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“Sou muito legal, um cara bacana,
comendo folha de alface, pedalando nas ruas paulistanas!”

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A rima não é boa mas a “novidade” em Sampa sim! … são as ciclofaixas.

Os engajados em melhorar o mundo na pedalada ovulam ao passar por cima das ciclofaixas pintadas nas principais vias da cidade, excelente para passeios de domingo com a criançada.

Mas e o dia-a-dia?
Ciclofaixas merecem prioridade na política de mobilidade urbana?
A maioria das pessoas tem como usufruir da oferta?
E a última, qual o perfil dos principais beneficiados?

Os principais beneficiados usam bikes descoladas – de preferência aquelas dobráveis, ecologicamente sustentáveis – capacete, óculos escuro, par de luvinha de neoprene, squeeze com isotônico gelado e mochila nas costas. E assim vai o virtuoso pedalando, apreciando o ensolarado céu de Sampa, ao trabalho com a consciência limpa pela não-emissão de CO2 na atmosfera.
Provavelmente mora em algum bairro do centro: Jardim Paulista, Consolação, Higienópolis, Bela Vista, Pinheiros, Pacaembú ou Vila Nova Conceição, e “trampa” a uns 4, 5 ou 6Km de distância.

O moderninho da-se o luxo de pedalar e chegar ao posto de trabalho antes de ser consumido pela transpiração corporal, nos dias secos e quentes da primavera pode usar a academia chique pertinho do “trampo” para tomar uma boa ducha ou simplesmente usar o vestiário para trocar a “beca” esportiva pela formal.
E a bike, onde fica? Se for daquelas dobráveis (R$2000,00 na média) é só levar junto, senão paga um estacionamento para a Magrela. Em dias chuvosos e de cansaço devido a baladinha da noite anterior opta pelo Metrô ou pega um táxi baratinho… 20 conto!

Agora fico imaginando o João, que mora na Av. Olaria perto do Parque Raposo Tavares, indo de bike para a Rua Pamplona esquina com Alameda Santos.
Pertinho, só 12Km, precisa andar pela Rodovia Raposo Tavares ou Avenida Eliseu de Almeira, depois atravessa a Marginal Pinheiros quando finalmente chega no pé da Rua Pamplona e vislumbra uma “subidinha” que assusta até os apreciadores de pedaladas mais agressivas, chega ofegante não tem onde tomar uma ducha, nem vestiário para trocar a roupa encharcada de suor… e a bike?
Também penso na Dona Maria indo ao trabalho de bike, da Vila dos Remédios até a Rua Cerro Corá, na Lapa, só 6,5Km mas será que ela aguenta? Ela tem um velho problema de hérnia de disco e hoje vai de carro porque morre de dores nas costas quando usa o transporte coletivo.
Nem vou exemplificar com casos de moradores de Perus, Cidade Tiradentes, Tremembé ou Parelheiros por ser uma covardia de distancia!

Mas não é assim tão ruim, o João e a Dona Maria continuam com a alternativa do velho e conhecido Busão, agora mais ineficiente pois cedeu espaço para uma nova ciclofaixa exclusiva, linda, vermelha, brilhante… e vazia, de segunda a sexta!

Já o “conscientinho” vai aproveitar bastante da ciclofaixa (conforme sua conveniência) pode sugere que as pessoas morem próximo de onde trabalha… É óbvio. Fácil assim… como se mudássemos de casa como ele troca de Smartphone!!

É a prefeitura cuidando dos cidadãos, gerindo bem nossos recursos(impostos) em benefício dos que mais precisam de transporte público, zelando pelo nosso bem estar e promovendo novos hábitos de saúde. Uma forma “compulsória” de conscientizar todas as pessoas a usar menos o carro (malditos carros opressores capitalistas!) e diminuir a circunferência abdominal!

Deixando o espírito LuizFelipePondéano de lado, juntamente com o espantalho do “virtuoso” que usará as ciclofaixas quando lhe for conveniente, a minha crítica não é sobre à ciclofaixa da Av. Paulista (principal polêmica), que me parece ser a única realmente planejada pelos “sábios” urbanistas da prefeitura.

