O indivíduo e a sociedade

Publicado: 26 de setembro de 2014 por Kzuza em Divergência de opiniões

Para mim, tem sido cada dia mais difícil ser um cara que gosta de opinar. Eu poderia muito bem me recolher na minha insignificância, ser um cara introvertido, guardar para mim mesmo as minhas opiniões… mas Deus não me fez assim. Eu gosto de concordar e discordar das coisas, gosto dos meus “achismos”, e não ligo em me expor.

O problema disso tudo é que o mundo moderno trouxe consigo uma quantidade enorme de cagadores de regra. A patrulha da opinião alheia é cada dia mais forte. Não basta você ter uma opinião, por mais superficial que ela seja, você precisa defendê-la até a morte e prová-la verdadeira, para tudo e para todos. E não me venha com opiniões baseadas no seu sentimento ou em “achismos”: você precisa de provas. Você precisa embasar tudo o que diz e o que pensa. Se você não fizer isso, você é um mero ser manipulado pelo sistema. Você é um burro.

Nessas horas sinto saudades das conversas com a minha irmã. Nós sempre divergimos em muitas opiniões, mas nossas discussões sempre terminaram com um “Eu não concordo”, e bastava. Eu posso respeitar um ponto de vista de outra pessoa, mesmo que eu não o compreenda totalmente. E nem por isso preciso ridicularizá-la ou humilhá-la por conta de um ou outro argumento falho, ou por falta de clareza nos raciocínios, coisa e tal.

Mas eu credito boa parte disso ao fato de que estamos sendo cada vez mais individualistas. Nós passamos cada vez mais a julgar as coisas somente pela realidade que observamos. Ficamos cegos pelas pessoas com as quais convivemos e pelo mundo o qual conseguimos tocar. E aí quando ocorrem fatos fora dessa nossa realidade, não conseguimos compreender, e por isso achamos absurdos.

Está cada vez mais complicado entender que vivemos em sociedade, e que essa sociedade é composta pelos mais variados indivíduos, cada um com sua própria realidade, cada um com seus próprios sentimentos, cada um com suas próprias necessidades. E assim, quando vemos que alguém tem suas necessidades atendidas de alguma forma, nem que para isso nós tenhamos que abrir mão de alguma coisa, passamos a nutrir aquele sentimento de injustiça, ou mesmo de inveja.

Aceitar que o país em que vivemos não é só meu ou seu, pode parecer complicado, mas não é. Muitas vezes a gente precisa ceder um pouco para que o outro ganhe. Amanhã vai ser a vez dele ceder um pouquinho para que nós nos sintamos melhor. E assim segue a vida, assim segue a nossa sociedade.

Esperamos sempre que o mundo mude para melhor para atender às nossas necessidades, mas nem sempre estamos dispostos a mudar nós mesmos em prol de um mundo melhor.

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