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Mulheres, sejam bem vindas ao liberalismo!

Publicado: 10 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Recentemente, no dia internacional da mulher, li uma série de textos clamando por direitos iguais para homens e mulheres. Essa seria, em suma, a principal pauta do movimento feminista. Então resolvi pesquisar um pouco a respeito.

A primeira coisa que descobri é que o feminismo em si não é um movimento. Na verdade, ele é uma bandeira atrás da qual um monte de gente se esconde, cada um bradando por uma coisa diferente, mas sempre com o centro nas mulheres. No geral, qualquer coisa que reclame algo em nome das mulheres hoje é chamada de feminismo. E é justamente esse o motivo pelo qual o feminismo não é levado à sério.

Eu explico. As mulheres estão cada vez mais em alta, cada vez mais em evidência, cada vez com mais voz ativa. Pode se dizer, sem muito medo de errar, que as mulheres hoje são cada vez mais levadas à sério, ao contrário do suposto movimento que dizem representá-las. Ou seja, o indivíduo está se sobressaindo ao coletivo, para desespero daqueles que acreditam no contrário.

O mais incrível é que aquelas que se dizem feministas atribuem essa ascensão da mulher como uma vitória de um suposto movimento coletivista, sem se dar conta de que na verdade essa ascensão é resultado da própria capacidade individual de cada mulherão da porra que temos por aí.

No que diz respeito aos direitos propriamente ditos, homens e mulheres hoje gozam, legalmente falando, basicamente dos mesmos direitos. Claro, considerando a diferença biológica existente entre os sexos, que mostra homens fisicamente mais fortes que as mulheres, há algumas diferenciações. Mulheres gozam de benefícios não concedidos aos homens a fim de equiparar as condições de ambos os sexos. Mulheres não prestam serviço militar obrigatório, possuem delegacias próprias para investigação e combate a crimes, têm direito (pelo menos até agora) a se aposentarem antes dos homens, entre outros.

Então o que as pessoas querem dizer quando clamam por direitos iguais? É aí que está a chave: mentes mais pensantes pedem para que os direitos iguais garantidos por leis sejam cumpridos efetivamente para as mulheres. Em linhas gerais, não basta escrever as regras do jogo, é preciso que elas sejam cumpridas.

Mas se as leis não estão sendo cumpridas, é necessário identificar primeiro o porquê disso, a fim de eliminar (ou minimizar) a causa do problema. Nesse ponto, assim como em vários assuntos polêmicos, os progressistas da esquerda falham miseravelmente. Na preguiça ou na incapacidade de pensar, apontam para qualquer direção e miram em seres imaginários ou em coisas impessoais. E quando não se há algo concreto a ser combatido, a guerra nunca tem fim e continua somente alimentando discursos demagógicos.

Progressistas irão sempre culpar a sociedade misógina e machista por todo e qualquer infortúnio sofrido por uma mulher em particular. Isso jamais resolve o problema, mas pelo menos dá cartaz a grandes demagogos, principalmente na era das redes sociais. A alienação toma conta dos mais sensíveis, gera aquela sensação de fazer parte de uma “revolução”, mas no final das contas tudo continua como antes. E quando ocorrem mudanças graças a indivíduos que combateram inimigos reais, os primeiros clamam para si as glórias.

Vamos a exemplos de alguns absurdos.

Primeiro, tratemos da alienação das feministas mais radicais. Não vou me alongar na discussão sobre todas as supostas “lutas” travadas por elas, mas vou me ater a um único ponto: o tal padrão de beleza. Estas adoram dizer que lutam contra os padrões de beleza “impostos” pela sociedade. Eu particularmente acredito ser meio bizarra a ideia de que alguém acha uma mulher bonita ou feia porque outra pessoa está dizendo isso. Gosto é algo muito pessoal. Se houvesse somente um tipo de beleza ideal, eu diria que 95% das mulheres jamais chamariam a atenção de homem algum, mas nós sabemos que não é isso que acontece. É claro que existem homens e mulheres mais bonitos e mais feios. Há quem goste de gordinhos e gordinhas, embora a maioria prefira os mais magros, por uma questão estética. E não há nada de mal nisso. E também é normal homens gostarem mais de mulheres depiladas do que de mulheres com bigode ou pêlos debaixo dos braços. O problema destas feministas não é apenas lutar para que possam ser como elas bem entenderem (até porque elas podem fazer isso, não há impedimento nenhum), o problema é querer impor que as demais pessoas achem isso legal ou bonito. Não é o fato de fazer cocô de porta aberta que vai tornar isso um ato comum e aceitável.

