Je suis petit

Publicado: 30 de janeiro de 2015 por Kzuza em liberalismo
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pequeno

Tenho observado nos últimos tempos uma série de observações feitas por pessoas ao meu redor que têm me deixado bastante preocupado quanto ao futuro da humanidade. Cada vez percebo mais gente mais preocupada com o bem estar geral da sociedade do que em identificar a si próprio individualmente, captando sua essência de ser e entendendo a sua missão na vida. O que deveria ser, ao menos em tese, algo louvável, acaba tomando um caminho inverso e prejudicando gente ao redor.

O tal “fazer bem ao próximo” acaba se sobrepondo e entrando na frente do “conhecer a si próprio”. Ao não nos conhecermos profundamente e não buscarmos, espiritualmente, compreender o significado da nossa vida e da missão da qual fomos incumbidos a cumprir nessa passagem, passamos a nos tornar meros seres a errar por aí, a caminhar sem direção.

Pior ocorre ainda quando nos afastamos, consciente ou inconscientemente, da busca pelo conhecimento. Há uma série de motivos para isso, mas infelizmente vivemos em um país onde o conhecimento e a espiritualidade são cada vez menos valorizados. Buscar iluminar e clarear a mente para novos horizontes é para poucos. Vivemos em um país onde um diploma de curso superior vale mais do que o conhecimento adquirido durante uma vida toda.

E ao nos afastarmos da busca do eu interior e marginalizarmos o conhecimento, fatalmente estamos fadados ao fracasso como sociedade.

Fico realmente preocupado quando escuto gente por aí defendendo causas dita nobres, sejam elas sociais ou ecológicas, apenas pelo discurso bonitinho e sem avaliar, moralmente e cientificamente, quais são as ações que defendem. Talvez pior do que a passividade de um ser pensante é o ativismo de um ser ignorante. Já dizia um velho amigo: “Muito ajuda quem pouco atrapalha”. E é justamente o ser ignorante, imbuído de uma necessidade de ajudar, de ser politicamente correto e socialmente engajado, quem realmente me preocupa. Pois são justamente eles quem são as grandes massas de manobra, manipuladas por seres aí sim mais inteligentes e sagazes, mas que não necessariamente utilizam-se de seu conhecimento para a prática do bem coletivo.

Percebo muita gente procurando posicionar-se a favor de uma, ou várias, causas para então se sentir superiores e com a consciência limpa. É realmente bonito se dizer, por exemplo, a favor das causas sociais (seja lá o que isso quer dizer). É bonito também ser politicamente correto, não se posicionar e nem se aprofundar em assuntos polêmicos, seguindo assim o que a maioria (maioria?) está dizendo ser certo.

Cada vez a opinião pessoal tem se tornado mais irrelevante. Os indivíduos têm sido reduzidos a meros seres vivos sem vontade própria, cujos interesses mais íntimos são suprimidos em prol do coletivo.

Alguém já parou para pensar quem é que define o que é certo ou errado pensar? Ou quais são as atitudes certas e erradas da vida? Seria tudo aquilo que está descrito nas leis? Seriam os princípios escritos na Bíblia, ou no corão?

Partindo do princípio de que eu não estou invadindo a sua intimidade e o seu mundo particular, e também não estou lhe agredindo, poderia eu pensar que estou agindo certo, independente do que eu esteja fazendo?

A questão que eu mais reparo atualmente é que as pessoas perderam a noção do que é liberdade. Há inúmeras definições por aí, mas mais do que palavras escritas em algum lugar, as pessoas perderam a compreensão do conceito de ser livre. Há uma frente quase hegemônica de pensamento onde as pessoas desejam que as outras tenham sucesso em suas vidas, mas não suportam vê-las fracassar. Não haveria problema nisso caso os conceitos de fracasso e sucesso fossem universais. A partir do momento de que o que é bom para mim não necessariamente o é para você, e vice-versa, o clamor pelo sucesso e o pavor do fracasso perdem todo o sentido benéfico e passam a assumir um papel temerário: o de inibidor da liberdade individual.

Talvez você me pergunte o que isso impacta na sua vida e eu posso seguramente lhe afirmar: em tudo! Em uma sociedade onde não se é realmente livre, você e eu passamos a atender às vontades de alguém que irá nos dizer o que é bom ou ruim, o que deve ou não ser feito para sermos bem sucedidos, civilizados e saudáveis.

Para usar um exemplo fácil, vamos supor que você decida dirigir o seu carro nesse final de semana ensolarado. Mas devido ao calor, você queira tirar sua camisa e andar sem cinto de segurança por aí. Por mais que você não faça mal a ninguém com tal prática, além de você mesmo, você seguramente será multado pois alguém estabeleceu que é dever dirigir usando cinto de segurança, mesmo se, caso você não o faça, o único prejudicado será você.

Mas aí você vai me dizer: Oras, se você sofrer um acidente e ficar machucado, será atendido por uma equipe de socorro pública, que irá levá-lo para ser atendido em um hospital público. Então o governo faz bem em tomar ações para proteger o cidadão nesses casos, pois senão gastaria demais com acidentados nos hospitais!

[tic…. tac…. tic….. tac….. tempo para pensar]

Se você conseguiu captar alguma incoerência no raciocínio anterior, talvez você já esteja começando a entender.

Mas talvez você também alegue que isso é um caso isolado. Eu mesmo não vou ficar aqui citando inúmeros outros exemplos para você ver o quanto a sua liberdade pessoal é diariamente podada sem que você note. O Matheus já deu alguns exemplos muito bons aqui ó.

O fato é que há, na sociedade brasileira hoje, um medo generalizado de se responsabilizar pelas suas escolhas e pelas suas atitudes. Queremos um mundo justo e igualitário, mas o queremos para agora, sem nossa participação. Delegamos a busca pelas soluções a pessoas a quem escolhemos, o que nos convém chamar de democracia. Procuramos aqueles com quem nos identificamos e delegamos a eles o poder de escolher o que é melhor para nós, mesmo sem que nós mesmos saibamos o que queremos. Há um bloqueio mental nas pessoas em aceitar arcar com as próprias escolhas, sejam elas certas ou erradas. O sucesso pessoal (esse sim existe, pois é de cada um) é muitas vezes visto como uma vergonha. A felicidade é vista como motivo de inveja. O fracasso, por sua vez, sofre várias tentativas de ser justificado, normalmente por culpa de terceiros. E assim perdemos nossa própria identidade.

Será que somos tão pequenos assim, ou falta mesmo uma busca por algo maior?

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