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Rodrigo Hilbert. Marido da Fernanda Lima. Famoso. Bonitão. Pai exemplar. Apresentador de TV. Cozinheiro de mão cheia. Ídolo de 11 entre 10 mulheres do país. Não faltam adjetivos para descrever o cara.

Como pessoa pública, seus passos são acompanhados diariamente por um mutirão de paparazzis e de pseudo-jornalistas órfãos do site EGO. Qualquer coisa que ele faça é divulgada nos portais da internet. Há um mutirão de comentaristas de Instagram prontos para analisar e (quase invariavelmente) elogiar tudo o que ele faz.

Mas Rodrigo Hilbert também virou um ícone do politicamente incorreto. Nem mesmo suas ações de bom moço são páreo para a horda dos SJW (Social Justice Warriors, ou guerreiros da justiça social). Se ele mata um animal em seu programa de TV para depois cozinhá-lo e preparar uma refeição suculenta, é porque ele não ama os animais (como se uma coisa tivesse que ter, necessariamente, relação com a outra). Se os homens comuns, anônimos, resolvem fazer piadas ironizando o quanto o cara é um verdadeiro ‘homão da porra’, é porque esses homens comuns são machistas e não querem se dar ao trabalho de cuidar dos seus filhos (seja construindo uma casa na árvore ou meditando com eles), preparar o jantar ou limpar a casa. Teve gente que chegou até a comentar que o Lázaro Ramos é bem melhor que ele, inclusive; só não tem o mesmo destaque pelo fato de ser negro (o fato de Lázaro ser um cara muito mais reservado, fugindo dos holofotes, parece nem ser muito importante para essa gente).


Nota básica do autor: homens comuns fazem piada muito mais pelo fato de Rodrigo Hilbert ser um galã do que propriamente pelas suas atitudes. Lázaro Ramos, convenhamos, de galã, não tem nada.


By the way, brincadeiras à parte e também desconsiderando todo esse mimimi dos SJWs, o fato é que Rodrigo não passa de um homem comum como outro qualquer. A diferença é que os holofotes mostram apenas o que é bacana. É pouco provável que ele poste em suas redes sociais fotos dando broncas nos filhos, ou dos filhos fazendo birra com ele, chorando pedindo um chocolate, ou de uma briga com sua esposa. É pouco provável também que paparazzis tirem fotos dele acordando com remela nos olhos, ou fazendo cocô de porta aberta, ou batendo uma punhetinha no banho (também conhecida vulgarmente por banheta).

Eu posso dizer por mim, e acredito que o leitor também possa: conheço um punhado de homens muito mais fodas que Rodrigo Hilbert. Eles não têm um programa de televisão e nem um fotógrafo registrando tudo o que fazem, muito menos publicam seus grandes feitos no Facebook ou em fotos photoshopadas no Instagram. No entanto, são (ou foram) tão bons ou melhores que ele em muita coisa.

Meu avô nunca teve internet. Também nunca teve nenhum paparazzi cobrindo as entregas de alimentos e produtos de limpeza para as comunidades carentes de Carapicuíba. Naquela época, também não havia Instagram para registrar todas fotos lindinhas dele paparicando os netos, tampouco foi notícia nos portais de internet quando ele buscava os netos na escola e os levava pra casa, ou quando ele saiu correndo para socorrer minha irmã que havia enfiado um brinquedo no nariz.

Não houve cobertura de imprensa quando meu pai, já perto dos 60 anos, formou-se na faculdade. Também não saiu no Facebook quando meu tio Eliseu ensinou a gente, ainda pequenininho, a fazer pipa, rabiola e cortante. Não vi também nenhuma notinha quando o Mathias lutou de todas as formas pela saúde da Isadorinha.

Então, eu sinceramente acho que a jogada de marketing pessoal do Rodrigo é excepcional! O cara está sempre em evidência, mesmo sendo um homem como vários outros (talvez apenas com um rostinho mais bonitinho e uma mulher bonita e famosa). No mais, fico mesmo com meus ídolos de carne e osso, anônimos e imperfeitos, mas também politicamente incorretos.

