Mundo fresco

Publicado: 1 de fevereiro de 2011 por Kzuza em Comportamento
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Voltando ao assunto das frescuras do mundo moderno, ontem assistindo ao Jornal Nacional vi uma reportagem sobre as obras do Mestre Aleijadinho e fiquei pensando: o que teria acontecido se esse coitado tivesse nascido nos tempos atuais, heim? Que coisa mais feia chamar um deficiente físico de “aleijadinho”. Caraca! O Ministério Público ia cair matando em cima. Imagine só na escola, coitado? Os amiguinhos, vendo-o numa cadeira de rodas, diriam: “Lá vai o aleijadinho”. Pronto! A direção da escola chamaria os pais para uma advertência. O Fantástico e o Altas Horas fariam uma reportagem sobre o caso. Psicólogos iriam dar suas opiniões, blábláblá, blábláblá…

Graças a Deus estou no auge dos meus quase 30 anos. Na minha época, as coisas eram bem mais diferentes e, desculpem-me os conservadores, muito melhores do que hoje.

Fico pensando como seria minha infância / adolescência se fosse nos dias atuais.

Um dos meus melhores amigos, o Cabeça, o que seria dele? Imagine só, na escola! Todos zombando do tamanho da cabeça do menino! Se fosse hoje, nossos pais seriam chamados, receberíamos punições. O Cabeça seria encaminhado para tratamento psicológico por sofrer bullying.

E eu, que desde a infância sou chamado de Cazuza? Drogado, viado e aidético. Passei minha vida ouvindo isso! O que aconteceria se isso fosse hoje, por exemplo?

E o Bola? O Baleia? O Narigudo? O Boeing? Poderíamos chamá-los assim hoje?

Pior ainda! E aquela zueira que sempre acontecia quando um amigo tinha um jeito afeminado, ou aparecia com uma camisa cor-de-rosa, ou quando assumia gostar de New Kids on the Block? “Aí, lá vai o viadinho! O masca-rola! O bambi!”. Deus o livre! Hoje em dia, isso é comportamento homofóbico. Dá cadeia! Aliás, hoje em dia, você é o estranho se não gostar de Justin Bieber, se não fizer chapinha no cabelo ou se não andar rebolando.

Enfim, graças a Deus eu estou ficando velho. Se fosse adolescente, já tinha me suicidado.

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comentários
  1. tigre disse:

    me chamavam de virgem, e meu irmão éra o virgenzinho, coitado, nao tinha nada a ver com a história..

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  2. Kbça disse:

    E agora, mano ? Eu chamo meu filho de Kbcinha… será que alguém vai me processar ? Fudeu !!

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  3. disse:

    Eu sofri bullying na infância, assim como praticamente todas as crianças. E tô aqui, vivo e saudável!
    Fora que minha infância foi vivida quase que totalmente nos anos 80, uma das épocas mais politicamente incorretas da história da humanidade. Lembro dos programas humorísticos da época fazendo piada com gays, negros e afins. As pessoas sabiam que não era por causa daquelas piadas que deveríamos destratar as chamadas minorias, e que aquilo era apenas brincadeira. Mesmo na escola, quando chamávamos algum moleque com jeito levemente afeminado de “bicha” ele mesmo se encarregava de zoar a gente de volta — ou de continuar se zoando. Meu tio chamava os sobrinhos dele (eu incluso) de vários apelidos, tipo “urubu” e “viadinho” e eu não o odeio por isso. Nem acho que isso me abalou psicologicamente.
    O problema maior que eu vejo no “politicamente correto” é que as pessoas passaram a ser hipócritas. Antes você falava na cara das pessoas: se um amigo seu era estrábico você falava “lá vai o vesgo”; se uma menina tinha um comportamento levemente promíscuo era chamada de biscate e galinha na lata, sem pudor. Hoje em dia se um cara tem um comportamento “pouco masculino” é tratado de forma polida enquanto está próximo, mas basta ele virar as costas pras piadinhas e comentários terem início. E provavelmente esse cara, que pra esse exemplo será chamado de Afrânio, não ouvirá seus colegas o chamando de bichinha, viado e afins — porque eles não farão isso na cara dele.
    E isso só tende a piorar. Não duvido que logo, logo, alguém proponha “rebatizar” o Aleijadinho de “Pessoa com Necessidades Especiais e Baixa Estatura” (até porque mesmo chamá-lo de “Pessoinha com Necessidades Especiais” pode ser interpretado como pejorativo, por causa do diminutivo).

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