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Uma legião de imbecis

Publicado: 24 de fevereiro de 2016 por Kzuza em Política
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Ontem à noite rolou a propaganda eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Omiti propositalmente o “gratuita” já que, tendo em vista os últimos resultados da operação Lava-Jato, duvido muito que tenha saído de graça.

Como vem se tornando comum nos últimos tempos, muitas pessoas protestaram durante o programa, que contou com a ilustre presença do ex-presidente Lula. As formas mais comuns de manifestação foram as luzes piscando nas casas e o já quase tradicional panelaço.

O fato é que diante do atual cenário nacional e das crises econômica e política instauradas, o povo anda meio puto da vida. Tenho comigo uma teoria: o brasileiro é um povo pacato, inocente e tolerante demais; a gente suporta roubalheira, tolera incompetência e pouco se importa com posições políticas, mas quando a inflação e o desemprego crescem de maneira absurda, aí brasileiro resolve ficar macho!

E é meio óbvio que essa raiva recaia sobre o presidente do país e seus aliados. Sempre foi assim. A gente sempre reclamou, de Sarney à FHC, e depois da dupla Lula e Dilma. Mas enquanto não metiam (diretamente) a mão no nosso bolso, enquanto a inflação estava controlada e o desemprego era moderado, a gente até conseguia viver em paz.

O problema maior é que o atual governo, que na verdade é o mesmo há 13 anos, meteu tanto os pés pelas mãos que agora está todo mundo apavorado. E aí nego vai reclamar de tudo quanto é jeito mesmo. A roubalheira foi tão escancarada que não há como defender o atual governo. Não há mais nem sequer o discurso de “governar para os pobres”, porque da mesma forma como os pobres “conquistaram” muitas coisas graças ao PT, isso tudo está indo embora, com a mesma velocidade.

Agora quer ver uma coisa que me deixa inquieto de verdade? Povo chato.

O governo fode com a vida do cidadão, atola o país em crise, mete a mão no dinheiro do povo, estraçalha com a economia e o cara diz que tem “vergonha alheia” de quem bate panela ou pisca a luz durante o horário político do PT. Sério?

É esse mesmo povo que reclama do nome da última fase da operação Lava-Jato (“acarajé”), por não respeitar as religiões africanas, mas está pouco se importando com o real objetivo da operação, que é prender bandido.

Li por aí que o brasileiro não sabe o que é democracia, porque bate panela na hora do horário político do adversário para não escutar o que ele quer dizer. Sério, há muita coisa que é melhor nem ouvir mesmo.

Gente tem vergonha alheia do grupo que faz dancinha ensaiada no protesto pedindo impeachment, mas não sente vergonha ao ver o governo gastando rios de dinheiro com cafés da manhã luxuosos, suítes presidenciais em hotéis 5 estrelas ou vôos em classe executiva.

Ou seja, tem muita gente mais preocupada com a forma de se manifestar do que propriamente com o motivo pelo qual estão protestando. Olavo de Carvalho que o diga. Enquanto o povo fica discutindo qual tipo de protesto é legal ou inteligente, ou qual é o jeito certo de incomodar o governo, eles continuam cagando na cabeça de todos nós.


Adendo: eu não bato panela nem pisco a luz do meu apartamento, mas apoio quem o faz (pela causa, não pela forma). Acho ridícula a coreografia do grupo de verde e amarelo nas manifestações, fazendo uma dança bizarra pra chamar a atenção. Mas se é por uma causa justa, tem meu apoio. Mas então, qual seria minha forma predileta de protesto? Eu não teria coragem, mas não seria uma má ideia um grupo de vingadores cabra-macho surgindo na calada da noite, matando e esquartejando um político corrupto por semana. Não daria um mês para que a mentalidade começasse a mudar.

 

A justificativa pelo retrocesso

Publicado: 17 de setembro de 2015 por Kzuza em Economia, Política
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A crise política e econômica pela qual o nosso país está passando é tão grave que hoje não há um ser humano que eu conheça capaz de defender o atual governo federal.

