NBA e o mercado

Publicado: 21 de maio de 2015 por Kzuza em Esporte, liberalismo
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Eu sou um grande fã de basquete e, como não poderia ser diferente, um amante do melhor basquete do mundo: a NBA. Não me lembro exatamente quando foi que comecei a assistir os jogos, mas eu lembro que foi mais ou menos em 97, quando o Tim Duncan ganhou o primeiro título com o Spurs junto com o David Robinson (as chamadas “Torre Gêmeas”). Não à toa eu passei a simpatizar com o time, e é quem eu mais acompanho desde então.

Lembro que no início era difícil acompanhar os jogos. Na TV aberta, acho que só a Bandeirantes transmitia uma ou outra partida. A internet ainda engatinhava aqui no Brasil. Não havia mídia especializada. Apenas o jornal Lance!, que eu me lembro, trazia notícias sobre a liga.

Enfim, o tempo passou, a TV por assinatura chegou lá em casa, a internet evoluiu, e acompanhar a NBA passou a ser algo relativamente tranquilo. Nada parecido com os EUA, onde 3 ou 4 canais transmitem simultaneamente 24 horas de NBA por dia, 7 dias por semana. Lá você pode perfeitamente assistir a um Sacramento Kings x Minnesota Timberwolves, às 16h, de maneira tranquila.

Aqui no Brasil, inicialmente, apenas a ESPN tinha os direitos de transmissão da temporada. Há alguns anos, o canal Space também passou a transmitir alguns jogos. E esse ano, no meio da temporada, para alegria de nós fãs de basquete, a Sportv também entrou na jogada, transmitindo uma quantidade de jogos superior à da ESPN. Para quem assina a Sky, tem também o canal Sports+ (recentemente foi anunciado que o canal irá ser extinto, infelizmente) que transmite uma quantidade absurda de jogos.

Bem, resumidamente, para quem acompanha a liga, esse foi o ano dos sonhos. Só para dar um exemplo, 100% dos jogos de playoffs a partir das semi-finais de conferência foram transmitidos aqui no Brasil, espalhados pelos canais citados anteriormente.

Mas que lição podemos tirar disso?

O basquete já foi o segundo esporte preferido dos brasileiros. Até o fim dos anos 80 e início dos anos 90, só perdia para o futebol. Com o advento do vôlei e a medalha de ouro em Barcelona 92, a coisa começou a mudar de figura. A aposentadoria de grandes jogadores como Marcel, Oscar e Guerrinha acabou por sacramentar a queda do esporte no gosto popular.

No entanto, nos últimos anos, a ascensão de jogadores brasileiros à elite do basquete mundial trouxe de volta o esporte aos holofotes. A eleição de Leandrinho Barbosa como melhor sexto homem da liga na temporada 2006-07 e o título de Tiago Splitter com os Spurs na última temporada são alguns exemplos.

Obviamente, isso atraiu a atenção dos empresários. Não é à toa que muita gente passou a se sentir tentada a transmitir as partidas, tendo em vista o crescente interesse do público. A Sportv é um claro exemplo disso. Além de tudo, a emissora deu uma sorte (???) tremenda por encarar, logo no seu primeiro ano, os melhores playoffs dos últimos anos, com excelentes jogos sendo decididos no último segundo, e séries de disputa chegando muitas vezes ao 6º ou 7º jogos (as finais são disputadas em séries de melhor de 7 partidas: quem vence 4 jogos, passa de fase).

Conclusão: negócio bom para as emissoras (alta audiência = mais anunciantes e mais dinheiro), negócio bom para o público fã da NBA (cada vez mais opções de jogos).

Aí ontem fiz uma pergunta: e se o Estado fosse responsável por regular o que os canais de esporte transmitem?

Tenho uma lista de hipóteses:

  1. Haveria uma cota de partidas nacionais a serem exibidas (mesmo que a qualidade delas fosse péssima, o público não se interessasse e não houvesse anunciantes).
  2. Haveria restrição de horário e do número de partidas de torneios internacionais exibidos na TV, de forma a fomentar o esporte nacional e proteger nosso esporte contra a invasão estrangeira.
  3. O som ambiente das partidas deveria ser cortado, de forma que não se pudesse ouvir gritos da torcida que incitam o ódio.
  4. Jogadores com apelidos pejorativos (como Neguinho, Japa, Baleia, Buiu, Pretinha, etc.) precisariam trocar de alcunha para que a TV pudesse dizer seus “nomes” sem soar como preconceito.
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