Medio tutissumus ibis

Publicado: 23 de março de 2011 por Kzuza em Comportamento, Religiões
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Realmente, a leitura faz a nossa imaginação ir muito longe. A minha mente já é fértil por natureza, mas agora está ainda mais aguçada. Estou lendo “O Livro de Ouro da Mitologia”, de Thomas Bulfinch, e isso tem me feito pensar demais a respeito de uma série de coisas que vou tentar misturar aqui nesse post. Deve ser pura viagem minha, mas tenho visto as coisas por um outro lado agora.

As alegorias e parábolas citadas no livro até agora possuem muitos correspondentes na Bíblia, e isso tem me feito pensar em como o homem encara a religião. Porque gregos e romanos, no início da civilização, tinham crenças em certo ponto muito parecidas com as nossas nos dias atuais. Fico pensando se, num futuro não tão distante assim, o cristianismo não passará também a ser uma mitologia. Por que não? Os heróis e deuses citados no livro não deixam a desejar em relação aos nossos santos e discípulos que hoje cultuamos.

Os “milagres” nos quais eles acreditavam também são semelhantes aos que hoje são divulgados aos montes por aí. E olha que eles não tinham televisão, nem internet, nem rádio, nem nada disso. A crença deles era muito mais real que a nossa. As histórias não precisavam de um livro para que fossem conhecidas por todos. E o temor deles também era muito maior que o nosso hoje em relação às suas divindades.

Mas o mais interessante do livro é ver que muitas das histórias também ensinam coisas legais. Assim como a Bíblia. E que a gente pode aproveitar muita coisa na nossa vida.

Como no episódio em que Faetonte, filho de Apolo (o Deus Sol), pede para que o pai o deixe dirigir o seu carro por uma vez. O pai, em sua sabedoria, orienta o filho como o fazer. E uma das dicas é: “O meio é caminho melhor e mais seguro”. Ou, como escreveu Ovidio, medio tutissumus ibis (irás com mais segurança pelo meio).

Isso serve para todos nós. Porque, como seu sempre disse e acho que já escrevi aqui alguma vez, nada em excesso faz bem. Absolutamente nada. A moderação é a maior das virtudes. O equilíbrio entre os dois lados extremos torna tudo melhor.

Não seja tão feliz de modo que não tenha tristeza que possa te proporcionar momentos de superação. Não seja tão furioso que não o permita amar as pessoas que merecem. Não seja tão agitado de modo que não consiga aproveitar um bom livro, ou sentar-se e aproveitar a paisagem. Não seja tão viciado em trabalho que não te permita aproveitar sua família. E nem seja tão vagabundo que não se permita criar coisas novas. Enfim, faça tudo com moderação, ide sempre pelo meio.

Nota final: você, cristão fervoroso, antes de começar a me criticar, entenda que eu não estou criticando a sua crença. Saiba que eu aceito e apóio qualquer tipo de crença que tenha como único objetivo a prática do BEM e do respeito à todos os outros.

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comentários
  1. mathias disse:

    Faetonte é filho de Hélio, o deus do fogo.
    Apolo também é um deus solar, mas é Hélio quem pilota a carruagem de fogo.
    Faetonte é morto por Zeus porque não estava pilotando muito bem a caranga do pai… não seguiu o conselho de andar no meio! hehehe

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  2. Kbça disse:

    Gostei, Mahatma ZUZA !!

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