Mesmo assim, tenho lido uma série de absurdos nos últimos dias que me fazem pensar se as pessoas são desonestas por natureza, ou se ainda há tanta gente desacreditada assim no mundo

Eu sou o tipo de cara que acredita que precisa ser um homem melhor hoje do que eu fui ontem. Vivo em constantes mudanças e adaptações, sempre andando para a frente. Pequenas conquistas, pequenos gestos diferentes, sempre procurando evoluir. Não sou hoje o que eu era há 10 anos atrás. Acho que a maior parte das pessoas pensam igual. Se um dia eu voltar a ser como eu era há 10 anos atrás, eu irei morrer de vergonha. Será uma grande derrota para mim. Afinal, eu batalhei para chegar onde cheguei hoje. Não aceito retroceder.

O problema é que eu vejo ainda muita gente tentando justificar a fase pela qual passamos comparando nosso momento com momentos de um passado negro. Veja bem, como eu disse, não conheço ninguém que consiga defender o atual governo petista, mas conheço muita gente tentando justificar o que eles fazem.

Se a Dilma e sua equipe resolvem recriar a CPMF, imposto que o próprio PT lutou para extinguir, um monte de gente aparece para dizer que o próprio FHC foi quem criou tal imposto (como se na época ninguém tivesse reclamado). Se o partido se afunda em escândalos de corrupção, prontamente justifica-se que a corrupção sempre existiu no país. Se a nota de bom pagador do país é rebaixada pela Standard & Poors, surgem aqueles que dizem que foi o próprio governo do PT quem havia colocado país nesse ranking e que isso não vale de nada. Se a inflação sobe a cada mês, isso é relativizado porque inflação alta mesmo era na época antes do Plano Real, então não devemos reclamar.

Podem apostar que se os cortes do Bolsa Família começarem a afetar os beneficiados, surgirão vários defensores dizendo: “Ah, mas antes do PT nem existia Bolsa Família!”. Ou seja, não importa se estamos andando para trás, desde que não cheguemos nos períodos mais negros da nossa história.

Fico pensando: será que todos os retrocessos que tivemos no governo Dilma podem ser justificados pelo simples fato de que não estamos tão mal (há controvérsias!) quanto estávamos na época de FHC ou da ditadura militar, mesmo que estejamos infinitamente piores que no início do primeiro governo da presidAnta?

Tenho a impressão de que, se depois de 16 anos no poder, o PT deixar o poder e largar o país na mesma situação que estava ao término do governo FHC (mesma inflação, mesmo valor do dólar, mesmo IDH, mesma posição no ranking mundial de educação, etc.), eles irão se vangloriar disso! Se isso não é assumir o fracasso, não faço ideia do que seja.

Até que a sorte nos separe? Ou: A História do Brasil do PT

Publicado: 2 de junho de 2015 por Kzuza em Economia
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Você já assistiu ao filme “Até que a Sorte nos Separe”? Na história, Tino e Jane ganham um prêmio na loteria de R$100 milhões de reais. Após 16 anos torrando o dinheiro loucamente em extravagâncias, o dinheiro acaba e eles passam por dificuldades. Precisam ajustar suas contas, parar de gastar, vender uma série de coisas que tinham comprado…. enfim, precisam mudar de estilo de vida totalmente! Tudo isso porque eles apenas gastaram o dinheiro, e não investiram nem guardaram nada.

Fazendo um paralelo com a história recente do Brasil, é mais ou menos o que aconteceu com os 12 últimos anos do governo petista. Não faz sentido? Lula recebeu um país ajustado economicamente das mãos do seu antecessor, FHC. A maré estava boa, o mercado de commodities em alta… E Lula sempre foi um cara populista. Sempre se identificou com o povo, principalmente pela sua origem humilde e sua história de luta ao lado dos trabalhadores. E ele definitivamente não é um cara burro: sabia que para continuar em alta com o “povão”, precisava fazer a alegria deles, agora que tinha sido alçado ao poder. E ele fez o mesmo que Tino fez no filme com seus filhos: ele os cobriu de bens, distribuiu dinheiro a rodo, investiu no bem-estar social, incluiu o pobre na sociedade definitivamente.

