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Em defesa da liberdade

Publicado: 31 de agosto de 2017 por Kzuza em liberalismo
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O blog Estado da Arte do Estadão tem publicado recentemente uma série de artigos em um chamado Especial Liberdade. Há muito tempo tenho vontade de escrever algo a respeito, mas hoje me deparei com um texto sensacional do doutor Eduardo Wolf que serviu para me incentivar a escrever essas linhas.

Nesse texto, o filósofo explica, de maneira detalhada e fundamentada, o porquê do politicamente correto ser uma grande ameaça à liberdade. Um dos pontos importantes ressaltados por ele é:

Não seria uma demasia dizer que, mais do que a corriqueira troca de administradores públicos e do que novos rumos políticos expressos por partidos e coalizões de governo, é a peculiar tendência de corrosão e esfacelamento de nossa compreensão do conceito de liberdade que emerge, penso eu, como dilema político contemporâneo desafiador. Se a liberdade deixa de ser central aos arranjos democráticos contemporâneos, ou, ainda, se a noção de liberdade que vai se tornando cara às sociedades contemporâneas opera com outro conceito de liberdade que não aquele que habitualmente concebemos, é por que estamos passando por uma dessas mudanças que ainda mobilizarão historiadores, filósofos e intérpretes vários nas décadas por vir.

De fato, como ele explica mais adiante no texto, há um esfacelamento da nossa compreensão moderna do conceito de liberdade. Já postei aqui alguns capítulos do livro do Dalrymple Em Defesa do Preconceito, onde ele explica um pouco sobre isso também.

Adiciono ao texto do autor aqui um ponto de vista meu em particular. Encaro como um dos grandes dilemas do nosso país atualmente a imensa dificuldade que as pessoas têm quando o assunto é civilidade. Vejo, de forma triste, que as pessoas têm cada vez mais dificuldade em se viver em sociedade. É cada vez mais raro, apesar de que não seja ao meu ver a maioria dos casos, encontrar pessoas que se preocupem com o próximo. E quando eu digo se preocupar não estou apenas me referindo a esferas altamente nobres, como amparar e ajudar os necessitados, participar de ações voluntárias, contribuir com atividades filantrópicas ou coisas assim. Eu estou me referindo a atitudes cotidianas banais, como segurar a porta do elevador para alguém que está se aproximando, ceder lugar na fila a um idoso ou ouvir sua música predileta em um volume que não incomode o seu vizinho.

Acontece que cada vez mais as pessoas estão recorrendo à falsa ideia de que ‘tudo aquilo que não me é proibido é, automaticamente, permitido’. Há uma diminuição constante do sentimento de que ‘não devo fazer isso porque não acho correto’ e, consequentemente, um aumento da noção do ‘eu posso fazer isso porque não há nenhuma lei dizendo que é proibido’.

Esse tipo de comportamento tem levado a cada vez mais pessoas solicitarem a intervenção de algum poder superior (invariavelmente, o Estado) para agir de maneira autoritária de forma a proibir tudo o que não lhe é agradável através de leis, impondo sanções e penas aos que as infringem.

E é aqui que mora o problema. Estamos retornando ao passado, na época da Grécia antiga. Como cita o autor:

Soberano em todas as matérias públicas, escravo em todas as relações privadas – eis, em uma fórmula feliz de Benjamin Constant, a síntese algo trágica dessa liberdade dos antigos. Tal experiência somente foi possível, digo eu agora, porque vida pública e privada no mundo clássico vinham de par, cimentadas por relação indissociável que lhes fornecia, a uma e a outra forma de vida, a existência comunitária e a cultura que lhe animava. O fato de que os antigos viviam a cultura, a religião e os costumes como uma experiência partilhada com relativa homogeneidade permitia não apenas o ímpeto comunitarista de sua vida política e de sua concepção de liberdade como, e sobretudo, franqueava o coletivismo em matéria privada, com a intrusão que hoje nos parece absurda, nos costumes mais recônditos da vida dos indivíduos.

Ele ainda adiciona:

O que poderia ser mais estranho ao ideal de liberdade dos modernos, que é o nosso, do que a convicção de que o político, o homem de estado, deva nos ensinar a virtude? O que poderia ser mais intruso e agressivo para o indivíduo do que esse poder do político e do Estado para determinar, para o indivíduo, que valores ele deve cultivar? Nossa sensibilidade liberal moderna sai ofendida com a essa intromissão, e a razão para isso é que, durante quase 400 anos, o Ocidente – e somente o Ocidente – caminhou para uma concepção de Estado e de vida comum em que nenhum corpo social pudesse impor a outros ou a indivíduos isoladamente suas concepções abrangentes do Bem.

Convido ao leitor deste pobre blog a acompanhar todos os textos que vêm sendo publicados no blog do Estadão. Há muita coisa interessante por lá.

 

Sobre boas ideias

Publicado: 15 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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good-ideas

Ontem tive uma conversa bastante proveitosa com um grande amigo. Um cara que sequer concorda com a maioria das minhas ideias, mas chegamos a um ponto em comum e que gostaria muito de compartilhar.

A conversa começou com o caso da United Airlines, onde um passageiro foi retirado à força de um avião. Ele comentou que já há muitas pessoas organizando um boicote à companhia aérea, negando-se a voar com uma empresa que é capaz de tratar os seus clientes dessa maneira. Eu concordei, adicionando que sou favorável a esse tipo de atitude, onde pessoas se reúnem voluntariamente para protestar em defesa de uma causa, e que tentam convencer outras a fazerem o mesmo.

Veja, não é preciso que haja um esforço muito grande para se convencer as pessoas de que a atitude da companhia aérea, personificada nesse caso em seus profissionais que faziam parte da tripulação, foi errada. Talvez seja mais complicado convencer as outras pessoas de que o boicote seja a melhor forma de se protestar ou de que isso tenha algum resultado prático (e aqui a discussão realmente se estenderia por horas e horas). De qualquer forma, desde que não seja algo arbitrário e imposto, acho a iniciativa bem bacana.

Mas o cerne da questão aqui não é nem o protesto contra a United Airlines.

O ponto no qual concordamos é que qualquer boa ideia é capaz de resistir e prevalecer sobre as piores ideias sem que ninguém precise apontar uma arma e ameaçar as outras pessoas a concordarem. De maneira análoga, ideias estapafúrdias também estão fadadas a serem imediatamente rejeitadas pela maioria das pessoas sem que ninguém precise alertá-las sobre o seu perigo.

Eu acredito (e já devo ter escrito isso aqui ou em algum outro lugar) que a livre associação de indivíduos que concordam com uma mesma ideia e a colocam em prática possui muito mais resultados (e muito melhores!) do que quando tentam impor essas ideias através de leis e decretos a toda uma população.

Eu acredito que boas ideias atraem naturalmente o apoio de muitos indivíduos. No entanto, quando essas ideias tentam ser empurradas goela abaixo das pessoas, mesmo que essas sejam boas ideias, o resultado passa a ser o contrário. Seres humanos tendem a ter aversão àquilo que lhes é imposto como bom, justo e necessário. Por exemplo, um indivíduo não começa a ir a uma igreja quando um testemunha de Jeová bate à sua porta no domingo de manhã para lhe obrigar a isso; esse indivíduo o faria no caso de se identificar com a palavra pregada, com as boas energias trazidas pelo ambiente, com a comunhão da sua comunidade.

Vamos pensar. O programa Teleton, em 2016, arrecadou 27 milhões de reais que foram destinados à AACD. A campanha foi liderada pelo SBT. Diversos artistas fizeram campanha, pediram doações, mostraram onde o dinheiro era aplicado, as crianças que dependiam do tratamento especial, etc. Centenas de milhares (ou até milhões) de brasileiros se mobilizaram e doaram dinheiro em prol da causa. Veja só, não é muito difícil convencer alguém de que uma criança que nasceu com alguma necessidade especial precisa de atenção especial, profissionais capacitados para o tratamento e medicamentos. As pessoas imediatamente se sentem tocadas com isso.

Agora, imagine que um presidente da república aprovasse uma lei que criasse um imposto a ser pago obrigatoriamente por todo cidadão comum com renda mensal superior a dois salários mínimos. A receita obtida por esse imposto (estimada em R$27 milhões) seria revertida integralmente à AACD. O que você acharia disso?

Vamos analisar. O resultado final para o destinatário seria efetivamente o mesmo. Porém, qual a moralidade de um arranjo como esse? Fatalmente, isso iria obrigar pessoas que não contribuem com a AACD (independente do motivo) ou que contribuíam com quantias menores a desembolsar compulsoriamente uma quantia com a qual não estão de acordo. Isso também faria com que pessoas com renda mensal inferior a dois salários mínimos e que, por ventura, tenham doado voluntariamente alguma quantia pelo Teleton não consigam mais contribuir (ou ao menos, não com a facilidade que tinham anteriormente).

Portanto, convido você a pensar sobre isso quando estiver requisitando algum serviço público ou alguma lei em especial que obrigue uma ideia ou uma causa as quais você defende serem impostas a todo o restante da comunidade na qual você vive. Isso parece bastante tentador quando é algo com o qual você concorda, mas tenha certeza de que na maioria das vezes será algo com o qual você está contra. Depois não adianta reclamar.

 

Mulheres, sejam bem vindas ao liberalismo!

Publicado: 10 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Recentemente, no dia internacional da mulher, li uma série de textos clamando por direitos iguais para homens e mulheres. Essa seria, em suma, a principal pauta do movimento feminista. Então resolvi pesquisar um pouco a respeito.

A primeira coisa que descobri é que o feminismo em si não é um movimento. Na verdade, ele é uma bandeira atrás da qual um monte de gente se esconde, cada um bradando por uma coisa diferente, mas sempre com o centro nas mulheres. No geral, qualquer coisa que reclame algo em nome das mulheres hoje é chamada de feminismo. E é justamente esse o motivo pelo qual o feminismo não é levado à sério.

Eu explico. As mulheres estão cada vez mais em alta, cada vez mais em evidência, cada vez com mais voz ativa. Pode se dizer, sem muito medo de errar, que as mulheres hoje são cada vez mais levadas à sério, ao contrário do suposto movimento que dizem representá-las. Ou seja, o indivíduo está se sobressaindo ao coletivo, para desespero daqueles que acreditam no contrário.