Outro ponto bastante interessante, compartilhado pela maioria das feministas, é a questão da equiparação entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Os números mostram que há menos mulheres em cargos executivos nas empresas que homens. Os números mostram que a média salarial das mulheres é mais baixa que a dos homens. As mulheres ocupam menos cargos na política que os homens. Há uma desigualdade clara. Mas será que as feministas conseguem identificar o que está acontecendo de verdade e lutar contra isso? Parece-me bastante óbvio que não. Bradam contra a sociedade machista e contra a discriminação sofrida pelas mulheres, como se essas abstrações explicassem os fatos. Sabemos que existem homens machistas e que discriminam as mulheres, mas isso explica? Essa é uma lógica muito utilizada nos dias atuais e que não é exclusividade das feministas: a existência de um comportamento ou a ocorrência de um fato são utilizadas como explicação para um fenômeno específico, mesmo que não exista nenhuma relação de causalidade, mas desde que corrobore com a agenda ideológica desejada.

Em relação ao fato de mulheres ocuparem menos cargos executivos ou na política, eu sugiro assistirem o documentário “O paradoxo da igualdade”, produzido pelo sociólogo e humorista norueguês Harald Eia. Há explicações científicas que demonstram que homens e mulheres são diferentes em vários aspectos, inclusive em suas inclinações profissionais. De qualquer forma, é óbvio que existem mulheres que chegam a esses postos, e isso se dá graças a suas competências, e não como uma forma de reparação e agradecimento da sociedade cis-hétero-machista-misógina a algumas mulheres. Portanto, o discurso feminista erra o alvo ao apontar o dedo para algo abstrato (uma sociedade machista) como culpado, o que não surtirá efeito algum porque nenhum ser abstrato é capaz de dar uma resposta a um estímulo. Se as feministas encorajassem as próprias mulheres, o resultado seria mais rápido e com muito mais assertividade. Exigir cotas de reparação na política ou em altos cargos nas empresas apenas abriria espaço para uma série de oportunistas incapazes assumirem posições para as quais não estão preparadas ou que sequer escolheriam voluntariamente. O que não falta no mundo são mulheres inteligentes e competentes para chegarem lá, basta incentivá-las.

Já quanto aos menores salários, o documentário norueguês também explica alguns fatores, mas mudando o foco aqui para a nossa república das bananas, certamente o maior inimigo é outro. Vamos partir de um princípio básico e de fácil compreensão: se as mulheres realmente ganhassem menos que os homens para fazerem exatamente o mesmo trabalho, por que os donos de empresa não contratariam apenas mulheres ao invés de homens? Seria de uma incompetência tremenda não observar essa possível redução de custos, não? Acreditar que os empresários do Brasil são tão burros assim é de uma inocência que beira o ridículo. Mas então, desconsiderando-se o fato de que mulheres tendem (VEJA BEM, IMBECIL: É UMA TENDÊNCIA COMPORTAMENTAL, E NÃO UMA REGRA!) a escolher carreiras profissionais que pagam salários menores, vamos focar nas situações onde homens e mulheres estão em uma mesma carreira, com as mesmas qualificações e o mesmo tempo de experiência. Por que então, nesses casos, mesmo assim homens ganham mais que mulheres? A explicação para esse e inúmeros outros problemas que atingem o trabalhador brasileiro está no mesmo lugar: a famigerada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT concede “direitos” aos trabalhadores que infelizmente não são chamados pelo nome correto. Na verdade, a CLT concede benefícios aos trabalhadores em geral. Todos nós sabemos que qualquer benefício ou prêmio é necessariamente pago por alguém, pois nada é gratuito. Quando se trata de Brasil, nós sabemos que são os mais pobres e os mais frágeis que pagam por isso, de uma forma ou de outra. Desta forma, quem acaba pagando pelos próprios benefícios previstos em lei é o próprio trabalhador e não o patrão, como querem que nós pensemos. Mas como? Através de menores salários nominais, quando conseguem entrar no mercado de trabalho formal, ou através da informalidade a qual são submetidos os trabalhadores que não conseguem ser contratados dentro da CLT.

