das pessoas é justamente o que um Estado poderoso gosta de ver. Eles devem estar orgulhosos de você. Pois quem está com a auto-estima baixa precisa mesmo de amparo, de atenção e de ajuda, pois não acredita ser capaz de vencer por conta própria. Ou, olhando por um outro lado, qualquer pessoa que consiga ascender socialmente não o fez sozinha, mas isso sim é atribuído a um governo cada vez mais efetivo.

De novo, quem não oferece condições para as pessoas ascenderem socialmente não é o modelo capitalista. Quem não oferece condições para isso é um governo assistencialista, paternalista, que não oferece condições básicas de educação, saúde e segurança jurídica ao seu povo.

Eu poderia até citar aqui meu exemplo e vida, ou do Matheus, ou de tantas outras pessoas que conheço que, através do seu próprio esforço, venceram na vida. Mas isso tomaria proporções absurdas. Então convido você a ler esse texto aqui. Acho que ilustra bem o seu tipo de pensamento.

9 – “Não poderás ajudar os homens permanentemente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer sozinhos”.

Se puderem fazer sozinho, concordo. Mas pegando o Brasil como exemplo, sabemos que somente agora o país saiu do mapa da fome. Isso significa que durante mais de 500 anos, muitas pessoas não conseguiram suprir a própria fome. Por isso é importante fazer por essas pessoas. Até pra pescar é importante estar alimentado, como poderá o sujeito, pescar com fome?

Eu não sei se você reparou no advérbio “permanentemente” na frase de Lincoln. Eu concordaria com você se houvesse um mínimo esforço dos governos socialistas para libertar os indivíduos das suas garras assistencialistas. Concordaria com você se houvesse uma mínima sinalização de que as pessoas estão, efetivamente, passando a depender cada vez menos do Estado para sobreviver e estivessem em franca ascensão social. Ou melhor, acreditaria em você se realmente as pessoas se sentissem encorajadas a sair, nesse modelo que você propõe, dessa situação de dependência para correr sozinhas. Mas você sabe, assim como eu, que as coisas não são bem assim. Eu até acredito nas suas boas intenções, mesmo sem lhe conhecer. Mas você realmente acredita nas boas intenções do governo (seja ele qual for, não estamos falando de partido aqui) nesse aspecto?

Se você realmente é um cara tão bem intencionado com os pobres e que luta pela redução das desigualdades, como de fato eu acredito que seja (sem ironia nesse ponto), você tem uma leitura mandatória: esse artigo aqui. Leia com calma e não se arrependa. É sério.


Para finalizar, eu percebo que você, em todos os seus comentários, focou demais em uma distribuição mais igualitária da renda e da riqueza, mas em momento algum conseguiu explicar como gerar mais riqueza (afinal, o mundo anda pra frente, não é mesmo?). Sim, porque essa é uma conta que não fecha. Tem um texto muito interessante nesse link que explica direitinho o porquê. Você possui uma visão simplista de que, se tirarmos um pouquinho dos que têm muito dinheiro e dividirmos com os que têm pouco dinheiro, estamos ajudando a corrigir injustiças histórias desse modelo opressor capitalista fracassado e, dessa forma, vamos conseguir prosperar. Realmente, os países com melhores índices de qualidade de vida e com baixos índices de desigualdade social são aqueles que tomaram esse tipo de atitude proposta por você (sim, aqui eu fui irônico!).

Fique tranquilo. Isso não é um ataque pessoal. Você não é único. Ninguém consegue explicar como a conta fecha no socialismo; isso é um defeito do modelo, e não das pessoas. Não é à toa que esse modelo sim fracassou em todas as nações onde foi implantado. Repito: em TODAS. Enquanto o capitalismo…. bem, ele tem falhas, mas promoveu os maiores avanços até hoje observados pela humanidade. Se você discorda, eu realmente não tenho mais argumentos.

Outra coisa bastante interessante que observei é que você foge das suas próprias convicções. Veja:

Não estou generalizando. Sugiro até que você leia novamente meus comentários. Perceba que faço uso exaustivo, de palavras e frases como: “talvez” “pode ser” “é possível”. Faço algumas perguntas. Isso que você ridicularizou, faz parte da minha postura reflexiva. Não costumo adotar uma postura imperativa e definitiva, gosto de me colocar aberto às reflexões.

Poxa, mas se você não gosta de generalizar, então você volta lá no assunto do duplipensamento (ou dissonância cognitiva). Porque é exatamente isso que você prega em toda sua linha de raciocínio. Veja só um exemplo:

Nunca disse que o indivíduo não tem responsabilidade. O que eu disse em outras palavras é que, os que tem responsabilidade e lutam para um condição de vida melhor, são injustiçados pelo mercado.

Eu não acho que eu sou injustiçado pelo mercado. Você se sente injustiçado? Sentir-se vítima é um assunto complicado. Você se vale desse discurso em praticamente todos os argumentos do seu texto. Há sempre uma vítima, e há sempre um opressor.


Mas enfim, Zuza, no que você acredita?

Eu acredito que temos um problema gigante hoje de falta de geração de riqueza no país. E grande parte do que é gerado de riqueza é consumido por um Estado cada vez maior, o que faz com que sobre cada vez menos para quem realmente precisa. Isso se reflete em todos esses problemas que vemos por aí diariamente, seja na televisão, nos jornais, ou dentro das nossas próprias casas.

E como solucionar isso?

Simplificando. Devolvendo às pessoas o que delas é de direito. Cada um deve ser livre para administrar a sua vida, com cada vez menos intervenção do Estado. Como? Só com o Estado saindo de jogo e diminuindo o seu papel de pai, ou de herói salvador. Hoje, o governo não foca nos três únicos pilares necessários para promover a igualdade social:

  • Educação de qualidade ao acesso de todos;
  • Saúde de qualidade ao acesso de todos;
  • Segurança jurídica para toda a população.

De resto, se TODOS tiverem acesso aos 3 pilares acima mencionados, a vida se ajeitaria naturalmente na sociedade. Todos somos capazes, desde que tenhamos as condições básicas, de correr na nossa melhor velocidade.