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Rodrigo Hilbert. Marido da Fernanda Lima. Famoso. Bonitão. Pai exemplar. Apresentador de TV. Cozinheiro de mão cheia. Ídolo de 11 entre 10 mulheres do país. Não faltam adjetivos para descrever o cara.

Como pessoa pública, seus passos são acompanhados diariamente por um mutirão de paparazzis e de pseudo-jornalistas órfãos do site EGO. Qualquer coisa que ele faça é divulgada nos portais da internet. Há um mutirão de comentaristas de Instagram prontos para analisar e (quase invariavelmente) elogiar tudo o que ele faz.

Mas Rodrigo Hilbert também virou um ícone do politicamente incorreto. Nem mesmo suas ações de bom moço são páreo para a horda dos SJW (Social Justice Warriors, ou guerreiros da justiça social). Se ele mata um animal em seu programa de TV para depois cozinhá-lo e preparar uma refeição suculenta, é porque ele não ama os animais (como se uma coisa tivesse que ter, necessariamente, relação com a outra). Se os homens comuns, anônimos, resolvem fazer piadas ironizando o quanto o cara é um verdadeiro ‘homão da porra’, é porque esses homens comuns são machistas e não querem se dar ao trabalho de cuidar dos seus filhos (seja construindo uma casa na árvore ou meditando com eles), preparar o jantar ou limpar a casa. Teve gente que chegou até a comentar que o Lázaro Ramos é bem melhor que ele, inclusive; só não tem o mesmo destaque pelo fato de ser negro (o fato de Lázaro ser um cara muito mais reservado, fugindo dos holofotes, parece nem ser muito importante para essa gente).


Nota básica do autor: homens comuns fazem piada muito mais pelo fato de Rodrigo Hilbert ser um galã do que propriamente pelas suas atitudes. Lázaro Ramos, convenhamos, de galã, não tem nada.


By the way, brincadeiras à parte e também desconsiderando todo esse mimimi dos SJWs, o fato é que Rodrigo não passa de um homem comum como outro qualquer. A diferença é que os holofotes mostram apenas o que é bacana. É pouco provável que ele poste em suas redes sociais fotos dando broncas nos filhos, ou dos filhos fazendo birra com ele, chorando pedindo um chocolate, ou de uma briga com sua esposa. É pouco provável também que paparazzis tirem fotos dele acordando com remela nos olhos, ou fazendo cocô de porta aberta, ou batendo uma punhetinha no banho (também conhecida vulgarmente por banheta).

Eu posso dizer por mim, e acredito que o leitor também possa: conheço um punhado de homens muito mais fodas que Rodrigo Hilbert. Eles não têm um programa de televisão e nem um fotógrafo registrando tudo o que fazem, muito menos publicam seus grandes feitos no Facebook ou em fotos photoshopadas no Instagram. No entanto, são (ou foram) tão bons ou melhores que ele em muita coisa.

Meu avô nunca teve internet. Também nunca teve nenhum paparazzi cobrindo as entregas de alimentos e produtos de limpeza para as comunidades carentes de Carapicuíba. Naquela época, também não havia Instagram para registrar todas fotos lindinhas dele paparicando os netos, tampouco foi notícia nos portais de internet quando ele buscava os netos na escola e os levava pra casa, ou quando ele saiu correndo para socorrer minha irmã que havia enfiado um brinquedo no nariz.

Não houve cobertura de imprensa quando meu pai, já perto dos 60 anos, formou-se na faculdade. Também não saiu no Facebook quando meu tio Eliseu ensinou a gente, ainda pequenininho, a fazer pipa, rabiola e cortante. Não vi também nenhuma notinha quando o Mathias lutou de todas as formas pela saúde da Isadorinha.

Então, eu sinceramente acho que a jogada de marketing pessoal do Rodrigo é excepcional! O cara está sempre em evidência, mesmo sendo um homem como vários outros (talvez apenas com um rostinho mais bonitinho e uma mulher bonita e famosa). No mais, fico mesmo com meus ídolos de carne e osso, anônimos e imperfeitos, mas também politicamente incorretos.

Os palpiteiros do amanhã

Publicado: 13 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente é o do comentarista de acontecimentos ruins. Ou melhor, talvez devesse chamá-lo de palpiteiro do amanhã: aquele que sempre aparece com um ótimo palpite, mas só depois que a merda já aconteceu.

Esse tipo de gente é o oposto daquele que diz “eu bem que avisei”. Em alguns casos, ele é até capaz de usar essa frase, mesmo que nunca sequer tenha imaginado que a cagada poderia acontecer (ou então até tenha levantado a hipótese, mas preferiu ficar calado).

Sabe aquele jornalista que, depois do fatídico 7×1 nas semifinais da Copa de 2014, resolveu colocar o dedo na ferida, apontando tudo o que havia de errado no futebol brasileiro, mas que antes da Copa estava lambendo as bolas do David Luiz, do Thiago Silva e do Fred?

Ou então aquele seu colega de trabalho que chega no final do projeto, quando um erro é descoberto, e sai murmurando pelos cantos que tudo foi mal projetado, mesmo que ele não tenha a mínima noção de tudo o que já se passou ao longo da execução do projeto?

E aquele funcionário preguiçoso e displicente que, quando a empresa afunda, sabe dizer todos os pontos em que os gerentes e diretores falharam?

Tem também aquele seu amigão que incentiva quando você quer comprar um carro novo, mas na primeira vez que o carro dá problema, sempre tem um carro melhor para sugerir que você deveria ter comprado?

Mas o pior mesmo é aquele tipo que terceiriza a tarefa. Pede para você ou para um amigo fazer algo que ele mesmo poderia ter feito. No final, se qualquer coisa der errado, ele é o primeiro a dizer que você deveria ter feito de outra maneira. Não importa o que você faça, ele sempre vai ter uma maneira de fazer melhor.

Acredito que esse tipo de comportamento tem duas causas modernas:

  1. A preguiça ou a incapacidade de se analisar cenários previamente. Claro, não há como antecipar tudo o que pode acontecer, mas me parece óbvio que existem tragédias anunciadas e meras fatalidades. É necessário separar o joio do trigo. Um Aston Martin com problema de câmbio não é uma regra, é uma fatalidade. Uma equipe que demite seu treinador e vende metade do seu elenco no início do campeonato chegar ao rebaixamento para a segunda divisão ao final já é algo bastante provável de acontecer. Deixar para comentar o fato apenas após ele já ter ocorrido é bastante fácil e quase indolor, mas aparentemente sem mérito algum.
  2. A aversão à responsabilidade. É cada vez mais difícil encontrar gente capaz de assumir responsabilidades e arcar com os louros ou com as perdas de suas ações. Pouca gente é aberta a assumir riscos. O resultado disso é uma quase completa estagnação mental e social, transferindo para terceiros a responsabilidade pelos resultados de qualquer ação que venha a ser tomada. É aparentemente confortável e, portanto, tentador; no entanto, é pouco (ou quase nada) edificante.

Precisamos, portanto, de cada vez menos palpiteiros do amanhã e de cada vez mais pessoas atuantes hoje. Precisamos de gente que se antecipe, que ajude, que te coloque para cima! Não precisamos de mais gente que só sabe criticar. Não faça parte desse time.

Raul tinha razão?

Publicado: 5 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei

“Sociedade Alternativa” é, sem muita contestação, um clássico da música brasileira, goste você ou não. O trecho acima, baseado na Lei de Thelema, representa um postulado filosófico elaborado por ninguém menos Aleister Crowley, famoso ocultista britânico do século XX.

Não vou entrar no mérito aqui da loucura de Mr. Crowley, tampouco da “alternatividade” de Raul Seixas. Vou me ater apenas ao sentido literal da frase do início deste texto.

Tenho a impressão que isso tem se tornado um mantra moderno, repetido aos quatro ventos, simbolizando uma evolução humana natural, um progresso rumo a uma sociedade definitivamente livre e aberta.

Devo confessar que soa até bonitinha essa ideia de sermos livres para fazer o que quisermos, “pois é tudo da lei”. Posso ser quem eu quiser, posso fazer o que eu quiser, posso me comportar como eu quiser.

No entanto, há uma questão não abordada por Raul em sua canção que deixa muita gente ainda de cabelo em pé: liberdade traz consigo responsabilidade. É aí que mora um grande problema moderno. A geração mimada, principalmente os nascidos após os anos 90, tem uma dificuldade imensa em entender esse tipo de coisa, mas o fato é que ninguém está livre de julgamentos, sejam eles jurídicos, morais ou estéticos.

É fácil entender que toda ação é, ao menos em uma sociedade minimamente organizada, objeto de análise perante às leis estabelecidas. Esse talvez seja o primeiro bloqueio que temos, conscientemente, para não fazer tudo o que queremos. Fica simples até para o mais ignorante dos seres entender que, por exemplo, roubar algo de outra pessoa poderá levá-lo à prisão após um julgamento jurídico.

Mas o ponto de divergência está mesmo no âmbito da moral. A moral é o conjunto de hábitos e comportamentos que são considerados aceitos ou reprovados por uma sociedade. A moral toma forma através da cultura e da educação. É claro que a moral não é única em uma sociedade, principalmente em uma tão diversa quanto a nossa brasileira. No entanto, uma série de valores morais são compartilhados, senão por todos, pela grande maioria da nossa população.

Acontece que as pessoas que vão contra algum valor moral estão cada vez mais barulhentas. Elas procuram se reunir com outras que possuem a mesma opinião (e, veja bem, ter uma opinião não quer dizer ter razão!) e se organizam para fazer grandes barulhos. Nessa tentativa de reformar valores morais que, como disse, são frutos de anos e anos de sobrevivência (pois são frutos da educação e cultura de um povo, sobrevivendo a gerações), essas pessoas estão sempre exigindo leis que imponham ao restante da população a modificação desses valores. Ou seja, há uma tentativa (e quase sempre bem sucedida) de se transformar valores morais desejados em leis.

O último tipo de julgamento é o julgamento estético. Querendo ou não, também estamos invariavelmente sujeito a ele. Para usar um exemplo didático, pense o seguinte: por qual motivo não enfiamos o dedo no nariz em público? Há alguma lei que estipule isso? É algo juridicamente proibido, ou apenas algo esteticamente condenável, porque causa asco?

Agora imagine que alguém seja a favor de se limpar o salão em público. Há pessoas que fazem isso, sem sombra de dúvidas, mas são poucas. Agora imagine que essas pessoas se reúnam e criem um movimento “Limpe seu salão também”, e passem a promover “enfiadões” ou “cutucadões” públicos em grandes centros, mobilizando algumas dezenas de participantes enfiando seus dedos no nariz e tirando catotas para promover uma ‘quebra de tabu’. De que lado você estaria: seria um dos apoiadores, ou simplesmente acharia aquilo nojento e repudiante, mesmo que não haja nenhuma lei proibindo isso?

A questão principal é que, cada vez mais, as pessoas estão acreditando que: aquilo que não me é proibido por lei é, portanto, permitido. E caso você reprove um comportamento ou alguma imagem com base em seus valores morais ou estéticos, você é simplesmente um monstro abjeto que precisa ser exterminado.

Será mesmo que esse é o caminho?

É a cultura, estúpido!

Publicado: 12 de junho de 2017 por Kzuza em Comportamento, filosofia
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Vira e mexe, a frase título deste post volta à tona!

A notícia do final de semana foi o tatuador do ABC que flagrou um rapaz de 17 anos tentando roubar uma bicicleta e resolveu tatuar na testa do meliante: “Eu sou ladrão e vacilão”. O tatuador, com a ajuda de um comparsa, filmou o ato em uma cena digna do filme “Os homens que não amavam as mulheres”, quando Lizbeth Salander (magistralmente interpretada por Rooney Mara, diga-se de passagem) tatua na barriga de seu tutor, que a havia estuprado, a frase: “Eu sou um porco sádico, pervertido e estuprador”.

Como tudo é polarizado hoje em dia e pouca gente se dá o trabalho de pensar racionalmente sobre o assunto, imediatamente surgem dois grupos de pessoas nas redes sociais: um primeiro, com dó do garoto pela tortura que sofreu (contando inclusive com uma vaquinha para arrecadar fundos para apagar a tatuagem do rapaz); e um segundo, o grupo do ‘bandido bom é bandido morto’ ou do ‘fez por merecer’.

Enfim, tanto o primeiro como o segundo grupo são facilmente identificados como sentimentalistas exacerbados. No primeiro grupo, a emoção mais aflorada é a compaixão; no segundo, a ira. O problema é que, em ambos os casos, todos se identificam de forma muito semelhante ao torturador que tatuou a frase na testa do ladrãozinho. Todos são incapazes de controlar suas emoções (ou, no mínimo, sentem prazer em não o fazer) e raciocinar de forma lógica a respeito do ocorrido.

Essa falta de discernimento e a abnegação da busca pela verdade e pela justiça são resultados de uma enorme corrente de pensamento que domina a nossa sociedade atual. Há inúmeras teorias para explicar o porquê de termos chegado a esse ponto, mas não cabe a mim discuti-las nesse post, até porque invariavelmente o assunto recairá sobre a política, tema o qual eu já desisti de comentar. No entanto, cabe a mim tentar abrir os olhos do caro leitor para uma realidade: estamos todos tomados de fortes emoções, mesmo que as minhas contradigam as suas, e não estamos sendo capazes de domá-las para atuar sob domínio da razão.