Mas assim como Tino, Lula não deu a mínima importância para a origem do dinheiro necessário para satisfazer as necessidades de seus súditos. Enquanto o cofrinho estava cheio, usou e abusou para comprar deliberadamente apoio de todos ao seu redor para perpetuar no poder. Deu certo. Conseguiu eleger e reeleger Dilma Roussef que, assim como seu antecessor, continuou a gastar dinheiro a rodo para enriquecer seus amigos e distribuir migalhas aos pobres, seus amigos necessários para mantê-los no poder (lembram-se, no filme, quando Tino pagava cerveja e fichas de sinuca para seus amigos no boteco?).

Enfim, chegamos a 2015, ano de início do segundo mandato de Dilma. E o que aconteceu? A grana acabou, meu caro. A abundância deu lugar à escassez. A fonte secou. Secada a fonte, chegou a hora de apertar os cintos. É o tal ajuste fiscal de Joaquim Levy. É o governo cortando gastos (quando corta) e aumentando impostos. Precisam se equilibrar, pois estão quebrados.

A diferença básica entre Tino e Dilma é que Tino não tinha de onde tirar mais dinheiro. Precisou pedir um empréstimo a um tio rico de Jane. Já Dilma tem ao seu lado a máquina do Estado e um exército de 200 milhões de contribuintes. Basta, através da coerção, fazê-los pagar mais impostos que o seu caixa aumenta. E não havia dúvidas que isso seria feito, assim que a situação começasse a ficar difícil.

Hoje, a população mais pobre paga essa conta. Desemprego e inflação em alta, redução de benefícios sociais, cortes de gastos na educação, etc. E todos se perguntam: o que aconteceu? É igualzinho ao filho de Tino, no filme, quando ele pergunta para o moleque quanto custa o sorvete: “Ué, pai? Você nunca perguntou quanto custa nada? Vai regular agora?”.

É a vida imitando a arte…

A canalhice sem limites

Publicado: 13 de março de 2015 por Kzuza em Política
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Estamos próximos de um dia que pode vir a mudar o rumo da história desse país. No dia 15 de Março, em várias cidades brasileiras, ocorrerá uma manifestação popular contra o governo petista e pedindo o impeachment da presidAnta Dilma.

Ainda tem quem considere o pedido de impeachment como um golpe ou um oportunismo da direita. Então, para não deixar dúvidas, deixo com vocês aqui um texto inconstestável de Arthur Dutra para o site Crítica Política, onde ele explica alguns (vários) fundamentos jurídicos para o pedido de impeachment. Em resumo:

  • Dilma atenta contra o livre exercício do poder legislativo por subornar, através do Petrolão, políticos da base aliada em troca de apoio político;
  • Dilma atenta contra a existência da União ao submeter o país a uma organização estrangeira (Foro de São Paulo);
  • Dilma atenta contra a segurança interna do país ao financiar e apoiar as atitudes criminosas do MST contra a propriedade privada;
  • Dilma atenta contra a probidade administrativa, ao não se responsabilizar por seus subordinados quando os mesmos cometem delitos funcionais ou praticam atos contra a Constituição (ou o famoso “Eu não sabia de nada”).

Eu gostaria de acrescentar outros dois pontos aqui:

  • Dilma atentou contra a Lei Orçamentária no ano passado, quando estourou o orçamento e causou um rombo bilionário nas contas públicas. A manobra do governo, na época, foi de modificar a lei para não incorrer em crime de responsabilidade fiscal. Para isso, condicionou um repasse maior de verbas para os parlamentares à aprovação da mudança da lei pelo Congresso.
  • Dilma também admitiu crime de prevaricação ao não aplicar a lei anticorrupção no caso da Petrobrás, além de assumir culpa ao dizer que isso começou na época do governo FHC (embora os depoimentos de Pedro Barusco vão de encontro a isso) e que deveria ser investigado lá atrás. Ou seja, durante 12 anos de mandato, o PT também não fez nada para investigar por quê?

Mesmo assim, há quem ainda não defenda a saída do partido do poder, embora não consiga mencionar um, apenas um motivo para apoiar o atual governo sem cair nas falácias que eu já mencionei aqui. Meu desafio continua mantido.

