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Estou terminando a leitura do livro acima. Já devo ter escrito bastante sobre o Dalrymple por aqui. Mas especialmente nesse livro, 3 capítulos serviram para mim como uma dinamite que implodiu as barreiras do meu cérebro para um conhecimento novo, uma espécie de luz intelectual. Eu me dei ao trabalho de transcrever os três capítulos para que você leitor tenha acesso, sem que eu precisasse ter que lhe emprestar o livro (e esse será um dos raros que ficará na minha estante). Tenha o trabalho de ler e você não vai se arrepender.

A Dificuldade de se Fundar uma Decência Comum Baseada em Princípios Primeiros

É possível observar essas coisas em atitudes muito prosaicas de rebeldia contra a convenção. Nos trens britânicos, por exemplo, rapazes e moças frequentemente colocam os seus pés sobre o assento em frente, caso não esteja ocupado. De fato, para eles, fazer isso se tornou quase uma atitude de rigueur. Tão logo se sentam, botam os pés em cima do assento, como se marcassem o seu território ou reivindicassem um direito de conquista. É bastante improvável que eles ajam dessa forma por mero cansaço, pois não é possível que as pernas deles estejam mais cansadas do que as das senhores, as quais nunca colocam os seus pés dessa maneira.

Tamanha é a absoluta soberania desses indivíduos que são pouquíssimas as pessoas que ousam desafiá-los Ressaltar que o aviso no vagão diz “Favor não colocar os pés sobre o assento” – o tipo de aviso que alguns anos atrás teria parecido absurdo, desnecessário, redundante – não surtiria efeito, e talvez pudesse ser perigoso, uma vez que mutias pessoas agora se sentem obrigadas a defender a sua soberania com uma faca. De fato, talvez até devamos esperar que o aviso venha a provocar o exato comportamento que ele procura evitar, uma vez que constitui um convite para que as pessoas demonstrem a virtude de seu caráter por meio da não conformidade.

Não faz muito tempo, uma jovem num trem no qual eu estava viajando colocou ostensivamente os pés no assento em frente. Ela era claramente da classe média conformista não conformista – ou não conformista conformista – um atributo há muito tempo característico da classe média. Sejam lá quais forem as deficiências científicas da ideia de Lombroso de que a criminalidade está inscrita biologicamente na face, uma rápida olhada nela foi suficiente para me assegurar de que muito provavelmente não pertencia à comunidade dos que andam de faca, e perguntei-lhe se não se importaria em retirar os pés do assento. Ela imediatamente (e sem qualquer aparente acrimônia) pensou numa autojustificativa.

– Meus pés estão limpos. – disse.

– Mesmo assim. – respondi.

– Eles não estão fazendo qualquer mal. – ela redarguiu.

Felizmente, ela então retirou os pés do assento, embora eu tenha notado que voltou a colocá-los assim que deixei o vagão na minha estação de parada. Nosso diálogo socrático, referente ao ato de colocar ou não os pés sobre os assentos no vagão de trem, foi abortado.

Todavia, caso a conversa tivesse continuado, está claro que os argumentos ficariam do lado da jovem, a não ser para aqueles cujo reconhecimento de um argumento depende de uma vitória total por nocaute. Por exemplo, ela teria sido capaz de questionar se o fato de colocar o s pés sobre os assentos desocupados seria danoso para alguém. Ela já alegara que os seus pés estavam limpos, e que, portanto, seria muito improvável que a saúde de alguém ficasse comprometida em razão do seu comportamento. Alguém já fizera um experimento científico – uma experiência duplamente filtrada – a fim de estabelecer se os pés sobre os assentos desocupados causariam danos tangíveis às pessoas que sentassem posteriormente nesse assentos? É claro que não, a própria ideia é um absurdo. Os resultados dessa experiência, caso fosse conduzida, seriam publicados no The New England Journal of Medicine? Ou ao menos num periódico menos célebre de pesquisa médica? A questão responde por si mesma. Prima facie a probabilidade de um dano é pequena, especialmente porque os passageiros estão vestidos e protegidos de um contato direto com o assento. O ônus da prova está, certamente, sobre a pessoa a propor a proibição desse tipo de comportamento. A jovem no trem talvez nunca tenha lido Mill, mas ela conheceria o argumento, mesmo porque quase todo mundo o conhece.

Muito bem, poderíamos dizer então que colocar os pés sobre o assento é deselegante, embora não seja danoso à saúde. Ah, mas quem disse? Não é um fato, tanto histórico quanto antropológico, que aquilo que é e foi considerado como item de boas maneiras variou ou varia no tempo e no espaço, e o que é ou foi considerado obrigatório num certo tempo e lugar é ou foi visto como absolutamente revoltante em iytri? Novamente, a jovem no trem talvez não tenha lido o ensaio de Montaigne sobre os canibais, no qual ele defende a relatividade do julgamento moral, mas mesmo assim ela conheceria o argumento.

