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Faça política!

Publicado: 15 de março de 2017 por Kzuza em Política
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Eleição

Sabe, nessa última semana andei pensando algumas coisas e resolvi me posicionar. Sim, normalmente eu penso pacas, mas nem sempre escrevo aqui. Mas dessa vez resolvi fazer campanha. E explico o porquê.


Tenho reparado, as usual, que as pessoas andam extremamente descontentes e desacreditadas no futuro do país. Passamos por uma crise econômica e política grave que já dura um bom tempo. Em tempos de crise, é ainda mais acentuado o descontentamento geral da população. Inflação e desemprego mexem com todo mundo, afetam todas as famílias, deixam todos indignados

Não é à toa que nos últimos tempos, principalmente com a alta influência das redes sociais, o brasileiro em geral passou a se interessar por política. Claro, ainda não é um interesse genuíno associado ao desejo de se obter conhecimento, mas já é alguma coisa. Esse interesse apenas se transformou, na maioria dos casos, em um desejo de se escolher um time para o qual torcer, a fim de basicamente apoiar um lado (PT/PSOL) ou outro (PSDB/PMDB). O problema é que política é muito mais do que isso.

Em outros casos, esse interesse em política é disfarçado, e também apresenta um grave problema. Sabe aquele seu amigo que diz que não se interessa por política, que quer apenas um país desenvolvido, sem desigualdades, sem violência, com educação e saúde de qualidade? Esse é um perigo. Quem não se interessa em COMO obter O QUE ele deseja está fadado a ser o mais facilmente enganado, e o que mais colabora com políticos desonestos.


Agora vamos falar sobre algo bastante sério. Temos eleições para presidente, governador e deputados federais no próximo ano. Se não começarmos a discutir política agora, continuaremos sofrendo como sociedade. Acho que você já deve ter percebido isso.

Sabe qual é o maior paradoxo que temos hoje no país? Praticamente todos nós não confiamos em políticos, isso é um fato. Mesmo assim, a maioria das pessoas espera que os políticos resolvam os problemas do país. Oras, como é que a gente espera que alguém em quem não confiamos resolva nossos problemas? É como acreditar que colocar um ladrão como porteiro do nosso prédio irá nos livrar de sermos assaltados.

Tudo o que um político quer quando pede o seu voto é que você confie que ele vai resolver os seus problemas. Por isso, ele quer muito que você acredite naquelas propagandinhas do TSE que dizem: pesquise seu candidato, veja suas propostas, veja o que ele já fez, veja se é honesto, blábláblá. É claro que esses fatores são fundamentais, não há dúvida. Mas alguma vez você já se perguntou o porquê de ninguém dizer COMO irá fazer as coisas?

Eu tenho uma sugestão fácil para você escolher seus próximos candidatos. Escolha aquele que diz COMO irá realizar as coisas que propõe, mas o principal: escolha aquele cujo esse COMO não inclui nenhum tipo de coerção (obrigar todas as pessoas a fazerem algo que elas não escolheriam livremente), que inclua a redução dos gastos do governo e que não requeira mais PODER ao candidato.

Você acha isso difícil ou muito absurdo? Eu garanto que não é.


Uma pergunta que sempre vai ficar é: oras, mas se o governo não fizer, quem é que vai fazer?

Sua pergunta pode ser respondida facilmente. Olhe ao seu redor, na sua casa, e veja os objetos que estão por aí. O que foi criado ou chegou até você porque o governo quis assim?

Para complementar, sempre que você se perguntar sobre algum tema se ele deveria ser administrado, controlado ou fornecido pelo governo, eu tenho uma sugestão. Compare o assunto em questão com ALIMENTAÇÃO ou com VESTIMENTA. Esses dois itens são vitais para a sobrevivência de qualquer ser humano por toda sua vida, desde o nascimento até a morte. Nenhum deles é administrado, controlado (ao menos não completamente) ou fornecido pelo governo e chegam, de uma forma ou outra, a 100% da população. Se você entender os mecanismos que fazem com que isso aconteça, você já está 10 passos à frente de 90% da população brasileira.


Outra pergunta é: mas há políticos que pensem assim? Ou melhor, há quem acredite nisso?

A resposta da segunda pergunta é simples: UMA PORRADA DE GENTE! A Internet e as redes sociais vieram para nos possibilitar ter contato com todo e qualquer tipo de pensamento diferente, com pessoas diferentes.