Ontem mesmo Ricardo Chapola publicou um texto no Estadão criticando quem pede o impeachment, mas não sem cair em uma das falácias que eu mencionei. A opinião dele é, infelizmente, a mesma opinião que pude observar em alguns amigos meus: a reforma política é mais importante que o impeachment.

Bem, então cabe a mim fazer uma outra pergunta: como é possível aprovar uma reforma política em um país dominado por um governo totalitário? É como pedir liberdade para um ditador. Não acredito que Ricardo Chapola (que eu não faço ideia de quem seja) seja um cara inocente ou ignorante, então acho que ele é vigarista mesmo. Querer que alguém acredite ser possível o PT aprovar uma reforma política que possa, de alguma forma, enfraquecer o seu projeto de poder totalitário é a mesma coisa do Gugu querer que nós acreditemos no arrependimento de Suzane von Richtofen.

Se você conseguir me responder à pergunta em negrito acima de forma convincente, sem usar de falácias, eu juro que desisto de ir às ruas domingo.

Pau que bate em Chico não bate em Francisco?

Publicado: 11 de março de 2015 por Kzuza em Política
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A crise sem precedentes da política brasileira abriu também, embora com muito atraso, espaço para discussões políticas abertas entre os cidadãos comuns. Gente que até então pouco se importava com política passou a acompanhar mais, a estudar mais, a se informar mais, e finalmente defender suas posições. É claro que nem todo mundo é assim e continua agindo seguindo a manada, mas felizmente o povo começou a acordar.

Eu acho bacana quem tem suas convicções políticas e consegue defendê-las acima de tudo. A única coisa que me incomoda é gente vigarista e canalha. Aí realmente não dá para ter paciência.

Veja só. Com todas as trapalhadas que o governo petista tem praticado nos últimos 12 anos no país, atualmente é quase impossível encontrar alguém que consiga defender a presidAnta Dilma quando ela abre a boca para falar suas besteiras. Nenhum cidadão de bem, que não receba nenhum centavo do governo para se posicionar a favor dele, é capaz de aceitar o posicionamento da presidAnta após as eleições. Veja bem: NINGUÉM! Com exceção dos militantes pagos pelo PT e todos os demais artistas e intelectuais financiados pelo governo, nenhuma pessoa de bem é capaz de dizer: Concordo com as ações que a presidAnta tem tomado desde que venceu as eleições.

Mas é aí que aparecem os vigaristas e canalhas.

Como ninguém é capaz de defender a atual gestão, mas não querem dar o braço a torcer e assumir que suas convicções políticas não deram certo e fracassaram, elegem então outros espantalhos para atacar, tentando assim desviar as atenções do que é principal.

Abaixo listo uma série de argumentos usados pelos canalhas:


1 – A corrupção não foi inventada pelo PT

É claro que não, caro amigo imbecil! Ninguém nunca disse isso! Mas o homicídio também não foi inventado pelo Alexandre Nardone e nem por isso ele tem direito a jogar a filha pela janela do apartamento. E também a sociedade toda tem direito de se indignar com isso.

A corrupção foi institucionalizada pelo PT. A compra de apoio político através de propina paga através primeiro do mensalão, e agora através do petrolão, é inédita na história brasileira. O assalto escancarado aos cofres da Petrobrás para atender a interesses políticos também. A compra de votos através de medidas populistas, travestidas de programas sociais, que somente mantém os pobres na pobreza, também. A instauração de militância política paga para abafar e sufocar a oposição também.


2 – A população é manipulada pela mídia golpista e acredita em tudo o que vê na TV

Primeiro, acho que generalizar é uma forma ofender boa parte da camada pensante da população. Dá a impressão de que ninguém consegue pensar e discernir o que é fato e o que é mentira, a não ser os canalhas que se utilizam desse argumento.

Em segundo lugar, acho que depois de tantas evidências sentidas no dia-a-dia do povo, fica difícil não acreditar quando a mídia noticia a alta do dólar, o baixo crescimento da economia, o aumento do desemprego, o aumento no preço do combustível e da energia, etc. Está aí para quem quiser provar.


