Posts com Tag ‘Brasil’

Uma crença maléfica

Publicado: 9 de dezembro de 2016 por Kzuza em Política
Tags:,

o-estado

Temos observado recentemente uma crise política no Brasil sem precedentes. Mais do que política, a crise é institucional, colocando em xeque nossa República e a nossa tal democracia participativa.

Não há nesse país um único cidadão que confie 100% na classe política brasileira. Nesse ponto, todos estão de acordo, o que é cada vez mais raro em um país tão dividido nos últimos tempos entre coxinhas e mortadelas, azuis e vermelhos, direita e esquerda.

No entanto, apesar dessa ausência de confiança, o nosso povo, em sua maioria, apresenta um duplipensar (na novilíngua de George Orwell em 1984, ou, se preferir, pode chamar de dissonância cognitiva) que chega a ser assustador em muitos casos. Vejamos.

Você alguma vez já ouviu as seguintes frases:

  • “O governo não investe em educação porque não tem interesse em ter um povo inteligente, que pensa, que tem senso crítico.”
  • “Precisamos escolher melhor os nossos candidatos na hora de votar. Checar seus antecedentes, sua índole, sua honestidade.”
  • “O governo precisa investir mais em saúde.”
  • “A prefeitura precisa melhorar o transporte público.”

Aposto qualquer coisa que você escutou pelo menos uma das 4 citações acima nos últimos 6 meses.

Se você não entendeu a dissonância cognitiva desse discurso, eu explico.

Aqui, funcionamos como um fazendeiro que cria ovelhas para obter lã. E aí colocamos uma raposa para tomar conta de nosso rebanho. A cada dia, uma ovelha some do nosso rebanho. Não entendemos porque isso acontece. A raposa é alimentada, bem cuidada, tem nosso carinho, mas mesmo assim ela não cuida direito das ovelhas. Pensamos o que pode estar errado, e então decidimos trocar a raposa. No seu lugar, colocamos outra raposa. Dessa vez, uma raposa mais boazinha, gordinha, que nem come muito. Ela diz que trabalhará melhor se tiver mais ovelhas para cuidar. Passamos a tratá-la melhor, com mais carinho, e ainda lhe pagamos melhores salários. Nossas ovelhas continuam sumindo, mas a um ritmo menor. Mesmo assim, não estamos satisfeitos porque ainda temos prejuízo. Então, mais uma vez, vamos lá e trocamos a raposa cuidadora do rebanho. Porém, o problema continua. Dessa vez, mais ovelhas somem diariamente. Decidimos cobrar mais empenho da raposa. Impomos novas regras para punir mais severamente o sumiço das ovelhas. Pedimos um controle maior do rebanho. Então a raposa se reúne com as outras raposas que fazem parte do seu sindicato, o Sindicato das Raposas Pastoras. Elas decidem fazer vista grossa. E por aí vai.

Nosso maior problema aqui é negar a natureza predatória das raposas. Não importa o que façamos, é da natureza delas comerem ovelhas. Faz parte da cadeia alimentar delas. Mesmo que elas tenham que fingir ser boazinhas, mesmo que elas tenham que fazer isso na calada da noite, sem ninguém perceber, elas continuarão o fazendo. Quando necessário, inventarão desculpas, dirão que não são responsáveis pelo sumiço das ovelhas. Colocarão a culpa em outros animais, até no fazendeiro se puderem, mas tudo continuará como está.

E em vez de retirarmos as raposas de lá e assumirmos nós mesmos o controle do rebanho, cobramos cada vez mais empenho das raposas. Dizemos: eu não quero ter esse trabalho, não quero tomar conta do que é meu. Nem temos muito ideia do que fazer com as ovelhas. As raposas que se virem, pois eu as pago para isso.

É exatamente isso que acontece no Brasil, desde o fim da ditadura militar na década de 80. Estamos sempre em busca de uma raposa (ou, no nosso caso, inúmeras raposas) salvadora, honesta, bem intencionada, boazinha, que irá cuidar bem do nosso rebanho. Damos cada vez mais poder aos políticos para que eles resolvam nossos problemas. Pedimos cada vez mais soluções. Deu errado? Basta mudar as peças. FHC deu errado? Colocamos o Lula e o PT. Deu errado? Mudemos para outro partido. E assim vamos, na tentativa e erro. Como se uma raposa fosse diferente da outra e não gostasse de ovelhas. Esperamos uma raposa vegetariana. E colocamos nela não só esperanças, mas cada vez mais poder. Sim, porque as raposas são sedentas e sedutoras. Elas dizem que são diferentes. Dizem que resolverão nossos problemas. Que estão cheias de boas intenções. Que irão criar leis que ajudem os menos desfavorecidos. Que irão emitir decretos, PECs, que vão nos proteger dos poderosos e exploradores. Que tornarão o mundo mais justo. Que irão gerar empregos com uma canetada qualquer. Que reduzirão a inflação com uma canetada qualquer, como num passe de mágica. Porque essas raposas são seres iluminados, que dominam toda e qualquer esfera do conhecimento. Pois nós, indivíduos comuns, não somos capazes de resolver nada por nós mesmos. Precisamos, além de tudo, nos preocupar com os outros. Os menos favorecidos, que são pouco informados, e também não sabem como resolver suas coisas. Precisamos ajudar todo mundo, pelo simples fato de ajudar, mesmo que a pessoa não mereça ou não precise. Precisamos pensar no próximo, e são as raposas que farão isso, pois nós não somos capazes de saber quem ajudar. Damos nosso trabalho e nosso dinheiro para que as raposas então o distribuam.

