Vergonha

Publicado: 19 de novembro de 2012 por Kzuza em Esporte
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Há muita gente que deixou de assistir a Fórmula 1 depois da morte do ídolo Ayrton Senna. Argumentam que a categoria perdeu a graça.

Eu, particularmente, atribuia a falta de graça do esporte não à morte do ídolo nacional, mas sim à ausência de competitividade. Passamos longos anos sem ver boas brigas nas pistas. Passamos anos vendo Michael Schumacher correndo sozinho e ganhando 7 campeonatos, sem adversários. Não que ele não seja um gênio e um ótimo piloto, mas convenhamos que um esporte sem disputas niveladas é realmente é chato.

Mas não dá pra negar que todo mundo gosta mesmo é de ver o nosso país bem representado e com um competidor à altura dos demais na briga pelo título. Quando se trata de esporte, é basicamente automático você torcer para alguém. E apesar de tudo, apesar de bons pilotos que vêm do velho continente, como Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Lewis Hamilton, queremos mesmo é ver um brazuca lá. Queremos a nossa bandeira e o nosso hino no lugar mais alto do pódio.

E mesmo que isso não venha, mesmo que tenhamos pilotos nem tão bons assim, queremos ver brigas, disputas, nem que seja para entrar na zona de pontuação. Faz parte do esporte, faz parte da paixão.

O problema é que, infelizmente, somos extremamente mal representados na maior categoria do automobilismo mundial. Digo isso porque acho vergonhoso o comportamento de Felipe Massa. Esse cara, para mim, é uma das maiores vergonhas do esporte mundial de todos os tempos, assim como foi Rubens Barrichello na sua época na escuderia italiana. E por favor, parem de culpar a equipe. A culpa é do piloto, que se sujeita a isso.

Sinceramente, eu torço muito mais para o Bruno Senna do que para qualquer um dos outros dois. Apesar dele ser roda presa. Apesar dele nem ser tão bom. Mas simplesmente pelo fato de que ele compete. Compete para ser melhor que seu companheiro de equipe. Compete para entrar na zona de pontuação, só para ganhar um pontinho.

Massa e Barrichello são covardes. Não disputam. São funcionários. Trabalham para uma empresa. Esquecem-se de que aquilo é um esporte, e que esporte é batalha. É a luta para mostrar quem é melhor. Mas eles vivem de negócio. Querem dinheiro no bolso e foda-se o resto. São mercenários.

Eu preferiria correr em uma equipe de menor porte, ganhando menos da metade no meu salário (o que não significaria que eu estaria ganhando pouco), mas que me permitisse competir livremente.

Eu fico imaginando se, na época, Alain Prost tivesse sido chamado de lado por Ron Dennis e ouvido: “Cara, seguinte, você está na frente do Senna, mas ele está na briga pelo campeonato. Dá para você ajudá-lo e segurar uns adversários?”. Prost teria mandado Ron para a PQP e assinado contrato com qualquer outra equipe, mas jamais se submeteria a esse tipo de ordem.

Dignidade. Honra. Essas são palavras que os 2 últimos brasileiros que passaram pela Ferrari desconhecem.

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