Ensaio sobre a pobreza

Publicado: 14 de novembro de 2014 por Kzuza em Política
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Uma das grandes discussões centrais da última disputa eleitoral para a presidência da república foi o combate à pobreza. De um lado, o PT levantando a bandeira do partido que mais fez pelos pobres. De outro, o PSDB, considerado por muitos o inimigo dos pobres. Para evitar um debate desnecessário, vou seguir essa definição como premissa.

Mas vou convidar você, caro leitor, a debater um pouco mais sobre o problema.

Primeiramente, é necessário sabermos porque existe a pobreza. Há um artigo aqui muito interessante sobre isso. Há duas passagens muito interessantes nesse texto:

As causas da pobreza são bem simples e diretas.  Em qualquer lugar em que não haja empreendedorismo, respeito à propriedade privada, segurança jurídica, acumulação de capital e investimento, a pobreza será a condição predominante.  Isole um grupo de pessoas em uma ilha, peça para que elas não tenham nenhuma livre iniciativa, proíba a propriedade de bens escassos, e você verá que a pobreza será a condição geral e permanente dessas pessoas.

Ou seja, se você não incentivar as pessoas a caminharem pelas próprias pernas e ajudá-las a isso, você estará as condenando à pobreza. A segunda passagem é:

A pobreza é uma indústria e, em uma democracia, é sempre possível lucrar politicamente em cima dela.  A exigência de que o governo “tome medidas” para acabar com a pobreza serve apenas para alimentar o crescimento de uma burocracia que suga para si própria grande parte dos frutos da renda nacional.  Todo e qualquer ministério, programa ou secretaria criado pelo governo tem, em última instância, o objetivo de reduzir a pobreza.

A promessa de eliminação da pobreza tendo o estado como agente solucionador é apenas um discurso puramente ideológico: não há nenhum mecanismo prático para lograr esse feito, a não ser a utilização daqueles meios que já foram criados pela própria expansão do capitalismo.  Ou seja: a ação direta do governo servirá apenas para acrescentar mais um elemento parasitário ao arranjo econômico, aumentando os custos de uma burocracia cada vez mais paralisante, intrusa e contraproducente.

Esse primeiro texto é suficientemente claro para entender manter alguém em uma situação difícil, mostrando-se como salvador e levando vantagem com isso, é a melhor solução para os problemas.

Mas então quer dizer que há um interesse em manter pobres e ricos cada qual no seu lugar? Acho que sim. Esse outro artigo também explica como isso funciona. Uma sentença interessante nesse texto é a seguinte:

Os ricos do nosso Brasil gostam de falar de programas de inclusão social. Agora, quando foi que você já ouviu algum político de Brasília ou atriz da Globo falando de projeto de inclusão comercial? Inclusão social dá a gente rica a oportunidade de visitar a favela. Inclusão comercial dá a gente pobre a oportunidade de visitar o shopping. E o brasileiro rico é nativista: não gosta de ver índio nem pobre fora de seu habitat natural.

Soa muito como um discurso de esquerda, não é mesmo? Afinal, uma das grandes bandeiras levantadas pelo PT foi a de que hoje o pobre viaja de avião, frequenta o shopping e tem televisão em casa. Tudo isso graças à maior distribuição de renda e aos programas sociais.

Só que aqui começa um novo problema. Dinheiro não é sinônimo de riqueza. Se fosse assim, bastaria o Banco Central começar a imprimir um monte de cédulas de real e sair distribuindo por aí, não é mesmo? Em partes, infelizmente, é exatamente isso que está sendo feito. E parece que continuamos buscando resultados diferentes tomando as mesmas atitudes. Esse texto aqui explica bem isso. Veja só:

O controle estatal sobre o valor do café não revigorou a produtividade nacional, mas acelerou o declínio das exportações brasileiras. Políticas trabalhistas copiadas de Mussolini não deixaram os trabalhadores brasileiros mais independentes, apenas menos competitivos. Os projetos das universidades federais não criaram centros globais de excelência acadêmica, mas fizeram com que o suor da família pobre financiasse o curso de antropologia do filho da família rica.

A proibição dos cassinos não deixou o povo mais virtuoso, mas deixou seu vício mais clandestino. Barreiras à importação não estimularam o comércio interno, mas causaram a exclusão social dos mais pobres. O planejamento urbano modernista da nossa capital não ergueu a cidade do futuro, mas criou uma ilha de monumentos excêntricos cercada de satélites de pobreza por todos os lados.

Bem, entendendo então que o atual modelo não é assim tão bom para os pobres como superficialmente nos parece, o que fazer?

