Olim-piadas

Publicado: 6 de agosto de 2012 por Kzuza em Esporte
Tags:,


Jogos Olímpicos. O maior evento esportivo do planeta. Época em que tentamos reviver o que os gregos faziam tão bem.

Mas época também muito propícia para muitas pérolas e discussões infundadas.

Outro dia lia a seguinte citação no Twitter (@marianaevcs): “Pra quem não sabe as Olimpiadas nasceram da necessidade imbecil de competição do ser humano”. Bem, opinião é como bunda, cada um tem a sua. Então eu posso discordar. Por dois motivos. Primeiro que não acho a necessidade de competição algo imbecil. É algo necessário, em todos aspectos da vida. Alguns entendem a competição como necessidade para evolução. Como eu acho o conceito de “evolução humana” algo muito vasto e polêmico (isso daria um belo post aqui), eu prefiro considerar a competição como uma boa forma de entretenimento e de exercício, seja ele físico ou mental. Em segundo lugar, a necessidade de competição não é da natureza humana somente. Ela está presente em todos os seres vivos. É algo intrínseco em toda e qualquer forma de vida. Assim, fico na dúvida: ou a autora da frase também se aceita na condição de imbecil de todos nós seres humanos, ou ela não é uma imbecil e vive em um mundo estagnado onde não existe competição entre ninguém.

Mas a batalha que não tem fim, nesse e em outros jogos olímpicos, é aquela entre os palpiteiros brasileiros (anônimos e jornalistas) contra os esportistas olímpicos.

De um lado do ringue, estamos nós, comentaristas de plantão. Sim, estou me incluindo. E nesse grupo, nós nos dividimos entre anônimos e formadores de opinião. Entenda como formadores de opinião jornalistas ou celebridades cuja opinião é amplamente difundida pelos meios de comunicação. Hoje as redes sociais funcionam como um amplificador para essas opinões, que tomam proporções ainda maiores nos dias atuais.

Do outro lado, estão os esportistas. Os caras que dão a vida para competir nas suas modalidades. Aqueles cuja especialidade é lutar contra os limites do corpo humano. Profissionais de altíssimo gabarito (sim, porque chegaram à maior competição existente no planeta).

Enfim, mas qual é a batalha? Basicamente, ideológica. Um lado que se acha especialista e dono da verdade, capaz de julgar e apedrejar aqueles que não obtiveram sucesso nas suas batalhas olímpicas. E outro lado, aqueles que se acham super-heróis, principalmente pelo fato de que estão nas Olimpíadas representando um país onde pouco se investe em esporte. Mas o que mais enche o saco é a falta de moderação dos dois lados da briga. Até agora, nesse pouco mais de uma semana de competições, não consegui ver ninguém que conseguisse balancear os dois lados da opinião de uma forma razoável.

Funciona mais ou menos assim: os críticos não manjam porra nenhuma de esporte, só sabem criticar e torcer contra os brasileiros, e os nossos esportistas são heróis intocáveis que não podem de maneira alguma ser cornetados.

Vamos lá à minha opinião.

Ponderação. Essa é a palavra. Também acho que tem muita gente que critica só por criticar e pra encher o saco. Mas eu concordo com muita coisa que é dito. Concordo que muita gente decepcionou em Londres. E não por falta de preparo ou de incentivo. Decepcionou porque amarelou mesmo, porque foi fraco. E ainda tem mais 5 dias de competições, muita coisa pode rolar. Fico extremamente orgulhoso de ver a postura do Cesar Cielo, por exemplo, assumindo que ficou “puto” da vida com apenas uma medalha de bronze. Isso é postura de vencedor. Ele foi uma decepção, e ele mesmo reconhece.

Mas não dá para entender o desempenho pífio do Brasil no judô. Um país com tantos líderes dos rankings de suas categorias, como Leandro Guilheiro e Tiago Camilo, amarelando na hora H? Não me fale em falta de incentivo ou de preparação, porque eles não chegaram à liderança e às medalhas em mundiais à toa. Eles simplesmente não foram capazes de ganhar na maior competição mundial. Tinham capacidade e falharam sim.

A mesma coisa com Fabiana Mürer e Diego Hipólito. Não acho justo julgar a história de nenhum deles apenas pela Olimpíadas, mas eles foram fraquíssimos em Londres e merecem as críticas. Não é pelo que fizeram uma vez ou outra na vida que ganham imunidade. A desculpa do vento para mim é ridícula. O vento bateu para todas. E outra: se o vento estivesse fora dos padrões, a organização não deveria ter suspendido a prova? Parecia que Fabiana havia começado a competir esse ano e nunca tinha enfrentado vento na vida!

Por outro lado, acho injusto, por exemplo, dizer que o futebol e o basquete feminino foram decepções. Para quem? Quem sinceramente esperava alguma coisa delas? Ambos esportes são nulos no Brasil. É algo como o hóquei na grama. Não é porque existe um fenômeno como a Marta que somos esperança em algo. Não temos futebol feminino no Brasil. Temos uma seleção. E só. E não é porque um dia tivemos Hortência, Paula e Janete que o basquetebol brasileiro será esperança de algo. O gênero feminino dessa modalidade, aqui no Brasil, está completamente abandonado e há tempos não temos nada de bom. Não dá para exigir muita coisa.

Enfim, não acredito que toda crítica seja injusta, embora muita gente exagere. Acho que falta ponderação. E acho também que falta muita vergonha na cara para atletas que se dizem super-heróis. Menos, bem menos. 2016 está logo aí e o vexame pode ser bem maior.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s