A cultura do errado

Publicado: 7 de agosto de 2012 por Kzuza em Comportamento, Esporte
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Ontem o jornalista Tiago Leifert elogiou, através do seu perfil no Twitter, a vitória norte-americana no futebol feminino, que classificou as meninas para mais uma final olímpica. Ele comentou que admira o espírito dos americanos nos esportes, lutando sempre até o final (o gol aconteceu no último minuto da prorrogação). Segundo ele, com americanos e chineses é sempre assim, não tem “mimimi”, não tem frescura, é luta e entrega até o final. Ponto pro Tiago! Gostei! Mas obviamente muita gente deve ter ficado puta com ele. Muita gente criticou, dizendo que ele estava “pagando pau” para os americanos, coisa e tal.

O problema do brasileiro em geral é que fazemos parte do que eu chamo de “cultura do errado”. Desde pequenos, aprendemos a admirar o errado, o fodido, o malandro. E passamos, inconscientemente, a rejeitar aquele que é bom, inteligente, capaz. É um tipo de inveja.

Na escola, o cara mais inteligente é sempre o ridicularizado. É o nerd. O CDF. É o que não se enturma. O popular é o baderneiro, o que fica de recuperação, o que tem as menores notas. Esse segundo é o cara admirado!

Aí quando começamos a trabalhar, seguimos a mesma linha. Aquele cara certinho, que é promovido porque faz o serviço corretamente, segue as normas da empresa, coisa e tal. O que falam dele? É um otário. Teve sucesso porque tem sorte. É o ridículo que pede reembolso só do valor que foi gasto, sendo que poderia ter pedido uma nota fiscal adulterada para poder pedir mais dinheiro.

Sem contar no otário que faz a declaração do imposto de renda sem mentir em nada e, assim, restituindo um valor menor. Ou daquele que ainda paga o valor inteiro do ingresso, sendo que podia falsificar uma carteirinha de estudante para pagar meia.

Essa é nossa cultura. Você pode até tentar negar, mas não vai conseguir.

Eu também não gosto de um monte de coisa nos americanos. Tem muita coisa que nós somos muito melhores. Mas não é demérito nenhum admirá-los nas coisas que eles fazem bem, como nos esportes. Reconhecer o que os outros fazem bem é um grande passo para o aprendizado.

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