Maconha e afins

Publicado: 27 de junho de 2011 por Kzuza em Cotidiano, Política
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Sei que estou um pouco atrasado aqui, mas queria falar um pouquinho sobre esse “bafafá” todo que foi causado pela tal Marcha da Maconha aqui em São Paulo. Primeiro, a justiça proibiu; depois, liberou a manifestação. A primeira tentativa, enquanto a proibição ainda valia, foi recheada de atos violentos, por parte da polícia e dos manifestantes, e de prisões. A segunda, já liberada, foi marcada pela paz e por um apelo não pela descriminalização ou liberação do uso da droga, mas sim pela discussão aberta do problema.

Vamos lá.

Concordo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com a apresentadora Marina Person quando ambos dizem que o problema precisa ser discutido a fundo aqui no Brasil, de forma aberta. Acho, na verdade, que esse problema das drogas é mais um dos problemas de saúde pública do nosso país, e que deve ser tratado de forma séria.

Mas tenho as minhas considerações.

Precisamos contextualizar a nossa situação como nação, antes de mergulhar de cabeça em discussões sociais.

O fato é que somos um país de terceiro mundo. Somos um país cuja educação foi deixada de lado desde o início da nossa existência. Ninguém de fato nunca se preocupou com a formação de um povo capaz de produzir intelectualmente. Salvo raríssimas exceções nesses mais de 500 anos de história, podemos nos considerar um fracasso. Para um país de dimensões continentais, pouco produzimos. Isso porque esse é o país da festa, da cachaça, da comida e do sexo. Aqui não é terra de pensadores, de cientistas, de grandes artistas.

Esse descaso todo com a educação do nosso povo explica perfeitamente o ponto ao qual chegamos. Um povo que elege governantes em troca de cento e poucos reais de Bolsa Família. Um povo sem discernimento, que não sabe perceber quando está sendo passado para trás. Um povo que não quer saber de trabalho, quer saber de dinheiro. Que não quer qualidade de vida, quer somente “vida”. Quer sobreviver. Basta um prato de feijão com arroz, e está satisfeito. Se sobrar uma graninha para uma cerveja, ótimo. Pouco importa se o filho não tem escola de qualidade e vai ser tão coitado quanto os pais no futuro. Pouco importa se os hospitais não têm leitos suficientes quando eles precisam. Pouco importa se o filho não tem merenda na escola. O importante é sobreviver.

E dentro dessa massa populacional enorme de ignorantes, existem alguns poucos. Como eu. Como você que está lendo esse texto agora, porque tem acesso à Internet e consegue entender o que eu estou escrevendo. Sim, porque ser alfabetizado nesse país não quer dizer que a pessoa entenda o que está lendo. Temos um ensino precário.

São justamente esses poucos que se manifestam. Que tentam, de alguma forma, mudar as coisas por aqui.

Acho que é aí que está o problema. Porque tem neguinho que se acha esperto, e sai às ruas para pedir a legalização da maconha.

Camarada! Você não está na Holanda, meu chapa! Você está no LISARB, o país onde tudo acontece ao contrário.

Pensa o seguinte: quem seria beneficiado com a legalização ou descriminalização do uso da droga aqui nesse país? Só essa meia dúzia de burguesinhos de merda, filhinhos de papai que moram na Zona Sul do Rio de Janeiro, ou no Brooklin e Itaim, em São Paulo, ou no Moinhos de Vento, em Porto Alegre. E só, meu chapa. Pois são justamente esses playboyzinhos de bosta que estão nas ruas marchando pela maconha.

E não é esse o problema do país. Eu fico preocupadíssimo quando vejo gente querendo discutir sobre o aborto ou a pena de morte aqui no Brasil. Cara, a gente não consegue dar condições mínimas de sobrevivência para a população, e estamos querendo pensar como primeiro mundo? Crianças morrendo de fome no Nordeste, milhões por aí sem casa, sem saúde básica, e você preocupado em fumar o seu baseado em paz, seu bosta?

A gente tem que se preocupar com as drogas sim. Mas tem que se preocupar em educar. Em conscientizar esse povo que tem acesso às drogas. Tem que acabar com o tráfico. Tem que reprimir. E não liberar tudo, para então “se livrar” do problema. Um povo que não sabe votar, você acha que vai saber discernir se a maconha faz bem ou não? Nem com leis e fiscalização severas as pessoas pararam de encher a cara de álcool e dirigir por aí. Você acha, sinceramente, que seria diferente com outras drogas?

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