A pergunta que eu sempre faço é: até quando?

Até quando vamos continuar nessa brincadeira? Até quando vamos fugir das nossas responsabilidades? Até quando vamos abrir a mão da nossa liberdade individual, o direito fundamental mais importante depois do nosso direito à vida? Até quando vamos continuar sendo seduzidos por propostas de solução de problemas que não passam de demagogia e palavras bem intencionadas?

Você deve então me perguntar: pô, então qual a solução?

Eu respondo que não sei a solução, mas tenho certeza absoluta que ela não passa pela mão do governo. Ninguém melhor para saber o que precisa e o que deseja do que o próprio indivíduo. Terceirizar isso para uma entidade externa qualquer é um devaneio insano demais para minha compreensão, muito mais para a classe política.

Então como mudar isso?

A minha alternativa, já que sou contra qualquer tipo de intervenção, guerrilha ou golpe que tire alguém do poder para colocar qualquer outro que seja, é usar as próprias armas democráticas que já temos, mesmo que ainda tenham falhas. Já que o nosso único poder é o voto, que seja através dele. Mas não da forma como o TSE propagandeia por aí. Eu sugiro: vote em um não-político. Vote em alguém que não tem qualquer vínculo com o Estado. Se possível, vote em um administrador privado (seja empresário, seja executivo, seja diretor de empresa). Vote em alguém com estudo especializado e com experiência administrativa privada. E, o principal, vote em alguém que não tem ambição nenhuma em resolver os problemas do país. Vote em alguém que se comprometa em reduzir o Estado ao mínimo possível e em aumentar as liberdades individuais. Vote em quem se proponha a reduzir o número de parlamentares, o salário dos políticos, a renúncia ao poder de decisão. Vote em quem se propõe a privatizar tudo o que for possível. Vote em quem dá valor ao que o dinheiro representa. Vote em quem tem muito conhecimento em economia. Vote em quem dá mais valor ao trabalho do que a relacionamentos pessoais. Vote em quem é objetivo, e não demagogo.

Isso já é um bom começo. Agora se você continuar votando em quem diz que vai resolver os problemas da saúde, da educação, da desigualdade, da pobreza, da fome, dos transportes e da previdência privada, somente dizendo que vai “aumentar os investimentos” ou que vai “criar novas oportunidades”, sinto muito, amigão. Você continuará condenando o país dos seus filhos e netos a ser essa merda para sempre.

Anúncios

Quais são as causas da violência?

Publicado: 6 de outubro de 2015 por Kzuza em violência
Tags:, , ,

Entrei em um debate ontem que me fez pensar muito a respeito do assunto, então decidi escrever um post aqui para tentar esclarecer um pouco a minha linha de raciocínio.

O post original era de um amigo falando sobre violência, e argumentando que, para ele, a principal causa da violência em nosso país era a desigualdade social. Eu então disse que para mim, a principal causa era a impunidade, oriunda de uma polícia mal preparada e de uma justiça falha. Mas foi a resposta dele que me fez pensar:

Será que a polícia Suíça é extremamente eficiente, ou dado aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim?

Essas perguntas que seguem a máxima da Tostines (“Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”) sempre dão um nó na minha cabeça.

Eu realmente acho que, nesse caso específico, as duas afirmações são verdadeiras: a polícia (e a justiça) suíça devem ser extremamente eficientes; e devido aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim. A questão maior nesse caso, ao meu ver, é estabelecer a relação de causalidade entre as coisas. Seriam a polícia e a justiça eficientes porque elas não tem muito trabalho, ou porque o país tem altíssimos níveis sociais?

É muito difícil separar as coisas porque tudo caminha junto. Afinal, tanto a polícia quanto a justiça de um país são comandadas por pessoas que fazem parte da população desse mesmo país. Elas são fruto de uma formação social, que vem dos valores culturais e da educação disponível para esses cidadãos ao longo de suas vidas. Ninguém nasce juiz, advogado, policial, delegado ou detetive.

