Libera geral

Publicado: 4 de dezembro de 2014 por Kzuza em liberalismo
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Domingo assisti a uma reportagem no Fantástico, mostrando uma investigação policial sobre uma rede de corrupção no interior de São Paulo para a montagem de uma rede de caça-níquel. O delegado instalou câmeras escondidas para prender o cara que tentava suborná-lo a fim de montar seu “negócio” na região.

Ainda na semana passada, vi outra reportagem a respeito de um arrastão promovido por uma quadrilha em um bingo clandestino em São Paulo. Houve tiroteio com a polícia. Alguns assaltantes foram presos, outros conseguiram escapar e estavam foragidos. Agora pasmem: os funcionários do bingo clandestino também foram autuados e tiveram que assinar um termo circunstanciado devido à prática de jogo ilegal.

Essa semana, uma analista de sistemas foi assassinada dentro de casa, após um assalto. Isso justamente na semana onde voltou a ser discutida no congresso a reformulação do estatuto do desarmamento no Brasil.

Por que estou escrevendo tudo isso?

Compartilho da ideia de que somos cada dia mais podados da nossa liberdade individual de escolhermos o que é melhor para nós. Há uma avalanche de leis e decretos que nos impedem de tomarmos conta da nossa própria vida, tudo em nome de um “bem comum” proposto pelo Estado. O Mathias já escreveu um texto excelente a respeito disso.

Mas o mais intrigante nesse ponto é tentar entender o porquê do Estado podar cada vez mais a liberdade do cidadão de bem. Eu realmente não acredito (e há inúmeras razões para isso) em uma boa intenção, de qualquer que seja o governante, no que diz respeito ao bem-estar da população. Para mim, toda a lógica proibitiva do Estado tem sempre um objetivo: o interesse próprio.

A criação de restrições só age em prol do aumento da burocracia e da corrupção do governo, mas não em prol do cidadão comum. O mesmo ocorre com o aumento de regulamentações acerca de um determinado produto ou serviço oferecidos à população. Há todo um fator de comportamento humano que é desconsiderado quando tais restrições são estabelecidas por um governo. Em uma linguagem mais popular, atira-se no que vê e acerta-se o que não vê. Vamos aos exemplos.

Você acha que realmente a proibição da prática de jogos, como os bingos por exemplo, faz com que isso acabe? Você acha que isso afasta as pessoas do vício do jogo? Ou você acha que isso só faz com que criem-se redes clandestinas de jogos, que contam com a corrupção de policiais e oficiais de justiça para “abafarem o caso”:

A proibição da venda de armas de fogo para o cidadão comum é outro absurdo. Isso é visto por muitos como uma forma de acabar com a violência. Mas, tendo olhado os índices de violência no país nesses últimos 10 anos, após a aprovação do estatuto do desarmamento, não foi bem isso que aconteceu. Você já parou para se perguntar o por quê? Só quem está desarmado hoje é o cidadão de bem, que é justamente a parte mais frágil da sociedade. Bandidos e policiais continuam armados e matando, principalmente pelo fato de terem a certeza de que ninguém mais poderá enfrentá-los em condições iguais.

E quanto à proibição das drogas? Você é contra ou a favor? Você acha que a liberação da maconha, por exemplo, fará mais pessoas usarem a droga? Você sinceramente acha que quem quer usar maconha tem algum tipo de dificuldade em consegui-la? O tráfico é uma atividade altamente rentável para o Estado, pois sustenta uma rede imensa de corrupção de policiais, além da própria justiça em si. O aumento nos índices de uso de cocaína e maconha ao redor do mundo comprovam o que eu estou dizendo, pois, se é proibido, por que cada vez mais gente usa?

Vamos falar também da regulamentação do comércio ambulante em algumas cidades. Que tipo de benefícios isso traz para os cidadãos? Só consigo enxergar isso como uma máquina de gerar dinheiro para uma máfia da prefeitura que concede os alvarás. E o que ocorre com os comerciantes ilegais? Proibi-los de comercializar seus produtos livremente nas ruas faz com que diminua o número de ambulantes? Bem, não é muito o que eu vejo por aí.

Há um texto muito legal aqui que explica qual é a lógica econômica do proibicionismo.

Basicamente, o Estado como é hoje atua frequentemente nos sintomas das doenças, e não nas causas. Isso porque é muito mais barato e pode fortalecer o seu próprio poder através do estabelecimento de redes de corrupção que tanto existem por aí. Os casos recentes, observados no governo petista, comprovam o que estou dizendo.

É muito mais difícil combater as causas, por isso a gente proíbe ou restringe a liberdade. Dá trabalho demais educar, então é muito melhor punir. A lógica é sempre essa, por isso está na hora de rever os seus conceitos políticos.

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comentários
  1. […] Comentei aqui sobre as contradições das leis antifumo e as políticas de tratamento dos dependentes de crack na prefeitura de São Paulo. E comentei aqui, sobre as ações de interferência do estado e as demandas da população que cada vez mais querem um pastor com seu cajado protegendo-as de si mesmo, aceitando o papel de ovelhas no campo. E o Kzuza também já comentou sobre as reais intenções disso. […]

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