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Sindicatos/Movimentos Sociais ou PCC?

Publicado: 27 de abril de 2017 por Mathias em Política, violência
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Boato de toque de recolher afeta 4 bairros de Santo André
Leia a transcrição deste áudio:
_ Pessoal, estão anunciando que vão liberar o UBER com desconto na cidade, é o seguinte, se tiver um UBER rodando a gente vai quebrar tudo hein irmão.
_ Avisa a galera ai porque se não parar o país sexta-feira nóis vai quebrar é tudo esses carros aí com celular no painel, é pra aderir a greve geral hein.
_ Não é pra levar um trabalhador… uma manicure, uma cabeleireira, não é pra levar ninguém ao trabalho, e todos os trabalhadores tem que ficar em casa tranquilo aí, que a mobilização é geral.
_ É o seguinte, vamo quebrar tudo, se tiver 1 uber rodando no Brasil nóis vai quebrar.
Áudio aqui:
Você sabe se isso é uma intimidação do PCC sobre a população ou de sindicalistas sobre trabalhadores?
O áudio circula em grupos de whatsapp de “motoristas de app” como Uber, devido a uma parceria dá prefeitura com a empresa, para garantir mobilidade urbana na cidade.
Escolas privadas estão com medo de funcionar amanhã com medo de represálias, sindicatos já compareceram nos locais para alertar.
Pequenos comércios locais já estão cogitando não abrirem devido aos inúmeros boatos.
A atuação dos sindicatos se assemelha ao terrorismo das organizações criminosas como PCC. Armado com pelegos que se sustentam pela suor dos trabalhadores, arrancando 1 dia de trabalho por ano de forma compulsória, os sindicatos e demais movimentos que existem em função da sua sanha por poder e dinheiro organizam para sexta-feira (28/04) uma greve geral.
As pautas são vagas e basicamente faz oposição as reformas estruturais da previdência e do trabalho, reformas essas que prejudicam justamente os próprios sindicatos, que roubam a autonomia do indivíduo.
Mas dessa vez, para garantir uma paralisação que não tem apoio popular as centrais sindicais estão usando do terror característico das utilizadas pelo crime organizado.
Tudo começa com um burburinho, o que antes se alastrava no boca a boca, na rádio-peão de intervalo do almoço hoje está a apenas 2 cliques, em poucas horas cria-se um factoide baseado em boatos e a merda já está feita. Daí para a histeria coletiva é um passo:
– Você recebe em todos os grupos um áudio alertando a não sair de casa que vão “tacar fogo” em quem estiver na rua.
– Você recebe aquela mensagem reciclada de que passaram de moto fazendo toque de recolher.
– Nos terminais o boato é que tudo vai parar.
– Nas ruas o olhar atento revela um terror cujo inimigo não tem rosto.
– Tem aquele famoso fulano irmão do sargento da rota que tem notícias quentes também, que fala da mobilização dos quartéis sobre o acontecido.
– E o clássico áudio com voz sinistra com 90% de gírias fazendo o mesmo alerta em tom ameaçador.
Essas ameaças são usadas pelo crime, que usa do terror quando querem demonstrar seu poder perante o poder público e a ordem social da cidade, normalmente quando sua estrutura criminosa sofre baixas ou perda financeira. Hoje vemos estas mesmas táticas de terrorismo sendo utilizada pelas centrais sindicais e por supostos movimentos sociais como MST, MTST, UNE ou qualquer outro grupo que diz representar parcelas da sociedade, mas não conseguem se manter financeiramente por seus associados e barganham recursos do estado, recurso que deveria ser devolvido a sociedade em forma de serviços essenciais como a proteção e a garantia da vida, liberdade e propriedade de todo pagador de impostos.
Essa greve visa defender a permanência das gordas verbas pagas obrigatoriamente por trabalhadores e pelo estado, articulada pelos tentáculos da extrema-esquerda totalitária que não conseguem aceitar a autonomia do indivíduo, tratando todos como imbecis incapazes de buscar seus próprios arranjos de trabalho, e nomeando de forma autoritária pessoas que agem em conluio com as figuras políticas já conhecidas por todos nós.
Fui!
Mathias

Sobre feminicídio

Publicado: 9 de janeiro de 2017 por Kzuza em Comportamento, violência
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violencia-contra-mulher-eleicao

Relutei muito antes de escrever sobre assunto. Pesquisei bastante, conversei bastante, fiz algumas reflexões e, enfim, tomei coragem.