Um apelo à democracia e à opinião da maioria tampouco funcionará, em primeiro lugar porque a opinião da maioria não tem direito intrínseco de se impor sobre as minorias (bem o contrário, de fato), e em segundo porque, se a opinião da maioria fosse relevante, sobre essa questão em particular a opinião da maioria é quase certamente desconhecida. Ninguém jamais conduziu uma pesquisa a fim de investigá-la, além disso haveria toda uma discussão a fim de se saber que opinião, de que parcela da população, deveria ser discutida. A população do país inteiro? A população que pega trem? Que usa determinadas linhas de trem, cuja opinião pode variar daquela de pessoas que usam outras linhas? Que viajam raramente, ocasionalmente, frequentemente ou duas vezes ao dia nos trens? A opinião de alguém que está no começo de sua rotina como passageiro deveria contar mais do que a de alguém que está no final, porque o primeiro tem mais interesse no futuro dos trens?

Seria contrário ao princípios elementares da justiça argumentar que, ao ser permitido que as pessoas colocassem os seus pés limpos sobre os assentos, em breve as pessoas com os pés sujos fariam o mesmo. Mesmo se aceitássemos o argumento como empiricamente correto, seria injusto penalizar uma pessoa pelo comportamento de outra, pois cada pessoa é responsável apenas por aquilo que ela mesma faz.

Em resumo, não há absolutamente qualquer razão conclusiva que afirme o motivo pelo qual as pessoas não devam colocar os seus pés sobre assentos desocupados, e não há qualquer base racional que previna que ajam dessa forma.

Há muitos outros comportamentos diários, impensada e preconceituosamente reprovados, sobre os quais o mesmo pode ser dito. Por exemplo, o que há de errado em jogar lixo em lugares ermos? Quem vai sofrer os danos? O horrendo efeito estético produzido não será um argumento válido, uma vez que a estética é somente uma questão de gosto e de opinião, e não uma questão de fato, ou seja, é inerentemente indemonstrável para terceiros. Mill rejeita especificamente tais bases para a proibição de qualquer coisa. A repugnância moral (cujas bases metafísicas, ou sua falta, são as mesmas daquelas do julgamento estético), mesmo que seja sempre tão forte, não pode jamais ser base de proibições. A pessoa com aversão poderá discutir, criticar e evitar a companhia da pessoa cuja conduta desaprova, mas ela não poderá buscar mudar a conduta por meio de proibições ou sanções legais. Nesse ponto de vista, é claro, mesmo a necrofilia seria permissível, uma vez que seu único dano seria o ultraje aos sentimentos daqueles que se sentem repugnados por tal comportamento; mas isso nada vale, ou se vale significa menos do que uma pena na balança.


A Lei da Conservação da Justa Indignação e sua Conexão com a Expansão dos Direitos Humanos

Esses argumentos são usados somente quando se verifica a remoção das restrições, é claro, nunca para estabelecê-las. Ninguém perguntaria a uma pessoa que não colocou os seus pés sobre o assento em frente por que ela não o fez, ou começaria uma discussão para saber por que não agiu dessa forma. Os argumentos serão usados somente para se discutir a permissividade do que outrora não era autorizado, exceto (talvez) em um ou dois casos isolados, como, por exemplo, em relação ao fumo. Nesse caso, um estranho tipo de fervor moral é reabilitado, análogo ao fenômeno associado a uma das leis da termodinâmica. Teríamos então a lei da conservação da justa indignação, a qual, ao não se associar mais a uma coisa, estará associada a outra. É como se o fundo total de indignação humana tivesse um tamanho constante. À medida que proibições morais tradicionais, inibições e antigas considerações são destruídas pela crítica corrosiva da verborreia filosófica, novas proibições imediatamente aparecerão para preencher o vácuo gerado.

Num primeiro momento parecia que o tabaco causaria danos principalmente ou apenas à pessoa que fosse suficientemente tola para consumi-lo; mas isso, é claro, não teria dado bases suficientes para assediar os fumantes. Essa percepção – alguém pode suspeitar – impeliu a organização de pesquisas que demonstrassem que fumar tabaco (mas não a maconha, pois aqui a opinião corrente caminhava em outra direção) causava danos à saúde de terceiros. Sucessivos estudos começaram a demonstrar males cada vez maiores, e chegou-se a dizer que mesmo a mobília, em ambientes nos quais havia fumantes, seria perigosa para as crianças, as quais absorveriam nocivas substâncias químicas incrustadas na madeira e no estofado. Logo, essa situação justificaria as regulamentações mais dramáticas – talvez, um dia, testemunhemos a esterilização compulsória dos fumantes (lembrem-se de que hoje em dia a sátira se tornou profecia). O desejo de interferir na vida dos outros não fica automaticamente extinto ao se ler Mill ou ao se absorver as suas opiniões; de fato, torna-se mais intransigente no tocante àqueles objetos aos quais se associa.

