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Sobre boas ideias

Publicado: 15 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Ontem tive uma conversa bastante proveitosa com um grande amigo. Um cara que sequer concorda com a maioria das minhas ideias, mas chegamos a um ponto em comum e que gostaria muito de compartilhar.

A conversa começou com o caso da United Airlines, onde um passageiro foi retirado à força de um avião. Ele comentou que já há muitas pessoas organizando um boicote à companhia aérea, negando-se a voar com uma empresa que é capaz de tratar os seus clientes dessa maneira. Eu concordei, adicionando que sou favorável a esse tipo de atitude, onde pessoas se reúnem voluntariamente para protestar em defesa de uma causa, e que tentam convencer outras a fazerem o mesmo.

Veja, não é preciso que haja um esforço muito grande para se convencer as pessoas de que a atitude da companhia aérea, personificada nesse caso em seus profissionais que faziam parte da tripulação, foi errada. Talvez seja mais complicado convencer as outras pessoas de que o boicote seja a melhor forma de se protestar ou de que isso tenha algum resultado prático (e aqui a discussão realmente se estenderia por horas e horas). De qualquer forma, desde que não seja algo arbitrário e imposto, acho a iniciativa bem bacana.

Mas o cerne da questão aqui não é nem o protesto contra a United Airlines.

O ponto no qual concordamos é que qualquer boa ideia é capaz de resistir e prevalecer sobre as piores ideias sem que ninguém precise apontar uma arma e ameaçar as outras pessoas a concordarem. De maneira análoga, ideias estapafúrdias também estão fadadas a serem imediatamente rejeitadas pela maioria das pessoas sem que ninguém precise alertá-las sobre o seu perigo.

Eu acredito (e já devo ter escrito isso aqui ou em algum outro lugar) que a livre associação de indivíduos que concordam com uma mesma ideia e a colocam em prática possui muito mais resultados (e muito melhores!) do que quando tentam impor essas ideias através de leis e decretos a toda uma população.

Eu acredito que boas ideias atraem naturalmente o apoio de muitos indivíduos. No entanto, quando essas ideias tentam ser empurradas goela abaixo das pessoas, mesmo que essas sejam boas ideias, o resultado passa a ser o contrário. Seres humanos tendem a ter aversão àquilo que lhes é imposto como bom, justo e necessário. Por exemplo, um indivíduo não começa a ir a uma igreja quando um testemunha de Jeová bate à sua porta no domingo de manhã para lhe obrigar a isso; esse indivíduo o faria no caso de se identificar com a palavra pregada, com as boas energias trazidas pelo ambiente, com a comunhão da sua comunidade.

Vamos pensar. O programa Teleton, em 2016, arrecadou 27 milhões de reais que foram destinados à AACD. A campanha foi liderada pelo SBT. Diversos artistas fizeram campanha, pediram doações, mostraram onde o dinheiro era aplicado, as crianças que dependiam do tratamento especial, etc. Centenas de milhares (ou até milhões) de brasileiros se mobilizaram e doaram dinheiro em prol da causa. Veja só, não é muito difícil convencer alguém de que uma criança que nasceu com alguma necessidade especial precisa de atenção especial, profissionais capacitados para o tratamento e medicamentos. As pessoas imediatamente se sentem tocadas com isso.

Agora, imagine que um presidente da república aprovasse uma lei que criasse um imposto a ser pago obrigatoriamente por todo cidadão comum com renda mensal superior a dois salários mínimos. A receita obtida por esse imposto (estimada em R$27 milhões) seria revertida integralmente à AACD. O que você acharia disso?

Vamos analisar. O resultado final para o destinatário seria efetivamente o mesmo. Porém, qual a moralidade de um arranjo como esse? Fatalmente, isso iria obrigar pessoas que não contribuem com a AACD (independente do motivo) ou que contribuíam com quantias menores a desembolsar compulsoriamente uma quantia com a qual não estão de acordo. Isso também faria com que pessoas com renda mensal inferior a dois salários mínimos e que, por ventura, tenham doado voluntariamente alguma quantia pelo Teleton não consigam mais contribuir (ou ao menos, não com a facilidade que tinham anteriormente).

Portanto, convido você a pensar sobre isso quando estiver requisitando algum serviço público ou alguma lei em especial que obrigue uma ideia ou uma causa as quais você defende serem impostas a todo o restante da comunidade na qual você vive. Isso parece bastante tentador quando é algo com o qual você concorda, mas tenha certeza de que na maioria das vezes será algo com o qual você está contra. Depois não adianta reclamar.

 

Mulheres, sejam bem vindas ao liberalismo!

Publicado: 10 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Recentemente, no dia internacional da mulher, li uma série de textos clamando por direitos iguais para homens e mulheres. Essa seria, em suma, a principal pauta do movimento feminista. Então resolvi pesquisar um pouco a respeito.

A primeira coisa que descobri é que o feminismo em si não é um movimento. Na verdade, ele é uma bandeira atrás da qual um monte de gente se esconde, cada um bradando por uma coisa diferente, mas sempre com o centro nas mulheres. No geral, qualquer coisa que reclame algo em nome das mulheres hoje é chamada de feminismo. E é justamente esse o motivo pelo qual o feminismo não é levado à sério.

Eu explico. As mulheres estão cada vez mais em alta, cada vez mais em evidência, cada vez com mais voz ativa. Pode se dizer, sem muito medo de errar, que as mulheres hoje são cada vez mais levadas à sério, ao contrário do suposto movimento que dizem representá-las. Ou seja, o indivíduo está se sobressaindo ao coletivo, para desespero daqueles que acreditam no contrário.

O mais incrível é que aquelas que se dizem feministas atribuem essa ascensão da mulher como uma vitória de um suposto movimento coletivista, sem se dar conta de que na verdade essa ascensão é resultado da própria capacidade individual de cada mulherão da porra que temos por aí.

No que diz respeito aos direitos propriamente ditos, homens e mulheres hoje gozam, legalmente falando, basicamente dos mesmos direitos. Claro, considerando a diferença biológica existente entre os sexos, que mostra homens fisicamente mais fortes que as mulheres, há algumas diferenciações. Mulheres gozam de benefícios não concedidos aos homens a fim de equiparar as condições de ambos os sexos. Mulheres não prestam serviço militar obrigatório, possuem delegacias próprias para investigação e combate a crimes, têm direito (pelo menos até agora) a se aposentarem antes dos homens, entre outros.