Bem, então eu entendo que baixos índices sociais influenciam a sociedade como um todo: não somente bandidos, mas também cidadãos de bem. Ou seja, uma polícia mal preparada, corrupta em muitos casos, também é fruto de um ambiente social desfavorável.

Outro ponto importante no qual fiquei pensando é: se nos últimos anos houve uma melhora significativa nos níveis de desigualdade social no país (a maior bandeira levantada pelo atual governo federal), deveríamos ter então também uma redução significativa nos índices de criminalidade. Quer dizer, isso partindo da premissa de que a desigualdade social é a principal causa dos índices de violência.

Vejamos: o índice de Gini, que é um dos principais indicadores de desigualdade, vêm caindo sistematicamente nos últimos anos.

gini

Por outro lado, o número de homicídios no país não tem diminuído, pelo contrário.

homicidios

Ou seja, aparentemente uma coisa não tem assim tanto impacto sobre outra. Portanto, desconfio que a desigualdade não é uma doença, e sim o sintoma de algo grave acontecendo.

Mas eu também devo reconhecer que, pensando melhor, eu talvez não esteja certo quando disse que a impunidade é a principal causa da violência no país. Ela também é um sintoma.

A doença principal é, ao meu ver, o repúdio que temos a quem quer ganhar dinheiro honestamente, trabalhando. O cara quer empreender, a burocracia não permite. Aí o nego vira camelô, e a polícia toma a mercadoria dele (vi isso ontem e hoje no centro de São Paulo, e isso me disse muita coisa). O jovem quer trabalhar mas a legislação não permite. O estudante quer começar a trabalhar, mas a burocracia dificulta e encarece tanto o jovem profissional que a barreira para sua entrada no mercado de trabalho se torna instransponível. O pequeno empresário quer expandir seu negócio, mas o capitalismo de compadres praticado pelo governo federal com seus grandes amigos empresários dificulta a sua empreitada. Enfim, eu poderia ficar por linhas e linhas aqui dando exemplos. Mas o que eu quero dizer é:

Em um país onde se é tão difícil ganhar dinheiro honestamente (e quando você o faz, o governo lhe toma metade), e onde as punições para quem infringe as leis não são lá essas coisas, não me espanta tanta gente escolher o caminho errado.


Houve quem questionasse, nesse mesmo debate, que:

Não há nem metade dessa ‘impunidade’ que as manchetes sensacionalistas adoram propagar. Quando se entra em um curso de direito, o tapa na cara é imediato, a vida real é completamente diferente do que a mídia e as conversas de fila de banco nos dizem.

De maneira proposital, resolvi alfinetar com uma resposta mostrando uma reportagem do G1 sobre o assunto. Fui imediatamente massacrado, como já podia esperar. “Vir com uma matéria do G1 para provar que eu estou errada?”. E também: “não espero que saiba a diferença entre a polícia e o judiciário”. Bastou isso para saber qual o rumo que o debate tomaria, então eu me poupei de responder.

No entanto, cabem alguns comentários:

  • Quando eu disse impunidade (segundo o dicionário: estado de impune; falta de punição, de castigo), não me restringi ao culpado pela mesma. Se um assassino comete um crime e não é punido, ele foi impune. That’s all.
  • A matéria do G1 foi proposital, justamente para saber se o importante eram os fatos ou as fontes.
  • Uma pesquisa rápida no Google mostra que existem vários estudos a respeito da quantidade de crimes de homicídio solucionados no Brasil (aqui, aqui, aqui ou aqui). Quem confirma isso é a Associação Brasileira de Criminalística, ou outras publicações como o Mapa da Violência.
  • Eu acho sinceramente que a parte da realidade que consigo observar em todo o universo é microscópica. Não consigo ter a real compreensão da realidade apenas pelo que eu observo ou ouço de relatos de amigos (ou de fila de banco, como foi o exemplo citado).
  • Eu nunca vi uma cobra cascavel. Nunca fui atacado por uma cobra cascavel. Não tenho um conhecido sequer que tenha tido contato com uma cobra cascavel. Tenho amigos biólogos que nunca viram uma cobra cascavel. Mas eu sei que elas existem e são muito perigosas. O simples fato de eu nunca ter tido contato com algo não muda a realidade dos fatos.

A justificativa pelo retrocesso

Publicado: 17 de setembro de 2015 por Kzuza em Economia, Política
Tags:, , ,

A crise política e econômica pela qual o nosso país está passando é tão grave que hoje não há um ser humano que eu conheça capaz de defender o atual governo federal.