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Os palpiteiros do amanhã

Publicado: 13 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente é o do comentarista de acontecimentos ruins. Ou melhor, talvez devesse chamá-lo de palpiteiro do amanhã: aquele que sempre aparece com um ótimo palpite, mas só depois que a merda já aconteceu.

Esse tipo de gente é o oposto daquele que diz “eu bem que avisei”. Em alguns casos, ele é até capaz de usar essa frase, mesmo que nunca sequer tenha imaginado que a cagada poderia acontecer (ou então até tenha levantado a hipótese, mas preferiu ficar calado).

Sabe aquele jornalista que, depois do fatídico 7×1 nas semifinais da Copa de 2014, resolveu colocar o dedo na ferida, apontando tudo o que havia de errado no futebol brasileiro, mas que antes da Copa estava lambendo as bolas do David Luiz, do Thiago Silva e do Fred?

Ou então aquele seu colega de trabalho que chega no final do projeto, quando um erro é descoberto, e sai murmurando pelos cantos que tudo foi mal projetado, mesmo que ele não tenha a mínima noção de tudo o que já se passou ao longo da execução do projeto?

E aquele funcionário preguiçoso e displicente que, quando a empresa afunda, sabe dizer todos os pontos em que os gerentes e diretores falharam?

Tem também aquele seu amigão que incentiva quando você quer comprar um carro novo, mas na primeira vez que o carro dá problema, sempre tem um carro melhor para sugerir que você deveria ter comprado?

Mas o pior mesmo é aquele tipo que terceiriza a tarefa. Pede para você ou para um amigo fazer algo que ele mesmo poderia ter feito. No final, se qualquer coisa der errado, ele é o primeiro a dizer que você deveria ter feito de outra maneira. Não importa o que você faça, ele sempre vai ter uma maneira de fazer melhor.

Acredito que esse tipo de comportamento tem duas causas modernas:

  1. A preguiça ou a incapacidade de se analisar cenários previamente. Claro, não há como antecipar tudo o que pode acontecer, mas me parece óbvio que existem tragédias anunciadas e meras fatalidades. É necessário separar o joio do trigo. Um Aston Martin com problema de câmbio não é uma regra, é uma fatalidade. Uma equipe que demite seu treinador e vende metade do seu elenco no início do campeonato chegar ao rebaixamento para a segunda divisão ao final já é algo bastante provável de acontecer. Deixar para comentar o fato apenas após ele já ter ocorrido é bastante fácil e quase indolor, mas aparentemente sem mérito algum.
  2. A aversão à responsabilidade. É cada vez mais difícil encontrar gente capaz de assumir responsabilidades e arcar com os louros ou com as perdas de suas ações. Pouca gente é aberta a assumir riscos. O resultado disso é uma quase completa estagnação mental e social, transferindo para terceiros a responsabilidade pelos resultados de qualquer ação que venha a ser tomada. É aparentemente confortável e, portanto, tentador; no entanto, é pouco (ou quase nada) edificante.

Precisamos, portanto, de cada vez menos palpiteiros do amanhã e de cada vez mais pessoas atuantes hoje. Precisamos de gente que se antecipe, que ajude, que te coloque para cima! Não precisamos de mais gente que só sabe criticar. Não faça parte desse time.

Raul tinha razão?

Publicado: 5 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei

“Sociedade Alternativa” é, sem muita contestação, um clássico da música brasileira, goste você ou não. O trecho acima, baseado na Lei de Thelema, representa um postulado filosófico elaborado por ninguém menos Aleister Crowley, famoso ocultista britânico do século XX.

Não vou entrar no mérito aqui da loucura de Mr. Crowley, tampouco da “alternatividade” de Raul Seixas. Vou me ater apenas ao sentido literal da frase do início deste texto.

