O alvo errado

Publicado: 15 de junho de 2015 por Kzuza em Comportamento, liberalismo
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Parada-Gay-patrocínio

Eu estava me preparando para escrever hoje sobre a Parada Gay de São Paulo no último domingo e toda essa polêmica sobre a utilização de símbolos cristãos como meio de protesto e tals. Mas aí acabei lendo um texto no blog do Instituto Liberal, de autoria de Lucas Berlanza, que disse quase tudo o que eu iria dizer aqui (e com uma qualidade muito superior ao que eu seria capaz de produzir). Então resolvi somente comentar alguns trechinhos aqui.

Foram visíveis, sobre carros de som e desfilando em meio à festança animada, imagens desqualificando motivos cristãos. Um transexual ensanguentado e crucificado, como que a representar os gays sendo massacrados pelos “homofóbicos cristãos”, foi a mais emblemática, a se somar a um histórico já longevo de provocações estúpidas e achincalhes com a crença religiosa da maior parte da população.

[…]

Os afobados em distorcer já virão logo dizendo: “seria você mais um obscurantista defendendo a censura?” De jeito algum! Manifestem-se! Gritem as bobagens ofensivas que quiserem, demonstrando a todos o quanto são baixos! Os “não-me-toques” infantis do politicamente correto estão, em sua esmagadora maioria, com o “outro lado”. Isso, diga-se de passagem, a despeito de o artigo 208 do Código Penal determinar que esse tipo de escárnio público é crime, concorde-se ou não com a legislação.

Entretanto, façam isso com recursos privados! Uma vez mais, os “pseudo-defensores” dos oprimidos e da “vontade popular” se utilizam dos recursos públicos, dos pagadores de impostos, para impor agendas e ofendê-los.

Bem, o primeiro ponto foi certeiro. Se uma causa fosse realmente nobre, digna de apoio popular, não seria bom senso imaginar que essa causa conseguiria apoio e financiamento particular para o evento? Por que motivo o governo então se interessaria em financiar algo assim? Quais são os reais interesses por trás disso?

“Não é um insulto”, alegam os iluminados. “Trata-se de uma metáfora para o sofrimento dos homossexuais, crucificados e mortos todos os dias. É arte”. A bandeira é nobre; infelizmente há muita perseguição aos homossexuais, especialmente em países dominados por teocracias islâmicas ou regimes autoritários simpáticos ao nosso atual governo. O governo, diga-se de passagem, do partido do prefeito paulista, Fernando Haddad, que se orgulhou de ter patrocinado o “evento educativo” deste domingo.

O que eu fico mais indignado é que esse tipo de manifestação erra o alvo ao usar como ferramenta da metáfora justamente um símbolo do cristianismo. Faria muito mais sentido usar algum símbolo do islã, esse sim que prega a execução de homossexuais inclusive no seu próprio livro sagrado.


Demorei tanto para terminar o post que apareceu um outro texto, ainda melhor, de Catarina Rochamonte sobre o mesmo tema. As melhores passagens são:

O homossexualismo não diz respeito à esfera pública, não precisa levantar bandeiras e nem seria necessário militância partidária alguma ou mesmo agremiações em favor dessa causa caso fosse tratado como aquilo que efetivamente é: uma opção de exercício da sexualidade baseada em certas disposições orgânicas.

Fato.

O problemático aqui é também a relação equivocada que tem se estabelecido entre o público e o privado. Que tenho eu a ver com a sexualidade alheia? Por que o Estado, com o dinheiro dos meus impostos, precisa fomentar o show daqueles que resolveram colocar a sua sexualidade na vitrine? Se a homossexualidade for, para determinada pessoa, a opção saudável, a opção correta, se representa para ele o ato de liberdade individual cuja execução não violará o direito dos outros, então eu nada tenho contra ele e o respeito como respeito todos os demais; no entanto, se um indivíduo cuja opção  sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo, pois o que respeito é a soberania moral de cada um no exercício da sua liberdade, no âmbito doméstico e privado que lhe é próprio.

Liberdade, pacto de não-agressão… é exatamente esse o cerne da questão, e não o homossexualismo em si.

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comentários
  1. Kbça disse:

    Onde está escrito “se um indivíduo cuja opção sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo” pode-se substituir o termo “opção sexual” por “etnia” ou “condição social” sem perder o sentido da frase.

    Curtir

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