A caça aos fumantes de cigarro… os aplausos aos fumantes de maconha.

Publicado: 2 de janeiro de 2015 por Mathias em Comportamento, Política
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Em sua coluna na Folha de 13/12/2014, Drauzio Varella ovaciona a nova lei antifumo, que proíbe o fumo em mais locais públicos.

Nessa outra reportagem defende a legalização da maconha,

No vídeo abaixo o mesmo diz que ninguém morre por fumar maconha, que não se deve ensinar as crianças que drogas são ruins e que usamos drogas para nos livrarmos da realidade opressora.

No programa Bom Dia Brasil a reportagem, sobre o assunto da lei antifumo, entrevista pessoas comuns e pergunta a opinião delas sobre a lei:

– Eu acho que não podia fumar de jeito nenhum.

– Ótimo. Vou parar de fumar passivamente.

– Tem muita gente que é sem educação, fuma perto da gente, a gente fica incomodado, acaba se retirando do local, é muito ruim.

A opinião médica:

– Vai ser um incentivo para que o fumante venha a mudar o seu comportamento. E ao mesmo tempo se proteger. Porque quando ele fuma em um ambiente fechado, ele está fumando duas vezes.

O ponto de vista de um dono de estabelecimento:

Se a pessoa estiver fumando no restaurante em uma área onde é proibido, ela não será alvo de fiscalização. O estabelecimento comercial que é o responsável por manter o ambiente livre de tabaco. Se houver desrespeito, a multa é para o empresário.

O dono de restaurante Rodrigo Freire já tinha adotado a norma no restaurante dele. Agora vai deixar claro.

– A placa ajuda a reforçar e mostrar que, na verdade, não é uma vontade do dono de restaurante ou uma criação nossa. Na verdade, é uma imposição da lei, que a gente tem que cumprir se não a multa vai ser pesada

Um dado sobre os gastos da saúde pela rede pública de saúde:

Segundo o Ministério da Saúde, 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil de doenças relacionadas ao tabaco. O tratamento dessas doenças na rede pública, ainda de acordo com o ministério, custa R$ 1,4 bilhão.

No programa Profissão Repórter de 30/10/2013 a legalização da maconha é o assunto da noite. A reportagem mostra como é experiência dos estados americanos onde o uso é legalizado para usos medicinais, mostra também Portugal, onde o usuário não é preso pelo consumo e sobre as novas leis do Uruguai que já é legalizado e está em regulamentado, mesmo que 63% dos Uruguaios sejam contra a legalização. São 15 minutos mostrando os prós das políticas de legalização e 15 minutos sobre os problemas da dependência.


Pausa para uma respiração contínua e prolongada…

Percebem a dissonância de Drauzio Varella?

O Dr. Drauzio Varella tem um duplo padrão de julgamento na questão, o médico e ex-fumante parece querer se vingar da indústria para limpar tardiamente sua consciência e ao mesmo tempo quer manter uma posição progressista no tema de legalização da maconha. Duas drogas nocivas a saúde, podem causar câncer pulmonar, causam os mesmos problemas de dependência e que incomodam não-fumantes.

É crescente a perseguição aos fumantes e, paralelamente, é crescente a mobilização para a descriminalização da maconha. Nesse ritmo logo veremos cigarros comprados na “quebrada” e maconha comprada na padaria. Mas não haverá local para traga-los!

Note que a mentalidade política é sempre guiada por soluções proibicionistas, uma crença de que o bem comum depende da criminalização de atividades pacíficas.

Comentei aqui sobre as contradições das leis antifumo e as políticas de tratamento dos dependentes de crack na prefeitura de São Paulo. E comentei aqui, sobre as ações de interferência do estado e as demandas da população que cada vez mais querem um pastor com seu cajado protegendo-as de si mesmo, aceitando o papel de ovelhas no campo. E o Kzuza também já comentou sobre as reais intenções disso.

Na mídia em geral não existe espaço para o contraditório, um ou outro blog, um ou outro colunista aborda o tema de outra perspectiva. O Profissão Repórter foi mais imparcial, mas o programa Bom Dia Brasil aplaudiu a iniciativa e celebrou a punição do empresário como o bode expiatório, não há abordagens sobre a intromissão na propriedade privada para melhorar a saúde dos viciados em nicotina, “as vítimas” que não conseguem ter vontade própria e precisar urgentemente de ajuda.

O estabelecimento (o dono, claro!) será multado pelo comportamento do consumidor que frequenta o local.*

Mas qual a diferença da aplicação dessa multa e a prisão de um empresário em um hipotético homicídio, causado por um cliente, dentro do seu estabelecimento? 

Ou então acusar de tráfico o gerente de um Shopping caso algumas pessoas façam transações ilegal dentro das suas dependências?

Claro que o consumo de cigarro deve ser desestimulado, e já é! Não há mais comerciais e publicidade como antes (Veja um antigo comercial de cigarros aqui), as embalagens de cigarro são estampadas com mensagens/imagens horríveis ad nauseam, advertências sobre os danos a saúde é destacada e o imposto sobre o cigarro é 65% (Que só estimula o contrabando). Portanto quem fuma um cigarro está sabendo de todos os riscos. Já não é o suficiente para que as pessoas decidam sobre seu consumo?

Quem fuma sabe, assim como quem bebe álcool, quem não se exercita, quem come muita gordura e açúcar, quem se aventura pulando de para-quedas, quem anda de moto sabe dos riscos, quem faz cooper noturno sozinho na cidade de São Paulo sabe dos riscos, não é crime assumir um estilo de vida arriscado. Essas atitudes devem ser proibidas? 

Uma sociedade livre é aquela em que os indivíduos são donos da própria vida. 

Outra justificativa é que a lei evita que fumantes passivos sofram em estabelecimentos fechados. Mas quem deve decidir é o consumidor, e naturalmente é o que acontece. Os restaurantes sempre tiveram áreas de fumantes, com a diminuição do número de fumantes e somado ao repúdio de clientes incomodados a exclusão social de quem fuma em locais fechados demandaram mudanças, com isso as áreas de fumantes foram sumindo dos estabelecimentos espontaneamente, porque ninguém quer perder cliente!

Aos que aplaudem essas iniciativas digo para tomar cuidado, porque o álcool produz problemas na saúde, mortes, acidentes e incômodos bem maiores do que o cigarro, inclusive para pessoas que não bebem.

Observação: Não fumo.

FUI!

* Não sei se é permitido ao dono do local chamar a polícia caso alguém desrespeite a lei, mas com certeza será um problema a mais para seus gerentes e donos, apesar que a maioria dos fumantes vai respeitar a lei.

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