Arquivo da categoria ‘Cotidiano’

Mais um pra conta!

Publicado: 10 de fevereiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Há 3 anos escrevi aqui sobre o meu carnaval em família. De lá para cá, nada mudou. Nem o sítio. Dá para ver que a foto desse ano foi tirada no mesmo lugar, com apenas algumas diferenças quanto à disposição das pessoas. Alguns que estavam em 2013 não estavam esse ano. Alguns que estavam esse ano, simplesmente não saíram na foto (Luiz Claudio, Giovanna, Claudia, Karina, Haroldo, Merilin, Lucas, Marcia e Sadao). Mas o fato é que, na verdade, isso não muda muita coisa.

Talvez a única coisa que eu tenha a adicionar em relação a tudo o que eu escrevi há 3 anos é referente a algo que descobri nesse ano.

Eu sempre soube que juntos somos mais fortes. Talvez porque eles todos sejam meus melhores amigos desde sempre. Talvez porque sejam as pessoas com quem tenho mais contato.

Mas o que eu descobri esse ano é que nós somos capazes de fazer o outro melhor naquilo que ele mais precisa. Nós temos o poder de tornar o outro melhor nos seus maiores defeitos. E isso tudo ocorre sem precisarmos forçar a barra. Não usamos de força, não damos porrada, não usamos palavras fortes ou depreciativas. Digo isso por experiência própria, já que cada momento com esses caras me ensina alguma coisa nova e me ensina a ser melhor em algo que eu sou ruim. Mas é possível perceber que a mesma coisa acontece com os outros.

É claro que nem tudo são flores. Descobri que meu fígado não é mais o mesmo, e também que agora virei tio dos filhos dos meus primos. Sim, ambos estão relacionados à minha idade, e devo reconhecer que essas coisas me assustam um pouco. Mas certamente não mudará o quanto eu amo esse pessoal, e nem irá reduzir a vontade de estar com eles no próximo ano novamente nessa puta confraternização.

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A era do “Curtir e Compartilhar”

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Há um tempo atrás escrevi esse texto aqui, ó. Queria usar a primeira parte dele (até o vídeo do Clarion) como introdução para esse post de agora.

Tenho reparado, no meu Facebook, a quantidade crescente de posts propagando notícias e histórias falsas. E olha que eu nem sou o cara mais esperto do mundo, e nem de perto o mais inteligente. Porém, o meu olhar crítico para alguns detalhes me permite sacar, logo de cara, quando um post é falso.

O principal motivo dessa propagação de posts falsos está na necessidade dos indivíduos modernos em se fazerem notados. É a vontade de compartilhar e ter um post curtido. É a necessidade de expor a sua opinião, de se mostrar indignado com alguma situação ruim, ou admirado com um fato bom.

O problema disso é que, nem sempre, a opinião é baseada em fatos; ou nem sempre a situação ruim é verdadeira; ou nem sempre o fato relatado realmente ocorreu.

Eu não acho, sinceramente, que as pessoas que compartilham essas coisas falsas façam isso de má fé. Mas também não acredito que elas estejam de fato interessadas em checar se as informações são verídicas ou não. Já cansei de ler a frase: “Não sei se é verdade ou não, mas achei por bem compartilhar”. O tempo gasto para digitar a frase é o quase o mesmo gasto, em tempos de Google, para checar as informações.

De qualquer forma, eu vou colocar algumas dicas aqui valiosas para que você identifique, rapidamente, se algum texto é verdadeiro ou não, antes de sair compartilhando por aí:

  1. Verifique se há uma fonte confiável e conhecida. Se o texto estiver publicado em um blog qualquer (WordPress, Blogspot, etc.), verifique se o mesmo faz referência a uma fonte concreta. Senão, esqueça.
  2. Verifique sempre a autoria do texto. Procure informações sobre o autor. É fácil identificar se foi ele mesmo quem escreveu o texto.
  3. Procure palavras-chave no seu texto que denunciem um possível hoax (boato): ATENÇÃO!; DIVULGUE AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL!; NÃO SEI ONDE ACONTECEU, MAS…; OS ENVOLVIDOS NÃO PODEM SER IDENTIFICADOS; OS ENVOLVIDOS PREFEREM SE MANTER ANÔNIMOS; EU ESTAVA LÁ, FOI LINDO!; A ANS E A ANVISA (ou qualquer outros órgãos regulamentadores) JÁ RECONHECERAM…; etc. As chances do seu texto ser falso são gigantes!
  4. Cuidado com as fanfics. Hoje em dia elas estão amplamente espalhadas por aí.
  5. Procure acompanhar os excelentes sites do Sensacionalista, Joselito Müller e Piauí Herald. São mestres na arte de criar notícias falsas engraçadas e que parecem reais, embora hoje enfrentem uma concorrência brava do mundo real. Se você não é bom de sacar ironia, muito provavelmente já compartilhou algum texto deles achando ser verdadeiro.
  6. Quanto maior o número de termos técnicos e específicos do texto, usados para chocar, maiores as chances do texto ser falso.
  7. E se o seu texto analisado passar por todos os testes anteriores, mesmo assim cheque sua autenticidade no site E-Farsas. Os caras são praticamente infalíveis!