O mais incrível é que aquelas que se dizem feministas atribuem essa ascensão da mulher como uma vitória de um suposto movimento coletivista, sem se dar conta de que na verdade essa ascensão é resultado da própria capacidade individual de cada mulherão da porra que temos por aí.

No que diz respeito aos direitos propriamente ditos, homens e mulheres hoje gozam, legalmente falando, basicamente dos mesmos direitos. Claro, considerando a diferença biológica existente entre os sexos, que mostra homens fisicamente mais fortes que as mulheres, há algumas diferenciações. Mulheres gozam de benefícios não concedidos aos homens a fim de equiparar as condições de ambos os sexos. Mulheres não prestam serviço militar obrigatório, possuem delegacias próprias para investigação e combate a crimes, têm direito (pelo menos até agora) a se aposentarem antes dos homens, entre outros.

Então o que as pessoas querem dizer quando clamam por direitos iguais? É aí que está a chave: mentes mais pensantes pedem para que os direitos iguais garantidos por leis sejam cumpridos efetivamente para as mulheres. Em linhas gerais, não basta escrever as regras do jogo, é preciso que elas sejam cumpridas.

Mas se as leis não estão sendo cumpridas, é necessário identificar primeiro o porquê disso, a fim de eliminar (ou minimizar) a causa do problema. Nesse ponto, assim como em vários assuntos polêmicos, os progressistas da esquerda falham miseravelmente. Na preguiça ou na incapacidade de pensar, apontam para qualquer direção e miram em seres imaginários ou em coisas impessoais. E quando não se há algo concreto a ser combatido, a guerra nunca tem fim e continua somente alimentando discursos demagógicos.

Progressistas irão sempre culpar a sociedade misógina e machista por todo e qualquer infortúnio sofrido por uma mulher em particular. Isso jamais resolve o problema, mas pelo menos dá cartaz a grandes demagogos, principalmente na era das redes sociais. A alienação toma conta dos mais sensíveis, gera aquela sensação de fazer parte de uma “revolução”, mas no final das contas tudo continua como antes. E quando ocorrem mudanças graças a indivíduos que combateram inimigos reais, os primeiros clamam para si as glórias.

Vamos a exemplos de alguns absurdos.

Primeiro, tratemos da alienação das feministas mais radicais. Não vou me alongar na discussão sobre todas as supostas “lutas” travadas por elas, mas vou me ater a um único ponto: o tal padrão de beleza. Estas adoram dizer que lutam contra os padrões de beleza “impostos” pela sociedade. Eu particularmente acredito ser meio bizarra a ideia de que alguém acha uma mulher bonita ou feia porque outra pessoa está dizendo isso. Gosto é algo muito pessoal. Se houvesse somente um tipo de beleza ideal, eu diria que 95% das mulheres jamais chamariam a atenção de homem algum, mas nós sabemos que não é isso que acontece. É claro que existem homens e mulheres mais bonitos e mais feios. Há quem goste de gordinhos e gordinhas, embora a maioria prefira os mais magros, por uma questão estética. E não há nada de mal nisso. E também é normal homens gostarem mais de mulheres depiladas do que de mulheres com bigode ou pêlos debaixo dos braços. O problema destas feministas não é apenas lutar para que possam ser como elas bem entenderem (até porque elas podem fazer isso, não há impedimento nenhum), o problema é querer impor que as demais pessoas achem isso legal ou bonito. Não é o fato de fazer cocô de porta aberta que vai tornar isso um ato comum e aceitável.

Outro ponto bastante interessante, compartilhado pela maioria das feministas, é a questão da equiparação entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Os números mostram que há menos mulheres em cargos executivos nas empresas que homens. Os números mostram que a média salarial das mulheres é mais baixa que a dos homens. As mulheres ocupam menos cargos na política que os homens. Há uma desigualdade clara. Mas será que as feministas conseguem identificar o que está acontecendo de verdade e lutar contra isso? Parece-me bastante óbvio que não. Bradam contra a sociedade machista e contra a discriminação sofrida pelas mulheres, como se essas abstrações explicassem os fatos. Sabemos que existem homens machistas e que discriminam as mulheres, mas isso explica? Essa é uma lógica muito utilizada nos dias atuais e que não é exclusividade das feministas: a existência de um comportamento ou a ocorrência de um fato são utilizadas como explicação para um fenômeno específico, mesmo que não exista nenhuma relação de causalidade, mas desde que corrobore com a agenda ideológica desejada.

Em relação ao fato de mulheres ocuparem menos cargos executivos ou na política, eu sugiro assistirem o documentário “O paradoxo da igualdade”, produzido pelo sociólogo e humorista norueguês Harald Eia. Há explicações científicas que demonstram que homens e mulheres são diferentes em vários aspectos, inclusive em suas inclinações profissionais. De qualquer forma, é óbvio que existem mulheres que chegam a esses postos, e isso se dá graças a suas competências, e não como uma forma de reparação e agradecimento da sociedade cis-hétero-machista-misógina a algumas mulheres. Portanto, o discurso feminista erra o alvo ao apontar o dedo para algo abstrato (uma sociedade machista) como culpado, o que não surtirá efeito algum porque nenhum ser abstrato é capaz de dar uma resposta a um estímulo. Se as feministas encorajassem as próprias mulheres, o resultado seria mais rápido e com muito mais assertividade. Exigir cotas de reparação na política ou em altos cargos nas empresas apenas abriria espaço para uma série de oportunistas incapazes assumirem posições para as quais não estão preparadas ou que sequer escolheriam voluntariamente. O que não falta no mundo são mulheres inteligentes e competentes para chegarem lá, basta incentivá-las.

Já quanto aos menores salários, o documentário norueguês também explica alguns fatores, mas mudando o foco aqui para a nossa república das bananas, certamente o maior inimigo é outro. Vamos partir de um princípio básico e de fácil compreensão: se as mulheres realmente ganhassem menos que os homens para fazerem exatamente o mesmo trabalho, por que os donos de empresa não contratariam apenas mulheres ao invés de homens? Seria de uma incompetência tremenda não observar essa possível redução de custos, não? Acreditar que os empresários do Brasil são tão burros assim é de uma inocência que beira o ridículo. Mas então, desconsiderando-se o fato de que mulheres tendem (VEJA BEM, IMBECIL: É UMA TENDÊNCIA COMPORTAMENTAL, E NÃO UMA REGRA!) a escolher carreiras profissionais que pagam salários menores, vamos focar nas situações onde homens e mulheres estão em uma mesma carreira, com as mesmas qualificações e o mesmo tempo de experiência. Por que então, nesses casos, mesmo assim homens ganham mais que mulheres? A explicação para esse e inúmeros outros problemas que atingem o trabalhador brasileiro está no mesmo lugar: a famigerada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT concede “direitos” aos trabalhadores que infelizmente não são chamados pelo nome correto. Na verdade, a CLT concede benefícios aos trabalhadores em geral. Todos nós sabemos que qualquer benefício ou prêmio é necessariamente pago por alguém, pois nada é gratuito. Quando se trata de Brasil, nós sabemos que são os mais pobres e os mais frágeis que pagam por isso, de uma forma ou de outra. Desta forma, quem acaba pagando pelos próprios benefícios previstos em lei é o próprio trabalhador e não o patrão, como querem que nós pensemos. Mas como? Através de menores salários nominais, quando conseguem entrar no mercado de trabalho formal, ou através da informalidade a qual são submetidos os trabalhadores que não conseguem ser contratados dentro da CLT.

Há claramente uma sensibilização maior quando o custo por algo é cobrado diretamente do indivíduo, de forma explícita, do que quando os custos são diluídos, disfarçados e cobrados de todos, independentemente de quem irá gozar de um benefício. Explico melhor. A CLT obriga os empresários a arcarem com a responsabilidade dos salários dos profissionais no caso de uma série de ausências justificadas e períodos de licenças dos seus funcionários. Algumas dessas ausências são subsidiadas pelo próprio INSS, mas de qualquer forma quem paga pela falta de uma mão-de-obra por esse período é o próprio empregador, que fica sem uma pessoa para executar o trabalho a ser feito e não consegue contratar uma nova pessoa para executar a tarefa, pois aquela que está ausente pode retornar ao trabalho a qualquer momento e não poderá ser desligada.

Dessa forma, os patrões consideram, na hora de calcular a produtividade de um trabalhador ao longo de um ano e, portanto, o quanto pode pagar de salário ao mesmo, uma média de dias trabalhados pelos profissionais. Há uma série de fatores que explicam que mulheres se ausentam (de forma justificada) do trabalho com mais frequência que os homens: quando um filho fica doente, normalmente é a mãe quem o acompanha ao médico (você pode chamar isso de machismo, como quiser, mas é um fato do qual não há como fugir); mulheres (pasmem!) engravidam, e durante a gravidez precisam se ausentar para exames e também devido a implicações que a própria gravidez traz, além do período de licença maternidade que pode chegar a 6 meses no Brasil; mulheres cuidam mais da saúde, previnem-se mais e, assim, ausentam-se mais para consultas médicas; mulheres afastam-se mais frequentemente do trabalho por motivos de saúde (não encontrei nenhuma pesquisa por aqui, mas é um fato facilmente observado – o que não quer dizer que todas as mulheres são assim, nem que não haja homens que também se ausentem muito do trabalho por problemas de saúde, é apenas uma constatação de tendência).

O fato é que devido a tudo isso, engessado pela CLT, o patrão considera que ao longo de um ano, uma mulher trabalha em média menos dias que um homem. Como o patrão precisa necessariamente pagar os mesmos 13 salários que paga para o homem, o salário acaba sendo menor.

Agora vamos pensar de uma forma um pouco diferente. Vamos imaginar que fosse possível contratar um funcionário por hora trabalhada. Que o patrão pudesse acordar com o funcionário um valor/hora fixo e um pacote fixo de N ausências justificadas no ano, e mais um período de férias fixo. O quanto isso seria benéfico para as mulheres? Não tenho a mínima dúvida de que nessas condições homens e mulheres receberiam exatamente o mesmo valor por hora trabalhada (ou, na pior das hipóteses, um valor muito próximo).

Há nessa questão dois pontos polêmicos. O primeiro seria: mas se as empresas não fossem obrigadas a oferecer licença-maternidade, por exemplo, nenhuma empresa ofereceria esse benefício a suas funcionárias. Eu sinceramente duvido muito disso. Há uma série de benefícios hoje em dia, como previdência privada, vale-alimentação ou plano odontológico, que não são obrigatórios por lei mas que mesmo assim são oferecidos por um grande número de empresas, que vêem nesses benefícios uma maneira de atrair e reter melhores profissionais. A lógica seria a mesma.