Como qualquer assunto polêmico, a abordagem racional sobre o mesmo desperta a fúria e a indignação da maioria das pessoas. Minha proposta aqui não é oferecer soluções para o problema da violência contra as mulheres, mas sim apresentar o meu ponto de vista sobre o quanto a visão extremamente sentimentalista da nossa sociedade e a ausência de foco e debate por parte das feministas radicais acaba prejudicando o combate aos assassinatos de mulheres.


Bem, primeiro vamos às definições. Talvez a definição mais simplista do termo feminicídio seja:

O assassinato de uma mulher por um homem, pelo simples fato dela ser mulher.

Encontrei uma mais completa, e definitivamente muito melhor, no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Violência Contra a Mulher, de 2013:

O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Em 2015, o feminicídio foi incluído no código penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio, passando também a ser enquadrado como crime hediondo.


Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato de uma mulher como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.

Eu particularmente também considero esse tipo de crime hediondo. Sou contra a pena de morte (por motivos que não vou explicar aqui, mas talvez em um post futuro), mas é um tipo de caso que para mim é digno de prisão perpétua.

Mas a discussão aqui não é sobre isso.

Hoje, o código penal brasileiro já possui seus qualificadores para o crime de homicídio. Não sou especialista em leis, mas sei que um dos agravantes é justamente quando o crime é cometido por motivo torpe:

É o moralmente reprovável, demonstrativo de depravação espiritual do sujeito. Torpe é o motivo abjeto, desprezível. É, pois, o motivo repugnante, moral e socialmente repudiado. No dizer de Hungria, revela alta depravação espiritual do agente, profunda imoralidade, que deve ser severamente punida.

Exemplos desses motivos são: crimes por motivação racial, questão religiosa, orientação sexual da vítima, matar por herança, etc. Ou seja, um assassinato cometido por qualquer motivo de preconceito se enquadraria nesse qualificador.

Aqui, obviamente, há uma diferença a respeito do feminicídio. Primeiro, seguindo as próprias definições que coloquei lá no início do meu texto, esse tipo de assassinato de mulheres não se enquadra meramente em uma questão de preconceito. Segundo, um assassinato qualificado como motivo torpe não torna o crime hediondo (até onde eu saiba, mas aceito aqui comentários de advogados para me esclarecer).

Aparentemente, o código penal ainda não fazia diferenciação de um crime de acordo com o sexo da vítima ou do criminoso, o que faz todo o sentido.


A questão que fica, então, é a seguinte: por que então esse tipo de crime tão abjeto, repugnante e nojento é hediondo apenas quando cometido contra mulheres?


É aqui, amiguinhos, que começa a treta.

Vou criar um nome fictício: machocídio. É um novo termo que criei para definir esse tipo de crime:

O machocídio é a instância última de controle do homem pela mulher: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando o homem a um objeto, quando cometido por parceira ou ex-parceira; como subjugação da intimidade e da sexualidade do homem, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade do homem, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade do homem, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Acreditem, isso acontece (veja aqui, aqui, aqui e aqui alguns exemplos). Talvez um dos mais marcantes recentemente tenha sido o do empresário da Yoki, cometido por Elize Matsunaga.


Novamente, coloco uma citação minha: Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato desses homens como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.


Se você consegue se indignar de maneira igual frente a crimes de igual crueldade e motivação, independente do sexo do autor e da vítima, você já está um passo à frente de muita gente por aí. Você inclusive já deve ter entendido onde quero chegar.

Mas se você ainda acha que há diferença quanto à pena aplicada ao criminoso ou à celeridade na condução do processo de julgamento apenas porque a vítima é uma mulher, você tem altas possibilidades de fazer uso de um dos argumentos abaixo:

1. Mas as mulheres são muito mais vítimas de violência doméstica do que os homens!

Bem, realmente não estudei sobre esse assunto. Não pesquisei números, mas vou assumir, com bases em experiências pessoais e no que nos é divulgado por meios de comunicação que SIM, homens são frequentemente mais violentos em casa com suas mulheres do que o contrário.

