Os palpiteiros do amanhã

Publicado: 13 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente é o do comentarista de acontecimentos ruins. Ou melhor, talvez devesse chamá-lo de palpiteiro do amanhã: aquele que sempre aparece com um ótimo palpite, mas só depois que a merda já aconteceu.

Esse tipo de gente é o oposto daquele que diz “eu bem que avisei”. Em alguns casos, ele é até capaz de usar essa frase, mesmo que nunca sequer tenha imaginado que a cagada poderia acontecer (ou então até tenha levantado a hipótese, mas preferiu ficar calado).

Sabe aquele jornalista que, depois do fatídico 7×1 nas semifinais da Copa de 2014, resolveu colocar o dedo na ferida, apontando tudo o que havia de errado no futebol brasileiro, mas que antes da Copa estava lambendo as bolas do David Luiz, do Thiago Silva e do Fred?

Ou então aquele seu colega de trabalho que chega no final do projeto, quando um erro é descoberto, e sai murmurando pelos cantos que tudo foi mal projetado, mesmo que ele não tenha a mínima noção de tudo o que já se passou ao longo da execução do projeto?

E aquele funcionário preguiçoso e displicente que, quando a empresa afunda, sabe dizer todos os pontos em que os gerentes e diretores falharam?

Tem também aquele seu amigão que incentiva quando você quer comprar um carro novo, mas na primeira vez que o carro dá problema, sempre tem um carro melhor para sugerir que você deveria ter comprado?

Mas o pior mesmo é aquele tipo que terceiriza a tarefa. Pede para você ou para um amigo fazer algo que ele mesmo poderia ter feito. No final, se qualquer coisa der errado, ele é o primeiro a dizer que você deveria ter feito de outra maneira. Não importa o que você faça, ele sempre vai ter uma maneira de fazer melhor.

Acredito que esse tipo de comportamento tem duas causas modernas:

  1. A preguiça ou a incapacidade de se analisar cenários previamente. Claro, não há como antecipar tudo o que pode acontecer, mas me parece óbvio que existem tragédias anunciadas e meras fatalidades. É necessário separar o joio do trigo. Um Aston Martin com problema de câmbio não é uma regra, é uma fatalidade. Uma equipe que demite seu treinador e vende metade do seu elenco no início do campeonato chegar ao rebaixamento para a segunda divisão ao final já é algo bastante provável de acontecer. Deixar para comentar o fato apenas após ele já ter ocorrido é bastante fácil e quase indolor, mas aparentemente sem mérito algum.
  2. A aversão à responsabilidade. É cada vez mais difícil encontrar gente capaz de assumir responsabilidades e arcar com os louros ou com as perdas de suas ações. Pouca gente é aberta a assumir riscos. O resultado disso é uma quase completa estagnação mental e social, transferindo para terceiros a responsabilidade pelos resultados de qualquer ação que venha a ser tomada. É aparentemente confortável e, portanto, tentador; no entanto, é pouco (ou quase nada) edificante.

Precisamos, portanto, de cada vez menos palpiteiros do amanhã e de cada vez mais pessoas atuantes hoje. Precisamos de gente que se antecipe, que ajude, que te coloque para cima! Não precisamos de mais gente que só sabe criticar. Não faça parte desse time.

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