Essa mudança dos objetos que se desaprovam, todavia, não foi meramente uma mudança de opinião, mas resultou em profundas alterações sociais. Ela torna tudo o que não é proibido um direito, pois obviamente a pessoa terá o direito de fazer aquilo que ninguém tem o direito de proibir. De súbito, o mundo fica repleto de direitos, e novos direitos serão descobertos todos os dias, na mesma velocidade com que as expedições dos insetologistas na bacia no Amazonas descobrem novas espécies de insetos.

E as pessoas que estão agudamente cientes de seus direitos (embora diferentes daqueles tradicionais como o direito a um justo julgamento e o direito à liberdade contra a prisão arbitrária), e que os têm sempre presentes em suas mentes, a ponto de apelarem a esses direitos ao primeiro sinal de frustração de seus caprichos, tendem, por outras razões mais, a se tornarem  egoístas radicais. A origem metafísica de seus direitos não as preocupa mais do que as origens metafísicas de sua crença na existência do Himalaia: a “localidade” de seus direitos e a do Himalaia é a mesma. Quando perguntaram a George Leigh Mallory, o montanhista, por que ele queria escalar o Monte Everest, ele respondeu, “Porque está lá”. Os direitos também estão lá precisamente da mesma forma para aqueles que querem exercê-los.

Esses direitos se expandem a fim de satisfazer os egos daqueles para os quais a liberdade nada mais é que a ação desimpedida de regras. (O único bem que merece esse nome, diz Mill, é aquele de perseguir o nosso próprio bem, de nossa própria maneira).

Os direitos se expandem por dois meios. O primeiro: direitos negativos se transformam em direitos positivos. Por exemplo, o direito de uma mulher ter uma criança, no sentido de ninguém poder preveni-la caso ela assim deseje, transforma-se em direito de “possuir” uma criança de fato, mesmo à custa dos contribuintes e da sociedade. A infertilidade se torna uma afronta ou uma infração aos direitos, em vez de ser uma infelicidade fisiológica; e uma vez que existam os meios técnicos para corrigir essa infertilidade, embora caríssimos e cujos êxitos acontecem em alguns poucos casos, o acesso a esses meios se torna em si um direito, cuja negação se torna base para queixas e (ainda mais valiosos) ressentimentos. Não será preciso dizer que a discriminação contra as mulheres, sejam lá quais forem as evidências ligadas à conduta ou estilo de vida, em sua busca por um tratamento de fertilidade passará a ser vista como uma violação de seu direito de ter uma criança. Quero, portanto, tenho o direito. Nesse ditado está contido o motivo pelo qual será tão difícil a longo prazo colocar quaisquer fronteiras éticas sobre os avanços técnicos da medicina reprodutiva. O desejo é soberano, e ele governa no Versalhes da mentes. Ficamos assombrados com o feticídio praticado na Índia, mas que objeções podemos de fato levantar, uma vez que aceitamos a majestade da vontade individual?

O segundo meio pelo qual os direitos se expandem a fim de satisfazer os egos que os exigem é a negação da reciprocidade limitadora. Nesse caso, ele caminha no sentido de afirmar que um direito só pode ser genuíno se for incondicional. O direito a um julgamento justo não pode ser anulado por qualquer outra consideração, como, por exemplo, por razões de Estado. Uma vez que isso representa o arquétipo de um direito humano, não significaria que eu tenho o direito de escutar a minha música como eu quiser? E da mesma forma isso não pode ser anulado por qualquer outra consideração – por exemplo, de que o volume da música não deixa meu vizinho dormir? Ou eu tenho um direito ou não tenho; e uma vez que eu o tenha, azar do vizinho com a sua insônia e que deseja dormir um sono profundo, antes de retornar ao trabalho pela manhã. Não será preciso dizer, meu vizinho pensa que tem um direito, igualmente incondicional, de tocar a sua música. Portanto, o subsequente conflito de direitos poderá ser resolvido, em sua defesa, somente com o recurso à força.

Isso não é meramente hipotético, ou uma construção de minha imaginação. Em minha carreira como médico testemunhei, inúmeras vezes, pessoas severamente feridas como resultado de conflitos de direitos, assim como conheci detentos que foram levados a adotar medidas extremas em razão de seu vizinho ouvir música em altíssimo volume nas primeiras horas da manhã. Esses detentos não eram pessoas violentas por inclinação, mas uma vez que as autoridades se omitiram em seus poderes de sentença e de cumprimento da ordem, nada mais lhes restara a não ser o argumento do porrete e da faca.