Então o que as pessoas querem dizer quando clamam por direitos iguais? É aí que está a chave: mentes mais pensantes pedem para que os direitos iguais garantidos por leis sejam cumpridos efetivamente para as mulheres. Em linhas gerais, não basta escrever as regras do jogo, é preciso que elas sejam cumpridas.

Mas se as leis não estão sendo cumpridas, é necessário identificar primeiro o porquê disso, a fim de eliminar (ou minimizar) a causa do problema. Nesse ponto, assim como em vários assuntos polêmicos, os progressistas da esquerda falham miseravelmente. Na preguiça ou na incapacidade de pensar, apontam para qualquer direção e miram em seres imaginários ou em coisas impessoais. E quando não se há algo concreto a ser combatido, a guerra nunca tem fim e continua somente alimentando discursos demagógicos.

Progressistas irão sempre culpar a sociedade misógina e machista por todo e qualquer infortúnio sofrido por uma mulher em particular. Isso jamais resolve o problema, mas pelo menos dá cartaz a grandes demagogos, principalmente na era das redes sociais. A alienação toma conta dos mais sensíveis, gera aquela sensação de fazer parte de uma “revolução”, mas no final das contas tudo continua como antes. E quando ocorrem mudanças graças a indivíduos que combateram inimigos reais, os primeiros clamam para si as glórias.

Vamos a exemplos de alguns absurdos.

Primeiro, tratemos da alienação das feministas mais radicais. Não vou me alongar na discussão sobre todas as supostas “lutas” travadas por elas, mas vou me ater a um único ponto: o tal padrão de beleza. Estas adoram dizer que lutam contra os padrões de beleza “impostos” pela sociedade. Eu particularmente acredito ser meio bizarra a ideia de que alguém acha uma mulher bonita ou feia porque outra pessoa está dizendo isso. Gosto é algo muito pessoal. Se houvesse somente um tipo de beleza ideal, eu diria que 95% das mulheres jamais chamariam a atenção de homem algum, mas nós sabemos que não é isso que acontece. É claro que existem homens e mulheres mais bonitos e mais feios. Há quem goste de gordinhos e gordinhas, embora a maioria prefira os mais magros, por uma questão estética. E não há nada de mal nisso. E também é normal homens gostarem mais de mulheres depiladas do que de mulheres com bigode ou pêlos debaixo dos braços. O problema destas feministas não é apenas lutar para que possam ser como elas bem entenderem (até porque elas podem fazer isso, não há impedimento nenhum), o problema é querer impor que as demais pessoas achem isso legal ou bonito. Não é o fato de fazer cocô de porta aberta que vai tornar isso um ato comum e aceitável.

Outro ponto bastante interessante, compartilhado pela maioria das feministas, é a questão da equiparação entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Os números mostram que há menos mulheres em cargos executivos nas empresas que homens. Os números mostram que a média salarial das mulheres é mais baixa que a dos homens. As mulheres ocupam menos cargos na política que os homens. Há uma desigualdade clara. Mas será que as feministas conseguem identificar o que está acontecendo de verdade e lutar contra isso? Parece-me bastante óbvio que não. Bradam contra a sociedade machista e contra a discriminação sofrida pelas mulheres, como se essas abstrações explicassem os fatos. Sabemos que existem homens machistas e que discriminam as mulheres, mas isso explica? Essa é uma lógica muito utilizada nos dias atuais e que não é exclusividade das feministas: a existência de um comportamento ou a ocorrência de um fato são utilizadas como explicação para um fenômeno específico, mesmo que não exista nenhuma relação de causalidade, mas desde que corrobore com a agenda ideológica desejada.

Em relação ao fato de mulheres ocuparem menos cargos executivos ou na política, eu sugiro assistirem o documentário “O paradoxo da igualdade”, produzido pelo sociólogo e humorista norueguês Harald Eia. Há explicações científicas que demonstram que homens e mulheres são diferentes em vários aspectos, inclusive em suas inclinações profissionais. De qualquer forma, é óbvio que existem mulheres que chegam a esses postos, e isso se dá graças a suas competências, e não como uma forma de reparação e agradecimento da sociedade cis-hétero-machista-misógina a algumas mulheres. Portanto, o discurso feminista erra o alvo ao apontar o dedo para algo abstrato (uma sociedade machista) como culpado, o que não surtirá efeito algum porque nenhum ser abstrato é capaz de dar uma resposta a um estímulo. Se as feministas encorajassem as próprias mulheres, o resultado seria mais rápido e com muito mais assertividade. Exigir cotas de reparação na política ou em altos cargos nas empresas apenas abriria espaço para uma série de oportunistas incapazes assumirem posições para as quais não estão preparadas ou que sequer escolheriam voluntariamente. O que não falta no mundo são mulheres inteligentes e competentes para chegarem lá, basta incentivá-las.

Já quanto aos menores salários, o documentário norueguês também explica alguns fatores, mas mudando o foco aqui para a nossa república das bananas, certamente o maior inimigo é outro. Vamos partir de um princípio básico e de fácil compreensão: se as mulheres realmente ganhassem menos que os homens para fazerem exatamente o mesmo trabalho, por que os donos de empresa não contratariam apenas mulheres ao invés de homens? Seria de uma incompetência tremenda não observar essa possível redução de custos, não? Acreditar que os empresários do Brasil são tão burros assim é de uma inocência que beira o ridículo. Mas então, desconsiderando-se o fato de que mulheres tendem (VEJA BEM, IMBECIL: É UMA TENDÊNCIA COMPORTAMENTAL, E NÃO UMA REGRA!) a escolher carreiras profissionais que pagam salários menores, vamos focar nas situações onde homens e mulheres estão em uma mesma carreira, com as mesmas qualificações e o mesmo tempo de experiência. Por que então, nesses casos, mesmo assim homens ganham mais que mulheres? A explicação para esse e inúmeros outros problemas que atingem o trabalhador brasileiro está no mesmo lugar: a famigerada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT concede “direitos” aos trabalhadores que infelizmente não são chamados pelo nome correto. Na verdade, a CLT concede benefícios aos trabalhadores em geral. Todos nós sabemos que qualquer benefício ou prêmio é necessariamente pago por alguém, pois nada é gratuito. Quando se trata de Brasil, nós sabemos que são os mais pobres e os mais frágeis que pagam por isso, de uma forma ou de outra. Desta forma, quem acaba pagando pelos próprios benefícios previstos em lei é o próprio trabalhador e não o patrão, como querem que nós pensemos. Mas como? Através de menores salários nominais, quando conseguem entrar no mercado de trabalho formal, ou através da informalidade a qual são submetidos os trabalhadores que não conseguem ser contratados dentro da CLT.

