Chegou a hora de mudar – Parte 2

Publicado: 8 de março de 2016 por Kzuza em Política
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Nesta segunda seção, vou tentar abordar alguns aspectos da natureza humana que você precisa conhecer antes de acreditar em certas promessas que você irá ouvir com muita frequência ao longo da campanha eleitoral desse ano.

Há dois grandes filósofos, John Locke e Thomas Hobbes, que explicam alguns pontos importantes sobre como a humanidade pode viver em harmonia em uma sociedade onde os cidadãos são livres. É necessário dizer que ambos possuem pontos de vista diferentes, mas que convergem para uma mesma conclusão. Vejamos:

Todos os homens estão naturalmente em… um estado de perfeita liberdade para ordenar suas ações e dispor de suas posses e pessoas como julgam correto, dentro do limite da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem… ‘Ele’ não tem liberdade para destruir a si próprio, ou qualquer outra criatura de sua posse… sendo todos iguais e independentes, ninguém pode prejudicar a outrem no que tange a sua vida, saúde, liberdade ou posses (propriedades) (Locke, Segundo Tratado sobre o Governo Civil).

Locke possui talvez uma visão mais “romantizada” do homem. É o que ele chama de “estado de natureza”, que requer constante vigilância contra aqueles que a violam.

Locke acredita que é impossível para os homens permanecer nesse estado natural de liberdade. Essa utopia natural é despedaçada pela constatação de que cada individuo não pode proteger sua liberdade e tampouco punir os transgressores por contra própria. Assustado por essa constatação, os homens assumem um compromisso que os vincula a uma sociedade civil, onde cada um submete-se à vontade do Estado e perde o controle sobre a sua vida e sua propriedade em favor das necessidades e demandas do bem comum. A humanidade sacrifica sua liberdade por uma sociedade onde impera a regra da maioria, de característica menos livre, defendida, atualmente, pelos políticos conservadores e democráticos.

Já Hobbes possui uma visão, digamos, menos romântica do homem. Ele enxerga o homem como um ser egoísta, buscando um simples objetivo: a satisfação dos desejos humanos. O homem, segundo ele, age respondendo a estímulos:

O homem age para criar e possuir coisas que a máquina humana “sente” que são boas. Alguma coisa é “boa” se satisfaz ao apetite. O apetite é definido por cada individuo independentemente, e a satisfação do apetite é uma questão pessoal.  O apetite é egoísta, e o homem, esforçando-se para satisfazer tal apetite, também é egoísta. Cada indivíduo, egoisticamente, esforça-se para satisfazer seu próprio apetite, mesmo até o ponto de privar outro individuo de sua satisfação. O “Direito natural” / direito da natureza diz que cada homem está livre para usar seu próprio poder, como a sua vontade comandar, para preservar sua própria vida e exercer seu “direito a tudo, mesmo ao corpo de outrem”.

Essa busca constante pela satisfação dos seus próprios desejos através do seu esforço pessoal leva a um estado de guerra, onde os homens destroem uns aos outros em busca das coisas prazerosas a si mesmos.

Contudo, o próprio Thomas Hobbes visualiza o homem evitando tal estado de caos natural e, ao invés disso, chegando a uma condição de sociedade civil. É possível que a sociedade civil possa claramente refletir uma sociedade libertária livre.

Ou seja, de certa forma, a sociedade civil de Hobbes se aproxima do estado de natureza de Locke:

O mais forte de todos os apetites dos homens é o desejo pela vida e segurança; a mais forte das paixões dos homens é o medo da morte e danos. É esse apetite, ou paixão, que faz o homem renegar seu poder – seus meios pessoais para alcançar coisas prazerosas – e viver pacificamente com seus vizinhos (compatriotas).

“A lei natural” ou “a lei da razão”, surge das dificuldades que o homem encontra no estado de natureza. O homem percebe que querer “poder e mais poder” ameaça a sua própria vida, e percebe que a segurança pessoal é um pré-requisito para qualquer criação ou posse de coisas prazerosas e satisfatórias. A primeira “Lei Fundamental da Natureza” é procurar a paz e viver em paz, mas também estar preparado para se defender de qualquer pessoa que ataque a paz e contra aqueles que a pregam. Para Hobbes, a paz e a autodefesa caminham juntas. Hobbes vê a paz como a forma mais sublime de auto-defesa ou auto-preservação; defender a paz é meramente a defesa da forma mais sublime de auto-preservação.


Bem, mas você vai me perguntar: pô, Zuza, o que isto tem a ver com as eleições? Desde quando estudar filosofia diz respeito à política? Oras, filosofia tem TUDO a ver com política, então se você não começar a estudar e entender um pouquinho a mais sobre a nossa existência, sobre conhecimento, sobre a nossa mente, você continuará sendo presa fácil de quem domina o assunto.

Mas por que estou abordando esses pontos aqui?

Porque é fundamental que todos entendamos a importância de, em primeiro lugar, primarmos por uma sociedade livre. E também é necessário entender que liberdade implica em responsabilidade. E essa não é uma discussão política, pois isso se aplica a todas as esferas da vida.

É importante que você defina para si e para a sociedade em que vive qual é a dose de liberdade e responsabilidade que você deseja. Quanto mais liberdade (e, consequentemente, responsabilidade!) você quiser para os cidadãos, menos poder você demandará aos políticos que você irá eleger. Quanto menos responsabilidade (e, obviamente, liberdade!) você quiser para si, mais poder você irá delegar aos seus políticos para que eles sejam responsáveis pela solução dos conflitos e dos problemas existentes na sociedade.

Não sei você, mas eu particularmente não confio em políticos, então quanto menos poder eles tiverem em mãos para resolver os meus (e os seus) problemas, melhor. Faz sentido?

 

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