Caindo na real

Publicado: 4 de setembro de 2012 por Kzuza em Política
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Essa época de eleições serve para mostrar o quanto somos um país atrasado e pobre culturalmente. Somos forçados a pensar que estamos à frente de nosso tempo e que evoluímos como nação pelo fato da nossa democracia estar fortalecida por fatores como a urna eletrônica e a Lei da Ficha-Limpa.

Eu realmente penso que tem muita gente tentando se enganar. Inclusive os mais esclarecidos.

As propagandas do TSE na televisão são de enojar qualquer ser pensante. São uma afronta aos esclarecidos. Sinceramente, elas me dão vontade de vomitar. Tenho vontade de sair dando murro na boca dos criadores dessas merdas.

Sério. Quem acha que a tal “ficha-limpa” é um avanço democrático e promove isso como se fosse o supra-sumo do nosso processo eleitoral é porque não conhece o povo do país em que vivemos. Partir do pressuposto que o problema do cenário político nacional está nos candidatos aos cargos públicos, ou mesmo nos políticos já eleitos, é de uma ingenuidade tremenda. O problema não está em quem se candidata a algum cargo público, e sim naqueles que o elegem. Estão atacando a causa errada e ainda promovem isso como se estivessem certos.

Não bastasse isso, as propagandas do TSE ainda prentendem incentivar a população a analisar os seus candidatos, procurar informações sobre o passado deles, verificar as propostas, etc. Fazendo uma analogia, é como se estivessem dizendo a um analfabeto para que leia mais livros para obter mais cultura, mas sem ensiná-lo a ler. Pedir para que um povo ignorante feito o nosso que “analise” ou “compare” propostas e candidatos também é ingênuo e ridículo. Infelizmente temos uma população onde cerca de 75% são analfabetos funcionais (considerando já os 8% considerados analfabetos plenos), o que quer dizer que 3 em cada 4 pessoas não conseguem interpretar textos e informações adequadamente. Você nem precisa ir longe ou sair do seu mundinho para ver que isso é verdade. Sendo assim, achar que esse povo irá avaliar e comparar candidatos é utópico.

Um exemplo fácil de se ver nos dias atuais é a ascensão nas pesquisas de intenção de voto do candidato Celso Russomano para prefeitura da cidade de São Paulo. Cansei de ver análises, tanto de especialistas quanto de pessoas do meu círculo de amizade, dizendo que as pessoas irão votar nele por falta de opção. Sim, pelo fato dos demais candidatos serem mais “fracos”, muita gente opta por votar em um cara diferente. Esse é outro ponto catastrófico. Quer dizer então que a falta de algo melhor te faz então escolher o “menos pior”? E quem levanta a bandeira da possibilidade de não se escolher ninguém para governar a cidade em que você vive? Se sua opinião realmente é válida e você quer expô-la de alguma forma, por que não demonstrar que você não está contente com a proposta de ninguém e por isso está anulando o seu voto? Dói? Ou você prefere escolher o apadrinhado do Paulo Maluf porque ele é “menos pior”?

Vejo debates políticos na televisão que, ao invés de informar e esclarecer as propostas à população, fazem exatamente o contrário. Não temos mais discussão de idéias, mas sim de assuntos diversos, que confundem o eleitorado.

Vejo pessoas difundindo campanhas pelas redes sociais, acreditando que vão mudar as coisas. Vamos acordar, galerinha. Menos blábláblá e mais ação, caso queiram de fato mudar algo.

A mudança que queremos enxergar só se dará através de um único caminho: a educação. Enquanto formos um país onde pouca gente (ou ninguém) está preocupado em investir nisso, nada vai mudar. NADA.

#revoltsmodeoff

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