O segundo seria: mas se a empresa ou o Estado não pagarem o salário de uma mulher durante os primeiros meses de maternidade, isso não seria justo. Será? Aqui entra uma questão básica de responsabilidade individual. Quando uma mulher se ausenta do trabalho porque teve um bebê e recebe um pagamento durante esse período, alguém necessariamente estará pagando por isso. Os custos disso estão sendo socializados e pagos por alguém (isso me parece óbvio, mas é sempre bom lembrar). De uma forma mais genérica, o benefício de uma pessoa está sendo pago com algum dinheiro que está sendo retirado de outras pessoas que não estão gozando de nenhum benefício, mas que estão sendo obrigadas a pagar por isso. Você pode estar pensando duas coisas sobre mim nesse momento: primeiro, que eu só penso em dinheiro; segundo, que todo mundo pode um dia precisar desse tipo de “auxílio” também. Quanto ao primeiro ponto, você está correto: tudo no mundo gira em torno de dinheiro, queira você ou não. Sugiro que você leia o trecho de “A Revolta de Atlas”, onde o empresário Francisco D’Anconia explica o que é o dinheiro. Quanto ao segundo ponto, se o seu raciocínio estiver certo (e eu tenho indícios que está), já que todo mundo paga um pouquinho cada mês como uma forma de reserva para se utilizar isso quando necessário, por que então não estimular que cada indivíduo seja responsável por guardar essa quantia cada mês por conta própria e então utilizá-la quando necessário? Seria muito mais justo com toda a sociedade e, no final das contas, teria o mesmo resultado prático para quem necessita.

Você pode estar achando que estou sendo machista ou que quero o mal para as mulheres, mas o fato é que meu raciocínio é aplicado por mim em todas as esferas e para todos os indivíduos. Na minha opinião, a CLT na verdade é uma baita ferramenta socialista (não por acaso, ela é baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) que finge oferecer uma série de “direitos” que nada mais são do que “benefícios” individuais custeados por terceiros. Ou seja, há um disfarce sutil que passa desapercebido por grande parte da população e que acaba por prejudicar os trabalhadores no final das contas, e não só as mulheres.

Por último, outro aspecto em voga na corrente feminista moderna é a questão da violência contra a mulher. Nesse ponto, o movimento feminista falha miseravelmente, para desespero das vítimas e para deleite dos algozes. O primeiro ponto falho do movimento é a generalização da violência, transformando qualquer coisa em assédio ou estupro. Quando qualquer coisinha é assédio ou estupro, elas dizem que estupro e assédio são qualquer coisinha. Isso é um desrespeito e uma falta de empatia tremendos com as verdadeiras vítimas desses crimes. Equiparar uma cantada porca de um pedreiro à mulher A com a apalpada na vagina da mulher B é dizer, embora ambas as atitudes sejam desprezíveis e devam ser desencorajadas, que a mulher B não sofreu nada grave. O segundo, e talvez o mais grave, é a complacência com o agressor. Feministas dificilmente incentivam punições severas aos verdadeiros agressores, nem tampouco o direito de defesa das vítimas (apoiando, por exemplo, o desarmamento civil, impossibilitando uma mulher de portar uma arma para se defender de um estuprador). As feministas preferem utilizar hashtags, camisetas e pombas brancas, sites, campanhas educacionais e qualquer outra coisa que possa servir de instrumento para uma reforma social necessária para enfim acabar com esse tipo de crimes, ao invés de combater e punir os criminosos. É como querer combater um exército de guerra com flores.

Espero que tudo isso faça sentido para você. Na verdade, a luta por condições melhores de vida para as mulheres passa invariavelmente pela liberdade individual. O problema, como eu sempre digo, é que a liberdade traz consigo invariavelmente a responsabilidade pelas ações, e por isso tanta gente foge disso e procura apenas exigir recompensas, benefícios e direitos sem contrapartida. Isso, infelizmente, é o que muita gente chama de feminismo.


Nota pós-publicação: quanto ao “padrão de beleza”, cheguei a uma conclusão. Esse padrão existe de mulheres para mulheres. Na minha opinião, mulher não entende de beleza feminina. Mulheres enquadram outras mulheres em um padrão estabelecido. Homem não tem essa frescura. Portanto, o feminismo mais uma vez erra o alvo, mirando nos homens, quando na verdade são as próprias mulheres que exigem um padrão. Dizer, por exemplo, que Grazi Massafera, Gisele Bündchen e Fernanda Lima têm “corpão”, mesmo sendo magras feito uma vareta, só pode ser coisa de mulher. Homens, em sua maioria, acham mulheres com mais carne mais bonitas.

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Controle de músculos já!

 

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“matou tia com golpe de jiu-jítsu”

É estarrecedor que ainda, em pleno século 21, não há sequer um único controle sobre o desenvolvimento corporal da “população”

Hoje qualquer um pode transformar seu corpo em uma “arma letal” colocando em risco toda a “sociedade”.

Já passou da hora dos nossos “governantes” – esses seres benevolentes e oniscientes – tomarem alguma atitude!

É necessário mais regulamentações, garantindo que apenas o cidadão em plena capacidade psiquiátrica(1), equilíbrio emocional(2), sem histórico de violência(3) e desenvolvimento psicológico(4) possa desenvolver massa corpórea e técnicas de luta que lhe permita usar seu próprio corpo contra os mais fracos!

Também é imprescindível que os instrutores sejam regulamentados(1), profissionalizados(2) e controlados(3)!

Devem cumprir obrigações burocráticas(1) para exercer esta profissão, reciclagem periódica(2), renovação de licenças(3), criar entidades de classe(4) como conselhos(5) e tudo mais que esteja ao alcance do “estado” – essa abstração fantástica que sempre toma providência para resolver problemas que ela mesmo cria.

Por fim, devemos proibir o exercício autônomo das pessoas, a falta de controle só faz crescer casos como o ocorrido no noticiário.

Qual o objetivo de alguém que queira desenvolver seus músculos e adquirir técnicas de luta senão coagir e intimidar outras pessoas?

Vamos esperar até quando? Quantas vítimas serão necessárias?

Só assim poderemos conviver em sociedade sem ameaças, onde impera a força bruta contra uma minoria excluída e que foge dos padrões de força muscular elevada, imposto pela sociedade de culto e objetificação (Urgh!) do corpo!

E mais! … Onde fica o direito das minorias que tem dificuldade de obter crescimento muscular adequado? E os que não tem acesso aos aparelhos para desenvolver seus músculos?

É evidente a influência da indústria dos músculos nos bastidores do congresso fazendo lobby com a bancada da maromba a fim de obter apenas lucros, ignorando o bem-estar da sociedade!

Somente aqueles que apoiam casos como o ocorrido e que não ligam para as minorias defendem que as coisas continuem assim.

Sim, precisamos problematizar!

Fui!

Mathias

PS: Se até aqui você não compreendeu o texto sugiro procurar os termos “Ironia” e “Sarcasmo” no dicionário

O alvo errado

Publicado: 15 de junho de 2015 por Kzuza em Comportamento, liberalismo
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Parada-Gay-patrocínio

Eu estava me preparando para escrever hoje sobre a Parada Gay de São Paulo no último domingo e toda essa polêmica sobre a utilização de símbolos cristãos como meio de protesto e tals. Mas aí acabei lendo um texto no blog do Instituto Liberal, de autoria de Lucas Berlanza, que disse quase tudo o que eu iria dizer aqui (e com uma qualidade muito superior ao que eu seria capaz de produzir). Então resolvi somente comentar alguns trechinhos aqui.

Foram visíveis, sobre carros de som e desfilando em meio à festança animada, imagens desqualificando motivos cristãos. Um transexual ensanguentado e crucificado, como que a representar os gays sendo massacrados pelos “homofóbicos cristãos”, foi a mais emblemática, a se somar a um histórico já longevo de provocações estúpidas e achincalhes com a crença religiosa da maior parte da população.

[…]

Os afobados em distorcer já virão logo dizendo: “seria você mais um obscurantista defendendo a censura?” De jeito algum! Manifestem-se! Gritem as bobagens ofensivas que quiserem, demonstrando a todos o quanto são baixos! Os “não-me-toques” infantis do politicamente correto estão, em sua esmagadora maioria, com o “outro lado”. Isso, diga-se de passagem, a despeito de o artigo 208 do Código Penal determinar que esse tipo de escárnio público é crime, concorde-se ou não com a legislação.

Entretanto, façam isso com recursos privados! Uma vez mais, os “pseudo-defensores” dos oprimidos e da “vontade popular” se utilizam dos recursos públicos, dos pagadores de impostos, para impor agendas e ofendê-los.

Bem, o primeiro ponto foi certeiro. Se uma causa fosse realmente nobre, digna de apoio popular, não seria bom senso imaginar que essa causa conseguiria apoio e financiamento particular para o evento? Por que motivo o governo então se interessaria em financiar algo assim? Quais são os reais interesses por trás disso?

“Não é um insulto”, alegam os iluminados. “Trata-se de uma metáfora para o sofrimento dos homossexuais, crucificados e mortos todos os dias. É arte”. A bandeira é nobre; infelizmente há muita perseguição aos homossexuais, especialmente em países dominados por teocracias islâmicas ou regimes autoritários simpáticos ao nosso atual governo. O governo, diga-se de passagem, do partido do prefeito paulista, Fernando Haddad, que se orgulhou de ter patrocinado o “evento educativo” deste domingo.

O que eu fico mais indignado é que esse tipo de manifestação erra o alvo ao usar como ferramenta da metáfora justamente um símbolo do cristianismo. Faria muito mais sentido usar algum símbolo do islã, esse sim que prega a execução de homossexuais inclusive no seu próprio livro sagrado.


Demorei tanto para terminar o post que apareceu um outro texto, ainda melhor, de Catarina Rochamonte sobre o mesmo tema. As melhores passagens são:

O homossexualismo não diz respeito à esfera pública, não precisa levantar bandeiras e nem seria necessário militância partidária alguma ou mesmo agremiações em favor dessa causa caso fosse tratado como aquilo que efetivamente é: uma opção de exercício da sexualidade baseada em certas disposições orgânicas.

