A vez do liberalismo. ou: Em defesa da liberdade!

Publicado: 23 de novembro de 2014 por Mathias em liberalismo, Política, socialismo
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"A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade"

“A primeira palavra que se tem conhecimento para expressar o conceito de liberdade”

 

O desafio é discutir sobre os rumos populistas que nos levam ao dilema do totalitarismo e do fim da liberdade. E uma possível opção para mudar este rumo!

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Está correto sobre as principais divergências (papel do estado e modelo econômico).

Acredito no capitalismo, e não conheço outro regime senão o socialismo ou comunismo como antítese dele, cuja experiências reais eliminaram os alicerces capitalistas da sociedade, por exemplo Cuba, citado inclusive em resposta ao post do Renato como modelo de regime.

O papel do estado não poderia ser diferente, já que não é possível um regime anti-capitalista sem um papel de estado centralizador e com isso o cerceamento da LIBERDADE.

É justamente sobre essa tal de LIBERDADE que vou me esmerar!

Mas como já disse na minha primeira resposta lá no post do Ângelo, nossas divergências ficam por conta dos meios e não dos fins.

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Persisto em enfatizar que os fins de um liberal capitalista é o mesmo da esquerda socialista para não cairmos em falácias non sequitur, essa é a grande dificuldade do debate, a esquerda tenta monopolizar todas as virtudes e os nobres fins, como já comentei aqui:

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Afinal, quem seria a favor da pobreza, da fome, da injustiça e contra os direitos humanos?

Partindo dessa premissa, de que temos os mesmos fins, os mesmos objetivos, podemos discutir sobre os meios mais eficientes para tal.

Acredito que o liberalismo e o capitalismo são os melhores modelos político e econômico respectivamente para qualquer nação. Não há no Brasil nenhum partido com cartilha liberal, o existo PFL carregava liberal no nome, mas mudou para DEM, o que explica a falta de oposição dos últimos 12 anos, em linhas gerais todos usam um compatível ideário social-democrata, semelhante ao PT e a crença em um governo como locomotiva do progresso, não temos alternativas reais que fujam do eixo esquerda e centro-esquerda.

Como dizia Roberto Campos:

O liberalismo nunca nos deu o ar de sua graça.

Portanto, se Brasil é um país com muita miséria e desigualdade social isto não é culpa do liberalismo, já que nunca existiu por aqui. É o cansaço da evidente hegemonia política que reacende a insatisfação generalizada, permitindo o surgimento do movimento espontâneo e crescente com pessoas em busca de um NOVO caminho. Os liberais merecem a oportunidade política para posicionar o país em uma trajetória diferente e tornar o Brasil um país admirado, com liberdade individual e econômica.

Para falar em liberalismo preciso primeiro definir, na minha percepçãoo que não é liberalismo, pois por desconhecimento e desonestidade a esquerda insiste em rotular de liberalismo (ou neoliberalismo) os governos de FHC e os governos da ditadura militar.

O liberalismo não é totalitário, toda a história política liberal está vinculada a democracia plena sempre lutando contra o intervencionismo ; não é populista porque defende as instituições republicanas; não é fascista porque não concentra poder no estado; não é nacionalista porque repudia o nacional-desenvolvimentismo, o protecionismo comercial e o dirigismo estatal; não é conservador porque deixa os indivíduos livres para se associarem da maneira que bem entenderem,  e não admite que hábitos e valores morais de âmbito individual seja imposto pelo estado, apenas exige que não se viole o direito de ninguém, e por fim; não é anarquista porque entende que o estado é um mal necessário para evitar a lei do mais forte e a constante ameaça de uso de coerção ou violência de terceiros, ou seja, o estado tem como principal função preservar a propriedade privada, a liberdade individual e a segurança na vida em sociedade. Entende a necessidade do estado, com um papel limitado na sociedade, para servir ao cidadão e não o inverso, mas também sabe que o estado, em sua origem, é coercivo, é o monopólio da lei e da força em determinado território; portanto o liberalismo também não é utópico.

Então o que é o Liberalismo?