A resposta da primeira é um pouco mais complexa. Nesse caso, é necessário separar um político de carreira, profissional, como a maioria esmagadora dos que temos hoje por aí, de um indivíduo interessado em promover mudanças e que resolveu entrar para a política com esse objetivo.

Os primeiros são os Barbalhos, os Magalhães, os Sarneys, os Mellos, os Neves e toda a sorte dessa corja política que temos há tanto tempo no poder. É fácil identificá-los. São todos farinha do mesmo saco, todos requerendo cada vez mais poder, todos trocando favores, pensando em como angariar mais dinheiro para a próxima campanha ou como ganhar mais dinheiro com a próxima obra.

Os segundos ainda são poucos, mas já temos um grande exemplo recente no Brasil: João Dória Jr. Você pode não gostar dele, ter um pé atrás com as decisões que ele toma (como é o meu caso!), apontar uma série de defeitos nele, mas há uma coisa inegável: ele tem quebrado o paradigma da política no Brasil. Um prefeito que ousou dar respostas diretas, sem rodeios, nos debates durante as eleições; o único político eleito a confrontar Lula dizendo que iria levar cigarro para ele na cela em Curitiba; um prefeito que abriu mão do seu salário para doá-lo a instituições de caridade; um político que está fazendo a iniciativa privada trabalhar para a população, através de parcerias para execução de serviços. Se você me apontar outro que tenha feito tudo isso antes, pode votar nele.


Mas então por que as pessoas continuam preferindo os primeiros do que os segundos?

O principal fator é DINHEIRO! O dinheiro faz com que qualquer ideia seja disseminada com maior facilidade. E a propaganda ideológica esquerdista possui os maiores financiadores do país, entre eles a Rede Globo e o banco Itaú (basta ver a programação do Itaú Cultural, por exemplo).

Não obstante a total ausência de assuntos da direita na grande mídia, os grandes partidos políticos do país são todos de esquerda e compartilham grande parte da mesma agenda ideológica. Desta forma, a maior parte do fundo partidário (que nada mais é do que o dinheiro tomado de nós pelo governo sendo repartido e utilizado pelos políticos, os mesmos safados com quem não nos identificamos) é destinada justamente à disseminação dessas ideias: basicamente, de que os políticos são nossa grande esperança de salvação!


Notinha especial e camarada do Zuza: se você acha que a Globo e o PSDB são de ‘direita’, deixe seu comentário aqui no blog ou na página do Facebook, e eu farei um post bem legalzinho sobre isso.


Oras, mas se então o país todo parece estar jogando contra, o que podemos fazer?

Bem, vou contar algo aqui que pode te fazer me enxergar como um idiota (digo isso porque muita gente já me disse isso). Mas enfim, mais ou menos um ano atrás resolvi contribuir mensalmente com a página desse cara aqui ó: Alexandre Borges. Uma contribuição voluntária em prol de uma causa política que eu acredito. Essa semana tivemos, eu e os outros patrões (como são chamados os que contribuem com ele através do site Patreon), um encontro com ele aqui em São Paulo, para conversarmos sobre política, sobre os rumos que o país está levando, etc.

Por que eu acho isso importante?

Ao contrário desse blogzinho chinfrim aqui, o Alexandre Borges é um formador de opinião. É um publicitário influente que conhece uma paulada de gente tão ou mais inteligente que ele. A página dele hoje tem mais de 100 mil seguidores. Ele fala com propriedade, tem um conhecimento vasto em política e bastante consistente em economia e, o principal, fala e escreve em uma linguagem simples, objetiva e fácil de entender.

Pensei: quero ajudar a fazer com que a mensagem desse cara chegue a maior quantidade de pessoas possível. Então vou contribuir com o trabalho dele. Essa contribuição é utilizada para pagar por conteúdos que não são gratuitos, pagar pesquisas, entre outros. Ou seja, é utilizado para aumentar o conhecimento que é disseminado.

E o que isso pode servir para você?

Eu particularmente acredito que a sociedade civil organizada tem muito mais poder de mudar o país do que essa corja de políticos que estão hoje no poder (se você achar que não, aprecio deixar nos comentários aqui sua opinião). Acreditar que apenas enviar e-mails, postar textões no Facebook (ou em blogs chinfrins), telefonar ou ir às ruas em massa fará com que os bandidos de Brasília trabalhem ao seu favor é bastante utópico, ao meu ver. Se não for para meter uma arma na cabeça de cada um deles ou ameaçar suas famílias de morte, esse tipo de pressão boba não vai funcionar.