Há claramente uma sensibilização maior quando o custo por algo é cobrado diretamente do indivíduo, de forma explícita, do que quando os custos são diluídos, disfarçados e cobrados de todos, independentemente de quem irá gozar de um benefício. Explico melhor. A CLT obriga os empresários a arcarem com a responsabilidade dos salários dos profissionais no caso de uma série de ausências justificadas e períodos de licenças dos seus funcionários. Algumas dessas ausências são subsidiadas pelo próprio INSS, mas de qualquer forma quem paga pela falta de uma mão-de-obra por esse período é o próprio empregador, que fica sem uma pessoa para executar o trabalho a ser feito e não consegue contratar uma nova pessoa para executar a tarefa, pois aquela que está ausente pode retornar ao trabalho a qualquer momento e não poderá ser desligada.

Dessa forma, os patrões consideram, na hora de calcular a produtividade de um trabalhador ao longo de um ano e, portanto, o quanto pode pagar de salário ao mesmo, uma média de dias trabalhados pelos profissionais. Há uma série de fatores que explicam que mulheres se ausentam (de forma justificada) do trabalho com mais frequência que os homens: quando um filho fica doente, normalmente é a mãe quem o acompanha ao médico (você pode chamar isso de machismo, como quiser, mas é um fato do qual não há como fugir); mulheres (pasmem!) engravidam, e durante a gravidez precisam se ausentar para exames e também devido a implicações que a própria gravidez traz, além do período de licença maternidade que pode chegar a 6 meses no Brasil; mulheres cuidam mais da saúde, previnem-se mais e, assim, ausentam-se mais para consultas médicas; mulheres afastam-se mais frequentemente do trabalho por motivos de saúde (não encontrei nenhuma pesquisa por aqui, mas é um fato facilmente observado – o que não quer dizer que todas as mulheres são assim, nem que não haja homens que também se ausentem muito do trabalho por problemas de saúde, é apenas uma constatação de tendência).

O fato é que devido a tudo isso, engessado pela CLT, o patrão considera que ao longo de um ano, uma mulher trabalha em média menos dias que um homem. Como o patrão precisa necessariamente pagar os mesmos 13 salários que paga para o homem, o salário acaba sendo menor.

Agora vamos pensar de uma forma um pouco diferente. Vamos imaginar que fosse possível contratar um funcionário por hora trabalhada. Que o patrão pudesse acordar com o funcionário um valor/hora fixo e um pacote fixo de N ausências justificadas no ano, e mais um período de férias fixo. O quanto isso seria benéfico para as mulheres? Não tenho a mínima dúvida de que nessas condições homens e mulheres receberiam exatamente o mesmo valor por hora trabalhada (ou, na pior das hipóteses, um valor muito próximo).

Há nessa questão dois pontos polêmicos. O primeiro seria: mas se as empresas não fossem obrigadas a oferecer licença-maternidade, por exemplo, nenhuma empresa ofereceria esse benefício a suas funcionárias. Eu sinceramente duvido muito disso. Há uma série de benefícios hoje em dia, como previdência privada, vale-alimentação ou plano odontológico, que não são obrigatórios por lei mas que mesmo assim são oferecidos por um grande número de empresas, que vêem nesses benefícios uma maneira de atrair e reter melhores profissionais. A lógica seria a mesma.

O segundo seria: mas se a empresa ou o Estado não pagarem o salário de uma mulher durante os primeiros meses de maternidade, isso não seria justo. Será? Aqui entra uma questão básica de responsabilidade individual. Quando uma mulher se ausenta do trabalho porque teve um bebê e recebe um pagamento durante esse período, alguém necessariamente estará pagando por isso. Os custos disso estão sendo socializados e pagos por alguém (isso me parece óbvio, mas é sempre bom lembrar). De uma forma mais genérica, o benefício de uma pessoa está sendo pago com algum dinheiro que está sendo retirado de outras pessoas que não estão gozando de nenhum benefício, mas que estão sendo obrigadas a pagar por isso. Você pode estar pensando duas coisas sobre mim nesse momento: primeiro, que eu só penso em dinheiro; segundo, que todo mundo pode um dia precisar desse tipo de “auxílio” também. Quanto ao primeiro ponto, você está correto: tudo no mundo gira em torno de dinheiro, queira você ou não. Sugiro que você leia o trecho de “A Revolta de Atlas”, onde o empresário Francisco D’Anconia explica o que é o dinheiro. Quanto ao segundo ponto, se o seu raciocínio estiver certo (e eu tenho indícios que está), já que todo mundo paga um pouquinho cada mês como uma forma de reserva para se utilizar isso quando necessário, por que então não estimular que cada indivíduo seja responsável por guardar essa quantia cada mês por conta própria e então utilizá-la quando necessário? Seria muito mais justo com toda a sociedade e, no final das contas, teria o mesmo resultado prático para quem necessita.

Você pode estar achando que estou sendo machista ou que quero o mal para as mulheres, mas o fato é que meu raciocínio é aplicado por mim em todas as esferas e para todos os indivíduos. Na minha opinião, a CLT na verdade é uma baita ferramenta socialista (não por acaso, ela é baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) que finge oferecer uma série de “direitos” que nada mais são do que “benefícios” individuais custeados por terceiros. Ou seja, há um disfarce sutil que passa desapercebido por grande parte da população e que acaba por prejudicar os trabalhadores no final das contas, e não só as mulheres.

Por último, outro aspecto em voga na corrente feminista moderna é a questão da violência contra a mulher. Nesse ponto, o movimento feminista falha miseravelmente, para desespero das vítimas e para deleite dos algozes. O primeiro ponto falho do movimento é a generalização da violência, transformando qualquer coisa em assédio ou estupro. Quando qualquer coisinha é assédio ou estupro, elas dizem que estupro e assédio são qualquer coisinha. Isso é um desrespeito e uma falta de empatia tremendos com as verdadeiras vítimas desses crimes. Equiparar uma cantada porca de um pedreiro à mulher A com a apalpada na vagina da mulher B é dizer, embora ambas as atitudes sejam desprezíveis e devam ser desencorajadas, que a mulher B não sofreu nada grave. O segundo, e talvez o mais grave, é a complacência com o agressor. Feministas dificilmente incentivam punições severas aos verdadeiros agressores, nem tampouco o direito de defesa das vítimas (apoiando, por exemplo, o desarmamento civil, impossibilitando uma mulher de portar uma arma para se defender de um estuprador). As feministas preferem utilizar hashtags, camisetas e pombas brancas, sites, campanhas educacionais e qualquer outra coisa que possa servir de instrumento para uma reforma social necessária para enfim acabar com esse tipo de crimes, ao invés de combater e punir os criminosos. É como querer combater um exército de guerra com flores.