Há claramente uma sensibilização maior quando o custo por algo é cobrado diretamente do indivíduo, de forma explícita, do que quando os custos são diluídos, disfarçados e cobrados de todos, independentemente de quem irá gozar de um benefício. Explico melhor. A CLT obriga os empresários a arcarem com a responsabilidade dos salários dos profissionais no caso de uma série de ausências justificadas e períodos de licenças dos seus funcionários. Algumas dessas ausências são subsidiadas pelo próprio INSS, mas de qualquer forma quem paga pela falta de uma mão-de-obra por esse período é o próprio empregador, que fica sem uma pessoa para executar o trabalho a ser feito e não consegue contratar uma nova pessoa para executar a tarefa, pois aquela que está ausente pode retornar ao trabalho a qualquer momento e não poderá ser desligada.

Dessa forma, os patrões consideram, na hora de calcular a produtividade de um trabalhador ao longo de um ano e, portanto, o quanto pode pagar de salário ao mesmo, uma média de dias trabalhados pelos profissionais. Há uma série de fatores que explicam que mulheres se ausentam (de forma justificada) do trabalho com mais frequência que os homens: quando um filho fica doente, normalmente é a mãe quem o acompanha ao médico (você pode chamar isso de machismo, como quiser, mas é um fato do qual não há como fugir); mulheres (pasmem!) engravidam, e durante a gravidez precisam se ausentar para exames e também devido a implicações que a própria gravidez traz, além do período de licença maternidade que pode chegar a 6 meses no Brasil; mulheres cuidam mais da saúde, previnem-se mais e, assim, ausentam-se mais para consultas médicas; mulheres afastam-se mais frequentemente do trabalho por motivos de saúde (não encontrei nenhuma pesquisa por aqui, mas é um fato facilmente observado – o que não quer dizer que todas as mulheres são assim, nem que não haja homens que também se ausentem muito do trabalho por problemas de saúde, é apenas uma constatação de tendência).

O fato é que devido a tudo isso, engessado pela CLT, o patrão considera que ao longo de um ano, uma mulher trabalha em média menos dias que um homem. Como o patrão precisa necessariamente pagar os mesmos 13 salários que paga para o homem, o salário acaba sendo menor.

Agora vamos pensar de uma forma um pouco diferente. Vamos imaginar que fosse possível contratar um funcionário por hora trabalhada. Que o patrão pudesse acordar com o funcionário um valor/hora fixo e um pacote fixo de N ausências justificadas no ano, e mais um período de férias fixo. O quanto isso seria benéfico para as mulheres? Não tenho a mínima dúvida de que nessas condições homens e mulheres receberiam exatamente o mesmo valor por hora trabalhada (ou, na pior das hipóteses, um valor muito próximo).

Há nessa questão dois pontos polêmicos. O primeiro seria: mas se as empresas não fossem obrigadas a oferecer licença-maternidade, por exemplo, nenhuma empresa ofereceria esse benefício a suas funcionárias. Eu sinceramente duvido muito disso. Há uma série de benefícios hoje em dia, como previdência privada, vale-alimentação ou plano odontológico, que não são obrigatórios por lei mas que mesmo assim são oferecidos por um grande número de empresas, que vêem nesses benefícios uma maneira de atrair e reter melhores profissionais. A lógica seria a mesma.

O segundo seria: mas se a empresa ou o Estado não pagarem o salário de uma mulher durante os primeiros meses de maternidade, isso não seria justo. Será? Aqui entra uma questão básica de responsabilidade individual. Quando uma mulher se ausenta do trabalho porque teve um bebê e recebe um pagamento durante esse período, alguém necessariamente estará pagando por isso. Os custos disso estão sendo socializados e pagos por alguém (isso me parece óbvio, mas é sempre bom lembrar). De uma forma mais genérica, o benefício de uma pessoa está sendo pago com algum dinheiro que está sendo retirado de outras pessoas que não estão gozando de nenhum benefício, mas que estão sendo obrigadas a pagar por isso. Você pode estar pensando duas coisas sobre mim nesse momento: primeiro, que eu só penso em dinheiro; segundo, que todo mundo pode um dia precisar desse tipo de “auxílio” também. Quanto ao primeiro ponto, você está correto: tudo no mundo gira em torno de dinheiro, queira você ou não. Sugiro que você leia o trecho de “A Revolta de Atlas”, onde o empresário Francisco D’Anconia explica o que é o dinheiro. Quanto ao segundo ponto, se o seu raciocínio estiver certo (e eu tenho indícios que está), já que todo mundo paga um pouquinho cada mês como uma forma de reserva para se utilizar isso quando necessário, por que então não estimular que cada indivíduo seja responsável por guardar essa quantia cada mês por conta própria e então utilizá-la quando necessário? Seria muito mais justo com toda a sociedade e, no final das contas, teria o mesmo resultado prático para quem necessita.