Já mencionei aqui e aqui o livro “Podres de Mimados” do Dalrymple, onde ele explica muito bem tudo isso. Volto a recomendar a leitura.

Mas voltando ao caso que originou este post, acho que nunca a frase “um erro não justifica o outro” fez tanto sentido. O problema é que, na ânsia de se tomar partido e expor sua opinião, a maioria das pessoas acaba por absolver um dos dois infratores. Em uma batalha verborrágica para se identificar qual dos dois crimes é mais grave (e onde a vitória só é possível em caso de derrota absoluta por nocaute do lado oposto), os tais debatedores acabam por instaurar uma cortina de fumaça que cobre o real problema exposto pela situação.

O fato é que em um país onde o mínimo não funciona corretamente, as pessoas decidem então resolver as coisas por conta própria, já que tudo parece terra de ninguém. Quando eu digo o mínimo, eu me refiro à garantia que os cidadãos precisam ter de não terem sua propriedade (física, intelectual ou material) agredidas ou invadidas por outrem; e caso isso venha a ocorrer, que haja um julgamento justo daqueles que infringiram o pacto de não mexer naquilo que não é seu.

Parece-me bastante razoável que quando princípios morais básicos são observados minimamente em uma sociedade, tanto o número de infrações quanto o número de julgamentos injustos tendem a cair consideravelmente. Mas então o que leva uma sociedade a observar esses princípios? Em primeiro lugar, eu acredito: exemplos. Nada é mais capaz de influenciar o comportamento das demais pessoas ao seu redor do que um bom exemplo. Seja na sua família, seja no seu emprego, seja na sua vizinhança. Bons exemplos advêm de instituições (ou organizações) sociais que sobrevivem ao longo da história, aprendendo e evoluindo, formando a base do que conhecemos hoje como civilização. Essas instituições, goste você ou não, são basicamente a família e a igreja.

Seria irracional dizer que indivíduos criados em uma base familiar sólida e com base em ensinamentos religiosos seriam incapazes de cometer atrocidades. No entanto, a realidade mostra que a possibilidade de isso acontecer nesse grupo de pessoas são bem menores do que nos casos onde ou a família, ou a igreja (quando não os dois) não fazem parte da vida dos indivíduos.

O problema é que há muito tempo essas instituições que são base da nossa civilização (imperfeita, diga-se de passagem, mas em uma evolução geométrica) têm sido marginalizadas e hostilizadas, em um movimento cada vez maior que prega o abandono a instituições e valores tradicionais. Com a ausência cada vez maior da presença dessas instituições, há uma transferência subsequente dos poderes de decisão entre certo e errado, entre o que pode ou não pode para outras entidades. O que se vê por aqui, em terras tupiniquins, é justamente que esse poder acaba então caindo no colo de quem está menos preparado para isso.

Com uma justiça extremamente lenta e falha, aliada à uma população que não possui nenhuma âncora de valores morais, não é de se espantar que tenhamos índices de criminalidade já altíssimos e em curva de ascensão. Os mais de 60 mil homicídios por ano colocam o Brasil na liderança do ranking de assassinatos per capita no mundo.

No lado oposto dessa moeda, também não é de se espantar que se cresça o número de justiceiros como o tal tatuador do nosso caso. Não são raros os casos de bandidos capturados pela população que são amarrados a postes, torturados e espancados. Falta também a essa gente, assim como aos primeiros, uma boa dose de valores morais, mesmo que levantem a bandeira da luta contra o mal com uma mão, enquanto com a outra fazem a sua “justiça”.

Portanto, independente de qual lado você adotou nessa história, você não está nem um pouco preocupado com a solução do problema. Você simplesmente está externalizando suas emoções mais afloradas. Está querendo apenas “lutar contra o que está errado”, mesmo que esteja olhando apenas para o sintoma e não para a doença. Enquanto você não entender isso, seu Facebook será apenas um muro das lamentações. Sua vida será apenas uma eterna tentativa de se fazer o bem, mesmo que os resultados sejam sempre trágicos. Para um lado ou para o outro.

Ao mesmo tempo que a diversidade tem sido a palavra da moda nos últimos tempos, tenho reparado que a mesma só tem sido bem vinda quando convém ao establishment. Em outras palavras, o que é “diferente” só é bem vindo quando serve aos interesses de um grupo quase homogêneo que domina a grande mídia e o meio intelectual.

Quando se trata de uma garota beijar outra garota, ou de um garoto beijar outro garoto, a tal ‘quebra de tabu’ é sempre bem vinda, desde que as pessoas envolvidas estejam alinhadas com o discurso ideológico em voga. O mesmo acontece para mulheres que deixam seus pêlos crescerem, para homens que querem usar barba colorida ou uma saia comprida, para adeptos de dietas alimentares alternativas, para ‘religiões’ modernosas… enfim, tudo que gira em torno dessas esquisitices deve ser louvado, trazido à público como grandes novidades, como quebra de paradigmas. Na onda do progressismo, vale o lema de Raul Seixas: ‘Faça o que tu queres pois é tudo da lei’.

Porém, quando se tratam de opiniões e ideias que fogem do establishment, a diversidade não é nem um pouco apreciada.

Qualquer vírgula que seja colocada fora do lugar em sentenças já estabelecidas como verdade (acho que já falei sobre pós-verdade aqui) é motivo para que seu interlocutor seja taxado de antiquado, caretão, conservador, fascista, machista, homofóbico e por aí vai, de acordo com o tema abordado.

Pensando de uma maneira racional, a lógica argumentativa progressista baseia-se na regra: se está de acordo com o que eu penso e trará mais integrantes para o meu grupo, está correto (mesmo que não seja verdade, pois, nesse caso, o ônus da prova está com quem discorda da minha linha de pensamento). Já se está contra o que eu acredito, é automaticamente falso (e qualquer exame sobre a lógica, ou seja, sobre a verdade é dispensado, sendo substituído facilmente por qualquer xingamento ou caretas de reprovação).

De certa forma, entendo quem escolhe pensar desta forma. É muito mais confortável pensar assim. E fica mais fácil ainda quando a opinião contrária é uma voz praticamente única em um mundo culturalmente corrompido. Quando alguém ousa levantar a mão e questionar, é muito mais fácil soltar um “cala a boca” do que simplesmente mostrar que ele está errado.

Quando busca-se silenciar todas as opiniões diferentes, o mundo fica estagnado. Pois, caso a verdade seja calada, quem voltará a descobri-la?

Crise moral

Publicado: 18 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Palmeiras x Corinthians. Jogo válido pela primeira fase do campeonato paulista de 2017. O jogador Keno, do Palmeiras, sofre uma falta por trás cometida pelo volante Maycon, do Corinthians. O outro volante, o jogador Gabriel, que vinha acompanhando a jogada, já tinha cartão amarelo. Ao se levantar após a falta, Keno aponta imediatamente para Gabriel, e o árbitro aplica o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho no jogador errado. Muita confusão. Jogadores do Corinthians em peso tentam alertar o árbitro do equívoco, mas ele não muda de opinião. Nenhum jogador do Palmeiras se manifestou.

São Paulo x Corinthians. Jogo válido pelas semifinais do mesmo campeonato paulista de 2017. Em uma bola no ataque do Corinthians, o atacante corinthiano Jô e o zagueiro Rodrigo Caio disputam a bola, que estava muito mais próxima do goleiro Renan Ribeiro, que fica com ela. No lance, Rodrigo Caio se choca com o goleiro do próprio time, que fica no chão. O árbitro, de longe, aplica o cartão amarelo no atacante Jô. Imediatamente, Rodrigo Caio comunica o juiz da partida que foi ele quem se chocou contra o goleiro, e que o cartão é injusto. O árbitro volta atrás e aplaude o jogador tricolor.

As situações relatadas acima são completamente antagônicas. Uso-as propositalmente nesse artigo para demonstrar uma crise moral pela qual passamos aqui no país.

No primeiro episódio, o foco foi colocado apenas no juiz da partida, que de fato cometeu um erro crasso. Ele acabou sendo punido, como de fato deveria ser. No entanto, pouco ou praticamente nada se comentou sobre o fato de nenhum jogador, nem o treinador e nem ninguém da comissão técnica do Palmeiras terem se manifestado. Não houve um mísero ser humano digno de um pingo de honestidade para poder safar o juiz, a partida e, principalmente, sua própria honra de homem.

Já agora no segundo episódio, apesar de felizmente muita gente estar comentando favoravelmente a atitude de extrema hombridade de Rodrigo Caio, inclusive os próprios adversários corinthianos, ainda somos obrigados a ver gente imbecil como o jornalista Juca Kfouri comentando: Não fez nada mais do que a obrigação. Sério, Juca?

Na minha opinião, a honestidade não é uma virtude. Ela é apenas uma característica moral que deveria passar desapercebida por aí. É algo como o fato de não se matar ninguém. Não é uma grande qualidade, apenas a obediência a um princípio moral universal. Acontece que aqui no Brasil desenvolvemos algo que vai além disso, a tal “Lei de Gerson”. A honestidade por aqui é vista com maus olhos, é coisa de gente tola. E acho que, justamente por isso, é extremamente necessário louvar atitudes como a do jogador sãopaulino de pé, exaltá-la aos quatro cantos, principalmente pela mídia formadora de opinião. É algo para se mostrar nas escolas para as crianças mais novas. É algo para se incentivar, vibrar. É digno de uma estátua no estádio do Morumbi. E sabe por quê? Para que possamos um dia tentar colocar fim à Lei de Gerson. Para que um dia não precisemos mais ficarmos maravilhados e atônitos diante de um gesto que deveria ser, como Juca disse, mera obrigação.

Esse desvio moral vai muito além do futebol. Recentemente, em uma entrevista no programa Pânico no rádio, os fundadores do site Ranking Políticos respondiam a uma pergunta do apresentador Emílio Surita: mas político não é tudo igual? Eles mencionavam que existiam atitudes que mostravam se um político era pior ou melhor que outro. Citaram o exemplo do senador José Reguffe que abriu mão de uma série de benefícios como parlamentar e reduziu o número de assessores, tudo em caráter irrevogável, economizando assim uma quantia absurda de dinheiro ao longo dos 4 anos de mandato. Tanto o apresentador quando outros integrantes da bancada do programa disseram que isso era mera propaganda, marketing, demagogia. Uma das integrantes do programa chegou até a criticar o prefeito João Dória por doar seu salário para entidades filantrópicas do terceiro setor e mostrar isso na internet.

Veja até que ponto vai a mente doentia das pessoas. As atitudes dignas desses políticos, por mais corretas que possam ser, são minimizadas porque são apenas objeto de propaganda. Sério? Eu quero é que se dane. Não me importa! O mais importante é que façam o que é certo. Se for para mostrar na internet, se for para ganhar votos, se for para deixar a mamãe feliz, eu não me importo, desde que seja o correto a fazer e que sirva de exemplo aos demais.

Se você anda relativizando boas atitudes por aí só porque não foram realizadas por seus amigos, por pessoas do seu partido político ou por jogadores do seu time de futebol, tenha muito cuidado. Você certamente já foi contagiado por essa crise moral avassaladora que passamos aqui no país.

Por mais Rodrigos Caios!

O que está na moda?

Publicado: 17 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Hoje abri uma página na internet e me deparei com a notícia: “Sereias deixam o mundo da fantasia e viram moda“. Outro dia mesmo também tinha lido uma reportagem de um “sereio” do Rio de Janeiro, adepto de um novo movimento chamado “sereismo”. Fui procurar entender do que se tratava e descobri que a Rede Globo agora está com uma nova novela onde uma das personagens é uma sereia, então isso diz muito sobre as diferentes reportagens sobre o mesmo assunto que estão surgindo.

Mas enfim, a última reportagem diz que as sereias estão na moda. A pergunta que eu faço é: moda de quem, cara pálida?

Tenho reparado que constantemente reportagens nessa mesma linha têm aparecido em portais da internet com cunho progressista. Já li sobre a moda dos homens que usam saia, das mulheres que não se depilam, das barbas coloridas, do “largar tudo para ser feliz”, entre outras. E mais uma vez me pergunto: quantas pessoas você conhece que são adeptas dessas novas “modas”?

Eu tenho uma vizinha que pinta o cabelo de lilás. Se eu fosse pseudo-jornalista cool de um desses canais da internet, logo escreveria uma manchete: “A moda agora é usar cabelo lilás”.

Não que não existam pessoas que se enquadrem nessas novas modinhas, mas parece-me que cravar que esses comportamentos tenham se tornado moda é um pouco exagerado, e muito provavelmente tem uma segunda intenção (ou várias).

A minha suspeita é a de que tais movimentos não são uma realidade, mas são assim retratados por uma imprensa (e nem sei se pode ser chamada assim) comprometida com a implantação de uma agenda cultural progressista. Essa agenda é voltada para a desconstrução (palavrinha boa essa!) de valores conservadores e da moral existente. Não importa que não seja legal, não importa que a maioria das pessoas não gostem ou torçam o nariz para as novas “modas”, o importante é a pós-verdade: fazer acreditar que algo é real.

Sugiro, e o leitor pode não seguir meu conselho, que tenham muito cuidado com isso. Principalmente crianças e jovens são altamente sugestionáveis a esse tipo de comunicação, e os resultados podem não ser satisfatórios.