Mesmo assim, tenho lido uma série de absurdos nos últimos dias que me fazem pensar se as pessoas são desonestas por natureza, ou se ainda há tanta gente desacreditada assim no mundo

Eu sou o tipo de cara que acredita que precisa ser um homem melhor hoje do que eu fui ontem. Vivo em constantes mudanças e adaptações, sempre andando para a frente. Pequenas conquistas, pequenos gestos diferentes, sempre procurando evoluir. Não sou hoje o que eu era há 10 anos atrás. Acho que a maior parte das pessoas pensam igual. Se um dia eu voltar a ser como eu era há 10 anos atrás, eu irei morrer de vergonha. Será uma grande derrota para mim. Afinal, eu batalhei para chegar onde cheguei hoje. Não aceito retroceder.

O problema é que eu vejo ainda muita gente tentando justificar a fase pela qual passamos comparando nosso momento com momentos de um passado negro. Veja bem, como eu disse, não conheço ninguém que consiga defender o atual governo petista, mas conheço muita gente tentando justificar o que eles fazem.

Se a Dilma e sua equipe resolvem recriar a CPMF, imposto que o próprio PT lutou para extinguir, um monte de gente aparece para dizer que o próprio FHC foi quem criou tal imposto (como se na época ninguém tivesse reclamado). Se o partido se afunda em escândalos de corrupção, prontamente justifica-se que a corrupção sempre existiu no país. Se a nota de bom pagador do país é rebaixada pela Standard & Poors, surgem aqueles que dizem que foi o próprio governo do PT quem havia colocado país nesse ranking e que isso não vale de nada. Se a inflação sobe a cada mês, isso é relativizado porque inflação alta mesmo era na época antes do Plano Real, então não devemos reclamar.

Podem apostar que se os cortes do Bolsa Família começarem a afetar os beneficiados, surgirão vários defensores dizendo: “Ah, mas antes do PT nem existia Bolsa Família!”. Ou seja, não importa se estamos andando para trás, desde que não cheguemos nos períodos mais negros da nossa história.

Fico pensando: será que todos os retrocessos que tivemos no governo Dilma podem ser justificados pelo simples fato de que não estamos tão mal (há controvérsias!) quanto estávamos na época de FHC ou da ditadura militar, mesmo que estejamos infinitamente piores que no início do primeiro governo da presidAnta?

Tenho a impressão de que, se depois de 16 anos no poder, o PT deixar o poder e largar o país na mesma situação que estava ao término do governo FHC (mesma inflação, mesmo valor do dólar, mesmo IDH, mesma posição no ranking mundial de educação, etc.), eles irão se vangloriar disso! Se isso não é assumir o fracasso, não faço ideia do que seja.

Hoje me deparei com a seguinte manchete: Projeto de Lei quer aumentar licença-maternidade para um ano. Estava lá, na minha timeline do Facebook. Mas o que me intrigou foi a série de comentários positivos a respeito da notícia. Muita gente comemorando e torcendo para que isso se concretize. Logo me coloquei a pensar: será que todos entenderam as implicações de tal projeto aqui em terras brazucas?

Não, eu não sou contra mães (e também pais) poderem passar mais tempo junto aos seus filhos logo que eles nascem. Isso é fundamental. A questão, que coloquei nos comentários do post, foi justamente a  seguinte: Quem você acha que vai pagar as contas por isso? Sabendo que não há almoço grátis, então alguém irá pagar essa conta e eu lhe convido a responder a essa pergunta. Eu, por exemplo, não me surpreenderia se as mulheres fossem (ainda mais) boicotadas no mercado de trabalho e se os empregadores passassem a diminuir suas contratações por conta disso.

Recebi duas respostas. A primeira foi: “Vai parir primeiro e depois conversamos”. Vou desconsiderá-la automaticamente pois dispensa comentários. Vou me concentrar na segunda resposta: “Ah, se fosse assim, coitadas das mulheres da Suécia, onde a licença maternidade é bem maior”. (Alguns dados a respeito dos períodos de licença maternidade podem ser encontrados aqui e aqui.)

Acredito ter havido um erro de interpretação absurdo nesse caso (ou má intenção mesmo), então acho válido deixar algumas coisas claras.

Um primeiro número a ser considerado e que acho fundamental é a questão da produtividade do empregado sueco e do brasileiro. Para facilitar, tem um quadro bacaninha aqui. Resumindo, a Alemanha é a 5ª e a Suécia é a 10ª no ranking mundial, enquanto o nosso país se encontra na 56ª posição. Há matérias muito boas a respeito de como o nosso trabalhador é improdutivo aqui, aqui e aqui (essa para mim é a melhor matéria).

