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Desafio

Publicado: 21 de dezembro de 2010 por Kzuza em Cotidiano
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Outro dia vi pela enésima vez uma reportagem na TV sobre os maus serviços prestados por oficinas mecânicas. Sabe aquela história do cara que solta alguma coisa no carro, propositalmente, só para apresentar algum defeito, e leva na oficina para testar a honestidade e a capacidade do pessoal? Então, era isso. Só em uma oficina visitada o cara descobriu na hora e nem cobrou nada para colocar o dispositivo no lugar certo. E ainda perguntou: alguém soltou de propósito?

Enfim, isso me fez refletir sobre uma coisa sobre a qual tenho pensado há muito tempo: em qual tipo de serviço nós, brasileiros, somos excelentes? Digo, somos um povo de 190 milhões de pessoas. Em alguma coisa aqui nós devemos ser bons, certo? Então: qual serviço prestado no Brasil merece nota 10?

Se você, assim como eu, não tem resposta para a pergunta acima, parabéns!

Vamos lá. Somos o país do futebol, certo? Errado. Nosso futebol é uma merda. Mal organizado. Dirigido por uma emissora de televisão. Somos um país de jogadores talentosos, só. Jogadores que são vendidos para o exterior cada vez mais cedo. Por que? Porque o nosso futebol é muito pior que o europeu.

Então somos um povo receptivo. Nossa hospitalidade é de primeira. Nossos hotéis e nossa rede de turismo são as melhores do mundo. Errado. Se quer excelência em serviços de turismo, vá para Dubai. Vá para Paris. Somos apenas um país abençoado por Deus e lindo por natureza. O pessoal vem para cá pelas belezas naturais e pela mulherada fácil, não pelo serviço de primeira.

E as telecomunicações? Conhece alguma empresa de telefonia, fixa ou móvel, ou de TV por assinatura, ou de Internet, que seja excelente?

Transportes? Alguma companhia aérea de primeira? E ferroviária? Tá bom, peguei pesado, não temos trens que possam justificar qualquer coisa.

Saúde? Educação? Sem comentários.

Trabalho com desenvolvimento de software há 12 anos. TI, meu caro. E não conheço nenhuma empresa com excelentes serviços aqui no Brasil. Nem eu, e nem nenhuma das pessoas que conheci durante todo esse tempo. E aposto um dedo do pé que você, leitor, também não conhece.

Enfim, somos um país medíocre, com serviços medíocres. Brasileiro é um povo acostumado ao que é ruim. E assim vai continuar para sempre. Não somos exigentes em nada. Não exigimos qualidade. Aliás, sequer exigimos que o mínimo do serviço seja prestado. Vôos decolando no horário não é nenhum luxo, é obrigação. Celular com sinal 100% do tempo na maior cidade do país não é luxo, é obrigação. Internet disponível por pelo menos 99,9% do tempo não é luxo, é obrigação. E assim vai.

Mas não. Nós brasileiros nos contentamos com pouco. E não queira tentar me convencer do contrário.

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O jeitinho brasileiro de ser

Publicado: 14 de março de 2010 por Kzuza em Cotidiano, Geral
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É, muito provavelmente ninguém percebeu, mas eu andei muito sumido. Muito trabalho durante a semana resulta em pouco espaço para o blog. E aí não tem jeito, sobram pro Mathias as atualizações da semana.

É que essa semana fiquei fora. Fui viajar à trabalho. E nessas horas a gente sempre vê muita coisa interessante. Por exemplo, você pede para a balconista do restaurante uma Nota Fiscal, para comprovar seus gastos com alimentação e poder ser reembolsado pela empresa. E ela te pergunta: “Qual o valor que você precisa na nota?”. Ué? Preciso do valor que eu paguei, não é óbvio? Eu achava que era, mas não. Porque tem gente que pede um valor mais alto. A nota é fria mesmo. E aí pode conseguir um reembolso maior da empresa. E se livra de escutar da secretária: “Nossa, só R$15? Você sabe que você pode gastar até R$35, né?”. Sei sim, mas qual o problema? Estou me sentindo um otário.

Chega o final de semana e vejo como o brasileiro realmente tem mais do que merece. Basta ver a organização da prova da Fórmula Indy em SP. A maior cidade do país deu total demonstração de despreparo. Deve ser um presságio. Para o mundo inteiro ver o que deve estar esperando na Copa de 2014. Ou então nas Olimpíadas de 2016 no RJ.

E é isso. Estou sem inspiração. E para não passar em branco, uma dica musical, “a la Mathias”. Newton Faulkner, com Dream Catch Me, no melhor estilo “os brutos também amam”:

O que está acontecendo?