Quando a exceção vira regra

Publicado: 30 de janeiro de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Andei reparando em uma coisa ultimamente: quase todo mundo está se utilizando de casos excepcionais para (tentar) confirmar as suas convicções ideias. E isso em todos os aspectos da vida.

Já disse aqui anteriormente que as pessoas utilizam-se de vários subterfúgios para confirmar suas ideologias. Procuram encaixar os fatos, nem que seja manipulando-os, em sua forma de pensar. Mas nada para mim é tão gritante quando tentar se utilizar de casos isolados para confirmar determinado pensamento. Exemplos para isso não faltam.

O cara pega o exemplo do filho da faxineira, cujo pai alcoólatra fugiu de casa quando ele ainda era um bebê, e que passou em primeiro lugar em Oxford após ter estudado apenas com livros encontrados no lixão de Carapicuíba para dizer: está vendo só? Basta ter vontade e se esforçar! A meritocracia funciona! Vagabundo tem mais é que se foder mesmo!

O outro pega um caso de massacre dentro de uma escola americana, onde um estudante armado de uma submetralhadora matou 10 coleguinhas e depois se suicidou, e sai bradando por aí: a solução é proibir a venda de armas de fogo! Veja que absurdo! Se o garoto não tivesse uma arma, nada disso teria acontecido! Vidas precisam ser poupadas!

O terceiro pega o caso do avião da Airfrance que caiu no meio do oceano em 2009 por uma falha mecânica e diz: É por isso que eu não vôo! Voar é muito perigoso!

O quarto pega um dos muitos casos de estupro registrados no Brasil e brada: Vivemos uma cultura do estupro!

O quinto pega um caso onde um preto foi discriminado por conta da cor da sua pele e logo se prontifica: vivemos em uma sociedade racista!

Enfim, poderia ficar citando inúmeros exemplos aqui. E o que eu quero dizer com isso?

Nos 5 casos acima, independentemente do acontecimento ocorrer em proporções maiores ou menores dentro do todo, o conjunto desses acontecimentos nunca é maioria. Há muitos poucos casos de filhos de faxineira sendo aprovados em Oxford. O número de mortos em massacres em escolas americanas é muito baixo (para se ter uma ideia, mais pessoas morrem atingidas por raio nos EUA do que nesses massacres). O número de aviões que decolam e pousam em seus destinos normalmente é infinitamente maior do que aqueles que sofrem acidentes. A maioria esmagadora da população brasileira abomina ferozmente o estupro, inclusive os presidiários. E eu duvido que você me comprove que a maioria das pessoas que você conhece são racistas.

Por outro lado, veja só, esses casos isolados servem para nos mostrar uma coisa extremamente importante: tais eventos são perfeitamente possíveis, tanto é que ocorrem muitas vezes. Isso não quer dizer que esse seja um comportamento padrão, mas sim nos deixam em alerta para a possibilidade de ocorrência desse evento. Além disso, são eles que nos fazem evoluir como sociedade: eles nos ensinam como prevê-los, como combatê-los e, principalmente, o que fazer quando eles ocorrem.

O problema que eu vejo quando se toma a exceção como regra para um certo tipo de comportamento é que as pessoas então perdem o foco. Ao invés de atacarem a causa-raiz do problema, passam a eleger entes abstratos a serem combatidos e, dessa forma, não chegam a conclusão nenhuma. Quando o inimigo é invisível, quando ele não tem nome e nem forma, nossa evolução enquanto civilização é freada. Porém, mesmo quando a causa-raiz não possui uma identidade concreta, esses casos de generalização a partir da exceção fatalmente incorrem em mirar nos alvos errados.

Quando um garoto pobre não consegue frequentar uma faculdade de primeira linha, aqueles que defendiam o primeiro caso como regra, não como exceção, irão culpar a falta de disciplina, de esforço, de dedicação. Deixam, portanto, de avaliar outros fatores que contribuem para isso, como principalmente a diferença de oportunidades e condições de vida.

Quando um massacre ocorre em uma escola, poucos irão se ater ao fato de que escolas e igrejas são as tais gun free zones (zonas livres de armas) nos EUA e, fatalmente, os locais das maiores tragédias. Ninguém irá se atentar, até porque não existe nenhuma ONG e nenhuma rede de televisão interessada nisso, à quantidade de vidas salvas diariamente pelo fato das pessoas possuírem armas para se defender de bandidos nos EUA. Não se olha a quantidade de atentados evitados apenas porque um ser humano de boa índole estava armado quando um bandido apareceu. Exemplos para isso não faltam, é só pesquisar.

O caso da queda de avião demonstra bem um caso de sucesso, porque quando um avião cai, investigadores e especialistas se reúnem para analisar a causa raiz e determinar ações para que o problema não volte a acontecer em outras situações. Em um paralelo com o que acontece nas esferas sociais e políticas de nosso país, se acidentes aéreos fossem tratados como os demais casos que acontecem por aqui, teríamos imediatamente o governo agindo para reduzir drasticamente o número de vôos.

Quando um estupro acontece, e isso tem acontecido com uma frequência assustadora no Brasil, há um barulho enorme causado por pessoas que culpam a sociedade, a cultura do estupro, o machismo, o Schwarzenegger, o Rambo e até o Van Damme pelo ocorrido. Bullshit. São raras as mentes pensantes que identificam os únicos culpados pelos casos de estupro: os estupradores. Pasmem, isso é verdade! Identifiquem, divulguem, prendam e punam exemplarmente os estupradores, e a incidência desse crime diminuirá. Tolerância zero com eles!

A mesma observação segue para os casos de racismo. E olha que estou falando de racismo mesmo, discriminação pura e simples, como privar uma pessoa de seus direitos somente por conta da cor da sua pele. Esses casos existem no Brasil, não há dúvidas, mas eu duvido que sejam compartilhados pela maioria da população (até porque nossa maioria é preta). Normalmente quem brada contra uma “sociedade racista” o faz do alto do conforto do seu lar, em bairros nobres de cidades grandes. O que pouca gente quer enxergar é que os casos de pretos sendo assassinados apenas pelo fato de serem pretos são minoria. Pretos normalmente são assassinados por outros pretos, e isso denuncia a real causa do problema no Brasil: nossa segregação aqui não é racial, é social. A discriminação que ocorre aqui é social, não pela cor da pele. Pretos, em sua maioria, vivem à margem da sociedade, e esse é o problema. (Aliás, vi um vídeo muito interessante sobre isso!)

Assim, eu vejo que essa dificuldade em pensar, em analisar e em identificar corretamente as causas dos problemas a fim de combatê-los é um grande obstáculo para nossa sociedade. As pessoas estão mais preocupadas em defender suas bandeiras ideológicas, através de nomes bonitinhos e causas que são facilmente aceitas pela maioria das pessoas, e tornam-se demagogas demais. Os problemas continuam acontecendo e ninguém faz nada contra isso.


Ps1: achei o texto raso demais, mas foi o que eu consegui produzir. Logo devo complementá-lo.

Ps2: sim, não gosto do termo “negro”, por isso chamo de “preto” mesmo. Esse cara aqui me ajudou com isso:

Partilho da mesma opinião do Zuza no texto anterior, que foi mais focado em comentar sobre, 1) a comparação grafite x pichação, 2) o ato ser ou não artístico e 3) a legitimação do ato.

Mas meu objetivo é apenas alimentar a treta sobre outro aspecto:

Toda essa pseudo-polêmica atual é puramente política ideológica!

 E respondendo ao título:

Porque falamos de pichação agora, e desde quando isso se tornou relevante?

Porque quem controla os meios de comunicação quer. Porque redações de jornais agem em conluio aos movimentos progressistas, pautando o que deve ser discutido na maior cidade do Brasil apenas porque precisam fazer oposição política ao prefeito que nem fechou um mês de mandato.

É fato, a mídia cria a notícia e define a opinião em nome de todos nós.

E vale lembrar que João Dória foi eleito de forma democrática, pela maioria esmagadora da população, mas os derrotados não aceitam o resultado das urnas! (Hahahahaha, adorei usar esse argumento!!!)

Por trás disso tudo existe uma militância que usa os pichadores como massa de manobra para fazer oposição politica ao atual prefeito de SP, o inimigo número 1 da extrema esquerda progressista brasileira.

Por que penso assim?

Em 2016 a prefeitura de SP sob o comando do petista Fernando Haddad, mesmo tentando agradar todos os movimento da sua agenda de extrema-esquerda, cobriu diversos espaços grafitados no Minhocão. Ele alegou que não estava “autorizado” e que não era um espaço apropriado… Não houve um pio!

Antes disso o ex-prefeito Gilberto Kassab, com a lei cidade limpa, apagou diversos grafites, do tipo cartão postal, no centro da cidade, inclusive algumas dos famosos artistas “os gêmeos”… nenhum pio!

Agora intelectuais, urbanistas da USP, fefeleches e opinadores de programas matinais, enxergam nas ações do programa “cidade linda” a oportunidade de se apropriarem dos pichadores, criaram um novo factóide e ganharam os holofotes na imprensa, que por sua vez é conivente, sem nunca tocar numa lata de spray, roubando assim o protagonismo de quem picha.

Desde então o que se lê e vê nos noticiários diários gira em torno da suposta “importância do picho para a cidade”.

No mundo mágico da UOL/FalhadeSP, GoebbelsNews e demais portais, Sampa se tornou uma cidade maravilhosa sem problemas sérios, cujo interesse da população é reconhecer os pichadores como cidadãos exemplares, merecedores de medalhas e aplausos. 

Querem tornar o picho uma manifestação social de “expressão dos excluídos”, através de uma narrativa de que este ato precisa ser entendido, compreendido, e qualquer política de combate é uma ação preconceituosa, repressora, excludente, que marginaliza o grupo, e os pichadores representam grande parte da sociedade.

Desde quando o pichador está afim de protestar? Desde quando pichador quer algum tipo de reconhecimento social?

Pura besteira, nada muda o fato de que pichação é degradação e feio!

A pichação é transgressora desde suas origens no movimento punk, é contracultura, e ser contra o sistema de estado faz parte do ato.

Transgredir é o objetivo da pichação e a transgressão é, por si, desrespeitar as normas, ultrapassar os limites, violação da lei!

Na boa, vocês acham que pichador quer, por exemplo, que um PM ou um cidadão o ajude a subir um muro, invadir um prédio e aplaudir seu ato de pichar?

Acha que pichador quer receber medalha em assembléias legislativas ou que o ato de pichar seja considerado algo correto, belo e moral?

Acha que pichador quer incentivo estatal, ou que tenham suas latas de spray subsidiadas? (É, esse eu acho que sim, :/)

É isso que estão querendo? 

Duvido, isso é coisa de carola, coxinha, coisa de crianças querendo atenção.

Não vejo pichadores assim, mas vejo esse desejo nos intelectuais burgueses que buscam o protagonismo desse grupo sem nunca sujar o dedo numa lata de spray, nem tiveram a cara pintada ao ser pego por um PM, nem sentiram a adrenalina em escalar prédios de fazer inveja a qualquer praticante de parkour.

Que nada… essa trupe se contenta em analisar sociologicamente o picho das suas sacadas gourmet revestida com uma textura cinza pastel, ou então tomando uma cerveja artesanal em um bar na Vila Madalena, cujo parede está coberta por adereços que embelezam o lugar é o torna aconchegante do inverno e descolado no verão.

Olha que bonito o filhinho playboy do embaixador transgredindo!

Pichador quer reconhecimento entre pichadores, querem desafiar as autoridades do estado, quer incomodar, querem adrenalina, quer ser xingado por aquele tiozinho que pinta a fachada da casa recém pichada, quer transgredir!

Criar uma suposta divisão social é o objetivo político da extrema esquerda progressista, mesmo que a unanimidade trata a pichação como um ato criminoso em SP e em qualquer outro estado brasileiro ou em qualquer outra cidade do mundo, um dano ao patrimônio público, um ato de vandalismo, que degrada a paisagem e gera prejuízo a terceiros. “Curtir” pichação nunca foi um sentimento compartilhado nem por 1% das pessoas, e nem mesmo é compartilhado por pichadores!

Não caia nessa galera, não sejam manipulados! Pensem!

A patota militante usa da velha estratégia de tentar mudar o sentido das coisas apenas criando rótulos e mudando o nome do que quer subverter.

Não adianta chamar um garfo de colher para que ela se torne uma colher, continua sendo um garfo, continua péssima ferramenta para degustar uma deliciosa sopa!

Portanto camarada… Pichação é pichação! Um dano a propriedade pública ou privada.

Dizer que é “manifestação” não muda nada. Dizer que é “cultural” não muda nada. Dizer que é “uma forma de expressão” não muda nada.

Acho hilário quem tenta mudar o sentido das coisas por birra ideológica, por puro embate político…

Baloeiros, fica dica… Busquem pelos mestres das massas políticas, quem sabe a mídia e esses movimentos não consigam elege-los como os novo baluartes da aviação!!

Amigão pichador, quer pichar? Picha!

Mas aceite as consequências!

O pichador que não gosta de pichar a própria casa, Mito! https://www.youtube.com/shared?ci=e3S8RBtizPc

Fui!

Mathias.

É claro que eu não poderia deixar de escrever sobre a polêmica do momento. Vira e mexe esse assunto retorna à tona, e não foi diferente agora que o novo prefeito de São Paulo resolveu declarar guerra aos pixadores.


