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A onda dos pais covardes

Publicado: 21 de maio de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Acho que Içami Tiba está cada vez mais com os (poucos) cabelos em pé! Se essa geraçãozinha de crianças e adolescentes mal-educados que vemos por aí já nos assusta, imagine para quem trabalha diretamente com eles?

Já ouvi várias teorias sobre o porquê de existirem cada vez mais crianças birrentas.

Há quem diga que hoje elas nascem muito mais espertas que antigamente. Já ouvi dizer: “Ah, mas hoje elas nascem sabendo mexer em tablets, celulares e controles remotos”. Meus ovos! A gente, quando criancinha, só não sabia mexer nisso porque essas coisas não existiam. As crianças não mudaram, o mundo mudou. Manda um pivete desse rodar um pião que eu quero ver. Quantos anos você acha que leva para que os seres evoluam geneticamente a ponto de serem tão diferentes?

Há até quem acredite nas crianças índigo. Eu acho que isso é mero “achismo” e uma procura de explicação para o que não se quer explicar (ou falta de compromisso com a verdade).

Eu tenho uma suspeita, pouco ortodoxa, pouco educada, meio ranzinza. Não sou dono da verdade, mas suspeito que essa geração de criancinhas endemoniadas é fruto de uma única coisa: pais cuzões covardes.

Tenho observado isso durante muito tempo, desde que deixei de ser um adolescente bundão e fui virando homem adulto. Muitos pais se borram de medo dos seus filhos. E sempre com as mesmas desculpas covarde: “Eu não quero traumatizá-lo! Eu não quero judiar dele! Eu não quero deixá-lo triste! Eu não quero que ele ache que eu sou um monstro!”.

Sempre que ouço isso de um pai ou de uma mãe, tenho vontade de responder: CUZÃO! Mas a educação que minha mãe me deu, na base da chinelada, das broncas, dos castigos e das caras de brava não me permite. Porque eu sempre tive limite. Porque lá em casa o bicho pegava quando as coisas não eram feitas do jeito que meus pais queriam.

Ai se eu desafiasse minha mãe! Lembro de ter feito isso uma vez. Eu devia ter uns 10 anos no máximo. Estava no banho, e eu sempre tomei banhos demorados. Todo dia era uma ladainha. Já era a segunda ou terceira vez que ela berrava do lado de fora para eu desligar o chuveiro, e eu soltei algum impropério, reclamando, baixinho para que ela não escutasse. Foi em vão, ela ouviu! Abriu a porta na ombrada e me pegou no tapa ali mesmo, peladão, debaixo do chuveiro.

Hoje em dia, a molecada deita e rola desafiando os pais! E eles não fazem nada! Pelo contrário, sou obrigado a escutar coisas do tipo: “Ah, tá vendo? Ele tem personalidade forte!”. Ou “As crianças adoram nos testar”. Claro que testam! E enquanto não acham o limite, não param.

Já sei, você está pensando: “Claro, Zuza, você fala isso porque não tem filho!”. E eu respondo: “E se você faz isso tudo que eu escrevi, é porque você é um cuzão!”.

Felizmente o mundo ainda tem salvação. Conheço um ou outro casal que ainda consegue, mesmo nessa onda de covardia que assola os pais pelo país, manter as rédeas curtas sem medo de ser feliz. Não temem o que os outros vão dizer. Não temem que o filho se torne revoltado, ou mais burro, ou um assassino em série. Conseguem entender que entre educar (repreendendo, corrigindo, sendo firme) e judiar (maltratando, castigando, humilhando) há uma enooooorme diferença.

Um salve aos pais heróis! Um salve aos pais corajosos!

Meu filho, você não merece nada

Publicado: 18 de julho de 2011 por Kzuza em educação
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A coluna abaixo foi escrita na semana passada na Revista Época, pela Eliane Brum. O original você encontra aqui. Foi dica do Ricardo Martins, que disse que o texto era a cara do Minhoca Fluorescente. De fato é. Já escrevi sobre o mesmo assunto aqui. Se você é pai ou mãe, tem obrigação de ler.