Mas há uma falha enorme nesse argumento. ENORME!

Se você for considerar a gravidade de um crime pelas características físicas mais comuns de seus criminosos, a situação fica complicada. Imagine só que no Brasil, de acordo com o relatório do Departamento Penitenciário Nacional de 2014, 67% dos presos são negros. Você acharia razoável considerar um assassinato cometido por um negro mais grave do que se o mesmo houvesse sido cometido por um branco?

Então por que um crime passional cometido por um homem é mais grave do que um cometido por uma mulher? Provavelmente, o argumento a seguir vai lhe servir.

2. Mas os homens estão em posição física superior às mulheres!

Também ouvi bastante sobre isso. E aqui entra todo um conflito com o princípio da isonomia do direito.

É claro que, fisicamente, os homens em sua maioria são superiores às mulheres. São mais altos, mais fortes, falam mais alto, mais grosso, e possuem um poder de intimidação superior. Há suas exceções, claro (as lutadoras de MMA e judô e as jogadoras de basquete que o digam).

Mas, se formos pensar em um contexto geral de violência física e assassinatos, parece-me bastante comum que as vítimas estejam quase sempre em desvantagem física perante aos criminosos, não?

Se um ladrão magrelo e baixinho, trabalhado no crack, chega para assaltar um transeunte qualquer e dá um tiro no coitado, matando-o, isso não faz dele um criminoso melhor ou pior do que um outro alto e bombadão, fazendo a mesma merda.

3. Mas as mulheres não são levadas a sério quando denunciam abusos à polícia!

Há aqui alguns pontos a serem considerados.

O primeiro deles é que a nossa polícia é muito despreparada para qualquer tipo de situação. Pasmem! Eu sei que isso pode parecer novo para vocês, mas qualquer pessoa (e aqui incluo homens e mulheres) que vá uma delegacia registrar um boletim de ocorrência sobre ameaça, violência, furto ou roubo, raramente os casos são investigados ou acompanhados. Assim, precisamos obviamente cobrar uma efetividade maior da polícia em TODOS os casos, senão fica parecendo coisa de gente egoísta, querendo privilégios.

O segundo ponto é que, acreditem, mulheres possuem delegacias próprias para atendimento às mulheres! Homens sequer têm esse privilégio.

E o terceiro e mais importante: quando você defende e incentiva punições mais duras a um crime apenas por conta de quem o comete e não pela natureza do crime, você também incentiva um aumento no número de denúncias de prática do mesmo apenas observando quem o cometeu. O problema aqui está que, nessa situação, você também passa a ter um número maior de denúncias de crimes falsos. Ou seja, você passa a focar no possível criminoso, e não no possível crime.

Quando você passa a considerar qualquer coisa como feminicídio, você passa a considerar o feminicídio como qualquer coisa. Se tudo é feminicídio, nada é feminicídio.

(Você provavelmente vai entender essa minha última afirmação de acordo com as suas convicções próprias, e dificilmente a observará sob a luz da razão, eu sei. Eu considero a violência física, a intimidação e, principalmente, o assassinato de inocentes algo grave a ser combatido, independente de quem os cometa. Se para você isso é ser machista, misógino, fascista ou qualquer desses termos que você adora, o problema não é meu.)


Conclusão: é óbvio que crimes graves de homicídio devem ser severamente combatidos e exemplarmente punidos, sejam eles contra quem forem. No entanto, se você considera que há diferenciação nos crimes por qualquer aspecto que não a motivação e a crueldade dos mesmos, temos uma diferença grande de princípios morais.

Sim, homens coagem e matam mais suas esposas e namoradas por questões relativas aos seus relacionamentos (posse, ciúme, afirmação, objetificação, etc.) do que mulheres o fazem com seus maridos ou namorados. Porém, você não acha justo que ambos os casos sejam combatidos e punidos igualmente, mesmo assim?


Considerações finais:

1 – Acredito que a impunidade no Brasil é hoje um dos maiores problemas que temos.