Portanto, é hora de nós como cidadãos nos organizarmos. Apoie, principalmente com dinheiro, senão com trabalho voluntário, as causas nas quais você acredita, mas não apoie políticos profissionais nem partidos políticos que querem apenas mais poder para continuar fodendo a sua vida.


Discuta suas ideias. Dissemine suas ideias. Faça política. Discuta política, e não partidos políticos, e nem políticos.


E por fim, chegou a hora de parar de demandar decisões sobre os assuntos mais importantes da nossa nação para o governo (vide o que está acontecendo agora, com a Previdência Social, onde a maioria dos que estão lá está apenas defendendo os próprios interesses e os interesses da classe mais abastada do país). Procure candidatos nas próximas eleições que estejam comprometidos a tirar o máximo de responsabilidade das mãos dos políticos, porque no final das contas, você sabe quem serão os únicos prejudicados.

Veja um videozinho que fiz como teste um tempo atrás só para tentar explicar um pouco o quanto essa crença é bizarra. E fiquem com Deus.

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É apenas uma questão de opinião?

Publicado: 13 de janeiro de 2017 por Kzuza em Política
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Um casal de amigos veio jantar na minha casa. Perguntei a eles se gostariam de tomar um vinho, e eles aceitaram. Abri a garrafa, servi as taças, brindamos e cada um deu um gole. Minha amiga disse: Hum, esse vinho é bom! Eu disse na sequência: Olha, se é bom, eu não sei, mas eu gosto bastante!

Eu não entendo nada de vinho. Não sou capaz de diferenciar uma uva de outra (exceto Syrah, que não sei porque caralhas me deixa alterado já na segunda taça). Então, em meu universo particular, costumo categorizar os vinhos em apenas 2 grupos: os que eu gosto, e os que eu não gosto. Como meu paladar definitivamente não é o meu sentido mais aguçado, pode-se imaginar então que nem sempre o que eu gosto está associado com a boa qualidade do vinho.


A música de 2017, o hit do verão, que está fazendo balançar até as bundas peludas das mais feministas é o tal de “Meu pau te ama”. (Quem diria que até essa meninada de hoje, a geração “mimimi”, estaria tão empolgada e se divertindo com algo tão ridiculamente machista!). Parece-me que o vídeo original da música (e nem vou contar todas as versões das coreografias de famosos e outros não tão famosos assim) tem milhões de visualizações no Youtube. Pasmem, está cheio de gente que gosta! Mas isso também não quer dizer que a música seja de boa qualidade, e nem preciso ser especialista no assunto para dizer.


Um dos grandes sucessos do Netflix em 2016 foi a série “Stranger Things”. É uma espécie de terror adolescente, cheio de sustinhos, uma Winona Ryder magistral e 4 moleques e uma menininha que são os protagonistas da história (carismáticos que só eles!). A série é super bem produzida, cheia de computação gráfica, efeitos especiais, etc. e tal. Não há dúvida que é de excelente qualidade. Mas eu não gostei muito. E conheço vários amigos que também não gostaram, ou pelo menos não se empolgaram tanto quanto a crítica prometia.


Ludwig van Beethoven é talvez o maior compositor da história. Segundo a Wikipedia:

É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos.

Agora me diga: quantas pessoas você conhece que de fato gostam de Beethoven?


Os 4 exemplos que dei na introdução desse texto ilustram um fato que muita gente desconsidera:

Nem sempre o que você gosta é de boa qualidade, e nem sempre o que é de boa qualidade você gosta.

Gosto pessoal muitas vezes não tem a ver com a qualidade. Ele depende muito de vários fatores, como sua criação, o local onde você cresceu, seu círculo de amizade, suas experiências sensoriais, entre outros.

Mas como então saber o que é e o que não é de boa qualidade?

Bem, hoje em dia há especialistas para tudo. Tem gente que dedica a vida toda a estudar determinado assunto. Enólogos, musicistas, críticos de arte… em todos esses grupos, há sempre expoentes que podem ser ouvidos e considerados. Veja, não estou dizendo que todo especialista é bom (e até isso tem grau de qualidade), mas estou certo de que cada ramo possui um especialista considerável.