Fato.

O problemático aqui é também a relação equivocada que tem se estabelecido entre o público e o privado. Que tenho eu a ver com a sexualidade alheia? Por que o Estado, com o dinheiro dos meus impostos, precisa fomentar o show daqueles que resolveram colocar a sua sexualidade na vitrine? Se a homossexualidade for, para determinada pessoa, a opção saudável, a opção correta, se representa para ele o ato de liberdade individual cuja execução não violará o direito dos outros, então eu nada tenho contra ele e o respeito como respeito todos os demais; no entanto, se um indivíduo cuja opção  sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo, pois o que respeito é a soberania moral de cada um no exercício da sua liberdade, no âmbito doméstico e privado que lhe é próprio.

Liberdade, pacto de não-agressão… é exatamente esse o cerne da questão, e não o homossexualismo em si.

Acabei de ler um texto do empresário João Luiz Mauad publicado no O Globo em Julho de 2013, onde ele explica porque o Passe Livre não é direito. Eu particularmente sou fã dos textos do João, também sempre publicados no site do Instituto Liberal. Ele tem uma clareza de raciocínio que pouca gente nesse mundo tem.

Mas as lições que o texto deixa nem tanto dizem respeito ao Passe Livre somente, mas sim abrem uma discussão muito mais profunda acerca do que acreditamos ser nossos direitos. Infelizmente, a mentalidade geral instaurada na nossa sociedade brasileira é a de que temos cada vez mais direitos, e cada vez menos obrigações. Há uma confusão mental que atormenta os cidadãos comuns, em sua maioria: NÃO CONFIO EM POLÍTICOS versus O ESTADO DEVERIA FAZER MAIS POR NÓS.

Vamos a alguns trechos importantes do texto:

[…] o exercício de um direito legítimo não pode requerer que outros sejam forçados a agir para garanti-lo, mas somente que se abstenham de interferir para cessá-lo.

O meu direito de ir e vir não exige que os demais me forneçam o transporte, mas, pura e simplesmente, que não impeçam o meu deslocamento. O meu direito à vida não requer que ninguém a mantenha – além de mim mesmo, com os recursos do meu próprio trabalho -, mas apenas que os demais não atentem contra ela.

Isso é uma coisa que muita gente não concorda, simplesmente pelo fato de não entender. Mas o autor explica na sequência:

Assim como transporte não é um direito, também não o são coisas como moradia, alimentação, emprego, assistência médica, lazer e outras que impliquem ações positivas de terceiros para satisfazê-las. Muita gente, por conta da importância desses bens e serviços para qualquer indivíduo, passou a considerá-los direitos essenciais da pessoa humana . Entretanto, o seu fornecimento necessita dos esforços e capitais de terceiros, e nenhum código de ética que se preze será capaz de dar fundamento moral ao fato de que alguém possa beneficiar-se compulsoriamente do trabalho, do capital, do talento ou da energia dos outros, a troco de nada, ainda que leis nesse sentido sejam impostas pela maioria. O altruísmo é uma virtude desejável em qualquer sociedade, mas não existe caridade com o chapéu alheio.

O primeiro argumento que está na ponta da língua de muita gente é: Mas eu pago impostos, então deveria ter direito a isso tudo! Eu não sei em que momento da vida alguém inseriu nas nossas mentes esse conceito, mas ele é extremamente danoso. Veja só a armadilha enorme que caímos com essa linha de raciocínio: a partir do momento em que eu considero esse argumento como verdade, estarei sempre exigindo que o meu dinheiro confiscado pelo Estado (sim, confisco, porque ninguém paga impostos de boa vontade) seja utilizado por ele da melhor maneira possível. Vou sempre clamar por serviços públicos de primeira qualidade e que nunca faltem recursos para nada. Ou seja, mesmo não confiando em políticos, mesmo sabendo da incapacidade que o Estado tem de gerir serviços públicos, eu continuo apostando minhas fichas nele. Seja no partido A ou no partido B, no vermelho ou no azul, estamos sempre esperando que eles resolvam as coisas com o dinheiro que pegam de nós.

E se alguém lhe propusesse o contrário? E se alguém parasse de tomar o seu dinheiro de você e dissesse: se vira! Será que isso seria bem aceito por você? Como assim eu terei que pagar para ter acesso a saúde, educação e transporte? Oras, mas não é justamente isso que você já faz hoje?

Poxa, Zuza, mas então você não acha que o Estado é necessário? Você é um anarquista? Não, não é bem assim. Eu prefiro a definição do Mauad:

A existência do Estado só se justifica como resultado da delegação de poderes pelos cidadãos. Como só podemos transferir poderes de que dispomos e como só é lícito o uso da força em legítima defesa, os poderes legítimos do Estado estariam restritos à defesa da nossa integridade física, liberdade e propriedades.

Isso é brilhante! Em uma democracia, como essa na qual vivemos, nós é que escolhemos nossos representantes. Como eles são representantes, eles devem ter apenas os poderes que nós temos. Isso não faz sentido para você? Por qual motivo você acredita que o Estado deva ter um poder supremo? Realmente você acredita que alguém é capaz de entender todas as necessidades e desejos de todos, tratando-lhes como iguais?


Enfim, escrevi esse texto meio como um desabafo. Estou cansado de ver discussões por aí sobre a atual situação política brasileira. Há uma polarização entre PT e PSDB que está fugindo do bom senso. As pessoas discutem sobre “ah, mas o A é pior que B”. Elas vibram com escapadas e presepadas do partido adversário. Casos de insucesso do partido adversário são comemorados e usados como justificativa pelos casos de insucesso do seu partido preferido.

“A mídia golpista”. “A BLOSTA”. “Queremos o impeachment”. “O impeachment não resolve nada porque quem assume é o Michel Temer e não o Aécio”. “O Alckmin deixou o estado de SP sem água”. “A Dilma mentiu nas eleições”. “O preço da gasolina subiu por causa da Dilma”. “FHC foi pior que Lula”.

Para mim são todas discussões vazias que levam somente a um destino: o clamor por um salvador da pátria. Seja ele social democrata, seja ele petista (ou pior, em último caso, como querem alguns amigos que certamente não sabem o que dizem, uma socialista).

Paremos com a discussão partidária atual, que somente nos leva para a esquerda. Isso não acarretará mudanças profundas, que é justamente o que precisamos. Passemos a discutir o modelo, então assim conseguiremos andar em direção a um futuro significativamente melhor, mais justo e mais livre. Fica a dica.

Je suis petit

Publicado: 30 de janeiro de 2015 por Kzuza em liberalismo
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pequeno

Tenho observado nos últimos tempos uma série de observações feitas por pessoas ao meu redor que têm me deixado bastante preocupado quanto ao futuro da humanidade. Cada vez percebo mais gente mais preocupada com o bem estar geral da sociedade do que em identificar a si próprio individualmente, captando sua essência de ser e entendendo a sua missão na vida. O que deveria ser, ao menos em tese, algo louvável, acaba tomando um caminho inverso e prejudicando gente ao redor.

O tal “fazer bem ao próximo” acaba se sobrepondo e entrando na frente do “conhecer a si próprio”. Ao não nos conhecermos profundamente e não buscarmos, espiritualmente, compreender o significado da nossa vida e da missão da qual fomos incumbidos a cumprir nessa passagem, passamos a nos tornar meros seres a errar por aí, a caminhar sem direção.

Pior ocorre ainda quando nos afastamos, consciente ou inconscientemente, da busca pelo conhecimento. Há uma série de motivos para isso, mas infelizmente vivemos em um país onde o conhecimento e a espiritualidade são cada vez menos valorizados. Buscar iluminar e clarear a mente para novos horizontes é para poucos. Vivemos em um país onde um diploma de curso superior vale mais do que o conhecimento adquirido durante uma vida toda.

E ao nos afastarmos da busca do eu interior e marginalizarmos o conhecimento, fatalmente estamos fadados ao fracasso como sociedade.

Fico realmente preocupado quando escuto gente por aí defendendo causas dita nobres, sejam elas sociais ou ecológicas, apenas pelo discurso bonitinho e sem avaliar, moralmente e cientificamente, quais são as ações que defendem. Talvez pior do que a passividade de um ser pensante é o ativismo de um ser ignorante. Já dizia um velho amigo: “Muito ajuda quem pouco atrapalha”. E é justamente o ser ignorante, imbuído de uma necessidade de ajudar, de ser politicamente correto e socialmente engajado, quem realmente me preocupa. Pois são justamente eles quem são as grandes massas de manobra, manipuladas por seres aí sim mais inteligentes e sagazes, mas que não necessariamente utilizam-se de seu conhecimento para a prática do bem coletivo.

Percebo muita gente procurando posicionar-se a favor de uma, ou várias, causas para então se sentir superiores e com a consciência limpa. É realmente bonito se dizer, por exemplo, a favor das causas sociais (seja lá o que isso quer dizer). É bonito também ser politicamente correto, não se posicionar e nem se aprofundar em assuntos polêmicos, seguindo assim o que a maioria (maioria?) está dizendo ser certo.

Cada vez a opinião pessoal tem se tornado mais irrelevante. Os indivíduos têm sido reduzidos a meros seres vivos sem vontade própria, cujos interesses mais íntimos são suprimidos em prol do coletivo.

Alguém já parou para pensar quem é que define o que é certo ou errado pensar? Ou quais são as atitudes certas e erradas da vida? Seria tudo aquilo que está descrito nas leis? Seriam os princípios escritos na Bíblia, ou no corão?

Partindo do princípio de que eu não estou invadindo a sua intimidade e o seu mundo particular, e também não estou lhe agredindo, poderia eu pensar que estou agindo certo, independente do que eu esteja fazendo?

A questão que eu mais reparo atualmente é que as pessoas perderam a noção do que é liberdade. Há inúmeras definições por aí, mas mais do que palavras escritas em algum lugar, as pessoas perderam a compreensão do conceito de ser livre. Há uma frente quase hegemônica de pensamento onde as pessoas desejam que as outras tenham sucesso em suas vidas, mas não suportam vê-las fracassar. Não haveria problema nisso caso os conceitos de fracasso e sucesso fossem universais. A partir do momento de que o que é bom para mim não necessariamente o é para você, e vice-versa, o clamor pelo sucesso e o pavor do fracasso perdem todo o sentido benéfico e passam a assumir um papel temerário: o de inibidor da liberdade individual.