E por favor: resista à tentação do compartilhar!


Em tempo:

  • Suzane von Richtofen não está em liberdade condicional e nem é presidente de comissão nenhuma na Câmara;
  • A foto do bebê dentro da bolsa de líquido amniótico que não estourou é verdadeira, mas a história da mãe com HIV é falsa;
  • Nem Dilma e nem Alckmin aumentaram o valor do Auxílio Reclusão;
  • Ladrões não estão dando chaveiros de brinde em postos de gasolina para rastrear seu carro.

Desculpa aí se você já foi enganado com alguma dessas histórias… ¯\_(ツ)_/¯

 

O mundo precisa de silêncio

Publicado: 19 de janeiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Sou de descendência italiana. Naturalmente, falo bastante e, confesso, em um volume acima da média. Necessito estar sempre me policiando. Se há algo que eu não gosto é de incomodar as pessoas.

No entanto, há uma coisa importante nesse aspecto. Há uma diferença grande entre a esfera privada e a esfera pública. Uma coisa é você estar em casa, ou na casa de parentes e amigos próximos, em uma reunião privada de pessoas, em um grupo restrito. Outra coisa bem diferente é você estar em um ambiente público, cercado de pessoas que não fazem necessariamente parte do seu grupo. No primeiro cenário, meu grau de ponderação é bem menor que no segundo.

Eu fico impressionado como, em dias atuais, as pessoas perderam a referência do espaço em que se encontram e, assim, acabam agindo de maneira igual tanto no privado quanto no público.

Já escrevi várias vezes aqui nesse espaço sobre a questão do respeito. Hoje em dia, talvez esse seja o ingrediente mais em falta na sociedade.

É incrível como as pessoas não conseguem mais se manterem reservadas em um ambiente aberto, cheio de gente, em uma cidade como São Paulo. Não há, definitivamente, o espaço para o silêncio, para a discrição. Seja no transporte público, em um restaurante, na empresa, ou mesmo em um hospital, a moderação está em falta. É a conversa constante no celular, em volume estratosférico, de fazer corar até um cara como eu. É a conversa sobre assuntos íntimos (e às vezes indiscretos, nojentos e estúpidos) com o colega do lado, sem parar. São as gargalhadas histéricas. É o vídeo recebido no grupo do Whatsapp exibido no celular em alto volume. É a gravação daquela mensagem de voz para seu amigo que não pode esperar até você chegar no carro.

Será que ninguém se pergunta se está incomodando os demais ao redor? Será que ninguém se pergunta se mais alguém está interessado no assunto da conversa, além de si mesmo e da pessoa do outro lado (ou mesmo se a outra pessoa está interessada)? Será que ninguém se pergunta se aquela ligação não pode aguardar até estarmos em um ambiente privado e tranquilo?

Devíamos dar mais valor ao silêncio, aos momentos de introspecção. Por que não aproveitar aquele momento em que não se tem nada para fazer e ler um livro? Ou estudar um assunto novo, interessante? Ou mesmo, se nada disso lhe interessar, que tal aproveitar seu tempo simplesmente para não incomodar quem está ao seu redor?


Texto inteiramente dedicado a uma das poucas leitoras assíduas desse espaço, minha amiga Luciana Garcia. Adorei a dica!

 

O ano da renovação

Publicado: 18 de dezembro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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2015 caminha para o seu fim e há quem  diga que ele vai embora sem deixar saudades. Realmente, não me lembro de um ano com tanta gente mal por aí. Há um clima de insatisfação e falta de perspectiva tomando o meu círculo familiar e de amizades. Isso me entristece bastante.

Mas acho que se olharmos para trás, há sim muita coisa boa para lembrarmos, apesar de todas as dificuldades passadas. Falo isso de forma bastante pessoal, mas creio que se cada um fizer isso, haverá ao menos uma dezena de motivos bons ao longo desse ano que nos fazem crer em um mundo melhor para 2016.

Foi meu primeiro ano (quase) inteiro morando sozinho. Confesso que relutei muito em voltar para São Caetano, mas hoje tenho certeza de que fiz a coisa certa. Foi certamente um ano de muito aprendizado e de muita responsabilidade.