2 – Considero a legislação penal brasileira extremamente branda.

3 – Não há homicídio justificado, a não ser em legítima defesa.

4 – Homens são mais violentos que as mulheres, no geral. Mas tentei centrar meu texto não na violência física, mas sim nos casos de homicídio.

5 – Menos de 10% dos homicídios no Brasil são solucionados. Ou seja, mais de 90% dos assassinos não são sequer identificados, quanto menos presos. Isso sim deveria deixar o povo de cabelo em pé!

Quais são as causas da violência?

Publicado: 6 de outubro de 2015 por Kzuza em violência
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Entrei em um debate ontem que me fez pensar muito a respeito do assunto, então decidi escrever um post aqui para tentar esclarecer um pouco a minha linha de raciocínio.

O post original era de um amigo falando sobre violência, e argumentando que, para ele, a principal causa da violência em nosso país era a desigualdade social. Eu então disse que para mim, a principal causa era a impunidade, oriunda de uma polícia mal preparada e de uma justiça falha. Mas foi a resposta dele que me fez pensar:

Será que a polícia Suíça é extremamente eficiente, ou dado aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim?

Essas perguntas que seguem a máxima da Tostines (“Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”) sempre dão um nó na minha cabeça.

Eu realmente acho que, nesse caso específico, as duas afirmações são verdadeiras: a polícia (e a justiça) suíça devem ser extremamente eficientes; e devido aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim. A questão maior nesse caso, ao meu ver, é estabelecer a relação de causalidade entre as coisas. Seriam a polícia e a justiça eficientes porque elas não tem muito trabalho, ou porque o país tem altíssimos níveis sociais?

É muito difícil separar as coisas porque tudo caminha junto. Afinal, tanto a polícia quanto a justiça de um país são comandadas por pessoas que fazem parte da população desse mesmo país. Elas são fruto de uma formação social, que vem dos valores culturais e da educação disponível para esses cidadãos ao longo de suas vidas. Ninguém nasce juiz, advogado, policial, delegado ou detetive.

Bem, então eu entendo que baixos índices sociais influenciam a sociedade como um todo: não somente bandidos, mas também cidadãos de bem. Ou seja, uma polícia mal preparada, corrupta em muitos casos, também é fruto de um ambiente social desfavorável.

Outro ponto importante no qual fiquei pensando é: se nos últimos anos houve uma melhora significativa nos níveis de desigualdade social no país (a maior bandeira levantada pelo atual governo federal), deveríamos ter então também uma redução significativa nos índices de criminalidade. Quer dizer, isso partindo da premissa de que a desigualdade social é a principal causa dos índices de violência.

Vejamos: o índice de Gini, que é um dos principais indicadores de desigualdade, vêm caindo sistematicamente nos últimos anos.

gini

Por outro lado, o número de homicídios no país não tem diminuído, pelo contrário.

homicidios

Ou seja, aparentemente uma coisa não tem assim tanto impacto sobre outra. Portanto, desconfio que a desigualdade não é uma doença, e sim o sintoma de algo grave acontecendo.

Mas eu também devo reconhecer que, pensando melhor, eu talvez não esteja certo quando disse que a impunidade é a principal causa da violência no país. Ela também é um sintoma.

A doença principal é, ao meu ver, o repúdio que temos a quem quer ganhar dinheiro honestamente, trabalhando. O cara quer empreender, a burocracia não permite. Aí o nego vira camelô, e a polícia toma a mercadoria dele (vi isso ontem e hoje no centro de São Paulo, e isso me disse muita coisa). O jovem quer trabalhar mas a legislação não permite. O estudante quer começar a trabalhar, mas a burocracia dificulta e encarece tanto o jovem profissional que a barreira para sua entrada no mercado de trabalho se torna instransponível. O pequeno empresário quer expandir seu negócio, mas o capitalismo de compadres praticado pelo governo federal com seus grandes amigos empresários dificulta a sua empreitada. Enfim, eu poderia ficar por linhas e linhas aqui dando exemplos. Mas o que eu quero dizer é:

Em um país onde se é tão difícil ganhar dinheiro honestamente (e quando você o faz, o governo lhe toma metade), e onde as punições para quem infringe as leis não são lá essas coisas, não me espanta tanta gente escolher o caminho errado.