É óbvio que a nossa opinião pessoal nem sempre irá ao encontro de tais especialistas. Um crítico de arte moderna pode considerar determinado quadro pintado por um grande pintor como uma obra-prima, e para mim aquilo pode não passar de um rabisco mal-feito.

Basicamente, quando se tratam de opiniões pessoais que se mantém dentro da esfera privada, o impacto social disso é muito pequeno (para não dizer nulo). Sim, dane-se a minha opinião sobre o vinho XPTO. Se eu não gostar dele, isso não vai fazer muita diferença. Dane-se se você não gosta de estrogonofe, mesmo que tenha sido feito com creme de leite fresco e filé mignon.

Mas há um problema nesse conceito. Quando isso passa para o aspecto das ideias, bem, aí sim o impacto pode ser desastroso.


Recentemente, tive uma conversa com um amigo meu sobre essa questão. Ele se dizia preocupado com um grupo do Facebook onde jovens adolescentes estão defendendo ideias conservadoras, de livre mercado e machistas de uma forma absurda.

Isso corrobora uma teoria minha:

O problema não são as ideias, mas os indivíduos imbecis.

Não, meu amigo não é um imbecil. Pelo contrário. Mas o que o espanta são justamente indivíduos imbecis, e talvez não justamente as ideias gerais do conservadorismo e do livre mercado. (Obs1: Aqui, excluo o machismo, que não há como defender de forma alguma racionalmente. Obs2: brincadeira minha, as ideias conservadoras e de livre mercado também não devem agradá-lo.).

Na verdade, aqui voltamos novamente aos exemplos lá do início do texto. Quando se tratam de ideias, o mesmo princípio se aplica: Não é porque eu gosto de A que A é necessariamente bom; e não é porque eu não gosto de B que B é necessariamente ruim. No entanto, aqui o impacto de não se conseguir identificar se A ou B são bons ou ruins pode ter consequências desastrosas. E essas consequências podem chegar a violência física contra os que não concordam com o seu gosto pessoal (ou à eleição de políticos que justamente defendem péssimas ideias para nos governar).

Mas por que há tantos imbecis?


Li um texto essa semana excelente sobre essa questão aplicada ao gerenciamento de projetos de desenvolvimento de software. Talvez a parte mais legal desse texto seja esse vídeo aqui ó:

Segundo Carl Jung:

Pessoas não possuem ideias; ideias possuem pessoas.

Aqui, cabe uma reflexão interessante sobre algo que tenho observado com uma frequência absurda nas redes sociais (e que com certeza reflete exatamente o mundo real em que vivemos): as pessoas se identificam com uma certa ideia e passam a se agarrar a elas como uma criança ao seu bicho de pelúcia predileto. Tente arrancar isso delas e terá como consequência muito choro, muita birra e muita malcriação. E mais que tudo: as pessoas têm tentado com frequência personalizar essas ideias em alguns “seres iluminados” que se tornam imaculados. Então, esses “seres iluminados” passam a ganhar um salvo indulto para dizer e fazer o que quiserem, e então serem glorificados por isso.

Tente discordar de algum absurdo que algum desses iluminados tenha dito e verá a fúria de seus seguidores. Discorde de um argumento de um deles e será tachado como adversário, como um ser repugnante, como um opositor, traidor das ideias.

Claro, estou generalizando aqui, e isso nem sempre é bom. É óbvio que nesse mar de gente estúpida há mentes iluminadas, abertas ao diálogo, ao confronto de pensamentos, à análise crítica das posições, e que não se deixam levar por falácias ad hominen.

Veja, estou sendo completamente imparcial aqui. Isso é válido para coxinhas e petralhas, para feministas e feminazzis, para abortistas e não abortistas. Enfim, não estou me atendo às ideias, mas sim aos imbecis existentes.


É claro para mim, no entanto, que nesse ponto há uma diferença muito grande entre as verdadeiras mentes pensantes dos dois lados da moeda (chame de direita e esquerda, se preferir). E nesse caso, vou me ater somente às verdadeiras mentes pensantes. Pessoas abertas ao diálogo, que entendem do assunto, que lêem bastante, dominam assuntos como filosofia, economia, política, etc. Não estou falando de mim, nem provavelmente de você que está lendo esse texto. Estou falando de gente realmente brilhante, e não de 99,99% das pessoas desses grupos de redes sociais que se propõem a debater esses assuntos.

