A era do “Curtir e Compartilhar”

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Há um tempo atrás escrevi esse texto aqui, ó. Queria usar a primeira parte dele (até o vídeo do Clarion) como introdução para esse post de agora.

Tenho reparado, no meu Facebook, a quantidade crescente de posts propagando notícias e histórias falsas. E olha que eu nem sou o cara mais esperto do mundo, e nem de perto o mais inteligente. Porém, o meu olhar crítico para alguns detalhes me permite sacar, logo de cara, quando um post é falso.

O principal motivo dessa propagação de posts falsos está na necessidade dos indivíduos modernos em se fazerem notados. É a vontade de compartilhar e ter um post curtido. É a necessidade de expor a sua opinião, de se mostrar indignado com alguma situação ruim, ou admirado com um fato bom.

O problema disso é que, nem sempre, a opinião é baseada em fatos; ou nem sempre a situação ruim é verdadeira; ou nem sempre o fato relatado realmente ocorreu.

Eu não acho, sinceramente, que as pessoas que compartilham essas coisas falsas façam isso de má fé. Mas também não acredito que elas estejam de fato interessadas em checar se as informações são verídicas ou não. Já cansei de ler a frase: “Não sei se é verdade ou não, mas achei por bem compartilhar”. O tempo gasto para digitar a frase é o quase o mesmo gasto, em tempos de Google, para checar as informações.

De qualquer forma, eu vou colocar algumas dicas aqui valiosas para que você identifique, rapidamente, se algum texto é verdadeiro ou não, antes de sair compartilhando por aí:

  1. Verifique se há uma fonte confiável e conhecida. Se o texto estiver publicado em um blog qualquer (WordPress, Blogspot, etc.), verifique se o mesmo faz referência a uma fonte concreta. Senão, esqueça.
  2. Verifique sempre a autoria do texto. Procure informações sobre o autor. É fácil identificar se foi ele mesmo quem escreveu o texto.
  3. Procure palavras-chave no seu texto que denunciem um possível hoax (boato): ATENÇÃO!; DIVULGUE AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL!; NÃO SEI ONDE ACONTECEU, MAS…; OS ENVOLVIDOS NÃO PODEM SER IDENTIFICADOS; OS ENVOLVIDOS PREFEREM SE MANTER ANÔNIMOS; EU ESTAVA LÁ, FOI LINDO!; A ANS E A ANVISA (ou qualquer outros órgãos regulamentadores) JÁ RECONHECERAM…; etc. As chances do seu texto ser falso são gigantes!
  4. Cuidado com as fanfics. Hoje em dia elas estão amplamente espalhadas por aí.
  5. Procure acompanhar os excelentes sites do Sensacionalista, Joselito Müller e Piauí Herald. São mestres na arte de criar notícias falsas engraçadas e que parecem reais, embora hoje enfrentem uma concorrência brava do mundo real. Se você não é bom de sacar ironia, muito provavelmente já compartilhou algum texto deles achando ser verdadeiro.
  6. Quanto maior o número de termos técnicos e específicos do texto, usados para chocar, maiores as chances do texto ser falso.
  7. E se o seu texto analisado passar por todos os testes anteriores, mesmo assim cheque sua autenticidade no site E-Farsas. Os caras são praticamente infalíveis!

E por favor: resista à tentação do compartilhar!


Em tempo:

  • Suzane von Richtofen não está em liberdade condicional e nem é presidente de comissão nenhuma na Câmara;
  • A foto do bebê dentro da bolsa de líquido amniótico que não estourou é verdadeira, mas a história da mãe com HIV é falsa;
  • Nem Dilma e nem Alckmin aumentaram o valor do Auxílio Reclusão;
  • Ladrões não estão dando chaveiros de brinde em postos de gasolina para rastrear seu carro.

Desculpa aí se você já foi enganado com alguma dessas histórias… ¯\_(ツ)_/¯

 

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