Opinião Pessoal

Bem, primeiro vamos à minha opinião. Opinião pura e simples, sem juízo de valor. Vamos falar do que eu gosto, lembrando, como eu disse em um post recente, que não é porque eu gosto de alguma coisa que ela é necessariamente boa.

Acho grafite um negócio legal pra caralho. Bonito mesmo. Há, entre artistas mais famosos e os anônimos, gente de extrema qualidade que consegue embelezar qualquer pedacinho de muro por aí. Se você mora em São Paulo, consegue ver diariamente vários exemplos disso. O mais legal deles, na minha opinião, é esse:

screenshot-24-de-jan-de-2017-11-02-57

Foto de Fernando de Santis

Por mim, a cidade seria coberta de painéis como esse ou como os da Avenida 23 de Maio. Ah, como eu gostaria que as coisas fossem simples assim. Mandaria grafitar até o Obelisco do Ibirapuera, a Ponte Estaiada todinha, o Minhocão, todas as pontes da Marginal Tietê… ia faltar tinta nessa porra! Ah, como eu gostaria que a cidade fosse minha!

Opa, mas pera lá. Gosto muito de grafite, mas odeio pixação. E sabe por quê? Porque pixo não me diz nada. Não entendo porra nenhuma daquelas letras. E não há ordem nenhuma. E não há respeito nenhum. Basta ver essa foto aí em cima. O que está no primeiro plano não é um muro, nem um painel. É um tapume que cerca uma área em obras no local (obra esta que está lá há pelo menos uns 6 anos). E os caras pixaram em cima dos grafites feitos nesse tapume. O cara foi lá e cagou em cima da arte de um outro.

Mas novamente, finalizando essa parte, isso é mera opinião pessoal. É um gosto meu. Não estou fazendo juízo de valor. É apenas o que eu acho, baseado no que vejo e no que sinto. Ou seja, é algo meu, então você nunca vai entender completamente.


Arte de rua ou bandeira política?

Aqui entra a parte mais delicada dessa história toda.

Antes de entrar em qualquer discussão sobre arte x não-arte, é importante entender o porquê desse assunto ter vindo à tona nesse momento.

O fato é que, após 4 anos de administração petista na cidade de São Paulo, Fernando Haddad não conseguiu se reeleger. Apesar de todas as suas boas intenções (e eu acredito muito nisso), sua administração não foi bem recebida pela população. Tanto é que foi derrotado ainda em primeiro turno, com uma vitória esmagadora de João Dória, do PSDB. Foi a primeira vez que as eleições na capital paulista foram decididas em primeiro turno. (Veja bem, animal, antes de me criticar: aqui são só fatos, não opiniões!)

Dória tem, portanto, grande apelo popular, apesar de não ser nem um pouco o queridinho da mídia mainstream. Pelo contrário. Desde que assumiu o cargo, há menos de um mês, é bombardeado diariamente por 2 dos maiores veículos de informação em massa do Brasil: o jornal Folha de São Paulo (que pauta também o maior portal de internet do país – o UOL) e a Rede Globo. Às vezes de forma velada, às vezes às claras, mas o novo prefeito está sendo alvo das críticas diariamente. Não vou abordar aqui, para não me estender mais do que o habitual, sobre os motivos desta perseguição, então permito-me relatar apenas fatos.

Isso leva, infelizmente, ao que Leandro Narloch relatou em seu artigo na Folha de São Paulo (veja só!!!) essa semana, onde ele diz que nós fingimos defender ideias e princípios, mas na verdade, defendemos pessoas.

Ou seja, muita gente (senão a maioria) não está muito preocupada em discutir se as decisões do prefeito a respeito da guerra à pixação e da limitação dos grafites na capital paulista faz sentido ou não, se é boa ou não, se tem impacto positivo ou negativo. A regra é: se foi o Dória que decidiu, então não deve ser coisa boa.


Discussões sobre o tema

Para que eu pudesse formar um juízo a respeito do assunto, de forma racional, decidi pesquisar mais a respeito e ver o que as pessoas estavam dizendo por aí. Então selecionei as coisas mais interessantes que vi sobre o assunto.

Primeiramente, deixo um documentário francês bem bacana sobre a pixação em São Paulo:

Agora, um vídeo do canal Cidade Ocupada, do jornalista Fred Melo Paiva, também falando sobre o assunto:

Além dos vídeos, também dei uma olhada sobre o que o pessoal anda falando nas redes sociais, o que, querendo ou não, acaba sendo um bom termômetro.

Treta #1

Uma postagem bem interessante é a que está abaixo. Desconheço o autor, mas a mensagem foi postada por um amigo meu em sua página:

Na discussão que se seguiu nos comentários da postagem, a posição desse meu amigo (que ao contrário do que ele pensa sobre ele mesmo, é inteligente pra caralho!) é a de que o Dória é extremamente marketeiro. Ele não chegou a criticar abertamente a ação do prefeito em apagar pixações (embora talvez meu amigo tenha considerado isso bizarro), mas sim o fato do prefeito estar utilizando isso como uma bandeira para aparecer.

Nesse ponto, concordo completamente com ele. Dória chegou como um “não-político”, e até por causa disso sempre foi odiado dentro do próprio partido, com exceção do seu padrinho Geraldo Alckmin. Chegou com a promessa de trabalhar duro, de fazer acontecer. Mas o cara é empresário, entende de marketing, e precisa cuidar da sua imagem, precisa estar em evidência, e tem feito isso como ninguém. O prefeito tem pautado a imprensa paulistana diariamente, e tem feito isso como um grandessíssimo político.

Talvez a diferença de pensamento entre eu e esse amigo esteja no fato de que eu estou pouco me importando se o cara faz as coisas por marketing ou não. O importante para mim é fazer o trabalho bem feito e trazer bem estar para a população. (Veja, ainda não emiti meu juízo sobre as ações do prefeito acerca do tal “Cidade Linda”, pois isso vai ficar só para a última parte do texto, então não dê xilique!) É claro que eu preferia um cara mais na dele, que só mostrasse resultados, que trabalhasse e não precisasse estar na capa do jornal vestido de gari, lixeiro, cadeirante, drag queen, nem nada parecido. Mas sinceramente, isso pouco me importa se ele estiver garantindo que a população esteja bem. Até porque, tratando-se de uma das 6 maiores cidades do mundo, acho bem difícil um prefeito passar desapercebido pela mídia. Imagino a quantidade de jornalistas atrás dele diariamente, a cada passo que ele dá. E foi assim com todos os prefeitos de São Paulo que me lembro.

Mas esse não foi o principal ponto da discussão desse post. O principal ponto aqui é justamente o que eu mencionei na sessão anterior: a bandeira política.

O fato é que pixar é crime, previsto em código penal. Discordo do deputado Conte Lopes, no vídeo do Fred Melo, onde ele usa o argumento raso de que “é crime porque está previsto em lei”. A escravidão já esteve prevista em lei, e nem por isso deixava de ser um crime moral. O que torna a pixação um crime não é o fato disso estar escrito em um pedaço de papel, mas sim que ela não respeita um código moral e ético básico da sociedade em que vivemos que é o respeito à propriedade privada. Ainda vou gravar um vídeo falando sobre isso, mas o que vale dizer aqui é que qualquer violação à propriedade de outrem (seja ela física ou mental) é sim um crime. Assim como eu não posso chegar e tatuar o seu braço porque eu acho isso bonito, sem sua autorização, você também não pode pintar a parede da minha casa sem meu consentimento.

Não se trata, portanto, de uma guerra entre direita e esquerda. Não se trata de jogar a culpa por uma cidade suja aos “esquerdopatas”, e sim a criminosos que violam a propriedade de outras pessoas. Simples. E travar essa luta não é pauta de direita ou de esquerda (você pode procurar por aí, mas até a Marilena Chauí fez isso quando era secretária de Luiza Erundina, o Haddad mesmo fez isso durante sua administração, e a polícia sempre perseguiu pixadores desde que eu me conheço por gente).

Outro ponto bastante interessante, ainda na discussão desse post, foi a posição de um rapaz que eu desconheço. Ele disse:

O problema é que em momento algum o cara questionou porque a galera está pixando, acha que ir lá e tentar apagar resolve o problema. Talvez se tentasse entender o início do fenômeno teria uma articulação melhor para resolver do que apenas jogar aquela tinta cinza escrota.

Quando confrontado, quando disseram que as pessoas pixavam apenas porque estavam “cagando” para a cidade e para qualquer coisa que não fosse o umbigo delas, a resposta foi:

Aí é que tá cara, esse é o pensamento generalista. Tem um conceito social nisso aí, não digo que todos os que pixam tem questionamento social, mas fazem parte de um meio. A própria cidade criou isso. A cidade não tem lazer, não oferece alternativas, é um lazer que os caras tem. Aqui em Florianópolis quase não se vê pixação, e quando vê é de são Paulo.

Tá cagando pra cidade sim, mas o que são Paulo devolve pra essas pessoas? É cultural da cidade de são Paulo por que? Tá tão intrínseco, tem tanta gente que pratica. É gigante a parada é rola uma interação social enorme entre esses caras. Nunca são casos isolados, os caras estão se comunicando através daquilo, é uma outra forma de se falar dentro da cidade. Independente de gostar ou não de pixação você não acha que vale tentar sacar o que realmente tá por trás? O que motiva alguém a arriscar a vida, ser preso por algo que nunca vai trazer retorno? É de questionamento que eu estou falando. Se rolar essa interpretação aí tem formas de resolver de uma maneira menos paleativa do que só desperdiçar um monte de grana em tinta pra gerar uma guerra que não vai se resolver.

Esse ponto de vista me lembrou muito o que Roger Scruton chama de “culpa transferida”, no capítulo Defesas Contra a Verdade de seu livro “As Vantagens do Pessimismo”. No livro, ele cita o exemplo da imediata explosão de culpa direcionada aos Estados Unidos logo após os ataques de 11 de Setembro:

Todo mundo sabia – e a natureza dos ataques demonstrava isso sobejamente – que a al-Qaeda não é uma organização com a qual seja possível manter algum diálogo, ou que tenha o hábito de examinar a consciência e lamentar os seus atos. Ela existe para recrutar o ressentimento e para canalizá-lo contra o alvo habitual, que é aquele que está à vontade no mundo e que desfruta dos benefícios que os ressentidos do mundo não conseguiram obter. Qual é o sentido de culpar uma organização desse tipo, ou até mesmo de fazer julgamentos morais? Não, em vez disso, votemo-nos contra a América e vejamos o que ela fez – por meio de seu próprio sucesso – para merecer aqueles ataques.

A questão aqui não é comparar o potencial destrutivo de uma organização como a al-Qaeda  com o bando de pixadores paulistanos, pois são coisas muito distintas. Mas enfim, depois de assistir aos vídeos e aos depoimentos dos pixadores, fica bem claro que não é muito uma questão de diálogo ou de ceder a exigências. Eles vandalizam porque querem vandalizar. Sujam porque querem sujar, porque isso os faz sentir bem. Não é para um reconhecimento da sociedade, não é para fazer exigências de algo em troca (seja o reconhecimento do pixo como arte ou de melhores condições sociais). E aqui, nesse ponto, ambos os grupos se equivalem: é necessário encontrar um culpado pelo crime que cometemos. Isso, caros amigos, é um grave problema!

Treta #2

danilo

Nesse caso, printei diretamente a conversa que tive com o Danilo. O cara é praticamente meu irmão, e me autorizou mencioná-lo aqui.

Achei um ponto de vista bastante interessante, principalmente o caso que ele mencionou sobre a cidade que ele conheceu. Eu acho que tenho um indício do porquê da cidade medieval ser diferente nesse aspecto em relação a São Paulo. Talvez seja porque São Paulo é uma cidade que não dá para ser comparada com quase nenhuma outra cidade no mundo, tendo em vista suas proporções gigantescas. Tanto em população quanto em área territorial, a cidade é enorme. Não vou nem mencionar aqui as diferenças culturais e sociais, mas só o tamanho já faz com que qualquer comparativo nesse aspecto só possa começar a ser feito com cidades como Paris, Londres, Nova Iorque e Tóquio.

Outra coisa bem legal foi: todos nós podemos atingir níveis maiores de cultura, tolerância e desenvolvimento. E acho que aqui está o X da questão. Até fazendo um paralelo com o último comentário da Treta #1, a chave para a solução do problema, ao meu ver, não está em reconhecer o pixo como algo bom, como arte, ou como expressão válida. Isso talvez mantenha essas pessoas à margem da sociedade, aprisionadas em seu mundo, presas à baixa cultura e ao submundo do vandalismo. A chave, portanto, é prover a elas acesso ao que há de melhor, é resgatá-las para um mundo de dignidade, de beleza. Já dizia Albert Einstein: uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.


Mas enfim, o que é arte?

Esse é um assunto delicado, sobre o qual não sou especialista para falar. A única observação que tenho é aquela máxima: quando tudo é arte, nada é arte.

E por que isso é importante?

É importante porque quando consideramos tudo o que gostamos, apenas pelo fato de que gostamos, como algo supremo, sem discutir qualidade, tudo passa a ser irrelevante. E quando tudo é irrelevante, perdemos a referência do sagrado, do puro, do belo. Uma cultura sem referências é algo pobre, insignificante.


