Arquivo da categoria ‘Cotidiano’

Mais um pra conta!

Publicado: 10 de fevereiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Há 3 anos escrevi aqui sobre o meu carnaval em família. De lá para cá, nada mudou. Nem o sítio. Dá para ver que a foto desse ano foi tirada no mesmo lugar, com apenas algumas diferenças quanto à disposição das pessoas. Alguns que estavam em 2013 não estavam esse ano. Alguns que estavam esse ano, simplesmente não saíram na foto (Luiz Claudio, Giovanna, Claudia, Karina, Haroldo, Merilin, Lucas, Marcia e Sadao). Mas o fato é que, na verdade, isso não muda muita coisa.

Talvez a única coisa que eu tenha a adicionar em relação a tudo o que eu escrevi há 3 anos é referente a algo que descobri nesse ano.

Eu sempre soube que juntos somos mais fortes. Talvez porque eles todos sejam meus melhores amigos desde sempre. Talvez porque sejam as pessoas com quem tenho mais contato.

Mas o que eu descobri esse ano é que nós somos capazes de fazer o outro melhor naquilo que ele mais precisa. Nós temos o poder de tornar o outro melhor nos seus maiores defeitos. E isso tudo ocorre sem precisarmos forçar a barra. Não usamos de força, não damos porrada, não usamos palavras fortes ou depreciativas. Digo isso por experiência própria, já que cada momento com esses caras me ensina alguma coisa nova e me ensina a ser melhor em algo que eu sou ruim. Mas é possível perceber que a mesma coisa acontece com os outros.

É claro que nem tudo são flores. Descobri que meu fígado não é mais o mesmo, e também que agora virei tio dos filhos dos meus primos. Sim, ambos estão relacionados à minha idade, e devo reconhecer que essas coisas me assustam um pouco. Mas certamente não mudará o quanto eu amo esse pessoal, e nem irá reduzir a vontade de estar com eles no próximo ano novamente nessa puta confraternização.

A era do “Curtir e Compartilhar”

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Há um tempo atrás escrevi esse texto aqui, ó. Queria usar a primeira parte dele (até o vídeo do Clarion) como introdução para esse post de agora.

Tenho reparado, no meu Facebook, a quantidade crescente de posts propagando notícias e histórias falsas. E olha que eu nem sou o cara mais esperto do mundo, e nem de perto o mais inteligente. Porém, o meu olhar crítico para alguns detalhes me permite sacar, logo de cara, quando um post é falso.

O principal motivo dessa propagação de posts falsos está na necessidade dos indivíduos modernos em se fazerem notados. É a vontade de compartilhar e ter um post curtido. É a necessidade de expor a sua opinião, de se mostrar indignado com alguma situação ruim, ou admirado com um fato bom.

O problema disso é que, nem sempre, a opinião é baseada em fatos; ou nem sempre a situação ruim é verdadeira; ou nem sempre o fato relatado realmente ocorreu.

Eu não acho, sinceramente, que as pessoas que compartilham essas coisas falsas façam isso de má fé. Mas também não acredito que elas estejam de fato interessadas em checar se as informações são verídicas ou não. Já cansei de ler a frase: “Não sei se é verdade ou não, mas achei por bem compartilhar”. O tempo gasto para digitar a frase é o quase o mesmo gasto, em tempos de Google, para checar as informações.

De qualquer forma, eu vou colocar algumas dicas aqui valiosas para que você identifique, rapidamente, se algum texto é verdadeiro ou não, antes de sair compartilhando por aí:

  1. Verifique se há uma fonte confiável e conhecida. Se o texto estiver publicado em um blog qualquer (WordPress, Blogspot, etc.), verifique se o mesmo faz referência a uma fonte concreta. Senão, esqueça.
  2. Verifique sempre a autoria do texto. Procure informações sobre o autor. É fácil identificar se foi ele mesmo quem escreveu o texto.
  3. Procure palavras-chave no seu texto que denunciem um possível hoax (boato): ATENÇÃO!; DIVULGUE AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL!; NÃO SEI ONDE ACONTECEU, MAS…; OS ENVOLVIDOS NÃO PODEM SER IDENTIFICADOS; OS ENVOLVIDOS PREFEREM SE MANTER ANÔNIMOS; EU ESTAVA LÁ, FOI LINDO!; A ANS E A ANVISA (ou qualquer outros órgãos regulamentadores) JÁ RECONHECERAM…; etc. As chances do seu texto ser falso são gigantes!
  4. Cuidado com as fanfics. Hoje em dia elas estão amplamente espalhadas por aí.
  5. Procure acompanhar os excelentes sites do Sensacionalista, Joselito Müller e Piauí Herald. São mestres na arte de criar notícias falsas engraçadas e que parecem reais, embora hoje enfrentem uma concorrência brava do mundo real. Se você não é bom de sacar ironia, muito provavelmente já compartilhou algum texto deles achando ser verdadeiro.
  6. Quanto maior o número de termos técnicos e específicos do texto, usados para chocar, maiores as chances do texto ser falso.
  7. E se o seu texto analisado passar por todos os testes anteriores, mesmo assim cheque sua autenticidade no site E-Farsas. Os caras são praticamente infalíveis!

E por favor: resista à tentação do compartilhar!


Em tempo:

  • Suzane von Richtofen não está em liberdade condicional e nem é presidente de comissão nenhuma na Câmara;
  • A foto do bebê dentro da bolsa de líquido amniótico que não estourou é verdadeira, mas a história da mãe com HIV é falsa;
  • Nem Dilma e nem Alckmin aumentaram o valor do Auxílio Reclusão;
  • Ladrões não estão dando chaveiros de brinde em postos de gasolina para rastrear seu carro.

Desculpa aí se você já foi enganado com alguma dessas histórias… ¯\_(ツ)_/¯

 

O mundo precisa de silêncio

Publicado: 19 de janeiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Sou de descendência italiana. Naturalmente, falo bastante e, confesso, em um volume acima da média. Necessito estar sempre me policiando. Se há algo que eu não gosto é de incomodar as pessoas.

No entanto, há uma coisa importante nesse aspecto. Há uma diferença grande entre a esfera privada e a esfera pública. Uma coisa é você estar em casa, ou na casa de parentes e amigos próximos, em uma reunião privada de pessoas, em um grupo restrito. Outra coisa bem diferente é você estar em um ambiente público, cercado de pessoas que não fazem necessariamente parte do seu grupo. No primeiro cenário, meu grau de ponderação é bem menor que no segundo.

Eu fico impressionado como, em dias atuais, as pessoas perderam a referência do espaço em que se encontram e, assim, acabam agindo de maneira igual tanto no privado quanto no público.

Já escrevi várias vezes aqui nesse espaço sobre a questão do respeito. Hoje em dia, talvez esse seja o ingrediente mais em falta na sociedade.

É incrível como as pessoas não conseguem mais se manterem reservadas em um ambiente aberto, cheio de gente, em uma cidade como São Paulo. Não há, definitivamente, o espaço para o silêncio, para a discrição. Seja no transporte público, em um restaurante, na empresa, ou mesmo em um hospital, a moderação está em falta. É a conversa constante no celular, em volume estratosférico, de fazer corar até um cara como eu. É a conversa sobre assuntos íntimos (e às vezes indiscretos, nojentos e estúpidos) com o colega do lado, sem parar. São as gargalhadas histéricas. É o vídeo recebido no grupo do Whatsapp exibido no celular em alto volume. É a gravação daquela mensagem de voz para seu amigo que não pode esperar até você chegar no carro.

Será que ninguém se pergunta se está incomodando os demais ao redor? Será que ninguém se pergunta se mais alguém está interessado no assunto da conversa, além de si mesmo e da pessoa do outro lado (ou mesmo se a outra pessoa está interessada)? Será que ninguém se pergunta se aquela ligação não pode aguardar até estarmos em um ambiente privado e tranquilo?

Devíamos dar mais valor ao silêncio, aos momentos de introspecção. Por que não aproveitar aquele momento em que não se tem nada para fazer e ler um livro? Ou estudar um assunto novo, interessante? Ou mesmo, se nada disso lhe interessar, que tal aproveitar seu tempo simplesmente para não incomodar quem está ao seu redor?


Texto inteiramente dedicado a uma das poucas leitoras assíduas desse espaço, minha amiga Luciana Garcia. Adorei a dica!

