O carro na frente dos bois

Publicado: 24 de novembro de 2014 por Kzuza em Cotidiano
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Há uma mentalidade comum nos brasileiros de querer colocar o carro na frente dos bois. É muito comum observarmos as pessoas clamarem pelos seus direitos muito antes de cumprirem com suas próprias obrigações.

O nosso vira-latismo latente, associado à essa pressa de colher antes mesmo de semear, gera uma série de raciocínios e estratégias precipitadas que, ao meu ver, são motivos somente de risadas. Queremos tanto soluções de primeiro mundo sem antes mesmo pensarmos nos nossos problemas de terceiro mundo.

Nós queremos a educação inglesa, a felicidade italiana, a disciplina japonesa / alemã, a prosperidade norueguesa, a justiça norte-americana, os empregos canadenses, os direitos trabalhistas suecos e a infraestrutura sul-coreana, mas sequer pensamos no caminho que esses países trilharam para conseguirem tudo isso. Queremos aplicar, no nosso país, soluções que são sucesso atualmente em países desenvolvidos, sem analisar o contexto no qual elas se aplicam.

Clamamos pela pena de morte, sem nos lembrarmos que vivemos no país onde a agente da lei-seca é multada por um juiz que foi pego dirigindo embriagado. Queremos um salário mínimo mais alto, sem lembrarmos que sequer temos empregos para todo mundo. Queremos mais acesso à universidade, sem lembrar que nossa educação de base vai de mau a pior. Queremos respeito aos ciclistas, aos velhos, aos negros e às mulheres, sem mesmo pregarmos o respeito dentro das nossas casas. Queremos o aborto legalizado em um país onde a saúde pública não permite sequer bons cuidados a uma pessoa gripada. Queremos a legalização da maconha, sendo que não conseguimos regulamentar absolutamente nada com eficácia nesse país. Queremos transporte público de qualidade, mas ficamos putos da vida quando um prefeito prioriza faixas exclusivas de ônibus nas ruas.

Nessa linha, li um texto hoje que remete a esse questionamento. O autor usa do dilema Tostines (“vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”) para fomentar no leitor a seguinte indagação: nossos direitos são garantidos por que precisamos ou por que merecemos? A pergunta final é de matar:

Fica a pergunta: será que o Brasil, que estabeleceu leis trabalhistas antes de ter uma economia produtiva, não é industrializado e rico por causa disso?

Não quero dizer que boas ideias e alternativas aplicadas em outros países não devem ser aplicadas por aqui, muito pelo contrário. Mas é muito importante definir prioridades e procurar adotar as soluções em uma ordem apropriada, para não corrermos o risco de colocarmos o carro na frente dos bois.

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