Também conheci o Chile, que há muito tinha vontade de conhecer. Minha primeira viagem sozinho, e que me encheu de histórias para contar (especialmente pelo meu primeiro terremoto!). Reencontrei dois grandes amigos de muito tempo e pude descobrir que não é só Carapicuíba que é lotada de gente feia.

Trabalhei como nunca na empresa, conduzi o projeto mais difícil de toda a minha vida, conquistei um espaço bacana e, principalmente, consegui não estragar uma grande amizade de longas datas com a minha mais nova cliente.

Descobri também que uma grande amizade era capaz de se transformar em um relacionamento para lá de gostoso. Que a gente combinava muito mais do que podia imaginar, apesar de sermos tão diferentes. E que cada momento junto acabaria se tornando algo tão sensacional.

Enfim, são as pequenas coisas que me fazem ainda acreditar que o mundo é bacana, apesar de Dilmas Roussefs, atentados terroristas, crises econômicas e políticas, e títulos do Curintcha.

Desejo a todos meus amigos e familiares um novo ano melhor que esse que se encerra. Um ano de união. Acho que é isso que mais precisamos. E que todos tenhamos saúde e determinação para enfrentar o que mais tiver por vir em 2016. Que nossas cervejas estejam cada vez mais geladas e que meu tricolor não passe tanto vexame.

maioridade

Vi a charge acima em algum lugar por aí e resolvi que já era hora de me posicionar a respeito do projeto de redução da maioridade penal que tramita pelo Congresso Nacional.

Em primeiro lugar, devemos destacar a questão da constitucionalidade do projeto. A discussão jurídica acerca do mesmo é imensa, e eu infelizmente não tenho capacidade técnica de dizer se a mesma enquadra-se ou não na Constituição Federal. Já ouvi argumento de ambos os lados, mas ninguém conseguiu me convencer nem de uma, nem de outra coisa.

Sendo assim, vou partir do pressuposto que a mudança é constitucional, para poder expor qualquer argumento. Caso contrário, se eu presumisse que era inconstitucional, nada do que eu dissesse faria sentido.

É necessário, antes de expor a minha opinião, desmistificar uma série de argumentos que vêm sendo utilizados por aí e que não fazem o mínimo sentido. E pior: são desonestos.

1 – A redução da maioridade penal só vai prejudicar negros e pobres

Definitivamente, não. A redução só vai prejudicar criminosos que tenham mais de 16 anos. Negros e pobres, ou quaisquer outros cidadãos, que sejam pessoas de bem, não serão presos indiscriminadamente somente pelo fato de terem mais de 16 anos.

O que de fato prejudica negros e pobres é um governo mais preocupado com seu enriquecimento próprio do que com as necessidades básicas de vida desses cidadãos.

2 – As penitenciárias não servem para reformar ninguém; são escolas do crime!

OK, se isso então for verdade, vamos também parar de prender estupradores, assassinos e traficantes maiores de idade, porque eles também não têm solução mediante a um sistema penitenciário tão arcaico.

3 – Crianças não são criminosas

Não, de fato não são. Mais uma vez, ninguém sairá prendendo e condenando crianças por aí pelo simples fato delas serem…. CRIANÇAS! (Duvido muito que você considere, de fato, um jovem de 16 anos como criança.)

4 – Se o adolescente pode responder criminalmente por um ato, também pode dirigir, beber, viajar para o exterior sem os pais, etc.

Acho que estamos falando de coisas diferentes, não? Mas enfim, eu explico melhor. Responsabilidades nem sempre implicam em direitos adquiridos em contrapartida. Estamos tratando somente do problema da violência e da criminalidade nesse caso.

5 – A redução da maioridade não vai diminuir a criminalidade

Muito provavelmente, sozinha, não mesmo. Mas ela ajudará a inibir a violência. A existência de uma lei que prevê penas para quem mata uma pessoa não faz com que não existam assassinatos, mas inibe que tais crimes sejam cometidos à reveria por aí. O mesmo se aplica à leis de trânsito, por exemplo.


Para mim é muito claro que o projeto que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos, por si só, não irá acabar com a criminalidade. Porém, também é claro que é uma das medidas válidas para que o objetivo final seja cumprido. Em conjunto, uma série de reformas no âmbito educacional, da justiça e do sistema penitenciário se fazem extremamente necessárias, em adição ao projeto. Enfim, muita coisa sim precisa ser feita ainda, mas isso não faz com que a redução da maioridade penal não seja vista com bons olhos. Punir responsáveis por crimes é apenas uma de todas as ações que eu e você, como cidadãos de bem, devemos exigir na nossa sociedade.

