Sobre privatizações

Publicado: 8 de março de 2015 por Kzuza em liberalismo, Política
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Eu fiz a promessa, e agora estou cumprindo.

Um amigo meu, esquerdista convicto (pero no mucho), colocou a seguinte postagem no Facebook essa semana:

1504961_783136078423328_7525420481368871738_nObviamente, uma boa piada, mas típica de quem está mais preocupado em espalhar a provocação por aí do que propriamente em discutir a fundo o problema.

Eu poderia resumir o meu texto com a resposta que um outro amigo dele deixou por lá:

Falta privatizar a Anatel; desregular o mercado; isentar o mercado, para que haja uma enxurrada de empresas pequenas. Isso por si só é um temor para a aristocracia corporativista. A livre concorrência não funciona com a intervenção do estado; por que vira corporativismo o que favorece só os mais ricos.

Corrupção só é ruim para mim se for com o meu dinheiro (dinheiro público), se não for, não é de meu interesse. Corrupção em empresas (públicas e privadas) só favorece o aumento de preço, vide Petrobras – nesse caso o governo vem com nosso dinheiro e cobre o rombo; no caso de uma empresa privada é falência. Em um mercado de livre concorrência o aumento de preço é punido, pois há alguém que oferece o mesmo serviço por um preço menor; sendo sua obrigação procurar a relação custo-beneficio. As empresas pequenas tem o trabalho artesanal, tem uma estrutura menor e por atender consumidores da região podem cobrar um preço menor; o custo de produção é menor.

O negócio é quebrar o monopólio de poder do Estado, que favorece os grandes corporativistas. E deixar que ocorra uma enxurrada de empresas no mercado. Os ricos vão tremer!!!!

OBS: O mercado por si não permite o monopólio e o enriquecimento por uma elevação desmedida do lucro; veja o mercado de artesanato que nunca foi, e jamais será regulado no Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=cmyPDjJ4l7o

O grande problema da liberdade econômica, ao meu ver, é conciliar tudo à sustentabilidade. Mas você sempre terá liberdade de escrever livros, distribuir panfletos, escrever no Facebook, pregar na esquina de casa, enfim, organizar boicotes contra certos setores do mercado. Mas nunca tirar a liberdade de um homem de produzir, consumir, e boicotar o que quiser.

Tirar a liberdade de todos é dar o monopólio a alguns.

Mas vou preferir escrever um pouquinho mais sobre o assunto.

Em primeiro lugar, a privatização SIM incorre em melhores serviços prestados, invariavelmente. Só não enxerga quem não quer. Isso não quer dizer, necessariamente, que ela por si só incorra em serviços excelentes. É o caso das telecomunicações, exemplo citado na piadinha. Mas eu duvido alguém mencionar um único serviço que tenha piorado após a privatização. Meu próprio amigo reconhece:

O princípio de gerar concorrência no liberalismo eu acho interessante. Pensar que isso motivaria produtos de melhor qualidade e com preços competitivos faz muito sentido. Mas não consigo ver isso muito na prática. Vejo uma espécie de nivelamento, sempre por baixo, dos serviços (vide os planos de saúde, por exemplo) e só.

Sim, claro que o serviço é nivelado por baixo quando o mercado não é livre, e sim regulado pelo Estado. Quando há regulação, como por exemplo através de todas as agências criadas pelo governo (ANATEL, ANAC, ANVISA, etc.), é exatamente isso que acontece. Isso porque esses órgãos não estão aí para proteger os consumidores e exigir melhores serviços, como foi vendido para você. Eles simplesmente protegem as empresas, pois são elas que financiam as campanhas dos governantes. São elas que fazem lobby. Você pode ler bastante sobre isso aqui e aqui.

Em segundo lugar, ao tirar do Estado a administração de empresas cujo serviços não sejam essenciais para a população é o primeiro passo para a redução da corrupção. Sem atuação governamental, sem ladrões metendo a mão no meu dinheiro. Simples assim.

Mas meu amigo também fez um comentário infeliz na discussão gerada pelo post:

Mas temos um caso, descoberto, de evasão de divisas através de um órgão privado [HSBC]. Isso deixou de gerar impostos para o Estado e não deixa de ser corrupção.

Em outras palavras, mesmo que o Estado não esteja no controle de “x” ou “y” empresas, a corrupção não vai acabar. Esse é um problema crônico e que gera um puta debate!

Ninguém em sã consciência é capaz de defender o fim total da corrupção como possível. Isso é utopia. Estamos discutindo aqui maneiras de se reduzir isso, através da eliminação da possibilidade de corrupção (retirada do Estado da administração de serviços não vitais) ou através do desestímulo à mesma (mercados mais livres, novas possibilidades de investimento, facilidade de empreendedorismo, etc.). Usar o caso do HSBC, nessa discussão, é a famosa técnica do espantalho.

Enfim, desafio alguém aqui a apontar um caso onde o Estado é capaz de administrar um serviço melhor do que a iniciativa privada, livre das amarras impostas pelo governo.

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