Ou seja, proporcionalmente, um empregado sueco ou alemão custa bem menos que um brasileiro, pois produz muito mais com o mesmo esforço.

Outro ponto importante é que estamos comparando países desenvolvidos e ricos com nosso pobre Brasil. Antes de tomarem tais medidas assistencialistas para com os trabalhadores, esses países primeiro se desenvolveram e hoje gozam das suas riquezas acumuladas para gastarem com isso. Ou seja, primeiro pouparam, e hoje desfrutam dos benefícios. Acho desnecessário explicar que infelizmente hoje nosso país não pode gozar do mesmo. Inclusive, os países escandinavos atualmente já começam a receber as contas desse tipo de política assistencialista, como o aumento no número de imigrantes e, consequentemente, moradores de rua.

Também é necessário observar o crescimento populacional dos países analisados. Enquanto nós aqui temos (em números de 2006) um crescimento anual de 1,26%, a Suécia tem números na casa de 0.45%. Já a Alemanha apresenta uma taxa negativa de 0,07%. Sendo assim, o impacto de um período maior de licença maternidade nesses países desenvolvidos é muito menor do que aqui, não é mesmo?

A minha questão, sendo assim, é o que eu venho dizendo há muito tempo aqui nesse espaço. Os nossos direitos trabalhistas adquiridos ao longo do tempo e que vêm sendo ampliados através de uma sequência de governos populistas não têm tornado o trabalhador brasileiro mais rico ou mais produtivo. Pelo contrário, o efeito é totalmente nocivo para toda a população. Há um artigo aqui que explica rapidamente o que estou dizendo, analisando como o encarecimento da nossa mão de obra é nocivo para todo trabalhador.

Então, convido todos a analisarem essas decisões com mais profundidade.

Nota do autor: tem um artigo relacionado que mostra como a educação na Escandinávia é diferente do Brasil, o que explica também o porque é inviável e inconsequente comparar as nações somente por um prisma.

Sobre o post de 3 de maio de 2014. 

…aqueles que não tiveram acesso a uma educação de qualidade, e nem mesmo a condições sociais dignas que lhes proporcionassem acesso à informação ou oportunidades de crescimento. Eu sei que esse conceito é extremamente difícil para alguns entenderem, mas isso existe no nosso país.

Educação de qualidade e condições sociais dignas não garante indivíduo esclarecido, assim como sua falta não predestina a ignorância.

Concordo contigo, esse conceito é extremamente difícil porque é FALHO, é falacioso (non sequitur).
Seu entendimento da tal “nova classe média” me parece a antiga “massa ignorante”, que só deixou de ser ignorante porque entrou na classe média! [sic].
Como mágica o aumento da renda vira critério para definir nível intelectual como nova forma de medir QI.
É muita pretensão fugir desse percentual dos “85%” simplesmente porque agora faz parte da estatística de outra “classe”.

… O problema é que muitos os consideram como parte responsável pela condição de vida em que vivem. E isso já é uma das coisas que me preocupam.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Não dá mais para ficar só na reclamação a esmo sem o mínimo de esforço para discutir ideias.
Condição de vida… Massa ignorante… Sem acesso a educação… Não seria melhor falar sobre POBREZA?
A questão é que naturalmente somos pobres, condição que atravessa gerações.
Simplificando, indivíduos em particular ou nações inteiras em geral são pobres por uma ou mais das seguintes razões:
– não podem ou não sabem produzir muitos bens ou serviços que sejam muito apreciados por outros;
– podem e sabem produzir bens ou serviços apreciados por outros, mas são impedidos de fazer isso; ou
– voluntariamente optam por ser pobres.

Agora, porque existe riqueza, nações ricas e como conseguiram escapar do destino de escassez?
O que pesquisei é que em sua totalidade são livres e capitalistas.
Quase todos os dias, aqui no Centro de Sampa na hora do rango, vemos protestos reivindicando mais privilégios estatais, nenhum protesto por emprego. Todos os movimentos populares correm contra a defesa da sua própria liberdade e exigem mais tutela, a mão mágica benevolente do estado, mesmo comprovando sua ineficiente.

Só com trabalho produtivo podemos prosperar, e é a garantia desse trabalho que devemos cobrar do estado.

Este tal “MEDO” está mais para um sentimento de culpa, um ressentimento ou preguiça mental, soltar alguns bordões e classificar pessoas como vítimas da sociedade para sentir-se como alguém de opinião forte. Isso só estimula ainda mais coitadismo e vitimização!

Acredito que só o pensamento Liberal, com a defesa das liberdades individuais, o cumprimento das leis e a livre iniciativa e associação pode reduzir esse “medo” e dar condição as pessoas de “buscar” a tal da FELICIDADE que queira em sua própria vida.

