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Ao mesmo tempo que a diversidade tem sido a palavra da moda nos últimos tempos, tenho reparado que a mesma só tem sido bem vinda quando convém ao establishment. Em outras palavras, o que é “diferente” só é bem vindo quando serve aos interesses de um grupo quase homogêneo que domina a grande mídia e o meio intelectual.

Quando se trata de uma garota beijar outra garota, ou de um garoto beijar outro garoto, a tal ‘quebra de tabu’ é sempre bem vinda, desde que as pessoas envolvidas estejam alinhadas com o discurso ideológico em voga. O mesmo acontece para mulheres que deixam seus pêlos crescerem, para homens que querem usar barba colorida ou uma saia comprida, para adeptos de dietas alimentares alternativas, para ‘religiões’ modernosas… enfim, tudo que gira em torno dessas esquisitices deve ser louvado, trazido à público como grandes novidades, como quebra de paradigmas. Na onda do progressismo, vale o lema de Raul Seixas: ‘Faça o que tu queres pois é tudo da lei’.

Porém, quando se tratam de opiniões e ideias que fogem do establishment, a diversidade não é nem um pouco apreciada.

Qualquer vírgula que seja colocada fora do lugar em sentenças já estabelecidas como verdade (acho que já falei sobre pós-verdade aqui) é motivo para que seu interlocutor seja taxado de antiquado, caretão, conservador, fascista, machista, homofóbico e por aí vai, de acordo com o tema abordado.

Pensando de uma maneira racional, a lógica argumentativa progressista baseia-se na regra: se está de acordo com o que eu penso e trará mais integrantes para o meu grupo, está correto (mesmo que não seja verdade, pois, nesse caso, o ônus da prova está com quem discorda da minha linha de pensamento). Já se está contra o que eu acredito, é automaticamente falso (e qualquer exame sobre a lógica, ou seja, sobre a verdade é dispensado, sendo substituído facilmente por qualquer xingamento ou caretas de reprovação).

De certa forma, entendo quem escolhe pensar desta forma. É muito mais confortável pensar assim. E fica mais fácil ainda quando a opinião contrária é uma voz praticamente única em um mundo culturalmente corrompido. Quando alguém ousa levantar a mão e questionar, é muito mais fácil soltar um “cala a boca” do que simplesmente mostrar que ele está errado.

Quando busca-se silenciar todas as opiniões diferentes, o mundo fica estagnado. Pois, caso a verdade seja calada, quem voltará a descobri-la?

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Mea culpa

Publicado: 1 de dezembro de 2014 por Kzuza em Comportamento
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Outro dia estava conversando com o Mathias e soltei: “Às vezes, sinto-me culpado por pensar como eu penso”. Às vezes me pego solto em meus pensamentos e fico policiando minhas próprias ideias. Sempre me questiono se não estou sendo um monstro por pensar que não sou responsável pelas atitudes dos outros, ou por não me sentir sensibilizado com os constantes atos violentos praticados por terceiros.

Em algumas discussões, já fui criticado por minhas opiniões, tendo em vista que “para mim é fácil falar, já que sou homem, branco e classe média”. Tenho a impressão de que eu deveria me sentir culpado por ter nascido homem e branco, como se isso dependesse de minha escolha. Quanto à minha posição social hoje, o que para mim é motivo de orgulho, para muitos parece que só cheguei onde cheguei passando por cima dos outros, sem ajudar ninguém. Fico pensando em quantas pessoas não passam pelo mesmo todo dia.

Mas hoje eu li um texto que me abriu a cabeça. Agora tudo começa a fazer sentido. O autor é Murray N. Rothbard, já falecido, mas é ainda muito atual. Consigo, através dele, entender a cabeça de muita gente que conheço, e então não estou mais me sentindo tão monstruoso. Vamos a algumas passagens excelentes do texto, para você, meu amigo preguiçoso, que não está com paciência para ler tudo:

Atualmente, toda a cultura progressista é caracterizada por um maciço sentimento de culpa coletiva.  Aquele cidadão que não rezar pela cartilha politicamente correta e não professar (nem que seja apenas da boca para fora) uma longa lista de culpabilidades solenemente declaradas é automaticamente rotulado de ‘reacionário’ e será naturalmente tido como um pária em sua vida pública.

É exatamente como eu me sinto… hahahahahaha….

Um breve resumo dos sentimentos que um indivíduo tem a obrigação de ter: sentimento de culpa pelo assaltante de rua, sentimento de culpa por séculos de escravidão, sentimento de culpa pela opressão e estupro de mulheres, sentimento de culpa pelo Holocausto, sentimento de culpa pela existência de aleijados, de cegos, de anões e de deficientes mentais, sentimento de culpa por comer animais, sentimento de culpa por estar gordo, sentimento de culpa por fumar, sentimento de culpa por não reciclar o lixo, sentimento de culpa por se locomover de carro e gerar poluição, sentimento de culpa por não usar bicicleta, sentimento de culpa por haver pessoas negras com renda menor que a sua, sentimento de culpa por estar “violando a santidade da Mãe Terra” e por aí vai.

Como eu disse antes, eu não me sinto culpado pelo que os outros fazem ou fizeram. E às vezes parece que estou errado por pensar assim. Acho tão babaca quando as pessoas dizem “Tenho vergonha de ser brasileiro”, como se tivessem que assumir a culpa pelo que os maus brasileiros fazem. Sinceramente, não devo carregar sobre minhas costas o peso das atitudes dos outros.

Alguns grupos já adquiriram o status de “vítimas oficiais” — são aqueles que têm direito a tudo, principalmente ao bolso dos outros cidadãos, os quais, justamente por não estarem no grupo oficial das vítimas, estão consequentemente no grupo dos criminosos, e são os “vitimadores oficiais”, normalmente homens brancos, heterossexuais e bem-sucedidos.

Destes vitimadores exige-se que sintam culpa e remorso pelas vítimas, e consequentemente — uma vez que não faz sentido se sentir culpado sem pagar por isso — assumam vários deveres e concedam infindáveis privilégios às “vítimas credenciadas”, seja sendo pacificamente assaltado na rua, seja fornecendo vagas de trabalho ou em universidades por meio de cotas, seja concedendo salários sem nenhuma relação com a produtividade.

Frequentemente penso que não me basta ser um cidadão de bem, que respeita todos os demais, independente da cor da pele, religião ou orientação sexual. Não me basta pagar meus impostos em dia e cumprir com minhas obrigações legais. Sempre estou devendo alguma coisa, mesmo que eu não saiba o quê.

Grande parte da atual onda politicamente correta não passa de uma demente tentativa de justificar e dar continuidade a um comportamento repugnante ao mesmo tempo em que se tenta substituir o comportamento decente por uma cornucópia de regras formais ditadas por progressistas.  O problema é que essas regras formais são o inverso das boas maneiras, pois são usadas como porretes para impor o desejo de alguns poucos sobre todos os outros — e tudo em nome da “sensibilidade”.

Eis aí o principal ponto do texto. Estamos tendo nossas ideias policiadas frequentemente, por isso fico sempre com esse sentimento de que deveria estar pensando diferente, por um motivo o qual eu ainda não entendi. Porém, agora, tudo parece me fazer sentido.

Concluindo, começo agora a acreditar que não sou tão ruim quanto eu pensava. Apenas não estou seguindo a cartilha que querem impor a todo mundo.