O Paradoxo do Individualismo Radical que Conduz ao Autoritarismo

Uma filosofia que se destine a destruir a influência do costume, da tradição, da autoridade e do preconceito de fato destrói costumes particulares, como também tradições, autoridades e preconceitos específicos, mas apenas para substituí-los por outros. Tanto nesse aspecto da existência humana como em todos os outros, o novo poderá ser melhor que o antigo, mas também poderá ser pior. A melhoria tem de começar de algum lugar, o mesmo vale, contudo, para a deterioração. A filosofia – ou, talvez, a “atitude” seria um termo melhor para descrevê-la – do individualismo radical instila um preconceito profundo em favor do eu e do próprio ego, e no processo estabelece costumes que são sociais apenas no sentido de muitas pessoas os compartilharem, e também apenas no sentido de que encorajarão condutas que sobreviverão de geração a geração, caso não sejam interrompidas. A vida passa a ser concebida como uma extensão ilimitada da escolha do consumidor, uma rede em volta do supermercado existencial, de cujas prateleiras diferentes estilos de vida podem ser adquiridos, da mesma forma que se faz com os alimentos industrializados, e sem quaisquer consequências mais profundas ou significativas. Como diz uma rede de supermercado francesa, le client est roi, o cliente é rei, embora saibamos que, é claro, caso o cliente queira uma real ajuda ele terá grandes dificuldades para encontrar alguém que de fato o ajude. O cliente é rei, mas apenas de si mesmo.

Um radicalismo individual como esse tem outro efeito paradoxal: aquilo que começa como busca por um individualismo ampliado ou mesmo total termina com o aumento do poder do governo sobre os indivíduos. Isso não acontece pelo método totalitário de tornar compulsório tudo aquilo que não é proibido – um processo que, em toda a história humana, talvez tenha chegado mais longe na Coreia do Norte – mas ao destruir toda a autoridade moral que se coloca entre a vontade individual humana e o poder governamental. Tudo aquilo que não é proibido pela lei será, ipso facto, permissível. O que é legalmente permissível será também moralmente permissível. “Não há lei contra isso” tornar-se-á justificativa irrepreensível para toda sorte de condutas caprichosas e egoístas. 

Isso, é claro, torna as leis e, portanto, aqueles que as produzem, os árbitros morais da sociedade. São eles que por definição decidem o que é e o que não é permissível. Todo e qualquer estigma é removido das condutas outrora moralmente condenáveis. 

Considerando-se a natureza humana, não é preciso dizer que aqueles aos quais é delegado o trabalho de árbitros morais de toda a sociedade apreciam o seu poder e passam a pensar que realmente o merecem, que foram escolhidos em razão de seu insight especial sobre a forma como a vida deve ser vivida. Não são apenas os legisladores que sucumbem a essa tentação, mas também os juízes, e quem poderá culpá-los, já que não há mais outra fonte de autoridade coletiva? O radicalismo individual é, portanto, não apenas compatível com a radical centralização da autoridade, mas um produto dela. O indivíduo é deixado para que viva a sua vida como manda o seu capricho, mas o poder central aceitará de muito bom grado a responsabilidade e a autoridade de proteger esse indivíduo das consequências de agir dessa forma. 

Se existe alguma coisa que causa dependência, essa coisa se chama poder normativo. Uma vez que se o tenha (em qualquer  nível, caso a pessoa se incline a isso por temperamento), jamais se ficará satisfeito com a dose. A ausência de qualquer autoridade intermediária entre o indivíduo de um lado e o poder político soberano do outro permite que o último se insinue por entre os mais recônditos lugares da vida diária. Um poder infinito passará a pensar a si mesmo como infinitamente bom, já que se torna infinitamente responsável pelo bem-estar de seus súditos (os quais, obviamente, tornar-se-ão objetos de suas intervenções). A tomada de decisões se dividirá, então, em duas esferas: os assuntos sérios da vida são deixados sob a responsabilidade da autoridade soberana, ao passo que o indivíduo será deixado para que viva o seu movimento browniano em espaços cada vez mais restritos. Recentemente, por exemplo, eu queria que limpassem os vidros de casa. Eles foram limpos durante anos pelo serviço de uma dupla de pai e filho, e com o trabalho dos quais eu sempre estive mais do que satisfeito. Mas, subitamente, o governo decidiu que era excessivamente perigoso que homens subissem escadas, ao menos para um propósito tão trivial, como o resultado de eu mesmo ter que limpar as janelas, debruçando-me sobre elas da forma mais perigosa possível, e logo privando os limpadores de janela de seu sustento.

A falta de autoridades intermediárias, tais como família, igreja, organizações profissionais, etc., nos acostumou a esperar, e aceitar, o direcionamento centralizado de nossas vidas, mesmo quando resulta em absurdidades como essa. E, dessa forma, a corporatização da sociedade segue pari passu com a ampliação do egoísmo desenfreado.

Ao mesmo tempo que a diversidade tem sido a palavra da moda nos últimos tempos, tenho reparado que a mesma só tem sido bem vinda quando convém ao establishment. Em outras palavras, o que é “diferente” só é bem vindo quando serve aos interesses de um grupo quase homogêneo que domina a grande mídia e o meio intelectual.