Espero que tudo isso faça sentido para você. Na verdade, a luta por condições melhores de vida para as mulheres passa invariavelmente pela liberdade individual. O problema, como eu sempre digo, é que a liberdade traz consigo invariavelmente a responsabilidade pelas ações, e por isso tanta gente foge disso e procura apenas exigir recompensas, benefícios e direitos sem contrapartida. Isso, infelizmente, é o que muita gente chama de feminismo.


Nota pós-publicação: quanto ao “padrão de beleza”, cheguei a uma conclusão. Esse padrão existe de mulheres para mulheres. Na minha opinião, mulher não entende de beleza feminina. Mulheres enquadram outras mulheres em um padrão estabelecido. Homem não tem essa frescura. Portanto, o feminismo mais uma vez erra o alvo, mirando nos homens, quando na verdade são as próprias mulheres que exigem um padrão. Dizer, por exemplo, que Grazi Massafera, Gisele Bündchen e Fernanda Lima têm “corpão”, mesmo sendo magras feito uma vareta, só pode ser coisa de mulher. Homens, em sua maioria, acham mulheres com mais carne mais bonitas.

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Controle de músculos já!

 

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“matou tia com golpe de jiu-jítsu”

É estarrecedor que ainda, em pleno século 21, não há sequer um único controle sobre o desenvolvimento corporal da “população”

Hoje qualquer um pode transformar seu corpo em uma “arma letal” colocando em risco toda a “sociedade”.

Já passou da hora dos nossos “governantes” – esses seres benevolentes e oniscientes – tomarem alguma atitude!

É necessário mais regulamentações, garantindo que apenas o cidadão em plena capacidade psiquiátrica(1), equilíbrio emocional(2), sem histórico de violência(3) e desenvolvimento psicológico(4) possa desenvolver massa corpórea e técnicas de luta que lhe permita usar seu próprio corpo contra os mais fracos!

Também é imprescindível que os instrutores sejam regulamentados(1), profissionalizados(2) e controlados(3)!

Devem cumprir obrigações burocráticas(1) para exercer esta profissão, reciclagem periódica(2), renovação de licenças(3), criar entidades de classe(4) como conselhos(5) e tudo mais que esteja ao alcance do “estado” – essa abstração fantástica que sempre toma providência para resolver problemas que ela mesmo cria.

Por fim, devemos proibir o exercício autônomo das pessoas, a falta de controle só faz crescer casos como o ocorrido no noticiário.

Qual o objetivo de alguém que queira desenvolver seus músculos e adquirir técnicas de luta senão coagir e intimidar outras pessoas?

Vamos esperar até quando? Quantas vítimas serão necessárias?

Só assim poderemos conviver em sociedade sem ameaças, onde impera a força bruta contra uma minoria excluída e que foge dos padrões de força muscular elevada, imposto pela sociedade de culto e objetificação (Urgh!) do corpo!

E mais! … Onde fica o direito das minorias que tem dificuldade de obter crescimento muscular adequado? E os que não tem acesso aos aparelhos para desenvolver seus músculos?

É evidente a influência da indústria dos músculos nos bastidores do congresso fazendo lobby com a bancada da maromba a fim de obter apenas lucros, ignorando o bem-estar da sociedade!

Somente aqueles que apoiam casos como o ocorrido e que não ligam para as minorias defendem que as coisas continuem assim.

Sim, precisamos problematizar!

Fui!

Mathias

PS: Se até aqui você não compreendeu o texto sugiro procurar os termos “Ironia” e “Sarcasmo” no dicionário

O alvo errado

Publicado: 15 de junho de 2015 por Kzuza em Comportamento, liberalismo
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Parada-Gay-patrocínio

Eu estava me preparando para escrever hoje sobre a Parada Gay de São Paulo no último domingo e toda essa polêmica sobre a utilização de símbolos cristãos como meio de protesto e tals. Mas aí acabei lendo um texto no blog do Instituto Liberal, de autoria de Lucas Berlanza, que disse quase tudo o que eu iria dizer aqui (e com uma qualidade muito superior ao que eu seria capaz de produzir). Então resolvi somente comentar alguns trechinhos aqui.

Foram visíveis, sobre carros de som e desfilando em meio à festança animada, imagens desqualificando motivos cristãos. Um transexual ensanguentado e crucificado, como que a representar os gays sendo massacrados pelos “homofóbicos cristãos”, foi a mais emblemática, a se somar a um histórico já longevo de provocações estúpidas e achincalhes com a crença religiosa da maior parte da população.

[…]

Os afobados em distorcer já virão logo dizendo: “seria você mais um obscurantista defendendo a censura?” De jeito algum! Manifestem-se! Gritem as bobagens ofensivas que quiserem, demonstrando a todos o quanto são baixos! Os “não-me-toques” infantis do politicamente correto estão, em sua esmagadora maioria, com o “outro lado”. Isso, diga-se de passagem, a despeito de o artigo 208 do Código Penal determinar que esse tipo de escárnio público é crime, concorde-se ou não com a legislação.

Entretanto, façam isso com recursos privados! Uma vez mais, os “pseudo-defensores” dos oprimidos e da “vontade popular” se utilizam dos recursos públicos, dos pagadores de impostos, para impor agendas e ofendê-los.

Bem, o primeiro ponto foi certeiro. Se uma causa fosse realmente nobre, digna de apoio popular, não seria bom senso imaginar que essa causa conseguiria apoio e financiamento particular para o evento? Por que motivo o governo então se interessaria em financiar algo assim? Quais são os reais interesses por trás disso?

“Não é um insulto”, alegam os iluminados. “Trata-se de uma metáfora para o sofrimento dos homossexuais, crucificados e mortos todos os dias. É arte”. A bandeira é nobre; infelizmente há muita perseguição aos homossexuais, especialmente em países dominados por teocracias islâmicas ou regimes autoritários simpáticos ao nosso atual governo. O governo, diga-se de passagem, do partido do prefeito paulista, Fernando Haddad, que se orgulhou de ter patrocinado o “evento educativo” deste domingo.

