Sobre greves, demissões e lucro

Publicado: 7 de janeiro de 2015 por Kzuza em Economia
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Ontem os funcionários da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo decidiram entrar em greve após o anúncio de dispensa de 800 funcionários. A empresa alega, como motivo, a redução do mercado automobilístico. O sindicato alega, em seu favor, um acordo feito com a empresa que não permitiria demissões indiscriminadas.

A notícia é nova, o problema é antigo.

Assistindo ao telejornal ontem com o meu pai, ele disse a seguinte frase: “Os empresários não aceitam reduzir os seus lucros, né? Sobra sempre para o lado mais fraco, o trabalhador”.

Meu pai tem razão.

Agora vamos pensar… será que todos nós não somos iguais?

[tic…. tac…. tic…. tac….]

Imagine a seguinte situação. Sua empresa vai mal. Sei lá, uma crise econômica grave, um diretor incompetente, um fornecedor que quebrou, etc. Seu chefe lhe chama numa salinha e abre o jogo:

“Caro amigo, temos más notícias: a nossa empresa vai de mal a pior. Vamos precisar cortar gastos para sobrevivermos. Temos que contar com você. Há duas opções: podemos mantê-lo empregado e demitir o seu companheiro de serviço que ganha metade do que você, ou reduzir seu salário para equipará-lo ao dele. Qual sua escolha?”

Se sua escolha for a primeira, você sucumbiu. Já era.

Se você escolher a segunda alternativa, muito provavelmente será por apenas um período de tempo. Você voltará para sua sala e começará a atualizar o seu currículo. Irá atrás de um outro emprego. Dane-se o que você já construiu na sua empresa ou o que ela já fez por você, você vai querer manter seu padrão de vida. Suas contas vão continuar chegando e, com um salário menor, você não vai ter como sobreviver. O jeito é abandonar o barco e buscar alguma outra coisa que lhe traga, pelo menos, os mesmos rendimentos que o seu atual emprego até então lhe proporcionava.

Em resumo, ninguém aceita ganhar menos para simplesmente ajudar os outros.

Então qual a diferença entre nós, trabalhadores, e eles, patrões?

Você talvez poderá cair na armadilha de dizer: Oras, mas para meu patrão manter seus lucros, ele precisa demitir muitas pessoas e, assim, prejudicá-las. Eu não prejudico quase ninguém! Bem, talvez somente a escala econômica seja diferente.

Ou também poderá argumentar que: Mas ele é muito rico! Pode abrir mão de uma parte da sua fortuna para dividi-la! Olha, eu também acho que isso pode acontecer. Podemos obrigá-lo, de alguma forma, a repartir esse dinheiro e deixar de ser tão rico para ser menos rico. O que analiso é o impacto futuro disso. Veja bem: quem se sentirá tentado a acumular riqueza no futuro? Em outras palavras, a riqueza só pode ser “confiscada” em um único momento, não para sempre.

Veja só… alguma vez você já parou para pensar por que uma pessoa resolve empreender? Um indivíduo só abre uma empresa com um objetivo: ganhar dinheiro. E mais: ele só empreende para ganhar mais dinheiro do que ganharia aplicando o seu capital em um banco e obtendo rendimentos. Sim, porque ser dono de uma empresa é muito mais difícil do que você pode imaginar. Ninguém, em sã consciência, iria se dar ao trabalho de se tornar um empresário para ganhar menos dinheiro do que ganharia se estivesse sentado no seu sofá com sua grana aplicada em um fundo de renda fixa em algum banco qualquer. Ninguém empreende somente pela promoção do bem-estar social, para empregar trabalhadores e proporcionar a eles uma vida mais digna. Isso somente faz parte do processo de enriquecimento.

Oras, mas você já pensou o que aconteceria se desestimulássemos as pessoas a ficarem ricas? Já pensou se fosse mais rentável aplicar o dinheiro no banco, ao invés de trabalhar aplicando esse capital em uma empresa?

Eu ainda acredito que fomentar o empreendedorismo é a melhor forma de distribuir riqueza. Sinceramente não me incomodo com grandes empresários milionários. Eu quero que eu mesmo consiga chegar lá e ganhar muito dinheiro. Aliás, quero que você e qualquer outro que esteja disposto a se esforçar, trabalhando e se capacitando, ganhe muito dinheiro também. Mas quero que isso seja pelo nosso próprio mérito, e não pelo confisco do dinheiro alheio.

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comentários
  1. Mathias disse:

    Nesse vídeo Milton Friedman é questionado sobre a redistribuição de renda e acaba tocando no assunto de incentivos, tem muito a ver com o post!

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