Vale lembrar: o que te faz feliz pode não ter qualquer valor para outra pessoa.

… O anonimato que a internet nos permite hoje em dia.
originou uma proliferação dos pensamentos mais absurdos que poderíamos imaginar. Não que o homem de hoje seja
diferente do que sempre foi, absolutamente; a diferença básica é que hoje ele pode externalizar seus desejos e
opiniões mais profundos de uma forma aberta, apoiando-se em princípios tão “valorizados” como a livre expressão e a
democracia. Com base nisso, esse mesmo homem moderno abomina opiniões contrárias ou tradicionais, julgando-as
preconceituosas, antiquadas ou, como gostam de dizer hoje em dia, fascistas (mesmo sem entender o que o termo quer
dizer).

Não vejo nada de “moderno” nesse tal “homem” ai, continuamos brigando pelas mesmas coisas, mas hoje a exposição é maior porque foi registrado em imagem e/ou áudio, e se espalha rapidamente para vislumbre da curiosidade alheia.
A liberdade da internet é fantástica, e as tentativas de controle são sempre com proibitivas, mas a internet é só um meio novo. Mentiras e embustes não são novidades da internet, nem a estupidez humana, agora é somente mais é explícita!

Provas essa estupidez:

* Pesquise os vídeos com maiores views do youtube, aposto que todos os documentários interessantes (milhares deles!) estão no fim da lista, Já no topo vai encontrar o clipe gangnam style, bebê que ri de papel rasgado, cachorro/gato fazendo alguma graça e cenas de violência.

* Quer outro teste prático? Quantas mensagens úteis ou interessantes você recebeu no Whatsapp desde a instalação?

* Compartilhe um texto com mais de 3 parágrafos sem imagens com um título que não seja de alguma teoria da conspiração ou novo alimento que cura o câncer ou sobre auxílio reclusão ou qualquer tipo de assunto polêmico sem fundamento… Um HOAX, e veja se repercute.

* Conte nos dedos pessoas que não buscam “somente” entretenimento da internet.

O panis et circense não é novidade, Aldous Huxley e George Orwell já retrataram esses mecanismos de controle de massa a 6 décadas atrás. Porque então imaginar que a internet deve ser um recinto de opiniões/discussões sérias e que os responsáveis devem zelar por valores nobres?

Evgeny Morozov, colunista da folha, trata do assunto com menos paixão e mais razão, fala sempre de cyber-utopia como ideia de que a internet favorece os oprimidos e não os opressores.

Já a acusação de fascista faz parte da tática do oponente moralmente desonesto ou estúpido de encerrar um debate.
Sobre isso tem vários artigos excelentes!

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/sem-categoria/o-uso-indiscriminado-do-termo-fascista/

http://oglobo.globo.com/opiniao/quando-chamar-alguem-de-fascista-11926708

http://oglobo.globo.com/opiniao/imperialistas-arianos-racistas-11905014

…O abismo social criado entre as duas camadas da sociedade descritas no primeiro parágrafo, resultando principalmente do controle da inflação e do crescimento econômico moderado, além obviamente dos programas sociais dos últimos governos…

“It’s the economy, stupid!”
Tô fora, contribuo com links:
http://www.institutoliberal.org.br/blog
http://mises.org.br/

… acabou por favorecer também o crescimento de um sentimento nazista nessa nova classe média. E isso é o que
mais me preocupa.
Fico assustado com as opiniões de pessoas do meu ciclo social a respeito da situação do nosso país e das soluções de
problemas que muitos deles enxergam. Vou mais longe. Na minha visão, essas pessoas que deveriam ser, por razões
óbvias, as mais sensatas e as mais preparadas, acabam por mostrar as piores projeções de futuro que eu gostaria de
ver.

Está assustado com opiniões… Quais opiniões?
Mais uma vez, ser classe média não garante sabedoria, nem escola boa, salário bom, graduação, MBA… #sqn!

Assustado porque divergem da sua, mas o mundo é maior do que seu reflexo!

Talvez esteja na hora de procurar um novo “CÍRCULO SOCIAL”. Não há melhor lugar para achar pessoas a fim de debater ideias do que a própria internet, infinidade de grupos de discussão. Gente que sempre procura falar em ideias, aberta a críticas e com diferentes olhares do mundo, o principal benefício da internet é justamente acabar com a barreira geográfica!