O que eu fico mais indignado é que esse tipo de manifestação erra o alvo ao usar como ferramenta da metáfora justamente um símbolo do cristianismo. Faria muito mais sentido usar algum símbolo do islã, esse sim que prega a execução de homossexuais inclusive no seu próprio livro sagrado.


Demorei tanto para terminar o post que apareceu um outro texto, ainda melhor, de Catarina Rochamonte sobre o mesmo tema. As melhores passagens são:

O homossexualismo não diz respeito à esfera pública, não precisa levantar bandeiras e nem seria necessário militância partidária alguma ou mesmo agremiações em favor dessa causa caso fosse tratado como aquilo que efetivamente é: uma opção de exercício da sexualidade baseada em certas disposições orgânicas.

Fato.

O problemático aqui é também a relação equivocada que tem se estabelecido entre o público e o privado. Que tenho eu a ver com a sexualidade alheia? Por que o Estado, com o dinheiro dos meus impostos, precisa fomentar o show daqueles que resolveram colocar a sua sexualidade na vitrine? Se a homossexualidade for, para determinada pessoa, a opção saudável, a opção correta, se representa para ele o ato de liberdade individual cuja execução não violará o direito dos outros, então eu nada tenho contra ele e o respeito como respeito todos os demais; no entanto, se um indivíduo cuja opção  sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo, pois o que respeito é a soberania moral de cada um no exercício da sua liberdade, no âmbito doméstico e privado que lhe é próprio.

Liberdade, pacto de não-agressão… é exatamente esse o cerne da questão, e não o homossexualismo em si.

Acabei de ler um texto do empresário João Luiz Mauad publicado no O Globo em Julho de 2013, onde ele explica porque o Passe Livre não é direito. Eu particularmente sou fã dos textos do João, também sempre publicados no site do Instituto Liberal. Ele tem uma clareza de raciocínio que pouca gente nesse mundo tem.

Mas as lições que o texto deixa nem tanto dizem respeito ao Passe Livre somente, mas sim abrem uma discussão muito mais profunda acerca do que acreditamos ser nossos direitos. Infelizmente, a mentalidade geral instaurada na nossa sociedade brasileira é a de que temos cada vez mais direitos, e cada vez menos obrigações. Há uma confusão mental que atormenta os cidadãos comuns, em sua maioria: NÃO CONFIO EM POLÍTICOS versus O ESTADO DEVERIA FAZER MAIS POR NÓS.

Vamos a alguns trechos importantes do texto:

[…] o exercício de um direito legítimo não pode requerer que outros sejam forçados a agir para garanti-lo, mas somente que se abstenham de interferir para cessá-lo.

O meu direito de ir e vir não exige que os demais me forneçam o transporte, mas, pura e simplesmente, que não impeçam o meu deslocamento. O meu direito à vida não requer que ninguém a mantenha – além de mim mesmo, com os recursos do meu próprio trabalho -, mas apenas que os demais não atentem contra ela.

Isso é uma coisa que muita gente não concorda, simplesmente pelo fato de não entender. Mas o autor explica na sequência:

Assim como transporte não é um direito, também não o são coisas como moradia, alimentação, emprego, assistência médica, lazer e outras que impliquem ações positivas de terceiros para satisfazê-las. Muita gente, por conta da importância desses bens e serviços para qualquer indivíduo, passou a considerá-los direitos essenciais da pessoa humana . Entretanto, o seu fornecimento necessita dos esforços e capitais de terceiros, e nenhum código de ética que se preze será capaz de dar fundamento moral ao fato de que alguém possa beneficiar-se compulsoriamente do trabalho, do capital, do talento ou da energia dos outros, a troco de nada, ainda que leis nesse sentido sejam impostas pela maioria. O altruísmo é uma virtude desejável em qualquer sociedade, mas não existe caridade com o chapéu alheio.

O primeiro argumento que está na ponta da língua de muita gente é: Mas eu pago impostos, então deveria ter direito a isso tudo! Eu não sei em que momento da vida alguém inseriu nas nossas mentes esse conceito, mas ele é extremamente danoso. Veja só a armadilha enorme que caímos com essa linha de raciocínio: a partir do momento em que eu considero esse argumento como verdade, estarei sempre exigindo que o meu dinheiro confiscado pelo Estado (sim, confisco, porque ninguém paga impostos de boa vontade) seja utilizado por ele da melhor maneira possível. Vou sempre clamar por serviços públicos de primeira qualidade e que nunca faltem recursos para nada. Ou seja, mesmo não confiando em políticos, mesmo sabendo da incapacidade que o Estado tem de gerir serviços públicos, eu continuo apostando minhas fichas nele. Seja no partido A ou no partido B, no vermelho ou no azul, estamos sempre esperando que eles resolvam as coisas com o dinheiro que pegam de nós.

E se alguém lhe propusesse o contrário? E se alguém parasse de tomar o seu dinheiro de você e dissesse: se vira! Será que isso seria bem aceito por você? Como assim eu terei que pagar para ter acesso a saúde, educação e transporte? Oras, mas não é justamente isso que você já faz hoje?

Poxa, Zuza, mas então você não acha que o Estado é necessário? Você é um anarquista? Não, não é bem assim. Eu prefiro a definição do Mauad:

A existência do Estado só se justifica como resultado da delegação de poderes pelos cidadãos. Como só podemos transferir poderes de que dispomos e como só é lícito o uso da força em legítima defesa, os poderes legítimos do Estado estariam restritos à defesa da nossa integridade física, liberdade e propriedades.

Isso é brilhante! Em uma democracia, como essa na qual vivemos, nós é que escolhemos nossos representantes. Como eles são representantes, eles devem ter apenas os poderes que nós temos. Isso não faz sentido para você? Por qual motivo você acredita que o Estado deva ter um poder supremo? Realmente você acredita que alguém é capaz de entender todas as necessidades e desejos de todos, tratando-lhes como iguais?


Enfim, escrevi esse texto meio como um desabafo. Estou cansado de ver discussões por aí sobre a atual situação política brasileira. Há uma polarização entre PT e PSDB que está fugindo do bom senso. As pessoas discutem sobre “ah, mas o A é pior que B”. Elas vibram com escapadas e presepadas do partido adversário. Casos de insucesso do partido adversário são comemorados e usados como justificativa pelos casos de insucesso do seu partido preferido.