Você pode estar achando que estou sendo machista ou que quero o mal para as mulheres, mas o fato é que meu raciocínio é aplicado por mim em todas as esferas e para todos os indivíduos. Na minha opinião, a CLT na verdade é uma baita ferramenta socialista (não por acaso, ela é baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) que finge oferecer uma série de “direitos” que nada mais são do que “benefícios” individuais custeados por terceiros. Ou seja, há um disfarce sutil que passa desapercebido por grande parte da população e que acaba por prejudicar os trabalhadores no final das contas, e não só as mulheres.

Por último, outro aspecto em voga na corrente feminista moderna é a questão da violência contra a mulher. Nesse ponto, o movimento feminista falha miseravelmente, para desespero das vítimas e para deleite dos algozes. O primeiro ponto falho do movimento é a generalização da violência, transformando qualquer coisa em assédio ou estupro. Quando qualquer coisinha é assédio ou estupro, elas dizem que estupro e assédio são qualquer coisinha. Isso é um desrespeito e uma falta de empatia tremendos com as verdadeiras vítimas desses crimes. Equiparar uma cantada porca de um pedreiro à mulher A com a apalpada na vagina da mulher B é dizer, embora ambas as atitudes sejam desprezíveis e devam ser desencorajadas, que a mulher B não sofreu nada grave. O segundo, e talvez o mais grave, é a complacência com o agressor. Feministas dificilmente incentivam punições severas aos verdadeiros agressores, nem tampouco o direito de defesa das vítimas (apoiando, por exemplo, o desarmamento civil, impossibilitando uma mulher de portar uma arma para se defender de um estuprador). As feministas preferem utilizar hashtags, camisetas e pombas brancas, sites, campanhas educacionais e qualquer outra coisa que possa servir de instrumento para uma reforma social necessária para enfim acabar com esse tipo de crimes, ao invés de combater e punir os criminosos. É como querer combater um exército de guerra com flores.

Espero que tudo isso faça sentido para você. Na verdade, a luta por condições melhores de vida para as mulheres passa invariavelmente pela liberdade individual. O problema, como eu sempre digo, é que a liberdade traz consigo invariavelmente a responsabilidade pelas ações, e por isso tanta gente foge disso e procura apenas exigir recompensas, benefícios e direitos sem contrapartida. Isso, infelizmente, é o que muita gente chama de feminismo.


Nota pós-publicação: quanto ao “padrão de beleza”, cheguei a uma conclusão. Esse padrão existe de mulheres para mulheres. Na minha opinião, mulher não entende de beleza feminina. Mulheres enquadram outras mulheres em um padrão estabelecido. Homem não tem essa frescura. Portanto, o feminismo mais uma vez erra o alvo, mirando nos homens, quando na verdade são as próprias mulheres que exigem um padrão. Dizer, por exemplo, que Grazi Massafera, Gisele Bündchen e Fernanda Lima têm “corpão”, mesmo sendo magras feito uma vareta, só pode ser coisa de mulher. Homens, em sua maioria, acham mulheres com mais carne mais bonitas.

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Sobre feminicídio

Publicado: 9 de janeiro de 2017 por Kzuza em Comportamento, violência
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Relutei muito antes de escrever sobre assunto. Pesquisei bastante, conversei bastante, fiz algumas reflexões e, enfim, tomei coragem.

Como qualquer assunto polêmico, a abordagem racional sobre o mesmo desperta a fúria e a indignação da maioria das pessoas. Minha proposta aqui não é oferecer soluções para o problema da violência contra as mulheres, mas sim apresentar o meu ponto de vista sobre o quanto a visão extremamente sentimentalista da nossa sociedade e a ausência de foco e debate por parte das feministas radicais acaba prejudicando o combate aos assassinatos de mulheres.


Bem, primeiro vamos às definições. Talvez a definição mais simplista do termo feminicídio seja:

O assassinato de uma mulher por um homem, pelo simples fato dela ser mulher.

Encontrei uma mais completa, e definitivamente muito melhor, no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Violência Contra a Mulher, de 2013:

O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Em 2015, o feminicídio foi incluído no código penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio, passando também a ser enquadrado como crime hediondo.


Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato de uma mulher como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.

Eu particularmente também considero esse tipo de crime hediondo. Sou contra a pena de morte (por motivos que não vou explicar aqui, mas talvez em um post futuro), mas é um tipo de caso que para mim é digno de prisão perpétua.

Mas a discussão aqui não é sobre isso.

