O mundo precisa de silêncio

Publicado: 19 de janeiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Sou de descendência italiana. Naturalmente, falo bastante e, confesso, em um volume acima da média. Necessito estar sempre me policiando. Se há algo que eu não gosto é de incomodar as pessoas.

No entanto, há uma coisa importante nesse aspecto. Há uma diferença grande entre a esfera privada e a esfera pública. Uma coisa é você estar em casa, ou na casa de parentes e amigos próximos, em uma reunião privada de pessoas, em um grupo restrito. Outra coisa bem diferente é você estar em um ambiente público, cercado de pessoas que não fazem necessariamente parte do seu grupo. No primeiro cenário, meu grau de ponderação é bem menor que no segundo.

Eu fico impressionado como, em dias atuais, as pessoas perderam a referência do espaço em que se encontram e, assim, acabam agindo de maneira igual tanto no privado quanto no público.

Já escrevi várias vezes aqui nesse espaço sobre a questão do respeito. Hoje em dia, talvez esse seja o ingrediente mais em falta na sociedade.

É incrível como as pessoas não conseguem mais se manterem reservadas em um ambiente aberto, cheio de gente, em uma cidade como São Paulo. Não há, definitivamente, o espaço para o silêncio, para a discrição. Seja no transporte público, em um restaurante, na empresa, ou mesmo em um hospital, a moderação está em falta. É a conversa constante no celular, em volume estratosférico, de fazer corar até um cara como eu. É a conversa sobre assuntos íntimos (e às vezes indiscretos, nojentos e estúpidos) com o colega do lado, sem parar. São as gargalhadas histéricas. É o vídeo recebido no grupo do Whatsapp exibido no celular em alto volume. É a gravação daquela mensagem de voz para seu amigo que não pode esperar até você chegar no carro.

Será que ninguém se pergunta se está incomodando os demais ao redor? Será que ninguém se pergunta se mais alguém está interessado no assunto da conversa, além de si mesmo e da pessoa do outro lado (ou mesmo se a outra pessoa está interessada)? Será que ninguém se pergunta se aquela ligação não pode aguardar até estarmos em um ambiente privado e tranquilo?

Devíamos dar mais valor ao silêncio, aos momentos de introspecção. Por que não aproveitar aquele momento em que não se tem nada para fazer e ler um livro? Ou estudar um assunto novo, interessante? Ou mesmo, se nada disso lhe interessar, que tal aproveitar seu tempo simplesmente para não incomodar quem está ao seu redor?


Texto inteiramente dedicado a uma das poucas leitoras assíduas desse espaço, minha amiga Luciana Garcia. Adorei a dica!

 

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comentários
  1. Luciana disse:

    Põe assídua! Confesso que sou fã, e invariavelmente os textos sempre corroboram com minha maneira de pensar. Além de virginianos, temos mais coisas em comum: a chatice, e o olhar crítico pras coisas que incomodam muita gente… 😉

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  2. Esses dias vi uma palestra, onde tomou-se como referência aquela frase bíblica ao se referir a João Batista que ele é a voz que clama no deserto…e sabemos que deserto é silêncio e solidão, logo imagine a dificuldade de clamar lá alguma coisa. Nesta palestra já afirmou que hoje é o contrário nossa luta para sermos ouvidos não é no deserto onde não há ninguém e nem som, é num mundo cheio de barulho demais, de gente que quer falar demais, opinar demais etc.

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