A diferença nesse ponto reside na forma de apelo e defesa de suas ideias. Enquanto a direita se pauta no objetivismo, na razão e no empirismo, a esquerda baseia-se no subjetivismo, no sentimentalismo e no que Roger Scruton chama de “Falácia da Melhor das Hipóteses” (leia As Vantagens do Pessimismo: e o perigo da falsa esperança). Ou, melhor dizendo (já provocando), conforme assisti em um live feito pela Renata Barreto outro dia: uns tomam decisões baseados no que é bom, outros tomam decisões baseadas no que lhes faz bem.


Aliás, ainda sobre esse livro, no qual o autor explica por que uma dose considerável de pessimismo deve ser sempre levada em conta quando se há alguma decisão a ser analisada (ideia com a qual eu me identifiquei completamente), acredito que aí está o grande X da questão.

Quando as pessoas são dominadas pelas ideias, e elas se armam de um otimismo inescrupuloso, observamos exatamente toda essa sorte de imbecis vociferando besteiras por aí.

Se você não mantém sempre um pé atrás com as ideias nas quais você acredita, se não está sempre desconfiando das informações, investigando as fontes, analisando e pensando, você fatalmente está condenado a se tornar um desses imbecis.


Atualização: Achei que ficaram algumas coisas em aberto, então resolvi gravar esse vídeo para complementar.

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Observando os mais recentes (e rasos) debates político-filosóficos, principalmente em redes sociais, tenho verificado cada vez mais uma polarização entre ideias de esquerda e direita. Cada um com suas convicções, cada um com suas fontes de informação (umas mais confiáveis que as outras), mas há sempre uma dicotomia quanto às formas de pensamento.

Eu particularmente não me sinto muito confortável entre classificar o que é direita e o que é esquerda. Talvez por não ser especialista no assunto (deve até ser), mas o que fica latente para mim é que há, basicamente, duas visões de mundo diferentes entre as pessoas: aquelas que preferem encarar a realidade nua e crua, o mundo como ele é, e aquelas que preferem buscar o mundo ideal, utópico, onde a paz e a felicidade reinam absolutas por toda a humanidade.

O que muitos chamam de esquerda, para mim, nada mais é do que uma filosofia humana que acredita ser capaz de extirpar todo o mau da humanidade. É uma visão romântica de mundo, baseada nos princípios de Rousseau, na qual o homem é bom por natureza e vai sendo corrompido pela sociedade. Por isso, basta tratá-lo bem, com amor, carinho e respeito, que ele sempre continuará assim. Basicamente, esse é o ideal perseguido: um mundo onde todos estejam em seu estado natural inicial, bonzinhos, fofinhos e bonitinhos.

Eu, no entanto, acho isso uma utopia.

Já o que muitos chamam de direita, novamente no meu conceito, é basicamente a filosofia de se encarar o mundo como ele é: imperfeito. É encarar a sociedade na menor escala possível: o indivíduo. É aceitar que, feliz ou infelizmente, os homens são diferentes entre si e um homem pode ser mau. Aliás, não um, mas vários. É identificar que os homens, apesar de serem iguais perante à lei, são diferentes em suas condições únicas: capacidade intelectual, valores morais, porte físico, etc.

É por isso que a direita machuca. A realidade machuca.

A principal diferença entre ambos os lados, diferente do que muitos pregam por aí, não está nos objetivos perseguidos por eles. É desnecessário afirmar que, em sua maioria, independentemente da filosofia de vida seguida, os homens buscam viver em paz e harmonia. No geral, todos almejamos um mundo justo, privilegiando os homens de bem. A diferença, portanto, está nos meios em que cada lado acredita serem necessários para atingir o objetivo comum.

Qualquer tipo de fé cega em algo que não é real, palpável e cientificamente comprovado é perigosa. Mas a humanidade infelizmente ainda é assim, seja por desinformação, seja por ignorância, seja por comodismo (para não falar preguiça, senão fica pesado). Somos frequentemente tentados, principalmente agora na era da informação, quando somos bombardeados diariamente por uma quantidade absurda de dados, a nos levar por discursos bonitos, românticos, calmos e serenos. A forma como as narrativas chegam até nós muitas vezes se destaca em relação aos seus conteúdos.