Quando se trata de uma garota beijar outra garota, ou de um garoto beijar outro garoto, a tal ‘quebra de tabu’ é sempre bem vinda, desde que as pessoas envolvidas estejam alinhadas com o discurso ideológico em voga. O mesmo acontece para mulheres que deixam seus pêlos crescerem, para homens que querem usar barba colorida ou uma saia comprida, para adeptos de dietas alimentares alternativas, para ‘religiões’ modernosas… enfim, tudo que gira em torno dessas esquisitices deve ser louvado, trazido à público como grandes novidades, como quebra de paradigmas. Na onda do progressismo, vale o lema de Raul Seixas: ‘Faça o que tu queres pois é tudo da lei’.

Porém, quando se tratam de opiniões e ideias que fogem do establishment, a diversidade não é nem um pouco apreciada.

Qualquer vírgula que seja colocada fora do lugar em sentenças já estabelecidas como verdade (acho que já falei sobre pós-verdade aqui) é motivo para que seu interlocutor seja taxado de antiquado, caretão, conservador, fascista, machista, homofóbico e por aí vai, de acordo com o tema abordado.

Pensando de uma maneira racional, a lógica argumentativa progressista baseia-se na regra: se está de acordo com o que eu penso e trará mais integrantes para o meu grupo, está correto (mesmo que não seja verdade, pois, nesse caso, o ônus da prova está com quem discorda da minha linha de pensamento). Já se está contra o que eu acredito, é automaticamente falso (e qualquer exame sobre a lógica, ou seja, sobre a verdade é dispensado, sendo substituído facilmente por qualquer xingamento ou caretas de reprovação).

De certa forma, entendo quem escolhe pensar desta forma. É muito mais confortável pensar assim. E fica mais fácil ainda quando a opinião contrária é uma voz praticamente única em um mundo culturalmente corrompido. Quando alguém ousa levantar a mão e questionar, é muito mais fácil soltar um “cala a boca” do que simplesmente mostrar que ele está errado.

Quando busca-se silenciar todas as opiniões diferentes, o mundo fica estagnado. Pois, caso a verdade seja calada, quem voltará a descobri-la?

Cansei!

Publicado: 29 de maio de 2017 por Kzuza em Política

Esse é um post de despedida. Talvez não um “adeus”, mas um “até um dia”! Eu, Zuza, estou me despedindo dos assuntos relacionados à política. Ao menos nesse blog e na nossa página no Facebook. Eu desisti. Cansei. Esse fardo é pesado demais para mim.

Já tinha feito isso há um tempo atrás. Removi todas minhas ‘curtidas’ e ‘seguidas’ no Facebook em páginas e em pessoas que falavam sobre política (independente da ideologia – direita ou esquerda). Parei de escrever. Confesso: eu me senti muito bem. Mas bastante gente me questionou, pediu para que eu voltasse. Retomei as atividades no início desse ano. Voltei com as curtidas, criei a página do MF no Facebook, passei a pesquisar mais.

Mas essa semana, o desânimo voltou. Já bloqueei todo mundo novamente no meu Facebook. Agora só tem vídeo engraçado, crianças fofinhas, assuntos da família e vídeos de gatos. Chegou a vez de me despedir desse assunto também na MF. E por isso estou escrevendo.

Você talvez se pergunte: mas por quê? Eu explico.

Em primeiro lugar, o momento turbulento que nosso país está passando. É impossível para mim acompanhar tudo o que está acontecendo, pesquisar, me informar e fazer um julgamento racional. Por incrível que pareça, acho isso sempre necessário, não consigo ser superficial. Mas com o meu trabalho pegando fogo, onde não consigo parar muitas vezes nem para tomar um café, como consigo fazer isso? Não tenho pique para chegar em casa e me inteirar de tudo o que rolou durante o dia (e olha que não têm sido poucas coisas).

Em segundo lugar, e onde reside o principal motivo dessa minha renúncia à política, está o altíssimo grau de desonestidade intelectual das pessoas. Quando o problema é falta de acesso à informação, eu até entendo o fulano ser ignorante. Mas quando o problema é falta de honestidade (para não dizer um excesso de filhadaputagem mesmo), aí não tem perdão.

O nível da discussão chegou a graus tão absurdos que houve gente semana passada que chegou a defender a manutenção da cracolândia. O mesmo povo que defendeu a cidade pixada chegou agora a defender, veja só, um antro de criminalidade, tráfico de drogas e de viciados em crack. Quando li esse texto aqui, minha ficha caiu e pensei: agora não falta mais nada.

Como disse para um amigo, não importa o que o atual prefeito faça em relação à cracolândia. O problema não está no QUE ele faz: o problema é que é ele QUEM faz. E aí os órfãos do ex-prefeito das ciclofaixas surgem para bradar contra qualquer ação do atual gestor.

O mesmo raciocínio imbecil se repete em nível nacional. As gravíssimas denúncias contra o atual mandatário, dignas de mais um pedido de abertura de impeachment, inflamaram um discurso absurdo pedindo eleições diretas, passando por cima da Constituição Federal para fazer valer a vontade da horda órfã da ex-presidenta.

