Mulheres, sejam bem vindas ao liberalismo!

Publicado: 10 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Recentemente, no dia internacional da mulher, li uma série de textos clamando por direitos iguais para homens e mulheres. Essa seria, em suma, a principal pauta do movimento feminista. Então resolvi pesquisar um pouco a respeito.

A primeira coisa que descobri é que o feminismo em si não é um movimento. Na verdade, ele é uma bandeira atrás da qual um monte de gente se esconde, cada um bradando por uma coisa diferente, mas sempre com o centro nas mulheres. No geral, qualquer coisa que reclame algo em nome das mulheres hoje é chamada de feminismo. E é justamente esse o motivo pelo qual o feminismo não é levado à sério.

Eu explico. As mulheres estão cada vez mais em alta, cada vez mais em evidência, cada vez com mais voz ativa. Pode se dizer, sem muito medo de errar, que as mulheres hoje são cada vez mais levadas à sério, ao contrário do suposto movimento que dizem representá-las. Ou seja, o indivíduo está se sobressaindo ao coletivo, para desespero daqueles que acreditam no contrário.

O mais incrível é que aquelas que se dizem feministas atribuem essa ascensão da mulher como uma vitória de um suposto movimento coletivista, sem se dar conta de que na verdade essa ascensão é resultado da própria capacidade individual de cada mulherão da porra que temos por aí.

No que diz respeito aos direitos propriamente ditos, homens e mulheres hoje gozam, legalmente falando, basicamente dos mesmos direitos. Claro, considerando a diferença biológica existente entre os sexos, que mostra homens fisicamente mais fortes que as mulheres, há algumas diferenciações. Mulheres gozam de benefícios não concedidos aos homens a fim de equiparar as condições de ambos os sexos. Mulheres não prestam serviço militar obrigatório, possuem delegacias próprias para investigação e combate a crimes, têm direito (pelo menos até agora) a se aposentarem antes dos homens, entre outros.

Então o que as pessoas querem dizer quando clamam por direitos iguais? É aí que está a chave: mentes mais pensantes pedem para que os direitos iguais garantidos por leis sejam cumpridos efetivamente para as mulheres. Em linhas gerais, não basta escrever as regras do jogo, é preciso que elas sejam cumpridas.

Mas se as leis não estão sendo cumpridas, é necessário identificar primeiro o porquê disso, a fim de eliminar (ou minimizar) a causa do problema. Nesse ponto, assim como em vários assuntos polêmicos, os progressistas da esquerda falham miseravelmente. Na preguiça ou na incapacidade de pensar, apontam para qualquer direção e miram em seres imaginários ou em coisas impessoais. E quando não se há algo concreto a ser combatido, a guerra nunca tem fim e continua somente alimentando discursos demagógicos.

Progressistas irão sempre culpar a sociedade misógina e machista por todo e qualquer infortúnio sofrido por uma mulher em particular. Isso jamais resolve o problema, mas pelo menos dá cartaz a grandes demagogos, principalmente na era das redes sociais. A alienação toma conta dos mais sensíveis, gera aquela sensação de fazer parte de uma “revolução”, mas no final das contas tudo continua como antes. E quando ocorrem mudanças graças a indivíduos que combateram inimigos reais, os primeiros clamam para si as glórias.

Vamos a exemplos de alguns absurdos.

Primeiro, tratemos da alienação das feministas mais radicais. Não vou me alongar na discussão sobre todas as supostas “lutas” travadas por elas, mas vou me ater a um único ponto: o tal padrão de beleza. Estas adoram dizer que lutam contra os padrões de beleza “impostos” pela sociedade. Eu particularmente acredito ser meio bizarra a ideia de que alguém acha uma mulher bonita ou feia porque outra pessoa está dizendo isso. Gosto é algo muito pessoal. Se houvesse somente um tipo de beleza ideal, eu diria que 95% das mulheres jamais chamariam a atenção de homem algum, mas nós sabemos que não é isso que acontece. É claro que existem homens e mulheres mais bonitos e mais feios. Há quem goste de gordinhos e gordinhas, embora a maioria prefira os mais magros, por uma questão estética. E não há nada de mal nisso. E também é normal homens gostarem mais de mulheres depiladas do que de mulheres com bigode ou pêlos debaixo dos braços. O problema destas feministas não é apenas lutar para que possam ser como elas bem entenderem (até porque elas podem fazer isso, não há impedimento nenhum), o problema é querer impor que as demais pessoas achem isso legal ou bonito. Não é o fato de fazer cocô de porta aberta que vai tornar isso um ato comum e aceitável.

Outro ponto bastante interessante, compartilhado pela maioria das feministas, é a questão da equiparação entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Os números mostram que há menos mulheres em cargos executivos nas empresas que homens. Os números mostram que a média salarial das mulheres é mais baixa que a dos homens. As mulheres ocupam menos cargos na política que os homens. Há uma desigualdade clara. Mas será que as feministas conseguem identificar o que está acontecendo de verdade e lutar contra isso? Parece-me bastante óbvio que não. Bradam contra a sociedade machista e contra a discriminação sofrida pelas mulheres, como se essas abstrações explicassem os fatos. Sabemos que existem homens machistas e que discriminam as mulheres, mas isso explica? Essa é uma lógica muito utilizada nos dias atuais e que não é exclusividade das feministas: a existência de um comportamento ou a ocorrência de um fato são utilizadas como explicação para um fenômeno específico, mesmo que não exista nenhuma relação de causalidade, mas desde que corrobore com a agenda ideológica desejada.

Em relação ao fato de mulheres ocuparem menos cargos executivos ou na política, eu sugiro assistirem o documentário “O paradoxo da igualdade”, produzido pelo sociólogo e humorista norueguês Harald Eia. Há explicações científicas que demonstram que homens e mulheres são diferentes em vários aspectos, inclusive em suas inclinações profissionais. De qualquer forma, é óbvio que existem mulheres que chegam a esses postos, e isso se dá graças a suas competências, e não como uma forma de reparação e agradecimento da sociedade cis-hétero-machista-misógina a algumas mulheres. Portanto, o discurso feminista erra o alvo ao apontar o dedo para algo abstrato (uma sociedade machista) como culpado, o que não surtirá efeito algum porque nenhum ser abstrato é capaz de dar uma resposta a um estímulo. Se as feministas encorajassem as próprias mulheres, o resultado seria mais rápido e com muito mais assertividade. Exigir cotas de reparação na política ou em altos cargos nas empresas apenas abriria espaço para uma série de oportunistas incapazes assumirem posições para as quais não estão preparadas ou que sequer escolheriam voluntariamente. O que não falta no mundo são mulheres inteligentes e competentes para chegarem lá, basta incentivá-las.

Já quanto aos menores salários, o documentário norueguês também explica alguns fatores, mas mudando o foco aqui para a nossa república das bananas, certamente o maior inimigo é outro. Vamos partir de um princípio básico e de fácil compreensão: se as mulheres realmente ganhassem menos que os homens para fazerem exatamente o mesmo trabalho, por que os donos de empresa não contratariam apenas mulheres ao invés de homens? Seria de uma incompetência tremenda não observar essa possível redução de custos, não? Acreditar que os empresários do Brasil são tão burros assim é de uma inocência que beira o ridículo. Mas então, desconsiderando-se o fato de que mulheres tendem (VEJA BEM, IMBECIL: É UMA TENDÊNCIA COMPORTAMENTAL, E NÃO UMA REGRA!) a escolher carreiras profissionais que pagam salários menores, vamos focar nas situações onde homens e mulheres estão em uma mesma carreira, com as mesmas qualificações e o mesmo tempo de experiência. Por que então, nesses casos, mesmo assim homens ganham mais que mulheres? A explicação para esse e inúmeros outros problemas que atingem o trabalhador brasileiro está no mesmo lugar: a famigerada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT concede “direitos” aos trabalhadores que infelizmente não são chamados pelo nome correto. Na verdade, a CLT concede benefícios aos trabalhadores em geral. Todos nós sabemos que qualquer benefício ou prêmio é necessariamente pago por alguém, pois nada é gratuito. Quando se trata de Brasil, nós sabemos que são os mais pobres e os mais frágeis que pagam por isso, de uma forma ou de outra. Desta forma, quem acaba pagando pelos próprios benefícios previstos em lei é o próprio trabalhador e não o patrão, como querem que nós pensemos. Mas como? Através de menores salários nominais, quando conseguem entrar no mercado de trabalho formal, ou através da informalidade a qual são submetidos os trabalhadores que não conseguem ser contratados dentro da CLT.

Há claramente uma sensibilização maior quando o custo por algo é cobrado diretamente do indivíduo, de forma explícita, do que quando os custos são diluídos, disfarçados e cobrados de todos, independentemente de quem irá gozar de um benefício. Explico melhor. A CLT obriga os empresários a arcarem com a responsabilidade dos salários dos profissionais no caso de uma série de ausências justificadas e períodos de licenças dos seus funcionários. Algumas dessas ausências são subsidiadas pelo próprio INSS, mas de qualquer forma quem paga pela falta de uma mão-de-obra por esse período é o próprio empregador, que fica sem uma pessoa para executar o trabalho a ser feito e não consegue contratar uma nova pessoa para executar a tarefa, pois aquela que está ausente pode retornar ao trabalho a qualquer momento e não poderá ser desligada.

Dessa forma, os patrões consideram, na hora de calcular a produtividade de um trabalhador ao longo de um ano e, portanto, o quanto pode pagar de salário ao mesmo, uma média de dias trabalhados pelos profissionais. Há uma série de fatores que explicam que mulheres se ausentam (de forma justificada) do trabalho com mais frequência que os homens: quando um filho fica doente, normalmente é a mãe quem o acompanha ao médico (você pode chamar isso de machismo, como quiser, mas é um fato do qual não há como fugir); mulheres (pasmem!) engravidam, e durante a gravidez precisam se ausentar para exames e também devido a implicações que a própria gravidez traz, além do período de licença maternidade que pode chegar a 6 meses no Brasil; mulheres cuidam mais da saúde, previnem-se mais e, assim, ausentam-se mais para consultas médicas; mulheres afastam-se mais frequentemente do trabalho por motivos de saúde (não encontrei nenhuma pesquisa por aqui, mas é um fato facilmente observado – o que não quer dizer que todas as mulheres são assim, nem que não haja homens que também se ausentem muito do trabalho por problemas de saúde, é apenas uma constatação de tendência).

O fato é que devido a tudo isso, engessado pela CLT, o patrão considera que ao longo de um ano, uma mulher trabalha em média menos dias que um homem. Como o patrão precisa necessariamente pagar os mesmos 13 salários que paga para o homem, o salário acaba sendo menor.

Agora vamos pensar de uma forma um pouco diferente. Vamos imaginar que fosse possível contratar um funcionário por hora trabalhada. Que o patrão pudesse acordar com o funcionário um valor/hora fixo e um pacote fixo de N ausências justificadas no ano, e mais um período de férias fixo. O quanto isso seria benéfico para as mulheres? Não tenho a mínima dúvida de que nessas condições homens e mulheres receberiam exatamente o mesmo valor por hora trabalhada (ou, na pior das hipóteses, um valor muito próximo).

Há nessa questão dois pontos polêmicos. O primeiro seria: mas se as empresas não fossem obrigadas a oferecer licença-maternidade, por exemplo, nenhuma empresa ofereceria esse benefício a suas funcionárias. Eu sinceramente duvido muito disso. Há uma série de benefícios hoje em dia, como previdência privada, vale-alimentação ou plano odontológico, que não são obrigatórios por lei mas que mesmo assim são oferecidos por um grande número de empresas, que vêem nesses benefícios uma maneira de atrair e reter melhores profissionais. A lógica seria a mesma.

O segundo seria: mas se a empresa ou o Estado não pagarem o salário de uma mulher durante os primeiros meses de maternidade, isso não seria justo. Será? Aqui entra uma questão básica de responsabilidade individual. Quando uma mulher se ausenta do trabalho porque teve um bebê e recebe um pagamento durante esse período, alguém necessariamente estará pagando por isso. Os custos disso estão sendo socializados e pagos por alguém (isso me parece óbvio, mas é sempre bom lembrar). De uma forma mais genérica, o benefício de uma pessoa está sendo pago com algum dinheiro que está sendo retirado de outras pessoas que não estão gozando de nenhum benefício, mas que estão sendo obrigadas a pagar por isso. Você pode estar pensando duas coisas sobre mim nesse momento: primeiro, que eu só penso em dinheiro; segundo, que todo mundo pode um dia precisar desse tipo de “auxílio” também. Quanto ao primeiro ponto, você está correto: tudo no mundo gira em torno de dinheiro, queira você ou não. Sugiro que você leia o trecho de “A Revolta de Atlas”, onde o empresário Francisco D’Anconia explica o que é o dinheiro. Quanto ao segundo ponto, se o seu raciocínio estiver certo (e eu tenho indícios que está), já que todo mundo paga um pouquinho cada mês como uma forma de reserva para se utilizar isso quando necessário, por que então não estimular que cada indivíduo seja responsável por guardar essa quantia cada mês por conta própria e então utilizá-la quando necessário? Seria muito mais justo com toda a sociedade e, no final das contas, teria o mesmo resultado prático para quem necessita.

Você pode estar achando que estou sendo machista ou que quero o mal para as mulheres, mas o fato é que meu raciocínio é aplicado por mim em todas as esferas e para todos os indivíduos. Na minha opinião, a CLT na verdade é uma baita ferramenta socialista (não por acaso, ela é baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) que finge oferecer uma série de “direitos” que nada mais são do que “benefícios” individuais custeados por terceiros. Ou seja, há um disfarce sutil que passa desapercebido por grande parte da população e que acaba por prejudicar os trabalhadores no final das contas, e não só as mulheres.

Por último, outro aspecto em voga na corrente feminista moderna é a questão da violência contra a mulher. Nesse ponto, o movimento feminista falha miseravelmente, para desespero das vítimas e para deleite dos algozes. O primeiro ponto falho do movimento é a generalização da violência, transformando qualquer coisa em assédio ou estupro. Quando qualquer coisinha é assédio ou estupro, elas dizem que estupro e assédio são qualquer coisinha. Isso é um desrespeito e uma falta de empatia tremendos com as verdadeiras vítimas desses crimes. Equiparar uma cantada porca de um pedreiro à mulher A com a apalpada na vagina da mulher B é dizer, embora ambas as atitudes sejam desprezíveis e devam ser desencorajadas, que a mulher B não sofreu nada grave. O segundo, e talvez o mais grave, é a complacência com o agressor. Feministas dificilmente incentivam punições severas aos verdadeiros agressores, nem tampouco o direito de defesa das vítimas (apoiando, por exemplo, o desarmamento civil, impossibilitando uma mulher de portar uma arma para se defender de um estuprador). As feministas preferem utilizar hashtags, camisetas e pombas brancas, sites, campanhas educacionais e qualquer outra coisa que possa servir de instrumento para uma reforma social necessária para enfim acabar com esse tipo de crimes, ao invés de combater e punir os criminosos. É como querer combater um exército de guerra com flores.

Espero que tudo isso faça sentido para você. Na verdade, a luta por condições melhores de vida para as mulheres passa invariavelmente pela liberdade individual. O problema, como eu sempre digo, é que a liberdade traz consigo invariavelmente a responsabilidade pelas ações, e por isso tanta gente foge disso e procura apenas exigir recompensas, benefícios e direitos sem contrapartida. Isso, infelizmente, é o que muita gente chama de feminismo.


Nota pós-publicação: quanto ao “padrão de beleza”, cheguei a uma conclusão. Esse padrão existe de mulheres para mulheres. Na minha opinião, mulher não entende de beleza feminina. Mulheres enquadram outras mulheres em um padrão estabelecido. Homem não tem essa frescura. Portanto, o feminismo mais uma vez erra o alvo, mirando nos homens, quando na verdade são as próprias mulheres que exigem um padrão. Dizer, por exemplo, que Grazi Massafera, Gisele Bündchen e Fernanda Lima têm “corpão”, mesmo sendo magras feito uma vareta, só pode ser coisa de mulher. Homens, em sua maioria, acham mulheres com mais carne mais bonitas.

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