E os outros crimes? E a corrupção? E a saúde? E a educação?

Sempre quando um assunto polêmico desses vêm à tona, imediatamente surgem os espantalhos. Isso é invariável!

Há um problema na maioria das discussões atuais onde as pessoas não gostam de se ater apenas à questão central, mas sim tergiversar sobre tudo que o cerca e possa ter alguma relação. E as pessoas fazem isso justamente porque procuram esses subterfúgios para defender uma ideia. Procura-se mudar o contexto, maquiar a realidade, a fim de que tudo se adapte àquela ideia central que a pessoa defende.

Justificar um crime de dano à propriedade alheia porque outras coisas não vão bem me parece bastante insano. Também me parece insano dizer que combater crimes de menor potencial de violência não tem relevância tendo em vista as grandes atrocidades que vemos por aí. Como se tivéssemos que ser tolerantes com um assaltante só porque tem muita gente sendo estuprada por aí.

Outra insanidade é o pensamento do: não adianta apagar as pixações pois elas vão continuar aparecendo. E aqui cito dois motivos:

1 – Isso faz tanto sentido quanto dizer que não devemos prender assassinos porque assassinatos continuarão acontecendo.

2 – Conhece a teoria das janelas quebradas? Deixo aqui um texto bem interessante sobre o assunto.


Conclusão

Como eu sempre digo, não é porque eu gosto de algo que isso é verdadeiramente bom. Então as minhas opiniões pessoais sobre determinado assunto são meramente emotivas, baseadas em sensações.

No entanto, há um ponto que precisamos ser racionais aqui.

Ninguém é obrigado (ou não deveria ser) a aceitar o meu gosto pessoal e ter que conviver com ele. Isso se chama respeito. Eu posso ouvir a música que eu quiser, ler o livro que eu quiser, decorar o ambiente como eu quiser, assistir o filme que eu quiser, desde que isso esteja na minha esfera privada e não interfira na vida de ninguém. Claro, posso indicar tudo isso para as pessoas com base nas minhas opiniões pessoais, mas não posso obrigá-las a aceitar isso.

Invadir o espaço de alguém para marcar algo que eu acho legal é imoral. É como ouvir uma música alta que eu gosto, obrigando meus vizinhos a compartilharem do meu gosto. É como escrever na parede da casa do meu amigo uma frase interessante que li em um livro que gosto. É como projetar na parede do vizinho um filme bacana que assisti.

Mas como o poder público pode resolver isso?

Eu acredito que espaços públicos não devem ser espaços para divulgação de NENHUMA opinião, seja ela expressada como for. Viadutos, pontes, parques, monumentos, todos devem estar limpos e impecáveis. E você vai me perguntar: pô, Zuza, mas não era você que queria tudo grafitado? Sim, eu quero. Mas quem disse que todo mundo tem que querer, só porque eu acho bacana? Acho legal pra caralho carro na cor azul marinho, mas isso não quer dizer que eu queira que algum político obrigue todas as pessoas a terem um carro azul marinho.

Por outro lado, espaços privados poderiam sim servir de vitrine para os artistas de rua. E isso deveria, de certa forma, inclusive ser incentivado pela prefeitura, ao meu ver, através de reduções tributárias para esses casos. Já temos vários casos desses pela cidade, onde fachadas inteiras de prédios são grafitadas com autorização dos proprietários. É aqui que mora a chave da questão: autorização! Se o espaço é meu, eu posso autorizar fazer o que quiserem nele. Se eu sou a favor do pixo, ou do grafite, eu posso autorizar fazer o que quiserem na minha propriedade. E nisso o Estado não precisa sequer intervir.

Outro meio bastante bacana, ao meu ver, é a iniciativa do atual prefeito em estabelecer galerias / museus específicos para esse tipo de arte. Espaços reservados para os artistas exporem seus trabalhos, serem reconhecidos, ganharem dinheiro. Só espero que isso não fique apenas na vontade e realmente saia do papel.

Enfim, minha conclusão é que tudo deve ser baseado no respeito. Meu espaço, minhas regras.

Sobre feminicídio

Publicado: 9 de janeiro de 2017 por Kzuza em Comportamento, violência
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Relutei muito antes de escrever sobre assunto. Pesquisei bastante, conversei bastante, fiz algumas reflexões e, enfim, tomei coragem.

Como qualquer assunto polêmico, a abordagem racional sobre o mesmo desperta a fúria e a indignação da maioria das pessoas. Minha proposta aqui não é oferecer soluções para o problema da violência contra as mulheres, mas sim apresentar o meu ponto de vista sobre o quanto a visão extremamente sentimentalista da nossa sociedade e a ausência de foco e debate por parte das feministas radicais acaba prejudicando o combate aos assassinatos de mulheres.


Bem, primeiro vamos às definições. Talvez a definição mais simplista do termo feminicídio seja:

O assassinato de uma mulher por um homem, pelo simples fato dela ser mulher.

Encontrei uma mais completa, e definitivamente muito melhor, no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Violência Contra a Mulher, de 2013:

O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Em 2015, o feminicídio foi incluído no código penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio, passando também a ser enquadrado como crime hediondo.


Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato de uma mulher como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.

Eu particularmente também considero esse tipo de crime hediondo. Sou contra a pena de morte (por motivos que não vou explicar aqui, mas talvez em um post futuro), mas é um tipo de caso que para mim é digno de prisão perpétua.

Mas a discussão aqui não é sobre isso.

Hoje, o código penal brasileiro já possui seus qualificadores para o crime de homicídio. Não sou especialista em leis, mas sei que um dos agravantes é justamente quando o crime é cometido por motivo torpe:

É o moralmente reprovável, demonstrativo de depravação espiritual do sujeito. Torpe é o motivo abjeto, desprezível. É, pois, o motivo repugnante, moral e socialmente repudiado. No dizer de Hungria, revela alta depravação espiritual do agente, profunda imoralidade, que deve ser severamente punida.

Exemplos desses motivos são: crimes por motivação racial, questão religiosa, orientação sexual da vítima, matar por herança, etc. Ou seja, um assassinato cometido por qualquer motivo de preconceito se enquadraria nesse qualificador.

Aqui, obviamente, há uma diferença a respeito do feminicídio. Primeiro, seguindo as próprias definições que coloquei lá no início do meu texto, esse tipo de assassinato de mulheres não se enquadra meramente em uma questão de preconceito. Segundo, um assassinato qualificado como motivo torpe não torna o crime hediondo (até onde eu saiba, mas aceito aqui comentários de advogados para me esclarecer).

Aparentemente, o código penal ainda não fazia diferenciação de um crime de acordo com o sexo da vítima ou do criminoso, o que faz todo o sentido.


A questão que fica, então, é a seguinte: por que então esse tipo de crime tão abjeto, repugnante e nojento é hediondo apenas quando cometido contra mulheres?


É aqui, amiguinhos, que começa a treta.

Vou criar um nome fictício: machocídio. É um novo termo que criei para definir esse tipo de crime:

O machocídio é a instância última de controle do homem pela mulher: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando o homem a um objeto, quando cometido por parceira ou ex-parceira; como subjugação da intimidade e da sexualidade do homem, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade do homem, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade do homem, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.

Acreditem, isso acontece (veja aqui, aqui, aqui e aqui alguns exemplos). Talvez um dos mais marcantes recentemente tenha sido o do empresário da Yoki, cometido por Elize Matsunaga.


Novamente, coloco uma citação minha: Com exceção a psicopatas e outras pessoas com problemas mentais graves, ninguém seria capaz de considerar o assassinato desses homens como algo não digno da mais completa repulsa e indignação.


Se você consegue se indignar de maneira igual frente a crimes de igual crueldade e motivação, independente do sexo do autor e da vítima, você já está um passo à frente de muita gente por aí. Você inclusive já deve ter entendido onde quero chegar.

Mas se você ainda acha que há diferença quanto à pena aplicada ao criminoso ou à celeridade na condução do processo de julgamento apenas porque a vítima é uma mulher, você tem altas possibilidades de fazer uso de um dos argumentos abaixo:

1. Mas as mulheres são muito mais vítimas de violência doméstica do que os homens!

Bem, realmente não estudei sobre esse assunto. Não pesquisei números, mas vou assumir, com bases em experiências pessoais e no que nos é divulgado por meios de comunicação que SIM, homens são frequentemente mais violentos em casa com suas mulheres do que o contrário.

Mas há uma falha enorme nesse argumento. ENORME!

Se você for considerar a gravidade de um crime pelas características físicas mais comuns de seus criminosos, a situação fica complicada. Imagine só que no Brasil, de acordo com o relatório do Departamento Penitenciário Nacional de 2014, 67% dos presos são negros. Você acharia razoável considerar um assassinato cometido por um negro mais grave do que se o mesmo houvesse sido cometido por um branco?

Então por que um crime passional cometido por um homem é mais grave do que um cometido por uma mulher? Provavelmente, o argumento a seguir vai lhe servir.

2. Mas os homens estão em posição física superior às mulheres!

Também ouvi bastante sobre isso. E aqui entra todo um conflito com o princípio da isonomia do direito.

É claro que, fisicamente, os homens em sua maioria são superiores às mulheres. São mais altos, mais fortes, falam mais alto, mais grosso, e possuem um poder de intimidação superior. Há suas exceções, claro (as lutadoras de MMA e judô e as jogadoras de basquete que o digam).

Mas, se formos pensar em um contexto geral de violência física e assassinatos, parece-me bastante comum que as vítimas estejam quase sempre em desvantagem física perante aos criminosos, não?

Se um ladrão magrelo e baixinho, trabalhado no crack, chega para assaltar um transeunte qualquer e dá um tiro no coitado, matando-o, isso não faz dele um criminoso melhor ou pior do que um outro alto e bombadão, fazendo a mesma merda.

3. Mas as mulheres não são levadas a sério quando denunciam abusos à polícia!

Há aqui alguns pontos a serem considerados.

O primeiro deles é que a nossa polícia é muito despreparada para qualquer tipo de situação. Pasmem! Eu sei que isso pode parecer novo para vocês, mas qualquer pessoa (e aqui incluo homens e mulheres) que vá uma delegacia registrar um boletim de ocorrência sobre ameaça, violência, furto ou roubo, raramente os casos são investigados ou acompanhados. Assim, precisamos obviamente cobrar uma efetividade maior da polícia em TODOS os casos, senão fica parecendo coisa de gente egoísta, querendo privilégios.

O segundo ponto é que, acreditem, mulheres possuem delegacias próprias para atendimento às mulheres! Homens sequer têm esse privilégio.

E o terceiro e mais importante: quando você defende e incentiva punições mais duras a um crime apenas por conta de quem o comete e não pela natureza do crime, você também incentiva um aumento no número de denúncias de prática do mesmo apenas observando quem o cometeu. O problema aqui está que, nessa situação, você também passa a ter um número maior de denúncias de crimes falsos. Ou seja, você passa a focar no possível criminoso, e não no possível crime.

Quando você passa a considerar qualquer coisa como feminicídio, você passa a considerar o feminicídio como qualquer coisa. Se tudo é feminicídio, nada é feminicídio.

(Você provavelmente vai entender essa minha última afirmação de acordo com as suas convicções próprias, e dificilmente a observará sob a luz da razão, eu sei. Eu considero a violência física, a intimidação e, principalmente, o assassinato de inocentes algo grave a ser combatido, independente de quem os cometa. Se para você isso é ser machista, misógino, fascista ou qualquer desses termos que você adora, o problema não é meu.)


Conclusão: é óbvio que crimes graves de homicídio devem ser severamente combatidos e exemplarmente punidos, sejam eles contra quem forem. No entanto, se você considera que há diferenciação nos crimes por qualquer aspecto que não a motivação e a crueldade dos mesmos, temos uma diferença grande de princípios morais.

Sim, homens coagem e matam mais suas esposas e namoradas por questões relativas aos seus relacionamentos (posse, ciúme, afirmação, objetificação, etc.) do que mulheres o fazem com seus maridos ou namorados. Porém, você não acha justo que ambos os casos sejam combatidos e punidos igualmente, mesmo assim?


Considerações finais:

1 – Acredito que a impunidade no Brasil é hoje um dos maiores problemas que temos.

2 – Considero a legislação penal brasileira extremamente branda.

3 – Não há homicídio justificado, a não ser em legítima defesa.

4 – Homens são mais violentos que as mulheres, no geral. Mas tentei centrar meu texto não na violência física, mas sim nos casos de homicídio.

5 – Menos de 10% dos homicídios no Brasil são solucionados. Ou seja, mais de 90% dos assassinos não são sequer identificados, quanto menos presos. Isso sim deveria deixar o povo de cabelo em pé!

O mundo mimadinho

Publicado: 20 de dezembro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Política
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Tenho reparado infelizmente que há um esforço generalizado globalmente, nas esferas política e social, para que as população em geral não seja ofendida ou fique chocada diante da realidade nua e crua do nosso mundo. Tenho reparado que tanto a mídia em geral quanto os governantes (e não estou falando só de Brasil) têm a cada dia se esforçado mais para não magoar ou ofender os pobres seres humanos que recebem suas mensagens. Em plena era da informação, onde somos bombardeados diariamente por inúmeras fontes de informação, há esse esforço enorme para que tudo nos chegue mastigadinho, bonitinho, maquiado e cheiroso, de maneira que fiquemos confortáveis e sem muita palpitação no peito.