Entendo eu, que o liberalismo é a forma de fazer política respeitando a liberdade do indivíduo, tratando-o como um fim em si, e não como meio para chegar a um determinado fim. É a identificação do indivíduo como principal criador de riqueza, por isso é importante reduzir gradativamente o poder coercivo do próprio estado – uma missão sem dúvida difícil e repleta de obstáculos, valorizando os direitos do indivíduo, repudiando privilégios em defesa da isonomia e priorizando a liberdade ao invés da igualdade.

É o reconhecimento de que a liberdade é inseparável da responsabilidade, e defende que um dos papéis do estado seja o monopólio da justiça na garantia de direitos e deveres do indivíduo. O liberalismo garante a cidadania.

O papel do estado é fundamental na organização da sociedade mas entende-se que é ineficiente na promoção de produtos e serviços, pois não sabe alocar recursos, não sabe priorizar as necessidades realmente importantes gasta muito e gasta mal. Todos nós conhecemos a péssima qualidade do atendimento nas repartições públicas, a burocracia asfixiante de nosso país, as filas de espera de quase todos os serviços, a falta de equipamentos, etc. E é justamente porque o mecanismo de incentivo não funciona nas estatais e são usadas como moeda de troca política por quem chega ao poder. É sempre difícil punir e premiar o servidor público como se faz na iniciativa privada. Resultado: aqueles servidores decentes, dispostos a trabalhar de verdade, acabam tendo de carregar nas costas os acomodados. Falta uma gestão eficiente para mitigar esse problema e instituir alguma forma de meritocracia, que beneficia quem se esforça mais e produz mais. Quem teme a meritocracia não quer coisa boa, e normalmente não ingressou no setor público via concurso.

Temos impostos escandinavos, para serviços africanos! E por compreender o porque da situação que o liberalismo dá soluções alternativas das que temos hoje. O estado não deve se meter em setores melhores administrados pela iniciativa privada e entendendo isso o liberalismo prefere estimular a economia de mercado do que o estatismo. 

Os exemplos são infinitos, compare qualquer serviço ou produto fornecido pelo estado e pela iniciativa privada e perceberá que tudo relacionado ao estado é ineficiente, não caia no engano de que serviços estatais são gratuitos, não existe almoço grátis! Pagamos todos com nossos impostos, e normalmente mais caro do que se pagaria por um serviço privado.

Outra questão importante aqui no Brasil é o nível de corrupção, pense qual foi o último foco de corrupção na VALE, ou na Telefônica ou em qualquer outra estatal privatizada?

Informe-se sobre a quantidade de funcionários dessas empresas hoje, quanto elas faturam, qual a expansão dos seus serviços, quais os valores de impostos pagos ao estado e compare com o período estatal!

Qual o benefício que temos com a Petrobras gerida pelo estado? Qual o benefício que temos com o monopólio do Correios? Qual a vantagem que temos com o Metro? Qual o ganho no controle de concessões estrangulante de Rádio e TV?

O liberalismo é possível!

As nações mais prósperas, com melhores índices de qualidade de vida são liberais economicamente, são capitalistas! O Brasil está na rabeira dos rankings que medem o grau de liberdade econômica dos países.

E além de possível o liberalismo é ético por respeitar nossa principal característica humana: A Liberdade como direito de agir por si próprio com independência e autonomia em todas as esferas da vida em sociedade, dentro dos limites da lei e respeitando os outros.

Eu sempre caiu no mesmo discurso dessa tal liberdade. Toda discussão eu acabo encurralado na defesa da liberdade como bandeira liberal e sempre sou questionado:

 

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_ Afinal, que liberdade é essa que você tanto fala? Somos livres não somos? 

Será que somos mesmo? Sempre lembro de um livro, quase infantil, que me fez crer que nem tanto.

A história de Fernão Capelo Gaivota. de Richard Bach

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Fernão Capelo Gaivota, uma gaivota que queria mais do que o destino lhe impunha, além do que a natureza lhe deu por instinto. Fernão Capelo Gaivota não se contentava em voar baixo como todo o bando, para ele não era importante voar para comer, o importante era voar, cada vez mais rápido, cada vez mais alto! E percebia que a cada nova experiência um mundo novo se abria, a cada nova manobra de voo mais possibilidades surgiam e mais livre se sentia!