A partir do momento que você defende uma participação menor do Estado, você passa a ser tachado como inimigo dos pobres. Há na nossa sociedade atual uma visão míope de que existem 3 forças distintas: o OPRESSOR (capitalistas), o OPRIMIDO (povo pobre trabalhador) e o APAZIGUADOR (o Estado). Se você é a favor do OPRESSOR, você automaticamente é contra o OPRIMIDO. Se você é contra o APAZIGUADOR, você é automaticamente contra o OPRIMIDO. E há uma crença cega de que o APAZIGUADOR é o único capaz de solucionar o conflito entre OPRESSOR e OPRIMIDO.

Isso é um paradigma. Como já disse anteriormente, não somos frequentemente convidados e estimulados a pensar diferente disso. Dessa forma, eu estou fazendo esse convite a você, humildemente. Há dois itens interessantes a respeito disso. O primeiro é esse texto aqui. A melhor passagem é a seguinte:

(…) imaginemos que estamos no início da formação dos EUA e que chegou-se à conclusão de que o governo deveria ser responsável por prover sapatos para as pessoas. Isso pareceria óbvio, já que ninguém quer que os cidadãos andem descalços. Imagine então que um “radical maluco” dissesse: “Eu não acho que o governo deve prover sapatos, acho que deveríamos privatizar a questão dos sapatos”. As pessoas diriam: “Você está maluco? Não tem compaixão? Você quer um mundo de pessoas pobres e criancinhas andando descalças?”. Então Nathaniel Branden interrompe a imagem mental e diz: “Este é um erro que não cometemos”. Pelo acesso aos sapatos pelas diferentes classes sociais em todo o mundo, sabemos que ele está certo.

O segundo é uma frase da Margareth Thatcher:

“Nada é mais estratégico do que comida, mas isto não é razão para o Estado plantar batatas”.  Margareth Thatcher, ao ser questionada por um jornalista brasileiro, lá pelos anos 80, se o petróleo, por ser um produto estratégico, não deveria ficar sob controle do Estado.

Novamente, somos tentados a pensar sempre na proteção dos pobres apelando para uma força maior, nesse caso o Estado (ou o Grande Irmão, de George Orwell). Caímos numa contradição imensa nesse ponto. Já que confiamos cada vez menos em políticos e partidos políticos, mas mesmo assim continuamos escolhendo aqueles que mais oferecem soluções estatizadas para os nossos problemas. Ou seja, damos cada vez mais poder para quem não confiamos. Isso não faz sentido, nem mesmo quando pregamos que “o povo deve se unir e participar mais da vida política e cobrar dos seus candidatos”. Isso realmente lhe parece tentador?

Se você for parar para pensar, não há nenhum estímulo para que o Estado aja em prol do cidadão comum. Esperar a boa vontade de alguém para isso é muito ilusório. Há um texto aqui bastante interessante que mostra como o Estado age sempre em benefício próprio, e não do cidadão. E há um outro muito melhor que mostra o quanto o Estado é incapaz de gerir bons serviços para a população em geral. Veja só:

Eis a lógica do setor público: sempre que um programa está indo mal, é necessário tomar mais dinheiro da população.  O fracasso de uma iniciativa estatal significa que ela tem de ser recompensada com mais verbas confiscadas da população.  Exatamente o contrário do que ocorre na iniciativa privada, onde o fracasso é punido e o sucesso é recompensado com maiores lucros.

Enquanto o setor privado reage a um aumento na demanda com regozijo, o setor público reage ao mesmo fenômeno com ameaças.  Enquanto o setor privado está sempre implorando por qualquer aumento na demanda, disputando acirradamente seus consumidores, o setor público está sempre culpando e punindo os consumidores por utilizarem demais seus serviços ou até mesmo por eles existirem.

Alguém consegue imaginar a Coca-Cola gastando milhões para fazer propaganda pedindo para as pessoas beberem menos Coca-Cola?  Pois é isso que as estatais monopolistas do fornecimento de água fazem, gastando milhões com suas campanhas pedindo para que as pessoas economizem água! “Mas se empresas privadas fornecessem água, empresários gananciosos iriam cobrar o quanto quisessem e os pobres não teriam acesso à água”. Enquanto os “defensores dos pobres” ficam com estas divagações, os pobres vão tendo acesso à Coca-Cola e não à água.

Mas há como mudar esse paradigma na cabeça das pessoas? Ou estamos em um ciclo vicioso? Eu ainda acho que é possível mudar, começando desde já. Esse texto aqui explica direitinho como. Mesmo que você seja tentado a generalizar e a acreditar que todas as pessoas querem auxílio ao invés de força para caminharem sozinhas, as coisas não são bem assim.

Dessa forma, por que não começar dentro de casa, ensinando nos nossos filhos a ter responsabilidades individuais? Por que não começar a acreditar no nosso próprio potencial, sem depender de alguém para gerir nossas vidas?

Para finalizar, se você realmente se importa com os pobres, você é obrigado a ler esse último texto aqui. Eu adoro e acho simplesmente fantástico.

Assim, convido você a começar a pensar diferente também. Faz bem.

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