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Uma crença maléfica

Publicado: 9 de dezembro de 2016 por Kzuza em Política
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o-estado

Temos observado recentemente uma crise política no Brasil sem precedentes. Mais do que política, a crise é institucional, colocando em xeque nossa República e a nossa tal democracia participativa.

Não há nesse país um único cidadão que confie 100% na classe política brasileira. Nesse ponto, todos estão de acordo, o que é cada vez mais raro em um país tão dividido nos últimos tempos entre coxinhas e mortadelas, azuis e vermelhos, direita e esquerda.

No entanto, apesar dessa ausência de confiança, o nosso povo, em sua maioria, apresenta um duplipensar (na novilíngua de George Orwell em 1984, ou, se preferir, pode chamar de dissonância cognitiva) que chega a ser assustador em muitos casos. Vejamos.

Você alguma vez já ouviu as seguintes frases:

  • “O governo não investe em educação porque não tem interesse em ter um povo inteligente, que pensa, que tem senso crítico.”
  • “Precisamos escolher melhor os nossos candidatos na hora de votar. Checar seus antecedentes, sua índole, sua honestidade.”
  • “O governo precisa investir mais em saúde.”
  • “A prefeitura precisa melhorar o transporte público.”

Aposto qualquer coisa que você escutou pelo menos uma das 4 citações acima nos últimos 6 meses.

Se você não entendeu a dissonância cognitiva desse discurso, eu explico.

Aqui, funcionamos como um fazendeiro que cria ovelhas para obter lã. E aí colocamos uma raposa para tomar conta de nosso rebanho. A cada dia, uma ovelha some do nosso rebanho. Não entendemos porque isso acontece. A raposa é alimentada, bem cuidada, tem nosso carinho, mas mesmo assim ela não cuida direito das ovelhas. Pensamos o que pode estar errado, e então decidimos trocar a raposa. No seu lugar, colocamos outra raposa. Dessa vez, uma raposa mais boazinha, gordinha, que nem come muito. Ela diz que trabalhará melhor se tiver mais ovelhas para cuidar. Passamos a tratá-la melhor, com mais carinho, e ainda lhe pagamos melhores salários. Nossas ovelhas continuam sumindo, mas a um ritmo menor. Mesmo assim, não estamos satisfeitos porque ainda temos prejuízo. Então, mais uma vez, vamos lá e trocamos a raposa cuidadora do rebanho. Porém, o problema continua. Dessa vez, mais ovelhas somem diariamente. Decidimos cobrar mais empenho da raposa. Impomos novas regras para punir mais severamente o sumiço das ovelhas. Pedimos um controle maior do rebanho. Então a raposa se reúne com as outras raposas que fazem parte do seu sindicato, o Sindicato das Raposas Pastoras. Elas decidem fazer vista grossa. E por aí vai.

Nosso maior problema aqui é negar a natureza predatória das raposas. Não importa o que façamos, é da natureza delas comerem ovelhas. Faz parte da cadeia alimentar delas. Mesmo que elas tenham que fingir ser boazinhas, mesmo que elas tenham que fazer isso na calada da noite, sem ninguém perceber, elas continuarão o fazendo. Quando necessário, inventarão desculpas, dirão que não são responsáveis pelo sumiço das ovelhas. Colocarão a culpa em outros animais, até no fazendeiro se puderem, mas tudo continuará como está.

E em vez de retirarmos as raposas de lá e assumirmos nós mesmos o controle do rebanho, cobramos cada vez mais empenho das raposas. Dizemos: eu não quero ter esse trabalho, não quero tomar conta do que é meu. Nem temos muito ideia do que fazer com as ovelhas. As raposas que se virem, pois eu as pago para isso.