Enfim, cansei de escrever para convertidos. A gente que lê e entende meus textos não precisa mais deles. Quem mais deveria ler e entender algumas coisinhas simples que eu coloco nesse espaço está pouco se fodendo para isso, porque pensar dói um pouco e, mais importante que pensar, é estar ao lado dos que parecem bonzinhos. Mais importante é ficar bem com os amiguinhos da classe média alta do condomínio e da faculdade. Importante mesmo é repetir jargões. É parecer bom. É dizer que ter boas intenções, mesmo que suas ideias sejam comprovadamente fadadas ao fracasso.

Meu sonho agora, como diria um conhecido meu, é chegar a um nível de ignorância política onde eu não saiba sequer quem é o presidente da república.

Vou voltar aos meus livros de filosofia… Até breve!

Quem é John Galt?

Publicado: 28 de abril de 2017 por Kzuza em comunismo, liberalismo
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Não sei, mas achei que o dia de hoje merecia essa camiseta.

Em A Revolta de Atlas (SPOILER ALERT!!!!), Ayn Rand descreve uma sociedade autônoma que é formada em um vale. Essa sociedade é fundada por John Galt, um engenheiro de mente brilhante que desiste de ser explorado por pessoas que não fazem nada por merecer e decide parar o motor do mundo. Ele começa a convencer outras mentes brilhantes, principalmente empreendedores, a não mais se curvarem às exigências de um Estado parasita que quer apenas sugar os frutos de seus trabalhos e os leva a viver no Vale de Galt.

Quem lê o livro nunca mais é o mesmo. É justamente por isso que, para mim, o dia de hoje demonstra muito a crise moral que vivemos.

A pergunta que sempre faço é: se houvesse a possibilidade de criar uma nação nova, em um território isolado, onde você pudesse escolher quem seriam os habitantes, você preferiria um mundo onde estivessem só os apoiadores do movimento de hoje, ou só os opositores ao movimento de hoje? Se pudéssemos criar um Vale de Galt, você preferiria que ele fosse habitado por indivíduos que preferem submeter suas decisões e vontades a um poder central (sindicatos ou um Estado gordo e poderoso), ou por indivíduos que preferem fazer suas próprias escolhas livremente e realizar trocas de maneira voluntária? Nessa decisão completamente hipotética, lembre-se: sua escolha é excludente, ou seja, você não pode levar os dois lados para o mesmo lugar.

Para facilitar, imagine um mundo sem patrões. Sem empresários malvadões. Sem grandes fazendeiros. Sem exploradores. Um mundo onde reinam apenas os apoiadores do PSOL, do PT, do PC do B, do PSTU, do PCO, do MST, da CUT e da UNE. Imagine esse mundo. Como seria viver nele? De quem essas pessoas reivindicariam dinheiro? Terras? Propriedades? Direitos? Trabalho? Imagine todas essas pessoas tendo que depender umas das outras, somente.

Se essa é a sociedade que você quer viver, leia A Revolta de Atlas e entenda onde é que ela vai parar. Se isso não fizer sentido para você, eu não sei mais o que pode te ajudar.

Sindicatos/Movimentos Sociais ou PCC?