Houve quem questionasse, nesse mesmo debate, que:

Não há nem metade dessa ‘impunidade’ que as manchetes sensacionalistas adoram propagar. Quando se entra em um curso de direito, o tapa na cara é imediato, a vida real é completamente diferente do que a mídia e as conversas de fila de banco nos dizem.

De maneira proposital, resolvi alfinetar com uma resposta mostrando uma reportagem do G1 sobre o assunto. Fui imediatamente massacrado, como já podia esperar. “Vir com uma matéria do G1 para provar que eu estou errada?”. E também: “não espero que saiba a diferença entre a polícia e o judiciário”. Bastou isso para saber qual o rumo que o debate tomaria, então eu me poupei de responder.

No entanto, cabem alguns comentários:

  • Quando eu disse impunidade (segundo o dicionário: estado de impune; falta de punição, de castigo), não me restringi ao culpado pela mesma. Se um assassino comete um crime e não é punido, ele foi impune. That’s all.
  • A matéria do G1 foi proposital, justamente para saber se o importante eram os fatos ou as fontes.
  • Uma pesquisa rápida no Google mostra que existem vários estudos a respeito da quantidade de crimes de homicídio solucionados no Brasil (aqui, aqui, aqui ou aqui). Quem confirma isso é a Associação Brasileira de Criminalística, ou outras publicações como o Mapa da Violência.
  • Eu acho sinceramente que a parte da realidade que consigo observar em todo o universo é microscópica. Não consigo ter a real compreensão da realidade apenas pelo que eu observo ou ouço de relatos de amigos (ou de fila de banco, como foi o exemplo citado).
  • Eu nunca vi uma cobra cascavel. Nunca fui atacado por uma cobra cascavel. Não tenho um conhecido sequer que tenha tido contato com uma cobra cascavel. Tenho amigos biólogos que nunca viram uma cobra cascavel. Mas eu sei que elas existem e são muito perigosas. O simples fato de eu nunca ter tido contato com algo não muda a realidade dos fatos.

maioridade

Vi a charge acima em algum lugar por aí e resolvi que já era hora de me posicionar a respeito do projeto de redução da maioridade penal que tramita pelo Congresso Nacional.

Em primeiro lugar, devemos destacar a questão da constitucionalidade do projeto. A discussão jurídica acerca do mesmo é imensa, e eu infelizmente não tenho capacidade técnica de dizer se a mesma enquadra-se ou não na Constituição Federal. Já ouvi argumento de ambos os lados, mas ninguém conseguiu me convencer nem de uma, nem de outra coisa.

Sendo assim, vou partir do pressuposto que a mudança é constitucional, para poder expor qualquer argumento. Caso contrário, se eu presumisse que era inconstitucional, nada do que eu dissesse faria sentido.

É necessário, antes de expor a minha opinião, desmistificar uma série de argumentos que vêm sendo utilizados por aí e que não fazem o mínimo sentido. E pior: são desonestos.

1 – A redução da maioridade penal só vai prejudicar negros e pobres

Definitivamente, não. A redução só vai prejudicar criminosos que tenham mais de 16 anos. Negros e pobres, ou quaisquer outros cidadãos, que sejam pessoas de bem, não serão presos indiscriminadamente somente pelo fato de terem mais de 16 anos.

O que de fato prejudica negros e pobres é um governo mais preocupado com seu enriquecimento próprio do que com as necessidades básicas de vida desses cidadãos.

2 – As penitenciárias não servem para reformar ninguém; são escolas do crime!

OK, se isso então for verdade, vamos também parar de prender estupradores, assassinos e traficantes maiores de idade, porque eles também não têm solução mediante a um sistema penitenciário tão arcaico.

3 – Crianças não são criminosas

Não, de fato não são. Mais uma vez, ninguém sairá prendendo e condenando crianças por aí pelo simples fato delas serem…. CRIANÇAS! (Duvido muito que você considere, de fato, um jovem de 16 anos como criança.)