E enfrentando o repúdio do bando, do movimento, mesmo quando pareceu não fazer sentido, pois a única razão de uma gaivota voar é para comer, Fernão Capelo Gaivota continuou sua busca pela perfeição e conhecimento, assumiu os fracassos, os riscos e colheu os resultados da sua escolha, que até então não existia!

LIBERDADE DE ESCOLHA, LIVRE INICIATIVA!

É justamente a liberdade que nos diferencia dos demais animais, temos a capacidade de ir além de nossos instintos, somos responsáveis pela nossa conduta. Hoje o mundo é resultado da nossa conduta individual e coletiva, da nossa convivência, das escolhas que fazemos, a liberdade permite fazermos um mundo diferente e cada vez melhor!

O preço da liberdade é a angústia de ter nas mãos a responsabilidade das próprias decisões, o resultado das nossas condutas não deve ser terceirizado por abstrações como A SOCIEDADE, O SISTEMA, A VIDA! Desculpas nesse sentido são em sua totalidade ma-fé, atribuir ao mundo as causas da sua conduta é a negação da própria liberdade de escolha para justificar comportamentos vergonhosos e malévolos.

Fico indignado com os rumos que o barco toma! Tudo que vejo hoje em dia é o oposto do que acredito, todas as narrativas de hoje usam critérios de segregação. Não basta declarar algum grupo oprimido como uma massa amorfa, os progressistas ainda nomeiam o grupo opressor como responsáveis pela sua pobreza, e o Estado deve agir para salva-los da opressão!

Isso tudo não significa deixar em desamparo pessoas que por qualquer motivo se encontra na miséria, na pobreza, em condições desumanas, pelo contrário! É por acreditar que o melhor caminho vem das pessoas e não de governos, é por acreditar que o auto-interesse das pessoas faz a sociedade como um todo sai ganhando com melhor condição de vida, precisamos sempre de auto-estima!

Por fim, bato na tecla insistentemente, o repúdio que tenho sobre o pensamento coletivista e populista, normatizado hoje de forma confusa pelo conceito de esquerda, é diretamente ligado ao receio de que nossa liberdade seja tolhida, subtraída, em nome de uma ideologia que se mostrou fracassada em todas as suas tentativas e experiências reais. Não há explicação de como se daria esse novo modelo de estado e econômico sem o cerceamento da livre iniciativa, da liberdade de pensamento, da imprensa e expressão.

O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

O alerta de Lord Acton não pode ser ignorado, a vigilância e a alternância do poder é saudável, mas percebo que isso não é compatível com os planos da esquerda orgânica, a esquerda marxista, que usa a tática gramscista de hegemonia sem pudores das suas intenções. São muitas as evidências:

  • O politicamente correto domina debates ofuscando a livre opinião ou independência intelectual, é socialização da opinião, e o patrulhamento ideológico é uma poderosa arma nesse sentido.
  • Substituição da legalidade pela legitimidade, subvertendo leis por reivindicações justas. Crack x cigarros ou Invadir terras ou saquear estabelecimentos passam a ser atos legítimos, pois representam um passo na luta pela “justiça social”.
  • O uso manipulado da questão racial, regional e de gênero para segregar a população entre nós e eles.
  • O uso dos direitos humanos para proteger o criminoso, identificado como vítima da sociedade.
  • Utilização da “opinião pública” como critério de verdade maior que a própria lógica.

As tentativas são muitas, o próprio Lula teceu elogios a Chávez na forma como rumou rápido o socialismo na Venezuela. Mas a meta é a mesma.

O pior é que, por se tratar de uma verdadeira revolução cultural, suas raízes são profundas, e dificilmente serão revertidas rapidamente. A luta pela liberdade é árdua.

FUI!

Mathias

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comentários
  1. […] ou não fazer nada. Só a democracia nos garante tais direitos, e o liberalismo proporciona essa “tal de liberdade” para a livre empresa e livre iniciativa com o mínimo de coerção do estado (Laissez […]

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