É exatamente isso que acontece no Brasil, desde o fim da ditadura militar na década de 80. Estamos sempre em busca de uma raposa (ou, no nosso caso, inúmeras raposas) salvadora, honesta, bem intencionada, boazinha, que irá cuidar bem do nosso rebanho. Damos cada vez mais poder aos políticos para que eles resolvam nossos problemas. Pedimos cada vez mais soluções. Deu errado? Basta mudar as peças. FHC deu errado? Colocamos o Lula e o PT. Deu errado? Mudemos para outro partido. E assim vamos, na tentativa e erro. Como se uma raposa fosse diferente da outra e não gostasse de ovelhas. Esperamos uma raposa vegetariana. E colocamos nela não só esperanças, mas cada vez mais poder. Sim, porque as raposas são sedentas e sedutoras. Elas dizem que são diferentes. Dizem que resolverão nossos problemas. Que estão cheias de boas intenções. Que irão criar leis que ajudem os menos desfavorecidos. Que irão emitir decretos, PECs, que vão nos proteger dos poderosos e exploradores. Que tornarão o mundo mais justo. Que irão gerar empregos com uma canetada qualquer. Que reduzirão a inflação com uma canetada qualquer, como num passe de mágica. Porque essas raposas são seres iluminados, que dominam toda e qualquer esfera do conhecimento. Pois nós, indivíduos comuns, não somos capazes de resolver nada por nós mesmos. Precisamos, além de tudo, nos preocupar com os outros. Os menos favorecidos, que são pouco informados, e também não sabem como resolver suas coisas. Precisamos ajudar todo mundo, pelo simples fato de ajudar, mesmo que a pessoa não mereça ou não precise. Precisamos pensar no próximo, e são as raposas que farão isso, pois nós não somos capazes de saber quem ajudar. Damos nosso trabalho e nosso dinheiro para que as raposas então o distribuam.

A pergunta que eu sempre faço é: até quando?

Até quando vamos continuar nessa brincadeira? Até quando vamos fugir das nossas responsabilidades? Até quando vamos abrir a mão da nossa liberdade individual, o direito fundamental mais importante depois do nosso direito à vida? Até quando vamos continuar sendo seduzidos por propostas de solução de problemas que não passam de demagogia e palavras bem intencionadas?

Você deve então me perguntar: pô, então qual a solução?

Eu respondo que não sei a solução, mas tenho certeza absoluta que ela não passa pela mão do governo. Ninguém melhor para saber o que precisa e o que deseja do que o próprio indivíduo. Terceirizar isso para uma entidade externa qualquer é um devaneio insano demais para minha compreensão, muito mais para a classe política.

Então como mudar isso?

A minha alternativa, já que sou contra qualquer tipo de intervenção, guerrilha ou golpe que tire alguém do poder para colocar qualquer outro que seja, é usar as próprias armas democráticas que já temos, mesmo que ainda tenham falhas. Já que o nosso único poder é o voto, que seja através dele. Mas não da forma como o TSE propagandeia por aí. Eu sugiro: vote em um não-político. Vote em alguém que não tem qualquer vínculo com o Estado. Se possível, vote em um administrador privado (seja empresário, seja executivo, seja diretor de empresa). Vote em alguém com estudo especializado e com experiência administrativa privada. E, o principal, vote em alguém que não tem ambição nenhuma em resolver os problemas do país. Vote em alguém que se comprometa em reduzir o Estado ao mínimo possível e em aumentar as liberdades individuais. Vote em quem se proponha a reduzir o número de parlamentares, o salário dos políticos, a renúncia ao poder de decisão. Vote em quem se propõe a privatizar tudo o que for possível. Vote em quem dá valor ao que o dinheiro representa. Vote em quem tem muito conhecimento em economia. Vote em quem dá mais valor ao trabalho do que a relacionamentos pessoais. Vote em quem é objetivo, e não demagogo.

Isso já é um bom começo. Agora se você continuar votando em quem diz que vai resolver os problemas da saúde, da educação, da desigualdade, da pobreza, da fome, dos transportes e da previdência privada, somente dizendo que vai “aumentar os investimentos” ou que vai “criar novas oportunidades”, sinto muito, amigão. Você continuará condenando o país dos seus filhos e netos a ser essa merda para sempre.

No Facebook fizeram o seguinte experimento:

Um grupo anarco-capitalista foi criado e todos se tornaram moderadores (todo indivíduo com o mesmo poder). Em alguns dias o grupo foi deletado por um dos moderadores.

anomia

 

Uma conclusão básica da humanidade é a necessidade de coerção e ordem, sem isso nenhuma sociedade avança, não tem como, visto que a humanidade não é, e nunca foi homogênea. Ninguém consegue agradar a todos!