Publicado: 27 de abril de 2017 por Mathias em Política, violência
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Boato de toque de recolher afeta 4 bairros de Santo André
Leia a transcrição deste áudio:
_ Pessoal, estão anunciando que vão liberar o UBER com desconto na cidade, é o seguinte, se tiver um UBER rodando a gente vai quebrar tudo hein irmão.
_ Avisa a galera ai porque se não parar o país sexta-feira nóis vai quebrar é tudo esses carros aí com celular no painel, é pra aderir a greve geral hein.
_ Não é pra levar um trabalhador… uma manicure, uma cabeleireira, não é pra levar ninguém ao trabalho, e todos os trabalhadores tem que ficar em casa tranquilo aí, que a mobilização é geral.
_ É o seguinte, vamo quebrar tudo, se tiver 1 uber rodando no Brasil nóis vai quebrar.
Áudio aqui:
Você sabe se isso é uma intimidação do PCC sobre a população ou de sindicalistas sobre trabalhadores?
O áudio circula em grupos de whatsapp de “motoristas de app” como Uber, devido a uma parceria dá prefeitura com a empresa, para garantir mobilidade urbana na cidade.
Escolas privadas estão com medo de funcionar amanhã com medo de represálias, sindicatos já compareceram nos locais para alertar.
Pequenos comércios locais já estão cogitando não abrirem devido aos inúmeros boatos.
A atuação dos sindicatos se assemelha ao terrorismo das organizações criminosas como PCC. Armado com pelegos que se sustentam pela suor dos trabalhadores, arrancando 1 dia de trabalho por ano de forma compulsória, os sindicatos e demais movimentos que existem em função da sua sanha por poder e dinheiro organizam para sexta-feira (28/04) uma greve geral.
As pautas são vagas e basicamente faz oposição as reformas estruturais da previdência e do trabalho, reformas essas que prejudicam justamente os próprios sindicatos, que roubam a autonomia do indivíduo.
Mas dessa vez, para garantir uma paralisação que não tem apoio popular as centrais sindicais estão usando do terror característico das utilizadas pelo crime organizado.
Tudo começa com um burburinho, o que antes se alastrava no boca a boca, na rádio-peão de intervalo do almoço hoje está a apenas 2 cliques, em poucas horas cria-se um factoide baseado em boatos e a merda já está feita. Daí para a histeria coletiva é um passo:
– Você recebe em todos os grupos um áudio alertando a não sair de casa que vão “tacar fogo” em quem estiver na rua.
– Você recebe aquela mensagem reciclada de que passaram de moto fazendo toque de recolher.
– Nos terminais o boato é que tudo vai parar.
– Nas ruas o olhar atento revela um terror cujo inimigo não tem rosto.
– Tem aquele famoso fulano irmão do sargento da rota que tem notícias quentes também, que fala da mobilização dos quartéis sobre o acontecido.
– E o clássico áudio com voz sinistra com 90% de gírias fazendo o mesmo alerta em tom ameaçador.
Essas ameaças são usadas pelo crime, que usa do terror quando querem demonstrar seu poder perante o poder público e a ordem social da cidade, normalmente quando sua estrutura criminosa sofre baixas ou perda financeira. Hoje vemos estas mesmas táticas de terrorismo sendo utilizada pelas centrais sindicais e por supostos movimentos sociais como MST, MTST, UNE ou qualquer outro grupo que diz representar parcelas da sociedade, mas não conseguem se manter financeiramente por seus associados e barganham recursos do estado, recurso que deveria ser devolvido a sociedade em forma de serviços essenciais como a proteção e a garantia da vida, liberdade e propriedade de todo pagador de impostos.
Essa greve visa defender a permanência das gordas verbas pagas obrigatoriamente por trabalhadores e pelo estado, articulada pelos tentáculos da extrema-esquerda totalitária que não conseguem aceitar a autonomia do indivíduo, tratando todos como imbecis incapazes de buscar seus próprios arranjos de trabalho, e nomeando de forma autoritária pessoas que agem em conluio com as figuras políticas já conhecidas por todos nós.
Fui!
Mathias

A crença no Poder da Caneta!

Publicado: 26 de abril de 2017 por Kzuza em Política
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Temos uma greve geral (que aposto que não terá mais de 100 mil adeptos no Brasil todo) agendada para o dia 28 de Abril, sexta-feira. Dentre as reivindicações, a luta contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo atual governo.

É desnecessário constatar que essa greve se trata de um mero movimento político da extrema-esquerda brasileira, órfã desde o desmascaramento do PT e dos seus líderes. Qualquer ser humano minimamente consciente tem noção disso. Basta olhar quem está por trás do movimento: movimentos sindicais, partidos de esquerda, movimentos de sem-terra e movimentos estudantis. Ou seja, de voz popular mesmo, não temos absolutamente nada.

Também é completamente inútil dizer que toda a histeria contra tais reformas não tem absolutamente nenhuma relação com o conteúdo da mesmas, mas sim contra seus autores. Dilma e o PT já sinalizavam há tempos a necessidade e o desejo de se realizar a flexibilização da CLT e a reforma previdenciária, sem nenhum pio a respeito vindo dessas mesmas entidades que hoje apoiam uma greve geral.

Mas o que realmente me surpreende nas informações divulgadas por esses organizadores é o tal mantra do “Nenhum direito a menos!”. Espalham aos quatro cantos que o governo está querendo acabar com os direitos dos trabalhadores, inclusive com o direito à aposentadoria.

Esses movimentos possuem uma crença fortíssima que costumo chamar de “Crença no Poder da Caneta”. Eles crêem que basta uma boa vontade de políticos bem intencionados em criar algumas leis, aprová-las e pronto, tudo será realizado. É como se todos os empregos e todo dinheiro do mundo estivessem lá, guardados em um cofre, e que bastasse alguém determinar um lei para que eles fossem destinados aos lugares certos.

Essa gente adora se dizer contra a desigualdade social, mas paradoxalmente apoia uma CLT (por exemplo) que concede privilégios a uma parcela da população (aquela que está empregada formalmente), mas joga para a informalidade e para o desemprego uma outra grande parte. Hoje já são mais de 13 milhões de desempregados. Devemos considerar também jovens que não possuem nenhuma experiência profissional e que tentam entrar no mercado de trabalho e não conseguem, devido às barreiras impostas à contratação deles (como o salário mínimo, por exemplo).

Não há hoje nada mais excludente do que a CLT. Privilegia os que já estão trabalhando e fode com a vida de quem precisa trabalhar. Simples dessa forma. E mesmo assim, há gente defendendo que as coisas continuem assim, e sabe-se lá porquê (eu já tentei entender a mente dessa gente, mas definitivamente não consigo).