 

O ano da renovação

Publicado: 18 de dezembro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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2015 caminha para o seu fim e há quem  diga que ele vai embora sem deixar saudades. Realmente, não me lembro de um ano com tanta gente mal por aí. Há um clima de insatisfação e falta de perspectiva tomando o meu círculo familiar e de amizades. Isso me entristece bastante.

Mas acho que se olharmos para trás, há sim muita coisa boa para lembrarmos, apesar de todas as dificuldades passadas. Falo isso de forma bastante pessoal, mas creio que se cada um fizer isso, haverá ao menos uma dezena de motivos bons ao longo desse ano que nos fazem crer em um mundo melhor para 2016.

Foi meu primeiro ano (quase) inteiro morando sozinho. Confesso que relutei muito em voltar para São Caetano, mas hoje tenho certeza de que fiz a coisa certa. Foi certamente um ano de muito aprendizado e de muita responsabilidade.

Também conheci o Chile, que há muito tinha vontade de conhecer. Minha primeira viagem sozinho, e que me encheu de histórias para contar (especialmente pelo meu primeiro terremoto!). Reencontrei dois grandes amigos de muito tempo e pude descobrir que não é só Carapicuíba que é lotada de gente feia.

Trabalhei como nunca na empresa, conduzi o projeto mais difícil de toda a minha vida, conquistei um espaço bacana e, principalmente, consegui não estragar uma grande amizade de longas datas com a minha mais nova cliente.

Descobri também que uma grande amizade era capaz de se transformar em um relacionamento para lá de gostoso. Que a gente combinava muito mais do que podia imaginar, apesar de sermos tão diferentes. E que cada momento junto acabaria se tornando algo tão sensacional.

Enfim, são as pequenas coisas que me fazem ainda acreditar que o mundo é bacana, apesar de Dilmas Roussefs, atentados terroristas, crises econômicas e políticas, e títulos do Curintcha.

Desejo a todos meus amigos e familiares um novo ano melhor que esse que se encerra. Um ano de união. Acho que é isso que mais precisamos. E que todos tenhamos saúde e determinação para enfrentar o que mais tiver por vir em 2016. Que nossas cervejas estejam cada vez mais geladas e que meu tricolor não passe tanto vexame.

maioridade

Vi a charge acima em algum lugar por aí e resolvi que já era hora de me posicionar a respeito do projeto de redução da maioridade penal que tramita pelo Congresso Nacional.

Em primeiro lugar, devemos destacar a questão da constitucionalidade do projeto. A discussão jurídica acerca do mesmo é imensa, e eu infelizmente não tenho capacidade técnica de dizer se a mesma enquadra-se ou não na Constituição Federal. Já ouvi argumento de ambos os lados, mas ninguém conseguiu me convencer nem de uma, nem de outra coisa.

Sendo assim, vou partir do pressuposto que a mudança é constitucional, para poder expor qualquer argumento. Caso contrário, se eu presumisse que era inconstitucional, nada do que eu dissesse faria sentido.

É necessário, antes de expor a minha opinião, desmistificar uma série de argumentos que vêm sendo utilizados por aí e que não fazem o mínimo sentido. E pior: são desonestos.

1 – A redução da maioridade penal só vai prejudicar negros e pobres

Definitivamente, não. A redução só vai prejudicar criminosos que tenham mais de 16 anos. Negros e pobres, ou quaisquer outros cidadãos, que sejam pessoas de bem, não serão presos indiscriminadamente somente pelo fato de terem mais de 16 anos.

O que de fato prejudica negros e pobres é um governo mais preocupado com seu enriquecimento próprio do que com as necessidades básicas de vida desses cidadãos.

2 – As penitenciárias não servem para reformar ninguém; são escolas do crime!

OK, se isso então for verdade, vamos também parar de prender estupradores, assassinos e traficantes maiores de idade, porque eles também não têm solução mediante a um sistema penitenciário tão arcaico.

3 – Crianças não são criminosas

Não, de fato não são. Mais uma vez, ninguém sairá prendendo e condenando crianças por aí pelo simples fato delas serem…. CRIANÇAS! (Duvido muito que você considere, de fato, um jovem de 16 anos como criança.)

4 – Se o adolescente pode responder criminalmente por um ato, também pode dirigir, beber, viajar para o exterior sem os pais, etc.

Acho que estamos falando de coisas diferentes, não? Mas enfim, eu explico melhor. Responsabilidades nem sempre implicam em direitos adquiridos em contrapartida. Estamos tratando somente do problema da violência e da criminalidade nesse caso.

5 – A redução da maioridade não vai diminuir a criminalidade

Muito provavelmente, sozinha, não mesmo. Mas ela ajudará a inibir a violência. A existência de uma lei que prevê penas para quem mata uma pessoa não faz com que não existam assassinatos, mas inibe que tais crimes sejam cometidos à reveria por aí. O mesmo se aplica à leis de trânsito, por exemplo.


Para mim é muito claro que o projeto que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos, por si só, não irá acabar com a criminalidade. Porém, também é claro que é uma das medidas válidas para que o objetivo final seja cumprido. Em conjunto, uma série de reformas no âmbito educacional, da justiça e do sistema penitenciário se fazem extremamente necessárias, em adição ao projeto. Enfim, muita coisa sim precisa ser feita ainda, mas isso não faz com que a redução da maioridade penal não seja vista com bons olhos. Punir responsáveis por crimes é apenas uma de todas as ações que eu e você, como cidadãos de bem, devemos exigir na nossa sociedade.

Uma pitada de sentimentalismo

Publicado: 27 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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Quem sou eu para falar sobre o amor, não é mesmo? Justo eu, esse cara de coração de pedra, que não chora, que não se sensibiliza, que não se comove nem mesmo com o final de Marley e Eu. Faz sentido escrever um post sobre isso?

Eu felizmente tenho observado alguns exemplos de que eu, mesmo não sendo o mais indicado para falar sobre coisas sentimentais, certamente estou longe de ser tampouco o menos recomendado nesse aspecto. Isso porque acabei descobrindo, nessas indas e vindas, que não sou tão egoísta quanto eu achava que fosse. E isso para mim é, antes de tudo, o primeiro passo para se tornar uma pessoa menos ruim.

Na verdade, acredito que às vezes criamos certos bloqueios que nos impedem de enxergar um mundo muito bacana ao nosso redor. Esses bloqueios podem ser de várias origens, desde você estar preso em um relacionamento envenenado e fadado ao fracasso, até ser vítima de algum trauma anterior que lhe impeça de se abrir a novas experiências.

O fato é que, quando nos vemos realmente libertos das amarras que nos prendiam, aprendemos a ser mais leves e mais amorosos. Passamos a enxergar novas oportunidades de ter momentos felizes. Coisas bobas, que antes não tinham importância, tornam-se fundamentais.

Deve ser por isso que vejo tanta gente sofrendo por amores que não se concretizam. Tanta gente reclamando por aí que não existe mais ninguém que preste atualmente. Tanta gente reclamando que ninguém os quer. Mas até que ponto isso realmente é verdade? Ou são somente as amarras que ainda não foram cortadas?

Conheço bastante gente com medo por aí. Medo de sair e conhecer novos lugares e pessoas. Medo de aceitar aquele convite para um passeio no parque. Medo da conversa descompromissada com um desconhecido. Medo da risada e do abraço sincero daquele amigo que você nem mesmo considera tão amigo assim. Medo de se abrir, mesmo que um pouquinho, com aqueles que estão próximos. Enfim, medo de amar. Amor, nem sempre no sentido carnal e sexual, mas no sentido de envolver-se, de trocar experiências, sensações, conversas e gestos.

E tudo isso em nome de quê? Em nome dos pré-conceitos estabelecidos? Em nome de uma auto-defesa, seja lá contra o quê?

Eu sinto que talvez seja melhor ser assim, desse jeitão ogro, mas sem medo das experiências que o mundo e as pessoas podem me oferecer. Nem que seja para quebrar a cara mais para frente. Para sofrer com experiências mal sucedidas. Mas ao menos ter sentido o gosto de experimentar, de viver.


Observação 1 do Zuza: prevejo de antemão comentários engraçadinhos e pejorativos…rs

Observação 2 do Zuza: será que se as relações amorosas fossem regulamentadas e as pessoas tivessem menos possibilidades de se decepcionar, mais gente se arriscaria?