O problema é ignorar fatos e enaltecer ideias… mesmo ideias estúpidas!

Ninguém procura entender o porquê da pouca adesão de bicicletas como meio de transporte diário em um aspecto mais amplo, e criam soluções como se o único problema da cidade fossem as vias mal planejadas “antidemocráticas” (urgh)!

– São Paulo é enorme, somente de área urbana são 900mil km²;
– A moradia da maioria da população é periférica e trabalham bairros do centro, longe de casa;
– A geografia não ajuda, não temos planícies, só subidas e descidas a cada 1Km em qualquer região,
– O clima não ajuda, nos meses de estiagem é tão seco que sangra o nariz, quando é primavera/verão temos chuvas imprevisíveis, além da poluição/fuligem que não perdoa um colarinho branco por mais de 20 minutos de trânsito.
– Imagino que 99% das empresas, indústrias e escritórios não possuem estrutura necessária para receber os empregados. E não acho que é de responsabilidade das mesmas fornecer tal estrutura. A prefeitura também não tem estrutura alguma para isso!

Em resumo, a implantação das ciclofaixas é um incentivo mínimo para substituir o carro como meio de transporte diário da maioria das pessoas simplesmente porque o problema é muito maior que a falta dela e serve somente ao espantalho do começo do texto.

É “legal” incentivar o uso de bicicletas assim como andar a pé, mas de boa intenção o inferno está cheio. Mas deve-se respeitar a liberdade das pessoas na escolha de como se locomover, e que paguem o preço por isso.

Outro ponto que me “emputece” é a inexistência de incentivo para o uso de motocicletas como transporte diário, essa sim, uma opção viável para a maioria absoluta da população, principalmente os mais pobres, hoje os principais usuários, ganha-se tempo e gasta-se menos até que transporte público!

Quem usa não volta atrás (é o meu caso), mesmo com o elevado risco de acidentes o benefício é enorme!
Mesmo com todo o preconceito e obstáculos impostos pelo estado que encara a motocicleta como inimiga da saúde pública, causadora de um “genocídio” urbano e ferramenta de bandido!
Além disso, esconde que os índices de acidentes e os número de novas habilitações aumentam proporcionalmente, e o número de acidentes com pedestres lidera todo ano.
A única “motofaixa” por aqui (Avenida Sumaré) foi desativada para implantação de um corredor de ônibus, esta que não durou uma semana e foi também desativada, a motofaixa não foi restabelecida!
O legislativo tenta de todas as formas obstruir novos motociclistas, restringe circulação em algumas vias alegando alto índice de acidente, além de aumentar taxas anuais alegando cobrir seguros. Hoje o valor do seguro obrigatório de uma motocicleta é o dobro do valor de um carro, sendo que um carro de passeio transporta até 5 pessoas!
É muito mais que isso, mas fica para um próximo desabafo.

http://www.cetsp.com.br/noticias/2014/03/20/pela-primeira-vez-em-8-anos-o-numero-de-acidentes-fatais-na-cidade-cai-em-todas-as-categorias.aspx

E você o que acha?

Att,

Mathias

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Primeiro post, Apresentação!

Publicado: 4 de fevereiro de 2010 por Mathias em Cotidiano, Geral
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Olha só…

Eu tenho a pretensão de não ter pretensão nenhuma aqui. Mas isso desmotiva qualquer pessoa, pra que fazer algo sem meta, sem motivação?

Falando em motivação, e que me desculpem os palestrantes empresariais de plantão, essas reuniões motivacionais promovidas por algumas empresas é um saco, pode parecem que estou generalizando, mas é a mais pura verdade, uma rodinha de colegas de trabalho de mão dadas, olhos fechados, pulando e gritando para fluir energia… é … um saco. Motivação são os funcionários de empresas que pagam bem. Ainda não tive a oportunidade de conhecer um colega de trabalho que trocou de emprego devido as excelentes política motivacional, mas tudo bem… eu sou um pouco chato.

Coisas bobas me incomodam.

Fui!


OUVINDO: MGMT – Kids