Enfim, vida que segue…

Crise moral

Publicado: 18 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Palmeiras x Corinthians. Jogo válido pela primeira fase do campeonato paulista de 2017. O jogador Keno, do Palmeiras, sofre uma falta por trás cometida pelo volante Maycon, do Corinthians. O outro volante, o jogador Gabriel, que vinha acompanhando a jogada, já tinha cartão amarelo. Ao se levantar após a falta, Keno aponta imediatamente para Gabriel, e o árbitro aplica o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho no jogador errado. Muita confusão. Jogadores do Corinthians em peso tentam alertar o árbitro do equívoco, mas ele não muda de opinião. Nenhum jogador do Palmeiras se manifestou.

São Paulo x Corinthians. Jogo válido pelas semifinais do mesmo campeonato paulista de 2017. Em uma bola no ataque do Corinthians, o atacante corinthiano Jô e o zagueiro Rodrigo Caio disputam a bola, que estava muito mais próxima do goleiro Renan Ribeiro, que fica com ela. No lance, Rodrigo Caio se choca com o goleiro do próprio time, que fica no chão. O árbitro, de longe, aplica o cartão amarelo no atacante Jô. Imediatamente, Rodrigo Caio comunica o juiz da partida que foi ele quem se chocou contra o goleiro, e que o cartão é injusto. O árbitro volta atrás e aplaude o jogador tricolor.

As situações relatadas acima são completamente antagônicas. Uso-as propositalmente nesse artigo para demonstrar uma crise moral pela qual passamos aqui no país.

No primeiro episódio, o foco foi colocado apenas no juiz da partida, que de fato cometeu um erro crasso. Ele acabou sendo punido, como de fato deveria ser. No entanto, pouco ou praticamente nada se comentou sobre o fato de nenhum jogador, nem o treinador e nem ninguém da comissão técnica do Palmeiras terem se manifestado. Não houve um mísero ser humano digno de um pingo de honestidade para poder safar o juiz, a partida e, principalmente, sua própria honra de homem.

Já agora no segundo episódio, apesar de felizmente muita gente estar comentando favoravelmente a atitude de extrema hombridade de Rodrigo Caio, inclusive os próprios adversários corinthianos, ainda somos obrigados a ver gente imbecil como o jornalista Juca Kfouri comentando: Não fez nada mais do que a obrigação. Sério, Juca?

Na minha opinião, a honestidade não é uma virtude. Ela é apenas uma característica moral que deveria passar desapercebida por aí. É algo como o fato de não se matar ninguém. Não é uma grande qualidade, apenas a obediência a um princípio moral universal. Acontece que aqui no Brasil desenvolvemos algo que vai além disso, a tal “Lei de Gerson”. A honestidade por aqui é vista com maus olhos, é coisa de gente tola. E acho que, justamente por isso, é extremamente necessário louvar atitudes como a do jogador sãopaulino de pé, exaltá-la aos quatro cantos, principalmente pela mídia formadora de opinião. É algo para se mostrar nas escolas para as crianças mais novas. É algo para se incentivar, vibrar. É digno de uma estátua no estádio do Morumbi. E sabe por quê? Para que possamos um dia tentar colocar fim à Lei de Gerson. Para que um dia não precisemos mais ficarmos maravilhados e atônitos diante de um gesto que deveria ser, como Juca disse, mera obrigação.

Esse desvio moral vai muito além do futebol. Recentemente, em uma entrevista no programa Pânico no rádio, os fundadores do site Ranking Políticos respondiam a uma pergunta do apresentador Emílio Surita: mas político não é tudo igual? Eles mencionavam que existiam atitudes que mostravam se um político era pior ou melhor que outro. Citaram o exemplo do senador José Reguffe que abriu mão de uma série de benefícios como parlamentar e reduziu o número de assessores, tudo em caráter irrevogável, economizando assim uma quantia absurda de dinheiro ao longo dos 4 anos de mandato. Tanto o apresentador quando outros integrantes da bancada do programa disseram que isso era mera propaganda, marketing, demagogia. Uma das integrantes do programa chegou até a criticar o prefeito João Dória por doar seu salário para entidades filantrópicas do terceiro setor e mostrar isso na internet.

Veja até que ponto vai a mente doentia das pessoas. As atitudes dignas desses políticos, por mais corretas que possam ser, são minimizadas porque são apenas objeto de propaganda. Sério? Eu quero é que se dane. Não me importa! O mais importante é que façam o que é certo. Se for para mostrar na internet, se for para ganhar votos, se for para deixar a mamãe feliz, eu não me importo, desde que seja o correto a fazer e que sirva de exemplo aos demais.

Se você anda relativizando boas atitudes por aí só porque não foram realizadas por seus amigos, por pessoas do seu partido político ou por jogadores do seu time de futebol, tenha muito cuidado. Você certamente já foi contagiado por essa crise moral avassaladora que passamos aqui no país.

Por mais Rodrigos Caios!