3 – Protestar contra o governo é coisa das elites e dos coxinhas

Sim, porque eles não fazem parte do povo. Somente quem é pobre tem legitimidade ao reclamar. Se eles não reclamam, é sinal de que está tudo bem. A classe média não trabalha, não paga impostos, tem comida na mesa todo dia, então não é válido protestar. Ela não representa o povo!

Soa incoerente ou não?

Você, canalha, talvez me pergunte: Então por que só a classe média protesta? Em primeiro lugar, isso é outra vigarice sua, pois a mesma presidAnta foi vaiada ontem em um evento da construção civil em São Paulo pelas pessoas que trabalhavam no local (“acho” que não haviam ricos por lá…. mas só “acho”). Em segundo lugar, em um país onde a educação é precária há décadas por culpa de todos os péssimos governos que tivemos, seria natural que somente uma parte mais esclarecida da população fosse capaz de se organizar para protestar. O que não necessariamente quer dizer que somente uma pequena parte apoia isso.

(Leia um artigo interessante sobre isso aqui)


4 – São Paulo enfrenta uma crise hídrica e ninguém bate no governador incompetente

A presidAnta vem à público em rede nacional dar um pronunciamento e usa como argumento a falta de chuvas para o aumento no preço da energia elétrica, visto que as hidrelétricas estão operando abaixo da sua capacidade porque o nível dos reservatórios está baixo. O uso das termoelétricas, mais caro, é necessário nesse caso.

Enfim, a culpa é da falta de chuva ou da incompetência do governo? Daria para ser um pouco mais coerente?


5 – A mídia não fala de helicóptero cheio de cocaína, do cartel do metrô de São Paulo e nem da fraude do HSBC

Dessa vez, citei somente 3 dos espantalhos preferidos pelos canalhas.

É óbvio que os 3 casos precisam ser investigados a fundo e os eventuais culpados devem ser punidos. Mas você realmente acha que o impacto dos 3 casos acima citados na vida do cidadão comum é realmente maior do que a alta da inflação, ou do que o aumento do desemprego, ou do que a recessão econômica? Você acha que o impacto nas contas públicas nos casos do metrô paulista ou do HSBC são maiores do que o da Petrobrás, por exemplo, onde um único diretor já se propôs a devolver quase $100 milhões desviados?

Parece-me coerente o povo ser mais sensível a um acidente aéreo que mata 300 pessoas do que a um acidente automobilístico que mata 1 só.


6 – De que adianta tirar o PT do poder se quem vai assumir é pior

Que fosse o Lucifer associado ao Belzebu! É dever moral de qualquer pessoa de bem exigir a mudança. Julgar por antecipação o que está por vir com uma eventual saída da nossa presidAnta do poder é moralmente desonesto! Nem eu, nem você, nem ninguém é capaz de saber se as coisas serão piores do que são hoje. Você pode até acreditar que não será melhor (embora eu esteja convicto que não há como ser pior), mas exigir a mudança é necessário.

Justificar os crimes do partido pelo fato de que “os outros fariam igual” é totalmente desonesto. É vigarice!


7 – Essas manifestações não representam nada. Não ouvi panelaço! As marchas reúnem um pequeno número de pessoas!

Conhecendo o histórico passivo do brasileiro médio, você sinceramente acha insignificante 12 capitais brasileiras terem registrado manifestações contra a presidAnta no último pronunciamento? Você realmente acredita que o crescimento de movimentos organizados independentes como o MBL e o Vem pra Rua não representa nenhum avanço em relação a um povo que sequer se preocupava com política anos atrás?


8 – O Alckmin é um péssimo governador e ninguém pede a saída dele!

Há, na minha cabeça (mas pode ser somente presunção minha), uma diferença enorme entre incompetência e criminalidade. Nem todo ser incompetente é criminoso, assim como nem todo criminoso é incompetente. Só que para mim, cometer crimes é muito mais grave do que ser meramente um ser incompetente.