Uma pitada de sentimentalismo

Publicado: 27 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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Quem sou eu para falar sobre o amor, não é mesmo? Justo eu, esse cara de coração de pedra, que não chora, que não se sensibiliza, que não se comove nem mesmo com o final de Marley e Eu. Faz sentido escrever um post sobre isso?

Eu felizmente tenho observado alguns exemplos de que eu, mesmo não sendo o mais indicado para falar sobre coisas sentimentais, certamente estou longe de ser tampouco o menos recomendado nesse aspecto. Isso porque acabei descobrindo, nessas indas e vindas, que não sou tão egoísta quanto eu achava que fosse. E isso para mim é, antes de tudo, o primeiro passo para se tornar uma pessoa menos ruim.

Na verdade, acredito que às vezes criamos certos bloqueios que nos impedem de enxergar um mundo muito bacana ao nosso redor. Esses bloqueios podem ser de várias origens, desde você estar preso em um relacionamento envenenado e fadado ao fracasso, até ser vítima de algum trauma anterior que lhe impeça de se abrir a novas experiências.

O fato é que, quando nos vemos realmente libertos das amarras que nos prendiam, aprendemos a ser mais leves e mais amorosos. Passamos a enxergar novas oportunidades de ter momentos felizes. Coisas bobas, que antes não tinham importância, tornam-se fundamentais.

Deve ser por isso que vejo tanta gente sofrendo por amores que não se concretizam. Tanta gente reclamando por aí que não existe mais ninguém que preste atualmente. Tanta gente reclamando que ninguém os quer. Mas até que ponto isso realmente é verdade? Ou são somente as amarras que ainda não foram cortadas?

Conheço bastante gente com medo por aí. Medo de sair e conhecer novos lugares e pessoas. Medo de aceitar aquele convite para um passeio no parque. Medo da conversa descompromissada com um desconhecido. Medo da risada e do abraço sincero daquele amigo que você nem mesmo considera tão amigo assim. Medo de se abrir, mesmo que um pouquinho, com aqueles que estão próximos. Enfim, medo de amar. Amor, nem sempre no sentido carnal e sexual, mas no sentido de envolver-se, de trocar experiências, sensações, conversas e gestos.

E tudo isso em nome de quê? Em nome dos pré-conceitos estabelecidos? Em nome de uma auto-defesa, seja lá contra o quê?

Eu sinto que talvez seja melhor ser assim, desse jeitão ogro, mas sem medo das experiências que o mundo e as pessoas podem me oferecer. Nem que seja para quebrar a cara mais para frente. Para sofrer com experiências mal sucedidas. Mas ao menos ter sentido o gosto de experimentar, de viver.


Observação 1 do Zuza: prevejo de antemão comentários engraçadinhos e pejorativos…rs

Observação 2 do Zuza: será que se as relações amorosas fossem regulamentadas e as pessoas tivessem menos possibilidades de se decepcionar, mais gente se arriscaria?

Essa semana tive uma conversa com uma amiga minha sobre como as pessoas de hoje se preocupam demais com a vida alheia, sem cuidar da sua própria. O advento da internet e das redes sociais fez esse fenômeno se expandir assustadoramente, isso porque através delas, as pessoas se propõem a expor cada vez mais seus momentos maravilhosos da vida. E aí parece, para os invejosos de plantão, que a grama do vizinho é sempre mais verde.

Mas será que é bem assim mesmo? Eu na verdade acho que todos os seres humanos têm angústias e tristezas também, só que isso pouca gente expõe.

Uma outra amiga compartilhou ainda um texto chamado “Instagram: o ápice da idiotice na Internet“. Está tudo bem explicadinho aí.

Foi então que resolvi montar uma listinha de coisas que nunca vi ninguém postar nas redes sociais:

  1. Foto no estádio de futebol chorando porque o time perdeu, com a legenda: “Porra, me fodi! Gastei uma grana pra vir aqui ver essa bosta de time tomar um saco!”.
  2. Relatos de brigas conjugais.
  3. “Dei um tapa no meu filho hoje para ele aprender a não me responder atravessado”.
  4. “Moleque infernal! Às vezes tenho vontade de dar pra adoção esse filho da puta!”
  5. “Cachorro maldito! Cagou a casa toda e destruiu meu móvel novinho!”
  6. “Gato do cacete! Rasgou meu sofá inteiro!”
  7. “Não vou pra academia nem fodendo hoje! Preguiça do cão! E continuo gorda!”
  8. Foto acordando, de cara lavada e cabelo desarrumado.
  9. Foto na balada com a legenda: “Rolezinho miado hoje! Tudo muito caro, gente feia, e não peguei ninguém!”
  10. Foto no trem lotado indo para o serviço.

E você? Tem mais alguma?