Posts com Tag ‘emprego’

Se você espirrar: TRABALHO!

Publicado: 20 de março de 2010 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano, Trabalho
Tags:, ,

Essa semana pensei muito em uma coisa que o Mathias me falou uma vez. Lendo esses textos que nos enviam diariamente por e-mail, sobre “fórmulas para o sucesso profissional”, ele me perguntou o que eu entendia por sucesso. Porque, para ele, sucesso nada mais é do que ganhar uma graninha por mês, que dê para sustentar a família, e que ele possa chegar em casa cedo todo dia para poder ficar com a família, tomar a cerveja dele sossegado, e mais nada. E eu passei a ver as coisas de uma forma diferente. Porque sucesso profissional para mim é isso também. Não quero ser um executivo. Nem ter um cargo de gerência. Quero trabalhar 8 horas por dia, ganhar o suficiente para manter minha casa, e poder dormir tranquilo.

Mas enfim, essa semana percebi que muita gente não pensa assim. O trabalho passou a ser, para a maioria das pessoas, uma forma de auto-flagelação. Trabalho virou sinônimo de stress, o que é algo sem sentido, como disse o Bruno Kaneoya essa semana. E ainda tem gente que considera o trabalho como a coisa mais importante da vida.

Digo isso pelos 2 exemplos que tive essa semana. O diretor de uma empresa que conheço teve uma forte dor no peito na última sexta-feira. Foi para o hospital, e por lá ficou. Até terça-feira. Teve que fazer um cateterismo. Um problema congênito no coração. E que veio à tona por conta da alta dose de stress que o cara está passando. Graças a Deus, agora está tudo bem. Mas ele voltou ao trabalho. Na quinta-feira. Menos de uma semana depois. Contra as orientações médicas. Contra a vontade da esposa. Porque a empresa precisa dele. Porque ele não PODIA ficar em casa.

E um cliente nosso também teve algo parecido. Foi ao primeiro hospital para se consultar sobre um inchaço na perna. Não queriam deixá-lo sair. Precisaria ficar internado. Mas ele saiu. Foi em outro hospital. E ouviu o mesmo diagnóstico. Teve que assinar um termo de responsabilidade para poder ir embora. Porque precisava trabalhar. A empresa não podia ficar com ele.

Então eu pergunto: saúde para quê, não é mesmo? Importante mesmo é o trabalho. Porque a empresa precisa de você. Mas e se um dia a empresa estiver mal de saúde? Será que eles acham que a empresa fará conta para demiti-los?

Eu sei que minha situação é diferente. Nenhuma pessoa depende do que eu faço no trabalho. Não tenho nenhuma vida nas minhas mãos. As únicas pessoas que podem ter suas condições sociais afetadas pelo meu trabalho são os donos das empresas (da que eu trabalho, e dos clientes dela). Então eu não dou a minha saúde pelo meu trabalho. Nem darei. Por dinheiro algum no mundo. Dou o máximo do meu empenho enquanto estou lá, mas fora, vivo a minha vida. Cuido da minha saúde (nem tão bem assim) e da minha família, e mais de nada.

A vida é um presente que recebemos. Cada dia que passa, temos um dia a menos para aproveitá-la. E trabalho realmente não é a melhor forma de se aproveitar a vida. Acho que ninguém vai discordar.

Até quando esperar?

Publicado: 2 de março de 2010 por Kzuza em Comportamento, Trabalho
Tags:,

Estava relendo alguns textos meus que escrevia na minha página do Spaces (o link está aí do lado), e me deparei com um que acho bem bacana, e resolvi postar aqui também:

Já escrevi várias vezes nesse espaço sobre a mania que o brasileiro tem de reclamar das coisas. Reclama do governo, reclama do seu trabalho, reclama da corrupção, reclama até quando as coisas estão bem demais.

Acho que finalmente cheguei à uma conclusão sobre isso. Somos o que somos por esperar demais que as coisas caiam no nosso colo. Esperamos demais que nossos problemas se resolvam, que ganhemos dinheiro de forma inesperada, que o governo faça algo por nós.

Fico pensando se é o nosso sistema de ensino somente que está falido, ou se são as pessoas que estão condicionadas a não aprender (ou não querer aprender). As pessoas esperam que a escola ensine algo aos seus filhos, e as crianças esperam que o conhecimento seja colocado dentro de suas cabeças, como em um passe de mágica. Não são somente bons professores e uma boa infra-estrutura que formam bons alunos. Bons alunos são aqueles que aprendem porque querem aprender, e não somente porque a escola lhes proporciona boas condições.

Infelizmente, o que diferencia uma USP de uma universidade particular não são somente seus mestres e o seu poder econômico. A diferença se faz pelos seus alunos. Aqueles que estudam lá fizeram por merecer, se esforçaram, estudaram demais para conseguir passar por um dos vestibulares mais difíceis do país. Na sua maioria, universitários que optaram por estudar em faculdades particulares o fizeram por preferir algo mais fácil, por optar somente por ter um curso superior, sem se preocupar se vão aprender algo ou não. Esses últimos, em sua maioria, não estudam para aprender, para crescer, para serem pessoas melhores. Estudam somente para esperarem, posteriormente, que uma boa oportunidade de emprego apareça somente porque possuem um curso superior, mesmo que não tenham conhecimento algum. Os professores de faculdades privadas, estas que muitas vezes possuem inclusive uma infra-estrutura bem melhor do que as sucateadas universidades públicas do nosso país, ironicamente também lecionam nas públicas. Então, qual a diferença?

Existe uma frase célebre de John Kennedy, quando ele disse Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer por seu país. Aqui, o que pouco vemos é justamente essa mentalidade. Nós esperamos que o governo ajude a população carente, que o governo ofereça um ensino melhor, melhores condições de emprego, um salário mínimo maior, esperamos que o governo seja menos corrupto. No entanto, ninguém analisa de fato se o governo já não está fazendo isso. E isso ocorre justamente porque temos medo de ver que quem não está fazendo sua parte somos nós mesmos.

Concordo que os problemas estão aí aos montes e estamos longe de situações ideais quanto aos serviços públicos, mas a pergunta que fica é se estamos fazendo mesmo nossa parte. Eu, particularmente, acho que não.

Quem luta, quem vai atrás, quem trabalha decentemente, quem se esforça, sempre consegue o que quer. Dependa menos dos outros, e mais de você. Seja mais egoísta nesse ponto. Esforce-se, aja por conta própria. Trabalhe, mostre serviço, seja o melhor, sem esperar que o seu chefe lhe dê um aumento porque você está há tanto tempo na empresa. Mostre a todos que você merece, que você é o melhor. A gente é condicionado a ter medo de ser certo, de ser o melhor, de ser inteligente, de estudar muito. E aí, meus caros, a culpa é nossa mesmo, e de mais ninguém.

Pare de esperar. Faça acontecer.