Meu filho, você não merece nada
A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

CONSCIÊNCIA SOCIAL ON:
Declaro que é totalmente válido e recomendável o “planejamento” para tal “ato”.
CONSCIÊNCIA SOCIAL OFF:
Para os sentimentais é um sonho;
para os hieráticos é uma missão;
para os céticos é questão biológica;
para os egoístas é um custo muito alto;
para mim um acidente sem traumas, pois sempre pensei em constituir família, ou melhor, sempre pensei em ter filhos, só fui um pouco precoce.
Sou pai, nunca me julguei pronto, simplesmente me tornei pai… sinceridade, ninguém se prepara pra isso, até porque para a paternidade não tem pré-requisito (apenas um) e não é preciso ler manual.
Vejo uma associação errada entre planejamento com preparo, pode-se planejar um filho e depois nunca estar preparado.
Nunca fui apegado com crianças, não tenho muito jeito, não tenho paciência e sempre confiei a máxima que diz: “Criança é igual peido, a gente só suporta o nosso”. 
Mas bom mesmo é filho dos outros, quando tá enchendo nosso saco é só despachar!
Até aqui pareço me queixar da paternidade, mas não!
Na verdade traço minha vida em 2 momentos, uma até os 22 anos, sem filhos e sem “responsabilidades“, e a outra quando meu filho deu seu primeiro passo, acho que com uns 9 meses de idade… Pode parecer estranho, porque o esperado seria dizer o momento do nascimento, mas para mim o nascimento é mais técnico que sentimental.
No primeiro passo percebi conscientemente que eu iria guiar os seus próximos passos, quiçá, por mais uns 18 anos! Junto com os primeiros passos vieram os primeiros tombos… momento mágico e também assustador!
Só com o tempo vou me julgando apto. Mas é um ciclo, porque qualquer nova situação, algo inesperado, cada nova experiência com o rebento derruba minha auto-estima como pai e sinto-me um verdadeiro babaca que não sabe criar nem um cachorro.
Poderia escrever um livro sentimental grosso sobre meus pensamentos como pai. Mas fico apenas no  debate das questões educacionais e comportamentais dada pelo Zuza no post de 18 de maio… onde ele deu sua opinião sobre as diferenças da educação do nosso tempo (Meu inclusive) com os atuais.
Como eu fui filho na geração passada e sou Pai na atual tenho um pequeno ônus de credibilidade.
Primeiramente concordo que muitos Pais recorrem a terceirização(Humm… será isso?) para resolver alguns problemas, mas atribuo isso a correria de hoje. Por outro lado não associo esta postura com o mal-comportamento dos filhos. Normalmente a falta de autoridade é por culpa, nos poucos momentos que curtem o filho acham que devem deixar os cabeçudinhos fazer o que querem.
Vejo também que a necessidade dos pais, de hoje (será que só de hoje mesmo?), de recorrer a diversos profissionais para ajudar a educar seus filhos é o resultado da atual geração de serviços, porque temos a disposição uma prateleira sem fim de opções confortáveis.
Se vamos numa livraria tem uma seção única e exclusiva sobre Pais e filhos, além de livros inúteis de auto-ajuda com títulos apelativos-pseudo-sentimentais. Eu mesmo cai nessa, comprei um livro chamado “A mágica do 1, 2, 3”, com um método revolucionário para domar as ferinhas! argh.
Hoje na TV tem um monte de programas com pessoas opinando e dando receitinha de bolo sobre a educação dos filhos, sobre a postura dos pais e sobre os problemas do relacionamento entre eles. Se eu pego a Supernanny de frente eu cometo um homicídio!
Também temos muita informação, que se não for bem aproveitada acaba gerando mais problema que solução.
O resultado de tanto serviço e informação é a insegurança dos pais, na forma de conduzir um problema simples e no peso de ser justo com o descendente, além de sempre querer evitar constrangimento em público para acabar com aquele surto de birras e xiliques.
Sou um pai ultrapassado (Concordo com o Kbça e a Fabi) e não compartilho simpatia com os métodos contemporâneo, prefiro a educação antiquada e eficaz do “medo” e “ditadura”. 
Mas culpar os pais por querer o melhor para o filho é injusto, provavelmente pais que não sabem lidar com a educação dos filhos não tiveram uma educação presente dos seus pais, e por isso a procura por pessoas disponíveis para ajuda-los… mal não faz, se é certo ou errado eu não sei.
Talvez a próxima geração, daqui uns 10 anos, seja de jovens padronizados, todos com a mesma personalidade.