Essa semana tive uma conversa com uma amiga minha sobre como as pessoas de hoje se preocupam demais com a vida alheia, sem cuidar da sua própria. O advento da internet e das redes sociais fez esse fenômeno se expandir assustadoramente, isso porque através delas, as pessoas se propõem a expor cada vez mais seus momentos maravilhosos da vida. E aí parece, para os invejosos de plantão, que a grama do vizinho é sempre mais verde.

Mas será que é bem assim mesmo? Eu na verdade acho que todos os seres humanos têm angústias e tristezas também, só que isso pouca gente expõe.

Uma outra amiga compartilhou ainda um texto chamado “Instagram: o ápice da idiotice na Internet“. Está tudo bem explicadinho aí.

Foi então que resolvi montar uma listinha de coisas que nunca vi ninguém postar nas redes sociais:

  1. Foto no estádio de futebol chorando porque o time perdeu, com a legenda: “Porra, me fodi! Gastei uma grana pra vir aqui ver essa bosta de time tomar um saco!”.
  2. Relatos de brigas conjugais.
  3. “Dei um tapa no meu filho hoje para ele aprender a não me responder atravessado”.
  4. “Moleque infernal! Às vezes tenho vontade de dar pra adoção esse filho da puta!”
  5. “Cachorro maldito! Cagou a casa toda e destruiu meu móvel novinho!”
  6. “Gato do cacete! Rasgou meu sofá inteiro!”
  7. “Não vou pra academia nem fodendo hoje! Preguiça do cão! E continuo gorda!”
  8. Foto acordando, de cara lavada e cabelo desarrumado.
  9. Foto na balada com a legenda: “Rolezinho miado hoje! Tudo muito caro, gente feia, e não peguei ninguém!”
  10. Foto no trem lotado indo para o serviço.

E você? Tem mais alguma?

Olavo tinha razão – Parte 3

Publicado: 4 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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Hoje vou fugir dos posts anteriores e publicar aqui, na íntegra, um artigo que achei perfeito do início ao final. Totalmente filosófico, mas completamente profundo:

A demolição das consciências

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 21 de dezembro de 2009

Quem tenha compreendido bem meu artigo “Armas da Liberdade”, deve ter percebido também a conclusão implícita a que ele conduz incontornavelmente: boa parte do esforço moralizante despendido pela “direita religiosa” para sanear uma sociedade corrupta é inútil, já que termina sendo facilmente absorvida pela máquina da “dissonância cognitiva” e usada como instrumento de perdição geral.

Notem bem: moralidade não é uma lista de condutas louváveis e condenáveis, pronta para que o cidadão a obedeça com o automatismo de um rato de Pavlov.

Moralidade é consciência, é discernimento pessoal, é busca de uma meta de perfeição que só aos poucos vai se esclarecendo e encontrando seus meios de realização entre as contradições e ambigüidades da vida.

Sto. Tomás de Aquino já ensinava que o problema maior da existência moral não é conhecer a regra geral abstrata, mas fazer a ponte entre a unidade da regra e a variedade inesgotável das situações concretas, onde freqüentemente somos espremidos entre deveres contraditórios ou nos vemos perdidos na distância entre intenções, meios e resultados.

Lutero — para não dizerem que puxo a brasa para a sardinha católica — insistia em que “esta vida não é a devoção, mas a luta pela conquista da devoção”.

E o santo Padre Pio de Pietrelcina: “É melhor afastar-se do mundo pouco a pouco, em vez de tudo de uma vez”.

A grande literatura — a começar pela Bíblia — está repleta de exemplos de conflitos morais angustiantes, mostrando que o caminho do bem só é uma linha reta desde o ponto de vista divino, que tudo abrange num olhar simultâneo. Para nós, que vivemos no tempo e na História, tudo é hesitação, lusco-fusco, tentativa e erro. Só aos poucos, orientada pela graça divina, a luz da experiência vai dissipando a névoa das aparências.

Consciência — especialmente consciência moral — não é um objeto, uma coisa que você possua. É um esforço permanente de integração, a busca da unidade para além e por cima do caos imediato. É unificação do diverso, é resolução de contradições.

Os códigos de conduta consagrados pela sociedade, transmitidos pela educação e pela cultura, não são jamais a solução do problema moral: são quadros de referência, muito amplos e genéricos, que dão apoio à consciência no seu esforço de unificação da conduta individual. Estão para a consciência de cada um como o desenho do edifício está para o trabalho do construtor: dizem por alto qual deve ser a forma final da obra, não como a construção deve ser empreendida em cada uma das suas etapas.

Quando os códigos são vários e contraditórios, é a própria forma final que se torna incongruente e irreconhecível, desgastando as almas em esforços vãos que as levarão a enroscar-se em problemas cada vez mais insolúveis e, em grande número de casos, a desistir de todo esforço moral sério. Muito do relativismo e da amoralidade reinantes não são propriamente crenças ou ideologias: são doenças da alma, adquiridas por esgotamento da inteligência moral.

Em tais circunstâncias, lutar por este ou aquele princípio moral em particular, sem ter em conta que, na mistura reinante, todos os princípios são bons como combustíveis para manter em funcionamento a engenharia da dissonância cognitiva, pode ser de uma ingenuidade catastrófica. O que é preciso denunciar não é este ou aquele pecado em particular, esta ou aquela forma de imoralidade específica: é o quadro inteiro de uma cultura montada para destruir, na base, a possibilidade mesma da consciência moral. O caso de Tiger Woods, que citei no artigo, é um entre milhares. Escândalos de adultério espoucam a toda hora na mesma mídia que advoga o abortismo, o sexo livre e o gayzismo. A contradição é tão óbvia e constante que nenhum aglomerado de curiosas coincidências poderia jamais explicá-la. Ela é uma opção política, a demolição planejada do discernimento moral. Muitas pessoas que se escandalizam com imoralidades específicas não percebem nem mesmo de longe a indústria do escândalo geral e permanente, em que as denúncias de imoralidade se integram utilmente como engrenagens na linha de produção. Ou a luta contra o mal começa pela luta contra a confusão, ou só acaba contribuindo para a confusão entre o bem e o mal.

Dica de leitura: “Esquerda Caviar”

Publicado: 24 de janeiro de 2015 por Mathias em Cotidiano
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Sabe aquele cara engajado em causas nobres, que adora posam de altruísta, mas não faz o que prega?

Pois são essas as figuras que Rodrigo Constantino disseca em seu livro.

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O livro faz críticas aos intelectuais e artistas engajados em fins nobres, apenas porque é legal, mas não permite o debate dos meios para tais metas. E só quem concorda com seus meios – sempre com a defesa da tutela estatal – defende pobres, negros, mulheres, gays e até a paz… ou seja, eles detém o “monopólio da virtude”, e se você não está na onda então você é contra tudo o que é considerado bom, é o tal “fascismo do bem”!

A hipocrisia está justamente em não agir conforme o discurso e usufruir do mesmo capitalismo que tanto condenam.

São tipos que defendem o atual modelo de escola pública mas os filhos estudam em escolas particulares, defendem o atual sistema de saúde pública mas não colocam o pé no SUS e preferem se tratar de câncer no Sírio ou no Einstein, defendem o governo Castrista mas passam férias em Paris, condenam o império americano mas vão as compras em Miami, apoiam a distribuição de renda mas mantém seu patrimônio em fundos imobiliários especulativos, propagam o alarmismo ambiental mas viajam sozinhos de avião somente para frequentar um restaurante badalado a 3000Km e volta pra casa no mesmo dia consumindo combustível fóssil em quantidade do consumo de uma família durante 1 ano.

Diferente do que todos falam sem ler o livro, o Rodrigo Constantino não fica somente na crítica vazia, ele defende, com ideias liberais, a maioria dos problemas que a ESQUERDA CAVIAR só se importa no discurso, mas que não se aplicam a realidade da natureza humana.

Conhecimento nunca é o bastante, então acho válido conhecer as ideias de pessoas que sabem facilitar nossa leitura, seja ela coletivista, individualista ou qualquer outro rótulo estereotipado… porque buscar nas origens filosóficas dos grandes pensadores é esbarrar numa leitura densa e de difícil leitura.

Acredito que é sempre válido conhecer todas as ideias e o livro traz referências bacanas que no fim já cria uma lista de outros livros para serem lidos.
Mas o principal é que máscaras caem no fim do livro, e a partir dessa leitura o ato de ler jornais, blogueiros e assistir a TV se torna uma tarefa as vezes enjoativa.