Talvez você me pergunte o que isso impacta na sua vida e eu posso seguramente lhe afirmar: em tudo! Em uma sociedade onde não se é realmente livre, você e eu passamos a atender às vontades de alguém que irá nos dizer o que é bom ou ruim, o que deve ou não ser feito para sermos bem sucedidos, civilizados e saudáveis.

Para usar um exemplo fácil, vamos supor que você decida dirigir o seu carro nesse final de semana ensolarado. Mas devido ao calor, você queira tirar sua camisa e andar sem cinto de segurança por aí. Por mais que você não faça mal a ninguém com tal prática, além de você mesmo, você seguramente será multado pois alguém estabeleceu que é dever dirigir usando cinto de segurança, mesmo se, caso você não o faça, o único prejudicado será você.

Mas aí você vai me dizer: Oras, se você sofrer um acidente e ficar machucado, será atendido por uma equipe de socorro pública, que irá levá-lo para ser atendido em um hospital público. Então o governo faz bem em tomar ações para proteger o cidadão nesses casos, pois senão gastaria demais com acidentados nos hospitais!

[tic…. tac…. tic….. tac….. tempo para pensar]

Se você conseguiu captar alguma incoerência no raciocínio anterior, talvez você já esteja começando a entender.

Mas talvez você também alegue que isso é um caso isolado. Eu mesmo não vou ficar aqui citando inúmeros outros exemplos para você ver o quanto a sua liberdade pessoal é diariamente podada sem que você note. O Matheus já deu alguns exemplos muito bons aqui ó.

O fato é que há, na sociedade brasileira hoje, um medo generalizado de se responsabilizar pelas suas escolhas e pelas suas atitudes. Queremos um mundo justo e igualitário, mas o queremos para agora, sem nossa participação. Delegamos a busca pelas soluções a pessoas a quem escolhemos, o que nos convém chamar de democracia. Procuramos aqueles com quem nos identificamos e delegamos a eles o poder de escolher o que é melhor para nós, mesmo sem que nós mesmos saibamos o que queremos. Há um bloqueio mental nas pessoas em aceitar arcar com as próprias escolhas, sejam elas certas ou erradas. O sucesso pessoal (esse sim existe, pois é de cada um) é muitas vezes visto como uma vergonha. A felicidade é vista como motivo de inveja. O fracasso, por sua vez, sofre várias tentativas de ser justificado, normalmente por culpa de terceiros. E assim perdemos nossa própria identidade.

Será que somos tão pequenos assim, ou falta mesmo uma busca por algo maior?

"A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade"

“A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade”

 

O desafio é discutir sobre os rumos populistas que nos levam ao dilema do totalitarismo e do fim da liberdade. E uma possível opção para mudar este rumo!

Sem título

Está correto sobre as principais divergências (papel do estado e modelo econômico).

Acredito no capitalismo, e não conheço outro regime senão o socialismo ou comunismo como antítese dele, cuja experiências reais eliminaram os alicerces capitalistas da sociedade, por exemplo Cuba, citado inclusive em resposta ao post do Renato como modelo de regime.

O papel do estado não poderia ser diferente, já que não é possível um regime anti-capitalista sem um papel de estado centralizador e com isso o cerceamento da LIBERDADE.

É justamente sobre essa tal de LIBERDADE que vou me esmerar!

Mas como já disse na minha primeira resposta lá no post do Ângelo, nossas divergências ficam por conta dos meios e não dos fins.

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Persisto em enfatizar que os fins de um liberal capitalista é o mesmo da esquerda socialista para não cairmos em falácias non sequitur, essa é a grande dificuldade do debate, a esquerda tenta monopolizar todas as virtudes e os nobres fins, como já comentei aqui:

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Afinal, quem seria a favor da pobreza, da fome, da injustiça e contra os direitos humanos?

Partindo dessa premissa, de que temos os mesmos fins, os mesmos objetivos, podemos discutir sobre os meios mais eficientes para tal.

Acredito que o liberalismo e o capitalismo são os melhores modelos político e econômico respectivamente para qualquer nação. Não há no Brasil nenhum partido com cartilha liberal, o existo PFL carregava liberal no nome, mas mudou para DEM, o que explica a falta de oposição dos últimos 12 anos, em linhas gerais todos usam um compatível ideário social-democrata, semelhante ao PT e a crença em um governo como locomotiva do progresso, não temos alternativas reais que fujam do eixo esquerda e centro-esquerda.

Como dizia Roberto Campos:

O liberalismo nunca nos deu o ar de sua graça.

Portanto, se Brasil é um país com muita miséria e desigualdade social isto não é culpa do liberalismo, já que nunca existiu por aqui. É o cansaço da evidente hegemonia política que reacende a insatisfação generalizada, permitindo o surgimento do movimento espontâneo e crescente com pessoas em busca de um NOVO caminho. Os liberais merecem a oportunidade política para posicionar o país em uma trajetória diferente e tornar o Brasil um país admirado, com liberdade individual e econômica.

Para falar em liberalismo preciso primeiro definir, na minha percepçãoo que não é liberalismo, pois por desconhecimento e desonestidade a esquerda insiste em rotular de liberalismo (ou neoliberalismo) os governos de FHC e os governos da ditadura militar.

O liberalismo não é totalitário, toda a história política liberal está vinculada a democracia plena sempre lutando contra o intervencionismo ; não é populista porque defende as instituições republicanas; não é fascista porque não concentra poder no estado; não é nacionalista porque repudia o nacional-desenvolvimentismo, o protecionismo comercial e o dirigismo estatal; não é conservador porque deixa os indivíduos livres para se associarem da maneira que bem entenderem,  e não admite que hábitos e valores morais de âmbito individual seja imposto pelo estado, apenas exige que não se viole o direito de ninguém, e por fim; não é anarquista porque entende que o estado é um mal necessário para evitar a lei do mais forte e a constante ameaça de uso de coerção ou violência de terceiros, ou seja, o estado tem como principal função preservar a propriedade privada, a liberdade individual e a segurança na vida em sociedade. Entende a necessidade do estado, com um papel limitado na sociedade, para servir ao cidadão e não o inverso, mas também sabe que o estado, em sua origem, é coercivo, é o monopólio da lei e da força em determinado território; portanto o liberalismo também não é utópico.

Então o que é o Liberalismo?

Entendo eu, que o liberalismo é a forma de fazer política respeitando a liberdade do indivíduo, tratando-o como um fim em si, e não como meio para chegar a um determinado fim. É a identificação do indivíduo como principal criador de riqueza, por isso é importante reduzir gradativamente o poder coercivo do próprio estado – uma missão sem dúvida difícil e repleta de obstáculos, valorizando os direitos do indivíduo, repudiando privilégios em defesa da isonomia e priorizando a liberdade ao invés da igualdade.

É o reconhecimento de que a liberdade é inseparável da responsabilidade, e defende que um dos papéis do estado seja o monopólio da justiça na garantia de direitos e deveres do indivíduo. O liberalismo garante a cidadania.

O papel do estado é fundamental na organização da sociedade mas entende-se que é ineficiente na promoção de produtos e serviços, pois não sabe alocar recursos, não sabe priorizar as necessidades realmente importantes gasta muito e gasta mal. Todos nós conhecemos a péssima qualidade do atendimento nas repartições públicas, a burocracia asfixiante de nosso país, as filas de espera de quase todos os serviços, a falta de equipamentos, etc. E é justamente porque o mecanismo de incentivo não funciona nas estatais e são usadas como moeda de troca política por quem chega ao poder. É sempre difícil punir e premiar o servidor público como se faz na iniciativa privada. Resultado: aqueles servidores decentes, dispostos a trabalhar de verdade, acabam tendo de carregar nas costas os acomodados. Falta uma gestão eficiente para mitigar esse problema e instituir alguma forma de meritocracia, que beneficia quem se esforça mais e produz mais. Quem teme a meritocracia não quer coisa boa, e normalmente não ingressou no setor público via concurso.

Temos impostos escandinavos, para serviços africanos! E por compreender o porque da situação que o liberalismo dá soluções alternativas das que temos hoje. O estado não deve se meter em setores melhores administrados pela iniciativa privada e entendendo isso o liberalismo prefere estimular a economia de mercado do que o estatismo. 

Os exemplos são infinitos, compare qualquer serviço ou produto fornecido pelo estado e pela iniciativa privada e perceberá que tudo relacionado ao estado é ineficiente, não caia no engano de que serviços estatais são gratuitos, não existe almoço grátis! Pagamos todos com nossos impostos, e normalmente mais caro do que se pagaria por um serviço privado.

Outra questão importante aqui no Brasil é o nível de corrupção, pense qual foi o último foco de corrupção na VALE, ou na Telefônica ou em qualquer outra estatal privatizada?

Informe-se sobre a quantidade de funcionários dessas empresas hoje, quanto elas faturam, qual a expansão dos seus serviços, quais os valores de impostos pagos ao estado e compare com o período estatal!

Qual o benefício que temos com a Petrobras gerida pelo estado? Qual o benefício que temos com o monopólio do Correios? Qual a vantagem que temos com o Metro? Qual o ganho no controle de concessões estrangulante de Rádio e TV?

O liberalismo é possível!

As nações mais prósperas, com melhores índices de qualidade de vida são liberais economicamente, são capitalistas! O Brasil está na rabeira dos rankings que medem o grau de liberdade econômica dos países.

E além de possível o liberalismo é ético por respeitar nossa principal característica humana: A Liberdade como direito de agir por si próprio com independência e autonomia em todas as esferas da vida em sociedade, dentro dos limites da lei e respeitando os outros.

Eu sempre caiu no mesmo discurso dessa tal liberdade. Toda discussão eu acabo encurralado na defesa da liberdade como bandeira liberal e sempre sou questionado:

 

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_ Afinal, que liberdade é essa que você tanto fala? Somos livres não somos? 

Será que somos mesmo? Sempre lembro de um livro, quase infantil, que me fez crer que nem tanto.

A história de Fernão Capelo Gaivota. de Richard Bach

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Fernão Capelo Gaivota, uma gaivota que queria mais do que o destino lhe impunha, além do que a natureza lhe deu por instinto. Fernão Capelo Gaivota não se contentava em voar baixo como todo o bando, para ele não era importante voar para comer, o importante era voar, cada vez mais rápido, cada vez mais alto! E percebia que a cada nova experiência um mundo novo se abria, a cada nova manobra de voo mais possibilidades surgiam e mais livre se sentia!