Tenho a impressão que isso tem se tornado um mantra moderno, repetido aos quatro ventos, simbolizando uma evolução humana natural, um progresso rumo a uma sociedade definitivamente livre e aberta.

Devo confessar que soa até bonitinha essa ideia de sermos livres para fazer o que quisermos, “pois é tudo da lei”. Posso ser quem eu quiser, posso fazer o que eu quiser, posso me comportar como eu quiser.

No entanto, há uma questão não abordada por Raul em sua canção que deixa muita gente ainda de cabelo em pé: liberdade traz consigo responsabilidade. É aí que mora um grande problema moderno. A geração mimada, principalmente os nascidos após os anos 90, tem uma dificuldade imensa em entender esse tipo de coisa, mas o fato é que ninguém está livre de julgamentos, sejam eles jurídicos, morais ou estéticos.

É fácil entender que toda ação é, ao menos em uma sociedade minimamente organizada, objeto de análise perante às leis estabelecidas. Esse talvez seja o primeiro bloqueio que temos, conscientemente, para não fazer tudo o que queremos. Fica simples até para o mais ignorante dos seres entender que, por exemplo, roubar algo de outra pessoa poderá levá-lo à prisão após um julgamento jurídico.

Mas o ponto de divergência está mesmo no âmbito da moral. A moral é o conjunto de hábitos e comportamentos que são considerados aceitos ou reprovados por uma sociedade. A moral toma forma através da cultura e da educação. É claro que a moral não é única em uma sociedade, principalmente em uma tão diversa quanto a nossa brasileira. No entanto, uma série de valores morais são compartilhados, senão por todos, pela grande maioria da nossa população.

Acontece que as pessoas que vão contra algum valor moral estão cada vez mais barulhentas. Elas procuram se reunir com outras que possuem a mesma opinião (e, veja bem, ter uma opinião não quer dizer ter razão!) e se organizam para fazer grandes barulhos. Nessa tentativa de reformar valores morais que, como disse, são frutos de anos e anos de sobrevivência (pois são frutos da educação e cultura de um povo, sobrevivendo a gerações), essas pessoas estão sempre exigindo leis que imponham ao restante da população a modificação desses valores. Ou seja, há uma tentativa (e quase sempre bem sucedida) de se transformar valores morais desejados em leis.

O último tipo de julgamento é o julgamento estético. Querendo ou não, também estamos invariavelmente sujeito a ele. Para usar um exemplo didático, pense o seguinte: por qual motivo não enfiamos o dedo no nariz em público? Há alguma lei que estipule isso? É algo juridicamente proibido, ou apenas algo esteticamente condenável, porque causa asco?

Agora imagine que alguém seja a favor de se limpar o salão em público. Há pessoas que fazem isso, sem sombra de dúvidas, mas são poucas. Agora imagine que essas pessoas se reúnam e criem um movimento “Limpe seu salão também”, e passem a promover “enfiadões” ou “cutucadões” públicos em grandes centros, mobilizando algumas dezenas de participantes enfiando seus dedos no nariz e tirando catotas para promover uma ‘quebra de tabu’. De que lado você estaria: seria um dos apoiadores, ou simplesmente acharia aquilo nojento e repudiante, mesmo que não haja nenhuma lei proibindo isso?

A questão principal é que, cada vez mais, as pessoas estão acreditando que: aquilo que não me é proibido por lei é, portanto, permitido. E caso você reprove um comportamento ou alguma imagem com base em seus valores morais ou estéticos, você é simplesmente um monstro abjeto que precisa ser exterminado.

Será mesmo que esse é o caminho?

É a cultura, estúpido!

Publicado: 12 de junho de 2017 por Kzuza em Comportamento, filosofia
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Vira e mexe, a frase título deste post volta à tona!