4 – Se o adolescente pode responder criminalmente por um ato, também pode dirigir, beber, viajar para o exterior sem os pais, etc.

Acho que estamos falando de coisas diferentes, não? Mas enfim, eu explico melhor. Responsabilidades nem sempre implicam em direitos adquiridos em contrapartida. Estamos tratando somente do problema da violência e da criminalidade nesse caso.

5 – A redução da maioridade não vai diminuir a criminalidade

Muito provavelmente, sozinha, não mesmo. Mas ela ajudará a inibir a violência. A existência de uma lei que prevê penas para quem mata uma pessoa não faz com que não existam assassinatos, mas inibe que tais crimes sejam cometidos à reveria por aí. O mesmo se aplica à leis de trânsito, por exemplo.


Para mim é muito claro que o projeto que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos, por si só, não irá acabar com a criminalidade. Porém, também é claro que é uma das medidas válidas para que o objetivo final seja cumprido. Em conjunto, uma série de reformas no âmbito educacional, da justiça e do sistema penitenciário se fazem extremamente necessárias, em adição ao projeto. Enfim, muita coisa sim precisa ser feita ainda, mas isso não faz com que a redução da maioridade penal não seja vista com bons olhos. Punir responsáveis por crimes é apenas uma de todas as ações que eu e você, como cidadãos de bem, devemos exigir na nossa sociedade.

Vamos falar sobre violência?

Publicado: 22 de janeiro de 2015 por Kzuza em violência
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Outro dia me deparei com um post inteligentíssimo no Facebook (coisa rara nos dias atuais), onde a autora dizia: “Bandidos não são oprimidos! Os oprimidos somos nós, trabalhadores e cidadãos de bem, que não temos segurança de que, ao sairmos de casa pela manhã, iremos retornar vivos ao final do dia!”. Achei brilhante! O post ainda continha outras sentenças menos marcantes (mas não menos inteligentes) a respeito da execução do traficante brasileiro na Indonésia.

Eu nem escrevi a respeito do assunto por aqui porque, sinceramente, achei de uma irrelevância tão grande o assunto que não valeria à pena gastar meu tempo com ele. É como um cronista esportivo comentar o resultado de um jogo da terceira divisão.

Mas achei pertinente abordar aqui um assunto importante acerca do tema do post do Facebook.

Infelizmente muita gente possui uma dificuldade tremenda de assumir as responsabilidades sobre as coisas que deram errado de alguma forma em suas vidas. Há, no brasileiro em geral, uma resistência muito grande em admitir os próprios fracassos, ou de admirar (e se espelhar em) os sucessos dos outros. Estou estudando a respeito disso agora, então acho que um dia chegarei à conclusão de porque tendemos quase sempre a culpar outrem pelas nossas derrotas.

Não é difícil encontrar gente que considere que a maioria dos bandidos, na verdade, é vítima de uma sociedade economicamente desigual e racista. Algo como: o homem não é mau, a sociedade é que o torna mau. Sinceramente, esse discurso romântico sempre me pareceu bastante razoável até algum tempo atrás, mas hoje penso diferente. Prefiro concordar com a autora do post, quando ela disse: “A impunidade é uma das grandes responsáveis pelo que vemos hoje em dia, pois as pessoas perdem o medo de algo acontecer se fizerem algo de errado”. Conseguem entender a diferença?

O argumento que tenta explicar (ou justificar) a violência das pessoas com base no meio em que vivem é completamente falacioso e moralmente desonesto. Quem se usa desse tipo de argumento não consegue desprender o indivíduo da sociedade e passa a considerar que o um é o todo, e o todo é um. É como se as pessoas não tivessem escolha própria e seguissem, cegas, por um caminho ditado pela manada. Ou pior, é como se a maioria então fosse bandida e somente uma minoria, com muita sorte, conseguisse escapar para o caminho do bem.

Talvez se vivêssemos em uma ditadura (talvez), eu pudesse dar alguma credibilidade a esse tipo de argumento. Se as pessoas não tivessem opção de escolha, se o modo de vida lhes fosse imposto por uma entidade superior, aí sim faria algum sentido. Mas não, se as pessoas têm essa opção de trilhar o caminho do bem, por que não o fazem?