E enfrentando o repúdio do bando, do movimento, mesmo quando pareceu não fazer sentido, pois a única razão de uma gaivota voar é para comer, Fernão Capelo Gaivota continuou sua busca pela perfeição e conhecimento, assumiu os fracassos, os riscos e colheu os resultados da sua escolha, que até então não existia!

LIBERDADE DE ESCOLHA, LIVRE INICIATIVA!

É justamente a liberdade que nos diferencia dos demais animais, temos a capacidade de ir além de nossos instintos, somos responsáveis pela nossa conduta. Hoje o mundo é resultado da nossa conduta individual e coletiva, da nossa convivência, das escolhas que fazemos, a liberdade permite fazermos um mundo diferente e cada vez melhor!

O preço da liberdade é a angústia de ter nas mãos a responsabilidade das próprias decisões, o resultado das nossas condutas não deve ser terceirizado por abstrações como A SOCIEDADE, O SISTEMA, A VIDA! Desculpas nesse sentido são em sua totalidade ma-fé, atribuir ao mundo as causas da sua conduta é a negação da própria liberdade de escolha para justificar comportamentos vergonhosos e malévolos.

Fico indignado com os rumos que o barco toma! Tudo que vejo hoje em dia é o oposto do que acredito, todas as narrativas de hoje usam critérios de segregação. Não basta declarar algum grupo oprimido como uma massa amorfa, os progressistas ainda nomeiam o grupo opressor como responsáveis pela sua pobreza, e o Estado deve agir para salva-los da opressão!

Isso tudo não significa deixar em desamparo pessoas que por qualquer motivo se encontra na miséria, na pobreza, em condições desumanas, pelo contrário! É por acreditar que o melhor caminho vem das pessoas e não de governos, é por acreditar que o auto-interesse das pessoas faz a sociedade como um todo sai ganhando com melhor condição de vida, precisamos sempre de auto-estima!

Por fim, bato na tecla insistentemente, o repúdio que tenho sobre o pensamento coletivista e populista, normatizado hoje de forma confusa pelo conceito de esquerda, é diretamente ligado ao receio de que nossa liberdade seja tolhida, subtraída, em nome de uma ideologia que se mostrou fracassada em todas as suas tentativas e experiências reais. Não há explicação de como se daria esse novo modelo de estado e econômico sem o cerceamento da livre iniciativa, da liberdade de pensamento, da imprensa e expressão.

O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

O alerta de Lord Acton não pode ser ignorado, a vigilância e a alternância do poder é saudável, mas percebo que isso não é compatível com os planos da esquerda orgânica, a esquerda marxista, que usa a tática gramscista de hegemonia sem pudores das suas intenções. São muitas as evidências:

  • O politicamente correto domina debates ofuscando a livre opinião ou independência intelectual, é socialização da opinião, e o patrulhamento ideológico é uma poderosa arma nesse sentido.
  • Substituição da legalidade pela legitimidade, subvertendo leis por reivindicações justas. Crack x cigarros ou Invadir terras ou saquear estabelecimentos passam a ser atos legítimos, pois representam um passo na luta pela “justiça social”.
  • O uso manipulado da questão racial, regional e de gênero para segregar a população entre nós e eles.
  • O uso dos direitos humanos para proteger o criminoso, identificado como vítima da sociedade.
  • Utilização da “opinião pública” como critério de verdade maior que a própria lógica.

As tentativas são muitas, o próprio Lula teceu elogios a Chávez na forma como rumou rápido o socialismo na Venezuela. Mas a meta é a mesma.

O pior é que, por se tratar de uma verdadeira revolução cultural, suas raízes são profundas, e dificilmente serão revertidas rapidamente. A luta pela liberdade é árdua.

FUI!

Mathias

menosmarxmaismises

Eu não tenho problema com rótulos, substituo facilmente como já o fiz quando tinha meus vinte e tantos anos.

“Quem nunca foi socialista até os 20 anos, não tem coração… quem continua após os 30 anos não tem Cérebro!”

“Simpatizar” com o PSOL me permite afirmar um marxismo orgânico, mesmo aos que não aceitam o rótulo, mesmo dando como desculpa “não querer se limitar”. Só não aceita o rótulo de socialista quem não lê os projetos de governo do PSOL, por constrangimento ou porque reside em Marte!

Uma discussão saudável iniciada no facebookjá comentada aqui no blog pelo Zuza, com alguns argumentos confirmam novamente a posição filosófica igualitária e coletivista que me referi logo nos primeiros comentários lá no facebook, onde abordei as origens e fiz referência a Escola de Frankfurt e a Revolução Cultural Marxista (e nem citei Gramsci!) depois de uma citação de Adorno e Horkheimer, mas a reação é o questionamento do meu conhecimento sobre tema, uma acusação de pedantismo.

Sou um curioso, limitado, medíocre e sem vaidade de certificados. Acredito que a leitura permite conhecimento sem “experimentações concretas”, mas a leitura não deixa de ser uma experimentação!

Tudo bem…

“enquanto ser humano” alguém com vastíssimos 20 e tantos anos deve continuar dando preferência aos elementos “enquanto experiência prática da vida”

… seja lá o que isso significa.

Concordo quando diz que “milhões de crianças passam fome nesse mundo enquanto discutimos”.

Mas é pretensão achar que só a trupe de sonhadores da esquerda “tem legitimidade nas lutas por um mundo mais justo” e que “historicamente se coloca a favor das massas”, como se apenas a esquerda se preocupe com os pobres. Acha que a esquerda detém o monopólio das virtudes, da caridade, que vive a luta de fazer um “mundo melhor”, enquanto os liberais capitalistas ou os conservadores de direita não ligam para os pobres, que querem mantê-los na pobreza, os monstros individualistas, gananciosos, que só pensam em lucro e dar rasteira nos flagelados.

Ahhh tenha dó!!

O pensamento contraposto ao capitalismo nasceu da cabeça de um intelectual (o filhote do barbudo citado em um das respostas), visto ainda hoje como um homem exemplar, humano, o pai dos pobres. Os livros de prateleira universitária relatam como a morte do seu filho abalou profundamente seu coração e mente, mas perdurou por décadas a omissão sobre um outro filho que matou simbolicamente, Henry Frederick Demuth, filho de Marx com a empregada doméstica, e não se conhece algum lamento escrito de sua autoria.

“É fácil amar a Humanidade, difícil é amar o próximo” diz o ditado.

Toda a discussão baseia-se somente em boas intenções, justamente para não debater quais os meios ajudariam, de fato, os mais pobres a sair da pobreza.

O marxismo não é, então, uma ideologia sobre meios de produção ou organização social, mas uma seita religiosa que concede de imediato o status de sensível abnegado ao membro.

Querem os pobres mais ricos, e ponto! Como fazer isso?

Criticando o livre mercado e o lucro, enquanto na prática foram sempre o livre mercado e o lucro que possibilitaram o enriquecimento das sociedades capitalistas. Somente usar termos abstratos como justiça, sociedade, estado e partido não resolve. Onde foi que a simples distribuição de riqueza melhorou de fato a vida dos mais pobres de forma sustentável? Qual modelo podem oferecer como exemplo disso?

“A desigualdade material é indissociável da liberdade individual.”

Somos diferentes em muitas coisas, em nossas vocações, dons, habilidades, sorte, mérito, etc.

Se pegarmos um milhão de reais e distribuirmos igualmente entre mil pessoas numa comunidade, em poucos meses haverá gente com muito mais dinheiro do que os outros. única forma de preservar a igualdade é abolindo de vez a liberdade, impedindo as trocas voluntárias.

O mercado se dá pela liberdade dos agentes em realizarem trocas voluntárias, e o único equilíbrio deve ser a lei da oferta e da procura. O capitalismo nasceu espontaneamente no mundo é um sistema econômico e não uma teoria, somente foi reunido por Adam Smith.

A esquerda ignora tudo isso, a esquerda não entende de economia, foca em distribuir riqueza, em promover justiça social com mágica ou simplesmente pura vontade, como se não houvesse escassez de recursos, demandas, valor subjetivo, preço, etc… como se bastasse o benevolente estado distribuir recursos para todos, definir o salário ideal de todos e voilá!

É preciso entender os conceitos da Economia ou ignora-lo! Quem não sabe, é vítima de desconhecimento. Quem sabe e mesmo assim insiste na falácia, não tem honestidade intelectual.

O índice de Liberdade Econômica, calculado pelo Heritage Foundation, mostra os países com economias mais abertas e livres, com regras do jogo mais estáveis e conhecidas, e há também enorme correlação entre a liberdade econômica e a queda da corrupção. 


Referências a CUBA como grande promotor de justiça e como modelo de organização social só me permite concluir ignorância ou desonestidade intelectual sobre a ilha e sobre as demais tentativas da experiência socialista/comunista pelo mundo.

Exalta a excelente qualidade de educação da Ilha, mas omite que Cuba já detinha um posto de destaque no Governo de Fulgencio Batista, antes da Revolução, e ignora que Cuba não participa dos exames internacionais de avaliação de educação como o Pisa, da OCDE, que avalia conceitos ligados a línguas, matemática e ciências.Cuba vive uma ditadura e os únicos dados oficiais são justamente os do governo, os estudantes não têm liberdade de expressão, a imprensa não é livre e todos os livros são controlados e fornecidos pelo Estado. Os estudantes não podem fazer pesquisa na internet porque as conexões são raras em pleno século 21. A educação básica vem declinando na qualidade e existem relatos de que hoje é possível comprar boas notas de professores que precisam se alimentar com mais do que é permitido pelo racionamento mensal. Propaga-se que o ensino universitário em Cuba é gratuito, mas o correto é dizer que o acesso é universal. Qualquer cubano, dependendo da média e dos resultados nos exames de ingresso pode entrar na Universidade (Olha a meritocracia!!) sem pagar nada, mas a educação superior tem um preço. Assim que graduado, o estudante deve trabalhar um período para o Estado, “Serviço Social Obrigatório”. Se trabalha por um salário mínimo (225 pesos mensais, faça a conversão e surpreenda-se!) em um posto determinado pelo governo, o não cumprimento do invalida o título universitário pelo Ministério da Educação Superior, mas como não existe ensino privado os cubanos não tem outra opção.