Bom, a educação sempre vai viver dilemas, não é de hoje, Roger Waters criou um clássico sobre o assunto, no fundo acho que cada indivíduo segue o caminho que escolhe, independente dos Pais, da Escola e do Ambiente em que vive.

FUI! Mathias
Ouvindo: 

Filhos, por que tê-los?

Publicado: 18 de maio de 2011 por Kzuza em Comportamento, Relacionamento
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Minha mãe sempre diz uma frase estranha: “Filhos, pra que tê-los? Mas se não tê-los, como sabê-los? E se tê-los, onde metê-los?”. Acho que é mais ou menos isso.

Não tenho filhos. Ainda. Por 2 motivos simples: a Dona Juliana não é nada adepta dessa história de ser mãe, e eu também não me julgo pronto nesse momento. Mas um dia eu sei que terei.

Portanto, deixo a tarefa da procriação para aqueles mais capazes. Ou para aqueles que se julgam capazes de terem filhos.

Eu explico.

Cara, fazer filho é a coisa mais fácil do mundo. E a mais gostosa! Todo mundo deveria treinar. Mas fazer gol no treino, como diria meu amigo Ricardo Martins, é bem mais complicado. Porque é bem fácil pensar naquele bebezinho bonitinho, cheirando talco, fofinho. Difícil é pensar em como criá-lo para o mundo. E é aí que muita gente não é capaz.

Antigamente, a tarefa de se “criar” os filhos cabia somente aos pais. Vou te contar que conheço inúmeros pais que foram extremamente felizes nessa empreitada. Sério mesmo. Conheço uma cacetada, dentro e fora da minha família. Pais que criaram verdadeiros exemplos! Pessoas que sabem viver em sociedade. Que se levantam quando tomam uma cacetada na cabeça. Que entendem o cotidiano, que sabem o que é trabalhar, que sabem ralar para conseguir suas coisas.

Mas, sinceramente, hoje em dia é cada vez mais raro encontrar pais como esses de antigamente.

Os pais de hoje não querem mais assumir a bomba que é criar um filho. Sim, porque eu acho que é uma bomba. É uma tarefa de extrema responsabilidade e dificílima! Mas os pais não querem isso sozinhos não. Querem dividir a responsabilidade com a escola, com a sociedade, com psicólogos, especialistas, pediatras, etc. Sim, esses sim devem resolver os problemas, e não eles, pobres pais. Eles, que só marcaram um gol no treino, não é mesmo?

Cada vez mais vejo os pais querendo resolver os problemas dos seus filhos com ajuda externa, quando na vedade se esquecem que a solução para tudo está dentro da própria casa, no ventre da família. Canso de ver gente (homens e mulheres) que não consegue impôr sua autoridade de pai/mãe e sofre com isso. Que história é essa, meu camarada?

Voltando àqueles pais de antigamente que eu comentei aqui, tente lembrar de uma coisa: quem eram os caras que você mais respeitava quando era criança? Eu não preciso nem responder aqui porque você sabe. Na minha vida, sempre foi assim: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E se eu não tivesse juízo, o bicho pegava. Aliás, com todo mundo que eu converso hoje, pessoas da minha idade ou mais velhas, a história é semelhante. E estamos todos vivos e bem.