Hoje, o código penal brasileiro já possui seus qualificadores para o crime de homicídio. Não sou especialista em leis, mas sei que um dos agravantes é justamente quando o crime é cometido por motivo torpe:

É o moralmente reprovável, demonstrativo de depravação espiritual do sujeito. Torpe é o motivo abjeto, desprezível. É, pois, o motivo repugnante, moral e socialmente repudiado. No dizer de Hungria, revela alta depravação espiritual do agente, profunda imoralidade, que deve ser severamente punida.

Exemplos desses motivos são: crimes por motivação racial, questão religiosa, orientação sexual da vítima, matar por herança, etc. Ou seja, um assassinato cometido por qualquer motivo de preconceito se enquadraria nesse qualificador.

Aqui, obviamente, há uma diferença a respeito do feminicídio. Primeiro, seguindo as próprias definições que coloquei lá no início do meu texto, esse tipo de assassinato de mulheres não se enquadra meramente em uma questão de preconceito. Segundo, um assassinato qualificado como motivo torpe não torna o crime hediondo (até onde eu saiba, mas aceito aqui comentários de advogados para me esclarecer).

Aparentemente, o código penal ainda não fazia diferenciação de um crime de acordo com o sexo da vítima ou do criminoso, o que faz todo o sentido.


A questão que fica, então, é a seguinte: por que então esse tipo de crime tão abjeto, repugnante e nojento é hediondo apenas quando cometido contra mulheres?


É aqui, amiguinhos, que começa a treta.

Vou criar um nome fictício: machocídio. É um novo termo que criei para definir esse tipo de crime:

O machocídio é a instância última de controle do homem pela mulher: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando o homem a um objeto, quando cometido por parceira ou ex-parceira; como subjugação da intimidade e da sexualidade do homem, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade do homem, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade do homem, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Acreditem, isso acontece (veja aqui, aqui, aqui e aqui alguns exemplos). Talvez um dos mais marcantes recentemente tenha sido o do empresário da Yoki, cometido por Elize Matsunaga.


Novamente, coloco uma citação minha: Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato desses homens como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.


Se você consegue se indignar de maneira igual frente a crimes de igual crueldade e motivação, independente do sexo do autor e da vítima, você já está um passo à frente de muita gente por aí. Você inclusive já deve ter entendido onde quero chegar.

Mas se você ainda acha que há diferença quanto à pena aplicada ao criminoso ou à celeridade na condução do processo de julgamento apenas porque a vítima é uma mulher, você tem altas possibilidades de fazer uso de um dos argumentos abaixo:

1. Mas as mulheres são muito mais vítimas de violência doméstica do que os homens!

Bem, realmente não estudei sobre esse assunto. Não pesquisei números, mas vou assumir, com bases em experiências pessoais e no que nos é divulgado por meios de comunicação que SIM, homens são frequentemente mais violentos em casa com suas mulheres do que o contrário.

Mas há uma falha enorme nesse argumento. ENORME!

Se você for considerar a gravidade de um crime pelas características físicas mais comuns de seus criminosos, a situação fica complicada. Imagine só que no Brasil, de acordo com o relatório do Departamento Penitenciário Nacional de 2014, 67% dos presos são negros. Você acharia razoável considerar um assassinato cometido por um negro mais grave do que se o mesmo houvesse sido cometido por um branco?

Então por que um crime passional cometido por um homem é mais grave do que um cometido por uma mulher? Provavelmente, o argumento a seguir vai lhe servir.

2. Mas os homens estão em posição física superior às mulheres!

Também ouvi bastante sobre isso. E aqui entra todo um conflito com o princípio da isonomia do direito.

É claro que, fisicamente, os homens em sua maioria são superiores às mulheres. São mais altos, mais fortes, falam mais alto, mais grosso, e possuem um poder de intimidação superior. Há suas exceções, claro (as lutadoras de MMA e judô e as jogadoras de basquete que o digam).

Mas, se formos pensar em um contexto geral de violência física e assassinatos, parece-me bastante comum que as vítimas estejam quase sempre em desvantagem física perante aos criminosos, não?

Se um ladrão magrelo e baixinho, trabalhado no crack, chega para assaltar um transeunte qualquer e dá um tiro no coitado, matando-o, isso não faz dele um criminoso melhor ou pior do que um outro alto e bombadão, fazendo a mesma merda.

3. Mas as mulheres não são levadas a sério quando denunciam abusos à polícia!

Há aqui alguns pontos a serem considerados.