Cresci e fui criado em condições sociais e econômicas muito similares às dos meus vizinhos. A maioria esmagadora seguiu o caminho normal: o do bem. Trabalham. Estudam. Cuidam das suas famílias sem precisar fazer mal a ninguém. Alguns ganham mais dinheiro que os outros, o que é perfeitamente normal pois cada um escolheu uma ocupação diferente. E alguns, infelizmente, escolheram o caminho da bandidagem. Por algum motivo qualquer, mas sinceramente não porque a sociedade foi mais cruel com eles do que com os outros.

É possível que a tal impunidade, mencionada anteriormente, tenha dado um empurrãozinho neles para o caminho tortuoso do crime, mas nem mesmo ela é suficiente, sozinha, para fazer alguém se tornar ruim. É aí que eu queria chegar. A sociedade não faz ninguém ruim. A justiça falha do nosso país também não, ela apenas faz com que os ruins se sintam mais livres para cometerem atrocidades. Por isso culpo mais a impunidade do que a própria sociedade.

O fato é que não devemos tentar encontrar justificativas para quem é violento. Precisamos sim implantar formas de punir severamente quem deve ser punido e livrar os inocentes. Precisamos educar a população e focar em exemplos do que é certo ou errado, moral e eticamente.

A mais ou menos duas semanas que os noticiários aqui no Brasil dão ênfase ao conflito Israel x Palestina e agora as pessoas começam a formar suas opiniões. A maioria tenta traduzir todo o conflito, que se arrasta há séculos, com frases de efeito e quadrinhos ilustrados para defender um dos lados ou evitam algum julgamento objetivo colocando-os no mesmo nível moral.

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Cobertura da mídia é imparcial?

Vejo o relativismo moral como um problema a ser combatido, pois ao nivelar ambos os lados o mais justo será prejudicado e o duplo padrão de julgamento torna impossível enxergar a realidade dos fatos.

Primeiramente acho que não há inocente no conflito, mas tenho claro minha convicção de que Israel sofre com calúnias e injustiças e o povo judeu será um eterno bode expiatório dos males do mundo, é o traço do antissemitismo histórico do Islã no Oriente Médio e que se espalhou com a ajuda da fraude do texto “Protocolos dos sábios de Sião” surgido na Rússia em 1897 culminando após alguns anos no holocausto da 2ª Guerra Mundial.

“As explosões de antissemitismo parecem não requerer explicação especial, como consequências naturais de um problema eterno. É perfeitamente natural que os antissemitas profissionais adotassem essa doutrina: é o melhor álibi para todos os horrores. Se é verdade que a humanidade tem insistido em assassinar judeus durante mais de 2 mil anos, então a matança de judeus é uma ocupação normal e até mesmo humana, e o ódio aos judeus fica justificado, sem necessitar de argumentos” Origens do totalitarismo, Hannah Arendt

Historicamente acho importante saber que o nome “Palestina” surgiu somente na era Pós-Cristo, antes a região se chamava Judéia e os judeus saíram de lá por imposição dos Romanos. E mesmo após a expulsão dos judeus a região nunca foi considerada uma nação organizada, tratava-se de vários grupos espalhados, inclusive com diversas línguas distintas.
Portanto é falso o argumento colonizador de Israel ante os Palestinos na região que nunca deixou de ter, em números reduzidos, judeus principalmente onde hoje é Tel Aviv. Existia convívio pacífico até a chegada de Maomé (ano 600) e a ordem de “Jamais existir outra religião na Arábia”.

A partir daí vejo o início dos problemas que perduram até hoje. Mas me atenho pelo período mais atual, a partir de 1890

Os árabes muçulmanos apoiaram o Império Otomano (Antiga Turquia) na Primeira Guerra – ficando com grandes territórios mesmo perdendo o combate – e apoiaram Hitler na Segunda Guerra, recebendo apoio financeiro e logístico da SS aos antissemitas.

Em 1929 aconteceu o massacre de Hebron, 60 judeus mortos e os demais expulsos.
Em 1937 houve a rejeição árabe da divisão da região entre judeus e a palestina, eles queriam a retirada de todos e o controle árabe total.
Em 1944 houve a tentativa de envenenamento dos poços de Tel Aviv.