O cubano é diplomado, mas exerce a função que o Partido quiser, Cuba tem o maior índice de motoristas, lixeiros e prostitutas diplomadas no mundo!

Menciona com orgulho o índice zero de crianças nas ruas de Cuba, mas omite o alto índice de prostituição infantil na Ilha, tornando um dos maiores destinos do turismo sexual de pedófilos. Omite a multidão de crianças que cercam turistas a fim de conseguir um doce, uma bala, um pirulito ou qualquer outra guloseima sonhada por qualquer criança, mas todas são alfabetizadas. Todas tem casas doadas pelo governo, mas para fazer uma reforma precisa “pedir a benção” ao Partido, e esperar a boa vontade para que as reformas necessárias sejam concluídas, enquanto isso vivem sob o risco desabamento.

Outro mito é a belíssima taxa de mortalidade infantil cubana, uma das menores do mundo, mantida artificialmente baixa pelas estatísticas do Partido Comunista e por uma taxa de aborto no topo do ranking mundial!
São 0,71 abortos para cada feto nascido vivo. Em Cuba o aborto é usado como método contraceptivo, como forma de eugenia e qualquer gestação que sequer insinue alguma complicação é “terminada”. Mate os fetos e diminua a mortalidade infantil. É o modo cubano de fazer as coisas.

Basear-se nos documentários de Michael Moore é continuar acreditando no maravilhoso sistema de Saúde Cubano. Humberto Fontova rebateu as mentiras de SICKO em 2009, e o texto foi traduzido e publicado no Brasil pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil.

A culpa de tudo isso sempre recai ao embargo americano, mas é sempre omitido que foi justamente para livrar a ilha do imperialismo americano que a revolução foi feita.

Cuba não pode comercializar com os Estados Unidos (atualmente é o 4º maior parceiro comercial de Cuba e o 5º maior fornecedor), , mas, 40% do comércio exterior de Cuba é mantido somente com a Venezuela. Países como China e Brasil tem fortes laços comerciais e financeiros com a ilha. O resto dos países tem toda a disponibilidade para firmar acordos econômicos com Cuba, mas exigem o pagamento em efetivo devido à reiterada inadimplência do governo cubano.

Mas é outro bloqueio que afeta ao cidadão cubano: é o bloqueio do governo para evitar que algum cubano progrida economicamente. Por exemplo, a Lei de Investimento Estrangeiro, permite a qualquer pessoa deste planeta a possibilidade de investir na ilha. No entanto, não existe uma só Lei de Investimento que permita aos cubanos residentes em Cuba investir no desenvolvimento econômico de seu país.

O governo permite a atividade, lá denominados “cuentapropistas”, mas somente se pode desenvolver 178 atividades desta forma. Entre estas atividades se contam: cabeleireiro, gastrônomo, jardineiro, cocheiro de veículo de tração animal, forrar botões e até revender CDs piratas. Os cuentapropistas veem “bloqueado” seu desenvolvimento econômico pelo próprio governo cubano. Não podem ter acesso a créditos financeiros, não podem comprar em mercados atacadistas, ao contrário das empresas estatais, não tem acesso a matérias primas para desenvolver seu trabalho, tem taxas de impostos sobre renda a níveis similares ao da Suécia e da Áustria (50% se ganha mais de U$160 ou R$360,89 por mês).

A regra é sempre a mesma, a mídia, a imprensa, os livros, todos os fatos de Cuba são propagandeados ad nauseam, mas os mitos e os embustes precisam ser caçados como agulha no palheiro.

Fontes:

http://www.hfontova.com/

http://www.therealcuba.com

http://www.therealcuba.com/Page10.htm

http://ctp.iccas.miami.edu/FACTS_Web/PG/Cuba%20Facts%20Issue%2019%20Portuguese.htm

http://generacionypt.wordpress.com

FUI!

Mathias.

Ah, o liberalismo…

Publicado: 7 de novembro de 2014 por Kzuza em Política
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Esse não é um texto sobre PT ou PSDB. Também não é um texto sobre política propriamente dita, ou melhor, como você está acostumado a entendê-la. Trata-se apenas de um texto com assuntos que talvez você, assim como eu há alguns meses atrás, não está acostumado a lidar.

Recentemente tive meu primeiro contato com as teorias do liberalismo, muito por influência do Mathias. Foi depois de muito ler a respeito que comecei a reparar que eu nunca havia sido apresentado à tais pensamentos. Durante toda a minha vida escolar, nas minhas aulas de história ou geografia política, muito ouvi falar sobre Marx e socialismo, mas sinceramente nunca ouvi falar sobre Mises, por exemplo.

Também cheguei à conclusão que, inconscientemente, eu sempre fui um estatista. Sempre acreditei que o Estado era o único capaz de solucionar os problemas que assolam a população brasileira, como miséria, fome, falta de saneamento básico, falta de emprego, etc. Não sei se essa foi a educação que eu tive em casa, mas acho que não. Felizmente lá em casa nunca fomos altamente dependentes do Estado e conseguimos ter uma vida relativamente tranquila (exceto pelo período Collor). Estudei por 4 anos em escola pública, mas não me lembro se foi lá que me tornei esse estatista.

Cresci e me tornei um cara de sucesso e bem sucedido (isso para os meus conceitos, talvez não para os seus). Apesar de sempre ter a certeza de que só cheguei ao ponto onde estou hoje graças ao meu esforço e aos dons que recebi das mãos de Deus, sempre acreditei ser um cara de muita sorte. Infelizmente, a maior parte da população brasileira nunca teve as mesmas condições que eu tive para vencer na vida. Dessa forma, sempre esperei que um dia fôssemos ter um governo que pudesse levar essas pessoas a uma vida melhor. Alguém que de fato os ajudasse.

Foi nesse pensamento que ajudei a eleger Lula em 2002. E ele, de uma forma ou de outra, conseguiu levar um alento aos mais necessitados, como eu sempre esperei que alguém fizesse. Mas já nas eleições de 2006, após o escândalo do Mensalão, eu percebi que não havia legitimidade nas ações do governo petista. Para mim, não era justo ajudar alguns fazendo mal para outros. Não votei PT na segunda vez. O mesmo ocorreu em 2010 e em 2014, após uma sucessão de escândalos de corrupção e de piora nos indicadores econômicos.

Mas foi exatamente nesse ano que percebi que, assim como era o PSDB de FHC, o PT de Lula e Dilma também nunca foi legítimos nas suas ações para com o povo. Fui tomado por um pessimismo terrível, pois realmente não há mais em quem confiar. Todos possuem a mesma intenção básica: manter-se no poder e enriquecer às custas do trabalho do povo. Os meios para isso é que divergem, como já expliquei aqui em textos passados (o que ajuda a explicar eu ter votado Aécio ao invés de Dilma em 2014).

Mas então, para onde correr?

Esse contato com as ideias libertárias me mostrou que é sim possível ser otimista em relação ao futuro. Isso porque há um caminho possível para que não dependamos mais da vontade dos outros para que nós possamos prosperar. Até porque, na verdade, os outros nem sabem o que nós queremos, não é mesmo? Quem mais indicado para administrar a sua vida do que você mesmo? Quem mais indicado para tomar conta do seu dinheiro do que você mesmo?

O maior erro que eu cometia, e acho que provavelmente você também cometa, era acreditar que o Estado sabe exatamente o que é bom para a população em geral, sem considerar os anseios individuais de cada um. Eu acredito que esse tipo de pensamento geral do brasileiro é justamente um dos fatores que nos leva a ficar, durante tanto tempo, à mercê das boas intenções do governo (seja ele de qual partido for), mesmo sabendo que eles não estão nem aí para nós. Isso para mim passou a soar totalmente insano.

Eu posso escrever aqui durante muito tempo e nunca serei tão claro quanto Roberto Barricelli foi nesse texto aqui. Ele explica, através da interpretação da palestra de Nathaniel Branden, de uma forma extremamente didática como é que ninguém é mais capaz de promover a sua prosperidade do que você mesmo. Leia esse texto e sinta-se renovado.

Isso não quer dizer que eu tenha chegado à conclusão de que o melhor para nossa sociedade seja uma anarquia. De maneira alguma. Só passei a acreditar que o quanto menos o governo interferir na minha vida, melhor. Isso porque aí o Estado pode tratar o que é realmente essencial para garantir que todos tenham condições iguais a prosperar de acordo com seus valores. Entenda como essencial, ao meu ver:

  • Garantir educação básica de qualidade para todos;
  • Garantir atendimento de saúde para todos;
  • Garantir segurança jurídica para todos;
  • Proteger as nossas fronteiras de ataques externos.

Mas só isso? E o resto? O resto é assunto para outros textos que você pode encontrar em fontes legais como:

Ou seja, quanto menos o governo regular ou interferir, para mim, melhor. Há um texto muito legal aqui que explica como é que as concessões públicas e as agências regulatórias são extremamente maléficas para uma nação.

É insano termos que escolher, geralmente, entre PT ou PSDB, ou se estou a favor do povão ou da elite. Ambos possuem um interesse em comum centralizador que é apavorante, embora para mim seja completamente claro que a fome do PT pelo poder e pelo totalitarismo seja infinitamente maior.

Não faz sentido para você escolhermos como candidato quem na verdade menos se interessa pelo poder e pelo nosso dinheiro, mas sim se interessa em dar à você e à sua empresa o poder de decidir o que é melhor? Comece a pensar nisso.