É como aquela história do rei que sonhou que havia perdido todos os dentes da boca e mandou um de seus empregados encontrar no reino um súdito que soubesse interpretar sonhos. O primeiro dos interpretadores, ao ouvir a história, disse ao rei, de forma ríspida, que o sonho significava que todos os seus parentes morreriam antes dele. Foi imediatamente condenado à forca. O segundo interpretador disse, de calma serena, para o rei não se preocupar, afinal o sonho significava que ele viveria muito mais do que todas as pessoas da sua família. Foi agraciado com 100 moedas de ouro.

Encaro que, muito mais do que um discurso entre esquerda e direita, há um conflito maior entre sentimentalismo e racionalidade. Theodore Dalrymple, psiquiatra britânico e um grande autor moderno, explora bem isso no seu livro Podres de Mimados – As consequências do sentimentalismo tóxico. Luiz Felipe Pondé, filósofo brasileiro, comenta o livro nesse vídeo aqui, que vale à pena ser assistido.

O problema maior que vejo nessa dicotomia é que há aproveitadores em ambos os lados.

Do lado do sentimentalismo (ou esquerda, como queiram chamar), há claro pessoas de boas intenções, ingênuas, românticas, que estão apenas cegas pela sua fé na humanidade onde o mau não exista (e quando se deparam com ele no mundo real, não sabem o que fazer). O problema é que há muita gente esperta que se aproveita dessas pessoas. Ou seja, para quem espera o impossível, nada mais reconfortante do que uma mentira suave bem dita na hora certa. Assistam ao filme O Primeiro Mentiroso (The Inventation of Lying) e entendam bem o que é isso. E são justamente os aproveitadores os que mais lucram com isso, seja se elegendo para cargos políticos, seja vendendo livros, seja sendo colunista da Folha de São Paulo, seja sendo músico no Leblon.

Já do lado da racionalidade (ou direita), o principal problema é o extremismo. Não do jeito que seus amigos pregam por aí, chamando todos de fascistas (que nem é de direita), racistas, xenófobos, machistas. Não. O extremismo que eu digo é aquele de enxergar o mal em qualquer parte, em qualquer texto, em qualquer fala, em qualquer gesto, em qualquer ação. Isso tende a um superprotecionismo, a uma vigília constante, a um estado de “sempre alerta”, a uma perseguição desenfreada a tudo e a todos.

Portanto, não vejo o recente movimento de abandono aos ideais mais de esquerda (representado de forma mais palpável pelo Brexit, pela negação ao acordo de paz com as FARC na Colômbia, pelas derrotas do PT e do PSOL na eleições municipais, e pela derrota da democrata Hillary Clinton na eleição presidencial americana) meramente como uma ascensão da direita. O que eu enxergo, na verdade, é o que chamam de “choque de realidade”. Os resultados nas urnas, seja em plebiscitos, seja em eleições, nada mais é do que o reflexo da mente das pessoas que estão passando a enxergar o mundo como ele é. As pessoas estão sentindo na pele. A realidade é avassaladora, e não tem discurso hipócrita / demagogo capaz de superá-la. E aí não é questão de manipulação midiática, não é questão de ignorância, não é questão de ingratidão com a esquerda. A questão é que quando o discurso não começa a bater com o mundo real lá fora, a credibilidade do discurso vai mesmo pelo ralo.

Direita ou esquerda: de que lado você está?

Publicado: 24 de março de 2015 por Kzuza em Política
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Há algum tempo venho me perguntando por qual motivo eu me tornei um cara de direita.

Amigos ou críticos esquerdistas diriam que eu sofro de Síndrome de Estocolmo, ou que por eu sempre ter tido tudo na vida (o que não é verdade, mas sempre funciona para a esquerda quando você é branco e nunca passou fome) , eu não tenho simpatia pelos mais necessitados. Também dirão que eu nunca sofri na vida, tampouco faço ideia de quão cruel é a vida daqueles que sofrem (seja por doença, miséria, preconceito ou outros infortúnios da vida). Ou podem dizer também que eu sou um cara extremamente egoísta, que não se preocupa com os outros, muito menos com quem mais precisa.

Já amigos ou adeptos do pensamento de direita podem dizer que é porque sou um cara muito inteligente e que estudou bastante para chegar nessa situação. Também diriam que eu finalmente acabei enxergando o quanto sempre fui manipulado pela doutrina esquerdopata praticada pelo nosso sistema de educação há mais de 60 anos. Alguns ainda dirão que isso se deve ao fato de eu ser um cara conservador, que preza pela moral e pelos bons costumes. Ou quem sabe porque eu sempre fui um cara muito trabalhador e estudioso, que mostrou que é possível “chegar lá” mesmo vindo do nada.