Só após a Segunda Guerra houve a necessidade de criar o Estado judaico por questão de segurança já que não se sustentava o convívio muçulmano e judaico. A questão do surgimento do Estado de Israel por imposição política e diplomática não é única, mas há um claro monopólio do julgamento desta questão.

A partir daí que considero o começo do uso do terrorismo comumente a todo o território de liderança muçulmana e a tática de persuadir a opinião pública em qualquer reação de Israel.

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Sempre há crianças e sangue de um lado. Do outro apenas uma “bombinha”

Só quando conheci de forma mais densa de todo o cenário que pude compreender a diferença moral entre os dois lados do conflito defendo inexoravelmente os direitos de Israel.

Em 1967 a Guerra vencida por Israel deixou o menor número de civis entre todas as outras guerras.

Em 1973 Egito e Síria lançaram ataques em Israel no Yom Kippur, o dia sagrado do ano judeu..

O objetivo da OLP, do Hamas e de muitos outros grupos é eliminar o Estado de Israel. Seu líder, já morto, Yasser Arafat, nunca negou o fato. Enquanto a mulher e filha de Arafat viviam na França, filhos de palestinos, entre crianças, eram mandados como bombas humanas para o assassinato de crianças, mulheres e idosos judeus. O exército de Israel defende seu povo, principalmente mulheres e crianças.

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Será que ambos estão espontaneamente em seus postos?

Arafat é homenageado pela ONU como grande líder, nada foi dito quando Egito e Cisjordânia ocuparam a Palestina.

Árabes vivem e trabalham em Israel. Já na palestina é inimaginável qualquer permanência no território.

O muro erguido por Israel, construído para evitar ataques terroristas, são criticadas.

Israel é um país democrático, tem escolas laica, religiosa, ortodoxa, municipais e árabes;

A mulher é respeitada em Israel, enquanto na palestina vivem sob o medo.

 

O duplo padrão do julgamento é claramente antissemita.

Nunca houve uma crítica dura dos direitos humanos por serem os próprios árabes e muçulmanos os maiores assassinos dos palestinos.

Nunca vi nada a respeito da situação do Tibete, sempre passivo aos ataques da China, somente no filme Hotel Ruanda a guerra civil e o genocídio de grupos internos são retratadas, o Boko Haram sequestra, estupra e mata mulheres cristãs na Nigéria. Pol Pot comete genocídio no Camboja.

É um mesmo peso para duas medidas!

Procure os fatos nas origens, leia, pesquise, questione, procure os argumentos do outro lado. Eu procurei e não encontrei nada que mereça nem mesmo um ponto de atenção, tudo que há de defesa dos atos terroristas são baseados em questões históricas de mais de 2000 mil anos e todos baseados em questões religiosas fundamentalistas e fanáticas.

“Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad”. Essa é a opinião dos líderes palestinos para a questão de Israel.

Como poderia defender alguma equivalência do confronto?

FUI!
Mathias

… pra que lado eu corro!

Publicado: 9 de abril de 2011 por Mathias em Política, violência
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É Zuza… a coisa tá feia.

Rapaiz, tava vendo umas fotos no UOL sobre um confronto no MASP de grupos pró e contra o tal do Bolsonaro, o deputado machão que não gosta de viado e que acha negro promíscuo. Engraçado que o deputado é de Campinas e depila o peito!

A polícia interveio no confronto, para sorte do pessoal que não gosta de deputado, porque os caras do pró eram todos bombados, carecas com tatuagens da suastica e simbolos da SS, já vi esses Skinhead’s e dá medo, os caras são nazistas mesmo. Será que sabem da tal metrosexualidade do deputado?

Bom, eu só lembro do deputado em outra polêmica, uma treta com a deputada Maria do Rosário do PT.

Fato é que o cara é problema mesmo… a ficha do cara no Wiki é grande! kkk

Histórico: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro

Se cuida Bolsonaro, FUI!

Fotos: http://noticias.uol.com.br/album/100409bolsonarus_album.jhtm?abrefoto=5#fotoNav=1

Pra vc Bolsonaro: