O Centro

Publicado: 16 de março de 2011 por Kzuza em Geral
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Se existe um negócio de que eu aprendi a gostar desde pequeno foi o Centro de São Paulo. Desde novinho, quando ia até a Rua Santa Ifigênia com meu pai, para comprar fitas VHS, ou equipamentos de vídeo e iluminação. E aproveitávamos para dar uma esticada até a Lupatelli, loja de ferreomodelismo ali pertinho do Viaduto Santa Ifigênia. Ou das vezes que fui buscar medicamentos manipulados na botica Ao Veado D´Ouro, na São Bento.

Com o tempo, acabei descobrindo que o Centro tem muito mais coisa que isso, e agora dei a sorte de vir trabalhar aqui pela primeira vez. Quer dizer, já fiz uns trabalhos por aqui, mas assim, fixo, é a primeira vez.

Acho que poucas coisas na cidade de São Paulo ainda fazem valer à pena morar aqui, e o Centro realmente é uma delas. Porque o que você imaginar, tem aqui. Acho até que se você perder a mãe, pode vir aqui e comprar uma novinha, porque deve ter alguma loja especializada.

Aqui vende-se de tudo, e também vê-se de tudo. Desde o Rodela fazendo um show pífio de humor no Largo São Bento até os mais diversos estereótipos que se possa imaginar.

São Paulo tem turista pra caralho! E tem gente pra caralho também! E o Centro é igual ao de Londres, com menos garoa e menos frio. Tem gente de todo lugar, tem coisas para todos os gostos. Tem a mulherada se acotovelando na 25 de Março. Tem gente esquisita na Galeria do Rock. Tem construções belíssimas, igrejas fantásticas, e uma arquitetura sensacional!

Mas a gente não valoriza. O Centro é a área mais abandonada da cidade! É um paradoxo tremendo. Não consigo entender como a prefeitura consegue deixar de lado o lugar mais paulista de São Paulo. A sujeira, o cheiro de mijo, os mendigos, o visual abandonado… será que estão tentando manter isso igual à Trafalgar Square, em Londres?

Tenho certeza absoluta que o problema não é dinheiro, é falta de vontade. Ninguém quer dar um jeito ao Centro. Ninguém quer ver isso daqui limpo e bem cuidado. Não é difícil, existem milhares de formas de se revitalizar essa área, mas falta mesmo alguém com vontade, alguém que queira trabalhar. O próprio povo é culpado por esse abandono, pois também não dá valor. Porque, apesar da prefeitura não limpar direito essa área, não é ela que vem aqui jogar lixo no chão.

Mas mesmo assim, continuo amando esse que para mim é o maior tesouro da cidade. E continuarei vindo aqui sempre, seja para trabalhar, seja para passear. E espero passar isso para minhas futuras gerações, se for possível. Porque isso sim é patrimônio histórico e cultural, já as áreas valorizadas pela prefeitura (Paulista, Jardins, Berrini, Faria Lima) não valem nem metade disso.

Nota: com a colaboração dos comentários do Dedão e do Luis Milanese.

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