Vejo esse esforço refletido em pais e mães modernos, principalmente naqueles que tiveram filhos após a década de 1990, que se empenham diariamente na luta de não frustrar os seus filhos. Esses pais que mentem para seus filhos, que escondem a realidade cruel do mundo lá fora. Colocam seus filhos em redomas de vidro, onde tudo o que desejam é possível e se torna real. Onde tudo é cheirosinho, bonitinho, fofinho e barato. Onde o esforço e o trabalho não são necessários para atender seus desejos: basta orar, ser um bom menino, pedir a Deus e ter pensamento positivo que tudo estará ali à disposição.

A fé tem superado a realidade. A crença em dias melhores, em pessoas melhores, em um mundo melhor, parece bastar. Não há trabalho requerido. Não há dinheiro que falte para atender nossos desejos, basta desejá-los. Basta alguém dizer que é possível. Basta dizer que podemos viver no oásis, em paz e abundância. É só dizer que tudo o que você faz é com as melhores intenções que automaticamente o resultado das suas ações será bom.

Isso porque pensar cansa. Analisar cansa. Castigar cansa. Punir cansa.

E assim criamos um mundo de bunda-moles (para não usar palavras mais pesadas aqui). Temos hoje uma geração de gente mimada que quando se depara com os problemas reais de um mundo real, com pessoas reais, desabam psicologicamente. Entram em depressão. Um mundo de pessoas que vivem se perguntando “Por quê????” depois que as coisas dão errado, mas que nunca se preocuparam em fazer a mesma pergunta quando estavam tomando suas decisões.

Então passamos a terceirizar a culpa. Culpamos as estrelas, o horóscopo, os que pensam diferente de nós, os ricos, os pobres, os pretos, os brancos. Mas nós não, nunca somos culpados. Nós gostamos de viver confortáveis, em casas de alvenaria, em frente a um computador com Netflix e Facebook, onde ninguém possa nos incomodar com a realidade cruel do mundo, onde ninguém possa dizer nada que vá contra o que pensamos.

E aí pensamos: o problema do mundo é que nem todas as pessoas pensam como eu. Nem todas as pessoas agem como eu. Se fosse assim, o mundo seria melhor. Isso para não citar os mais ignorantes, que preferem pensar: o problema do mundo é que nem todas as pessoas pensam como fulano-de-tal. Ou seja, além de preferirem uma heterogeneidade de ideias, ainda terceirizam a mente e subjugam a sua própria capacidade de pensar e agir.

Essa ideia de não querer se indispor com ninguém, de não querer causar desconforto, de não se opor a ideias completamente absurdas, apenas em nome de um bem estar alheio, está condenando a nossa sociedade. Eu não sei quando isso começou, mas creio que não é de agora. Deve vir em doses homeopáticas há bastante tempo, mas já contaminou o nosso mundo. Hoje passa quase imperceptível por nós em muitos casos, mas em outros é extremamente flagrante. E dessa forma as pessoas vão achando isso normal. Vão achando legal a iniciativa de censurar pensamentos que vão contra aos seus, pois é preferível ocultar e sufocar ideias indigestas do que simplesmente refutá-las com argumentos melhores. É preferível negar que existem pessoas más no mundo do que realmente combatê-las.

Agora você deve entender o porquê da mídia chamar de “suspeito” o homem que, em frente às câmeras fotográficas e de televisão, assassinou o diplomata russo em Ancara, na Turquia. Chamá-lo de assassino terrorista é dar nome a algo ruim, que não queremos encarar, então melhor suprimir isso.

Agora você entende porque chamam um assassino ou um ladrão com menos de 18 anos apenas de “menor”. Como se todos fossem iguais. Isso não causa desconforto.

Agora você entende porque tanto as autoridades quanto a mídia em geral evitam falar em “terrorismo”. Preferem dizer que um “caminhão atacou um mercado natalino em Berlim”, como se esses veículos fossem autônomos. Dizer que um homem mau fez isso pode fazer as pessoas crerem que existem homens maus no mundo, coisa que não existe lá naquela sociedade onde todos nós queremos viver.

E enquanto procuramos palavras mais amenas, enquanto procuramos encontrar eufemismos cada vez mais elaborados, enquanto o politicamente correto toma conta do nosso dia-a-dia, o mundo real continua lá fora, sendo cruel. Os homens maus continuam existindo. A economia continua sendo cruel, queira você ou não, goste você ou não. Os recursos continuam sendo finitos. E se ninguém fizer nada pelo que tanto desejamos, nada acontecerá.

Quando nos dermos conta de que não é um cartaz pela paz, ou a unha pintada de branco de uma atriz, ou uma hashtag nas redes sociais, que será capaz de fazer com que os homens maus parem, talvez seja tarde demais.

Quando nos dermos conta de que não basta nosso desejo puro, inocente e bem intencionado para que benefícios sejam concedidos pelo governo à população (e aqui você pode incluir toda a sorte de benefícios), talvez seja tarde demais.


Só para completar o texto, deixo um vídeo da Lucy Aharish comentando sobre a guerra na Síria. O vídeo está em inglês, mas é fácil de entender.

Ela completa com a frase de Albert Einstein: “O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os assistem sem fazer nada”.

Futebol e política não se discutem?

Publicado: 28 de novembro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Política
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O Palmeiras sagrou-se campeão brasileiro de futebol ontem, feito que não havia conquistado desde 1994! Festa dos alviverdes, disparado o melhor time da competição, título merecidamente conquistado dentro de campo, com louvor.

Mas como futebol é diversão e a zueira não tem limites, não faltaram piadas de ambos os lados, palmeirenses e rivais. Uns se vangloriando pelo título, outros querendo menosprezá-lo (embora valha aqui o velho ditado: quem desdenha, quer comprar).

Um dos assuntos das piadas, abordado por mim de forma irônica, foi a tal conquista do nono título brasileiro, comemorado pela torcida palmeirense. Isso porque o Palmeiras conquistou, com esse título de ontem, o quinto título do torneio batizado de Campeonato Brasileiro, torneio iniciado em 1971 com esse nome. Os outros quatro títulos foram conquistados antes de 1971, em torneios nacionais (Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa), equivalentes à competição nacional dos dias atuais. A CBF passou a reconhecer esses torneios precursores do Campeonato Brasileiro de forma a unificar os títulos em 2010. Daí os 9 títulos palmeirenses.

A piada que fiz foi porque, no pôster da revista Placar do título nacional de 1994, o título da foto apresenta o Palmeiras como Tetra Campeão Brasileiro naquela oportunidade. Obviamente, porque somente em 2010 a CBF viria a reconhecer os demais títulos.

Enfim, como futebol para mim é apenas diversão e gozação, o intuito era apenas provocar. E graças a Deus, a maioria dos meus amigos considerou assim (tirando um ou outro babaca, que sempre tem).

Agora, gostaria de abordar o assunto por outro aspecto, não relacionado à futebol, mas sim à forma como encaramos determinadas coisas.

Para mim, é óbvio que essas discussões sobre futebol nunca se baseiam na razão, apenas na emoção dos torcedores envolvidos, principalmente quando os assuntos são polêmicos e rendem boas cervejas, gozações e manchetes esportivas. Seja o tal rebaixamento do São Paulo no Paulista de 1990, seja os dois mundiais com uma Libertadores do Corinthians, seja os 9 títulos brasileiros do Palmeiras. Então não vou levar em consideração isso, porque como já disse, futebol é diversão, é brincadeira, é entretenimento, é paixão. (Se você não concorda com essa última frase, então já pode terminar sua leitura aqui)

O problema maior é carregar, para as demais esferas da sua vida social, os mesmos conceitos que você usa nas suas conversas futebolísticas. Explico, usando como base esse exemplo do Palmeiras.

Até 1994, na conquista do então tetracampeonato pelo clube, os palmeirenses estavam lá, felizes da vida, comemorando (naquele momento) o fato de estarem se tornando o clube com maior títulos na competição. O Palmeiras já era, naquela época, campeão da Taça Brasil em 1960 e 1967, e do Robertão em 1967 e 1969. Esses eram os fatos, a verdade nua e crua, que não dependem de interpretação nem de nenhuma emoção para serem compreendidos. A história não muda. Continua assim até hoje.

Enfim, em 2010, a principal entidade do futebol brasileiro, a CBF – Confederação Brasileira de Futebol, resolveu chancelar os 4 primeiros títulos também como sendo de “campeão brasileiro”, unificando tudo e transformando o Palmeiras como o primeiro Octacampeão Brasileiro. Em uma canetada, em uma decisão de burocratas engravatados, era como se ali a realidade houvesse se alterado e, pimba!, o maior campeão surgisse! Justo a CBF, entidade mais amaldiçoada por torcedores de todos os clubes (inclusive, e talvez principalmente, os palmeirenses!), antro de corrupção, de dirigentes mal-intencionados e safados. Mas, se ela disse, agora era verdade!

Palmeirense de verdade quer mais é que a CBF se exploda. E sabe também que não é uma chancela desses burocratas que vai conferir valor ao que foram os títulos da Taça Brasil e do Robertão. O cara sabe que o time dele já era grande naquela época, que ganhava de quem quer que fosse, e sempre foi um dos maiores clubes do país.

O problema é que, no mundo real, nossa sociedade está repleta de cidadãos que usam esse mesmo conceito em todas as demais esferas. Isso explica em partes porque o brasileiro adora tanto o Estado, mesmo odiando políticos. Muita gente ainda acredita que uma mera canetada, uma decisão tomada por mentes iluminadas (escolhidas por essa mesma gente ou não, como no caso da CBF), é capaz de alterar a realidade dos fatos. Acreditam que uma decisão tomada a fim de justificar algo em nome do bem comum ou de um reconhecimento válido (nos valores de quem julgou) pode tornar algo lícito, aceitável e moralmente correto. Decretos, leis, códigos… tudo o que for formalmente apresentado passa a conceder um valor irrevogável a um simples fato, como se fosse possível moldar a realidade com base apenas em palavras e definições.

Em 1984, George Orwell já retratava isso muito bem com o seu Ministério da Verdade, a entidade responsável por determinar o que era a verdade, modificando-a sempre que desejável, sempre que lhe fosse interessante.

No futebol, isso é apenas diversão, entretenimento. Não faz muita diferença. Alimenta rivalidades, piadas, paixões clubistas. Mas quando isso passa para a esfera social e política, é um problema e tanto.

Pena que muita gente ainda enxergue as coisas apenas como uma disputa futebolística…

mundo-perfeito

Mundo perfeito?

Guardo um texto inacabado na minha pasta de rascunhos há mais de 3 anos, que se tornou um emaranhado de argumentos inconsistentes devido as minhas próprias incertezas e contradições.

O texto era sobre o ABORTO, e eu defendia o ato como um direito, basicamente por dois aspectos:

1 – a liberdade individual da mulher por ser proprietária do seu corpo e portanto ter o poder de decidir sobre ele;

2 – sobre a questão de reconhecer um embrião como pessoa, e este, por fim, dotado de direitos.

Sim, argumentava em favor da “legalização” do aborto em situações mais “flexíveis”, julgando a moralidade desde ato basicamente sobre os aspectos 1 e 2.

Mas a cada linha, a cada nova ideia e pensamento reflexivo eu me questionava sobre a falta de um ator… algo estava sendo esquecido, percebi que ignorava totalmente a POTÊNCIA DA VIDA HUMANA futura, que tem/terá o DIREITO NATURAL DE VIVER (Direito esse que invalida os 2 aspectos). Por ignorância, convenções e preconceitos, ou por pura distorção sobre o que é a LIBERDADE tratava esta potência apenas como um PUNHADO DE CÉLULAS, um PARASITA, um OVO… e não como um humano!

E foi refletindo sobre a vida humana em formação que mudei de ideia e revi minhas próprias convicções. Fiz sem o fanatismo dos “progressistas tolerantes” que não toleram o feto, nem o “fanatismo religioso” que se apega apenas no dogma da própria crença.

 


Retomo agora minha “escalada crítica” sobre o aborto pois o momento é oportuno.

Novamente se discute usar o aborto como política de saúde pública para o combate de uma condição neurológica de microcefalia em bebês, que supostamente é causado pelo vírus Zika transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e se alastra por toda a parte.

Essa epidemia alimenta ainda mais a narrativa ABORTISTA – eufemismo para uma política de saúde EUGENISTA – e já domina o debate sem espaço para o contraditório. Mesmo havendo dúvidas médicas e científicas da relação entre o vírus zika e microcefalia, mal se sabe sobre as reais causas do surto, mas a principal recomendação de “especialistas”, “institutos”, “organizações” e qualquer outro formador de opinião é:

…ABORTO É UM DIREITO E DEVE SER LEGALIZADO!

Em outras palavras: Vamos matar seres humanos em formação para evitar que eles nasçam doentes!

A mídia e nas redes sociais a narrativa já está direcionada, sem debate nem imparcialidade. Ouço apenas uma voz, o vento que sopra em uma única direção e apenas uma opinião se torna verdade:

A saúde pública deve garantir o acesso ao aborto, o aborto deve ser legalizado e os países devem rever suas leis!

1) Nesta semana (01/02/2016) o programa RODAVIVA se dedicou a discutir o assunto da epidemia.