Imagino que muitas pessoas que escolheram nessas eleições o programa de governo do PSDB já tiveram que responder a pergunta acima. Antes de responder eu lançaria a seguinte pergunta ao meu questionador:
“Você vota no governo do PT porque sua vida melhorou nos últimos 12 anos de governo do PT?”
Se você recebeu um “SIM” como resposta já pode tirar conclusões sobre o caráter da pessoa que fez tal indagação.
Ora, se alguém define sua escolha de governo apenas pelos resultados da própria vida concluímos que trata-se de um “IDIOTA”!
Calma, não se ofenda ainda… não uso o termo pejorativo de uso cotidiano, faço uso da expressão original grega “idiotés“, que significa:
“Aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política.” 
Além de um idiota originalmente grego – aquele que está pensando somente em si – é provável que a pessoa também atribua ao Estado todas as suas conquistas, perfil daqueles com a auto-estima baixa, que não acredita no seu próprio potencial e que sustenta a ideia de um Estado-babá para zelar pelo bem-estar dos cidadãos, mesmo que o custo disso seja a própria liberdade, são os filhotes de Rousseau!
Em conjunto com as duas características vem a atual – ou pretendida – posição de espoliador.
Sim, os espoliadores usam esse argumento principalmente para manter seu Status Quo. 
São aqueles que tem benefícios privados com os rumos deste governo.
Em sua maioria são: 1) servidores públicos, 2) políticos, 3) anistiados, 4) comissionados, 5) pensionistas e 6) personalidades sustentadas pelo Estado.
Eu não generalizo os servidores públicos, pois existem sim bons funcionários públicos. A generalização não tem sentido, temos categorias que não são valorizadas como deveria, professores é um exemplo, o que torna evidente a má gestão do estado com seu quadro de funcionário.
Mas se você prestou concurso público, pensando nos itens abaixo, considere-se um espoliador:
a) Na aposentadoria integral – O regime de previdência dos servidores federais, que atende 953,5 mil aposentados, vai fechar o ano com um déficit superior a 62 bilhões de reais. Já o regime geral deve registrar resultado negativo de 35 bilhões de reais (Dados do ano de 2012).
b) Na estabilidade de emprego –  Cria ineficiência em todos os serviços oferecidos pelo Estado, onde qualquer reclamação pode ser entendido como desacato ao servidor (Art. 331 do Código Penal – Decreto Lei 2848/40)
c) Nas inumeráveis licenças e nos infindáveis “auxílios” – Que torna todo o sistema de funcionalismo público caro, ineficiente e elimina com os incentivos da meritocracia.
d) Nas pensões e anistias – Que criam benefícios vitalícios para as futuras gerações, corroem o sistema previdenciário e torna seus beneficiários improdutivos, e as anistias criam uma compensação atribuída das novas gerações pelas atitudes de gerações passadas injustamente.
e) Na posição privilegiada – Que enche de pilantras nossas instituições democráticas, cria uma casta de pessoas acima da lei, justamente os que deveriam garantir os direito de igualdade de todos os indivíduos, e garanta que o estado sirva ao seu povo e não o contrário.
Não posso deixar de fora a ESQUERDA CAVIAR, não são funcionários (Só não tem a carteira assinada), mas mamam nas tetas do estado e das políticas de incentivo a cultura por serem “amigos do rei”. São artistas e intelectuais, que defendem o atual governo para garantir remuneração artística mesmo que não haja interesse do povo.
Portanto são os IDIOTAS (Originalmente grego, mas também cabe o termo pejorativo!), ESPOLIADORES ou PESSOAS SEM DIGNIDADE… pode ser as três características tudo junto e misturado, que dão essa resposta a sua pergunta.
São estas as principais características das pessoas que responde SIM a você.. e que votam no PT porque sua própria vida melhorou.
Isso pode ser defendido como ético e moral? 
Poderia alguém defender o caráter dos integrantes da Nomenklatura da União Soviética sob tal argumento?
Todos da nomenklatura tinham uma garantia de vida próspera, gozavam da simpatia do Partido Comunista, tinham privilégios e vantagens inacessíveis para o restante da população, que vivia sem liberdade de criticar o regime totalitário, e qualquer tipo de atitude de oposição garantia uma longa estadia nos Gulag’s da Sibéria ou Ucrânia. Leon Trotsky, até então parte da Nomenklatura, ao questionar essa classe burocrática foi considerado um inimigo e morto com um golpe de picareta na cabeça, isso porque já estava exilado no México!
Poderia alguém achar justificável que haja diferenciação de direitos entre os indivíduos? 
É o que está acontecendo, me lembro que a luta sempre foi pelo fim da espoliação, principalmente da classe política que sempre se beneficia por legislar em causa própria.
Hoje a política do PT promove a espoliação sob o argumento da igualdade de resultados, um absurdo!
O PT fomenta a criação de novas castas privilegiadas: racial, cultural, orientação sexual, de gênero e classe social.
Tudo isso justificado pela ideia da necessidade de algum tipo de compensação, seja histórica, cultural, de aceitação social ou até por padrões de normalidade estabelecidos espontaneamente por toda a sociedade!
É o inverso da igualdade de direitos, é a subversão do direito com o desejo, inverte os mecanismos da democracia e põe em risco o princípio da liberdade individual!
Depois de conhecer seu caráter, minha resposta a primeira pergunta é:
Sim, minha vida melhorou nos últimos 12 anos, mas eu voto em Aécio porque dou mais valor a minha liberdade do que as minhas conquistas pessoais!
O estado não tem nada a ver com isso, seja ele do PT ou PSDB, quanto menos o estado se meter na minha vida melhor. Acho ainda que se o estado não usasse de coerção e não roubasse mais da metade do rendimento do meu trabalho estaria muito melhor hoje, eu e todos as pessoas ao meu redor!
Garanta o básico e não atrapalhe, o artigo 5º da Constituição é quase suficiente!
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”
O atual governo do PT dá provas que faz de tudo para manter-se no poder, aparelharam todas as nossas instituições democráticas com intuito de centralizar ainda mais poder. Agora nas eleições proliferam o ódio com mentiras de todos os tipos e divide as pessoas para ganhar as eleições.
Não há como conciliar a democracia e a política que o governo do PT promove, porque não é compatível, e o custo dessa política é o cerceamento, cada vez maior, das nossas liberdade individuais sob o pretexto de garantir bem-estar de todos, custe o que custar!
Defendo a nossa liberdade individual por princípio, e acredito que é isso promove espontaneamente aumento de qualidade de vida de todos que querem melhorar. É de direito buscar nossa própria felicidade, seja ela qual for, respeitando os direitos de terceiros e as leis justas.
Se você respondeu: “NÃO, minha vida não melhorou”, e mesmo assim acredita nas atuais políticas do PT voce não é muito melhor do que os que responderam SIM, mas seu perfil fica para uma próxima!
FUI!
Mathias.

Li o texto abaixo na revista Superinteressante desse mês e achei sensacional. Vale a leitura!

O que você pode falar, afinal?
A onda politicamente correta cresceu a ponto de tolher a liberdade de pensamento. O maior problema, porém, é outro: a reação torna tudo o que é incorreto “bacana”. E abre espaço para a intolerância.
por Maurício Horta

“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra c… Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus.” A fala é de um show de comédia stand-up de Rafinha Bastos. O Twitter foi inundado de mensagens com variações do tema proposto por Mayara Petruso – a estagiária de direito que recomendou o afogamento de nordestinos. Claro que nem Rafinha está defendendo o estupro nem os afogadores de imigrantes são necessariamente homicidas em potencial.

Boa parte dessa truculência é uma reação à onda politicamente correta das últimas décadas. A incorreção, nesse sentido, virou uma arma para defender a liberdade de expressão, que só existe quando você também é livre até para pensar o impensável e dizer o impronunciável.

Mas o que acontece quando o impensável agride o próximo gratuitamente? Para entender como chegamos a esse nó, vamos para a origem do termo “politicamente correto”. Ele apareceu pela primeira
vez com um significado bem diferente do que usamos hoje: na China dos anos 30, para denotar a estrita conformidade com a linha ortodoxa do Partido Comunista, tal como enunciado por Mao Tsé-tung. Mas o significado com que a expressão chegou até nós é uma criação dos Estados Unidos dos anos 60.

Na época, universitários americanos abraçaram a defesa dos direitos civis, seja das mulheres, seja dos negros. Era uma época de transformações na sociedade: as empresas e universidades, antes habitadas
exclusivamente por homens brancos, agora viam chegar mulheres, negros, gays, imigrantes. Era preciso ensinar as pessoas a conviver com a diferença.

Nisso, negro virou african-american, (“afro-americano”), fag (“bicha”) virou gay (“alegre”). O paradoxal aí é que, pela primeira vez na história americana, quem buscava estender os direitos civis também advogava por uma limitação na liberdade de expressão.

O passo seguintes viria com os anos 90. Mais especificamente com a derrocada do mundo comunista. O fim do socialismo mudou a agenda dos grupos de esquerda. Se antes a busca pela igualdade era a busca pela diminuição das diferenças entre as classes sociais, agora era pela eliminação das “classes pessoais”. Tratava-se de não estigmatizar as pessoas por aquilo que elas eram – afinal, não faz sentido aumentar o peso do fardo que cada um tem de carregar na vida. Dessa maneira, não bastava combater só o sexismo e o racismo. E “obesidade” virou “sobrepeso”; “deficiência física” virou “necessidade especial”…

Só que o método, por mais bem-intencionado que seja, é inócuo. Quem explica por que é o francês Ferdinand Saussure, o pai da linguística, num texto de 1916: “De todas as instituições sociais, a linguagem é a que oferece menor margem a iniciativas”. Ela é utilizada por todos os membros de uma comunidade, que, por esta ser naturalmente inerte, acaba por conservar a linguagem. Qualquer interferência tende a ser rechaçada.

É aí que o debate começa, Politicamente corretos ficam do lado do conselho que a sua mãe dava: seu direito termina onde começa o do outro. Se o próximo se sente ofendido, você não pode falar. Ponto.

Parece um argumento inatacável. Mas tem um problema aí: quem é o juiz para decidir o que é certo e o que é errado, o que ofende e o que não ofende? Onde fica a liberdade de pensamento, de expressão? A ideia de que o direito de um termina onde começa o do outro vale aqui também: pode alguém retirar o direito do outro de dizer o que pensa?

Talvez por isso a transformação ideológica de palavras seja tão utilizada por governos: é uma ótima forma de revogar o direito de pensar. Tanto regimes autoritários – como o apartheid sul-africano, em que a palavra “miscigenação” virou “imoralidade” – quanto democráticos – como o dos EUA, que usou o termo
“guerra preventiva” para o ataque unilateral ao Iraque – usaram do expediente. No mundo do politicamente correto isso é o equivalente a chamar de “melhor idade” a época da vida em que vemos
multiplicar o valor do plano de saúde.

De boa intenção, o politicamente correto passa a ser visto como hipocrisia. E de hipócrita a algo fundamentalmente errado. Como lidar com o excesso de correção política, então? Não temos a pretensão de dar uma resposta definitiva. Mas sair xingando os outros de gordo, aleijado, retardado e baranga estuprada é que não vai ser. Se fosse engraçado, talvez até funcionasse. Mas não. Não é .