A notícia do final de semana foi o tatuador do ABC que flagrou um rapaz de 17 anos tentando roubar uma bicicleta e resolveu tatuar na testa do meliante: “Eu sou ladrão e vacilão”. O tatuador, com a ajuda de um comparsa, filmou o ato em uma cena digna do filme “Os homens que não amavam as mulheres”, quando Lizbeth Salander (magistralmente interpretada por Rooney Mara, diga-se de passagem) tatua na barriga de seu tutor, que a havia estuprado, a frase: “Eu sou um porco sádico, pervertido e estuprador”.

Como tudo é polarizado hoje em dia e pouca gente se dá o trabalho de pensar racionalmente sobre o assunto, imediatamente surgem dois grupos de pessoas nas redes sociais: um primeiro, com dó do garoto pela tortura que sofreu (contando inclusive com uma vaquinha para arrecadar fundos para apagar a tatuagem do rapaz); e um segundo, o grupo do ‘bandido bom é bandido morto’ ou do ‘fez por merecer’.

Enfim, tanto o primeiro como o segundo grupo são facilmente identificados como sentimentalistas exacerbados. No primeiro grupo, a emoção mais aflorada é a compaixão; no segundo, a ira. O problema é que, em ambos os casos, todos se identificam de forma muito semelhante ao torturador que tatuou a frase na testa do ladrãozinho. Todos são incapazes de controlar suas emoções (ou, no mínimo, sentem prazer em não o fazer) e raciocinar de forma lógica a respeito do ocorrido.

Essa falta de discernimento e a abnegação da busca pela verdade e pela justiça são resultados de uma enorme corrente de pensamento que domina a nossa sociedade atual. Há inúmeras teorias para explicar o porquê de termos chegado a esse ponto, mas não cabe a mim discuti-las nesse post, até porque invariavelmente o assunto recairá sobre a política, tema o qual eu já desisti de comentar. No entanto, cabe a mim tentar abrir os olhos do caro leitor para uma realidade: estamos todos tomados de fortes emoções, mesmo que as minhas contradigam as suas, e não estamos sendo capazes de domá-las para atuar sob domínio da razão.

Já mencionei aqui e aqui o livro “Podres de Mimados” do Dalrymple, onde ele explica muito bem tudo isso. Volto a recomendar a leitura.

Mas voltando ao caso que originou este post, acho que nunca a frase “um erro não justifica o outro” fez tanto sentido. O problema é que, na ânsia de se tomar partido e expor sua opinião, a maioria das pessoas acaba por absolver um dos dois infratores. Em uma batalha verborrágica para se identificar qual dos dois crimes é mais grave (e onde a vitória só é possível em caso de derrota absoluta por nocaute do lado oposto), os tais debatedores acabam por instaurar uma cortina de fumaça que cobre o real problema exposto pela situação.

O fato é que em um país onde o mínimo não funciona corretamente, as pessoas decidem então resolver as coisas por conta própria, já que tudo parece terra de ninguém. Quando eu digo o mínimo, eu me refiro à garantia que os cidadãos precisam ter de não terem sua propriedade (física, intelectual ou material) agredidas ou invadidas por outrem; e caso isso venha a ocorrer, que haja um julgamento justo daqueles que infringiram o pacto de não mexer naquilo que não é seu.

Parece-me bastante razoável que quando princípios morais básicos são observados minimamente em uma sociedade, tanto o número de infrações quanto o número de julgamentos injustos tendem a cair consideravelmente. Mas então o que leva uma sociedade a observar esses princípios? Em primeiro lugar, eu acredito: exemplos. Nada é mais capaz de influenciar o comportamento das demais pessoas ao seu redor do que um bom exemplo. Seja na sua família, seja no seu emprego, seja na sua vizinhança. Bons exemplos advêm de instituições (ou organizações) sociais que sobrevivem ao longo da história, aprendendo e evoluindo, formando a base do que conhecemos hoje como civilização. Essas instituições, goste você ou não, são basicamente a família e a igreja.

