O Senhor Temaki

Publicado: 5 de dezembro de 2014 por Kzuza em Comportamento
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Não sou muito bom de calcular tempo, mas acho que há um ano mais ou menos, abriu uma galeria de lojas na Rua São Bento, no centro de São Paulo, onde antes era uma grande loja do Ponto Frio. Essa galeria tem alguns estandes no piso superior, no nível da rua São Bento, e alguns restaurantes e lanchonetes no piso inferior, onde funciona uma praça de alimentação.

Nessa praça de alimentação, há algo extremamente curioso. O movimento em geral nem é tão grande na hora do almoço, mas é plenamente fácil observar que mais de 90% dos clientes frequentam o mesmo estabelecimento. Ao todo, são mais ou menos 12 restaurantes, mas todo mundo prefere uma casa de temakis específica. Havia, na mesma galeria, uma restaurante árabe que já fechou. Há uma outra temakeria (essa, uma franquia da Maki’s Place, mais conhecida), mas com movimento quase nulo. Há um restaurante de massas também, e um outro de comida chinesa por quilo, além de outras opções. Ou seja, as opções são várias, mas todo mundo frequenta a mesma casa de temaki.

Por quê?

Bem, existem vários fatores. Como o espaço é reduzido, o dono não oferece muitas opções. Há uns 5 ou 6 tipos de temaki diferentes e alguns poucos acompanhamentos (hot rolls, uramakis e shimeji). Bebida? Só enlatada. O temaki é super recheado, gostoso, e há umas opções de combo (2 ou 3) com preços extremamente atraentes. Simples assim. Não há muita variedade, mas o preço é bom e a comida também.

Aí outro dia ficamos nos perguntando como isso seria visto por um comunista…

Você acharia justo, em um lugar onde os estabelecimentos são todos do mesmo tamanho e o valor do aluguel é praticamente o mesmo, um lojista lucrar mais que os outros? Sim, porque é claro, pelo movimento, que o dono da temakeria acertou no alvo e é o único com movimento de clientes realmente relevante (as filas chegam a ter mais de 30 pessoas por volta do meio-dia).

Em uma mente comunista, isso seria um absurdo. O dono do temaki tem só 3 funcionários. Alguns estabelecimentos já fecharam (como foi o caso da comida árabe que eu mencionei) porque não conseguiram concorrer com ele. Alguns outros vão, invariavelmente, falir também. Isso resultará em desemprego das pessoas que trabalhavam nesses lugares. Pergunto: o Sr. Temaki é o culpado?

O que faria um comunista nesse caso? Deveria o Sr. Temaki pagar um aluguel mais alto porque montou um negócio de sucesso? Deveria o Sr. Temaki ser obrigado a vender uma cota máxima de temakis por dia, a fim de não atrapalhar as vendas dos outros restaurantes? Ou então, deveria ser o Sr. Temaki obrigado a contratar uma mão-de-obra menos qualificada (já que os funcionários dele são extremamente atenciosos com os clientes e produtivos na hora de atender a demanda), já que seu negócio vai bem e existem muitas pessoas passando dificuldade por aí? Ou deveríamos estatizar a temakeria, visto que é uma fonte de receita importante para o nosso país?

Se você achou absurdas as ideias que dei acima, acredite que diariamente muitas pessoas utilizam-se desses mesmos argumentos para defender regimes comunistas pelo mundo todo. Casos de sucesso como o do Sr. Temaki, ao invés de serem valorizados, são cada vez mais raros pois acabam sendo inibidos por várias dessas idéias comunistas. Dificultar, ou até mesmo impedir, que empresários ganhem mais dinheiro, sejam eles o Sr. Temaki ou qualquer outro, não faz nenhum pobre ser mais rico, pelo contrário. Isso faz somente com que ninguém mais queira ser rico, e dessa forma nem mesmo os 3 funcionários do Sr. Temaki teriam seus empregos garantidos.

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