Veja: Roda Viva | combate ao Aedes Aegypti – 01/02/2016

O convidado José Guedes (prof. de Medicina da Santa Casa) levantou o assunto, em meio as incertezas ele estava convicto: “O ABORTO COMO ALTERNATIVA DE EVITAR O SOFRIMENTO DA FAMÍLIA E DAS MÃES”.

Ou seja, prevalece a vontade da mãe, e para evitar seu próprio sofrimento interrompe-se a gestação.

2) No canal GLOBONEWS, o programa com ALEXANDRE GARCIA (03/02/2016) levou o professor e pediatra infectologista da UFRJ Edimilson Migowski para debater o assunto. Edimilson Migowski participa de vários programas na Rede Globo, BandNews, SBT entre outras, e sua narrativa segue como verdade.

Veja no vídeo aos 2:50 minutos: GloboNews com Alexandre Garcia

Para o professor o aborto deve ser encarado pelo “contexto social” e é a melhor opção de manter uma família estruturada, pois nesses casos de FILHOS IMPERFEITOS muitos pais abandonam a família e também acontece uma maior demanda de atenção da mãe para este filho imperfeito, com isso os demais filhos tem seu desenvolvimento “ALIJADOS”.

Ou seja: vamos usar o aborto (Vamos assassinar um futuro indivíduo imperfeito) para evitar o sofrimento familiar, evitar que pais canalhas abandonem suas casas, e evitar que filhos não tenham plena atenção da sua mãe.

Mas ele enfatiza que não é favorável ao aborto, ele só é favorável que a mãe tenha a opção de abortar. COVARDE!

Sem título

Não sou a favor, mas…

3) No mesmo canal o programa DIÁLOGOS entrevistou Dráuzio Varella, um defensor do aborto, mas ele foi até razoável e não comentou explicitamente sobre o aborto.

4) E por fim, a ONU orienta que os países revisem suas leis e garantam acesso a saúde pública.

Em outras palavras: a ONU orienta que países mudem suas leis para permitir o aborto nos casos de contaminação pelo vírus Zika, veja aqui.

Nesses 4 exemplos fica claro que não há espaço para quem não admite o aborto como primeira opção de saúde pública, e buscar alternativas não entrou na pauta.


Toda essa narrativa torna o debate uma grande mentira e hoje eu NÃO defendo mais de que o ABORTO deve ser legalizado, e principalmente o aborto não deve ser tratado como opção de SAÚDE PÚBLICA!


Ok, e por quê? E nos casos contemplados que temos hoje? (Anencéfalo, risco de vida da mãe e estupro)

Acredito ser da natureza humana evitar o sofrimento e penso que permitir o aborto vai torná-lo uma opção fácil de evitar qualquer anormalidade na gestação, o aborto será uma porta para a idealização da busca pelo filho perfeito.

Pense… quantas pessoas vão arriscar a ter um filho imperfeito?


“Nem todo sofrimento pode e deve ser evitado, assim como nem todo prazer deve ser desejado!”

Essa frase pode ser remetida a Epicuro ou aos escritos bíblicos de Jô 16.33, o que agrada tanto a religiosos quanto ateus!


E estamos falando de casos de problemas de saúde, mas por que não seria para qualquer outra justificativa conveniente para a gestante?

Uma viagem? Uma dieta? Uma briga de casal? Uma frustração amorosa? Uma imposição do parceiro, ou dos avós? Um planejamento profissional? Sexo do feto? Uma polidactilia? Uma deficiência auditiva/visual…? 

… Uma consciência mais frouxa?

Qual o limite para permitir o aborto como OPÇÃO da mãe?

Síndromes, doenças, disfunções, anomalias, deformações ortopédicas, deficiências neurológicas…

São infinitas as possíveis deficiências e imperfeições que a vida nos reserva, e por mais humanos que sejamos seria uma hipocrisia — e uma canalhice — acreditar que vamos aceitar e desejar para nossos filhos condições que não desejamos para nós mesmos!

Minhas próprias experiências de vida me fazem pensar que devemos aceitar as incertezas que a vida nos impõe, e é a resiliência que nos faz viver sem o tormento de achar culpados para problemas que não tem explicação.

Algumas coisas na vida são como são… simplesmente porque a vida é assim!

É na batalha que se reconhece os COVARDES, e no sofrimento e dor que se identifica os FRACOS!

Os argumentos usados pelos defensores ao aborto apenas jogam a sujeira para debaixo do tapete, além de abrir precedentes eugenistas que fariam Bernard Shaw e Margaret Sanger pularem de alegria dos seus túmulos!

Pais e mães (Sim, mães também!) que abandonam seus filhos e suas famílias o fazem por que são CANALHAS incapazes de aceitar os desafios da vida! Seja por problemas de saúde, por problemas financeiros, por frustrações amorosas, ou por puro egoísmo individual de querer “VIVER EM PLENA LIBERDADE” sem ter o fardo das responsabilidades!

Os avanços médicos, científicos e as pesquisas genéticas antecipam e reparam possíveis problemas genéticos, temos o aconselhamento genético, além de uma rede de solidariedade que apoia famílias que sofrem com esses problemas, é isso que deve ser debatido!

Penso numa sociedade que prioriza e respeita a vida humana na sua menor minoria, o INDIVÍDUO!

E é para resolver esses conflitos e garantir direitos naturais que o estado deve existir.

Por tanto priorizo a potência da vida que, pelo caminho natural, será um ser humano completo, detentor de direitos inalienáveis e inquestionáveis de VIDA (nascer e libertar-se da sua hospedeira), PROPRIEDADE (seu próprio corpo) e LIBERDADE (desenvolver-se conforme suas potencialidades)!

Acredito que todos temos direitos a vida, mesmo que esta vida seja imperfeita!

Afinal, o que é perfeito?

FUI!
Mathias

Adendo 1:

5) No programa SaiaJusta da GNT, o tema também foi sobre o aborto. Adivinhem qual era a opinião das 4 participantes?

A era do “Curtir e Compartilhar”

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Há um tempo atrás escrevi esse texto aqui, ó. Queria usar a primeira parte dele (até o vídeo do Clarion) como introdução para esse post de agora.

Tenho reparado, no meu Facebook, a quantidade crescente de posts propagando notícias e histórias falsas. E olha que eu nem sou o cara mais esperto do mundo, e nem de perto o mais inteligente. Porém, o meu olhar crítico para alguns detalhes me permite sacar, logo de cara, quando um post é falso.

O principal motivo dessa propagação de posts falsos está na necessidade dos indivíduos modernos em se fazerem notados. É a vontade de compartilhar e ter um post curtido. É a necessidade de expor a sua opinião, de se mostrar indignado com alguma situação ruim, ou admirado com um fato bom.

O problema disso é que, nem sempre, a opinião é baseada em fatos; ou nem sempre a situação ruim é verdadeira; ou nem sempre o fato relatado realmente ocorreu.

Eu não acho, sinceramente, que as pessoas que compartilham essas coisas falsas façam isso de má fé. Mas também não acredito que elas estejam de fato interessadas em checar se as informações são verídicas ou não. Já cansei de ler a frase: “Não sei se é verdade ou não, mas achei por bem compartilhar”. O tempo gasto para digitar a frase é o quase o mesmo gasto, em tempos de Google, para checar as informações.

De qualquer forma, eu vou colocar algumas dicas aqui valiosas para que você identifique, rapidamente, se algum texto é verdadeiro ou não, antes de sair compartilhando por aí:

  1. Verifique se há uma fonte confiável e conhecida. Se o texto estiver publicado em um blog qualquer (WordPress, Blogspot, etc.), verifique se o mesmo faz referência a uma fonte concreta. Senão, esqueça.
  2. Verifique sempre a autoria do texto. Procure informações sobre o autor. É fácil identificar se foi ele mesmo quem escreveu o texto.
  3. Procure palavras-chave no seu texto que denunciem um possível hoax (boato): ATENÇÃO!; DIVULGUE AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL!; NÃO SEI ONDE ACONTECEU, MAS…; OS ENVOLVIDOS NÃO PODEM SER IDENTIFICADOS; OS ENVOLVIDOS PREFEREM SE MANTER ANÔNIMOS; EU ESTAVA LÁ, FOI LINDO!; A ANS E A ANVISA (ou qualquer outros órgãos regulamentadores) JÁ RECONHECERAM…; etc. As chances do seu texto ser falso são gigantes!
  4. Cuidado com as fanfics. Hoje em dia elas estão amplamente espalhadas por aí.
  5. Procure acompanhar os excelentes sites do Sensacionalista, Joselito Müller e Piauí Herald. São mestres na arte de criar notícias falsas engraçadas e que parecem reais, embora hoje enfrentem uma concorrência brava do mundo real. Se você não é bom de sacar ironia, muito provavelmente já compartilhou algum texto deles achando ser verdadeiro.
  6. Quanto maior o número de termos técnicos e específicos do texto, usados para chocar, maiores as chances do texto ser falso.
  7. E se o seu texto analisado passar por todos os testes anteriores, mesmo assim cheque sua autenticidade no site E-Farsas. Os caras são praticamente infalíveis!

E por favor: resista à tentação do compartilhar!


Em tempo:

  • Suzane von Richtofen não está em liberdade condicional e nem é presidente de comissão nenhuma na Câmara;
  • A foto do bebê dentro da bolsa de líquido amniótico que não estourou é verdadeira, mas a história da mãe com HIV é falsa;
  • Nem Dilma e nem Alckmin aumentaram o valor do Auxílio Reclusão;
  • Ladrões não estão dando chaveiros de brinde em postos de gasolina para rastrear seu carro.

Desculpa aí se você já foi enganado com alguma dessas histórias… ¯\_(ツ)_/¯

 

O alvo errado

Publicado: 15 de junho de 2015 por Kzuza em Comportamento, liberalismo
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Parada-Gay-patrocínio

Eu estava me preparando para escrever hoje sobre a Parada Gay de São Paulo no último domingo e toda essa polêmica sobre a utilização de símbolos cristãos como meio de protesto e tals. Mas aí acabei lendo um texto no blog do Instituto Liberal, de autoria de Lucas Berlanza, que disse quase tudo o que eu iria dizer aqui (e com uma qualidade muito superior ao que eu seria capaz de produzir). Então resolvi somente comentar alguns trechinhos aqui.

Foram visíveis, sobre carros de som e desfilando em meio à festança animada, imagens desqualificando motivos cristãos. Um transexual ensanguentado e crucificado, como que a representar os gays sendo massacrados pelos “homofóbicos cristãos”, foi a mais emblemática, a se somar a um histórico já longevo de provocações estúpidas e achincalhes com a crença religiosa da maior parte da população.

[…]

Os afobados em distorcer já virão logo dizendo: “seria você mais um obscurantista defendendo a censura?” De jeito algum! Manifestem-se! Gritem as bobagens ofensivas que quiserem, demonstrando a todos o quanto são baixos! Os “não-me-toques” infantis do politicamente correto estão, em sua esmagadora maioria, com o “outro lado”. Isso, diga-se de passagem, a despeito de o artigo 208 do Código Penal determinar que esse tipo de escárnio público é crime, concorde-se ou não com a legislação.

Entretanto, façam isso com recursos privados! Uma vez mais, os “pseudo-defensores” dos oprimidos e da “vontade popular” se utilizam dos recursos públicos, dos pagadores de impostos, para impor agendas e ofendê-los.

Bem, o primeiro ponto foi certeiro. Se uma causa fosse realmente nobre, digna de apoio popular, não seria bom senso imaginar que essa causa conseguiria apoio e financiamento particular para o evento? Por que motivo o governo então se interessaria em financiar algo assim? Quais são os reais interesses por trás disso?

“Não é um insulto”, alegam os iluminados. “Trata-se de uma metáfora para o sofrimento dos homossexuais, crucificados e mortos todos os dias. É arte”. A bandeira é nobre; infelizmente há muita perseguição aos homossexuais, especialmente em países dominados por teocracias islâmicas ou regimes autoritários simpáticos ao nosso atual governo. O governo, diga-se de passagem, do partido do prefeito paulista, Fernando Haddad, que se orgulhou de ter patrocinado o “evento educativo” deste domingo.

O que eu fico mais indignado é que esse tipo de manifestação erra o alvo ao usar como ferramenta da metáfora justamente um símbolo do cristianismo. Faria muito mais sentido usar algum símbolo do islã, esse sim que prega a execução de homossexuais inclusive no seu próprio livro sagrado.


Demorei tanto para terminar o post que apareceu um outro texto, ainda melhor, de Catarina Rochamonte sobre o mesmo tema. As melhores passagens são:

O homossexualismo não diz respeito à esfera pública, não precisa levantar bandeiras e nem seria necessário militância partidária alguma ou mesmo agremiações em favor dessa causa caso fosse tratado como aquilo que efetivamente é: uma opção de exercício da sexualidade baseada em certas disposições orgânicas.

Fato.

O problemático aqui é também a relação equivocada que tem se estabelecido entre o público e o privado. Que tenho eu a ver com a sexualidade alheia? Por que o Estado, com o dinheiro dos meus impostos, precisa fomentar o show daqueles que resolveram colocar a sua sexualidade na vitrine? Se a homossexualidade for, para determinada pessoa, a opção saudável, a opção correta, se representa para ele o ato de liberdade individual cuja execução não violará o direito dos outros, então eu nada tenho contra ele e o respeito como respeito todos os demais; no entanto, se um indivíduo cuja opção  sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo, pois o que respeito é a soberania moral de cada um no exercício da sua liberdade, no âmbito doméstico e privado que lhe é próprio.