Estou englobando nessa minha observação geral pessoas de até 40 anos que hoje possuem empregos estáveis e uma boa remuneração que lhes permite ter uma vida extremamente boa, regada a luxos que alguns de seus pais não puderem lhes dar, como carros importados, casa própria e viagens ao exterior. São “jovens” que, como gostam de dizer também, conseguiram chegar lá, através do acesso a educação de qualidade, condições sociais favoráveis e, claro, aos seus próprios esforços. Eu me incluo nesse grupo. Não vou nem mencionar os jovens filhos adolescentes dessas pessoas (isso daria um outro texto ainda mais extenso) que, como seus pais, compartilham das mesmas opiniões. A questão é que essas pessoas criaram um sentimento de que estão acima de tudo e de todos. Desenvolveram dentro de si um sentimento que Hitler levou anos a colocar dentro dos corações alemães durante o terceiro Reich. Porra, Zuza, agora você pegou pesado!

Reduzir todo o contexto em comparação a Hitler é um velho truque, mais uma falácia meu amigo! (Reductio ad Hitlerum)

Você anda vendo muitos vídeos da Marilena Chauí metendo o pau na classe média! Precisa de um choque de realidade, parar com essa mania da luta de classes!
O sentimento é de indignação com políticas que desestimulam o trabalho honesto, mas não de ódio!
A classe média não é culpada do abismo social, é essa a ineficiência da maioria das políticas assistencialistas, de redistribuição de renda e das muitas regulações inúteis dos que geram emprego.
Ganância dos empregadores e o capitalismo opressor são sempre os culpados, os meios nunca são debatido na atual política e assim perpetua o pobre na pobreza.

Pior que essa visão vem justamente de quem usufrui do capitalismo com viagens internacionais, carros importados, casa própria e emprego! A verdadeira Esquerda Festiva, citando Consta… a Esquerda Caviar!

O motor, que gera riqueza e empregos, produz bens e serviços, que mantém as engrenagens em harmonia. Essa é a realidade que você tanto abomina e que vive sendo golpeada pelo estado. E sua visão de si mesmo é comparar-se com a escória da humanidade… Foi pesado mesmo!!!

Não adianta redistribuir o que não se produz, é preciso gerar riqueza, valorizar a educação, dar liberdade ao mercado, estimular a produtividade e a competitividade, e automaticamente a distribuição será feita!

Quando as instituições estão falidas não há alternativa senão substitui-la, mas se não há justiça nem polícia não há punição nem crime!
Antes da acusação, esclareço que não compartilho com a ideia, mas compreendo, como a jornalista Rachel Sherazade, quem aceita a alternativa.

Pronto, pode me acusar de fascista!

Há uma bipolarização das opiniões agora extremamente preocupante pois, quando não se há um moderador nessas
discussões, as soluções adotadas são as piores possíveis. Não há consenso quando se trata de duas opiniões
totalmente divergentes e radicais.
Atualmente, o governo tornou-se inimigo número 1 da classe média. E quem apoia o governo também. E é aí que mora o
problema.
O beneficiário do Bolsa Família é a escória da humanidade. A empregada doméstica com direitos adquiridos é a
usurpadora. Os haitianos que chegaram em São Paulo são os miseráveis que merecem ser deportados. E aí a coisa vai se
desenrolando e começa a atingir níveis diferentes que já nem fazem mais sentido, mas que seguem o mesmo padrão de
raciocínio. Como o jovem adolescente que não usa roupas de marcas importadas e deve sofrer bullying. Como os
funkeiros que devem morrer por ouvir uma música (?) de tão baixa qualidade. Como o eleitor que vota no PT e deve ser
xingado. Como o Luan Santana que não merece cantar para o Papa ou na Fórmula 1 porque é um cantor “sertanejo”. Como
o nordestino que deve voltar para a terra natal e abandonar São Paulo porque ele não nasceu aqui e é feio. E assim
vai.

Está ficando um verdadeiro abuso de falácias esse texto! (Argumentum ad hominem, Espantalho)
Você colocou tudo no mesmo saco, deturpando o argumento!
Criou um espantalho de quem critica políticas assistencialistas ineficientes e leis estúpidas (que geram desemprego e só contribui com a inclusão de mais pessoas na informalidade), colocando em pé de igualdade com pessoas preconceituosas, racistas e elitistas.

Eu sinceramente acho que as pessoas com esse tipo de opinião não fazem ideia do que é o nosso país. Não fazem ideia
de como nossa sociedade é composta. E também nunca ouviram falar em sociologia ou antropologia. Vivem em um mundo coberto por uma redoma de vidro e nunca procuraram estudar o porquê de sermos assim. São os “Caco Antibes” da vida real.
Defender a meritocracia, a redução da maioridade penal, a liberação do porte de arma de fogo, o aborto ou a pena de
morte em um país como o nosso é assinar um atestado de burrice imenso. Acreditar que somos um país preparado para o futuro é de uma ingenuidade tremenda. Achar que tirar o PT do poder do país, depois de 12 anos, é o início da
solução dos nossos problemas é como tomar aspirina para tentar curar um câncer.
A doença está dentro de nossas próprias casas.