O problema do anarco-capitalismo é que este seria baseado apenas em plutocracia, ou seja, quem é mais rico manda. Nada diferente da Idade Média ou da Pré-História, onde o mais poderoso fazia o que bem queria. Outro problema é a utopia romântica de respeito ao PNA. Se a individualidade é a supremacia de uma sociedade, então não há ética, mas apenas interesse individual. E se não há ética, então obviamente não há certo e nem errado. Pronto, instaura-se a anomia de Durkheim(…Estou Lendo…)

Já o comunismo propõe uma sociedade sem propriedade privada, onde tudo é “compartilhado”. Ou seja, adeus individualidade. Você terá de abaixar a cabeça para líderes carismáticos e messiânicos ou será degolado em praça pública.

Ambos geram autoritarismo e acabam com a liberdade individual.

Anarco-capitalismo é ditadura do indivíduo, pois é restringir toda a sociedade a pura vontade individual do “cliente”. É resumir o homem a um substrato do que ele parece ser e não do que ele realmente é, é pura mesquinharia filosófica.

No caso do comunismo é a ditadura do coletivo. Mas o coletivo não pensa sozinho, sempre haverá uma mente pensante por trás de um grande grupo menos crítico. É a morte da liberdade. Por isso Gramsci propôs a revolução cultural. Ele pensou uma sociedade e está, depois de morto e através de seus seguidores, implantando seu modelo pensado de sociedade. Não há crítica nisso, odo comunista que segue Gramsci e Marx é uma ovelha ordenada por um pastor.

Não tem como ambos experimentos darem certo. Em teoria já há falhas que, na experiência humana dos últimos 50 mil anos já foi refutada.

O Liberalismo Clássico, por outro lado, não nega o coletivo e ao mesmo tempo garante a individualidade. É o equilíbrio, demanda crescimento intelectual, mas justamente por isso o liberalismo é difícil. Nós não queremos ovelhas e não queremos robôs que agem de acordo com suas vontades mais primitivas.

Queremos gente que pensa por si mesmo!

O real liberalismo é isso: pense, reflita e seja você mesmo! Não negue o debate! Não negue a diferença! Aceite-a e saiba lidar com ela.

FUI!

Ah, o liberalismo…

Publicado: 7 de novembro de 2014 por Kzuza em Política
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Esse não é um texto sobre PT ou PSDB. Também não é um texto sobre política propriamente dita, ou melhor, como você está acostumado a entendê-la. Trata-se apenas de um texto com assuntos que talvez você, assim como eu há alguns meses atrás, não está acostumado a lidar.

Recentemente tive meu primeiro contato com as teorias do liberalismo, muito por influência do Mathias. Foi depois de muito ler a respeito que comecei a reparar que eu nunca havia sido apresentado à tais pensamentos. Durante toda a minha vida escolar, nas minhas aulas de história ou geografia política, muito ouvi falar sobre Marx e socialismo, mas sinceramente nunca ouvi falar sobre Mises, por exemplo.

Também cheguei à conclusão que, inconscientemente, eu sempre fui um estatista. Sempre acreditei que o Estado era o único capaz de solucionar os problemas que assolam a população brasileira, como miséria, fome, falta de saneamento básico, falta de emprego, etc. Não sei se essa foi a educação que eu tive em casa, mas acho que não. Felizmente lá em casa nunca fomos altamente dependentes do Estado e conseguimos ter uma vida relativamente tranquila (exceto pelo período Collor). Estudei por 4 anos em escola pública, mas não me lembro se foi lá que me tornei esse estatista.

Cresci e me tornei um cara de sucesso e bem sucedido (isso para os meus conceitos, talvez não para os seus). Apesar de sempre ter a certeza de que só cheguei ao ponto onde estou hoje graças ao meu esforço e aos dons que recebi das mãos de Deus, sempre acreditei ser um cara de muita sorte. Infelizmente, a maior parte da população brasileira nunca teve as mesmas condições que eu tive para vencer na vida. Dessa forma, sempre esperei que um dia fôssemos ter um governo que pudesse levar essas pessoas a uma vida melhor. Alguém que de fato os ajudasse.