O primeiro deles é que a nossa polícia é muito despreparada para qualquer tipo de situação. Pasmem! Eu sei que isso pode parecer novo para vocês, mas qualquer pessoa (e aqui incluo homens e mulheres) que vá uma delegacia registrar um boletim de ocorrência sobre ameaça, violência, furto ou roubo, raramente os casos são investigados ou acompanhados. Assim, precisamos obviamente cobrar uma efetividade maior da polícia em TODOS os casos, senão fica parecendo coisa de gente egoísta, querendo privilégios.

O segundo ponto é que, acreditem, mulheres possuem delegacias próprias para atendimento às mulheres! Homens sequer têm esse privilégio.

E o terceiro e mais importante: quando você defende e incentiva punições mais duras a um crime apenas por conta de quem o comete e não pela natureza do crime, você também incentiva um aumento no número de denúncias de prática do mesmo apenas observando quem o cometeu. O problema aqui está que, nessa situação, você também passa a ter um número maior de denúncias de crimes falsos. Ou seja, você passa a focar no possível criminoso, e não no possível crime.

Quando você passa a considerar qualquer coisa como feminicídio, você passa a considerar o feminicídio como qualquer coisa. Se tudo é feminicídio, nada é feminicídio.

(Você provavelmente vai entender essa minha última afirmação de acordo com as suas convicções próprias, e dificilmente a observará sob a luz da razão, eu sei. Eu considero a violência física, a intimidação e, principalmente, o assassinato de inocentes algo grave a ser combatido, independente de quem os cometa. Se para você isso é ser machista, misógino, fascista ou qualquer desses termos que você adora, o problema não é meu.)


Conclusão: é óbvio que crimes graves de homicídio devem ser severamente combatidos e exemplarmente punidos, sejam eles contra quem forem. No entanto, se você considera que há diferenciação nos crimes por qualquer aspecto que não a motivação e a crueldade dos mesmos, temos uma diferença grande de princípios morais.

Sim, homens coagem e matam mais suas esposas e namoradas por questões relativas aos seus relacionamentos (posse, ciúme, afirmação, objetificação, etc.) do que mulheres o fazem com seus maridos ou namorados. Porém, você não acha justo que ambos os casos sejam combatidos e punidos igualmente, mesmo assim?


Considerações finais:

1 – Acredito que a impunidade no Brasil é hoje um dos maiores problemas que temos.

2 – Considero a legislação penal brasileira extremamente branda.

3 – Não há homicídio justificado, a não ser em legítima defesa.

4 – Homens são mais violentos que as mulheres, no geral. Mas tentei centrar meu texto não na violência física, mas sim nos casos de homicídio.

5 – Menos de 10% dos homicídios no Brasil são solucionados. Ou seja, mais de 90% dos assassinos não são sequer identificados, quanto menos presos. Isso sim deveria deixar o povo de cabelo em pé!

Feminicídio. ou: Igualdade ou Privilegio?

Publicado: 5 de março de 2015 por Mathias em Comportamento, Política
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Câmara dos Deputados aprova tipificação do feminicídio no Código Penal

Eu queria compreender o que é um “homicídio motivado por gênero“. 

Reconheço minha ignorância nos termos legais e jurídicos, mas tento enxergar aonde um homicídio, em contexto doméstico, se encaixa como “crime de gênero” ao invés de “crime passional” ou qualificado por “motivo fútil”.

Em um homicídio em ambiente doméstico como se chega a conclusão da seguinte motivação?

“Ela é mulher, portanto este é o motivo pelo qual eu irei matá-la”

Temos a seguinte situação:

– Homem hétero mata sua esposa por ciúmes = Feminicídio (morte com motivação de gênero)

– Mulher hétero mata seu marido por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil.

– Homem homossexual mata seu marido por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil

– Mulher homossexual mata sua esposa por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil

Viva a “igualdade” de gênero!!!

* Adendo 05/03/2015 – 16:20 – Sobre a aplicabilidade da lei

O que faz uma morte por violência doméstica ou por preconceito de gênero contra a mulher ser moralmente mais grave que qualquer outro tipo de homicídio? O que faz a vida da mulher ter qualidade de fato superior à do homem, ou da criança, ou do idoso, ou do branco, ou do negro, ou do índio, ou do oriental? As qualidades de cor, credo, etnia, idade, classe social, sexo, preferência sexual ou qualquer distinção física inata ou sócio-econômica da vítima justificariam maior ou menor penalidade criminal? Não deveríamos ter todos os mesmos direitos e proteções perante a lei?