Hoje, com as redes sociais, a esquerda caviar surge de todo buraco, como ratos, e zunindo como gafanhotos, muito barulho, pouco texto!

FUI!

O carro na frente dos bois

Publicado: 24 de novembro de 2014 por Kzuza em Cotidiano
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Há uma mentalidade comum nos brasileiros de querer colocar o carro na frente dos bois. É muito comum observarmos as pessoas clamarem pelos seus direitos muito antes de cumprirem com suas próprias obrigações.

O nosso vira-latismo latente, associado à essa pressa de colher antes mesmo de semear, gera uma série de raciocínios e estratégias precipitadas que, ao meu ver, são motivos somente de risadas. Queremos tanto soluções de primeiro mundo sem antes mesmo pensarmos nos nossos problemas de terceiro mundo.

Nós queremos a educação inglesa, a felicidade italiana, a disciplina japonesa / alemã, a prosperidade norueguesa, a justiça norte-americana, os empregos canadenses, os direitos trabalhistas suecos e a infraestrutura sul-coreana, mas sequer pensamos no caminho que esses países trilharam para conseguirem tudo isso. Queremos aplicar, no nosso país, soluções que são sucesso atualmente em países desenvolvidos, sem analisar o contexto no qual elas se aplicam.

Clamamos pela pena de morte, sem nos lembrarmos que vivemos no país onde a agente da lei-seca é multada por um juiz que foi pego dirigindo embriagado. Queremos um salário mínimo mais alto, sem lembrarmos que sequer temos empregos para todo mundo. Queremos mais acesso à universidade, sem lembrar que nossa educação de base vai de mau a pior. Queremos respeito aos ciclistas, aos velhos, aos negros e às mulheres, sem mesmo pregarmos o respeito dentro das nossas casas. Queremos o aborto legalizado em um país onde a saúde pública não permite sequer bons cuidados a uma pessoa gripada. Queremos a legalização da maconha, sendo que não conseguimos regulamentar absolutamente nada com eficácia nesse país. Queremos transporte público de qualidade, mas ficamos putos da vida quando um prefeito prioriza faixas exclusivas de ônibus nas ruas.

Nessa linha, li um texto hoje que remete a esse questionamento. O autor usa do dilema Tostines (“vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”) para fomentar no leitor a seguinte indagação: nossos direitos são garantidos por que precisamos ou por que merecemos? A pergunta final é de matar:

Fica a pergunta: será que o Brasil, que estabeleceu leis trabalhistas antes de ter uma economia produtiva, não é industrializado e rico por causa disso?

Não quero dizer que boas ideias e alternativas aplicadas em outros países não devem ser aplicadas por aqui, muito pelo contrário. Mas é muito importante definir prioridades e procurar adotar as soluções em uma ordem apropriada, para não corrermos o risco de colocarmos o carro na frente dos bois.

Hoje me deparei com a seguinte manchete: Projeto de Lei quer aumentar licença-maternidade para um ano. Estava lá, na minha timeline do Facebook. Mas o que me intrigou foi a série de comentários positivos a respeito da notícia. Muita gente comemorando e torcendo para que isso se concretize. Logo me coloquei a pensar: será que todos entenderam as implicações de tal projeto aqui em terras brazucas?

Não, eu não sou contra mães (e também pais) poderem passar mais tempo junto aos seus filhos logo que eles nascem. Isso é fundamental. A questão, que coloquei nos comentários do post, foi justamente a  seguinte: Quem você acha que vai pagar as contas por isso? Sabendo que não há almoço grátis, então alguém irá pagar essa conta e eu lhe convido a responder a essa pergunta. Eu, por exemplo, não me surpreenderia se as mulheres fossem (ainda mais) boicotadas no mercado de trabalho e se os empregadores passassem a diminuir suas contratações por conta disso.

Recebi duas respostas. A primeira foi: “Vai parir primeiro e depois conversamos”. Vou desconsiderá-la automaticamente pois dispensa comentários. Vou me concentrar na segunda resposta: “Ah, se fosse assim, coitadas das mulheres da Suécia, onde a licença maternidade é bem maior”. (Alguns dados a respeito dos períodos de licença maternidade podem ser encontrados aqui e aqui.)

Acredito ter havido um erro de interpretação absurdo nesse caso (ou má intenção mesmo), então acho válido deixar algumas coisas claras.

Um primeiro número a ser considerado e que acho fundamental é a questão da produtividade do empregado sueco e do brasileiro. Para facilitar, tem um quadro bacaninha aqui. Resumindo, a Alemanha é a 5ª e a Suécia é a 10ª no ranking mundial, enquanto o nosso país se encontra na 56ª posição. Há matérias muito boas a respeito de como o nosso trabalhador é improdutivo aqui, aqui e aqui (essa para mim é a melhor matéria).

Ou seja, proporcionalmente, um empregado sueco ou alemão custa bem menos que um brasileiro, pois produz muito mais com o mesmo esforço.

Outro ponto importante é que estamos comparando países desenvolvidos e ricos com nosso pobre Brasil. Antes de tomarem tais medidas assistencialistas para com os trabalhadores, esses países primeiro se desenvolveram e hoje gozam das suas riquezas acumuladas para gastarem com isso. Ou seja, primeiro pouparam, e hoje desfrutam dos benefícios. Acho desnecessário explicar que infelizmente hoje nosso país não pode gozar do mesmo. Inclusive, os países escandinavos atualmente já começam a receber as contas desse tipo de política assistencialista, como o aumento no número de imigrantes e, consequentemente, moradores de rua.

Também é necessário observar o crescimento populacional dos países analisados. Enquanto nós aqui temos (em números de 2006) um crescimento anual de 1,26%, a Suécia tem números na casa de 0.45%. Já a Alemanha apresenta uma taxa negativa de 0,07%. Sendo assim, o impacto de um período maior de licença maternidade nesses países desenvolvidos é muito menor do que aqui, não é mesmo?

A minha questão, sendo assim, é o que eu venho dizendo há muito tempo aqui nesse espaço. Os nossos direitos trabalhistas adquiridos ao longo do tempo e que vêm sendo ampliados através de uma sequência de governos populistas não têm tornado o trabalhador brasileiro mais rico ou mais produtivo. Pelo contrário, o efeito é totalmente nocivo para toda a população. Há um artigo aqui que explica rapidamente o que estou dizendo, analisando como o encarecimento da nossa mão de obra é nocivo para todo trabalhador.

Então, convido todos a analisarem essas decisões com mais profundidade.

Nota do autor: tem um artigo relacionado que mostra como a educação na Escandinávia é diferente do Brasil, o que explica também o porque é inviável e inconsequente comparar as nações somente por um prisma.

Lixo

Publicado: 17 de setembro de 2014 por Kzuza em Cotidiano
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Ontem, meu aniversário, recebi uma pequena lembrança da corretora de seguros na qual fechei o seguro do meu carro no último ano. Após mais de 10 anos com uma corretora que só se lembrava de mim quando meu seguro estava para vencer, esse novo pessoal me surpreendeu. Achei a estratégia ótima e uma bela forma de se respeitar o cliente.

Mas não é sobre isso que eu quero falar não.

A foto acima ilustra um problema grave que temos hoje em dia e que pouca gente se dá conta. A ideia da foto partiu de um papo que tive uma vez com minha irmã, engenheira ambiental. Ela comentou sobre um trabalho que um professor dela da faculdade estava conduzindo sobre a quantidade de lixo produzida por nós diariamente. Minha irmã trabalha em uma empresa de engenharia que, entre outras coisas, cuida de projetos de implantação e manutenção de aterros sanitários aqui na Grande São Paulo.

O trabalho desse professor consistia em documentar a quantidade de material supérfluo produzido e descartado por nós quando consumimos algum produto.

Volte para a foto e observe bem atentamente. O produto final, o presente em sim, são 2 barras de chocolate de 40g cada uma. E dê uma olhada na quantidade de material inútil que foi utilizado para que esse presente chegasse até mim:
– Uma caixa de papelão dos correios;
– Uma caixa de isopor;
– Uma embalagem de papel reciclável;
– Uma fita de cetim para amarrar a embalagem de papel;
– Um saco plástico onde estavam os chocolates dentro da caixa;
– Duas embalagens de papelão contendo os chocolates.