Mas enfim, como pode a opinião das pessoas ser tão diferente sobre um mesmo ser humano, somente baseada nas convicções políticas de cada um? É possível haver assim uma divergência tão grande da percepção da realidade somente por conta do viés político de cada um?

É óbvio que, por ter certeza das minhas convicções políticas, eu acredito que tenha escolhido um caminho certo a seguir. Estou convicto das minhas ideias liberais e para mim não há bem maior no mundo do que a liberdade individual.

E foi então que eu comecei a pensar melhor no que leva cada indivíduo a seguir uma ou outra vertente política. Sim, todos, querendo ou não, politizados ou não, possuem uma inclinação para um dos dois lados, mesmo que inconscientemente. Isso acaba refletindo nas suas ações no dia-a-dia, no seu relacionamento com as pessoas, no seu comportamento social e, no final de tudo, nas suas escolhas políticas.

Mas o que difere um esquerdista de um liberal de direita?

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que existem princípios éticos que são comuns a todos os seres humanos (ou ao menos deveriam ser). Se você entende isso, já é um bom ponto de partida.

Mario Sergio Cortella define ética assim:

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

O mesmo Cortella então conclui:

Ética é a concepção dos princípios que eu escolho, Moral é a sua prática.

Para mim é claro que cada um é livre para escolher os princípios éticos que serão seguidos. Isso vem conforme sua educação familiar e sua cultura. O conjunto de princípios que cada um escolhe seguir na vida formam a sua moral.

É justamente aqui que residem, para mim, as principais diferenças entre os dois lados políticos existentes. Direitistas tendem muito mais a respeitar princípios éticos universais do que os esquerdistas. Sim, isso é duro de ser dito, mas é um ponto importante. Eu vou detalhar mais isso durante esse texto, então aconselho você a ler tudo até o final antes de tirar conclusões precipitadas.

Há um ponto extremamente crítico onde direita e esquerda começam a se dividir. Esse ponto é denominado por muitos Justiça Social. É bem aqui que as pessoas se separam.

Em primeiro lugar, é muito importante entender o que é justiça. Eu gosto da definição de John Rawls (aliás, um autor sobre o qual eu preciso conhecer mais) em A Theory of Justice, onde ele afirma que uma sociedade justa deve respeitar três princípios:

  1. garantia das liberdades fundamentais para todos;
  2. igualdade equitativa de oportunidades;
  3. manutenção de desigualdades apenas para favorecer os mais desfavorecidos.

Não há discussão entre seres humanos com o mínimo de dignidade e ética sobre esses três princípios, independente de serem de direita ou esquerda. Embora a esquerda reivindique para si unicamente a virtude da luta pela justiça social, isso não passa de mera propaganda (ou o tal puxar a sardinha para o seu lado). O fato é que qualquer ser humano minimamente digno é capaz de defender os três princípios de justiça defendidos por Rawls. E, ao contrário do que muita gente pensa, isso independe do viés político de cada um. Assumir que as pessoas de esquerda são as únicas que lutam por justiça social é a mesma coisa que assumir que os crentes em Deus são os únicos seres honestos do planeta.

O que difere a direita da esquerda é justamente o terceiro princípio de Rawls. Quando se trata de “favorecer os mais desfavorecidos”, há duas formas de se fazer isso:

  1. Oferecendo-lhes proteção contra agressores mais fortes e provendo-lhes igualdade de tratamento jurídico;
  2. Atacando os mais fortes e tomando-lhes à força o que possuem para distribuir entre os mais fracos.

A direita luta pela primeira alternativa. A esquerda, pela segunda, independente se isso é moral ou não. É justamente aqui, onde os fins justificam os meios, que eu passo a repudiar completamente as ideias da esquerda. Digo isso porque a ânsia de se fazer justiça pelas próprias mãos acaba passando por cima de princípios éticos e do que os liberais adoram chamar de princípio de não-agressão. Ou seja, independentemente da forma como alguém chegou a ter sucesso na vida, ela deve ser forçada por alguém a dividir o que tem com os mais fracos. Normalmente esse alguém é o Estado, personificado como entidade máxima capaz de julgar esse equilíbrio.