“A mídia golpista”. “A BLOSTA”. “Queremos o impeachment”. “O impeachment não resolve nada porque quem assume é o Michel Temer e não o Aécio”. “O Alckmin deixou o estado de SP sem água”. “A Dilma mentiu nas eleições”. “O preço da gasolina subiu por causa da Dilma”. “FHC foi pior que Lula”.

Para mim são todas discussões vazias que levam somente a um destino: o clamor por um salvador da pátria. Seja ele social democrata, seja ele petista (ou pior, em último caso, como querem alguns amigos que certamente não sabem o que dizem, uma socialista).

Paremos com a discussão partidária atual, que somente nos leva para a esquerda. Isso não acarretará mudanças profundas, que é justamente o que precisamos. Passemos a discutir o modelo, então assim conseguiremos andar em direção a um futuro significativamente melhor, mais justo e mais livre. Fica a dica.

Je suis petit

Publicado: 30 de janeiro de 2015 por Kzuza em liberalismo
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pequeno

Tenho observado nos últimos tempos uma série de observações feitas por pessoas ao meu redor que têm me deixado bastante preocupado quanto ao futuro da humanidade. Cada vez percebo mais gente mais preocupada com o bem estar geral da sociedade do que em identificar a si próprio individualmente, captando sua essência de ser e entendendo a sua missão na vida. O que deveria ser, ao menos em tese, algo louvável, acaba tomando um caminho inverso e prejudicando gente ao redor.

O tal “fazer bem ao próximo” acaba se sobrepondo e entrando na frente do “conhecer a si próprio”. Ao não nos conhecermos profundamente e não buscarmos, espiritualmente, compreender o significado da nossa vida e da missão da qual fomos incumbidos a cumprir nessa passagem, passamos a nos tornar meros seres a errar por aí, a caminhar sem direção.

Pior ocorre ainda quando nos afastamos, consciente ou inconscientemente, da busca pelo conhecimento. Há uma série de motivos para isso, mas infelizmente vivemos em um país onde o conhecimento e a espiritualidade são cada vez menos valorizados. Buscar iluminar e clarear a mente para novos horizontes é para poucos. Vivemos em um país onde um diploma de curso superior vale mais do que o conhecimento adquirido durante uma vida toda.

E ao nos afastarmos da busca do eu interior e marginalizarmos o conhecimento, fatalmente estamos fadados ao fracasso como sociedade.

Fico realmente preocupado quando escuto gente por aí defendendo causas dita nobres, sejam elas sociais ou ecológicas, apenas pelo discurso bonitinho e sem avaliar, moralmente e cientificamente, quais são as ações que defendem. Talvez pior do que a passividade de um ser pensante é o ativismo de um ser ignorante. Já dizia um velho amigo: “Muito ajuda quem pouco atrapalha”. E é justamente o ser ignorante, imbuído de uma necessidade de ajudar, de ser politicamente correto e socialmente engajado, quem realmente me preocupa. Pois são justamente eles quem são as grandes massas de manobra, manipuladas por seres aí sim mais inteligentes e sagazes, mas que não necessariamente utilizam-se de seu conhecimento para a prática do bem coletivo.

Percebo muita gente procurando posicionar-se a favor de uma, ou várias, causas para então se sentir superiores e com a consciência limpa. É realmente bonito se dizer, por exemplo, a favor das causas sociais (seja lá o que isso quer dizer). É bonito também ser politicamente correto, não se posicionar e nem se aprofundar em assuntos polêmicos, seguindo assim o que a maioria (maioria?) está dizendo ser certo.

Cada vez a opinião pessoal tem se tornado mais irrelevante. Os indivíduos têm sido reduzidos a meros seres vivos sem vontade própria, cujos interesses mais íntimos são suprimidos em prol do coletivo.

Alguém já parou para pensar quem é que define o que é certo ou errado pensar? Ou quais são as atitudes certas e erradas da vida? Seria tudo aquilo que está descrito nas leis? Seriam os princípios escritos na Bíblia, ou no corão?

Partindo do princípio de que eu não estou invadindo a sua intimidade e o seu mundo particular, e também não estou lhe agredindo, poderia eu pensar que estou agindo certo, independente do que eu esteja fazendo?

A questão que eu mais reparo atualmente é que as pessoas perderam a noção do que é liberdade. Há inúmeras definições por aí, mas mais do que palavras escritas em algum lugar, as pessoas perderam a compreensão do conceito de ser livre. Há uma frente quase hegemônica de pensamento onde as pessoas desejam que as outras tenham sucesso em suas vidas, mas não suportam vê-las fracassar. Não haveria problema nisso caso os conceitos de fracasso e sucesso fossem universais. A partir do momento de que o que é bom para mim não necessariamente o é para você, e vice-versa, o clamor pelo sucesso e o pavor do fracasso perdem todo o sentido benéfico e passam a assumir um papel temerário: o de inibidor da liberdade individual.

Talvez você me pergunte o que isso impacta na sua vida e eu posso seguramente lhe afirmar: em tudo! Em uma sociedade onde não se é realmente livre, você e eu passamos a atender às vontades de alguém que irá nos dizer o que é bom ou ruim, o que deve ou não ser feito para sermos bem sucedidos, civilizados e saudáveis.

Para usar um exemplo fácil, vamos supor que você decida dirigir o seu carro nesse final de semana ensolarado. Mas devido ao calor, você queira tirar sua camisa e andar sem cinto de segurança por aí. Por mais que você não faça mal a ninguém com tal prática, além de você mesmo, você seguramente será multado pois alguém estabeleceu que é dever dirigir usando cinto de segurança, mesmo se, caso você não o faça, o único prejudicado será você.

Mas aí você vai me dizer: Oras, se você sofrer um acidente e ficar machucado, será atendido por uma equipe de socorro pública, que irá levá-lo para ser atendido em um hospital público. Então o governo faz bem em tomar ações para proteger o cidadão nesses casos, pois senão gastaria demais com acidentados nos hospitais!

[tic…. tac…. tic….. tac….. tempo para pensar]

Se você conseguiu captar alguma incoerência no raciocínio anterior, talvez você já esteja começando a entender.

Mas talvez você também alegue que isso é um caso isolado. Eu mesmo não vou ficar aqui citando inúmeros outros exemplos para você ver o quanto a sua liberdade pessoal é diariamente podada sem que você note. O Matheus já deu alguns exemplos muito bons aqui ó.