Dá para ter noção da quantidade de lixo que foi gerada para que eu possa comer 80g de chocolate? Tá, vamos lá, boa parte disso é material reciclável e tomará o destino certo, mas será que realmente precisamos de tanto?

Você já reparou no tanto de lixo que você produz na sua casa? Já parou alguma vez para pensar qual o destino que isso leva?

Acho muito engraçado toda essa onda de sustentabilidade que norteia nossas empresas no mundo moderno. Todo mundo querendo ser cada vez mais verde, cada vez mais bonitinho e limpinho. Só acho muito interessante que ninguém peça para que você consuma menos, não é mesmo?

Caminhamos para o esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta num ritmo avassalador e sequer nos damos conta. Visamos cada vez mais o tal crescimento econômico. Para podermos produzir e consumir mais e mais. Para termos condições de vida melhor, para que possamos viver mais e, consequentemente, consumir cada vez mais recursos.

Por quanto tempo será que nossa raça sobreviverá?

Sobre duas rodas

Publicado: 8 de setembro de 2014 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Lei_ciclovias_sorocaba

Há pouco mais de um ano comprei uma bicicleta para poder fazer algum tipo de exercício físico e tentar amenizar a minha vida sedentária. E foi aí também que comecei a prestar um pouco mais atenção no comportamento das pessoas nas ruas, sejam elas pedestres, motoristas, motociclistas ou ciclistas.

Sempre fui adepto de carro. Acredito ainda que, em uma cidade como São Paulo, o carro deixou de ser um luxo há muito tempo e se tornou uma necessidade. Não me vejo sem carro por aqui, mesmo que há mais de 3 anos e meio eu utilize apenas transporte público para vir trabalhar e fazer algumas atividades mais corriqueiras. E não faço isso porque sou um “ecochato” ou porque acho que posso salvar o planeta. Não. Simplesmente tenho como vir e voltar do trabalho de forma relativamente confortável utilizando ônibus ou metrô (sim, tenho duas opções!), coisa que nem todos têm. Além disso, sofro de um pavor absurdo por trânsito, o que me faz pensar duas vezes antes de sentar ao volante. De qualquer forma, nada substitui o seu próprio carro para longos trajetos aos finais de semana, compras no supermercado, viagens, etc. e tal.

Mas a bike me possibilitou ver as coisas por uma ótica diferente. A bicicleta, nas ruas, é a segunda presa mais frágil, perdendo somente para o pedestre (embora em muitos casos, até o pedestre se sobressaia). Então cada vez que saio de casa para rodar, estou sempre munido de uma garrafa d’água, um capacete e uma boa dose de medo. Sim, porque o medo é ingrediente fundamental para a sobrevivência do ser humano, principalmente quando ele está sob ameaça. E é exatamente assim que o ciclista se sente no trânsito: ameaçado. Não que todos os motoristas desrespeitem os ciclistas, pelo contrário; a maioria mantém distância segura e até dá a preferência para os que estão sobre duas rodas. No entanto, não é muito tranquilo circular cercado por veículos várias vezes maiores que o seu, sem saber se quem está dentro é educado ou não.

Enfim, não é uma questão de generalização, pois como disse, a maioria dos motoristas e dos ciclistas se respeitam mutuamente, mas algumas exceções a essa regra mostram o quanto nós somos um povo despreparado e mal educado. Ontem eu estava com minha esposa próximo ao shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo, e presenciamos uma cena lamentável. Nós não vimos o que aconteceu antes, mas bem na nossa frente um ciclista começou a discutir com um motorista de ônibus, alegando que ele quase o havia atropelado. E a discussão começou a esquentar de uma forma absurda, com xingamentos de todos os tipos, e nenhum dos dois parava. O motorista passou a perseguir o ciclista, ameaçando jogar o ônibus em cima dele. Enfim, uma baixaria total, até que o ciclista subiu com a bicicleta em um canteiro e ficou esperando o ônibus ir embora. A questão aqui não é nem quem está certo ou errado nessa discussão. A verdade é que ninguém se respeita, e isso dificulta muito as coisas.

No centro de São Paulo, onde trabalho, a prefeitura implantou agora uma ciclovia. Ainda é muito cedo, na minha opinião, para saber se vai funcionar ou não, se as pessoas vão começar a mudar de comportamento ou não, mas eu acho a iniciativa extremamente válida. Investir em uma via de transporte alternativo realmente me parece uma boa ideia, principalmente porque isso aqui em São Paulo vêm sendo acompanhado de investimentos em corredores exclusivos de ônibus, renovação da frota de ônibus com veículos extremamente modernos, e também em investimentos constantes em novas linhas de metrô e VLT, cujas obras demoram bem mais para serem finalizadas. Enfim, eu acho que o caminho está certo.

Porém, as ciclovias por si só não resolvem o problema. Isso porque o povo não foi educado para isso, e é aí que mora o problema. Como foi bem descrito essa semana em reportagem da Folha, as faixas não vêm sendo respeitadas pelos próprios pedestres. Essa semana o Mathias presenciou um atropelamento aqui em frente ao prédio que trabalhamos, na Rua Boa Vista, pois uma senhora estava caminhando na ciclofaixa quando um ciclista estava nela.

Acabei de retornar de uma viagem pela Europa e por lá a bicicleta é um veículo tão comum quanto é uma motocicleta aqui em São Paulo. Em muitos lugares que visitamos, como Zagreb e Munique, não é todo lugar que possui ciclovia, e nem por isso as pessoas deixam de se respeitar. Bicicletas circulam, em grande quantidade, de forma tranquila por entre os pedestres mesmo nas calçadas, sem que ninguém se estresse ou se desrespeite por causa disso. É óbvio que a questão cultural pesa (e muito!) nessa hora, mas a diferença entre nós aqui e eles lá é gritante, e é difícil entender isso sendo que eles também são seres humanos como nós, com os mesmos tipos de emoções e razões.

Já ouvi dizerem assim: “Esses ciclistas são tudo folgado (sic)!”. E isso ilustra bem o que eu digo: a generalização é o primeiro passo para o desrespeito. Acho que falta muito para entendermos que independentemente do tipo de transporte, somos todos seres humanos iguais uns aos outros. A partir do momento em que houver respeito, todas as iniciativas de melhoria de transporte começam a surtir mais efeito.

Sobre beagles e amigles

Publicado: 23 de outubro de 2013 por Kzuza em Cotidiano, Divergência de opiniões
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Beagle
Caráleo, deu o que falar essa história dos beagles do Instituto Royal em São Roque, heim?

Acho inadmissível que mesmo após tanto avanço científico ainda se usem animais como cobaias em experimentos. Pelo que pude me informar, atualmente existem outros métodos que possibilitam pesquisas sem envolver animais. É uma estupidez a legislação brasileira ainda permitir que esses maus-tratos continuem.

Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (já diria o velho poeta)!

O que mais me preocupa nessa história toda é o apoio incondicional aos ativistas que invadiram o lugar e resgataram os pobres bichinhos (os quais, aliás, são os únicos a se foderam nisso tudo, desde o começo). É indiscutível a importância da luta desses caras. Sem eles, a situação dos animais podia ser muito pior. Então por que o apoio incondicional à essa luta me preocupa? Eu explico.

Eu apoio a justiça incondicionalmente, por isso desaprovo a vingança. Ou justiça pelas próprias mãos, como quiserem chamar.

A justiça pelas próprias mãos, em larga escala, é similar à anarquia (ausência de governo). Sim, se formos julgar o mundo de acordo com os nossos conceitos, sem que haja alguém para nos dizer o que pode ou não pode, não precisamos mais de governo. E isso pouca gente entende.

Vou dar um exemplo. Sou totalmente contra igrejas OBRIGAREM seus fiéis a contribuírem com o dízimo. Existem centenas de igrejas evangélicas que possuem essa prática. Mesmo a católica utiliza-se disso, talvez de uma forma mais velada. Infelizmente as leis do nosso país permitem isso. E pior: instituições religiosas são isentas de tributação. Ou seja, o dinheiro ROUBADO (mas legalmente) do povo serve para o enriquecimento dos seus pastores e bispos (embora ninguém vá admitir isso).

Então, seguindo a mesma lógica, eu posso invadir a casa do bispo Macedo, por exemplo, e retirar tudo o que tem lá para devolver ao povo?