Caramba isso sim é desilusão!
Cadê o espírito de fim de ano dos seus posts, aquela mensagem de renovação como a de 21/12/2013?
Olha só:
“Enfim, nossa vida não pára nunca e passamos cada dia mais a buscar novidades para não viver na monotonia. E é isso que eu desejo para todos vocês, meus amigos de sempre. Desejo que todos estejamos sempre nos reinventando, buscando o novo, experimentando, fracassando (por que não?) e aprendendo novas lições. Reclamem menos e façam mais, mudem mais. O mundo precisa disso.”

Sobre o desabafo vou ignorar por enquanto, me causou uma gastrite… mas o mesmo será retomado futuramente aqui mesmo!

 

FUI!

Mathias

Mensalão

Publicado: 15 de agosto de 2012 por Kzuza em Política
Tags:,

Li ontem a seguinte frase, atribuída ao jornalista Augusto Nunes: “Se os advogados de defesa não estão mentindo, o Brasil precisa pedir perdão aos mensaleiros e exigir a prisão do procurador-geral da República”.

Eu realmente não espero que ninguém seja condenado nesse julgamento monstruoso. Ou melhor, tenho a impressão de que somente Marcos Valério deverá ser condenado a alguma coisa. Porque ele não é político. Alguém vai ter que pagar o pato. Ninguém vai conseguir justificar um circo tão grande se ninguém pegar pena. Para alguém, vai ter que sobrar. E não vai ser para nossos políticos, pode ter certeza.

Eu gostaria que a presidente da República fosse capaz de me responder uma única questão:

Desde que nasci, nunca vi nenhum político ser condenado por crime algum. Já até vi alguns terem seus mandatos cassados (como o recente caso de Demóstenes Torres), mas nunca vi alguém realmente pagar por algum crime. Nunca vi ninguém ser preso por corrupção ou condenado a devolver dinheiro desviado aos cofres públicos. Sendo assim, o que acontece?

1 – Nunca existiu corrupção no Brasil. Afinal, nunca ninguém foi condenado.
2 – Não temos nenhum promotor/procurador competente no Brasil. Afinal, apesar de existir corrupção, nunca nenhum deles conseguiu provar nada contra essa corja de canalhas que dominam o país.

Enfim, qual das duas hipóteses é mais difícil de admitir? Será que alguém tem a resposta?

A cultura do errado

Publicado: 7 de agosto de 2012 por Kzuza em Comportamento, Esporte
Tags:


Ontem o jornalista Tiago Leifert elogiou, através do seu perfil no Twitter, a vitória norte-americana no futebol feminino, que classificou as meninas para mais uma final olímpica. Ele comentou que admira o espírito dos americanos nos esportes, lutando sempre até o final (o gol aconteceu no último minuto da prorrogação). Segundo ele, com americanos e chineses é sempre assim, não tem “mimimi”, não tem frescura, é luta e entrega até o final. Ponto pro Tiago! Gostei! Mas obviamente muita gente deve ter ficado puta com ele. Muita gente criticou, dizendo que ele estava “pagando pau” para os americanos, coisa e tal.

O problema do brasileiro em geral é que fazemos parte do que eu chamo de “cultura do errado”. Desde pequenos, aprendemos a admirar o errado, o fodido, o malandro. E passamos, inconscientemente, a rejeitar aquele que é bom, inteligente, capaz. É um tipo de inveja.

Na escola, o cara mais inteligente é sempre o ridicularizado. É o nerd. O CDF. É o que não se enturma. O popular é o baderneiro, o que fica de recuperação, o que tem as menores notas. Esse segundo é o cara admirado!

Aí quando começamos a trabalhar, seguimos a mesma linha. Aquele cara certinho, que é promovido porque faz o serviço corretamente, segue as normas da empresa, coisa e tal. O que falam dele? É um otário. Teve sucesso porque tem sorte. É o ridículo que pede reembolso só do valor que foi gasto, sendo que poderia ter pedido uma nota fiscal adulterada para poder pedir mais dinheiro.

Sem contar no otário que faz a declaração do imposto de renda sem mentir em nada e, assim, restituindo um valor menor. Ou daquele que ainda paga o valor inteiro do ingresso, sendo que podia falsificar uma carteirinha de estudante para pagar meia.

Essa é nossa cultura. Você pode até tentar negar, mas não vai conseguir.

Eu também não gosto de um monte de coisa nos americanos. Tem muita coisa que nós somos muito melhores. Mas não é demérito nenhum admirá-los nas coisas que eles fazem bem, como nos esportes. Reconhecer o que os outros fazem bem é um grande passo para o aprendizado.