O que o PT tem feito com o país nos últimos anos é criminoso, por vários aspectos. Nem vou me estender aqui. Somente mencionar que o partido submete-se a uma organização internacional (Foro de São Paulo), atendendo a seus interesses, e que mantém organização paramilitar (convocada por Lula como o “Exército de Stédile”). Esses dois fatores já seriam suficientes para que o partido fosse extinto, conforme leis do Tribunal Superior Eleitoral. E nem seria necessário, portanto, mencionar a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal no último ano pela presidAnta, o que já seria suficiente para o seu impeachment. Isso tudo é crime, meu amigo, e não somente má gestão. Deu para entender o grau de gravidade ou quer que eu desenhe?


E se você, caro leitor, apoia o atual governo, eu lhe desafio a comentar o post aqui nesse blog, com os seus argumentos para isso. Mas não vale usar nenhuma das 8 falácias que eu descrevi acima, nem suas variações. Ficou claro?

O estelionato eleitoral de Dilma

Publicado: 23 de janeiro de 2015 por Kzuza em Política
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dilma-15Conheço uma porção de gente que não votou em Dilma Rousseff nas eleições passadas mas que, após os resultados das urnas, apressou-se em dizer: “Ah, mas eu espero que ela faça um bom mandato”. Sempre achei isso completamente incoerente. Como assim “espero” que ela faça um bom mandato? Se você esperasse isso mesmo, não faria sentido ter votado nela? Fiz, na época, um comparativo com o futebol. Soltar uma frase dessas era como um torcedor sãopaulino que esperava que o Paulo Miranda fizesse um bom jogo. Oras, todos sabemos que o Paulo Miranda é um mau jogador, então faz sentido esperar algo diferente dele a não ser jogadas bizarras? Não, como torcedores, nós “torcemos” por algo, por mais improvável que seja. E foi isso que aconteceu no período pós-eleições com essas pessoas aí.

Enfim, o segundo mandato mal começou (a posse foi há exatos 23 dias) e a presidente se vê diante de uma das maiores crises do país. Para quem não acreditava que isso fosse possível, está aí cada vez mais claro o resultado de 12 anos de uma administração desastrosa.

Agora me pego a pensar se essas pessoas que não votaram nela, mas que “esperavam” uma boa administração, estão tão ou mais decepcionadas do que aqueles que votaram na presidente. Talvez a diferença entre esses dois grupos seja que o segundo certamente ainda vai dizer: “Mas com Aécio seria pior”. Sim, infelizmente essa é a única possibilidade na qual alguns se seguram agora: acreditar que fizeram o menos pior para o país. Isso é bastante perigoso, se é que você consegue me entender. Não assumir a responsabilidade pela sua própria decisão e, mentalmente, criar uma hipótese de que teria sido pior tomar um caminho oposto é, na verdade, desonestidade moral.

A estratégia de marketing do Partido dos Trabalhadores está clara agora, só não vê quem não quer. Ataques vêm de todos os lados, dentro do próprio partido, para cima da presidente. Até a revista Carta Capital dessa semana entrou na onda:

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Não conseguiu entender? Eu explico o fogo amigo. Se as medidas tomadas pelo governo nesses 23 dias (aumento na carga tributária, redução de direitos trabalhistas, aumento nos juros, energia elétrica e combustíveis, etc.) não derem resultado, vão botar na bunda de Joaquim Levy e de Dilma Rousseff, preparando o retorno do barbudo em 2019. Caso contrário, caso consigam reverter a recessão através das tais medidas impopulares, o próprio partido se auto declamará o salvador da pátria. (Qualquer semelhança com as profecias feitas por George Orwell em 1984 são mera coincidência.)

A ignorância é mesmo uma bênção?

Publicado: 18 de dezembro de 2014 por Kzuza em Política
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Sempre ouvi (e sou adepto!) que a ignorância é uma bênção. Os ignorantes não sofrem, dizem alguns.

Mas essa semana conversei um pouco a respeito desse assunto e cheguei à conclusão que, em alguns casos, a ignorância não é tão abençoada assim…

Graça Foster, presidente da Petrobrás, foi personagem dos noticiários essa semana por conta dos escândalos de corrupção denunciados na empresa. Segundo alguns e-mails interceptados, a ex-funcionária Venina da Fonseca havia tentado alertar a presidente sobre os casos de corrupção que estavam acontecendo na empresa. Como podemos ver atualmente, nada foi feito e tudo veio à tona por conta de uma investigação da Polícia Federal. Agora Graça Foster afirma que não sabia de nada do que estava acontecendo e que nem sequer foi checar as informações passadas por Venina. Em outras palavras: bilhões de reais são desviados das contas da empresa a qual ela preside e ela jamais soube de nada.