O assunto dos animais é extremamente delicado porque isso hoje virou tão polêmico quanto futebol, polícia e religião. No Brasil, hoje, se você não apoia incondicionalmente a causa, você é um ser abominável. Ou seja: se eu não sou radical, estou fodido. Mas ainda assim prefiro ser ponderado nesse caso.

Até porque, meu camarada, eu aposto o dedo mindinho do pé da minha irmã como a maior parte desse povo que está apoiando a “justiça pelas próprias mãos” que foi feita no Instituto Royal, estaria pouco se fodendo se os animais fossem ratos de laboratório. Digo mais. No conforto de seus lares, estarão nesse final de semana saboreando um delicioso churrasco. Ou então comendo claras de ovos (fonte de proteína) que foram botados por galinhas marombadas manipuladas geneticamente apenas para isso. Ou tomando um delicioso leitinho extraído de vacas leiteiras tratadas à base de anabolizantes (ou outras drogas quaisquer) que as fazem produzir x vezes mais que uma vaca normal. Ou não vêem a hora de chegar o Natal para encher o bucho de Chester, que nada mais é que um frango depois de muita academia, criado somente para o abate e lucro dos empresários do agronegócio.

Ufanismo

Publicado: 26 de fevereiro de 2013 por Kzuza em Cotidiano
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A nova onda agora é apoiar a campanha pelo Metrô 24h em São Paulo.

Eita porra! Já escrevi aqui sobre o efeito manada, não escrevi não?

A idéia é a seguinte: já que tem a Lei Seca e eu não posso beber e dirigir, já que eu gosto de sair à noite, então o governo tem que me dar um transporte decente 24 horas por dia.

Acho que eu perdi o ponto onde essa conversa perdeu o sentido. Vamos lá.

Primeiro ponto: só agora transporte coletivo de qualidade virou a bola-da-vez dos revoltadinhos de mouse? Só por que não dá mais pra encher a cara no boteco à noite e voltar dirigindo pra casa, já que eu posso ser preso e tomar uma multa filha da puta de alta?

Segundo ponto: ninguém está proibindo ninguém de sair à noite dirigindo por aí. Você pode continuar frequentando sua baladinha, seus bares, seu cinema, seu restaurante, a puta que vos pariu! É só não beber, simples assim. É algo do tipo: já que eu não posso roubar um carro porque eu corro o risco de ser preso, então o governo tem que me dar um.

Terceiro ponto: utopia esse lance de achar que o Metrô vai ficar aberto 24 horas por dia, né não? Se você já leu qualquer coisa sobre transporte ferroviário, se já ouviu falar alguma coisa sobre a vida de trabalho no metrô durante a madrugada, ou até se já assistiu um documentário da BBC sobre o metrô londrino, iria saber que isso é impossível. Os trilhos necessitam de manutenção constante. A rede toda necessita de manutenção. Então não me enche o saco com essa porra, por favor!

Bem, agora vamos pra outro chopp e pra outra batata.

Eu concordo que precisamos de transporte público de qualidade. Isso é uma deficiência absurda onde vivemos. Mas isso não é só à noite. E não é só por causa da lei seca. Querer vincular as coisas é que é o problema. Mas a deficiência não é somente no metrô, que fique bem claro.

Se você é morador da cidade de São Paulo, pode contar com linhas de ônibus noturnas, que funcionam 24 horas por dia (algumas informações aqui). Não é a solução ideal, pois falta muito para atender uma cidade tão grande, mas já é um começo. Se você não mora na capital, sinto muito, mas nem o metrô 24 horas iria lhe ajudar.

Será que tudo é tão ruim?

Publicado: 19 de novembro de 2012 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Tem tanta gente reclamando nas redes sociais que eu fico me perguntando: Será que tudo está uma merda mesmo como a gente acha?

Nego reclama que o país é uma merda, que não temos futuro, que temos um governo corrupto e cheio de filho da puta, que os serviços públicos são péssimos, blábláblá, blábláblá. Será que é pra tanto?

Você já procurou comparar como as coisas são hoje e como eram há 20 anos atrás? Não falo para você ir longe. Observe a sua família, o seu trabalho, o seu dia-a-dia. Já reparou o quanto evoluímos nesse período?

Tem muita gente reclamando de coisas que nem sabem como funcionam. Um exemplo. Outro dia estava conversando com uma tia da minha esposa que estava dizendo o quanto ela e a mãe dela são bem atendidas no SUS – Sistema Único de Saúde. Elas não possuem convênio médico, então apelam para a rede pública. E são super bem atendidas. Confirmei isso com uma tia minha, já idosa, que passa pela mesma situação. Uma prima também confirmou. Precisou de atendimento para o filho dela dia desses e disse que foi super bem atendida em uma AMA.

Já a gente, que tem convênio, vira e mexe toma chá de cadeira em consultórios com médicos incompetentes, e fica meses esperando uma consulta porque “a agenda do doutor está lotada”. Então eu pergunto: será que o atendimento público é tão ruim assim?

Na minha época de infância/adolescência, eu não me lembro de tanta gente viajando mundo a fora. Hoje, esse mesmo povo que reclama no Facebook de “como as coisas estão caras” está gastando os tubos na terra do tio Sam em suas férias na Disney, ou desfilando nos seus carros 0 km.

Nego reclama do trânsito em SP, mas não pega um metrô ou um ônibus nem fodendo. Ah, porque o transporte público é uma bosta. Vai, concordo que não é de primeiro mundo, que falha em não conseguir atender de uma forma adequada toda nossa população, mas eu pergunto: você já tentou?

Felizmente, temos um investimento cada vez maior em educação no país. Mas não adianta querer que as coisas se resolvam em 2 ou 3 anos. São investimentos ao longo prazo. Assim como no transporte público. A gente espera que tudo se resolva do dia para a noite, mas as coisas demoram a acontecer.

Já reparou que não falamos mais tanto em desemprego?

Então, às vezes eu acho que exageramos demais. Não estou dizendo que vivemos no melhor lugar do mundo ou que tudo está maravilhoso, mas será que é tão difícil assim enxergarmos coisas boas por aí? Dói?

Crianças não são de vidro

Publicado: 10 de outubro de 2012 por Kzuza em Cotidiano
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Hoje minha digníssima esposa me enviou esse excelente artigo para leitura: O bebê não é de vidro.

Isso porque conversávamos no último final de semana sobre ter um bebê. Ela morre de medo, mas está começando a abrir a discussão. Eu quero muito, mas também morro de medo. Não medo da criança, propriamente dita. Tenho medo de me tornar um pai babaca. Pai bobo, todos são, mas pai babaca, só alguns. Trocando em miúdos, pais babacas são aqueles que obedecem aos seus filhos, para resumir a história.

Eu tenho medo de que a criança mande na casa. Medo de que a criança determine o que eu irei e minha esposa iremos fazer. Que a criança dite as regras. Que ela diga como eu devo agir.

Sabe por que eu tenho medo? Porque simplesmente eu acho isso ridículo.

Eu e minha esposa tivemos histórias de vida meio parecidas, principalmente no que diz respeito à criação e à educação que recebemos de nossos pais. Conversamos sobre isso também. Eu não quero cuspir para o alto porque ainda não tenho filhos, mas eu tenho quase certeza de que a forma como os pais foram criados mostra exatamente como os seus filhos também serão.

Não sei, eu devo ser um um extraterrestre mesmo, como já definiu meu amigo Kbça. Mas eu fico abismado, de queixo caído, embasbacado, com pais que fazem concessões aos seus filhos. Pais que se sacrificam (financeiramente e emocionalmente, principalmente) para dar o que os seus filhos querem. Não consigo entender esse medo de frustrar. Medo de fazer com o que o filho se sinta inferior aos seus amiguinhos que têm brinquedos mais caros, que viajam à Disney, que têm uma mesada gorda, ou coisas assim. Isso é medo de traumatizar o filho? Ou é fraqueza? Tipo: ah, não quero ter que ouvir o moleque reclamando, então vou dar o que ele quer; afinal, isso é mais fácil do que eu tentar explicar para ele porque não estou dando o que ele quer. Qual é o motivo de fazer tais concessões, heim, pai babaca? Explica pra mim, porque eu não faço idéia, eu não tenho filhos, eu sou um ET.

Vou te contar um segredo sobre eu e o melhor cara que já conheci até hoje.

