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Nam Myoho Renge Kyo

Publicado: 19 de junho de 2017 por Kzuza em Religiões
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Sempre acreditei que tudo o que acontece nas nossas vidas é reflexo das nossas próprias atitudes, seja em nossas vidas atuais ou passadas. Isso nunca teve nada a ver com religião. Nunca acreditei em milagres, em dádivas, em acontecimentos inexplicáveis. Para mim, sempre havia uma explicação racional para tudo. Algo como: o acontecimento X é consequência da atitude Y.

Sei que esse meu pensamento pode parecer bastante superficial e pouco ortodoxo. De qualquer forma, sempre foi muito útil a mim e àqueles que estão ao meu redor. Se algo deveria funcionar bem, eu é que tinha que trabalhar para isso. Se algo doloroso acontecia, eu era o responsável por conseguir forças para enfrentar. Se alguém querido precisava de ajuda, era eu quem deveria estar disposto a ajudá-lo. E por aí vai.

Muita gente eu sei que olha para mim hoje e pode pensar: esse daí é um cara de sorte. Não vou negar: sempre tive muita sorte na vida. Primeiro por ter a família que tenho. Isso eu não escolhi, eu não planejei, simplesmente caiu no meu colo (ou eu no colo deles). Daí para frente, tudo foram escolhas minhas. Algumas certas, algumas erradas, mas talvez a mais importante tenha sido me aproximar das pessoas boas e corretas.

Não sei explicar direito, mas pode ser que um certo grau (elevado) de interesse próprio tenha me trazido até onde estou hoje. Nunca fui de dar muita bola para o que os outros diziam. Nunca fui “Maria vai com as outras”. Nunca importou para mim ser o CDF, o cara que respeitava a minha mãe e o meu pai, o cara que não andava com roupa de marca, ou aquele que não pegava ninguém na balada. Sei lá, na minha cabeça, meus objetivos de vida sempre estiveram claros e sempre separei o principal do supérfluo. É claro que é bacana cometer extravagâncias, fazer loucuras, andar na moda, sentir-se parte de um grupo, divertir-se com coisas fúteis. No entanto, isso para mim sempre foi meio que válvula de escape, um passatempo, o tipo de coisa que nunca me fez falta.

Assim fui conduzindo minha vida. Ralando. Estudando pacas. Diplomas, certificações, certificados de treinamento. Um montão de livros lidos. Horas e horas de trabalho a fio. Nunca tive medo de nada. Na minha área de atuação, já trabalhei com quase tudo o que você pode imaginar. Enquanto muita gente reclamava de pegar um programa mais difícil em Cobol para codificar, eu estava me desafiando a tocar um projeto em uma tecnologia desconhecida por mim. Enquanto tinha gente com preguiça de fazer um cursinho de inglês, eu estava ralando 7 dias por semana para concluir um curso em 1 ano que me ajudou a conseguir um trabalho em uma multinacional e trabalhar um tempinho nos EUA. Enquanto muitos dos meus colegas de trabalho se esquivavam de posições de liderança e fugiam da responsabilidade, eu fui metendo as caras. Enquanto o povo torrava dinheiro em baladas, carros caros e roupas de marca, eu juntava dinheiro e ia fazer uma viagem de férias para conhecer novas línguas, culturas, comidas, bebidas e pessoas.

Quem me vê hoje, pensa que isso só foi possível porque nunca enfrentei grandes dificuldades. Ou porque eu sou inteligente. Ou porque sou um abençoado. Mas na verdade, eu acho que tudo isso só foi possível porque, como eu disse lá em cima, minha forma de encarar o mundo sempre foi diferente. Nunca encarei meus desafios como dificuldades, ou como um peso nas costas, ou um fardo a ser carregado. Nunca encarei minhas perdas como infortúnios ou maldições. Para mim, tudo isso sempre foi a VIDA. A vida é assim. As coisas simplesmente ACONTECEM. Hoje é A, amanhã é B, mês que vem é C. Esse ciclo só se interrompe quando morremos. Até lá, vai continuar sendo assim: uma topadinha aqui, uma esbarradinha ali, um tropicão acolá… faz parte! Mas eu nunca baixei a cabeça. Nunca deixei de seguir em frente. Porque a tristeza faz parte, assim como a alegria também. E sempre que eu tive boas atitudes e pensamentos, o universo conspirou a favor. As coisas simplesmente davam certo. Então por que motivo então eu deveria ficar mal e para baixo?


Mas por que eu estou escrevendo isso? A história é bem simples. Há muito tempo, como eu já disse, eu não praticava nenhuma religião. Recentemente, uma pessoa muito especial me convidou para uma reunião budista perto de casa. Com a certeza de que isso não me faria nenhum mal, resolvi acompanhá-la.

Fui apresentado ao Budismo de Nitiren Daishonin e foi extremamente gratificante. Em uma hora de reunião (essa aberta para convidados não-convertidos, como eu), ouvi mais coisas a respeito de como eu penso e ajo na minha vida do que eu jamais poderia imaginar. Nem nos textos que escrevo e nem nas minhas reflexões mais profundas cheguei às conclusões expostas de como era a minha filosofia particular de vida. Não, a conversa não era direcionada a mim. Era uma reunião ordinária, um tema escolhido aleatoriamente (no caso: “A importância da religião nos dias atuais”), um bate-papo entre eles; mas ouvi tantas verdades que fiquei de certa forma chocado.

Ainda é muito cedo para que eu possa dizer qualquer coisa por aqui sobre a filosofia budista. Seria completamente precipitado. A única coisa que posso dizer é que tem me feito um bem tremendo. Já foram mais 2 encontros depois do primeiro contato e mais uma visita de um grupo à minha casa. No próximo domingo devo receber meu Gohonzon e dar mais um passo. Prometo postar novidades por aqui.


Para concluir, já que o texto ficou bastante desconexo: acredite em você. Tenha fé. Faça por onde. O resultado sempre vem. Tenha coragem, vá em frente, desafie-se! Você é capaz de fazer a diferença.

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