Seria irracional dizer que indivíduos criados em uma base familiar sólida e com base em ensinamentos religiosos seriam incapazes de cometer atrocidades. No entanto, a realidade mostra que a possibilidade de isso acontecer nesse grupo de pessoas são bem menores do que nos casos onde ou a família, ou a igreja (quando não os dois) não fazem parte da vida dos indivíduos.

O problema é que há muito tempo essas instituições que são base da nossa civilização (imperfeita, diga-se de passagem, mas em uma evolução geométrica) têm sido marginalizadas e hostilizadas, em um movimento cada vez maior que prega o abandono a instituições e valores tradicionais. Com a ausência cada vez maior da presença dessas instituições, há uma transferência subsequente dos poderes de decisão entre certo e errado, entre o que pode ou não pode para outras entidades. O que se vê por aqui, em terras tupiniquins, é justamente que esse poder acaba então caindo no colo de quem está menos preparado para isso.

Com uma justiça extremamente lenta e falha, aliada à uma população que não possui nenhuma âncora de valores morais, não é de se espantar que tenhamos índices de criminalidade já altíssimos e em curva de ascensão. Os mais de 60 mil homicídios por ano colocam o Brasil na liderança do ranking de assassinatos per capita no mundo.

No lado oposto dessa moeda, também não é de se espantar que se cresça o número de justiceiros como o tal tatuador do nosso caso. Não são raros os casos de bandidos capturados pela população que são amarrados a postes, torturados e espancados. Falta também a essa gente, assim como aos primeiros, uma boa dose de valores morais, mesmo que levantem a bandeira da luta contra o mal com uma mão, enquanto com a outra fazem a sua “justiça”.

Portanto, independente de qual lado você adotou nessa história, você não está nem um pouco preocupado com a solução do problema. Você simplesmente está externalizando suas emoções mais afloradas. Está querendo apenas “lutar contra o que está errado”, mesmo que esteja olhando apenas para o sintoma e não para a doença. Enquanto você não entender isso, seu Facebook será apenas um muro das lamentações. Sua vida será apenas uma eterna tentativa de se fazer o bem, mesmo que os resultados sejam sempre trágicos. Para um lado ou para o outro.

Ao mesmo tempo que a diversidade tem sido a palavra da moda nos últimos tempos, tenho reparado que a mesma só tem sido bem vinda quando convém ao establishment. Em outras palavras, o que é “diferente” só é bem vindo quando serve aos interesses de um grupo quase homogêneo que domina a grande mídia e o meio intelectual.

Quando se trata de uma garota beijar outra garota, ou de um garoto beijar outro garoto, a tal ‘quebra de tabu’ é sempre bem vinda, desde que as pessoas envolvidas estejam alinhadas com o discurso ideológico em voga. O mesmo acontece para mulheres que deixam seus pêlos crescerem, para homens que querem usar barba colorida ou uma saia comprida, para adeptos de dietas alimentares alternativas, para ‘religiões’ modernosas… enfim, tudo que gira em torno dessas esquisitices deve ser louvado, trazido à público como grandes novidades, como quebra de paradigmas. Na onda do progressismo, vale o lema de Raul Seixas: ‘Faça o que tu queres pois é tudo da lei’.

Porém, quando se tratam de opiniões e ideias que fogem do establishment, a diversidade não é nem um pouco apreciada.

Qualquer vírgula que seja colocada fora do lugar em sentenças já estabelecidas como verdade (acho que já falei sobre pós-verdade aqui) é motivo para que seu interlocutor seja taxado de antiquado, caretão, conservador, fascista, machista, homofóbico e por aí vai, de acordo com o tema abordado.

Pensando de uma maneira racional, a lógica argumentativa progressista baseia-se na regra: se está de acordo com o que eu penso e trará mais integrantes para o meu grupo, está correto (mesmo que não seja verdade, pois, nesse caso, o ônus da prova está com quem discorda da minha linha de pensamento). Já se está contra o que eu acredito, é automaticamente falso (e qualquer exame sobre a lógica, ou seja, sobre a verdade é dispensado, sendo substituído facilmente por qualquer xingamento ou caretas de reprovação).