Meu pai sempre foi o “fodido” da história. Sempre foi o cara que não tinha curso superior. O cara que tinha carro velho. Não que ele fosse miserável, muito pelo contrário, mas nunca teve luxo. Nenhum. Mas ele sempre me ensinou a coisa mais valiosa que eu já aprendi: lá em casa, quem mandava era ele. E o que ele fazia era o certo. Sem rigidez. Sem um esquema de quartel (sempre tive liberdade pra cacete). Tudo em um esquema de confiança e respeito. Independente do que acontece da porta da minha casa para fora, eu sempre soube que lá dentro era o lugar onde as coisas certas eram feitas. Onde a família era a única coisa que importava. Onde ele e minha mãe eram o porto seguro para atracarmos nossos barcos. Tomei vários “não” durante minha infância. Vários.

Eu nunca tive roupa de marca. Nunca tive mais de um par de tênis. Meu único videogame foi um CCE. Nunca tive um carrinho de controle-remoto. Lembro até hoje da “semana do dia das crianças” quando eu ainda estudava em uma escola particular (nessa época, o Collor ainda não tinha fodido com a vida da então “classe média”). Eu nunca tive um brinquedo que competisse com os Maximus, Pegasus e Colossus dos meus amiguinhos. Eu esperava pacientemente um ano inteiro para ganhar algo legal que fosse no meu aniversário. Adorava lojas de brinquedos, como toda criança, mas sempre me conformei com o pouco que eu tinha.

Eu ajudava meu pai nas filmagens dele em troca de 5 dólares. Sim, ele tinha um controle de quanto eu tinha de dinheiro, mas em dólares, por conta da inflação descontrolada da época. Nunca tive mesada, como meus amigos tinham. Se eu quisesse algo, precisava usar daquela minha poupança. Sempre foi assim, desde cedo.

Fui criado em Carapicuíba, uma cidade miserável da Grande SP. Estudei em escola estadual, caindo aos pedaços. Tinha colegas de classe que faltavam à aula por falta de dinheiro para condução. Também estudei com alunos que iam armados pra escola. Alunos que pegavam os desafetos na saída, na porrada, em grupo, com soco inglês. Moleque que cheirava cocaína, e que bebia.

Lembro da viagem que fizemos quando concluí a 8ª série. Fomos à um parque aquático, onde havia também um parque de diversões. À noitezinha, teríamos um bailinho. E eu precisava estar preparado, bem vestido, e na moda, para não fazer feio frente aos meus colegas. Você acha que meu pai se importou com isso? Não. Mas eu sabia que tinha minha “poupança”, aí fui lá e comprei uma camiseta legal, “de marca”, só para não fazer feio. Aprendi a dar valor ao meu trabalho.

Sempre fui alvo de gozações no colégio, principalmente na Fundação Bradesco. Sempre fui o nerd, o bom aluno. Sempre fui o “fodido” cujo pai não era funcionário do banco. O fodido cujo pai tinha a merda de um Voyage 1982. O cara que não desafiava a diretora da escola com roupas proibidas. Eu usava uniforme, enquanto os outros usavam blusas de marca e se gabavam por isso. E usava o mesmo par de tênis sempre.

Sabe porque estou escrevendo tudo isso? Porque eu nunca tive vergonha de nada disso, assim como não tenho de escrever isso aqui. Sabe o que isso mudou na minha vida? Absolutamente nada.

Aí eu olho para mim hoje. Sou um bosta, é fato. Mas as coisas que eu dou valor hoje são exatamente aquelas que meu velho me ensinou a valorizar lá atrás. E o melhor: EU SOBREVIVI! Caralho, eu tô vivo e não sou um frustrado! Tenho um emprego bacana que me paga uma grana legal! Tenho minha casa, meu carro, e sou casado com uma pessoa sensacional! Continuo me dando muito bem com os únicos caras que realmente importam para mim, que são a minha família! Tenho uma porrada de amigos, dá pra acreditar? Não tenho depressão!

Então eu penso: PORRA, É DESSE JEITO QUE EU QUERO CRIAR MEU FILHO, CARALHO! Quero que ele seja meu amigo por toda a vida, mas que ele entenda, de uma vez por todas, que sou eu quem mando! Que ele pode contar comigo para o que for, pro resto da vida, porque eu vou lutar para que ele consiga tudo por conta própria. Vou querer que ele se foda, no bom sentido. Que ele dê cabeçada, que caia da escada, que quebre o dente caindo de bicicleta, ou que quebre o dedo escorregando no gramado. Não quero ligar se ele espernear porque os amigos vão pra Disney, ou porque têm um iPhone 5, e ele não. Isso não vai fazer dele um ser pior do que os outros. Isso vai simplesmente fortalecê-lo!