Foi nesse pensamento que ajudei a eleger Lula em 2002. E ele, de uma forma ou de outra, conseguiu levar um alento aos mais necessitados, como eu sempre esperei que alguém fizesse. Mas já nas eleições de 2006, após o escândalo do Mensalão, eu percebi que não havia legitimidade nas ações do governo petista. Para mim, não era justo ajudar alguns fazendo mal para outros. Não votei PT na segunda vez. O mesmo ocorreu em 2010 e em 2014, após uma sucessão de escândalos de corrupção e de piora nos indicadores econômicos.

Mas foi exatamente nesse ano que percebi que, assim como era o PSDB de FHC, o PT de Lula e Dilma também nunca foi legítimos nas suas ações para com o povo. Fui tomado por um pessimismo terrível, pois realmente não há mais em quem confiar. Todos possuem a mesma intenção básica: manter-se no poder e enriquecer às custas do trabalho do povo. Os meios para isso é que divergem, como já expliquei aqui em textos passados (o que ajuda a explicar eu ter votado Aécio ao invés de Dilma em 2014).

Mas então, para onde correr?

Esse contato com as ideias libertárias me mostrou que é sim possível ser otimista em relação ao futuro. Isso porque há um caminho possível para que não dependamos mais da vontade dos outros para que nós possamos prosperar. Até porque, na verdade, os outros nem sabem o que nós queremos, não é mesmo? Quem mais indicado para administrar a sua vida do que você mesmo? Quem mais indicado para tomar conta do seu dinheiro do que você mesmo?

O maior erro que eu cometia, e acho que provavelmente você também cometa, era acreditar que o Estado sabe exatamente o que é bom para a população em geral, sem considerar os anseios individuais de cada um. Eu acredito que esse tipo de pensamento geral do brasileiro é justamente um dos fatores que nos leva a ficar, durante tanto tempo, à mercê das boas intenções do governo (seja ele de qual partido for), mesmo sabendo que eles não estão nem aí para nós. Isso para mim passou a soar totalmente insano.

Eu posso escrever aqui durante muito tempo e nunca serei tão claro quanto Roberto Barricelli foi nesse texto aqui. Ele explica, através da interpretação da palestra de Nathaniel Branden, de uma forma extremamente didática como é que ninguém é mais capaz de promover a sua prosperidade do que você mesmo. Leia esse texto e sinta-se renovado.

Isso não quer dizer que eu tenha chegado à conclusão de que o melhor para nossa sociedade seja uma anarquia. De maneira alguma. Só passei a acreditar que o quanto menos o governo interferir na minha vida, melhor. Isso porque aí o Estado pode tratar o que é realmente essencial para garantir que todos tenham condições iguais a prosperar de acordo com seus valores. Entenda como essencial, ao meu ver:

  • Garantir educação básica de qualidade para todos;
  • Garantir atendimento de saúde para todos;
  • Garantir segurança jurídica para todos;
  • Proteger as nossas fronteiras de ataques externos.

Mas só isso? E o resto? O resto é assunto para outros textos que você pode encontrar em fontes legais como:

Ou seja, quanto menos o governo regular ou interferir, para mim, melhor. Há um texto muito legal aqui que explica como é que as concessões públicas e as agências regulatórias são extremamente maléficas para uma nação.

É insano termos que escolher, geralmente, entre PT ou PSDB, ou se estou a favor do povão ou da elite. Ambos possuem um interesse em comum centralizador que é apavorante, embora para mim seja completamente claro que a fome do PT pelo poder e pelo totalitarismo seja infinitamente maior.

Não faz sentido para você escolhermos como candidato quem na verdade menos se interessa pelo poder e pelo nosso dinheiro, mas sim se interessa em dar à você e à sua empresa o poder de decidir o que é melhor? Comece a pensar nisso.

Sobre o post de 3 de maio de 2014. 

…aqueles que não tiveram acesso a uma educação de qualidade, e nem mesmo a condições sociais dignas que lhes proporcionassem acesso à informação ou oportunidades de crescimento. Eu sei que esse conceito é extremamente difícil para alguns entenderem, mas isso existe no nosso país.

Educação de qualidade e condições sociais dignas não garante indivíduo esclarecido, assim como sua falta não predestina a ignorância.

Concordo contigo, esse conceito é extremamente difícil porque é FALHO, é falacioso (non sequitur).
Seu entendimento da tal “nova classe média” me parece a antiga “massa ignorante”, que só deixou de ser ignorante porque entrou na classe média! [sic].
Como mágica o aumento da renda vira critério para definir nível intelectual como nova forma de medir QI.
É muita pretensão fugir desse percentual dos “85%” simplesmente porque agora faz parte da estatística de outra “classe”.

… O problema é que muitos os consideram como parte responsável pela condição de vida em que vivem. E isso já é uma das coisas que me preocupam.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Não dá mais para ficar só na reclamação a esmo sem o mínimo de esforço para discutir ideias.
Condição de vida… Massa ignorante… Sem acesso a educação… Não seria melhor falar sobre POBREZA?
A questão é que naturalmente somos pobres, condição que atravessa gerações.
Simplificando, indivíduos em particular ou nações inteiras em geral são pobres por uma ou mais das seguintes razões:
– não podem ou não sabem produzir muitos bens ou serviços que sejam muito apreciados por outros;
– podem e sabem produzir bens ou serviços apreciados por outros, mas são impedidos de fazer isso; ou
– voluntariamente optam por ser pobres.

Agora, porque existe riqueza, nações ricas e como conseguiram escapar do destino de escassez?
O que pesquisei é que em sua totalidade são livres e capitalistas.
Quase todos os dias, aqui no Centro de Sampa na hora do rango, vemos protestos reivindicando mais privilégios estatais, nenhum protesto por emprego. Todos os movimentos populares correm contra a defesa da sua própria liberdade e exigem mais tutela, a mão mágica benevolente do estado, mesmo comprovando sua ineficiente.

Só com trabalho produtivo podemos prosperar, e é a garantia desse trabalho que devemos cobrar do estado.

Este tal “MEDO” está mais para um sentimento de culpa, um ressentimento ou preguiça mental, soltar alguns bordões e classificar pessoas como vítimas da sociedade para sentir-se como alguém de opinião forte. Isso só estimula ainda mais coitadismo e vitimização!

Acredito que só o pensamento Liberal, com a defesa das liberdades individuais, o cumprimento das leis e a livre iniciativa e associação pode reduzir esse “medo” e dar condição as pessoas de “buscar” a tal da FELICIDADE que queira em sua própria vida.

Vale lembrar: o que te faz feliz pode não ter qualquer valor para outra pessoa.

… O anonimato que a internet nos permite hoje em dia.
originou uma proliferação dos pensamentos mais absurdos que poderíamos imaginar. Não que o homem de hoje seja
diferente do que sempre foi, absolutamente; a diferença básica é que hoje ele pode externalizar seus desejos e
opiniões mais profundos de uma forma aberta, apoiando-se em princípios tão “valorizados” como a livre expressão e a
democracia. Com base nisso, esse mesmo homem moderno abomina opiniões contrárias ou tradicionais, julgando-as
preconceituosas, antiquadas ou, como gostam de dizer hoje em dia, fascistas (mesmo sem entender o que o termo quer
dizer).

Não vejo nada de “moderno” nesse tal “homem” ai, continuamos brigando pelas mesmas coisas, mas hoje a exposição é maior porque foi registrado em imagem e/ou áudio, e se espalha rapidamente para vislumbre da curiosidade alheia.
A liberdade da internet é fantástica, e as tentativas de controle são sempre com proibitivas, mas a internet é só um meio novo. Mentiras e embustes não são novidades da internet, nem a estupidez humana, agora é somente mais é explícita!

Provas essa estupidez:

* Pesquise os vídeos com maiores views do youtube, aposto que todos os documentários interessantes (milhares deles!) estão no fim da lista, Já no topo vai encontrar o clipe gangnam style, bebê que ri de papel rasgado, cachorro/gato fazendo alguma graça e cenas de violência.

* Quer outro teste prático? Quantas mensagens úteis ou interessantes você recebeu no Whatsapp desde a instalação?

* Compartilhe um texto com mais de 3 parágrafos sem imagens com um título que não seja de alguma teoria da conspiração ou novo alimento que cura o câncer ou sobre auxílio reclusão ou qualquer tipo de assunto polêmico sem fundamento… Um HOAX, e veja se repercute.

* Conte nos dedos pessoas que não buscam “somente” entretenimento da internet.

O panis et circense não é novidade, Aldous Huxley e George Orwell já retrataram esses mecanismos de controle de massa a 6 décadas atrás. Porque então imaginar que a internet deve ser um recinto de opiniões/discussões sérias e que os responsáveis devem zelar por valores nobres?

Evgeny Morozov, colunista da folha, trata do assunto com menos paixão e mais razão, fala sempre de cyber-utopia como ideia de que a internet favorece os oprimidos e não os opressores.

Já a acusação de fascista faz parte da tática do oponente moralmente desonesto ou estúpido de encerrar um debate.
Sobre isso tem vários artigos excelentes!

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/sem-categoria/o-uso-indiscriminado-do-termo-fascista/

http://oglobo.globo.com/opiniao/quando-chamar-alguem-de-fascista-11926708

http://oglobo.globo.com/opiniao/imperialistas-arianos-racistas-11905014

…O abismo social criado entre as duas camadas da sociedade descritas no primeiro parágrafo, resultando principalmente do controle da inflação e do crescimento econômico moderado, além obviamente dos programas sociais dos últimos governos…

“It’s the economy, stupid!”
Tô fora, contribuo com links:
http://www.institutoliberal.org.br/blog
http://mises.org.br/

… acabou por favorecer também o crescimento de um sentimento nazista nessa nova classe média. E isso é o que
mais me preocupa.
Fico assustado com as opiniões de pessoas do meu ciclo social a respeito da situação do nosso país e das soluções de
problemas que muitos deles enxergam. Vou mais longe. Na minha visão, essas pessoas que deveriam ser, por razões
óbvias, as mais sensatas e as mais preparadas, acabam por mostrar as piores projeções de futuro que eu gostaria de
ver.

Está assustado com opiniões… Quais opiniões?
Mais uma vez, ser classe média não garante sabedoria, nem escola boa, salário bom, graduação, MBA… #sqn!

Assustado porque divergem da sua, mas o mundo é maior do que seu reflexo!

Talvez esteja na hora de procurar um novo “CÍRCULO SOCIAL”. Não há melhor lugar para achar pessoas a fim de debater ideias do que a própria internet, infinidade de grupos de discussão. Gente que sempre procura falar em ideias, aberta a críticas e com diferentes olhares do mundo, o principal benefício da internet é justamente acabar com a barreira geográfica!

Estou englobando nessa minha observação geral pessoas de até 40 anos que hoje possuem empregos estáveis e uma boa remuneração que lhes permite ter uma vida extremamente boa, regada a luxos que alguns de seus pais não puderem lhes dar, como carros importados, casa própria e viagens ao exterior. São “jovens” que, como gostam de dizer também, conseguiram chegar lá, através do acesso a educação de qualidade, condições sociais favoráveis e, claro, aos seus próprios esforços. Eu me incluo nesse grupo. Não vou nem mencionar os jovens filhos adolescentes dessas pessoas (isso daria um outro texto ainda mais extenso) que, como seus pais, compartilham das mesmas opiniões. A questão é que essas pessoas criaram um sentimento de que estão acima de tudo e de todos. Desenvolveram dentro de si um sentimento que Hitler levou anos a colocar dentro dos corações alemães durante o terceiro Reich. Porra, Zuza, agora você pegou pesado!

Reduzir todo o contexto em comparação a Hitler é um velho truque, mais uma falácia meu amigo! (Reductio ad Hitlerum)

Você anda vendo muitos vídeos da Marilena Chauí metendo o pau na classe média! Precisa de um choque de realidade, parar com essa mania da luta de classes!
O sentimento é de indignação com políticas que desestimulam o trabalho honesto, mas não de ódio!
A classe média não é culpada do abismo social, é essa a ineficiência da maioria das políticas assistencialistas, de redistribuição de renda e das muitas regulações inúteis dos que geram emprego.
Ganância dos empregadores e o capitalismo opressor são sempre os culpados, os meios nunca são debatido na atual política e assim perpetua o pobre na pobreza.