O fato é que há, na sociedade brasileira hoje, um medo generalizado de se responsabilizar pelas suas escolhas e pelas suas atitudes. Queremos um mundo justo e igualitário, mas o queremos para agora, sem nossa participação. Delegamos a busca pelas soluções a pessoas a quem escolhemos, o que nos convém chamar de democracia. Procuramos aqueles com quem nos identificamos e delegamos a eles o poder de escolher o que é melhor para nós, mesmo sem que nós mesmos saibamos o que queremos. Há um bloqueio mental nas pessoas em aceitar arcar com as próprias escolhas, sejam elas certas ou erradas. O sucesso pessoal (esse sim existe, pois é de cada um) é muitas vezes visto como uma vergonha. A felicidade é vista como motivo de inveja. O fracasso, por sua vez, sofre várias tentativas de ser justificado, normalmente por culpa de terceiros. E assim perdemos nossa própria identidade.

Será que somos tão pequenos assim, ou falta mesmo uma busca por algo maior?

"A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade"

“A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade”

 

O desafio é discutir sobre os rumos populistas que nos levam ao dilema do totalitarismo e do fim da liberdade. E uma possível opção para mudar este rumo!

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Está correto sobre as principais divergências (papel do estado e modelo econômico).

Acredito no capitalismo, e não conheço outro regime senão o socialismo ou comunismo como antítese dele, cuja experiências reais eliminaram os alicerces capitalistas da sociedade, por exemplo Cuba, citado inclusive em resposta ao post do Renato como modelo de regime.

O papel do estado não poderia ser diferente, já que não é possível um regime anti-capitalista sem um papel de estado centralizador e com isso o cerceamento da LIBERDADE.

É justamente sobre essa tal de LIBERDADE que vou me esmerar!

Mas como já disse na minha primeira resposta lá no post do Ângelo, nossas divergências ficam por conta dos meios e não dos fins.

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Persisto em enfatizar que os fins de um liberal capitalista é o mesmo da esquerda socialista para não cairmos em falácias non sequitur, essa é a grande dificuldade do debate, a esquerda tenta monopolizar todas as virtudes e os nobres fins, como já comentei aqui:

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Afinal, quem seria a favor da pobreza, da fome, da injustiça e contra os direitos humanos?

Partindo dessa premissa, de que temos os mesmos fins, os mesmos objetivos, podemos discutir sobre os meios mais eficientes para tal.

Acredito que o liberalismo e o capitalismo são os melhores modelos político e econômico respectivamente para qualquer nação. Não há no Brasil nenhum partido com cartilha liberal, o existo PFL carregava liberal no nome, mas mudou para DEM, o que explica a falta de oposição dos últimos 12 anos, em linhas gerais todos usam um compatível ideário social-democrata, semelhante ao PT e a crença em um governo como locomotiva do progresso, não temos alternativas reais que fujam do eixo esquerda e centro-esquerda.

Como dizia Roberto Campos:

O liberalismo nunca nos deu o ar de sua graça.

Portanto, se Brasil é um país com muita miséria e desigualdade social isto não é culpa do liberalismo, já que nunca existiu por aqui. É o cansaço da evidente hegemonia política que reacende a insatisfação generalizada, permitindo o surgimento do movimento espontâneo e crescente com pessoas em busca de um NOVO caminho. Os liberais merecem a oportunidade política para posicionar o país em uma trajetória diferente e tornar o Brasil um país admirado, com liberdade individual e econômica.

Para falar em liberalismo preciso primeiro definir, na minha percepçãoo que não é liberalismo, pois por desconhecimento e desonestidade a esquerda insiste em rotular de liberalismo (ou neoliberalismo) os governos de FHC e os governos da ditadura militar.

O liberalismo não é totalitário, toda a história política liberal está vinculada a democracia plena sempre lutando contra o intervencionismo ; não é populista porque defende as instituições republicanas; não é fascista porque não concentra poder no estado; não é nacionalista porque repudia o nacional-desenvolvimentismo, o protecionismo comercial e o dirigismo estatal; não é conservador porque deixa os indivíduos livres para se associarem da maneira que bem entenderem,  e não admite que hábitos e valores morais de âmbito individual seja imposto pelo estado, apenas exige que não se viole o direito de ninguém, e por fim; não é anarquista porque entende que o estado é um mal necessário para evitar a lei do mais forte e a constante ameaça de uso de coerção ou violência de terceiros, ou seja, o estado tem como principal função preservar a propriedade privada, a liberdade individual e a segurança na vida em sociedade. Entende a necessidade do estado, com um papel limitado na sociedade, para servir ao cidadão e não o inverso, mas também sabe que o estado, em sua origem, é coercivo, é o monopólio da lei e da força em determinado território; portanto o liberalismo também não é utópico.

Então o que é o Liberalismo?

Entendo eu, que o liberalismo é a forma de fazer política respeitando a liberdade do indivíduo, tratando-o como um fim em si, e não como meio para chegar a um determinado fim. É a identificação do indivíduo como principal criador de riqueza, por isso é importante reduzir gradativamente o poder coercivo do próprio estado – uma missão sem dúvida difícil e repleta de obstáculos, valorizando os direitos do indivíduo, repudiando privilégios em defesa da isonomia e priorizando a liberdade ao invés da igualdade.

É o reconhecimento de que a liberdade é inseparável da responsabilidade, e defende que um dos papéis do estado seja o monopólio da justiça na garantia de direitos e deveres do indivíduo. O liberalismo garante a cidadania.

O papel do estado é fundamental na organização da sociedade mas entende-se que é ineficiente na promoção de produtos e serviços, pois não sabe alocar recursos, não sabe priorizar as necessidades realmente importantes gasta muito e gasta mal. Todos nós conhecemos a péssima qualidade do atendimento nas repartições públicas, a burocracia asfixiante de nosso país, as filas de espera de quase todos os serviços, a falta de equipamentos, etc. E é justamente porque o mecanismo de incentivo não funciona nas estatais e são usadas como moeda de troca política por quem chega ao poder. É sempre difícil punir e premiar o servidor público como se faz na iniciativa privada. Resultado: aqueles servidores decentes, dispostos a trabalhar de verdade, acabam tendo de carregar nas costas os acomodados. Falta uma gestão eficiente para mitigar esse problema e instituir alguma forma de meritocracia, que beneficia quem se esforça mais e produz mais. Quem teme a meritocracia não quer coisa boa, e normalmente não ingressou no setor público via concurso.