Isso me lembra bem o caso do Mensalão. Na época (e até hoje), o ex-presidente Lula afirmava categoricamente não saber de nada do que se passava entre o Palácio da Alvorada e o Congresso Federal, onde negociações de compra de votos dos parlamentares corriam soltas debaixo do seu próprio nariz. Nem mesmo a presença de membros da cúpula do Partido dos Trabalhadores, companheiros de longa data de Lula, fez com que o ex-presidente tomasse conhecimento do que acontecia.

Dilma Roussef, atual presidente da república e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás na época da compra da refinaria de Pasadena, também alegou ter sido enganada por pareceres técnicos falsos para aprovar a compra da refinaria por X vezes mais do que ela realmente valia. Ou seja, também foi ignorante.

Oras, vamos partir então da premissa que os 3 realmente estejam dizendo a verdade. Vamos dizer que os 3 realmente sejam ignorantes. Você acha que realmente isso faz deles inocentes?

Para facilitar, vou deixar para vocês um trecho do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, da editora Círculo do Livro.

Aqueles que pensam que os regimes comunistas da Europa central são obra exclusiva de criminosos deixam na sombra uma verdade fundamental: os regimes comunistas não foram feitos por criminosos, mas por entusiastas convencidos de terem descoberto o único caminho para o paraíso. Defendiam corajosamente esse caminho, executando, por isso, centenas de pessoas. Mais tarde ficou claro como o dia que o paraíso não existia, e que, portanto, os entusiastas eram assassinos.

Assim todos acusavam os comunistas: vocês são os responsáveis pelas desgraças do país (que está pobre e arruinado), pela perda de sua independência (caiu sob a tutela dos russos), pelos assassinatos judiciários.

Os acusados respondiam: “Não sabíamos! Fomos enganados! Acreditávamos. Somos inocentes, do fundo do coração!”

O debate conduzia a essa pergunta: seria verdade que não sabiam? Ou apenas fingiam não saber?

Todos acompanhavam esse debate (como dez milhões de tchecos), e acreditavam que haveria certamente entre os comunistas alguns que não eram assim tão ignorantes (deviam pelo menos ter ouvido falar dos horrores que tinha acontecido, e que não paravam de acontecer na Rússia pós-revolucionária). Mas é provável que a maior parte deles não soubesse de nada.

E ele dizia para si mesmo que o problema fundamental não era: sabiam ou não sabiam? Mas: seriam inocentes apenas porque não sabiam? Um imbecil sentado no trono estaria isento de toda a responsabilidade somente pelo fato de ser um imbecil?

Vamos admitir que o procurador tcheco que pedia, no começo dos anos 50, a pena de morte para um inocente tivesse sido enganado pela polícia secreta russa e pelo governo do seu país. Mas agora sabemos que as acusações eram absurdas e que os condenados eram inocentes, como podemos admitir que o mesmo procurador defenda sua pureza de alma batendo no peito e dizendo: “Minha consciência está limpa, eu não sabia, eu acreditei!” Não é precisamente no seu “Eu não sabia! Eu acreditei!” que reside sua falta irreparável?

Nesse ponto Tomas se lembrou da história de Édipo. Édipo não sabia que dormia com sua própria mãe, e, no entanto, quando compreendeu o que tinha acontecido, nem por isso se sentiu inocente. Não pôde suportar a visão da infelicidade provocada por sua ignorância, furou os olhos e, cego para sempre, partiu de Tebas.

Tomas ouvia o grito dos comunistas que defendiam sua pureza de alma, e dizia a si próprio: “Por causa de sua inconsciência o país talvez tenha perdido séculos de liberdade. Mesmo assim vocês gritam que se sentem inocentes? Como podem ainda olhar em torno de si mesmos? Como?! Não estão espantados? Vocês não enxergam? Se tivessem olhos deveriam furá-los e deixar Tebas!”