Hoje em dia, o que rola, normalmente? Bem, você sabe melhor do que eu. A chinela não canta mais pra ninguém. E quando eu falo em chinela cantar, não entenda como surra. Eu nunca tomei uma surra na vida, mas sei muito bem quais eram as consequências das minhas malcriações de criança.

A molecada de hoje em dia, em geral, deita e rola. Eu canso de ver pais desesperados, sem saber o que fazer com crianças xiliquentas, malcriadas. E quando os pais não sabem mais o que fazem, a solução hoje em dia é geralmente atender ao que os filhos desejam. Sim, fazem tudo o que as crianças querem. Para não ouvir um choro. Para não se indispor. Os pais têm medo dos filhos, e não o contrário, como era antigamente. E começam a superproteger as suas crias.

Ninguém pode encostar nas suas crianças. Eles as afastam de qualquer tipo de perigo. Evitam a qualquer custo que reprovem de ano na escola. Têm medo do bullying. Se a criança/adolescente é revoltada, correm direto para o psicólogo. Culpam a escola pelas notas baixas de seus filhos.

Falando sério, quem os pais pensam que estão mudando com esse tipo de comportamento: os filhos ou o mundo? É óbvio que são os filhos. O mundão continua o mesmo aí fora, camarada. E querendo ou não, teu filho vai cair nele uma hora. Você acha que ele vai estar preparado?

Vi um vídeo do Cauê Moura no canal Desce a Letra, no Youtube, onde ele pergunta assim: “Você não acha que está na hora de deixar a seleção natural agir por conta própria sobre seu filho?”.

É exatamente o que eu penso. Não acho que você deve deixar seu filho se matar, ou ser atropelado por um caminhão, ou cair de um prédio. Não. Mas você não acha que já passou da hora de deixar seu filho se foder um pouco pra começar a entender as consequências das coisas erradas que faz?

Proibição de Celulares

Publicado: 9 de fevereiro de 2010 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Hoje vi um lance interessante. O UOL está propondo um tema para redação bastante polêmico na sua página dedicada à educação: http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/proposta201002.jhtm

Sinceramente, acho que boné é vestimenta. Embora eu não use, e tenha usado muito pouco durante minha adolescência, acho normal. Igual homens e mulheres usavam durante o século XVIII (18, animal!). E a minha opinião sobre vestimenta é clara: cada um se veste como se sente mais confortável. Sou contra esse negócio de chique ou brega. Sou contra esses conceitos estabelecidos de “terno e gravata é chique” e “bermuda e camiseta é relaxado”. Nunca me prendi a esse tipo de coisa.

Mas quanto ao lance do celular, acho mais do que certo a escola proibir o uso pelos alunos. Escola, para mim, sempre foi lugar de disciplina. Lugar de bom comportamento. Lugar de aprender aquilo que não ensinam dentro de casa. E mesmo que o cara não ande na linha em casa, porque os pais são relaxados, ele tem que andar na linha dentro da escola.

E aí leio que algum imbecil diz que isso é tirar o direito do cara de ir e vir com os seus bens. Mas a questão abordada pelo UOL não é proibir o cara de carregar o celular de um lado para o outro. A proibição é referente ao seu uso. Porque todo mundo abusa. Porque o horário de aula é horário de estudar. E acabou. Não é para se fazer mais nada.

Eu fui aluno por muito mais tempo que fui professor. E ia para a escola para estudar. Porque lá eu gastava a menor parte do meu dia. A maior parte do dia eu passava fora de lá, e gastava para brincar e jogar bola. Nunca gostei de estudar, então aproveitava a maior parte do meu tempo para fazer o que eu gostava de verdade. E aquelas 5 ou 6 horas na escola eu gastava para prestar atenção e fazer o inevitável: estudar.

E é estranho os pais, que hoje relegam à escola a tarefa de educar os seus filhos, reclamarem que estão agora tomando ações para discipliná-los Se fizessem isso dentro de casa, ninguém precisaria proibir.