De certa forma, entendo quem escolhe pensar desta forma. É muito mais confortável pensar assim. E fica mais fácil ainda quando a opinião contrária é uma voz praticamente única em um mundo culturalmente corrompido. Quando alguém ousa levantar a mão e questionar, é muito mais fácil soltar um “cala a boca” do que simplesmente mostrar que ele está errado.

Quando busca-se silenciar todas as opiniões diferentes, o mundo fica estagnado. Pois, caso a verdade seja calada, quem voltará a descobri-la?

Crise moral

Publicado: 18 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Palmeiras x Corinthians. Jogo válido pela primeira fase do campeonato paulista de 2017. O jogador Keno, do Palmeiras, sofre uma falta por trás cometida pelo volante Maycon, do Corinthians. O outro volante, o jogador Gabriel, que vinha acompanhando a jogada, já tinha cartão amarelo. Ao se levantar após a falta, Keno aponta imediatamente para Gabriel, e o árbitro aplica o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho no jogador errado. Muita confusão. Jogadores do Corinthians em peso tentam alertar o árbitro do equívoco, mas ele não muda de opinião. Nenhum jogador do Palmeiras se manifestou.

São Paulo x Corinthians. Jogo válido pelas semifinais do mesmo campeonato paulista de 2017. Em uma bola no ataque do Corinthians, o atacante corinthiano Jô e o zagueiro Rodrigo Caio disputam a bola, que estava muito mais próxima do goleiro Renan Ribeiro, que fica com ela. No lance, Rodrigo Caio se choca com o goleiro do próprio time, que fica no chão. O árbitro, de longe, aplica o cartão amarelo no atacante Jô. Imediatamente, Rodrigo Caio comunica o juiz da partida que foi ele quem se chocou contra o goleiro, e que o cartão é injusto. O árbitro volta atrás e aplaude o jogador tricolor.

As situações relatadas acima são completamente antagônicas. Uso-as propositalmente nesse artigo para demonstrar uma crise moral pela qual passamos aqui no país.

No primeiro episódio, o foco foi colocado apenas no juiz da partida, que de fato cometeu um erro crasso. Ele acabou sendo punido, como de fato deveria ser. No entanto, pouco ou praticamente nada se comentou sobre o fato de nenhum jogador, nem o treinador e nem ninguém da comissão técnica do Palmeiras terem se manifestado. Não houve um mísero ser humano digno de um pingo de honestidade para poder safar o juiz, a partida e, principalmente, sua própria honra de homem.

Já agora no segundo episódio, apesar de felizmente muita gente estar comentando favoravelmente a atitude de extrema hombridade de Rodrigo Caio, inclusive os próprios adversários corinthianos, ainda somos obrigados a ver gente imbecil como o jornalista Juca Kfouri comentando: Não fez nada mais do que a obrigação. Sério, Juca?

Na minha opinião, a honestidade não é uma virtude. Ela é apenas uma característica moral que deveria passar desapercebida por aí. É algo como o fato de não se matar ninguém. Não é uma grande qualidade, apenas a obediência a um princípio moral universal. Acontece que aqui no Brasil desenvolvemos algo que vai além disso, a tal “Lei de Gerson”. A honestidade por aqui é vista com maus olhos, é coisa de gente tola. E acho que, justamente por isso, é extremamente necessário louvar atitudes como a do jogador sãopaulino de pé, exaltá-la aos quatro cantos, principalmente pela mídia formadora de opinião. É algo para se mostrar nas escolas para as crianças mais novas. É algo para se incentivar, vibrar. É digno de uma estátua no estádio do Morumbi. E sabe por quê? Para que possamos um dia tentar colocar fim à Lei de Gerson. Para que um dia não precisemos mais ficarmos maravilhados e atônitos diante de um gesto que deveria ser, como Juca disse, mera obrigação.

