A destruição da reputação alheia

Publicado: 3 de março de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Dois casos ontem me deixaram chocados.

A Internet e as redes sociais se tornaram um verdadeiro tribunal aberto, onde todos se sentem aptos a julgar e condenar quem quer que seja. E isso tem se tornado extremamente maléfico para nossa sociedade.


O primeiro caso foi o de uma suposta gaúcha que teria “ofendido” os maranhenses com um post no Facebook. Para começo de conversa, já seria uma imbecilidade imensa recriminar a menina pelo que ela disse, pois em momento algum houve crime. O Luciano Ayan escreveu um texto incrível hoje a respeito. Mas para acabar de vez com a história, ainda bem que existe gente crítica e inteligente nesse mundo. Os caras do ReaçaBlog começaram a desconfiar da reportagem logo de cara, como você pode ver aqui. Não levou muito tempo para que a farsa fosse desmascarada. No final do dia, descobriram que o perfil da garota era falso e que a foto utilizada no perfil, no caso, referia-se a uma outra garota de Pinheiral.

O problema todo é que, nesse meio tempo, a reportagem já havia sido compartilhada por muita gente por aí, como um vírus. O tribunal já estava armado e o povo internetês já havia jogado a menina na fogueira, sem mesmo saber quem era ela, tampouco se ela havia realmente dito o que disse. Conseguem entender o tamanho da encrenca?

Lembro-me bem do caso do goleiro Aranha na Arena Odebrecht ano passado. O crime cometido pela garota flagrada xingando o goleiro de macaco foi julgado, antes de tudo, pela tropa reacionária das redes sociais. O resultado? Casa incendiada, perda de emprego, destruição da reputação, etc. Nem mesmo o juiz mais duro seria capaz de deferir uma sentença tão severa.


O segundo caso é o de uma suposta menina que passou mal em uma balada chamada Chess Pub em São Paulo. A garota teria cagado (literalmente!) na pista de dança, o que provocou um rebuliço no local. Recebi algunscentas mensagens via WhatsApp ontem sobre o caso, inclusive várias com as fotos da menina (linda por sinal) e do seu perfil no Instagram.

Sabe o que é terrível nesse caso? Tem gente que acha isso engraçado, cara! Eu não faço ideia de quem seja a garota, nem tampouco se o fato é verídico. Vamos supor que seja, então, verdadeiro; o que levou a garota a defecar naquele lugar?

Não importa, o importante mesmo é destruir a reputação alheia, como se isso fosse um mal necessário. Não bastasse a vergonha que a infeliz naturalmente sentiria diante dessa situação, as pessoas acham realmente necessário expor isso para o mundo todo, para que todos saibam o que ela fez. Como se ela fosse culpada de algo. Como se ela houvesse cometido um crime hediondo, coisa assim.

Eu sinceramente espero que todos os que compartilharam as fotos da garota e as piadas a respeito do acontecido tenham seus filhos expostos a situações ridículas como essa e sofram, arduamente, as consequências dessa exposição. Que seus filhos tenham suas reputações destruídas por essa mesma patrulha do tribunal da Internet. Quem saiba assim, provando do próprio veneno, não possam aprender alguma coisa.


Adendo do Zuza: a mesma lógica se aplica a homens, machões, que compartilham fotos e vídeos de garotas que ‘caíram na Net’ sem consentimento das mesmas. Espero que suas filhas passem exatamente pelo mesmo no futuro, e que vocês vejam a mesma graça e compartilhem com todos os seus amigos.

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comentários
  1. […] A destruição da reputação alheia […]

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  2. Ale disse:

    Trabalho com uma pessoa que é amiga desta menina, da qual acusam ter passado mal na balada. A história é verdadeira, e sim esta moça estava lá, porém não foi ela que passou mal. Além de toda essa reflexão feita por você, muito consciente por sinal, imagine passar por todo esse transtorno e trauma, sendo ainda por cima inocente? Onde vamos parar com os repasses impensados dos virais da internet? Como se as imagens pertencessem à alguem que não merece compaixão e respeito? Sem pensar sequer na veracidade disso? Lamentável.

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    • Kzuza disse:

      Ale, concordo completamente com você. Não deixei claro no texto, mas a minha maior preocupação sempre foi: alguém sabe se foi essa garota das fotos? E se foi, qual o problema? Isso justificaria?
      Como disse hoje, tenho total compaixão pela garota.

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