Terceirização, medo e alienação

Publicado: 14 de abril de 2015 por Kzuza em Economia, liberalismo
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Estava aqui relutando em escrever a respeito da PL 4330/2004, que regulamenta a terceirização de atividades fim pelas empresas, mas hoje vi o post abaixo na minha timeline, escrito por um amigo meu:

celão

Não pude me conter. Vou ser obrigado a escrever sobre o assunto, embora o post acima já diga muita coisa do que penso.

Bem, em primeiro lugar, eu já escrevi aqui sobre a CLT e sobre por que eu sou a favor da flexibilização da mesma. Mesmo assim vou continuar dando a minha opinião.

O fato é que o Estado joga para o empresariado, para o capitalismo e para tudo o mais que estiver a seu alcance a responsabilidade por não resolver os problemas que ele mesmo cria. E aí o Estado apresenta-se como salvador dos problemas criados por ele mesmo, e muita gente cai nessa cilada. Só que, para solucionar esses entraves, o Estado exige então de você, cidadão comum, uma colaboração involuntária, seja através de votos que elegem políticos que dizem defendê-lo dos patrões (aqueles diabos que acabam com sua vida diariamente!), seja através de mais impostos diretos ou indiretos que você acabará pagando.

Em suma, há um pensamento quase homogêneo na nossa sociedade (embora eu não esteja nesse meio e conheça muitas pessoas que felizmente não pensem assim também) de que patrões são ruins por só pensar em aumentar seus lucroso Estado é a única entidade que pode nos salvar da opressão dos patrões.


Pausa para uma reflexão: outro dia a casa de repouso onde minha avó, com Alzheimer, está internalizada completou 2 anos de atividade. A dona da casa de repouso fez uma festa para comemorar, e fez questão de reunir todos os funcionários. Minha mãe achou bacana o fato da dona e sua família terem tirado foto com todos os funcionários, pois segundo ela a clínica só funciona graças a eles. E completou: é uma relação de cumplicidade; a clínica depende dos funcionários, e os funcionários dependem da clínica para viverem.


Enfim, eu acho perfeitamente compreensível que os patrões pensem sempre em aumentar seus lucros. Eu mesmo faço isso também, embora não seja patrão, e também não conheço um único cara que não pense o mesmo. A diferença, na verdade, entre todos nós, é a forma como procuramos fazer isso. Há alguns que preferem roubar. Outros preferem explorar outras pessoas, usando para isso a força. Tem gente que prefere trabalhar mais, fazendo horas-extras no trabalho ou um “bico” por fora. Há até quem troque de turno de trabalho para receber um “adicional noturno”. Enfim, há diversas maneiras, algumas morais, outras imorais. O fato é que TODOS nós desejamos ganhar mais dinheiro.

O problema maior é que temos uma cultura que cultua o “mais por menos”. Queremos sempre mais, fazendo cada vez menos. Nem todo mundo está disposto a abrir mão de algumas coisas hoje (direitos, tempo, dinheiro, etc.) para colher frutos futuros. Não temos a cultura do investidor. O brasileiro é um povo que cultua o agora, o momento, e pouco se preocupa com o futuro. Olhe ao seu redor e comprove o que estou falando.

Dessa maneira, qualquer coisa que modifique o status quo é imediatamente apontada como ameaça. Mas será mesmo que a terceirização é uma ameaça, como tenta induzir esse artigo aqui, da Carta Capital? Dos 9 motivos apresentados, 5 deles possuem os verbos “dever” ou “poder”, indicando uma suposição.

Eu prefiro ter uma outra leitura, como esse artigo aqui. Acho que reflete um pouco melhor a realidade da coisa. Tem um outro aqui também bem bacana, para você ler um ponto de vista diferente.

O fato é que pouca gente entende que a relação do patrão forte versus empregado fraco só ocorre justamente porque nossa economia é extremamente fraca e pouco diversa. Temos uma indústria cada dia mais fraca e ultrapassada, com empregados cada vez menos produtivos e menos competitivos. Não há incentivo ao empreendedorismo no país. O governo sufoca o empresariado que, por sua vez, sufoca os empregados. Alta carga tributária, burocratização exagerada, infraestrutura fraca, entre outros, são fatores que cada vez mais suprimem nosso crescimento. E qual o resultado disso? A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, o lado do trabalhador.

Há um texto bem curtinho aqui que mostra exatamente isso. Sem prosperidade, ninguém ganha.

Mas ainda querem te convencer que o cara mau da situação é o empregador, e não o governo. E muita gente cai nessa falácia.

Agora imaginem um lugar próspero, onde a livre iniciativa predomina, onde o emprego é abundante e a diversidade econômica é grande. Você acha que nesse lugar, o poder do empregado é maior ou menor do que aqui no Brasil, por exemplo? Você acha que patrões não irão querer pagar melhor seus bons funcionários, com medo de perdê-los para os concorrentes? Você acha que empresas que oferecem melhores condições de trabalho não irão atrair os melhores profissionais para trabalharem para ela? Você não acha que haverá, dessa forma, mais incentivo ao empresariado para reter seus talentos e remunerá-los melhor?

Aqui no Brasil hoje em dia esses incentivos são baixíssimos. Isso porque os patrões sabem que o emprego é raro. Sabem que uma pessoa tem medo de ficar desempregada e então faz qualquer coisa para ficar no trabalho, mesmo em condições ruins, mesmo com salários baixos. Sabem que a concorrência não é vasta o suficiente para “roubar” seus melhores profissionais e levá-los para trabalhar com ela. E isso não é culpa do empresariado, é apenas uma situação cômoda da qual eles se aproveitam, contando para isso ainda com o apoio do governo.

O problema do Brasil é esperar direitos antes de ter deveres. É esperar benefícios antes de fazer por merecer. É esperar um crescimento econômico sem antes se esforçar. É priorizar o fim e não os meios. É querer retorno sem fazer investimento.

Lutar por mais direitos trabalhistas em um país com uma pífia estrutura governamental, com péssima educação e o pior sistema tributário do mundo, é continuar dando tiro no próprio pé.

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