Liberdade, pacto de não-agressão… é exatamente esse o cerne da questão, e não o homossexualismo em si.

Sobre gays, marketing e O Boticário

Publicado: 9 de junho de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Toda essa polêmica toda sobre o comercial dO Boticário para o dia dos namorados. Ô mundinho besta, sô!

Convenhamos, há uma intolerância seletiva por parte de boa parcela da população nacional. Não dá para jogar a carga da imbecilidade em algum grupo específico, seja ele evangélicos, cristãos, reaças ou conservadores. Generalizar é sempre um erro (sim, contém ironia!).

Vamos ponderar. Indignar-se com o comercial por mostrar assim, abertamente, casais homossexuais comemorando o dia dos namorados porque isso é contra seus valores morais é, digamos, aceitável. Cada um sente-se ofendido com coisas diferentes (já escrevi sobre isso aqui). Ninguém diz que você não pode ser ofendido. Da mesma forma, acredito ser perfeitamente aceitável quem quer que seja ir atrás de meios legais para demonstrar o seu descontentamento. Propor o boicote à marca? Totalmente dentro dos limites democráticos. Oras bolas, ninguém precisa aceitar algo de que não gosta. Qual é o problema?

Bem, o problema é, como eu disse antes, a indignação seletiva.

Veja, por exemplo, o comercial da cerveja Brahma que homenageia a mesa de bar. A propaganda diz, clara e abertamente, que o bar é um lugar mágico, onde a criatividade aflora, onde amizades são feitas, onde as coisas são mais gostosas. É um convite muito claro, tendo em vista que o comercial é de cerveja, a você ir consumir álcool em um bar. Uma mensagem simples que diz: beba e seja feliz!

Oras, mas esse comercial não é abusivo? Muito mais vidas e famílias são destruídas por conta do álcool do que propriamente pelo homossexualismo, ou estou errado?

Enfim, a única lição que fica é: o marketeiro responsável pela campanha dO Boticário é um gênio. Colocou a marca em evidência com apenas um comercial de 30 segundos. Não se fala em outra coisa.

E outra coisa: ingênuos os que pensam que gays só existem por conta desse tipo de campanha. Na verdade, esse tipo de campanha só existe porque existem os gays. #fikdik

Eu sempre leio muita baboseira por aí, mas dessa vez o autor se superou. O nome do “jênio”? Daniel Castro.

Caí na armadilha da manchete inocente no portal de notícias: Temendo rejeição conservadora, Globo muda estratégia de Verdades Secretas. Cliquei. E ainda por cima dei um page view grátis para um imbecil.

Cliquei não porque eu me interesse pela Globo, ou porque eu faça a mínima ideia do que seja a tal “Verdades Secretas”. Fui seco porque o termo rejeição conservadora já me cheira, de longe, embuste. E não deu outra. Vamos aos trechos mais bizarros do texto:

O Notícias da TV apurou que a estratégia de comunicação de Verdades Secretas foi adotada após a estreia de Babilônia e levando em consideração que existe uma onda conservadora atrapalhando os avanços da teledramaturgia. Babilônia, nessa linha de pensamento, teria sido vítima de sua proposta progressista, ao mostrar vilões despudorados e casais gays como eles são na vida real.

Quer dizer então que o caro autor acredita que existe uma onda conservadora que atrapalha o progressismo? Mas que coisa mais descabida! Eu diria que existe, na verdade, uma onda progressista que quer passar por cima de valores morais e tradicionais e que, naturalmente, é rejeitada. A população brasileira é, e sempre foi, tradicionalmente conservadora. Não precisa ser muito esperto para perceber isso. A culpa da rejeição, portanto, não é da população, mas sim de uma teledramaturgia que se acha progressista e que, então, percebe que não atende à demanda popular.

Filho de mãe evangélica e amigo de padres, Walcyr Carrasco é um autor preocupado em não dar maus exemplos, que segue a cartilha do folhetim tradicional, conservador em sua essência.

Então o folhetim tradicional é conservador na essência? Não, meu caro, a sociedade em sua maioria é. Aliás, as bases sociais são calcadas em valores tradicionais. Quando isso passa a deixar de acontecer, a própria sociedade começa a ruir. Estamos infelizmente vendo isso nos dias atuais, muito por causa da nossa nova intelligentzia. Mas aí seria difícil demais para você compreender isso.

Ah, só mais uma dica:

Isso é uma ratoeira:

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Isso aqui é uma armadilha para urso:

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A onda dos pais covardes

Publicado: 21 de maio de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Acho que Içami Tiba está cada vez mais com os (poucos) cabelos em pé! Se essa geraçãozinha de crianças e adolescentes mal-educados que vemos por aí já nos assusta, imagine para quem trabalha diretamente com eles?

Já ouvi várias teorias sobre o porquê de existirem cada vez mais crianças birrentas.

Há quem diga que hoje elas nascem muito mais espertas que antigamente. Já ouvi dizer: “Ah, mas hoje elas nascem sabendo mexer em tablets, celulares e controles remotos”. Meus ovos! A gente, quando criancinha, só não sabia mexer nisso porque essas coisas não existiam. As crianças não mudaram, o mundo mudou. Manda um pivete desse rodar um pião que eu quero ver. Quantos anos você acha que leva para que os seres evoluam geneticamente a ponto de serem tão diferentes?

Há até quem acredite nas crianças índigo. Eu acho que isso é mero “achismo” e uma procura de explicação para o que não se quer explicar (ou falta de compromisso com a verdade).

Eu tenho uma suspeita, pouco ortodoxa, pouco educada, meio ranzinza. Não sou dono da verdade, mas suspeito que essa geração de criancinhas endemoniadas é fruto de uma única coisa: pais cuzões covardes.

Tenho observado isso durante muito tempo, desde que deixei de ser um adolescente bundão e fui virando homem adulto. Muitos pais se borram de medo dos seus filhos. E sempre com as mesmas desculpas covarde: “Eu não quero traumatizá-lo! Eu não quero judiar dele! Eu não quero deixá-lo triste! Eu não quero que ele ache que eu sou um monstro!”.

Sempre que ouço isso de um pai ou de uma mãe, tenho vontade de responder: CUZÃO! Mas a educação que minha mãe me deu, na base da chinelada, das broncas, dos castigos e das caras de brava não me permite. Porque eu sempre tive limite. Porque lá em casa o bicho pegava quando as coisas não eram feitas do jeito que meus pais queriam.

Ai se eu desafiasse minha mãe! Lembro de ter feito isso uma vez. Eu devia ter uns 10 anos no máximo. Estava no banho, e eu sempre tomei banhos demorados. Todo dia era uma ladainha. Já era a segunda ou terceira vez que ela berrava do lado de fora para eu desligar o chuveiro, e eu soltei algum impropério, reclamando, baixinho para que ela não escutasse. Foi em vão, ela ouviu! Abriu a porta na ombrada e me pegou no tapa ali mesmo, peladão, debaixo do chuveiro.

Hoje em dia, a molecada deita e rola desafiando os pais! E eles não fazem nada! Pelo contrário, sou obrigado a escutar coisas do tipo: “Ah, tá vendo? Ele tem personalidade forte!”. Ou “As crianças adoram nos testar”. Claro que testam! E enquanto não acham o limite, não param.

Já sei, você está pensando: “Claro, Zuza, você fala isso porque não tem filho!”. E eu respondo: “E se você faz isso tudo que eu escrevi, é porque você é um cuzão!”.

Felizmente o mundo ainda tem salvação. Conheço um ou outro casal que ainda consegue, mesmo nessa onda de covardia que assola os pais pelo país, manter as rédeas curtas sem medo de ser feliz. Não temem o que os outros vão dizer. Não temem que o filho se torne revoltado, ou mais burro, ou um assassino em série. Conseguem entender que entre educar (repreendendo, corrigindo, sendo firme) e judiar (maltratando, castigando, humilhando) há uma enooooorme diferença.

Um salve aos pais heróis! Um salve aos pais corajosos!

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Essa semana me deparei com algo interessante, de fazer chorar todos os pseudo-intelectuais modernos, amantes da cultura tupiniquim, defensores das nossas tradições mais pobres e bizarras, odiadores de “coxinhas” e do “viralatismo” do povo. A Rua 25 de Março, famosa por ser o centro do comércio popular em São Paulo, foi invadida por Food Trucks! Pois é, a moda gourmet chegou em pleno centro popular!

Tá, vamos lá, não chegam a ser aqueeeeeles Food Trucks que os nacionalistas e amantes da porcaria generalizada adoram criticar. Os carrinhos são mais simples e nem vendem tanta comida diferenciada assim. São apenas lanches um pouco mais caprichados. Um deles conta até com uma geladeira elétrica, alimentada por um gerador à gasolina. Os donos espalham alguns banquinhos para os clientes poderem comer com um pouco mais de conforto. Enfim, no geral, são mais do que os velhos carrinhos de cachorro-quente (estereotipados pelos hot-dogs da novela Amor à Vida), mas ainda menos que os food trucks do Butantã Food Park.

Oras, mas onde quero chegar com isso?

Bem, temos visto ultimamente uma invasão em massa de novidades gastronômicas por aí. Tudo começou com os rodízios de comida japonesa, que rapidamente se espalharam pelas cidades. De uns tempos para cá, percebemos a invasão de brigaderias, cervejas artesanais, wine houses e, recentemente, as tais paletas mexicanas. Comidas e bebidas diferentes, com qualidade superior e preços também superiores (muitas vezes, não na mesma proporção). Os food trucks talvez tenham sido a última dessas novidades.

Mas a pergunta que fica é: o que faz o cidadão pagar tão mais caro por algo que ele já tinha antes?

Muita gente vai argumentar: porque são trouxas! Porque são “modinha”! Porque querem ter status! Porque querem postar nas redes sociais fotos com o rosto lambuzado de chocolate belga! Porque são coxinhas!

Olha, vou dizer, conheço um monte de gente assim, que se enquadra justamente em quase todos os argumentos do parágrafo anterior. No Facebook, então, tem um monte! Mas será que somente esse tipo de gente sustenta todo esse movimento gourmet? Será que somente o fator “moda” sustenta esse modelo? Eu até acredito que um ou outro tipo de novidade seja mesmo questão de moda e que se acabe rapidamente (lembra-se do Frozen Yogurt?), mas será que tudo é assim?

Eu prefiro pensar diferente. Eu acredito que, em vários aspectos, nossos gostos vêm mudando porque estamos tendo cada vez mais acesso à produtos de qualidade superior. As experiências sensoriais que adquirimos expandem o nosso cérebro e, invariavelmente, o ensinam sabores diferentes, cheiros diferentes, experiências visuais diferentes. E tudo o que é superior em qualidade é inconscientemente reconhecido, por mais que a gente tente negar. Às vezes tendemos a negar a superioridade de pessoas ou de coisas com as quais não estamos habituados simplesmente por inveja, ou orgulho próprio, ou medo, ou incerteza, ou posicionamento político, ou por ene outros fatores. Mas isso é consciente, é ato pensado, pois inconscientemente sabemos o que é bom ou ruim. Por exemplo: ninguém precisou te ensinar que o cheiro do café é melhor do que o cheiro da buchada de bode.

Olavo de Carvalho escreveu assim no seu artigo Desprezo Afetado:

[…] o maior obstáculo à formação superior da inteligência não está em fatores de ordem econômica, social, racial ou familiar, mas de ordem moral. Está naquilo que os gregos chamavam apeirokalia: a falta de experiência das coisas mais belas. A alma que, desde tenra idade, não seja exposta à visão de exemplos concretos de beleza natural, artística, intelectual, espiritual e moral, torna-se incapaz de conceber qualquer realidade mais alta que o topo das suas percepções corriqueiras. Como o sapo do fundo do poço, se lhe perguntamos: “Que é o céu?”, responde: “É um buraquinho no teto da minha casa.”

Esse é o mal crônico da cultura nacional, sempre devota do irrelevante e cheia de despeito por tudo o que esteja acima da sua precária capacidade de compreensão.

Engana-se, portanto, quem acredita que somente “riquinhos” gastam mais dinheiro com comida e bebida gourmet simplesmente porque querem aparecer e ter status. Qualquer um consegue reconhecer qualidade superior em algum produto. A diferença é quem está disposto a pagar e o quanto está disposto a pagar por isso (e aí já é uma questão de mercado).


Observação final: O mesmo conceito se aplica a outros produtos culturais existentes, como música e esportes, por exemplo. Se você acha, por exemplo, que o futebol europeu tem crescido no gosto popular do brasileiro somente porque nós somos “modinha” ou porque somos “vira-latas”, acredito que você tenha um problema sério de percepção. A qualidade dos eventos e dos jogadores por lá é incomparável em relação à nossa. Mas por que isso então só começou a ganhar destaque agora, nas últimas décadas? Muito simples: hoje, cada vez mais gente tem acesso. Quanto mais gente conhece o que é superior, mais isso ganha destaque.

Ps.: Eu adoro futebol de várzea e o futebol brasileiro como um todo, mas isso não me deixa louco o suficiente para acreditar que isso aqui é melhor do que lá fora. Emoção é uma coisa, qualidade é outra.