Publicado: 4 de março de 2010 por Mathias em Cotidiano, Geral
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Olha só…
Eu não entendo o que o Brasileiro é… ou quer ser… ou quer parecer ser… ou quer acreditar que é.
Se diz liberal, mas censura propaganda de cerveja por causa do nome.
Fala em democracia, mas segue idéias utópicas do socialismo.
Orgulha-se da Bunda, mas proibi sua em capa de revista.
País miscigenado, com segregação nas universidades.
Solidário com os vizinhos, enquanto o cachorro morre de fome no quintal.
Nós nos orgulhamos da nossa natureza, do nosso clima, dos nossos recursos, mas tudo isso é compensado por uma política  corrupta. É dinheiro saindo pelo ladrão, em mala, cueca, meia, bolsa… e no final uma oração pela graça alcançada.
FUI!
Ouvindo: Marvin Gaye – What’s Going On

Até quando esperar?

Publicado: 2 de março de 2010 por Kzuza em Comportamento, Trabalho
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Estava relendo alguns textos meus que escrevia na minha página do Spaces (o link está aí do lado), e me deparei com um que acho bem bacana, e resolvi postar aqui também:

Já escrevi várias vezes nesse espaço sobre a mania que o brasileiro tem de reclamar das coisas. Reclama do governo, reclama do seu trabalho, reclama da corrupção, reclama até quando as coisas estão bem demais.

Acho que finalmente cheguei à uma conclusão sobre isso. Somos o que somos por esperar demais que as coisas caiam no nosso colo. Esperamos demais que nossos problemas se resolvam, que ganhemos dinheiro de forma inesperada, que o governo faça algo por nós.

Fico pensando se é o nosso sistema de ensino somente que está falido, ou se são as pessoas que estão condicionadas a não aprender (ou não querer aprender). As pessoas esperam que a escola ensine algo aos seus filhos, e as crianças esperam que o conhecimento seja colocado dentro de suas cabeças, como em um passe de mágica. Não são somente bons professores e uma boa infra-estrutura que formam bons alunos. Bons alunos são aqueles que aprendem porque querem aprender, e não somente porque a escola lhes proporciona boas condições.

Infelizmente, o que diferencia uma USP de uma universidade particular não são somente seus mestres e o seu poder econômico. A diferença se faz pelos seus alunos. Aqueles que estudam lá fizeram por merecer, se esforçaram, estudaram demais para conseguir passar por um dos vestibulares mais difíceis do país. Na sua maioria, universitários que optaram por estudar em faculdades particulares o fizeram por preferir algo mais fácil, por optar somente por ter um curso superior, sem se preocupar se vão aprender algo ou não. Esses últimos, em sua maioria, não estudam para aprender, para crescer, para serem pessoas melhores. Estudam somente para esperarem, posteriormente, que uma boa oportunidade de emprego apareça somente porque possuem um curso superior, mesmo que não tenham conhecimento algum. Os professores de faculdades privadas, estas que muitas vezes possuem inclusive uma infra-estrutura bem melhor do que as sucateadas universidades públicas do nosso país, ironicamente também lecionam nas públicas. Então, qual a diferença?

Existe uma frase célebre de John Kennedy, quando ele disse Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer por seu país. Aqui, o que pouco vemos é justamente essa mentalidade. Nós esperamos que o governo ajude a população carente, que o governo ofereça um ensino melhor, melhores condições de emprego, um salário mínimo maior, esperamos que o governo seja menos corrupto. No entanto, ninguém analisa de fato se o governo já não está fazendo isso. E isso ocorre justamente porque temos medo de ver que quem não está fazendo sua parte somos nós mesmos.

Concordo que os problemas estão aí aos montes e estamos longe de situações ideais quanto aos serviços públicos, mas a pergunta que fica é se estamos fazendo mesmo nossa parte. Eu, particularmente, acho que não.

Quem luta, quem vai atrás, quem trabalha decentemente, quem se esforça, sempre consegue o que quer. Dependa menos dos outros, e mais de você. Seja mais egoísta nesse ponto. Esforce-se, aja por conta própria. Trabalhe, mostre serviço, seja o melhor, sem esperar que o seu chefe lhe dê um aumento porque você está há tanto tempo na empresa. Mostre a todos que você merece, que você é o melhor. A gente é condicionado a ter medo de ser certo, de ser o melhor, de ser inteligente, de estudar muito. E aí, meus caros, a culpa é nossa mesmo, e de mais ninguém.

Pare de esperar. Faça acontecer.