Dados sobre violência doméstica/violência feminina:

Igualdade x Privilegio:

Documentário sobre o paradoxo de gênero:

FUI!!

O Controle de Armas é como tentar reduzir o número de bêbados dirigindo tornando mais difícil para as pessoas sóbrias dirigir seus próprios carros.

O Controle de Armas é como tentar reduzir o número de bêbados dirigindo tornando mais difícil para as pessoas sóbrias dirigir seus próprios carros.

Uma discussão recorrente que tenho tido ultimamente com familiares e amigos é a respeito da onda do politicamente correto, que vem avançando sobre nossa sociedade moderna nos últimos anos. A gangue dos cagadores de regras está à solta há muito tempo, suprimindo nosso direito à liberdade de expressão às custas de um tal neo-moralismo, ou sociedade mais justa e sem preconceitos.

Bem, mas será que todos param para pensar até onde o politicamente correto faz mal para nossa sociedade?

Ontem li a coluna de Denis Lerrer Rosenfield no O Globo, cujo título é Moralismo e Ilegalidade. Nele, o autor ressalta pontos muito importantes sobre o assunto, mas o principal deles, ao meu ver, é:

Ocorre uma renúncia à liberdade em função de um bem tido por maior, quando o maior perigo aí reside, a saber, tomar um valor qualquer como se fosse maior do que ao da liberdade.

E é justamente nesse ponto que eu quero tocar.

Há uma patrulha incessante por aí que se diz representante da opinião pública, julgando tudo o que acontece e apontando o dedo para dizer: Isso não pode! Isso é ofensivo!

Opa, mas pera aí, quem foi que disse que você tem o direito de não ser ofendido?

O Sr. Philip Pullman deu uma aula sobre isso. Ao ser questionado por um cara na plateia:

– Sr. Pullman, o título do seu livro (O Bom Homem Jesus e o Salafrário Cristo) parece a mim, como um cristão comum, algo ofensivo. Você chama o filho de deus de salafrário. Isso é uma coisa horrível de se dizer.

Deu como resposta:

– Sim, é uma coisa chocante de se dizer e eu sabia que era. Mas ninguém tem o direito de viver sem ser chocado. Ninguém tem o direito de viver a vida sem ser ofendido. Ninguém é obrigado a ler este livro. Ninguém é obrigado a pegá-lo, abri-lo… E se alguém abrir e ler, não será obrigado a gostar dele. Se você ler e não gostar, você não é obrigado a ficar calado. Você pode me escrever, reclamar e pode escrever à editora. Pode escrever aos jornais e até escrever o seu próprio livro. Você pode fazer todas essas coisas, mas o seus direitos terminam aí. Ninguém tem o direito de me impedir de escrever este livro. Ninguém tem o direito de impedir que ele seja publicado, vendido, comprado ou lido. E isso é tudo que tenho a dizer a respeito desse assunto.

Ainda voltando ao assunto passado sobre o atentado terrorista à redação da revista Charlie Hedbo em Paris (já comentado aqui, aqui e aqui), li também essa semana um excelente texto a respeito do assunto aqui. Nele, o autor ressalta:

Sugerir que ofender deve ser inaceitável é corrosivo e letal e não simplesmente para a liberdade de expressão, mas para a democracia. As pessoas têm o direito de dizer o que quiserem desde que não incitem a violência. Outros têm o direito de não querer ouvir ou assistir ou ler. Que usem o controle remoto e cancelem suas assinaturas de jornais. Ninguém tem o direito de ser ouvido. E ninguém tem o direito de não ser ofendido.

O que o papa Francisco está dizendo é que, embora a liberdade de expressão seja fundamental, deveria necessariamente, ser menos livre em uma sociedade plural. Na verdade, é precisamente porque nós vivemos em uma sociedade plural que precisamos ampliar e defender a liberdade de expressão. Em tal sociedade, é inevitável e importante que as pessoas ofendam a sensibilidade dos outros.

Inevitável porque onde diferentes crenças estão profundamente arraigadas, os confrontos não podem ser evitados. Quase por definição tais confrontos expressam o que é viver em uma sociedade diversificada. Sendo assim, eles devem ser resolvidos abertamente, sem hipocrisias, em vez de suprimidos em nome do “respeito” ou da “tolerância”.

Mais do que isso: a ofensa não é apenas inevitável, é essencial. Qualquer tipo de mudança ou progresso social significa ofender algumas sensibilidades. Aceitar que certas coisas não se pode dizer ou tentar silenciá-las, é aceitar que certas coisas não podem ser contestados. Nem melhoradas.