Em um excelente artigo de João Cesar de Melo sobre justiça social, ele diz:

Quem, diante de uma favela, consegue apontar quais de seus moradores são bons filhos e quais são os bons pais, quais são os honestos e os desonestos, quais são os serenos e os violentos?

Quem, diante de um bairro nobre, consegue apontar quais de seus moradores são os bons filhos e quais são os bons pais, quais são os honestos e os desonestos, quais são os serenos e os violentos?

A partir do que alguém olha para um mendigo e afirma que seu caráter o torna merecedor de ajuda?

A partir do que alguém olha para um empresário e afirma que seu caráter o torna merecedor de repúdio?

A partir do que alguém olha para um mendigo e diz que sua pobreza é resultado da falta de oportunidade?

A partir do que alguém olha para um empresário e diz que sua riqueza não lhe exigiu esforços?

O que nenhum esquerdista é capaz de explicar (e olha que eu não conheço poucos!) é: qual o limite a ser ultrapassado para que um indivíduo ou família passe a ser considerado como “tendo mais do que precisa”? Veja só o caso do imposto sobre grandes fortunas. Pergunto a você: o que é uma grande fortuna? Você vai me dizer facilmente que o Roberto Justus possui uma grande fortuna, e nós dois vamos concordar. Mas e uma família de 4 pessoas, que mora em um sobrado grande na Zona Norte de São Paulo com 3 quartos e um grande quintal, e que possui um apartamento na Praia Grande e um terreno em um condomínio em Cotia: isso é uma grande fortuna? Provavelmente você dirá que não, mas pense com a cabeça de uma família que mora em uma favela, ou então em uma família integrante do MST. O que eles diriam?

Para todos os grandes dilemas que envolvem princípios morais, a esquerda sempre tem um argumento: precisamos ter bom senso. Oras, mas sem parâmetros, qual seria o bom senso?

O que eu tenho reparado é que há uma uniformidade no pensamento da maioria das pessoas e que fatalmente foi causado por uma enorme doutrinação educacional no nosso país. Não é à toa que as manifestações políticas recentes no país estão frequentemente fadadas ao fracasso. Há uma monopolização do pensamento esquerdista e que pouca gente percebe.

Vejam só o exemplo de polarização na política brasileira. Temos como adversários políticos um partido de esquerda, com certo viés comunista, e um partido social democrata, de centro esquerda. Temos um Fernando Henrique Cardoso vociferando quando é denominado direitista, ou neo-liberal. Isso porque ele realmente não o é (leia aqui sobre isso)! Engana-se quem ainda acredita que o PSDB é um partido de direita, e isso me assusta muito! Nem vou me estender muito aqui porque isso seria assunto para um post inteiro novo, mas essa associação é fruto de uma demência política extrema!

O problema maior de se enganar acreditando que a esquerda é quem mais luta por justiça social é exatamente depositar suas esperanças em um mundo melhor nas mãos das pessoas erradas. O discurso é extremamente bonito, as promessas são ótimas (apesar de vagas), mas as consequências são realmente terríveis. Basta você estudar um pouco a história e verá que as grandes matanças da humanidade ocorreram em consequência de um grupo esquerdista que tinha a intenção de promover um mundo melhor e mais justo. Leia sobre Pol Pot no Cambodja, ou sobre Fidel Castro e Che Guevara em Cuba, ou sobre Hitler na Alemanha, ou sobre Lenin na União Soviética, e entenderá o que estou a dizer.

Mas voltando à questão inicial, eu acredito que princípios éticos são invioláveis e, portanto, devem ser seguidos acima de qualquer coisa. Independente do seu viés político, se você não acredita nisso, você para mim não presta. Não é porque uma lei está promulgada, ou porque a constituição do seu país prega alguma coisa, que esse fator será moralmente justificado. Há na Bíblia, em Coríntios 6:12:

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.

Portanto, para mim, nada promove mais justiça social do que prover liberdade à todos para decidirem quais caminhos seguir, e permitir a todos terem acesso às suas escolhas, protegendo-os contra a agressão de quem quer que seja. Cada um deve ser livre para escolher o que fazer, mas também estar sujeito às consequências de sua escolha. Todos devem ter acesso igualitário aos meios (saúde, educação e justiça) para desenvolver suas atividades em paz. Eu não preciso tirar nada de ninguém à força para isso. Esse é meu princípio fundamental.