Sobre o ENEM

Publicado: 27 de outubro de 2015 por Kzuza em educação
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Ah, nosso glorioso sistema de educação, sempre nos mostrando que as previsões para o futuro do nosso país são cada dia piores.

Quando eu vejo as discussões acerca do Exame Nacional do Ensino Médio, realizado no último final de semana, tenho sérios momentos de reflexão tentando imaginar para onde é que estamos caminhando. Prevejo um futuro negro, infelizmente, pois não consigo enxergar avanço algum no que tange a uma das principais bases de uma sociedade digna: a educação.

Com exceção a poucas mentes iluminadas às quais tenho grande prazer em ter acesso, como Leandro Narloch e Alexandre Borges, basicamente as discussões são polarizadas entre feministas frustradas e conservadores intolerantes. As primeiras louvando os temas abordados pela prova, os segundos revoltados com a abordagem de temas de esquerda na prova.

Eu, no entanto, acho que houve uma sacada genial dos organizadores do exame de modo a criar justamente esse tipo de discussão irracional e desviar as atenções do que realmente está em jogo. Devo tirar o chapéu para a esquerda. Nesse cenário de guerra ideológica, eles são mestres.

Veja bem, não há mal nenhum em citar um texto de Simone de Beauvoir e pedir aos alunos associá-lo a um movimento social. Da mesma forma, não haveria mal nenhum em citar uma fala de Hitler e pedir aos alunos associá-la ao movimento nazista. Isso não faz do examinador um feminista, assim como não o faria nazista. São conceitos históricos, oras bolas! É óbvio que devem ser abordados.

Também não há mal nenhum em colocar como tema de redação a violência contra a mulher. Oras, todos sabemos que esse é um assunto de extrema relevância e em pauta desde que a sociedade acordou em relação a assuntos que até então eram tabu.

Esses fatos isolados não caracterizam a tal doutrinação ideológica que tanto estão dizendo por aí.

O que pouca gente vê, ou vê e não se importa, é a ausência de outros temas em toda a grade curricular e, consequentemente, em exames como esse. Um exame sobre temas atuais como se propõe a ser, por exemplo, deveria citar aspectos relacionados à atual crise institucional pela qual nosso país passa. Também não lembro de ter visto, ao longo de toda minha formação educacional, nenhum tipo de referência a autores de direita, como Mises, Hayek ou Thomas Sowell.

Um sistema educacional que aborda apenas um ponto de vista jamais formará cidadãos com pensamento crítico. Não é de se espantar que pioramos nossa posição no ranking mundial de educação a cada nova avaliação. Não oferecemos aos estudantes a opção de analisar, de pesquisar, nem mesmo de ter contato com autores que pensam diferente dos autores tradicionais de esquerda, tão adorados por Paulo Freire e seus discípulos comandantes da educação no país.

Não obstante a abordagem ideológica unilateral do exame, o que já seria um motivo para deixar qualquer um espantado, a prova ainda apresentou erros técnicos que, propositalmente ou não, fazem-me pensar sobre a seriedade desse país. Você pode entendê-los melhor aqui:

Dessa forma, caros amigos, temei-vos. E vejam que o problema mencionado por mim aqui não diz respeito ao viés das ideias disseminadas pelo nosso sistema de ensino, mas sim da unilateralidade. Se quisermos realmente uma sociedade pensante, crítica e pluralizada (a esquerda adora esse termo), temos ao menos que possibilitar a todos conhecerem um segundo lado da história. Caso contrário, é sim doutrinação pura, independente da nobreza do tema.

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