Qual é o limite da minha irresponsabilidade?

Publicado: 6 de agosto de 2014 por Mathias em Sem categoria

Acabo de perceber que me estresso à toa, sou muito responsável!

De hoje em diante assumo que não tenho responsabilidade nenhuma, e os responsáveis pelos meus problemas serão: a SOCIEDADE e o ESTADO!

Sim, são essas duas entidades mágicas benevolentes, oniscientes e onipresentes que detêm o monopólio das virtudes e dos melhores meios para criar um mundo melhor para minha própria vida!

Minha primeira despreocupação é com a defesa da minha própria vida, por isso que não posso ter uma arma de fogo! É Ele, o benevolente Estado, que deve ter o monopólio da Polícia para garantir a minha segurança, e ele deve pressupor que eu não tenho capacidade de manuseio e sou um imbecil assassino que na primeira oportunidade saio fazendo disparos a esmo em um shopping ou no trânsito. Uma outra justificativa do Estado é que “ela” (a arma de fogo) mata pessoas inocentes.

http://oglobo.globo.com/brasil/mapa-da-violencia-2014-taxa-de-homicidios-a-maior-desde-1980-12613765

Amanhã o Estado também será responsável pela minha saúde. Não quero mais me preocupar com isso, portanto defendo que o soberano Estado, com seu perfil legiferante, proíba a venda de qualquer produto causador de males a minha saúde, como cigarros, e bronzeamentos artificiais. O Estado também deve proibir a venda de alimentos com alto teor de gordura e açúcar, além das bebidas alcoólicas, também devo manter uma alimentação balanceada com verduras, legumes e óleo de fígado de bacalhau. Como parte da minha saúde devo receber estímulos para me exercitar, então o Estado deve me obrigar a praticar exercícios 5 dias da semana durante uma hora. Como resultado a Sociedade toda ganha com a diminuição de atendimentos em hospitais!

http://www.leiantifumo.sp.gov.br/

A educação dos meus filhos também será repassada ao Estado e a Sociedade, quem sou eu, um reles indivíduo, para cuidar deles?
O Estado deve prover o ensino e a Sociedade fica com a responsabilidade da educação, como um tutor, já que meu filho (e os seus) é moldado pela “mística Sociedade”, nada melhor do que a própria tomar as rédeas da sua educação. O Estado deve me proibir de utilizar qualquer tipo de castigo pedagógico, e mesmo que seja redundante a leis anteriores o ideal é criar mais uma lei para isso. Minha única responsabilidade seria cobrar da escola soluções de possíveis problemas de disciplina, é a escola que deve garantir que ele se torne um cidadão de bem, e se algo der errado a culpa será dela, da Sociedade ou do Estado!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Menino_Bernardo

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vestibular/noticia/2014/08/norma-preve-que-escolas-do-estado-nao-possam-mais-expulsar-alunos-4567037.html

Nesse mesmo contexto o Estado, ainda na sua melhor performance de criar leis, deve proibir propagandas infantis que estimulam o consumo descontrolado do meu filho, isso evita que eu me estresse e ele se frustre com uma possível negativa, além de me ajudar no controle sobre as finanças domésticas.

http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2014/04/29/medida-proibe-publicidade-dirigida-ao-publico-infantil

 Assim eu posso curtir um passeio com meu filho, claro… sem nenhuma responsabilidade. Posso ir ao zoológico e deixar que ele brinque na jaula de tigres e leões. Caso ele venha a ter um braço destruído(e depois amputado) pelo felino minha parcela de culpa será pulverizada, já que o verdadeiro culpado foi o tigre, ou quem sabe o zoológico, ou quem sabe o Estado ou a Sociedade.

http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2014/08/culpa-e-exclusiva-do-zoologico-diz-advogado-sobre-ataque-de-tigre-no-pr.html

Meu trabalho também deve ficar em segundo plano no quesito responsabilidade, devo tratar meu patrão como um grande opressor capitalista cujo objetivo é lucrar em cima do meu esforço. Cabe ao Estado punir meu patrão, diminuindo seu lucro, criando regras burocráticas, tributos esdrúxulos e mecanismos para que eu não seja demitido, mesmo sem produtividade, assim eu fico despreocupado em ficar sem emprego. Caso venha a sofrer de assédio moral posso recorrer na justiça por uma gorda indenização.

http://blogdobg.com.br/empresa-tera-de-indenizar-funcionaria-que-se-divorciou-por-trabalhar-demais

O cenário me deixou feliz, terei poucas preocupações e poucas responsabilidades, mas perdi muitas liberdades!

Até que ponto o Estado deve cercear nossas liberdades sob a boa intenção de querer um bem maior?

FUI!

Mathias.

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comentários
  1. […] Mas talvez você também alegue que isso é um caso isolado. Eu mesmo não vou ficar aqui citando inúmeros outros exemplos para você ver o quanto a sua liberdade pessoal é diariamente podada sem que você note. O Matheus já deu alguns exemplos muito bons aqui ó. […]

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  2. […] antifumo e as políticas de tratamento dos dependentes de crack na prefeitura de São Paulo. E comentei aqui, sobre as ações de interferência do estado e as demandas da população que cada vez mais querem […]

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  3. […] que nos diferencia dos demais animais, temos a capacidade de ir além de nossos instintos, somos responsáveis pela nossa conduta. Hoje o mundo é resultado da nossa conduta individual e coletiva, da nossa […]

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