Esse desvio moral vai muito além do futebol. Recentemente, em uma entrevista no programa Pânico no rádio, os fundadores do site Ranking Políticos respondiam a uma pergunta do apresentador Emílio Surita: mas político não é tudo igual? Eles mencionavam que existiam atitudes que mostravam se um político era pior ou melhor que outro. Citaram o exemplo do senador José Reguffe que abriu mão de uma série de benefícios como parlamentar e reduziu o número de assessores, tudo em caráter irrevogável, economizando assim uma quantia absurda de dinheiro ao longo dos 4 anos de mandato. Tanto o apresentador quando outros integrantes da bancada do programa disseram que isso era mera propaganda, marketing, demagogia. Uma das integrantes do programa chegou até a criticar o prefeito João Dória por doar seu salário para entidades filantrópicas do terceiro setor e mostrar isso na internet.

Veja até que ponto vai a mente doentia das pessoas. As atitudes dignas desses políticos, por mais corretas que possam ser, são minimizadas porque são apenas objeto de propaganda. Sério? Eu quero é que se dane. Não me importa! O mais importante é que façam o que é certo. Se for para mostrar na internet, se for para ganhar votos, se for para deixar a mamãe feliz, eu não me importo, desde que seja o correto a fazer e que sirva de exemplo aos demais.

Se você anda relativizando boas atitudes por aí só porque não foram realizadas por seus amigos, por pessoas do seu partido político ou por jogadores do seu time de futebol, tenha muito cuidado. Você certamente já foi contagiado por essa crise moral avassaladora que passamos aqui no país.

Por mais Rodrigos Caios!

O que está na moda?

Publicado: 17 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Hoje abri uma página na internet e me deparei com a notícia: “Sereias deixam o mundo da fantasia e viram moda“. Outro dia mesmo também tinha lido uma reportagem de um “sereio” do Rio de Janeiro, adepto de um novo movimento chamado “sereismo”. Fui procurar entender do que se tratava e descobri que a Rede Globo agora está com uma nova novela onde uma das personagens é uma sereia, então isso diz muito sobre as diferentes reportagens sobre o mesmo assunto que estão surgindo.

Mas enfim, a última reportagem diz que as sereias estão na moda. A pergunta que eu faço é: moda de quem, cara pálida?

Tenho reparado que constantemente reportagens nessa mesma linha têm aparecido em portais da internet com cunho progressista. Já li sobre a moda dos homens que usam saia, das mulheres que não se depilam, das barbas coloridas, do “largar tudo para ser feliz”, entre outras. E mais uma vez me pergunto: quantas pessoas você conhece que são adeptas dessas novas “modas”?

Eu tenho uma vizinha que pinta o cabelo de lilás. Se eu fosse pseudo-jornalista cool de um desses canais da internet, logo escreveria uma manchete: “A moda agora é usar cabelo lilás”.

Não que não existam pessoas que se enquadrem nessas novas modinhas, mas parece-me que cravar que esses comportamentos tenham se tornado moda é um pouco exagerado, e muito provavelmente tem uma segunda intenção (ou várias).

A minha suspeita é a de que tais movimentos não são uma realidade, mas são assim retratados por uma imprensa (e nem sei se pode ser chamada assim) comprometida com a implantação de uma agenda cultural progressista. Essa agenda é voltada para a desconstrução (palavrinha boa essa!) de valores conservadores e da moral existente. Não importa que não seja legal, não importa que a maioria das pessoas não gostem ou torçam o nariz para as novas “modas”, o importante é a pós-verdade: fazer acreditar que algo é real.

Sugiro, e o leitor pode não seguir meu conselho, que tenham muito cuidado com isso. Principalmente crianças e jovens são altamente sugestionáveis a esse tipo de comunicação, e os resultados podem não ser satisfatórios.