Macacos

Publicado: 19 de setembro de 2014 por Kzuza em Comportamento
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Durante muito tempo relutei em escrever aqui sobre o caso do goleiro Aranha lá na Arena Odebrecht, em Porto Alegre. Isso porque o assunto é extremamente delicado e eu não sou, em hipótese alguma, um diplomata para tratar esse tipo de coisa com sutileza. Então é certo que muita gente pode me condenar pelo que eu vou escrever, achar que eu sou um monstro criminoso, coisa e tal. Eu quero mesmo é que se foda. A minha moral só a Deus cabe julgar, então fico tranquilo na minha consciência.

Mas o fato foi que o Santos voltou à Porto Alegre ontem para mais uma partida de futebol e a torcida deu mais um show de estupidez, concordando com o que foi feito da outra vez por alguns torcedores, e isso colocou toda a minha argumentação abaixo.

Isso porque, diante do primeiro episódio, eu achei que o negócio tinha tomado uma proporção totalmente indevida. Coisa de um mundo hipócrita do caralho e de uma mídia que adora criar polêmica. Para mim, toda a audiência criada em cima do caso foi coisa de sensacionalismo. Coisa de quem nunca foi a um estádio de futebol. Não que eu ache que a garota estava certa em xingar o cara de macaco, nada disso. Nem que o fato de estar dentro de um estádio permita ao indivíduo ficar fora de si. Mas até aí, jogar a menina no meio dos leões para ser devorada é de uma crueldade mil vezes maior do que as ofensas por ela proferidas ao goleiro em um JOGO DE FUTEBOL (sim, em maiúsculo e negrito, para ter o verdadeiro destaque). A mídia até hoje não nos deixou esquecer do rosto da garota, nem dos gritos proferidos por ela. Isso em uma situação de emoção extrema, em um estádio de futebol, com o seu time perdendo um jogo em uma competição importante.

Se alguma câmera de TV tivesse me flagrado em um estádio de futebol xingando jogadores (do meu clube e adversários) na época em que eu frequentava estádios, veriam que a menina foi uma lady. Não, nunca xinguei um jogador de preto, macaco, ou qualquer outra designação para sua cor de pele, mas posso lhe garantir que foram coisas bem mais pesadas.

Eu diria que a injúria racial é tão ruim quanto a ofensa relativa à opção sexual do cara, e nem por isso estamos reprimindo isso em estádios de futebol. Crucificar a garota agora me parece de uma desproporção absurda. Deixem que os tribunais a julguem da maneira adequada pelo erro. Já vi coisa muito pior por aí acontecendo e a mídia esquece tão rápido que não vemos o criminoso tendo casa incendiada, nem sendo ofendido em público, nem tendo que se esconder em casas de diferentes amigos e parentes para sobreviver.

Só que aí a torcida vai lá e faz essa bosta que fez ontem, e aí a coisa tomou uma proporção muito maior. Vaiar o goleiro, em específico, e ofendê-lo com palavras irônicas simplesmente pelo fato de que “macaco” não pode é muito pior do que o fato isolado da primeira vez. Dessa vez sim o negócio foi direcionado e pensado, passando sim a configurar um ato grave. Isso por si só já bastaria.

Mas mais uma vez a mídia sensacionalista vem e caga em cima de tudo, procurando pêlo em ovo e tentando encontrar outro Judas. O coitado agora é um cara que aparece xingando o goleiro de “Fedorento”. Putaquepariu! Eu xingava meus amigos de 2ª série de fedorento, vai se foder! Fedorento! Volto ao parágrafo ali em cima, onde mencionei os xingamentos que aprendi em estádios de futebol, e que por lá ficavam. Se houvesse câmeras assim na minha época, eu certamente já havia sido esquartejado em público.

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