Posts com Tag ‘dinheiro’

Vida sofrida

Publicado: 13 de outubro de 2011 por Kzuza em Comportamento
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Bem, primeiramente, queria pedir desculpas aos 3 ou 4 leitores assíduos do blog que vêm reclamando da falta de posts novos. Ultimamente tenho tido várias idéias, alguma inspiração, mas muito pouca empolgação pra escrever. Prometo tentar melhorar.

Mas é que ouvi um negócio semana passada e decidi que precisava escrever aqui.

Houve uma discussão amigável entre colegas de trabalho sobre quem estava há mais tempo sem tirar férias. Um dizendo que nos últimos 9 anos teve somente 10 dias de férias, outro dizendo que estava há 3 anos sem folga, outro dizendo que sequer sabia o que eram 30 dias consecutivos de férias, blábláblá…

Lembrei-me também de outros casos similares os quais já presenciei. Gente que se vangloria por sair cada vez mais tarde do trabalho. Pessoas comentando: “O que? Você acha que às 19h eu já estou em casa? Imagina! A essa hora estou começando a trabalhar!”. Como se tudo isso fosse a coisa mais normal do mundo.

E aqueles que parecem sentir prazer ao ficar doente? Para poder falar para os outros o quanto estão sofrendo. Hospitais, remédios, dores lancinantes. E aí você comenta que teve uma dor de cabeça e ele comenta: “Dor de cabeça? Você não sabe o que é dor de cabeça! Eu tenho enxaquecas fortíssimas que me deixam um dia inteiro de molho! Preciso ficar em um quarto escuro sem contato com ninguém!”.

Ah, tem também aquele tipo de gente que quando você comenta que tirava notas boas na escola, logo emenda: “Ah, não, eu sempre fui um lixo. Sempre fiquei de recuperação, tirava notas sofríveis, blábláblá…”.

Porra!

Será que só eu tenho prazer em dizer que eu saio às 18h do trabalho quase todo dia? Que consigo tirar férias do trabalho (por mais curto que seja o tempo) quase todo ano? Que odeio ficar doente? Ou que cheguei a me formar na faculdade sem nunca ter ficado de recuperação ou exame?

Sério, esse negócio de gostar de sofrer e mostrar isso para os outros não é comigo não. Eu teria vergonha em dizer que fui um escravo das empresas para as quais trabalhei durante tanto tempo. Até entendo que muita gente nem tem escolha e acaba sofrendo mesmo, mas fazer disso um esporte é foda.

Para sacudir a poeira

Publicado: 15 de março de 2011 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Ontem meu amigo André (Casão) postou no seu perfil do Twitter um negócio interessante: Devemos promover um debate mundial para acabar com a energia nuclear e encontrar maneiras de criar energia limpa. Isso principalmente devido aos recentes acontecimentos no Japão.

Meu também amigo Bruno Kaneoya postou uma outra frase interessante: O dinheiro é um péssimo substituto do respeito. Não sei, mas acho que também tem relação com os acontecimentos no Japão, já que o Bruno tem muitos parentes por lá e mais do que ninguém sabe o que eles estão passando.

Mas o que as duas frases tem a ver, catso?

Bem, vamos aos fatos. Propor o fim da energia nuclear é tão utópico quanto achar que o Corinthians será campeão da Libertadores. E não é porque não existem formas muito mais “limpas” para geração de energia. Não é porque o homem ainda não descobriu nada melhor. E não é porque o homem não sabe como viver em paz com o meio-ambiente.

Concordo com a frase do Bruno, mas acho que ainda há muito mais. O dinheiro é um péssimo substituto para tudo. E, infelizmente, é para isso que o homem vive. Eu, você, e todo mundo que você conhece, salvo as raras exceções que devem viver em alguma montanha isolada no Tibet.

Não seja hipócrita em acreditar que a felicidade de uma nação não está ligada ao poder e ao dinheiro, porque está. Estão pouco se fodendo para você com seu carro elétrico, ou com suas lâmpadas fluorescentes que consomem menos energia, ou com seu etanol que polui menos, ou com seu banho curto. Estão se lixando se a água limpa irá acabar em pouco tempo. Estão cagando se os bichinhos peludinhos que você protege irão acabar em breve, ou se existem japoneses protegendo as baleias que estão sendo caçadas. Não querem saber se estão desmatando a Amazônia de forma descontrolada, ou se vazou milhões de litros de petróleo no oceano.

É sério, você acha que se o homem não quisesse acabar com tudo isso de ruim, ele já não tinha feito?

O problema, meus caros, não é encontrar alternativas. Essas existem aos montes. O difícil é convencer o homem a abrir mão do poder e do dinheiro para salvar o que quer que seja.

Por que o homem cria armas? Para proteger o seu poder, o seu dinheiro, a sua terra. E de que isso vale?

Sei que é uma visão apocalíptica da coisa, mas infelizmente é assim.

Escolas que salvam

Publicado: 19 de maio de 2010 por Kzuza em Comportamento, Geral
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Depois de um ano e meio lecionando para o ensino médio em uma escola particular, destinada a clientes alunos de classe média-alta; depois de conviver com pessoas de classe média-alta que matriculam seus filhos em escolas caríssimas; depois de observar o comportamento dos meus primos e seus amigos adolescentes; depois de analisar os bandos de adolescentes de classe média que circulam por shoppings e por ruas de São Paulo e região; depois de tudo isso, cheguei à algumas conclusões.

Descobri que a classe média é uma bosta. Que o dinheiro faz a maioria das pessoas pensar que pode comprar tudo. Comprar inclusive a educação dos filhos. Porque os pais delegam à escola as suas obrigações. Os pais de hoje são os avós da minha época, que deixavam as crianças fazer o que queriam. Para que depois a escola cuide. Eduque. E faça do seu filho um gênio. Um profissional de sucesso. Um cara que vá ganhar muito dinheiro, para fazer a mesma coisa com o filho dele.

Porque nossos adolescentes de classe média são alienados. Vivem em um universo paralelo, sem parâmetros. E você, caro amigo de 30 e poucos anos, será obrigado a trabalhar com esse tipo de gente daqui a pouco tempo. E enfrentará birras, burrices e alienações durante todo o tempo.

E os pais de classe média são otários. Acham que livros ensinam a educar os filhos. Acham que psicólogos salvam vidas. E acham que escolas formam adultos de sucesso.

Bons profissionais e boas pessoas não são feitos de dinheiro, muito menos de escolas boas. Esses caras são formados em bons lares, em boas famílias. Não precisam de dinheiro somente para se destacarem. E as escolas são só complementos. Porque princípios éticos e morais vem de dentro de casa, vem dos pais. E quanto mais os pais são medíocres, mais os filhos são medíocres.

O dinheiro aliena os fracos de cabeça, e propaga a alienação para as suas gerações futuras.