Diário da Isadora

Publicado: 16 de agosto de 2012 por Mathias em Comportamento, Cotidiano
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Ultimamente tento manter uma compostura sóbria diante dos percalços que a vida me apronta, caminhando sobre as pedras que encontro sem que as pessoas ao meu redor sintam que meus pés doem. Não faço isso porque sou forte ou não tenho coração, nem sou como uma pedra sem sentimentos, nem descrente… ou qualquer coisa nesse sentido.
Simplesmente faço o que deve ser feito.
Em 2011 fiquei muito feliz por saber que teria mais um filho! Adorei mais ainda quando fiquei sabendo que é uma menina, e em 16 de Novembro de 2011 nasceu minha princesa gata … a Isadora! Coisa linda di papai…
Desde a gravidez já pensava no relacionamento, comparado com o Gui, meu filho de “quase” 8 anos.
No fundo sempre achei que seria difícil gostar de alguém mais do que gosto do meu filhão, mas hoje sei que dá pra dividir igualmente o sentimento de pai com os dois.
Bom… o tempo passou e um susto depois de 4 meses me fez reviver um momento triste da minha vida.
Sabe aquela prateleira alta, de difícil acesso, mas só de olhar você sabe o que tem lá? 
Pois é, foi a perda precoce (2 meses) do meu primeiro filho, Thales… Como? Denovo? Não pode ser… Minha gatinha ficou internada no Hospital Samaritano (Março/2012)com  a tal da bronquiolite (VSR – virus sincicial respiratório). Uma semana depois estávamos em casa com a princesa Isadora, tudo correndo dentro dos conformes com kitzinho básico de bebê…  corticóides, inalações e rinosoro.
Mas eu ainda tinha uma pulga atrás da orelha… um desvio nos olhos (Vesguinha mesmo!), uma rigidez muscular (principalmente na nuca) que me incomodava e um pequeno atraso no seu desenvolvimento, mas em toda visita ao pediatra eu era desencorajado e recebia explicações genéricas isso.
De março a maio eu ainda insisti e cheguei a “visitar” um Neuropediatra, que nos ouviu e solicitou uma ressonância craniana, nem tive chance de fazer porque em maio, novamente, a princesa-gata ficou internada por conta do seu quadro pulmonar.
Bom… procedimento padrão… inalação, corticóide… etc. E já que estávamos no hospital pedimos uma avaliação de um neuropediatra para analisar nossas pulgas.
A partir daí começaram os infinitos exames na pequena (Hemograma, Mielograma, RX, Tomografia, blá blá blá), depois de tudo isso mais algumas informações:
Hepatoesplenomegalia,
Um atraso no desenvolvimento motor,
Uma leve anemia,
Sem ganho de peso.
E com isso um possível diagnóstico até então desconhecido de todos nós: DOENÇA DE GAUCHER
Foram 21 dias de internação (13/05 a 02/06) com passadinha na UTI… nesse tempo tivemos visitas ilustres da equipe de cuidados paliativos e psicólogos.
Um diagnóstico certo, mas um prognóstico muito pessimista, que hoje analiso como um tremendo erro de conduta médica.
Ok, acharam a doença base da Isadora, mas não acreditavam que ela se recuperasse do vírus pulmonar! Foi inimaginável para mim passar novamente pela perda de um filho, e agora foi muito pior que a primeira vez, porque a Isadora já estava com 6 meses!
Saímos dessa internação sem suporte para dar continuidade a qualquer tipo de tratamento, até porque, pra eles nada poderia ser feito.
Com a ajuda impessoal da bendita INTERNET, auxiliado com o magnífico GOOGLE fui obtendo informações dispersas e contatos diversos, e amigos que nos davam informações e contatos.
Até que num blog muito bacana (http://gaucher.zip.net/) da Carol Toneloto fui contemplado com um contato especial do Dr. Charles Marques Lourenço, um geneticista atencioso que trabalha no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e é especialista em doenças genéticas como o Gaucher.
O Dr. Charles me respondeu um e-mail, já com uma consulta marcada! De pronto fomos para lá e ele examinou minha pequena, nos deu todas as informações, tirou todas as nossas dúvidas! Nos disponibilizou medicamentos por doações e orientou sobre o tratamento aqui em Sampa!
TUDO QUE NOS PRECISÁVAMOS NO MOMENTO, FOI FANTÁSTICO!!!
Em paralelo também pesquisamos sobre o tratamento aqui no HC-Instituto da Criança, com a Dr. Gilda Porta, e já na nossa primeira consulta conversamos com ela, e demos andamento a solicitação da medicação na Secretaria da Saúde!
A primeira infusão na Isadora com o CEREZYME (Imiglucerase) foi em Ribeirão Preto, no Hemocentro, dia 04/07. E lá pudemos conhecer um pouco mais do trabalho do Dr. Charles, neste dia tinha mais 3 crianças com Gaucher fazendo infusões e sentimos os dramas para manter o tratamento em dia, pois muitas vezes não há medicação disponível, muitas mães vão com seus filhos de longe, Minas Gerais e cidades vizinhas de Ribeirão, e nós também viajamos 300Km de Sampa a Ribeirão.
Nossa segunda infusão de Cerezyme foi realizada aqui no Instituto da Criança em 17/07 e tudo ocorreu bem novamente.
Três dias depois um susto, Isadora cansada e fomos ao PS do Instituto, e passamos mais 2 dias de internação.
Virou rotina estas visitas ao PS, por conta de seu cansaço e muitas vezes a tosse, nunca sabemos se é algum vírus respiratório ou se é um sinal de que a doença base está agindo.
Fomos informados de que o Gaucher mantem células de gordura no Pulmão, e que muitas vezes o R-X parece ser de um quadro de pneumonia mas não é.
Dia 26/07 – Susto PUNK!
Lembro de ir para o trabalho neste dia e antes disso coloca-lá na minha cama junto com a mamãe, pois no horário que saio para trabalhar ela já está acordando.
Lembro que ela estava muito alegrinha deitada no meu travesseiro, acordada e rindo! E logo dormia preguiçosa até as 10:00hrs com a mamãe!!!
Neste dia recebi uma ligação as 15:50, por aí. Achei estranho pois ninguém falou nada, e de fundo ouvi uma sirene de ambulância e uma voz dizendo:
_ CALMA JÁ ESTÀ TUDO BEM!
O coração gelou, percebi que algo estava errado… retornei a ligação e recebi a notícia de que a Isadora tinha engasgado na Fisioterapia e teve uma parada cardio-respiratória. Corri para o Hospital e a informação de que foi necessário entubar minha pequena, seda-lá e esfriar seu corpinho, para evitar problemas neurológicos, e assim foi por 3 dias, sem choro, nem risada, nem nada… somente um picolé de Isadora.
No dia 29/07 minha pequena acordou do seu sonho glacial!
Rouca, com abstinência das drogas, muito agitada! Tenta chupar o dedinho mas não consegue, foi de partir o coração! 😦 … mas no dia seguinte já conseguiu degustar o mais saboroso dos dedos!!
Foi assim, evoluindo e melhorando durante 3 dias, até que um novo engasgo (01/08) fez com que voltasse para o tubo! Tudo novamente, todas as medicações, mas não foi necessário a hipotermia, e assim foi até o dia 07/08 quando foi extubada novamente.
Pudemos pegar a pequena no colo!
Apreensivo, e a noite foi longa, um olho no peixe outro no gato, com muito medo de uma crise de espasmo travar sua respiração. Muita inalação a noite toda… muita ronquidão e novamente reaprendendo a chupar o dedinho 🙂
Durante o dia seguinte ela foi melhorando e a tarde já estava com o dedinho na boca, e a noite com a Vi, ela dava risadinha e tudo!
Mas nessa noite teve uma nova crise e foi entubada novamente 😦
Bom hoje estamos na expectativa de extuba-la, a gata passou por uma cirurgia para retirar uma laringo-malácia(?) e fez aplicação de botox nas cordas vocais, para que novas paradas sejam evitadas.
Em paralelo a tudo isso temos todo o carinho dos nossos familiares e amigos, muitas orações e muito pensamento positivo.
Eu, desde o dia 26/07, acompanho de perto o dia-a-dia da minha pequena 24h por dia, graças aos meus amigos de trabalho que seguraram as pontas e garantem meu posto, isso pra mim foi a melhor demonstração de generosidade e carrego com honra essa eterna gratidão, pois consigo conciliar o acompanhamento da pequena com o dia-a-dia do meu guri, que sente menos as mudanças na nossa rotina.
Obrigado a todos!
Mathias.

A época das musas

Publicado: 25 de julho de 2012 por Kzuza em Cotidiano
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Estamos vivendo o advento da futilidade. Se eu acreditasse em fim dos tempos, eu diria que estamos bem próximos.

A onda agora são as musas. Existe musa pra tudo!

Sério, entre agora em qualquer portal da Internet. Eu corto fora o dedo mindinho da minha irmã se você não encontrar nenhuma “reportagem” com a palavra MUSA no título. O assunto por trás pouco importa. O lance é mostrar alguma mulher bonita como atração principal.

Veja só. Até quando o pano de fundo é um assunto sério como a CPI do Cachoeira, a mídia inventa uma musa. Primeiro foi a mulher do bicheiro. Como ela já tinha esse título e apareceu uma outra gostosa no páreo, resolveram chamá-la de Furacão da CPI. E a CPI mesmo, em si, ficou em segundo plano. Porque o que importa mesmo para o brasileiro é mulher bonita. Foda-se se o seu dinheiro está sendo jogado no ralo (ou melhor, no bolso do marido da gostosa, nesse caso).

Olimpíada. Quantas matérias por aí você não viu sobre musas? É a porra da musa do salto ornamental, ou do atletismo, ou do raio que o parta. Até a tal Hope Solo virou musa do futebol, fazendo jus ao ditado que “Em terra de saci, qualquer chute é voadora”. Vou te contar, eu não troco minha senhora Matos por 5 Hope Solos. E falo sério. Não que a goleira norte-americana seja feia. Eu a acho até bonita, mas até aí ser musa de alguma coisa é um exagero sem tamanho. Mas enfim, é preciso eleger uma.

E as musas das novelas? A mídia parece que empurra garganta abaixo as mulheres que você deve achar bonitas. Sinceramente, voltando à Sra. Matos, eu tenho a mais absoluta certeza de que se ela aparecesse na TV todos os dias sempre muito bem maquiada e vestida, e se as pessoas só a vissem vestidas com roupas novas e caras, sempre com penteados modernos e maquiagens impecáveis, ela seria uma musa. Bem, ela já é para mim, mas seria para o Brasil inteiro.

Ou seja, acho tudo isso muito artificial. E o pior, acho que a mídia tem um papel degenerativo. A mídia desvia o assunto principal para poder focar a vulgaridade e a futilidade. Não que eu não goste de mulher bonita, muito pelo contrário, mas forçar a barra é foda.

Instruções básicas

Publicado: 23 de julho de 2012 por Kzuza em Cotidiano
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Algumas coisas fogem da minha compreensão.

Já reparou a quantidade de placas inúteis que vemos por aí todos os dias?

“Pedestre, aguarde o verde para atravessar”. Porra! Será que alguém não sabe que deve atravessar somente no sinal verde? Sinceramente, o cara que atravessa no sinal vermelho não é porque não sabe, mas sim porque não quer aguardar até o sinal verde, independente do risco. Então, cabe colocar a placa lá?

“Jogue o papel no lixo”. Ah, é mesmo? Achei que fosse para enfiar no cu! O anúncio no cartaz não faz o nego jogar o papel no lixo. Ele joga se for um cara consciente. Se não for, pode colocar quantos cartazes quiser.

“Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se no andar”. Essa é a pior. Virou até lei em São Paulo. Só me faz dar risada. Se o imbecil é capaz de entrar no elevador sem perceber que ele não está lá, você acha que ele vai se atentar à plaquinha?