Pior que essa visão vem justamente de quem usufrui do capitalismo com viagens internacionais, carros importados, casa própria e emprego! A verdadeira Esquerda Festiva, citando Consta… a Esquerda Caviar!

O motor, que gera riqueza e empregos, produz bens e serviços, que mantém as engrenagens em harmonia. Essa é a realidade que você tanto abomina e que vive sendo golpeada pelo estado. E sua visão de si mesmo é comparar-se com a escória da humanidade… Foi pesado mesmo!!!

Não adianta redistribuir o que não se produz, é preciso gerar riqueza, valorizar a educação, dar liberdade ao mercado, estimular a produtividade e a competitividade, e automaticamente a distribuição será feita!

Quando as instituições estão falidas não há alternativa senão substitui-la, mas se não há justiça nem polícia não há punição nem crime!
Antes da acusação, esclareço que não compartilho com a ideia, mas compreendo, como a jornalista Rachel Sherazade, quem aceita a alternativa.

Pronto, pode me acusar de fascista!

Há uma bipolarização das opiniões agora extremamente preocupante pois, quando não se há um moderador nessas
discussões, as soluções adotadas são as piores possíveis. Não há consenso quando se trata de duas opiniões
totalmente divergentes e radicais.
Atualmente, o governo tornou-se inimigo número 1 da classe média. E quem apoia o governo também. E é aí que mora o
problema.
O beneficiário do Bolsa Família é a escória da humanidade. A empregada doméstica com direitos adquiridos é a
usurpadora. Os haitianos que chegaram em São Paulo são os miseráveis que merecem ser deportados. E aí a coisa vai se
desenrolando e começa a atingir níveis diferentes que já nem fazem mais sentido, mas que seguem o mesmo padrão de
raciocínio. Como o jovem adolescente que não usa roupas de marcas importadas e deve sofrer bullying. Como os
funkeiros que devem morrer por ouvir uma música (?) de tão baixa qualidade. Como o eleitor que vota no PT e deve ser
xingado. Como o Luan Santana que não merece cantar para o Papa ou na Fórmula 1 porque é um cantor “sertanejo”. Como
o nordestino que deve voltar para a terra natal e abandonar São Paulo porque ele não nasceu aqui e é feio. E assim
vai.

Está ficando um verdadeiro abuso de falácias esse texto! (Argumentum ad hominem, Espantalho)
Você colocou tudo no mesmo saco, deturpando o argumento!
Criou um espantalho de quem critica políticas assistencialistas ineficientes e leis estúpidas (que geram desemprego e só contribui com a inclusão de mais pessoas na informalidade), colocando em pé de igualdade com pessoas preconceituosas, racistas e elitistas.

Eu sinceramente acho que as pessoas com esse tipo de opinião não fazem ideia do que é o nosso país. Não fazem ideia
de como nossa sociedade é composta. E também nunca ouviram falar em sociologia ou antropologia. Vivem em um mundo coberto por uma redoma de vidro e nunca procuraram estudar o porquê de sermos assim. São os “Caco Antibes” da vida real.
Defender a meritocracia, a redução da maioridade penal, a liberação do porte de arma de fogo, o aborto ou a pena de
morte em um país como o nosso é assinar um atestado de burrice imenso. Acreditar que somos um país preparado para o futuro é de uma ingenuidade tremenda. Achar que tirar o PT do poder do país, depois de 12 anos, é o início da
solução dos nossos problemas é como tomar aspirina para tentar curar um câncer.
A doença está dentro de nossas próprias casas.

Caramba isso sim é desilusão!
Cadê o espírito de fim de ano dos seus posts, aquela mensagem de renovação como a de 21/12/2013?
Olha só:
“Enfim, nossa vida não pára nunca e passamos cada dia mais a buscar novidades para não viver na monotonia. E é isso que eu desejo para todos vocês, meus amigos de sempre. Desejo que todos estejamos sempre nos reinventando, buscando o novo, experimentando, fracassando (por que não?) e aprendendo novas lições. Reclamem menos e façam mais, mudem mais. O mundo precisa disso.”

Sobre o desabafo vou ignorar por enquanto, me causou uma gastrite… mas o mesmo será retomado futuramente aqui mesmo!

 

FUI!

Mathias