Acontece que, hoje em dia, uma pequena parcela da população é sensível demais a certos assuntos, sentindo-se ofendida ao mínimo sinal de contrariedade às suas opiniões. E é justamente essa parcela que tenta, muitas vezes com sucesso, impor o seu discurso de politicamente correto sobre os demais, colocando seus valores e opiniões acima de qualquer coisa. Quem quer que discorde do que a patrulha dos cagadores de regra diz, é imediatamente julgado como transgressor, fascista e moralmente inferior. Mas será que é isso mesmo?

Vamos ver só um outro exemplo. Agora no carnaval, algumas campanhas publicitárias foram vetadas (ou ameaças de veto) porque, segundo o movimento feminista, vulgarizavam e promoviam à violência à mulher (veja o que a esquerda diz sobre o assunto aqui). A tal campanha da Skol, que gerou mais polêmica por cartazes como “Esqueci o NÃO em casa”, foi suspensa pela própria Ambev porque um grupo de 30 (isso mesmo: trinta!) mulheres reclamaram por se sentirem ofendidas. Pense bem: de todo o público atingido pela campanha, apenas 30 mulheres se manifestaram contra a mesma, dizendo-se representantes de todas as mulheres. Será que é mesmo? Pergunte às mulheres que você conhece e veja quantas delas se sentem ofendidas com esse tipo de coisa. Aposto que a maioria das mulheres que você conhece se sentem bem mais ofendidas com mulheres que expõem seus corpos nus durante os desfiles na avenida.

Agora veja só que hipocrisia. Na mesma época, a Sadia lançou uma nova campanha sobre o seu presunto. Veja o vídeo abaixo:

Agora imagine se o fatiador fosse, ao invés de um homem, uma mulher. Você tem dúvida de que a patrulha dos cagadores de regra não estaria em cima?

O mesmo princípio se aplica a outros assuntos polêmicos, como o homossexualismo, por exemplo. Qualquer coisa que seja dita contra a liberdade sexual dos indivíduos é automaticamente taxada como homofobia. Outro dia escutei de um amigo:

Se você é contra o casamento gay, você é automaticamente homofóbico.

A dificuldade em se criminalizar a homofobia é justamente conseguir tipificar o crime. Hoje em dia, o simples fato de ser contra ou de se não gostar de determinada coisa é imediatamente classificada como “alguma-coisa-fobia” ou “incitação ao ódio”. Mesmo quando seus argumentos se baseiem em estudo científicos ou em seus valores morais ou religiosos. Mesmo que você não agrida ninguém.

Ainda sobre homossexualismo, é tabu na sociedade moderna e politicamente correta levantar alguns pontos polêmicos, como os que podemos ler aqui, aqui e aqui. Mesmo que a maioria dos povos ao redor do mundo recusem a agenda gayzista por razões morais, os cagadores de regra afirmam que você deve aceitar isso como normal, ainda que:

A falácia dos 10 por cento: Estudos indicam que, ao contrário das afirmações inexatas (mas amplamente aceitas) do pesquisador sexual Alfred Kinsey, os homossexuais constituem entre 1 e 3 por cento da população.

Os homossexuais estão sobre-representados nas infrações sexuais infantis: Indivíduos de entre 1 e 3 por cento da população que tem atração sexual pelo mesmo sexo cometem até um terço dos crimes sexuais contra crianças.


Conclusão: Na minha modesta opinião, há uma onda coordenada tentando restringir a liberdade de opinião das pessoas e acabar com valores morais que norteiam a sociedade, classificando isso como um obstáculo para a humanidade ter atingido o ápice de seu desenvolvimento. Utilizam-se de desculpas como o estabelecimento de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos para impor opiniões de uma minoria sobre toda a população, como se fossem representantes terrenos de uma divindade maior. Justificam suas atitudes e opiniões como necessárias para uma nova sociedade melhor, sem conseguir de fato medir o quanto isso será, de verdade, possível no futuro.

Ainda creio que estamos tentando remediar os sintomas sem de fato conhecermos a doença. Clamamos por cada vez mais antitérmicos sem descobrir qual a causa da febre. Queremos reduzir a violência praticada por menores de idade reduzindo a maioridade penal. Queremos reduzir o número de mulheres que morrem em clínicas clandestinas liberando o aborto. Queremos mais negros nas universidades criando sistemas de cotas. Queremos menos pobres distribuindo dinheiro dos ricos para eles. Mas o fato é que ninguém se preocupa em realmente acabar (ou ao menos diminuir) com a causa raiz do problema.