O estelionato eleitoral de Dilma

Publicado: 23 de janeiro de 2015 por Kzuza em Política
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dilma-15Conheço uma porção de gente que não votou em Dilma Rousseff nas eleições passadas mas que, após os resultados das urnas, apressou-se em dizer: “Ah, mas eu espero que ela faça um bom mandato”. Sempre achei isso completamente incoerente. Como assim “espero” que ela faça um bom mandato? Se você esperasse isso mesmo, não faria sentido ter votado nela? Fiz, na época, um comparativo com o futebol. Soltar uma frase dessas era como um torcedor sãopaulino que esperava que o Paulo Miranda fizesse um bom jogo. Oras, todos sabemos que o Paulo Miranda é um mau jogador, então faz sentido esperar algo diferente dele a não ser jogadas bizarras? Não, como torcedores, nós “torcemos” por algo, por mais improvável que seja. E foi isso que aconteceu no período pós-eleições com essas pessoas aí.

Enfim, o segundo mandato mal começou (a posse foi há exatos 23 dias) e a presidente se vê diante de uma das maiores crises do país. Para quem não acreditava que isso fosse possível, está aí cada vez mais claro o resultado de 12 anos de uma administração desastrosa.

Agora me pego a pensar se essas pessoas que não votaram nela, mas que “esperavam” uma boa administração, estão tão ou mais decepcionadas do que aqueles que votaram na presidente. Talvez a diferença entre esses dois grupos seja que o segundo certamente ainda vai dizer: “Mas com Aécio seria pior”. Sim, infelizmente essa é a única possibilidade na qual alguns se seguram agora: acreditar que fizeram o menos pior para o país. Isso é bastante perigoso, se é que você consegue me entender. Não assumir a responsabilidade pela sua própria decisão e, mentalmente, criar uma hipótese de que teria sido pior tomar um caminho oposto é, na verdade, desonestidade moral.

A estratégia de marketing do Partido dos Trabalhadores está clara agora, só não vê quem não quer. Ataques vêm de todos os lados, dentro do próprio partido, para cima da presidente. Até a revista Carta Capital dessa semana entrou na onda:

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Não conseguiu entender? Eu explico o fogo amigo. Se as medidas tomadas pelo governo nesses 23 dias (aumento na carga tributária, redução de direitos trabalhistas, aumento nos juros, energia elétrica e combustíveis, etc.) não derem resultado, vão botar na bunda de Joaquim Levy e de Dilma Rousseff, preparando o retorno do barbudo em 2019. Caso contrário, caso consigam reverter a recessão através das tais medidas impopulares, o próprio partido se auto declamará o salvador da pátria. (Qualquer semelhança com as profecias feitas por George Orwell em 1984 são mera coincidência.)

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