Temos impostos escandinavos, para serviços africanos! E por compreender o porque da situação que o liberalismo dá soluções alternativas das que temos hoje. O estado não deve se meter em setores melhores administrados pela iniciativa privada e entendendo isso o liberalismo prefere estimular a economia de mercado do que o estatismo. 

Os exemplos são infinitos, compare qualquer serviço ou produto fornecido pelo estado e pela iniciativa privada e perceberá que tudo relacionado ao estado é ineficiente, não caia no engano de que serviços estatais são gratuitos, não existe almoço grátis! Pagamos todos com nossos impostos, e normalmente mais caro do que se pagaria por um serviço privado.

Outra questão importante aqui no Brasil é o nível de corrupção, pense qual foi o último foco de corrupção na VALE, ou na Telefônica ou em qualquer outra estatal privatizada?

Informe-se sobre a quantidade de funcionários dessas empresas hoje, quanto elas faturam, qual a expansão dos seus serviços, quais os valores de impostos pagos ao estado e compare com o período estatal!

Qual o benefício que temos com a Petrobras gerida pelo estado? Qual o benefício que temos com o monopólio do Correios? Qual a vantagem que temos com o Metro? Qual o ganho no controle de concessões estrangulante de Rádio e TV?

O liberalismo é possível!

As nações mais prósperas, com melhores índices de qualidade de vida são liberais economicamente, são capitalistas! O Brasil está na rabeira dos rankings que medem o grau de liberdade econômica dos países.

E além de possível o liberalismo é ético por respeitar nossa principal característica humana: A Liberdade como direito de agir por si próprio com independência e autonomia em todas as esferas da vida em sociedade, dentro dos limites da lei e respeitando os outros.

Eu sempre caiu no mesmo discurso dessa tal liberdade. Toda discussão eu acabo encurralado na defesa da liberdade como bandeira liberal e sempre sou questionado:

 

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_ Afinal, que liberdade é essa que você tanto fala? Somos livres não somos? 

Será que somos mesmo? Sempre lembro de um livro, quase infantil, que me fez crer que nem tanto.

A história de Fernão Capelo Gaivota. de Richard Bach

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Fernão Capelo Gaivota, uma gaivota que queria mais do que o destino lhe impunha, além do que a natureza lhe deu por instinto. Fernão Capelo Gaivota não se contentava em voar baixo como todo o bando, para ele não era importante voar para comer, o importante era voar, cada vez mais rápido, cada vez mais alto! E percebia que a cada nova experiência um mundo novo se abria, a cada nova manobra de voo mais possibilidades surgiam e mais livre se sentia!

E enfrentando o repúdio do bando, do movimento, mesmo quando pareceu não fazer sentido, pois a única razão de uma gaivota voar é para comer, Fernão Capelo Gaivota continuou sua busca pela perfeição e conhecimento, assumiu os fracassos, os riscos e colheu os resultados da sua escolha, que até então não existia!

LIBERDADE DE ESCOLHA, LIVRE INICIATIVA!

É justamente a liberdade que nos diferencia dos demais animais, temos a capacidade de ir além de nossos instintos, somos responsáveis pela nossa conduta. Hoje o mundo é resultado da nossa conduta individual e coletiva, da nossa convivência, das escolhas que fazemos, a liberdade permite fazermos um mundo diferente e cada vez melhor!

O preço da liberdade é a angústia de ter nas mãos a responsabilidade das próprias decisões, o resultado das nossas condutas não deve ser terceirizado por abstrações como A SOCIEDADE, O SISTEMA, A VIDA! Desculpas nesse sentido são em sua totalidade ma-fé, atribuir ao mundo as causas da sua conduta é a negação da própria liberdade de escolha para justificar comportamentos vergonhosos e malévolos.

Fico indignado com os rumos que o barco toma! Tudo que vejo hoje em dia é o oposto do que acredito, todas as narrativas de hoje usam critérios de segregação. Não basta declarar algum grupo oprimido como uma massa amorfa, os progressistas ainda nomeiam o grupo opressor como responsáveis pela sua pobreza, e o Estado deve agir para salva-los da opressão!

Isso tudo não significa deixar em desamparo pessoas que por qualquer motivo se encontra na miséria, na pobreza, em condições desumanas, pelo contrário! É por acreditar que o melhor caminho vem das pessoas e não de governos, é por acreditar que o auto-interesse das pessoas faz a sociedade como um todo sai ganhando com melhor condição de vida, precisamos sempre de auto-estima!

Por fim, bato na tecla insistentemente, o repúdio que tenho sobre o pensamento coletivista e populista, normatizado hoje de forma confusa pelo conceito de esquerda, é diretamente ligado ao receio de que nossa liberdade seja tolhida, subtraída, em nome de uma ideologia que se mostrou fracassada em todas as suas tentativas e experiências reais. Não há explicação de como se daria esse novo modelo de estado e econômico sem o cerceamento da livre iniciativa, da liberdade de pensamento, da imprensa e expressão.

O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

O alerta de Lord Acton não pode ser ignorado, a vigilância e a alternância do poder é saudável, mas percebo que isso não é compatível com os planos da esquerda orgânica, a esquerda marxista, que usa a tática gramscista de hegemonia sem pudores das suas intenções. São muitas as evidências:

  • O politicamente correto domina debates ofuscando a livre opinião ou independência intelectual, é socialização da opinião, e o patrulhamento ideológico é uma poderosa arma nesse sentido.
  • Substituição da legalidade pela legitimidade, subvertendo leis por reivindicações justas. Crack x cigarros ou Invadir terras ou saquear estabelecimentos passam a ser atos legítimos, pois representam um passo na luta pela “justiça social”.
  • O uso manipulado da questão racial, regional e de gênero para segregar a população entre nós e eles.
  • O uso dos direitos humanos para proteger o criminoso, identificado como vítima da sociedade.
  • Utilização da “opinião pública” como critério de verdade maior que a própria lógica.

As tentativas são muitas, o próprio Lula teceu elogios a Chávez na forma como rumou rápido o socialismo na Venezuela. Mas a meta é a mesma.

O pior é que, por se tratar de uma verdadeira revolução cultural, suas raízes são profundas, e dificilmente serão revertidas rapidamente. A luta pela liberdade é árdua.

FUI!

Mathias